"Polícias com stress"

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foxtrotvictor

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« Responder #15 em: Janeiro 12, 2007, 01:52:56 pm »
Citação de: "sturzas"
Viva a todos

Penso que este assunto, de trabalho, a nível de horas práticas e demais, desempenhadas por agentes da PSP, ou por militares da GNR, tem algo a ver com a (ir)realidade que se vive neste país.

Um agente/militar de autoridade, tem uma missão/obrigação/objectivo a desempenhar. Eu enquanto arquitecto, também tenho uma missão/obrigação/objectivo a desempenhar. Eu tenho um trabalho, por exemplo, para entregar amanhã, e até lá "a minha missão/obrigação/objectivo" é fazer com que se execute dentro do proposto e entregá-lo amanhã, sempre dentro das conformidades exigíveis por leis (os arquitectos por umas, os agentes/militares de autoridae por outras mais vastas e que nos abrangem a todos nós cidadãos) .

A entidade que supervisiona o meu trabalho, confirma a entrega do mesmo no tempo proposto. A entidade para a qual eu presto serviço, que é a mesma, tem por obrigação quantificar, todo o meu tempo/trabalho dispendido para a realização/execução do mesmo, remunerar-me sobre o mesmo trabalho executado, e claro, não menos importante, proporcionar todas as condições dignas para uma boa execução do mesmo, porque simplesmente beneficia um todo(s)... à entidade que recebe os honorórios, e a mim que recebo a "guita" e o reconhecimento, por executá-lo.

Por que é que um agente/militar da autoridade é diferente de mim? Em lado nenhum! São profissionais tal como eu, têm que responder a uma entidade superior, têm que abdicar de vida própria/familiar, com a agravante de estarem 24 horas de serviço (condicionante da opção/formação/dedicação), que tomaram e, mais, ao contrário que pareça, perante a sociedade (género jurídico-social), têm mais responsabilidade do que o comum dos mortais.

Como tal é legítimo, que lhes seja reconhecida, com dignidade e justiça, sendo na minha óptica, respectivamente, condições de trabalho no que toca a meios técnicos, materiais e de protecção (dignidade) e justiça, para que haja também direito a uma retribuição material de todo o trabalho desempenhado, visto ele ser feito em prol de todos (justiça).

Todos os demais problemas estruturais que uma Instituição acarreta, desculpem, mas é problema de quem faz parte da Instituição.

Acho que no fundo, se queremos as coisas melhores, temos que as transformar em coisas melhores. Mas sempre pela forma correcta. Achar essa forma é que complicado!

Um especial agradecimento e reconhecimento, ao Foxtrotvictor e ao Lecavo.  :D

Cumprimentos


Muito bem, sturzas.
 

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foxtrotvictor

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« Responder #16 em: Janeiro 12, 2007, 01:55:41 pm »
Amigo Lecavo, há alguém deste forum, que pertence a um serviço de segurança e que tem o seguinte horário:

Uma tarde: das 15H00 as 23H00
Uma manhã: das 07H00 as 15H00
Um turno de apoio: (só trabalha se necessário)
Uma Noite: das 23H00 as 07H00.
Dois dias de folga.

Esse horário dos americanos parece-me horas a mais. :D
 

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lecavo

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« Responder #17 em: Janeiro 12, 2007, 11:00:27 pm »
Viva!

Citação de: "foxtrotvictor"
Amigo Lecavo, há alguém deste forum, que pertence a um serviço de segurança e que tem o seguinte horário:

Uma tarde: das 15H00 as 23H00
Uma manhã: das 07H00 as 15H00
Um turno de apoio: (só trabalha se necessário)
Uma Noite: das 23H00 as 07H00.
Dois dias de folga.

Esse horário dos americanos parece-me horas a mais. :D

Há serviços da PSP que têm um horário semelhante. Mas parece-me que o dos "américas" é melhor. Digo-o por razões operacionais que não posso explanar aqui (não te esqueças que é um forum aberto). Os "américas" sabem-na toda, este horário não foi escolhido por acaso. Permite-lhes a cada 3 meses entrar num mês (o 4º. mês) de instrução sem prejudicar o normal desenrolar do serviço.

Mas tem de haver ali qualquer coisa esquisita que faça a escala rodar. Isso é que me falta saber.



Citação de: "Leonidas"
Caro Lecavo, se me permite uma sugestão: consulte um matemático ou um barra em cálculo e exponha o seu problema. Talvez assim possa ser mais fácil.


Obrigado pela sugestão. Mas já tentei isso. Pedi a um amigo professor universitário e nada. Com as condições que lhe impus ele também não conseguiu. Falta saber o que eles introduziram na escala para a fazer rodar ou então se ela não roda, como resolveram o problema das folgas ao fim-de-semana. Ou então não resolveram e dentro de alguma flexibilidade deixam o pessoal escolher os dias em que querem ter as suas folgas. Pode ser que muitos prefiram folgas durante a semana em vez do fim-de-semana.
Um abraço.

--Lecavo
 

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foxtrotvictor

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« Responder #18 em: Janeiro 13, 2007, 12:15:48 pm »
Aqui vai o exemplo de escala. Cometi uma pequena inexactidão na explicação anterior, pois a partir de 2007 o apoio é feito por um elemento em cada mês (neste exemplo o A), que escolhe o horário que quer ou assegura o turno de algum elemento que esteja de férias. A escala recua sempre um dia. Aqui vai o exemplo do Foxtrot. Dá uma média de 4 turnos por semana, totalizando 32 horas semanais. O turno da noite começa as 23 horas do dia anterior ao marcado na escala e termina as 07 horas do dia marcado como noite, o que dá, entre o final do turno da noite e o próximo turno da tarde, 80 horas de descanso.

 

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ShadIntel

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« Responder #19 em: Janeiro 29, 2008, 04:25:21 pm »
Militar da GNR encontrado morto em estacionamento

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Um militar da GNR foi encontrado, esta terça-feira, morto com uma bala na cabeça num carro estacionado no parque de uma superfície comercial situada em Eiras, Coimbra, revelou fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
( 13:55 / 29 de Janeiro 08 )

   

De acordo com fonte da GNR, o militar, de 43 anos, ter-se-á suicidado. Se esta versão se confirmar, eleva-se para 27 o número de elementos da PSP e GNR que se suicidaram nos últimos seis anos.

Segundo a fonte do gabinete de comunicação do INEM, a chamada para o parque de estacionamento do Modelo de Eiras verificou-se às 09:15.

Foram enviadas uma viatura médica de emergência e reanimação dos Hospitais da Universidade de Coimbra e uma ambulância INEM mas, à chegada, foi confirmado o óbito - adiantou o INEM.

O militar era chefe de secretaria da secção de investigação criminal do Comando da Brigada Territorial nº 5 da GNR de Coimbra.
 

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nonameboy

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« Responder #20 em: Janeiro 31, 2008, 03:43:50 pm »
enfim...

muito triste mesmo e mexe com qualquer um, principalmente alguem que gostava de pertencer á ''casa'' e nos leva a pensar...

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ShadIntel

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« Responder #21 em: Janeiro 31, 2008, 03:56:51 pm »
Citação de: "nonameboy"
enfim...

muito triste mesmo e mexe com qualquer um, principalmente alguem que gostava de pertencer á ''casa'' e nos leva a pensar...

É preciso pensar com cabeça fria e não esquecer que o suicídio não é uma "exclusividade" das forças de segurança. Pode muito bem não ter nada a ver com o stress do trabalho; é só que, no caso de certas profissões, estes tristes acontecimentos fazem sempre notícia e são imediatamente ligados ao trabalho, e não à vida pessoal.
 

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Areopago

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Polícias "Stressados"
« Responder #22 em: Fevereiro 01, 2008, 09:34:41 pm »
O factor Stress nas forças de segurança é algo que há muito é verificado por todos quantos fazem parte dessas instituições nomeadamente das estruturas hierárquicas que pouco ou nada, talvez mais nada, têm feito pois é mais fácil punir que ajudar(!!)...eu passei doze anos na Polícia de Segurança Pública, sempre no chamado "paralelo", ali me licenciei e pós graduei, onde vi de tudo, onde colegas desabafaram coisas comigo que nem um padre estaria disposto a ouvir, coisas que só quem anda no terreno todos os dias sabe que aqueles desabafos apenas podem advir de pessoas em grande stress provocado muitas vezes pelo facto de não poderem desabafar com ninguém, não poderem dialogar meus senhores uma coisa tão simples e acessível a qualquer ser humano mas que nessa instituição não é fácil por os senhores oficiais aprenderem na Escola Superior de Polícia que a missão deles é contactarem com os políticos e presidentes de câmara quando lhes deveriam ensinar que vão lidar com seres humanos que trabalham em situações deploráveis, nem em Angola é assim, e sem apoio nenhum da instituição quando têm processos crime e discplinares a maior parte das vezes porque apetece ao cidadão não gostar do "polícia" que recebeu a queixa...a hierarquia apenas se preocupa com as promoções e mais nada, cortando o diálogo com os subordinados...eu cheguei a presenciar/ouvir a certos senhores oficiais que não falavam com agentes (estamos no século XXI(!!!!)) e com subchefes por especial favor, ouvi oficiais dizerem a cidadãos que polícia eram os elementos que tinham umas riscas nos ombros, entre muitas outras coisas que dariam para escrever um livro de anedotas...como podeis ver o Stress é resultante das diferentes formas como cada um de nós reage aos mais diversos estimulos negativos e eu pude comprovar as diferentes reacções dos colegas a estas e outras situações...houve colegas que ao fim de algum tempo disseram que sentiam burros, estúpidos por os fazerem sentirem-se como tal no interior da instituição...a hierarquia cultiva o desprendimento total pelo ser humano, pelo diálogo, em que todo o ser humano que tente raciocinar é visto como um alvo a abater, isto numa instituição que exige diálogo e aprumo para com o cidadão mas que despreza esses factores internamente...talvez se os profissionais dessa casa se sentissem mais úteis aos olhos das hieraquias se pudessem evitar alguns dos suicídios já ocorridos, onde certas pessoas em vez de se preocuparem com a promoção a Comissário etc, se preocupassem em dialogar com os seres humanos em quem mandam, e mandam porque a nobreza do Comando de homens apenas alguns possuem e a maior parte abandonou a instituição, se se esforçassem por não criar barreiras do género só eu sou inteligente e o resto existe apenas para me servir, se esforçassem por erguer uma cultura institucional e uma mentalidade evolucionista talvez se evitassem algumas das mortes ocorridas...desejo-vos muita sorte a todos quantos fazeis o herculiano esforço de servir essa casa...um grande abraço para todos...
 

 

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