"Polícias com stress"

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Lancero

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"Polícias com stress"
« em: Janeiro 08, 2007, 06:59:53 pm »
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2007-01-08 - 13:00:00

Estudo: exigência da profissão pode conduzir ao suicídio

Polícias com stress

Ser polícia na Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da PSP é mais stressante do que integrar o Corpo de Intervenção (CI), que actua em operações policiais consideradas de risco. O stress na Polícia pode conduzir a doenças físicas e psicológicas, ao vício do álcool e, até, ao suicídio.
 
A conclusão consta num estudo do Centro de Formação e Investigação em Psicologia concluído em Setembro último, a que o CM teve acesso, que entrevistou 336 polícias do CI, das EIC e da Banda de Música (BM) da PSP para perceber ‘O Impacto do Stress Profissional no Bem-Estar dos Polícias’.

A morte de três polícias da Amadora – abatidos em serviço – , a consciência de que ser polícia é uma profissão de risco e a perda de benefícios por parte dos elementos policiais motivaram o primeiro estudo sobre o stress dos polícias em Portugal.

A psicóloga Susana Monteiro, que apresentou as conclusões numa conferência sobre suicídios na PSP, diz que os elementos das EIC são os que apresentam maiores níveis de stress porque diariamente enfrentam episódios imprevisíveis.

“Estes profissionais estão sujeitos a situações novas, constantes e contínuas” e o seu trabalho pode ser “ultrapassado por força dos acontecimentos”, disse .

Já na BM e no CI – que apresentam níveis de stress idênticos –, a psicóloga explica que, em ambas as funções, os polícias são avisados e treinados para a “situação stressante” e por isso sofrem “um impacto menor” quando a vivem.

Analisados os elementos que podem provocar mais stress na Polícia, o estudo conclui que a organização da própria PSP, o conflito trabalho-família, as relações interpessoais e a imagem de um polícia perante a população são factores que provocam mais stress do que o próprio desempenho da função (o risco, a actuação operacional e a adaptação, que muitas vezes passa por estar longe da família).

O stress provocado pelo trabalho pode levar a doenças físicas, mas também pode trazer consequências psicológicas – conduzindo o profissional à reforma antecipada, à indisciplina, ao consumo de álcool e, até, ao suicídio. Segundo uma fundação norte-americana – criada para estudar e prevenir o suicídio na Polícia – em cada 22 horas, um polícia nos EUA suicida-se. Mas, apesar de a maior parte deles recorrer às armas de serviço, um estudo recente demonstra que os motivos se prendem com conflitos conjugais. O apoio da família é fundamental numa profissão em que as relações interpessoais dentro da instituição são quase nulas.

Em Portugal, desde 2001, suicidaram-se pelo menos 13 elementos da PSP. O mais recente estudo da Sociedade Portuguesa de Suicidologia, encomendado pelo Ministério da Administração Interna, concluiu que a maior parte deles não se relacionaram com o exercício da profissão. Mas um polícia sem apoio emocional no trabalho pode pôr termo à vida, dizem os americanos.

O Departamento de Psicologia da PSP dispõe apenas de dez psicólogos para 22 mil polícias e de uma linha telefónica de apoio 24 horas por dia.

É PRECISO TER "SANGUE-FRIO"

Tem 32 anos e está há dez ao serviço do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa. Este investigador criminal, de uma esquadra que trata dos crimes de uma área problemática da capital, todos os dias enfrenta situações stressantes que só se ultrapassam com “muito sangue-frio”.

Segundo ele, o pior são as ocorrências com que tem de lidar. “Tiroteios, apedrejamentos, agressões. Para agravar, estamos sempre a pensar como contornar estes riscos sem ter um processo disciplinar – que é o que acontece sempre que usamos a arma.” Este polícia tenta distanciar-se das histórias que lhe chegam às mãos, o que se torna difícil passados meses a acompanhar as vítimas. Para agravar, os horários são mais exigentes e os períodos de descanso insuficientes.

NÃO SE IDENTIFICAM COM A PSP

Um dos factores de stress analisados pelos técnicos do Centro de Formação e Investigação em Psicologia foi o da identidade social. Os elementos da Banda de Música – escolhidos para o estudo como elemento de equilíbrio – são os que menos se identificam com a profissão. “Talvez por serem profissionais que apesar de vestirem a farda, não desempenham uma função operacional”, disse a psicóloga Susana Monteiro.

Por outro lado, os músicos da PSP consideram que a sociedade vê os polícias de uma forma menos negativa do que os elementos do Corpo de Intervenção e das Esquadras de Investigação Criminal – que não sentem que o seu papel e a sua intervenção policial sejam fortes, o que revela alguma desmotivação.

OS ÚLTIMOS CASOS

TENTATIVA

Desentendimentos conjugais levaram um polícia de Braga a tentar o suicídio em Dezembro último. Foi o quinto caso nos últimos cinco meses.

COMANDANTE

Um oficial da PSP, de 24 anos, que comandava uma esquadra de trânsito, deu um tiro na cabeça, em Outubro último, em Lisboa. Era polícia há meses.

NO HOTEL

Um polícia de 29 anos, natural da Marinha Grande mas de serviço em Lisboa, saltou do 6.º andar de um hotel da capital. Esteve fechado dois dias.

Sónia Simões


http://www.correiomanha.pt/noticia.asp? ... al=181&p=0
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Pantera

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« Responder #1 em: Janeiro 08, 2007, 08:11:24 pm »
é triste caro lancero,mas é verdade.
ja viu a quantidade de policias que poem termo à vida?
o futuro deles também é o nosso futuro....

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Lancero

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« Responder #2 em: Janeiro 08, 2007, 11:46:16 pm »
Parece incrível, já foi denunciado mas continua tudo na mesma: um gabinete em Lisboa (só) com 10 psicólogos para 20 mil polícias :shock:
O número de consultas a subir em flecha...
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lecavo

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« Responder #3 em: Janeiro 09, 2007, 12:16:51 am »
Viva!

Parece-me que as chefias das polícias ainda olham para esta doença, com desconfiança, no pressuposto que as pessoas a invocam para se "esquivarem" ás suas responsabilidades diárias ou então como arma de arremesso, quando querer afrontar as chefias.

Houve certamente situações dessas (há e provavelmente continuará a haver), mas não se pode continuar a fechar os olhos a esta realidade. Numa visão simplista da problemática e sem procurar dar uma resposta, em tempos uma das fugas ao stress diário, ao isolamento a que a profissão "obriga", ao afastamento da família, etc., passava pelo consumo exagerado de álcool. Todos conheciam algum PSP/GNR alcoólico. Hoje, pelo menos na PSP, o álcool foi banido. Não restam mais fugas ao stress diário e a verdade é que o número de suicídios tem vindo a aumentar de ano para ano.

Os norte-americanos adoptaram um horário de 10 horas diárias durante 4 dias (40 horas), seguidos de 3 dias de folga. Em Portugal (na PSP) o agente trabalha 6 horas diárias durante 6 dias (36 horas), seguido de uma folga (muitas vezes ocupada com uma comparência em tribunal). À primeira vista podem parecer poucas horas.  Mas há que lhe acrescentar as horas (muitas vezes em situação de folga) infindáveis passadas nos tribunais (que não são contabilizadas) e os turnos com mudança constante de horário, obrigam o agente a viver praticamente isolado da família, porque quando chega a família sai e quando a família chega está ele a sair. Depois há também o princípio do segredo policial que não lhe permite falar sobre o que se passa no serviço com ninguém. Os constantes episódios de elevado stress não podem ser desabafados com ninguém (os colegas e os superiores hierárquicos não estão disponíveis, também têm os seus problemas), como tal vão-se acumulando. Um esquema semelhante ao dos americanos permite ao indivíduo ter tempo para estar com a família e afastar-se um pouco mais do serviço, tem 3 dias para descomprimir. Um português vê-se todos os dias, semana após semana, mês após mês e anos após ano confrontado com as mesmas situações de risco, sem ter tempo para descomprimir.

A esmagadora maioria aguenta (por vezes à custa de sacrifícios familiares – divórcios, etc), mas outros há que metem uma bala na cabeça, porque não aguentam mais…..  enquanto isso, a Direcção Nacional e o Governo deixam andar o barco!
Um abraço.

--Lecavo
 

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foxtrotvictor

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« Responder #4 em: Janeiro 10, 2007, 03:28:10 pm »
Pois, é, companheiro e amigo Lecavo. Quem não vem para isto por vocação que se desengane.
 

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Luso

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« Responder #5 em: Janeiro 10, 2007, 07:22:29 pm »
É bom (mau) saber isso!
Há que denunciar essas situações a bem de quem serve o País e, por consequencia o nosso bem estar e liberdade.
Eu não tinha consciência da gravidade do problema nas forças políciais.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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lecavo

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« Responder #6 em: Janeiro 10, 2007, 10:49:22 pm »
Citação de: "foxtrotvictor"
Pois, é, companheiro e amigo Lecavo. Quem não vem para isto por vocação que se desengane.



Viva grande amigo! Seja bem aparecido! Já acabou? ou ainda dura? isso é mais outra recruta em Lamego?
Um abraço.

--Lecavo
 

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foxtrotvictor

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« Responder #7 em: Janeiro 10, 2007, 11:38:24 pm »
Citação de: "lecavo"
Viva grande amigo! Seja bem aparecido! Já acabou? ou ainda dura? isso é mais outra recruta em Lamego?


Até Maio creio que não vou ter razões para me queixar da rotina, companheiro.

 Para este mês está confirmado um dia que espero bem passado, na quinta dos “especiais” da tua casa, para gastar muita munição.
 

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Jorge Pereira

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« Responder #8 em: Janeiro 11, 2007, 01:11:18 pm »
Citação de: "lecavo"
Os norte-americanos adoptaram um horário de 10 horas diárias durante 4 dias (40 horas), seguidos de 3 dias de folga.


lecavo:

Sabe se alguma proposta nesse sentido foi já colocada ao mais alto nível sem ser através das associações sindicais?

Eu também sei o que é não ter fins-de-semana, feriados e trabalhar a qualquer hora do dia e de facto esse horário parece-me excelente.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Lancero

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« Responder #9 em: Janeiro 11, 2007, 03:37:56 pm »
E-mail recebido há dias
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O QUE É UM POLICIA?

Policias são humanos (acredite se quiser!) como o resto de nós. Eles vêm em ambos os gêneros, mas na maioria das vezes são do sexo masculino. Eles também vêm em vários tamanhos. Na realidade, depende se você estiver à procura de um deles ou tentando esconder algo. Quase sempre, no entanto, eles são grandes.

Encontra-se policias em todos os lugares: na terra, no mar, no ar, à cavalo, em viaturas, motocicletas e até na sua cabeça. Independente do fato de "nunca se encontrar nenhum quando se quer um", eles geralmente estão por perto quando mais se precisa deles. A melhor maneira de conseguir um é geralmente por telefone.

Policias dão palestras, fazem partos, e entregam más notícias. Se exigi que eles tenham a sabedoria de Salomão, a disposição de um cavalo corredor e músculos de aço - muitas vezes são até acusados de terem o coração fundido no mesmo metal. O policial é aquele que engole a saliva a grandes penas, anuncia o falecimento de um ente querido e passa o resto do dia se perguntando porque, ó Deus, foi escolher esta porcaria de trabalho.

Na TV, o policia é um idiota que não conseguiria encontrar um elefante numa geladeira. Na vida real, se espera dele que ele encontre um menininho loiro "mais ou menos desta altura" numa multidão de quinhentas mil pessoas. Na ficção ele recebe ajuda de detetives particulares, repórteres e de testemunhas "eu sei quem foi". Na vida real, quase tudo que ele recebe do povo é "eu não vi absolutamente nada".

Quando ele dá uma ordem dura, ele é grosso. Se ele lhe soltar com uma palavra gentil, é uma mocinha. Para as crianças, ele é as vezes um amigo, outras um monstro, dependendo da opinião que têm seus pais a respeito da Polícia. Ele "vira a noite", dobra escalas, e trabalha aos sábados, domingos e feriados; sempre o chateia muito quando um engraçadinho vem lhe dizer "epa, este fim de semana é Carnaval, estou à toa, vamos à praia", esta é a época do ano em que eles trabalham vinte horas por dia.

O policia é como aquela menininha, que quando é boa, é muito, muito boa, mas quando é má, é abominável. Quando um policia é bom, ele "é pago para isso". Quando comete um erro, "ele é um corrupto, e isso vale para todos os outros da raça dele". Quando ele atira num assaltante, ele é um herói, exceto quando o assaltante é "apenas um garoto e qualquer um podia ver".

Muitos têm casas, algumas cobertas de plantas, e quase todas cobertas de dívidas. Se ele dirigir um carro de luxo, ele é um ladrão. Se for um carro popular, "quem ele pensa que está enganando?" O crédito dele é bom, o que ajuda bastante porque o salário não é. Policias educam muitos filhos, muitas vezes, os filhos dos outros.

Um policia vê mais sofrimento, sangue, problemas e alvoradas que uma pessoa comum. Como os carteiros, os policias têm que estar trabalhando independente das condições do tempo. O uniforme muda de acordo com o clima, mas sua maneira de ver a vida permanece a mesma; na maioria das vezes, é entristecida, mas no fundo, esperando um mundo melhor.

Policias gostam de folgas, férias e café. Eles não gostam de buzinas, brigas familiares, e principalmente, autores de cartas anônimas. Eles têm sindicatos e federações mas não gostam de fazer greve. Têm que ser imparciais, educados, e sempre devem lembrar do slogam "a seu serviço". Às vezes é difícil, especialmente quando um indivíduo lhe lembra, " eu pago impostos, portanto pago seu salário".

Policias recebem elogios por salvar vidas, evitar distúrbios, e trocar tiros com bandidos (de vez em quando, sua viúva recebe o elogio!). Mas algumas vezes, o momento mais recompensador é quando, após fazer alguma gentileza a um cidadão, ele sente o caloroso aperto de mão, olha nos olhos cheios de gratidão e ouve, "obrigado e Deus te abençoe".

Autor desconhecido*
 
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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lecavo

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« Responder #10 em: Janeiro 12, 2007, 12:44:47 am »
Viva!

Citação de: "Jorge Pereira"
Citação de: "lecavo"
Os norte-americanos adoptaram um horário de 10 horas diárias durante 4 dias (40 horas), seguidos de 3 dias de folga.

lecavo:

Sabe se alguma proposta nesse sentido foi já colocada ao mais alto nível sem ser através das associações sindicais?

Eu também sei o que é não ter fins-de-semana, feriados e trabalhar a qualquer hora do dia e de facto esse horário parece-me excelente.


Não! Que eu saiba não. Aliás, que eu saiba neste momento não há qualquer proposta para alterar o horário de serviço na PSP (não sei nas outras). Soube deste horária através de um familiar de um cunhado meu, que é polícia nos Estados Unidos. Depois fui para a internet procurar saber mais e cheguei à conclusão que esse horário está implementado em muitos departamentos policiais por lá. Não sei se em todos.

O que me foi disto por esse polícia americano, acerca do porquê ou razão de terem tal horário foi o que expus acima (descanso psicológico do pessoal). A verdade é que se pensarmos bem, faz todo o sentido. Os tipos não são trouxas.

Procurei elaborar um horário anual e apresentar eu próprio uma proposta à DN da PSP e aos diversos sindicatos. Para tal bastava retirar uma hora a cada dia (em vez de 10 horas por dia, passavam a ser 9 horas) e dava as tais 36 horas semanais. Mais, com 3 turnos diários, dava para sobrepor uma hora em cada passagem de turno. Não aconteceria o que por vezes hoje acontece. Quando determinados serviços obrigam a rendição no local, o homem que sai chega a fazer mais uma hora, com todo o prejuízo que isso acarreta para a sua vida pessoal, com a agravante que essa hora não lhe é paga ou compensada.

Mas esbarrei numa dificuldade que não consegui transpor. Como a semana tem 7 dias, 4 dias a trabalhar e 3 dias de folga faz com que a escala não "ande". Quer isso dizer que se alguém tem folgas à 2ª; 3ª e 4ª, vai-se manter nesses dias para sempre. Fiz todas as tentativas e mais algumas. Apenas conseguia avançar uns dias a cada 5 ou 6 meses.

Pedi ao meu cunhado para enviar um mail ao seu familiar a pedir-lhe que me enviasse uma escala deles, para saber com funciona. Mas a resposta foi negativa, disse não podia fazer isso. Fiquei sem qualquer fonte para poder descortinar a forma como eles resolveram este problema. Não acredito que algumas equipas gozem sempre as folgas ao fim-de-semana e as outras sempre durante os dias úteis. Isso não é justo. A escala tem que rodar, de modo a que todo o pessoal de forma cíclica goze folgas ao fim-de-semana.  

Fui obrigado a desistir, como já disse, depois de milhentas tentativas não consegui resolver o problema da rotatividade da escala pelos dias da semana.

Se alguém aqui do forum tiver um familiar lá pelas Américas que pertença a uma força de segurança, que trabalhe num regime de turnos desta natureza e quiser fazer o favor de conseguir uma escala anual (não é necessário saber qual o departamento, isso deve ser omitido por razões de segurança desses agentes), eu agradecia.
Um abraço.

--Lecavo
 

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ricardonunes

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« Responder #11 em: Janeiro 12, 2007, 01:10:16 am »
Uma questão.
Quando um agente (PSP) ou um militar (GNR), durante o seu horário normal de serviço mas a transitar para uma folga, e isto para não  falar que estão 24 horas de serviço quer fardados quer á civil, detêm um determinado suspeito, o tempo que passam a preencher burocracia é contado (pago) como tempo de serviço?
Potius mori quam foedari
 

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lecavo

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« Responder #12 em: Janeiro 12, 2007, 01:27:42 am »
Viva!

Infelizmente não. Apenas contam as horas que estão na escala. Todas as outras são, como dizemos na gíria "para o tecto".

Como não são pagas horas extras, algumas dessas horas são compensadas em tempo (nada disto está escrito, é feito porque a justiça que reina na instituição e o bom senso de quem chefia assim o ditam). Ou seja, como não são pagas, o escalador contabiliza horas feitas para alem do estipulado na escala (como excesso de serviço). Quando a agente necessita de algum tempo para tratar de assuntos pessoais, solicita um "Excesso de serviço". O problema é que nem sempre o comandante da esquadra lho pode conceder. As exigências de serviço e a quase crónica escassez de pessoal dificultam a concessão de muitas destas compensações, que se vão acumulando, acabando a agente por nunca gozar no seu todo estas horas feitas para alem do seu horário normal de serviço. Há agentes que se fossem compensados de uma só vez ficariam em casa largas semanas.
Um abraço.

--Lecavo
 

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Leonidas

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« Responder #13 em: Janeiro 12, 2007, 01:43:31 am »
Saudações guerreiras

Citação de: "Lecavo"
Mas esbarrei numa dificuldade que não consegui transpor. Como a semana tem 7 dias, 4 dias a trabalhar e 3 dias de folga faz com que a escala não "ande". Quer isso dizer que se alguém tem folgas à 2ª; 3ª e 4ª, vai-se manter nesses dias para sempre. Fiz todas as tentativas e mais algumas. Apenas conseguia avançar uns dias a cada 5 ou 6 meses.

Pedi ao meu cunhado para enviar um mail ao seu familiar a pedir-lhe que me enviasse uma escala deles, para saber com funciona. Mas a resposta foi negativa, disse não podia fazer isso. Fiquei sem qualquer fonte para poder descortinar a forma como eles resolveram este problema. Não acredito que algumas equipas gozem sempre as folgas ao fim-de-semana e as outras sempre durante os dias úteis. Isso não é justo. A escala tem que rodar, de modo a que todo o pessoal de forma cíclica goze folgas ao fim-de-semana.

Fui obrigado a desistir, como já disse, depois de milhentas tentativas não consegui resolver o problema da rotatividade da escala pelos dias da semana.


Caro Lecavo, se me permite uma sugestão: consulte um matemático ou um barra em cálculo e exponha o seu problema. Talvez assim possa ser mais fácil.

Cumprimentos
 

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sturzas

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« Responder #14 em: Janeiro 12, 2007, 03:38:36 am »
Viva a todos

Penso que este assunto, de trabalho, a nível de horas práticas e demais, desempenhadas por agentes da PSP, ou por militares da GNR, tem algo a ver com a (ir)realidade que se vive neste país.

Um agente/militar de autoridade, tem uma missão/obrigação/objectivo a desempenhar. Eu enquanto arquitecto, também tenho uma missão/obrigação/objectivo a desempenhar. Eu tenho um trabalho, por exemplo, para entregar amanhã, e até lá "a minha missão/obrigação/objectivo" é fazer com que se execute dentro do proposto e entregá-lo amanhã, sempre dentro das conformidades exigíveis por leis (os arquitectos por umas, os agentes/militares de autoridae por outras mais vastas e que nos abrangem a todos nós cidadãos) .

A entidade que supervisiona o meu trabalho, confirma a entrega do mesmo no tempo proposto. A entidade para a qual eu presto serviço, que é a mesma, tem por obrigação quantificar, todo o meu tempo/trabalho dispendido para a realização/execução do mesmo, remunerar-me sobre o mesmo trabalho executado, e claro, não menos importante, proporcionar todas as condições dignas para uma boa execução do mesmo, porque simplesmente beneficia um todo(s)... à entidade que recebe os honorórios, e a mim que recebo a "guita" e o reconhecimento, por executá-lo.

Por que é que um agente/militar da autoridade é diferente de mim? Em lado nenhum! São profissionais tal como eu, têm que responder a uma entidade superior, têm que abdicar de vida própria/familiar, com a agravante de estarem 24 horas de serviço (condicionante da opção/formação/dedicação), que tomaram e, mais, ao contrário que pareça, perante a sociedade (género jurídico-social), têm mais responsabilidade do que o comum dos mortais.

Como tal é legítimo, que lhes seja reconhecida, com dignidade e justiça, sendo na minha óptica, respectivamente, condições de trabalho no que toca a meios técnicos, materiais e de protecção (dignidade) e justiça, para que haja também direito a uma retribuição material de todo o trabalho desempenhado, visto ele ser feito em prol de todos (justiça).

Todos os demais problemas estruturais que uma Instituição acarreta, desculpem, mas é problema de quem faz parte da Instituição.

Acho que no fundo, se queremos as coisas melhores, temos que as transformar em coisas melhores. Mas sempre pela forma correcta. Achar essa forma é que complicado!

Um especial agradecimento e reconhecimento, ao Foxtrotvictor e ao Lecavo.  :D

Cumprimentos
NA PAZ E NA VIDA... QUE RESERVA TÃO CALMA E TRANQUILA... MAS SE OUVIRES O TROAR DA GUERRA... ENTÃO IMITA O TIGRE...
 

 

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