MAGREBE - a 'Jihad' à nossa porta !

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nestor

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« Responder #30 em: Maio 31, 2007, 02:54:13 am »
El video original, aunque creo que están censuradas las imagenes de los muertos en los trenes.

http://www.youtube.com/watch?v=yHO0kDal ... ed&search=

Saludos
 

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JoseMFernandes

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« Responder #31 em: Julho 06, 2007, 08:46:51 am »
Artigo de opinião de Campos e Cunha no PUBLICO.

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III GG?

06.07.2007, Luís Campos e Cunha


Será que estamos no início da Terceira Grande Guerra?


Será que estamos no início da III GG - Terceira Grande Guerra? Por vezes tento imaginar como o nosso tempo será visto daqui a 200 anos. As nossas questões morais - o aborto, a eutanásia, o casamento de gays,... - serão vistas tal como hoje vemos a queda do Império Romano - dos vomitórios, dos bacanais (festas em honra de Baco)...? Ou, pelo contrário, as nossas discussões morais serão óbvias, tal como hoje vemos os desvios do cristianismo quando se discutia se os negros tinham alma ou as fogueiras da Inquisição na salvação das almas. Nunca saberemos, pelo menos em tempo útil. Outra pergunta, dentro do género, é sabermos se estamos a viver uma Terceira Guerra Mundial. Naturalmente com características diferentes das anteriores mas, de qualquer modo, Guerra e Mundial.
Quando hoje vemos a crise do Líbano, a vitória do Hamas ou a derrota americana (e ocidental) no Iraque, tentamos explicar cada uma delas por si. Os palestinianos e os judeus; o Iraque e Bush; ou o Líbano e a Síria. Nada mais errado. Apenas vemos os epifenómenos sem analisar o fenómeno mais profundo: a jihad. O mundo muçulmano não se divide entre radicais e moderados ou xiitas e sunitas mas entre jihadistas e não-jihadistas. Definir a jihad é difícil: é um termo árabe, evoluiu historicamente desde há mais de mil anos e é religiosamente justificado. Ou seja, em tempos idos, mas da nossa era, havia pais que chamavam aos filhos Jihad com o mesmo sentido que uma família portuguesa baptiza a filha de Maria de Fátima, o que não tem um sentido especial.
Hoje a jihad é um movimento com muitas facções mas que tem como objectivo o reestabelecimento do califado, ou seja, unir todos os territórios que, alguma vez, tenham estado sob o domínio muçulmano. Com uma paciência histórica milenar, este califado seria restaurado, saliente-se, de Lisboa a Poitiers na França, abrangendo parte da Itália, todos os Balcãs até às portas de Viena, incluiria a Hungria e os estados mais ou menos independentes do Sul da antiga União Soviética, o Norte de África e, por aí fora até à Indonésia, actualmente o maior país muçulmano do mundo. Já Oriana Fallacci quando, há uns 30 anos, entrevistava Kadhafi da Líbia, foi-lhe mostrado o mapa do futuro califado que, para seu horror, englobava boa parte da Itália.
Nesta perspectiva, a questão palestiniana é para a jihad uma questão menor e a ser resolvida pelo futuro califado. Aliás, Al-Qaeda não presta grande atenção ao assunto. O Hamas, por isso, não reconhece Israel como Estado, pois não pode permitir a existência de um Estado no coração do futuro califado. Embora diga que não se importa que os judeus ali vivam; naturalmente que os judeus devem ter tanta vontade de viver sob as ordens de um califa quanto eu, que, como lisboeta, também estou abrangido por este grande braço de fraternidade jihadista.
Tentar convencer os jihadistas de que o restabelecimento do califado é um absurdo é mais inútil (e mais perigoso) do que tentar convencer um Evangelista do Sul de que Darwin tinha razão. Porque a crença não é racional mas fundada na religião, é uma questão de fé. Com o fim, em 1923, do Califado Otomano, o jihadismo, que lhe é muito mais antigo, ficou sem um centro de comando e fraccionou-se. Hoje são jihadistas a monarquia saudita, os taliban, os mullahs do Irão, o Hamas, a Muslim Brotherhood egípcia, o Hezbollah, Al-Qaeda,... Note-se que o objectivo estratégico final é o mesmo, só as tácticas mudam. Os saudis, através de financiamentos generosos, tentam controlar (e em parte já conseguiram) as universidades americanas no que se refere a estudos árabes e muçulmanos e desta forma moldar o pensamento americano. Al-Qaeda, pelo contrário, atacou directamente o centro: Nova Iorque. (1)
O jihadismo, pós-1923, elegeu sempre a União Soviética como inimigo principal, por ser uma potência militantemente ateia. A derrota soviética no Afeganistão pela Al-Qaeda e os taliban (treinada e armada pelos EUA e co-financiada pelos sauditas) foi responsável (segundo eles exclusivamente) pela queda do "império do mal", usando as palavras de Reagan e dos taliban. O inimigo principal passou a ser o Ocidente decadente, cujo centro são os EUA. Significativo é que, logo a seguir ao 11 de Setembro, a televisão Al-Jazira organizou debates entre "moderados" e radicais em que ninguém discordava do atentado, só se discutia a sua oportunidade.
Como combater o jihadismo é a questão fundamental. Basicamente, primeiro, tem de se saber "salgar o campo onde ele floresce". Atacar Saddam, provavelmente o líder mais anti-jihadista do mundo árabe, foi colocar o Ocidente no Iraque na mesma posição que os soviéticos no Afeganistão há 20 anos. E, como já se viu, propiciar mais uma grande vitória para os jihadistas. E a seguir virá o Afeganistão, de quem, durante uns dois anos, ninguém falou e que agora voltou a estar nas notícias, ou seja, o contra-ataque - a jihad - está em marcha. O mesmo fez Israel quando humilhou e destruiu o Governo e as forças da Fatah nos últimos meses de vida de Arafat. Israel fê-lo com plena consciência de que estava a dar força ao Hamas, à custa dos não-jihadistas da Fatah, e a levar o Ocidente a envolver-se num problema mais global e mais grave. Conscientemente ou não, tanto Israel como Bush adubaram o terreno onde floresce o jihadismo.
Outra vertente da estratégia jihadista - e do contra-ataque ocidental - é o poder atómico. Há uma corrida para o controlo do Paquistão, que já possui a "bomba", e outra no Irão para produzi-la. Com a derrota no Iraque e, a seguir, no Afeganistão, o Ocidente terá de saber, também, como responder militarmente num futuro não muito longínquo.

Voltando à questão do início: será que estamos no início de uma III GG, só que ainda não temos consciência disso? É uma guerra mundial, pois ataca no Bali, em Nova Iorque ou Madrid e envolve dezenas de países. Tem umas frentes difusas e outras bem claras, como o Iraque e Gaza, mas "o inimigo" é sempre dissimulado. É uma guerra com longos interregnos, baixa tecnologia e de base religiosa, tal como na Idade Média. O termo "Guerra dos Cem Anos" só foi usado pela primeira vez séculos mais tarde, no seu tempo nem foi vista como uma única guerra. Do mesmo modo, apesar de declarada formalmente muito antes, só em meados de 1940 os ingleses e o seu Governo tomaram consciência de que estavam efectivamente em guerra, quando realmente viram quem era Hitler ao derrotar a França. (2)
É verdade que estamos a viver um dos períodos da História da humanidade em que menos se morre em guerras. Mas nunca as populações, em todo o lado, se sentiram tão inseguras e, por causa disso, estão dispostas a perder liberdades em nome do combate ao terrorismo. O sentimento de insegurança "come-se à colher" em Nova Iorque ou em Londres.
O mundo árabe não se divide entre moderados e fundamentalistas, entre xiitas e sunitas, mas entre jihadistas e não-jihadistas; não perceber esta distinção é não ver que o que se passa na Tchetchénia, em Gaza, no Iraque, no Líbano ou no Irão é tudo a mesma coisa, é não ver que podemos ter entrado na III GG. Professor universitário

(1) Veja-se Future Jihad, de Walid Phares, 2005.
(2) Leia-se Cinco Dias em Londres: Maio de 1940, de John Lukacs, 2007 (original de 1999).
 

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Lancero

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« Responder #32 em: Setembro 20, 2007, 08:17:17 pm »
Citação de: "comanche"
Al Qaeda insta a "limpiar el Magreb" de españoles

Citação:
El número dos de Al Qaeda, Ayman al Zawahiri, pidió en un nuevo vídeo "limpiar el Magreb islámico de los hijos de Francia y España". En un largo vídeo colgado en varias páginas islamistas, el lugarteniente de Osama bin Laden dedica la mayor parte de su discurso a criticar el régimen paquistaní de Pervez Musharraf, y las alusiones a España y Francia son muy breves. Hay que "limpiar el Magreb islámico de los hijos de Francia y España. Preparaos con vuestros hijos luchadores contra los cruzados y sus hijos", dice Zawahiri, un médico egipcio al que se supone escondido, como el mismo Bin Laden, en las montañas de Afganistán o Pakistán.

No es ésta la primera vez que Al Qaeda alude a España, aunque en otras ocasiones las referencias eran exclusivamente a Al Andalus, tierra que según Al Qaeda había que recuperar para el Islam.

En este último vídeo, Ayman al Zawahiri hace referencia a la presencia islámica en España (entre los siglos VIII y XV), y dice que "es un deber recuperar Al Andalus para la nación [islámica] en general y vosotros [muyahidines] en particular".

Sin embargo, es la primera vez en que hacen alusión a la presencia de España en el norte de África, donde efectivamente hay importantes intereses comerciales y culturales y donde, en el caso de Marruecos, vive una numerosa comunidad española.

El vídeo se ha difundido después de que Al Sahaba, la "productora" de vídeos de Al Qaeda, anunciase en su página web una "declaración de guerra" contra Pakistán, que sería formalizada "en breve" por el propio Osama bin Laden. En el vídeo de Zawahiri, éste califica al ejército de Pakistán de "perros de presa bajo el crucifijo de Bush".
 


http://www.diarioiberico.com/actualidad ... 15458.html
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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Mar Verde

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« Responder #33 em: Setembro 21, 2007, 11:13:14 am »
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2007-09-21 - 00:00:00

Terrorismo : novo vídeo do ‘número dois’ de Osama bin Laden
Al-Qaeda ameaça Magrebe

O ‘número dois’ da al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, apela, num novo vídeo, à expulsão de todos os espanhóis e franceses do Magrebe como primeiro passo para a “reconquista” da Andaluzia, território do sul da Península Ibérica que a rede terrorista considera como “território islâmico”.

“À nação muçulmana do Magrebe digo que a reconquista de al-Andalus (Andaluzia) é uma tarefa que recai sobre os vossos ombros, e não o conseguirão fazer sem primeiro limpar o Magrebe Islâmico dos filhos da França e da Espanha, que voltaram àquele território depois de os vossos pais e avós terem derramado o seu sangue no caminho de Deus para os expulsar”, afirma al-Zawahiri no vídeo colocado na internet. A nova gravação – a terceira da al-Qaeda em menos de um mês – é uma espécie de documentário com a duração de 80 minutos, na qual o ‘vice’ de Osama bin Laden faz referência a vários conflitos, incluindo o Iraque, Afeganistão e Darfur.

Grande parte da mensagem é, no entanto, dirigida ao Magrebe e aos seguidores do radicalismo islâmico na região, nomeadamente, a Organização da al-Qaeda no Magrebe Islâmico, aos quais al-Zawahiri atribui a responsabilidade de expulsar os ocidentais. “Sejam fiéis à vossa religião e apoiem juntamente com os vossos filhos os mujahedines que combatem os cruzados e os seus filhos”, apela o terrorista.

Esta não é a primeira vez que a al-Qaeda exorta à reconquista da Andaluzia, mas é inédita a referência à presença espanhola e francesa no Norte de África, região onde ambos os países têm uma importante presença económica e cultural e, no caso de Espanha, uma presença física, através dos territórios de Ceuta e Melilla.

No resto da gravação, al-Zawahiri apela aos mujahedines para atacarem as forças da ONU no Darfur e afirma também que os EUA estão a ser derrotados no Iraque e no Afeganistão.

VISITA DE AHMADINEJAD PROIBIDA

As autoridades nova-iorquinas não autorizaram o presidente iraniano Mahmod Ahmadinejad a visitar a ‘ground zero’, alegando “razões de segurança”.

O líder iraniano desloca-se a Nova Iorque na próxima semana para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, e tinha pedido para visitar o local onde se erguiam as Torres Gémeas, mas o pedido foi terminantemente rejeitado pela polícia, alegando que o local se encontra “encerrado a visitantes devido às obras de reconstrução” e, mesmo que não o estivesse, a visita nunca seria autorizada por “razões de segurança”.

A intenção de Ahmadinejad irritou o antigo presidente da Câmara de Nova Iorque, actual candidato republicano à Casa Branca, Rudolph Giuliani, que afirmou que “sob pretexto algum” deveria ser autorizada a visita àquele local sagrado de um homem que “ameaça os EUA e Israel, que acolhe no seu país o filho de Osama bin Laden e outros líderes da al-Qaeda, envia armas para a guerrilha iraquiana e está a desenvolver armas nucleares”.

Também a sua rival democrata e actual senadora por Nova Iorque, Hillary Clinton, se insurgiu contra a visita, considerando o pedido de Ahmadinejad “inaceitável”.

DECLARADA GUERRA A MUSHARRAF

O líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, declarou ontem ‘guerra’ ao presidente paquistanês Pervez Musharraf, jurando vingança pela destruição, em Julho último, de uma mesquita radical em Islamabad.

“Deus é nossa testemunha em como iremos retaliar pelo sangue derramado de Abdul Rashid Ghazi e dos seus seguidores, contra Musharraf e todos aqueles que o ajudaram”, afirma bin Laden numa gravação ontem colocada num site islâmico da internet.

O líder da organização terrorista referia-se ao assalto das tropas paquistanesas contra a Mesquita Vermelha de Islamabad, bastião do clérigo radical Abdul Ghazi, apoiante da al-Qaeda, e da guerrilha taliban, que perdeu a vida no assalto. A ameaça coincide com o anúncio da data das presidenciais paquistanesas, marcadas para 6 de Outubro.

SAIBA MAIS

711 foi o ano em que começou o domínio islâmico no Sul da Península Ibérica, zona conhecida pelos muçulmanos como al-Andalus. Esse domínio prolongar-se-ia até 1492.

52 é o número de vítimas do duplo atentado terrorista levado a cabo no início deste mês pela al-Qaeda do Magrebe em duas cidades argelinas.

AL-ANDALUS

A al-Qaeda defende a reconquista dos “territórios islâmicos” do sul da Península Ibérica, mais ou menos equivalentes à Andaluzia espanhola.

NOVO GRUPO

A Organização da al-Qaeda no Magrebe Islâmico é um ‘braço’ regional da al-Qaeda criado no final do ano passado e que veio substituir o Grupo Salafista para a Prédica e o Combate.

TROCA DE LÍDER

Segundo vários peritos em terrorismo, Ayman al-Zawahiri terá substituído Osama bin Laden na liderança da al-Qaeda, passando o antigo líder a ser apenas uma espécie de ‘símbolo’.
Ricardo Ramos




« Última modificação: Setembro 21, 2007, 06:29:41 pm por Mar Verde »
 

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comanche

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« Responder #34 em: Setembro 21, 2007, 02:06:36 pm »
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O ‘número dois’ da al-Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, apela, num novo vídeo, à expulsão de todos os espanhóis e franceses do Magrebe como primeiro passo para a “reconquista” da Andaluzia, território do sul da Península Ibérica que a rede terrorista considera como “território islâmico”.

AL-ANDALUS

A al-Qaeda defende a reconquista dos “territórios islâmicos” do sul da Península Ibérica, mais ou menos equivalentes à Andaluzia espanhola.




Espanha já foi ameaçada explicitamente várias vezes pelos terroristas islâmicos e já foi vitima de atentados enquanto que Portugal não foi explicitamente ameaçado até agora, os islâmicos reclamam a actual provincia espanhola da Andaluzia e os actuais territórios espanhois do norte de África, não me parece correcto "colar" Portugal aos graves actuais problemas de Espanha, que tem ou poderá vir a ter com o mundo islâmico, também devido á politica seguida no passado pelo governo de Aznar.
Na minha opinião enquanto o nome de Portugal não for referenciado pelos terroristas islâmicos, o Al Andalus deverá ser sempre associado só a Espanha(Andaluzia).
Os serviços secretos portugueses estão no presente e devem ficar no futuro atentos a alguma possível infiltração de alguma célula terrorista em território português, tal como fazem os serviços secretos de todos os restantes países da União Europeia, a colaboração com os outros países da comunidade internacional como medida preventiva será o caminho a seguir para termos um mundo mais seguro, porque não se sabe aonde os terroristas poderão actuar.
 

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André

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« Responder #35 em: Setembro 21, 2007, 02:19:32 pm »
Zapatero diz que Espanha está preparada para ameaça Al Qaeda

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O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, afirmou hoje que a ameaça da Al Qaeda contra Espanha não é nova, e lembrou que o Executivo tem estado a actuar para prevenir eventuais acções de radicais islâmicos.
Numa entrevista à Radio Nacional de España (RNE, pública), Zapatero mostrou-se tranquilo quando foi questionado sobre um novo vídeo da Al Qaeda, em que o segundo homem na hierarquia da rede terrorista, Ayman al-Zawahiri, manda os seus seguidores «limpar o Magrebe islâmico dos filhos de França e de Espanha».

O governante espanhol destacou que «já houve algumas ameaças mais ou menos explícitas há algum tempo», por isso a incitação «não é nova, embora tenha tido uma publicidade maior desta vez», disse.

Zapatero garantiu que o Governo espanhol «há muito tempo» que trabalha para «prevenir possíveis acções do radicalismo islâmico apoiadas pela Al Qaeda», e salientou o trabalho de coordenação «com os serviços de informação e com a polícia no norte do Magrebe.

Zawahiri reapareceu quinta-feira num vídeo elogiando os talibãs afegãos e atacando o presidente paquistanês, Pervez Musharraf. Além disso, pela primeira vez, fez ameaças directas aos espanhóis e franceses e aos respectivos interesses no Magrebe.

Diário Digital

 

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garrulo

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« Responder #36 em: Setembro 21, 2007, 02:36:11 pm »
Muy señor mio, cuando un moro habla de Al-Andalus, habla de la peninsula Iberica integra, no de la region española de Andalucia.
El traductor es un indocumentado.
« Última modificação: Setembro 21, 2007, 04:01:31 pm por garrulo »
España tiene el 107% de la renta de la UE, Portugal el 75%, entramos al mismo tiempo. No seremos tan tontos.
 

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André

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« Responder #37 em: Setembro 21, 2007, 03:30:58 pm »
Argélia/atentado:2 franceses, 1 italiano e 6 argelinos feridos

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Dois franceses, um italiano e seis argelinos, dos quais cinco guardas nacionais, ficaram feridos num atentado bombista, perto de Lakhdaria, 122 quilómetros a leste de Argel, anunciaram hoje fontes da segurança.
Os três estrangeiros pertenciam a empresas que operam na Argélia e deslocavam-se em viaturas escoltadas pela guarda nacional, quando uma bomba de fraca potência explodiu à passagem da sua caravana, segundo as mesmas fontes.

O Ministério do Interior argelino adiantou já que todos os feridos se encontravam fora de perigo.

O atentado ocorre um dia após declarações do número dois da Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, apoiando o ramo norte-africano da rede de Usama bin Laden e apelando para que sejam expulsos do Magrebe os franceses e espanhóis instalados nas antigas colónias do Norte de África.

Dois atentados suicidas, a 06 e 08 de Setembro, na Argélia - um em Batna, no leste, pouco antes da passagem da caravana presidencial, e o outro em Dellys, na Cabília, contra um quartel da guarda costeira - fizeram mais de 50 mortos e dezenas de feridos.

Diário Digital / Lusa

 

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André

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« Responder #38 em: Setembro 21, 2007, 10:28:18 pm »
Al Qaeda reivindica atentado que feriu nove pessoas

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O ramo norte-africano da Al-Qaeda reivindicou o atentado bombista ocorrido hoje a 75 quilómetros a sudeste de Argel, que feriu dois franceses, um italiano e seis argelinos, noticiou a estação televisiva Al-Arabiya, com sede no Dubai.

Num comunicado enviado à delegação da Al-Arabiya em Argel, a Organização da Al Qaeda do Magrebe Islâmico (antigo Grupo Salafista para a Prédica e o Combate) afirma que um dos seus membros levou a cabo o atentado com uma viatura carregada com «mais de 250 quilogramas de explosivos».

A Al Qaeda afirma que o atentado provocou a morte a três estrangeiros, mas a segurança argelina não confirmou a existência de vítimas mortais e uma fonte diplomática europeia referiu nove feridos, incluindo dois franceses e um italiano.

Os três estrangeiros pertenciam a empresas que operam na Argélia e deslocavam-se em viaturas escoltadas pela guarda nacional, quando uma bomba de fraca potência explodiu à passagem da sua caravana, segundo as mesmas fontes.

O Ministério do Interior argelino adiantou já que todos os feridos se encontravam fora de perigo.

O atentado ocorreu um dia após declarações do número dois da Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, apoiando o ramo norte-africano da rede de Usama bin Laden e apelando para que sejam expulsos do Magrebe os franceses e espanhóis instalados nas antigas colónias do Norte de África.

O governo francês condenou o atentado através de um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, que acrescentou que a França leva «muito a sério» as ameaças da Al Qaeda contra os seus nacionais no Magrebe e que já deu instruções às suas missões diplomáticas na região para reforçarem as medidas de segurança.

Dois atentados suicidas, a 06 e 08 de Setembro, na Argélia - um em Batna, no leste, pouco antes da passagem da caravana presidencial, e o outro em Dellys, na Cabília, contra um quartel da guarda costeira - fizeram mais de 50 mortos e dezenas de feridos.

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« Responder #39 em: Outubro 09, 2007, 02:03:03 pm »
Seis pessoas assassinadas por fundamentalistas na Argélia

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Seis pessoas, entre as quais três militares, foram assassinadas durante as últimas 48 horas por alegados membros de grupos fundamentalistas nas províncias de Boumerdès e Buira, noticiou hoje a imprensa argelina.

Um oficial e dois soldados morreram e outros cinco ficaram feridos na localidade de Taurga, na província de Boumerdès, na explosão de dois artefactos escondidos na berma de uma estrada, durante a passagem de uma caravana militar, segundo o jornal El Khabar.

Em Buira, um polícia e dois civis morreram quando um comando terrorista penetrou num estabelecimento comercial na localidade e disparou contra as oito pessoas que se encontravam no local. O polícia, antes de morrer, matou um dos assaltantes.

Até à data, pelo menos 60 pessoas perderam a vida de forma violenta durante o mês do Ramadão na Argélia.

Diário Digital

 

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André

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« Responder #40 em: Dezembro 12, 2007, 06:47:20 pm »
30 mortos e 28 hospitalizados nos dois atentados em Argel

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O chefe da diplomacia argelina, Murad Medelci, afirmou hoje que 30 pessoas, «incluindo cinco estrangeiros», morreram nos dois atentados, quase simultâneos, perpetrados terça-feira em Argel.

Sobre os feridos resultantes dos dois atentados, já reivindicados pelo braço armado da Al Qaeda no Magreb islâmico, Medelci disse que 28 estão hospitalizados, as mesmas fontes médicas apontam para mais de 170.

De acordo com fontes médicas argelinas, o número de mortos é superior a 60 e os feridos são mais de 170.

Em resposta à polémica gerada pelas diferenças sobre as vítimas, o primeiro-ministro argelino, Abdelaziz Belkhadem, insistiu que o número de mortos avançado pelas autoridades é ainda provisório, mas verdadeiro.

«A Argélia não tem qualquer interesse em silenciar o número de vítimas e não é humano competir para aumentar os números quando se trata de vidas humanas», sublinhou.

Cinco dos mortos eram estrangeiros (um dinamarquês e um senegalês funcionários da ONU e três asiáticos ainda não identificados), enquanto os feridos são 177, na maioria mulheres, crianças e jovens estudantes, dos quais 28 continuam hospitalizados.

As buscas para encontrar sobreviventes que tenham ficado presos nos escombros continuavam a ser feitas hoje pelas autoridades.

De acordo com a ONU, 11 funcionários morreram devido aos atentados.

Depois de sustentar que o recrudescimento dos atentados na Argélia não põe o país em «situação de guerra civil», Medelci afirmou que «actualmente, o povo argelino está completamente unido contra o terrorismo».

Os dois atentados com viaturas armadilhadas, que ocorreram com uma diferença de dez minutos, um contra o Conselho Constitucional e outro contra o edifício da ONU em Argel, foram reivindicados pela Al Qaeda do Magreb.

Entretanto, o Iémen, os Emirados Árabes Unidos e o Qatar condenaram hoje os atentados de Argel.

Um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros iemenita, publicado hoje em Sanaa, condena «um acto criminal odioso perpetrado por forças obscurantistas», afirmando que «nada tem a ver com o Islão, uma religião de piedade, amor e tolerância».

O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU enviou hoje condolências à família da funcionária morta terça-feira nos atentados em Argel, de acordo com um comunicado da organização.

«Perdemos um membro dedicado da nossa família do PAM», escreveu a directora da organização, Josette Sheeran, na mensagem de condolências.

De acordo com Sheeran, 36 funcionários da organização foram mortos, feridos ou detidos no exercício da sua missão desde o início de 2007.
 
Diário Digital / Lusa

 

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André

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« Responder #41 em: Janeiro 10, 2008, 10:31:47 pm »
Nova era jihadista no Magrebe
José Augusto do Vale Faria
 
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Os atentados de 11 de Abril em Argel abriram uma “nova era jihadista” no Norte de África. Depois da Argélia e Marrocos a Al Qaeda aponta a Península Ibérica, para «libertar as terras do Islão desde Jerusalém até ao Al-Andaluz».

Através deste artigo, elaborado apenas com o recurso a fontes abertas, pretendemos dar a conhecer uma organização ter­rorista «tradicional», o Dawa wal Jihad – Grupo Salafista para a Predicação e o Combate (conhecido pelo acrónimo francês GSPC), que reiteradamente vem ameaçando o Al-Andaluz e, em Setembro de 2006 filiou-se na Al Qaeda, passando a designar-se “Al-Qaeda para o Magrebe Islâmico” (AQMI).

A responsabilidade pelos recentes atentados de 11 de Abril, foi assumida pelos salafistas argelinos e o alegado responsável pelo atentado foi Samir Saiud, conhecido por Abu Moussab, um engenheiro, especialista em explosivos e veterano do Afeganistão, que viria a ser eliminado em 26 de Abril, num confronto com as forças de segurança argelinas na região de Si Mustapa, 40 Km a este de Argel. Os atentados de Argel devem ser observados como uma exibição de força que assinalam uma mudança estratégica, consolidando a AQMI, como um grupo aglutinador dos jihadistas norte-africanos, tendo como objectivos, desestabilizar os regimes locais "apóstatas", atacar objectivos remuneradores ocidentais, instalar uma nova rede e base operacional alargada no Magrebe e no Sahel, por forma a ser levantado um Califado pan-islámico "desde o Al-Andaluz até ao Iraque".

Os serviços de informações norte-americanos e franceses estão convencidos de que a rede terrorista Al Qaeda se reorganizou e até criou novos campos de treino, tanto no Afeganistão como nas remotas zonas tribais do Nordeste do Paquistão, escreveu na Spiegel on-line, o seu especialista Yassin Mushabash. O desmantelamento da maior parte da sua estrutura inicial levou a central terrorista a reorganizar-se em rede. Deixou de ter uma organização hierarquizada e a sua direcção transmutou-se numa referência ideológica e em mentor estratégico de grupos organizativamente independentes, é o chamado terrorismo por franchising. Em troca de vassalagem, Osama bin Laden ou Ayman al-Zawahiri oferecem a "marca", prestígio, propaganda, contactos internacionais, treino e objectivos estratégicos gerais, o que multiplica a sua visibilidade e a capacidade de acção e recrutamento. Zawahiri, o médico egípcio lugar-tenente de bin Laden, há mais de 10 anos que faz votos, para que Alá conceda aos jihadistas, "a graça de pisarem com pés puros o usurpado Al-Andaluz", pelo que a chegada, com estrondo, da Al-Qa­eda ao Norte de África (30 mortos em Argel, outra vez num dia 11) foi vista pelos serviços de informações ocidentais como o primeiro passo nesse sentido. Seguir-se-ão os enclaves espanhóis de Marrocos, as praças espanholas de Ceuta e Melilla, que estão a passar por um acelerado processo de re-islamização – o número dois da Al-Qaeda e seu principal estratega, compara-as a “zonas de conflito” como a Palestina e a Chechénia – e, finalmente, a própria «grande Espanha» que já alberga um milhão de muçulmanos. Num comunicado, divulgado em Julho de 2006, este proeminente dirigente refere que os muçulmanos são "filhos" de, entre outros, Yusuf Bin Tasfin, emir almorávida que aglutinou os reinos de taifas peninsulares e, os incorporou no seu domínio no norte de África, e em 1086, combateu vitoriosamente as tropas de Afonso VI de Castela.

1. RISCOS DA AMEAÇA JIHADISTA

1.1. Origem e orientação ideológica

A actual ameaça jihadista está relacionada com a expansão, ao longo do século XX, de uma corrente de pensamento islâmica sunita puritana, retrógrada e sectária, geralmente designada como islamismo salafista. Esta corrente daria origem a uma diversidade de grupos e organizações islâmicas, identificadas com um mesmo objectivo: transformar a vida social e política dos países muçulmanos mediante a implantação da lei islâmica (sharia) como norma fundamental, assim como a difusão e imposição de um modelo de organização social baseado no idealizado estilo de vida da comunidade islâmica primitiva estabelecida por Maomé e os seus primeiros seguidores, os salaf ou pios antepassados (que deu origem ao termo salafismo). Ainda que nem todos os movimentos salafistas sejam violentos, de entre eles surgirá na segunda metade do séc. XX uma ramificação ideológica essencialmente agressiva, o salafismo jihadista, que retoma de algumas teologias medievais certas orientações ideológicas determinantes:

a. O conceito de yahiliyya, inicialmente utilizado para descrever a ignorância pagã em que viveram os árabes até à revelação de Maomé, será recuperado pelos ideólogos radicais para denunciar o estado de depravação moral que caracterizaria as sociedades do séc. XX, sem excluir as dos países muçulmanos;

b. A doutrina takfir, que estigmatiza como infiel ou apóstata qualquer pessoa que não abrace a versão salafista do Islão;

c. A acepção mais belicosa do termo árabe jihad (esforço no caminho de Alá), geralmente empregue para legitimar, promover ou exigir o uso da violência a fim de impor a sharia e defender os crentes de todos os seus inimigos.

Entre finais dos anos 70 e até meados dos anos 90 do século passado, emergiram em vários países muçulmanos novas organizações aderentes ao salafismo-jihadista que exerceram a violência, normalmente por métodos terroristas, contra os seus próprios governantes e concidadãos – sobressaindo entre outros, os casos do Egipto, Palestina e Argélia. Em Dezembro de 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão criando a primeira frente da actividade jihadista multinacional. A campanha afegã atraiu numerosos jovens radicais sedentos de aventuras e sangue, assim como importantes líderes jihadistas: destacando-se o palestiniano Abdullah Azzam, mentor de Bin Laden, ou Ayman al-Zawahiri, então líder de uma forte organização terrorista egípcia, Tanzim al-Jihad. Do ponto de vista doutrinário, a colaboração entre combatentes muçulmanos, de nacionalidade diversa, deu um novo valor à noção clássica de Umma (comunidade dos crentes), última peça imprescindível para outorgar sentido a um projecto político panislámico, ou seja, de implantação transnacional. A experiência afegã também aglutinou os membros necessários para a criação da Al Qaeda, primeira e principal organização jihadista multinacional. À posteriori, o influxo exercido pela Al Qaeda e as suas alianças com outras organizações jihadistas locais converteram o projecto de Bin Laden na ponta de lança de um autêntico movimento jihadista global.

1.2. Objectivos estratégicos

O projecto de uma jihad global desejado pela Al Qaeda e outras organizações salafistas violentas, aponta para vários objectivos complementares que podem enumerar-se da seguinte forma:

a) Substituir os actuais governos muçulmanos, que consideram ímpios, por futuras teocracias adaptadas ao ideal salafista e nas quais impere a sharia;

b) Derrotar os inimigos que atacam os muçulmanos: como por exemplo, no Afeganistão, Bósnia e Herzegovina, Somália, Palestina e Israel, Líbano, Iraque, Índia, Filipinas, Chechénia ou outros países do Cáucaso, entre outros;

c) Reconquistar os territórios que outora fizeram parte do mundo islâmico, como a Palestina e Israel, os Balcãs, as ilhas mediterrâneas, o sul de Itália, a Grécia e as vastas regiões de Espanha e Portugal que constituíram o Al-Andaluz;

d) Unificar todos os muçulmanos sob a mesma comunidade política, o califado.

A estes objectivos podem-se agregar outros dois. Um de alcance localizado: impor um estatuto político diferenciado (baseado na sharia) para as comunidades de imigrantes muçulmanas estabelecidas em países não islâmicos; e outro de índole universal: expandir o Islão até aos confins da terra.

1.3. Aspectos tácticos e operativos

A promoção e o exercício da jihad requerem, previamente, a obtenção de recursos económicos e materiais. Para satisfazer todas estas necessidades, as organizações jihadistas dedicam grande parte do seu tempo e muitos dos seus membros em quatro actividades que complementam a sua violência:

a) Propaganda: destinada a difundir a própria ideologia do islamismo salafista radical, assim como, diversas recomendações de ordem estratégica e táctica, orientadas para adaptar a própria actividade às conjunturas sociais e políticas de cada momento e lugar. Destaca-se neste âmbito o uso intenso e efectivo que os jihadistas fazem das novas tecnologias de informação e comunicação, especialmente através da internet (alguns estudos sugerem que na actualidade existam cerca de 4 mil páginas web operativas que se dedicam a disseminar as mensagens emitidas pela Al Qaeda);

b) Proselitismo activo: orientado para atrair novos simpatizantes e colaboradores para a jihad. Desenvolve-se em diversos locais: mesquitas e salas de oração, escolas corânicas (madrassas), bairros, prisões, entre outros;

c) Recrutamento e formação de futuros operacionais: um dos objectivos primordiais que perseguem estas redes de proselitismo, é formar novos voluntários para o combate que permita ampliar o potencial da violência jihadista à escala local, regional e global. Isto exige um trabalho de doutrinamento religioso que em muitos casos, culmina com o envio dos "recrutas" para um campo de treino, como os que existiram ou existem no Afeganistão, Paquistão, Sudão, Argélia, Mali ou Indonésia, entre outros. Estes radicais podem também ser enviados para combater em zonas de conflito, onde já estejam empenhadas forças jihadistas ou converterem-se em recrutadores e colaboradores de redes jihadistas;

d) Apoio logístico e financeiro: O contributo fundamental de muitos membros destas redes, consiste em ajudar os seus companheiros e os irmãos de outros grupos a desenvolverem as suas actividades, colocando-os em contacto, proporcionando-lhes alojamento ou documentos, adquirindo armas ou propriedades e captando recursos económicos. O dinheiro investido na jihad procede tanto de fontes legais (negócios convencionais e, sobretudo, doações privadas) como ilegais, especialmente de roubos, fraude com cartões de crédito, falsificação de documentos ou tráfico de droga. Grande parte destes recursos circula entre vários países, em muitos casos com a ajuda de organizações de beneficência, empresas “fantasma” ou sistemas informais de transferência de fundos, muito difíceis de monitorizar – hawala.

1.4. A evolução dos “guerreiros” da Al Qaeda

Numa breve análise diacrónica, retrata-se o plano estratégico, bem planeado e organizado dos ataques jihadistas contra alvos ocidentais:

) Os ataques de 11 de Setembro de 2001 (daqui em diante 11SET) foram realizados por um grupo composto, maioritariamente, por cidadãos sauditas. A resposta ocidental foi limitar a entrada de cidadãos sauditas, realizar buscas e acções de seguimento e vigilância, até os islamistas radicais não terem outra escolha do que planear outro ataque;

b) Após os ataques de 11SET, quando os Estados Unidos pensavam que estavam a ganhar a “guerra contra o terrorismo”, a Al Qaeda atacou em Bali. O ataque foi realizado por cidadãos indonésios contra um clube de diversão nocturna – "Sari Club", frequentado principalmente por ocidentais. Não havia nenhum cidadão saudita e os serviços de informações não conseguiram prever antecipadamente a ameaça. Consequentemente, os serviços de informações começaram a seguir indonésios além de sauditas;

c) A fase seguinte foi a realização de operações simultâneas em Casablanca e em Istambul. Os dois locais foram escolhidos por serem dois extremos da Europa – a leste e a oeste – e na fronteira do mundo muçulmano. Os ataques demonstraram que a Al Qaeda dirigia os seus ataques contra a Europa e alcançou as suas fronteiras, sendo um sinal de advertência, que os Europeus ignoraram;

d) Então a Al Qaeda atingiu Madrid, para dizer à Europa que "nós estamos aqui." O ataque de 11 de Março de 2004, em Madrid (daqui em diante 11M) teve como consequência imediata a retirada das tropas espanholas do Iraque e a saída da Espanha da coligação de apoio aos Estados Unidos. Os atacantes de Madrid eram magrebinos, que fizeram a Europa pensar que os emigrantes árabes eram a ameaça mais perigosa. Depois do ataque de Madrid, Osama bin Laden fez uma proposta de tréguas à Europa, afirmando que a Al Qaeda era capaz de atingir qualquer objectivo, sempre que quiser e pelo método que escolher, proposta que também foi ignorada;

e) Os países europeus tentaram prever qual seria o próximo alvo na linha dos ataques da Al Qaeda, e o grupo fez o seu melhor para criar a impressão que a Itália seria o próximo alvo. Esta acção de contra-informação foi promovida pelas ameaças feitas pelas "Brigadas de Abu Hafs al-Masri na Europa". Enquanto a Europa esperava um ataque em Itália realizado por árabes, a Al Qaeda atacou num lugar inesperado – Londres – e com cidadãos britânicos de origem paquistanesa.

Uma vez mais o Ocidente foi surpreendido pelos mujahedin, e começou a planear a deportação de todos os muçulmanos extremistas ou ilegais da Europa. A resposta da Al Qaeda às acções realizadas pela Europa contra os muçulmanos foi o empenhamento de cidadãos europeus – cristãos convertidos ao Islão que apoiam a jihad global – nos ataques seguintes. Este modelo, designado “Rakan ben Wilyamz”, consiste na utilização de cidadãos que tenham nascido e crescido no Ocidente, estudado no seu sistema de ensino, rezado nas suas igrejas, consumam bebidas alcoólicas e carne de porco, e aparentemente não sigam o Islão. Mas depois transformam-se "secretamente" em muçulmanos devotados, adoptam a filosofia da Al Qaeda e, conjuntamente com os seus semelhantes, vagueiam pela Europa e Estados Unidos, recolhendo informações e planeando os próximos ataques. Estará o Ocidente preparado para eles, que estão sequiosos pelo martírio?.

2.0 GÉNESE DA AL QAEDA PARA O MAGREBE ISLÂMICO

A Frente Islâmica de Salvação (daqui em diante FIS), coligação de partidos islamistas, fruto de mais de 20 anos de um trabalho notável no campo social por parte de diversas organiza­ções, ganhou as eleições municipais e provinciais em 12 de Junho de 1990, e as presidenciais em 25 de Dezembro de 1991. No entanto, o Conselho Superior de Segurança suspendeu o acto eleitoral, dissolveu a FIS a 4 de Março de 1992 e ordenou ao Exército que prendesse ou controlasse milhares de militantes, confinando-os em locais de isola­mento. A opção da FIS pela via política manteve-se inalterada durante algum tempo, mas os dissidentes organizaram o Grupo Islâmico Armado (daqui em diante GIA), de linha mais radical. O GIA, com uma excelente base de combatentes veteranos do Afe­ganistão, estava determinado a impor o modelo experimentado no Afe­ganistão à sociedade argelina. Durante os anos de 1992 e 1993, o GIA, ainda que manifestando sempre a sua intenção de criar um Estado islâmico através da jihad, esteve em período de incubação. Em Janeiro de 1992, com a interdição da FIS, desencadearam-se conflitos que degeneraram numa escalada da radicalização até que, em 1993, o país caiu numa guerra civil, sendo a maior parte das atrocidades promovidas pelo GIA.

O movimento começou por conduzir acções contra alvos seleccionados, como diplomatas, clérigos, industriais e jornalistas, entre outros, além de realizar atentados à bomba e desvios de aviões. Todavia, a partir de 1996, cometeu massacres de civis. No Outono de 1997, durante três noites, vários grupos armados massacraram mais de 500 pessoas em algumas aldeias, mutilando, decapitando e queimando vivos homens, mulheres e crianças não aderentes do radicalismo. Os massacres em aldeias isoladas continuaram no Verão seguinte, tendo provocado cerca de 400 mortos. A FIS organizou um braço armado denominado por Exército Islâ­mico de Salvação (daqui em diante EIS), que actuou contra alvos militares, enquanto o GIA massacrava essencialmente os civis. Face à onda de carnificina e à diferença de actuação, o EIS propôs uma trégua em 1997, considerando que a opinião pública argelina estava contra o terrorismo. O GIA ficou isolado e acabou por ser derrotado pelo Exército.

O GSPC foi criado em 1998, após uma cisão com o antigo GIA, já desacreditado e enfraquecido, por um dos seus comandantes, Hassan Hattab, antigo pára-quedista, no seguimento de uma fatwa lançada em Dezembro de 1977, que apelava à criação de um novo movimento militar islâmico na Argélia. Perante a iminente derrota, o novo grupo denunciou como herética a política de “matar inocentes”, limitando os ataques a alvos militares e policiais, o que alegadamente garantiu a sua sobrevivência. Em 2004 o comando foi assumido por Abdelmalek Droukdal (nome de guerra de Abou Moussab abd al-Wadoud), um engenheiro electrotécnico de 37 anos. Droukdal manteve a linha de não fazer vítimas civis, mas começou a expandir o grupo em países vizinhos, actuando na Mauritânia e no Mali, procurando articulação com jihadistas marroquinos e tunisinos, enviando voluntários para a "escola iraquiana" de Zarqawi, com quem passou a manter contacto, adoptando a linguagem da Al-Qaeda e, em 11 de Setembro de 2006, Ayman al-Zawahiri anunciou a integração do grupo, “rebaptizado” como Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI).

3. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO GSPC

O GSPC argelino está organizado numa estrutura celular, implementada em nove regiões – equivalentes às regiões militares do exército, cada uma chefiada por um emir – havendo um emir nacional e uma autoridade religiosa que supervisiona a direcção global do grupo. Os dois grupos mais importantes controlam a Primeira Região, a este de Argel (a zona de maior influencia do GSPC, coincidindo com as províncias de Bumerdés e Tizi Uzu), e a Nona Região, que inclui muitas das rotas de contrabando mais lucrativas e constitui um extenso território no sudoeste do país, incluindo os arredores de Tamanrasset. Abdelmalek Droukdal, que combateu os soviéticos no Afeganistão, nos anos 90 do século passado, comanda entre 300 a 1.000 operacionais na primeira região e Mokhtar Belmokhtar, outro veterano do Afeganistão, tem sob o seu comando 100 a 400 homens na nona região.

3.1. Os operacionais do GSPC na Cabília

A Cabília é uma área, limitada geográfica, cultural e linguisticamente que apresenta as características de uma área hostil a qualquer recuperação e refractária a todos os compromissos. É a partir destes feudos, dizimados e renovados sem cessar, que a organização extrai os seus recursos. Após o mês de Abril de 2001 e a confrontação que se seguiu, os eventos políticos e sociais fizeram da Cabília uma “terra de ninguém securitária”, onde a anarquia reina e a insegurança perdura, sempre com a omnipresença do GSPC (por razões estratégicas, políticas, sociais, culturais e económicas) o que coloca sérios problemas às autoridades, como recentemente confirmou um chefe militar: “é certamente uma situação anormal, e tudo o que ocorre hoje é o resultado do acumular de tensões políticas e sociais ao longo de vários anos”.

Os principais grupos e subgrupos são dirigidos organicamente por três grandes katibate na região de Tizi Ouzou, conforme descreve detalhadamente Fayçal Oukaci:

a) Katibate En-Nour: 61 elementos, chefiados por I.M., conhecido por Mouloud al-Fernmche e o denominado Hazem, que constituem 4 secções;

- A secção de Guergour: 15 homens dirigidos por O.M., conhecido por al-Irbad;

- A secção de Sidi Ali Bounab: 30 homens dirigidos por A.Y., conhecido por Abou Khouthaïma. Esta secção está estacionada nos arredores de Oued Ighzer;

- A secção de Boukhalfa: 6 homens;

- A secção de Aïn EL Hammam: 10 homens dirigidos por M.K, conhecido por Khaled es-Sawwaff.

b) Katibate Al-Farouk: 30 homens para duas 2 secções:

- A secção de Boghni: 18 homens chefiados por B.M., conhecido por Youcef al-Harrachi, disseminada pelas florestas de Amghour, de Ichichouach, de Souk EL-Thenine, de Ouadhias e Mechtras;

- A secção de Draâ Al Mizan: 12 homens chefiados por M.A., conhecido por Abdeljabbar.

c) Katibate Al Ansar: 20 homens para duas secções:

- A secção de Bounab 2: 12 elementos chefiados por F.B, localizada nos contrafortes a sul dos montes de Sidi Ali Bounab;

- A secção de Tigzirt: 8 homens, dirigidos por M.M., conhecido por Ikrimah. Esta secção opera nas vizinhanças de Mizrana, Lazer e Laâzib. Em Béjaia, existem três grandes secções operacionais: a de Akfadou, a de El Kseur e a de Azazga.

Por razões elementares de segurança e estratégicas, o Posto de Comando (PC) do GSPC está em “mobilidade permanente”. Entre Janeiro e Junho de 2006, o PC estava em Toudja, muito próximo de Béjaia; depois deslocou-se para as florestas e montanhas inexpugnáveis do maciço central de Djurdjura, em Tikjda e Akfadou. Estas condições são extremamente duras para a liderança, gerando necessariamente dificuldades no comando e controlo da actividade operacional, constituindo uma vulnerabilidade, porquanto a intercepção das comunicações pelos serviços de informações pode colocar em risco a organização. Os serviços de segurança argelinos, sem dados estatísticos precisos, estimavam em cerca de cinquenta, os operacionais que constituíam esta célula, que servia sobretudo para projecção, cobertura e PC alternativo ou ocasional, para a estrutura dirigente do grupo e ainda de ponto de encontro para os grupos que sobem para Sul ou que vêm de Leste.

4. OPERAÇÕES DO GSPC

Tradicionalmente, o grupo opera principalmente nas montanhas do norte e na zona deserta do sul da Argélia e tem como alvos principais, funcionários do governo – particularmente elementos do exército e das forças de segurança. Os ataques mais comuns são realizados em falsos pontos de controlo ou através de emboscadas em estradas, ataques contra as forças de segurança ou edifícios militares (para reabastecimento de armamento, munições e equipamento de comunicações), ataques bombistas e assassinatos. Contudo, evitou sempre confrontações directas com o exército argelino quando não detinha a vantagem do factor surpresa. O grupo também perpetra incursões ou invasões em localidades ou bairros, frequentemente com a finalidade de “adquirir” viaturas (especialmente todo-o-terreno), ou bens transaccionáveis, sendo o sequestro uma actividade chave para a obtenção de recursos financeiros (em 2003, o sequestro de um grupo de turistas europeus, no sul da Argélia, rendeu aos salafistas cerca de 6 milhões de dólares), assim como telefones satélite, sistemas de geo-referenciação (GPS) e outros dispositivos de navegação.

4.1. O modus operandi do novo jihadismo

Os ataques terroristas cometidos após o 11SET foram, na sua maioria, concretizados por redes jihadistas de base, conhecidas em inglês como grassroots jihadist networks. Estes grupos são compostos por pessoas que operam dentro do país onde residem, que partilham os objectivos estratégicos do movimento jihadista global, mas não pertencem formalmente à organização Al-Qaeda nem a outras organizações associadas – como o GSPC, o Grupo Combatente Marroquino Islâmico, etc. – embora ocasionalmente possam conhecer, colaborar, e até mesmo integrar, alguns dos seus membros. As tarefas que as redes básicas realizam podem ser de carácter logístico ou explicitamente violento, e executam-nas de um modo autónomo ao nível táctico – tarefas quotidianas. E, na maioria dos casos, também ao nível operacional, têm como desiderato atingir objectivos estratégicos.  

De certo modo, as redes básicas constituem a coluna vertebral, daquilo que um membro da Al Qaeda, de origem síria e nacionalidade espanhola, Mustafa Setmarian, denominou no seu livro “A chamada para a resistência islâmica global”, a terceira geração de mujahedines. Uma geração que, de acordo com Setmarian, ainda está em processo de consolidação, e que teria nascido dos ataques de 11SET, a segunda Intifada e a guerra do Iraque. Neste sentido, trata-se de uma geração de quem dependerá em grande medida o futuro do movimento jihadista na sua globalidade e em quem os líderes jihadistas têm colocado grande parte das suas esperanças – os três ataques cometidos na Europa desde o 11SET até ao momento (o 11M em Madrid, o assassinato do cineasta holandês Theo Van Gogh, em 2 de Novembro de 2004 e os ataques de 7 e 21 de Julho de 2005, em Londres) foram realizados por este tipo de grupos.

Como a Al Qaeda e outros grupos com estrutura formal (característica daquilo que Setmarian definiu como jihadismo de segunda geração), as redes de base constituem parte do movimento jihadista global, que consiste no conjunto de organizações, grupos e indivíduos que compartilham os objectivos gerais do jihadismo global e procuram contribuir para a sua prossecução na medida das suas possibilidades. É certamente um movimento descentralizado, mas isto não significa que não exista em absoluto nenhum tipo de coordenação. Pelo contrário, existem apreciáveis mecanismos de influência limitada nos níveis operacionais e tácticos, como por exemplo, no consentimento sobre a legitimidade de atacar determinado alvo ou na recomendação sobre o modo de realizar os ataques. Embora as redes básicas sejam autónomas nas suas acções no terreno, elas estão sob a influência do que poderemos denominar o núcleo do movimento jihadista global–referimo-nos aos líderes ideológicos e estratégicos da Al Qaeda (Bin Laden, Ayman al-Zawahiri, Abu Ayman al-Hilali ou Sayf al-Adl) e também a outros líderes que podem desfrutar de prestígio nos círculos radicais e, simultaneamente, têm uma autonomia considerável relativamente à primeira Al Qaeda, como o foram por exemplo os falecidos Abu Musab al-Zarqawi e Abdel Aziz al-Muqrin, antigos líderes da Al Qaeda no Iraque e na Arábia Saudita, respectivamente. O núcleo central da Al Qaeda exerce a sua influência sobre as redes de base, com quem, aparentemente, não tem qualquer tipo de ligação operativa, basicamente pelos seguintes meios:

a) A nível estratégico, por meio de propaganda da execução de determinados atentados terroristas (o caso mais paradigmático é o 11SET) e, especialmente, através de directrizes estratégicas de líderes jihadistas difundidas nos media, principalmente através da internet;

b) A nível operacional pelas seguintes vias: designação de alvos e de possíveis operações (por exemplo, lista de países onde atacar instalações concretas, tipo refinarias petrolíferas, sistemas de transporte, entre outros); modos de comportamento estabelecidos para células ligadas directamente ao núcleo (tais como atentados suicidas, simultâneos, em lugares diferentes e com carácter indiscriminado); participação nas redes de base de jihadistas veteranos que tenham passado por campos de treino e moldam o modus operandi do grupo; difusão de manuais da jihad que supõem um certo grau de influência nos níveis tácticos e operacionais em matéria de planeamento e execução de acções terroristas, etc.

Num contexto pós 11SET, onde as organizações jihadistas estruturadas ao estilo clássico sofreram um enorme desgaste, com centenas de mortos ou militantes presos, as redes básicas representam uma razão de esperança para os promotores da jihad global. E em grande medida são a resultante dos esforços da sua mobilização. As organizações de segunda geração continuam a existir e a operar, mas estão sujeitas a uma pressão enorme, pelo que têm menos possibilidades para executar operações de sucesso, tão complexas e audaciosas, como estavam no momento do 11SET, nos ataques contra as embaixadas dos EUA no Quénia e Tanzânia, ou no ataque ao navio contratorpedeiro USS Coleda armada americana no porto de Áden, no Iémen. Na prática, as células locais são forçadas a agir de um modo muito semelhante ao das redes básicas. Nas circunstâncias de dificuldade de coordenação entre células espalhadas por países diferentes, o padrão organizacional das redes básicas tem vantagens importantes, pois têm autonomia logística, financiam as suas actividades com pequenos crimes, contribuições e até mesmo com os seus salários. Podem obter os explosivos pelos seus próprios meios, fabricando-os ou comprando-os no mercado negro.

A perseguição policial e judicial, torna-se difícil porque em muitos casos, até ao início de uma operação terrorista, não é possível reunir e apresentar elementos de prova, pessoal e material, contra os seus membros, excepto o de se tratar de um grupo de amigos que compartilham ideias radicais. Contudo, o padrão organizacional das redes básicas tem sérias limitações:

a) O pouco profissionalismo dos seus membros. Muitos deles nunca passaram por um campo de treino, nem têm experiência suficiente e, apesar dos manuais da jihad fornecerem conhecimentos teóricos, muitas técnicas só se aprendem com a prática em situações muito similares à realidade. Esta falta de profissionalismo tem permitido a intervenção preventiva e eficaz das forças de segurança, com a consequente desarticulação prematura de numerosas células;

b) A segunda limitação ou vulnerabilidade, reside na necessidade que estas redes têm de se abrir no seu ambiente, com o objectivo de captar recursos humanos e materiais. Neste sentido a autonomia logística tem a sua desvantagem, possibilitando às forças e serviços de segurança, em colaboração estreita com os serviços de informações, desarticular e/ou infiltrar-se nos grupos jihadistas de base.

5. RECRUTAMENTO E FORMAÇÃO

O Islão não avança, galopa. Em 1973, havia 500 milhões de crentes e o número ascende agora a 1,2 milhões de crentes. A demografia pelo fulgor da sua explosão, torna-se por sua vez um sinal religioso que convence os indecisos a juntarem-se à Umma. Esta comunidade reparte-se entre as falhas geográficas, as rupturas económicas e os tribalismos. Ela é europeia, americana, africana, asiática, burguesa, revolucionária. É citadina e camponesa, nómada e sedentária. Defende a jihad e é pacifista. Martiriza e é mártir. É dominante e exilada, global e fragmentada. A Umma é todo o planeta. Esta imagem do Islão, retratada por Martine Gozlan, demonstra o vasto, diversificado e inesgotável universo, onde os movimentos jihadistasfazem o seu recrutamento.

Para os líderes da Al Qaeda, isolados algures entre o Paquistão e o Afeganistão, a junção do GSPC, permite dar a impressão que a organização é genuinamente uma força global e aos salafistas argelinos um novo folgo, possibilitando o acesso às redes de financiamento e recrutamento internacionais da Al Qaeda. No Magrebe, ojihadismo é alimentado por uma combinação de vários factores, que podem variar de país para país: décadas de repressão política da oposição islamista, monopólio das interpretações religiosas por clérigos designados pelo estado, doutrinamento islamista, propaganda e agitação desenvolvidas por veteranos regressados do Afeganistão ou do Iraque, conjugado com a falta de perspectivas de futuro para os jovens, tudo inserido num ambiente onde impera a injustiça social.

Relativamente aos novos terroristas jihadistas na Argélia, Olivier Guitta traçou o seu perfil: são jovens entre os 17 e os 25 anos, muito atraídos pela acção terrorista espectacular, devidamente doutrinados e manipulados ideologicamente (brainwashed), contudo, não possuem uma verdadeira cultura islâmica. Um coronel do exército Argelino disse recentemente: “estamos a enfrentar jovens, recém promovidos à categoria de terroristas, que mesmo não sabendo soletrar correctamente o seu nome, são mestres em manufacturar uma bomba activada por controlo remoto e activada por disparadores sofisticados”. Olivier Guitta refere também que o recrutamento de jovens, faz parte de uma estratégia que adapta as tácticas do contraterrorismo, isto é, recrutam indivíduos que não estão sobre vigilância e são muito frágeis. Esta estratégia é já utilizada com o empenhamento de mulheres em redes terroristas na região do Golfo Pérsico, no Médio Oriente e na Europa, inclusive para realizarem ataques suicidas.

A zona do deserto do Sara, situada entre o Este da Mauritânia e o Noroeste do Mali sempre foi uma zona de treino de terroristas. É uma região inóspita onde não existe vigilância e é quase impossível controlar os berberes e os terroristas que partilham este território (Belmokhtar casou-se com várias mulheres tuaregues como forma de garantir a cooperação das várias tribos ao longo das fronteiras com o Mali, Níger e Mauritânia). Nesta vasta área, actuam os operacionais do grupo islamista Traik Ibn Ziad (guerreiro muçulmano expulso de Espanha no séc. VIII) que estão relacionados com todo o tipo de tráfico: viaturas, estupefacientes e armas. Mantêm igualmente contactos com redes de imigração, o que facilita a entrada e saída de militantes, muitos deles procedentes da Europa. Mais a Sul, a cerca de 100 km de Tombuctu, treinam-se os salafistas fugidos da Argélia e os jihadistas captados por activistas da Al Qaeda na Europa, principalmente em França, Espanha e Itália. Este grupo, responsável pelos atentados de Argel, terá entre 150 e 200 operacionais, segundo fontes dos serviços secretos argelinos e norte-americanos. Um polícia espanhol, que esteve numa embaixada da região afirmou: "Estes acampamentos são um perigo para o Magrebe, mas também para a Europa e o Ocidente em geral, porque ali chegam jovens desejosos de lutar no Iraque e na Argélia, ou simplesmente querem receber instrução sobre explosivos e regressar à Europa, onde esperam a sua oportunidade para cometer um atentado".

5.1. O jihadismo em Espanha

O fundamentalismo jihadista em Espanha começou no início dos anos 1990, graças à presença importante de imigrantes magrebinos e do Médio Oriente, reforçando-se com a criação de estruturas celulares e redes cada vez mais organizadas, que recrutam no seio desta comunidade e a quem o 11SET deu um forte alento, não hesitando atacar em Madrid – 11M. Perante esta ameaça, a intelligence espanhola identificou mais de uma dezena de grupos islamistas radicais, os quais recrutaram em Espanha jihadistas destinados à frente iraquiana, ou ao martírio – ataques suicidas, em zonas de conflito.

Os principais grupos que operam em Espanha são os seguintes:

- Al-Ikhwan al-Muslimin (Irmãos Muçulmanos). Fundada no Egipto durante os anos 1940, esta organização dispõe em Espanha de cerca de 100 elementos, na sua maioria de origem síria e jordana. O único ataque que se lhes atribui em Espanha, ocorreu em 1982, quando tentaram assassinar um funcionário da embaixada da Síria, por represália contra a repressão que sofrem os membros da organização no seu país;

- Takfir wal Hijra (Anátema e Exílio). Igualmente de origem egípcia, este grupo é próximo dos Irmãos Muçulmanos. Os seus membros são de origem Sudanesa, Libanesa e Marroquina. Este grupo reclama o restabelecimento do califado em Espanha e está relacionado com os atentados de Casablanca em Maio de 2003 e de Madrid em 2004;

- Jeish Ansar al-Sunna (Exército dos Partizans da Tradição). Este grupo, criado após a invasão do Iraque pelos EUA, critica a Espanha pela sua participação, desde o início, no conflito e na coligação liderada pelo presidente George W. Bush. Esta organização é directamente responsável pelo assassinato de sete membros dos serviços secretos militares espanhóis (CNI) no Iraque, em Novembro de 2003;

- Tanzim Qaídat al-Jihad fi Bilad al-Rafidayn (Organização da Al-Qaida para a Guerra Santa na Mesopotamia). Este grupo recebe na sua chegada ao Iraque, a maior parte dos recrutas enviados pelas diversas células islamistas de Espanha;

- Al-Haraka al-Islamia al-Maghribia (Grupo Islâmico Combatente Maroquino - GICM). Directamente implicado nos atentados de Madrid, este grupo é considerado, pela polícia espanhola, como o mais perigoso para a segurança do país. O maior receio das forças de segurança é que os operacionais desta organização a lutar no Iraque regressem a Espanha, após o termo do conflito, para cometerem atentados de grande escala;

- Grupo Salafista para a Predicação e o Combate. Segundo o ministério do interior espanhol, este grupo não projecta, de momento, acções terroristas em Espanha, limitando as suas acti­vidades, à recolha de fundos e ao acolhimento temporário de terroristas. Tráfico de droga, falsificação de documentos, furto/roubo de veículos e assaltos, são as principais fontes de receita do GSPC em Espanha, que investe também em empresas legais, utilizadas como cobertura;

- Al-Jihad Islami (Jihad Islâmica). Esta organização está encarregada do recrutamento de imigrantes magrebinos para os enviar para o Iraque;

- Gama'a al-Islamiya (Grupo Islâmico). A grande discrição desta organização não permitiu até ao presente determinar a sua situação em Espanha, nem as suas actividades;

- Ansar al-Islam (Os Partizans do Islão). O chefe desta organização, o iman Abu Omar, foi raptado em Itália pela CIA em 2003. O seu irmão, acusado de recrutar terroristas, está preso em Espanha e outro membro do grupo é suspeito de ter colaborado na preparação dos atentados de Madrid;

- Al-Harakat Salafiya al-Jihadiya (Movimento Salafista para a Guerra Santa). Após o incidente na ilha de Perejil, entre Espanha e Marrocos, este grupo apelou à jihad contra a Espanha, afim de recuperar Ceuta, Melilla e as ilhas Canárias;

- Jamaat Assirat al-Mustaquin (Comunidade do Caminho Direito). Grupo responsável por cinco atentados suicidas em Casablanca, em Maio de 2003, sendo um contra a Casa de Espanha;

- Al-Gama'a al-Islamiya al-Libya al-Muqatila (Grupo Islâmico Combatente Líbio). Dedica-se a recrutar jihadistas e a financiar células terroristas a nível internacional.

Algumas operações policiais desencadeadas pelas forças de segurança em Espanha, França e Itália entre o final de 2005 e o princípio de 2007, demonstraram que a capacidade de recrutamento e a organização interna do GSPC continuam intactas, estando inclusive a reforçar-se. Das operações realizadas em Espanha, destacamos: no ano de 2005, em Junho a Operação Tigris; em Novembro a Operação Corço; em Dezembro a Operação Verde. Em 10 de Janeiro de 2006 a Operação Chacal desencadeada nas regiões de Madrid, Catalunha e País Basco (permitiu desarticular parte da rede de recrutamento de combatentes para o Iraque, a qual integrou um argelino, residente em Espanha, Belkacem Bellil que provocou 35 mortos no ataque suicida ao aquartelamento dos Carabinieri em Nassiriya, em 12 de Novembro de 2003, véspera da chegada do Subagrupamento Alfa da GNR) e em Janeiro de 2007 a Operação Selo II. Em finais de Julho de 2005, a França deportou para a Argélia dois imans radicais defensores do discurso jihadista, Abdelhamid Aissaui e Reda Ameurud, e em 2006 iniciou uma investigação sobre outros onze, cinco deles argelinos e próximos do GSPC. Finalmente, em Itália a Operação Tuaregue da Guardia di Finanza, dirigida contra círculos próximos do GSPC, tornada pública em 3 de Outubro de 2006, permitiu realizar várias detenções em Itália e na Suiça.

5.2. Catalunha: o novo centro da Europa para a Jihad Global

O fortalecimento dos grupos islamistas, combinado com o aumento de redes e actividades jihadistas nos arredores de Barcelona, reforça o estatuto da Catalunha como centro europeu para as operações terroristas da Al Qaeda e seus associados. De acordo com responsáveis espanhóis de contraterrorismo, a Confederação Espanhola das Polícias e vários peritos em terrorismo, a Catalunha transformou-se no "foco principal" do desenvolvimento do terrorismo jihadista em Espanha e, mais especificamente, o maior centro de recrutamento jihadista na Europa. Um estudo sobre terroristas presos em Espanha (mais de 300 desde o fim da década de 1990), refere que 79% dos indivíduos que ingressaram em estabelecimentos penitenciários espanhóis entre 2001 e 2006, como suspeitos de estarem implicados em actividades de terrorismo jihadista, são originários do Norte de África, sendo 77,7% do Magrebe – concretamente 39,7% marroquinos e 31,4% argelinos. Mas atendendo que o número de imigrantes marroquinos em Espanha é 10 vezes superior ao de argelinos, a sobre representação destes últimos é o corolário de quase três lustros do percurso que o terrorismo islamista tem no país de origem e a difusão da sua ideologia na outra margem do Mediterrâneo – mostra que a Catalunha é inquestionavelmente o epicentro das actividades do jihadismo em Espanha, indicou Fernando Reinares, investigador principal e director do programa global do terrorismo do Real Instituto Elcano de Espanha. De acordo com algumas fontes e vários estudos, a maioria dos terroristas islamistas em Espanha consideram as comunidades muçulmanas, em toda a Catalunha, “santuários” para construírem as suas bases de apoio ideológico, logístico e financeiro à causa e recrutarem jihadistas suicidas para a subversão no Iraque e Afeganistão, assim como, para alvos potenciais em Espanha e outros locais na Europa. O conselheiro para a segurança interna da Catalunha, Joan Saura, considera que três cidades – Badalona, Santa Coloma de Gramenet e de Sant Adria de Besos – formam o “triângulo mais importante de recrutamento jihadista na Europa”. A seguir à Catalunha, os outros locais de recrutamento para os militantes islamistas são Madrid e os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla, sendo os angariadores jihadistas, na sua maioria, jovens originários da França e da Bélgica que viajam por toda a Espanha nestas missões.

Fontes dos serviços de segurança espanhóis estimam que o marroquino Mbark El Jaafari, na cidade de Réus, treinou 32 jihadistas suicidas, tendo utilizado uma nova estratégia no seu recrutamento que consistia em "ocidentalizar" os recrutas, afim de melhor se integrarem na sociedade catalã; incentivou-os a usar jeans e vestuário moderno, evitar deixarem crescer muito a barba e o cabelo. A etapa seguinte foi removê-los do seu contexto cultural e sociológico, enviando os estagiários para pequenas cidades (longe do seu habitat), onde apoiantes da causa lhes proporcionavam emprego. Posteriormente, seguiriam para as zonas de conflito – Iraque, Argélia, Chechénia ou Afeganistão, sendo favorecidos os "estagiários" que prestaram serviço militar nas Forças Armadas de Marrocos ou Argélia.

5.3. O Al-Andaluz, alvo do Jihadismo Salafista

A Al Qaeda tenta (desde 2001) criar no Magrebe uma base para actuar na Europa, mas a ameaça não nasceu com o 11 de Abril. O último relatório da Europol, frisa que a ameaça terrorista "é a mais séria de sempre" e que, entre os vários terrorismos, o jihadista é o mais perigoso, porquanto qualquer declaração agressiva que surja do directório da Al Qaeda sobre algum país, equivale na prática à sua sinalização como alvo, potenciando a execução de atentados contra o mesmo e, ainda adverte que a estrutura terrorista, é a génese e a matriz de referência para o movimento jihadista neosalafista global no seu conjunto, podendo chegar a implicar-se, directa ou indirectamente, na execução dos mesmos. Nesta perspectiva, durante o último ano, Ayman al-Zawahiri, efectuou uma série inquietante de alusões ao Al-Andaluz, as quais seguidamente se descrevem de forma breve:

Em Julho de 2006, al-Zawahiri, emitiu um comunicado onde definia concretamente o sentido do que denomina “jihad pela senda de Alá”, referindo literalmente: “uma jihad cujo objectivo é libertar a Palestina, toda a Palestina e todo o território que foi muçulmano, desde o Al-Andaluz até ao Iraque”;

Recentemente, em Fevereiro de 2007, quase a um mês de se cumprir o terceiro aniversário dos atentados de Madrid, Zawahiri reiterava esta fixação sobre o Al-Andaluz, como parte dos objectivos da jihad neosalafista global. Nesta ocasião fê-lo com uma referência à evolução dos grupos e organizações jihadistas do Magrebe, mostrando o seu apoio aos “leões” que batalham nas denominadas margens ocidentais do islão e acrescentou: “peço a Alá que vos conceda forças para que mantenham os vossos pés firmes para lhe obedecer e, (…) assim libertareis o Magrebe islâmico e içareis o estandarte da jihad para que ondeie vitorioso sobre a sua terra, e que Alá vos conceda o favor de rapidamente pisarem com os vossos puros pés o usurpado Al-Andaluz”. Ainda em meados deste mês foi difundido um novo vídeo onde Zawahiri se referia mais uma vez ao Al-Andaluz, reiterando qual continuará a ser o principal foco da ameaça do terrorismo jihadista;

No início de Maio de 2007, num novo vídeo de uma hora e sete minutos, legendado em inglês e emitido pela produtora jihadista As-Sahab, Zawahiri referiu-se a vários temas da actualidade e à nova filial da organização no Magrebe “ pedindo a Alá que conceda a vitória aos irmãos do Magrebe, que com a força da sua fé e a confiança no seu Senhor, estão a estremecer os pilares do regime dos filhos da França (o regime argelino),” (...) “estão a fazer sua a preocupação de toda a comunidade de muçulmanos desde Kasghar (uma cidade com um centro histórico medieval no extremo ocidental da China) a Granada”. Com estas referências, Zawahiri refere-se simbolicamente à extensão geográfica das terras do Islão.

Estas e outras citações belicosas sobre o Al-Andaluz não são uma novidade no discurso fundamentalista que está subjacente ao terrorismo global salafista. Abdullah Azzam, mentor ideológico de Osama bin Laden durante a guerra contra a União Soviética no Afeganistão, promoveu desde então a jihad defensiva noutras zonas do mundo, e já nos finais dos anos oitenta do século passado, mencionava expressamente o Al-Andaluz entre as terras que foram muçulmanas e deviam ser recuperadas. Líderes religiosos muito influentes entre os seguidores da Al-Qaeda, tanto em países magrebinos como europeus, casos de Abu Qutada e Mohammed Fazazi, fizeram frequentes menções ao retorno do Al-Andaluz ao domínio islâmico. A mesma ideia é recorrente em muitos documentos de orientação neosalafista encontrados em operações policiais desencadeadas em território europeu desde à vários anos, assim como em sítios privados na internet, onde a noção de uma campanha jihadista no Al-Andaluz se associa habitualmente com expressões de vingança sobre Espanha, como o demonstraram, os terroristas que reivindicaram a autoria dos atentados de 11 de Março, em Madrid, apresentando-se através de um vídeo como “brigada no Al-Andaluz” em que afirmavam: “continuaremos a nossa jihad até ao martírio na terra de Tarek ben Ziyad”. Contudo, é a frequência e a agressividade com que ultimamente o directório da Al-Qaeda evoca o Al-Andaluz que provoca grandes inquietações, adquirindo particular significado na actualidade por três razões:

a) Em primeiro lugar, porque se conjugam com outras ameaças, que o próprio Zawahiri efectuou em Dezembro de 2006, sobre a "ocupação espanhola de Ceuta e Melilla" numa mensagem emitida pela estação de televisão al-Jazira;

b) Em segundo lugar, as referências como objectivo do terrorismo jihadista ao Al-Andaluz, têm um especial significado porque se combinam com uma série de ameaças genéricas igualmente proferidas pelos líderes do terrorismo global, tais como, quando a Al Qaeda ameaça os países com forças nos teatros de operações do Afeganistão, Iraque ou no Líbano;

c) Em terceiro lugar, porque a ideia de recuperar, através da violência, o Al-Andaluz já premiou o discurso das redes magrebinas do terrorismo jihadista e, em concreto, do GSPC.

5.4. Implicações para a segurança nacional

Um director nacional-adjunto da Polícia Judiciária disse recentemente que Portugal "tem sido um destino de recuo para terroristas", que por cá ficam, "adormecidos", durante períodos curtos e, poderá estar a ser utilizado para actividades de apoio ao terrorismo internacional «a coberto de outras actividades legítimas e credíveis». Este responsável da Direcção Central de Combate ao Banditismo admitiu que estas actividades desenvolvidas por algumas organizações não-governamentais de «matriz islâmica» estão «referenciadas internacionalmente como passíveis de actividades de cobertura de activistas mais radicais». «A ameaça extremista islâmica não será tão relevante em Portugal, porquanto a comunidade islâmica residente em Portugal, está bem integrada, os seus crentes, as relações económicas e sociais entre Portugal e o mundo islâmico estão longe de constituir um factor problemático», realçou. Contudo, afirmou que a ameaça «mais credível» que pende sobre Portugal, de acordo com as informações recolhidas pelas forças e serviços de segurança, «pauta-se por actividades de baixa intensidade, ocasionalmente ligadas directa ou indirectamente a redes de terrorismo», tais como, a falsificação e contrafacção de documentos de identidade e cartões de crédito, auxílio à imigração ilegal no Espaço da União Europeia, através de casamentos de oportunidade, fraude em telecomunicações e actividades relativas ao micro-financiamento. Estas actividades criminosas, apesar de não serem muito significativas, mostram sinais de que «alguns dos seus autores o façam integrados numa rede de apoio logístico mais alargada».

Quanto ao tipo de atentados que é previsível que planifiquem e possam executar, os actores individuais ou colectivos relacionados com o movimento da jihad neosalafista global, serão actos de terrorismo cujos objectivos imediatos, sejam os de provocar um elevado número de vítimas mortais, exercer um considerável impacto social e que o ambiente mediático hodierno, permita levar ao conhecimento da aldeia global, em tempo real, o “espectáculo” do terror, tornando próximo o atentado distante, e exponenciando os efeitos de terror por ele provocados, numa combinação de letalidade, impacto e publicidade. Em segundo lugar, as acções terroristas serão, provavelmente, cometidas através de modalidades habituais praticadas pelo terrorismo internacional, como deflagrações múltiplas e coordenadas, iniciadas através de dispositivos de controlo remoto ou mediante o uso de temporizadores. Em terceiro lugar, referimo-nos a atentados dirigidos contra objectivos sem medidas especiais de protecção e localizados preferencialmente em espaços urbanos, tais como grandes aglomerações humanas ou sistemas de transporte que, mesmo fora de zonas densamente povoadas, em caso de serem alvo de uma acção terrorista, assegurem consequências suficientemente cruéis, favoreçam a generalização de estados mentais de ansiedade e produzam uma grande cobertura mediática. Também os locais onde se combina a indústria turística e concentrações massivas de pessoas oferecem alvos remuneradores para os terroristas, como ficou tristemente demonstrado em vários lugares do mundo, ou seja, é o tipo de atentado do terrorismo jihadista com mais probabilidades de vir a acontecer, hipótese que de modo algum se pode descartar à luz do que se conhece dos últimos três anos, assemelhando-se nos seus aspectos básicos, não necessariamente nos alvos específicos e localização, ao 11M em Madrid.

Ao estilo dos atentados cuja execução planeia e controla directamente, a Al Qaeda selecciona objectivos de especial relevância simbólica e consideravelmente protegidos. A frequência e a agressividade com que o directório desta estrutura terrorista vem citando o Al-Andaluz, assim como, o facto de ter patrocinado uma extensão regional da mesma no Magrebe, com ramificações europeias, obriga a reflectir sobre a possibilidade de que o raio de objectivos propícios para actos de terrorismo internacional se amplie – na Península Ibérica – nos locais mais simbólicos ou dotados com maior protecção, como aeronaves comerciais, monumentos ou edifícios proeminentes, organismos do estado, forças armadas e de segurança, assim como, infraestructuras críticas – três quartos das infra-estruturas estratégicas nacionais estão em zonas de intensidade sísmica máxima e 60% localizam-se em locais que podem ser ‘atractivos’ para atentados terroristas, pelo que a destruição de alguns dos equipamentos pode paralisar o país. Nesta perspectiva, não se deve descartar a possibilidade, mesmo que remota, mas cada vez menos impensável, de algum acto terrorista não convencional, como os que deveriam ser perpetrados em países ocidentais, segundo um tratado de estratégia jihadista, muito visitado na internet e escrito por Mustafa Setmarian (também conhecido por Abu Musab al Suri) fundador da célula da Al Qaeda estabelecida em Espanha nos anos 1990, pouco antes de ser detido no Paquistão em 2005.

Como referimos, o jihadismo tem como objectivo a longo prazo restaurar o Califado, um conglomerado geopolítico onde vigoraria a sharia, abrangendo os países muçulmanos e o território já ocupado pelo islão, incluindo o Al-Andaluz. Usa a ameaça assimétrica do terrorismo, para conseguir os seus intentos, o primeiro dos quais é obter a adesão dos muçulmanos a esta causa, conquistando os seus corações e as suas mentes – “Golpearemos por Alá quem Bin Laden indicar e, quando quiser”, anunciou há oito meses o emir argelino, mas nada se sabe até onde chegará a fidelidade deste grupo. Contudo fontes dos serviços de informações espanhóis crêem que será total, porquanto se trata de um movimento internacional que já captou militantes de seis países distintos. Estamos, portanto, perante uma subversão global, a que terá de ser dada uma resposta global.

Que fazer? Prevenção, prevenção e mais prevenção, será a solução…, como referiu o responsável europeu pela Segurança, comissário Franco Frattini: “A ameaça de atentados terroristas diz respeito a toda a Europa”, (…) “registámos um aumento dos movimentos de pessoas suspeitas e prontas a levar a cabo ataques terroristas de grande envergadura e que se prepararam para isso em zonas remotas do Afeganistão e do Paquistão”, declarou o comissário. Este alto responsável alertou ainda todos os países para que, neste Verão, não reduzam as medidas de segurança e, pelo contrário, aumentem a vigilância sobre todos os suspeitos”, referindo ainda que “todas as forças policiais e serviços de segurança devem estar em alerta permanente”.

Jornal de Defesa

 

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Luso

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« Responder #42 em: Janeiro 10, 2008, 11:04:08 pm »
O Miguel dá conta do recado em três tempos.
Tranquilos.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Miguel

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« Responder #43 em: Janeiro 19, 2008, 04:34:53 pm »
Eu sei como vencer esses, gajos :twisted:

Olho por Olho e dente por dente

Inundaçao das TV Arabes com pornografia, bombardeamentos de suinos nas terras deles, etc....

Cortar as cabeças dos inimigos

Contra a barbarie apenas os mesmos metodos podem ser eficazes, nunca o occidente podera vencer no Afganistao ou em qualquer outro lugar.(enquanto se utilizar luvas para matar).
 

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PereiraMarques

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« Responder #44 em: Janeiro 19, 2008, 09:27:24 pm »
Citação de: "Miguel"
bombardeamentos de suinos nas terras deles, etc....






 

 

Ceuta e Melilla são alvo da jihad

Iniciado por Lancero

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Última mensagem Abril 12, 2007, 12:13:30 pm
por ferrol
Jihad, o ponto da situação

Iniciado por routechecker

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Última mensagem Agosto 02, 2010, 12:14:23 am
por nelson38899