5 de Outubro: Tratado de Zamora / Independência de Portugal

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« Responder #30 em: Outubro 09, 2006, 09:29:32 pm »
Pt, e quando a justiça tem o seu desempenho cerceado pelos políticos que controlará?
É uma pescadinha de rabo de boca, como diz.
E não me parece que as novas geraçõs estariam condenadas a coisa nenhuma. Imagine, com o sistema actual - democrático a caminhar para o libertário no pior sentido da palavra - as novas gerações estão borrifando-se para o que quer que seja e as suas posições políticas são limitadas ao pouco que fica da escola (o vintecincodoá que foi muito bom ou coisa parecida). E este é o resultado de um sistema plebiscitado em toda a sua estrutura principal. E onde nada custa, porque tudo aparece feito.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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« Responder #31 em: Outubro 10, 2006, 08:14:32 pm »
http://doportugalprofundo.blogspot.com/ ... culto.html

Terça-feira, Outubro 10, 2006  
O poder oculto



"Understand, Father? Ours is a country of arrangements"


Principe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster)
Il Gattopardo, Luchino Visconti (realizador), Giuseppe Tomasi Di Lampedusa (romance), Suso Cecchi d'Amico (guião), 1963



O arq. José António Saraiva na sua coluna "Política à Portuguesa" do semanário Sol de 7/10/2006, intitulada "Os poderes ocultos", segue argumentação já exposta no Queijo pelo José e também aqui. É uma nova linha de argumentação jamais possível no Expresso de Francisco Pinto Balsemão que antes dirigia. Diz o director do Sol num artigo cujo mote é o cessante procurador-geral da República José Souto de Moura:


Semanário Sol
Política a Sério
"Os poderes ocultos", 7-10-2006
José António Saraiva

"Depois do 25 de Abril, um poder parcialmente oculto emergiu no país.
Esse poder pontificava nas empresas, controlava vários ministérios e mandava na rua.
Tratava-se de um poder parcialmente oculto porque a sua força efectiva de intervenção na sociedade era muitíssimo superior à sua força eleitoral.
Com a progressiva institucionalização da democracia, o Partido Comunista - pois é dele que estou a falar - foi sendo reconduzido à sua verdadeira dimensão.
E julgava-se que os poderes ocultos tinham acabado.
Puro engano.
A história do procurador-geral da República, Souto de Moura, constitui uma óptima prova de que alguns desses poderes continuam vivos e bem vivos.
Goste-se mais ou menos de Souto de Moura, valorize-se mais ou menos a sua falta de jeito para lidar com os media, uma coisa é forçoso reconhecer: com ele a Justiça correspondeu à imagem da Justiça - foi cega.
Os poderosos sentiam não poder abrigar-se à sombra do seu poder.
Os influentes à sombra da sua influência.
Os ricos à sombra da sua fortuna.
Sucede que, sobretudo a partir do momento em que rebentou o escândalo da Casa Pia, o procurador tornou-se vítima de ataques que umas vezes visavam a sua pessoa, outras aquilo que dizia, mas cujo objectivo não era bem claro.
A pouco e pouco, porém, foi-se adivinhando o fim da história.
Começou a perceber-se que, desacreditando-se o procurador, desacreditava-se a Justiça.
E desacreditando-se a Justiça, desacreditavam-se os processos em curso, em particular os mais mediáticos.
E desacreditando-se os processos, punham-se em causa as acusações.
E deitando por terra as acusações, reabilitavam-se os culpados - que passavam de vítimas a réus de um sistema hediondo.
Souto de Moura era, pois, o homem a abater.
Olhando para trás, é possível dizer que um poder oculto esteve na primeira linha do combate ao procurador.
Refiro-me à Maçonaria.
Não digo que todos os que participaram nesse combate fossem maçons.
Como em todas as campanhas, há uma força que organiza, que reúne vontades, e pessoas avulsas que aderem ao movimento e que o engrossam.
Mas o motor da luta contra Souto de Moura foi a Maçonaria.
Talvez porque algum ou alguns dos réus daquele processo fossem maçons - e uma das regras daquela sociedade semi-secreta é a entreajuda.
A bem da transparência, o Presidente da República, Jorge Sampaio, não se deixou ir na onda.
Enfrentando vento e marés, fazendo orelhas moucas, não cedeu às pressões para retirar a confiança ao procurador.
Com isso, prestou um bom serviço à Justiça e à democracia.
Se Souto de Moura tivesse sido demitido, e os processos em curso tivessem andado para trás, quem acreditaria que a Justiça fosse igual para todos.
Se a cabeça de Souto de Moura tivesse rolado pelo chão e os réus do «caso Casa Pia» tivessem saído da prisão a cantar vitória, quem acreditaria ainda na justiça portuguesa?" [realce meu]



Como o arq. José António Saraiva não é inocente nem mal informado, o que escreveu só pode ser avaliado como falsa ingenuidade. Dissequemos o corpo do artigo:
1. José António Saraiva, director do principal semanário português durante mais de duas décadas, não podia ignorar a influência crescente da Maçonaria sobre o poder. E até internamente - como exemplo lembre-se que, na maquetagem do Expresso, durante anos a Igreja vinha da página da Mafia.... Não pode ser uma descoberta recente, uma revelação após sair do Expresso.
2. A tese da verdadeira cabala - a cabala da Maçonaria/PS contra a investigação do processo da Casa Pia - segue, como se disse, o que no Queijo e aqui (e também aqui) se publicou. Não é nova.
3. Todavia, José António Saraiva ficou aquém da explicação da campanha orquestrada da Maçonaria contra Souto de Moura. Não foi - não é! - uma campanha que reúne "pessoas avulsas", inocentes, que ingenuamente aderem à campanha. Esses casos de ingenuidade são raros em política.
4. Mas o erro intencional, o favor macro-sistémico, está no papel inverso que é atribuído pelo director do Sol ao ex- Presidente da República Jorge Sampaio.
4.1. Jorge Sampaio não só se "deixou ir na onda", como a cavalgou e controlou.
4.2. Sampaio não só não "enfrentou", como semeou "ventos e marés", demonstrando ao povo várias vezes o seu incómodo com o procurador-geral.
4.3. Como eu aqui disse há muito tempo já, Jorge Sampaio praticou um estilo diverso do seu antecessor Mário Soares: enquanto este criou o estilo da magistratura de influência, Jorge Sampaio preferiu o modelo de influência da magistratura. Em várias intervenções sempre aqui denunciadas - discursos (lembre-se, por exemplo, o de Braga!), entrevistas (a da RTP a Judite de Sousa), declarações e actos (por exemplo, chamadas consecutivas do PR a Belém) -, o ex-presidente da República, jurista de formação e sócio-fundador de um dos mais poderosos escritórios de advogados do país (que ainda leva o seu nome), pronunciou-se e actuou, directa e indirectamente, sobre um caso jurídico concreto em análise nos tribunais, bastas vezes num sentido favorável aos interesses imediatos de amigos e correlegionários seus, do seu partido e da Maçonaria, organização a que pertenciam ou teriam pertencido alguns dos suspeitos, arguidos, acusados e réus, e ele próprio, exercendo uma influência que sabia ilegítima sobre o poder judicial que a democracia estabelece como independente.
4.4. Creio que Sampaio só não demitiu Souto de Moura porque a iniciativa cabia ao Governo (conforme a alínea m art.º 133.º da Constituição) e Durão Barroso nunca se mostrou disponível para exonerar de Souto de Moura.
4.5. As suas referidas intervenções relativas e relacionáveis com um processo particular foram tão graves que, num país como os EUA, Sampaio seria com certeza objecto de um processo de destituição (impeachment). Um dia, esperamos, Souto de Moura há-de revelar as pressões políticas, directas e indirectas, que terá recebido.
4.6. Jorge Sampaio terá compreendido que a extensão e gravidade horrorosa do caso da Casa Pia era tal que, se não interviesse o regime, controlado pela Maçonaria, seria destruído, erguendo-se um novo, no qual o poder seria redistribuído por novas entidades e personalidades. Lembro que, por muito menos - corrupção no financiamento partidário e não... pedofilia! -, a república italiana foi substituída por uma nova... A resistência do sistema em Portugal deveu-se ao controlo vigoroso da Maçonaria sobre o poder político, poder judicial e os media - em Itália, a magistratura e os media fugiram ao controlo do sistema mafioso.
4.7. Portanto, no que respeita ao escândalo da Casa Pia, Jorge Sampaio não "prestou um bom serviço à Justiça e à democracia", prestou um péssimo serviço. Um serviço inadmissível para um Presidente da República Portuguesa, "garante" do "regular funcionamento das instituições democráticas" (art. 120.º da Constituição), que se quer isento face a processos concretos em análise nos tribunais.
5. Na verdade, a cabeça de Souto de Moura terá "rolado pelo chão" no final do mandato. O procurador-geral não foi reconduzido (podendo ser) por decisão do partido cujos dirigentes (alguns) foram envolvidos no processo de pedofilia.
6. Realmente, os reús do caso da Casa Pia não saíram da prisão "a cantar vitória", mas um arguido saíu da prisão directamente para uma recepção apoteótica no Parlamento.
7. Por isso, cabe então reformular o modo da pergunta do director do Sol: quem acredita ainda na justiça portuguesa?

A crónica de José António Saraiva de 7/10, publicada no mainstream dos media tradicionais, o novo semanário Sol, representa um sinal de que o poder efectivo da Maçonaria atingiu uma evidência repulsiva que certas camadas superiores do sistema político já não toleram e o povo abomina. Conviria, portanto, a esta organização secreta a humildade do saneamento interno, a transparência de procedimentos e a sua recondução a um clube de pensamento em vez do controlo do poder. A democracia portuguesa e o próprio País não suportam um poder oculto perverso e, realmente, anti-democrático.


Post-Scriptum: Aguardei até hoje, quando a edição em papel do Sol já está disponível no sítio do semanário, para transcrever esta crónica crucial de José António Saraiva, serviço único que faço porque, de outro modo, não poderia ser sindicada. Compreendo a opção empresarial, mas conviria deixar os textos pesquisáveis e citáveis na internet, o que com o formato actual, que impede a cópia e dificulta a impressão, não acontece.



Publicado por Antonio Balbino Caldeira em 10/10/2006 09:55:00 AM
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

 

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