Eleições presidenciais no Brasil

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TOMKAT

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Eleições presidenciais no Brasil
« em: Setembro 17, 2006, 11:38:01 am »
Quando se aproxima a data das elições presidenciais brasileiras, e, apesar dos escândalos em que directa ou indirectamente se tem envolvido, Lula continua à frente das intenções de voto, segundo as sondagens mais recentes, uma entrevista a uma personalidade brasileira que faz uma análise corrusiva da situação política actual brasileira.


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Lula anda deslumbrado com o Poder

Arnaldo Jabor, jornalista, ex-comunista, comentador e cineasta…. Entrevistado pela revista FOCUS.

….
Focus - O senhor já disse que a eleição de Lula foi resultado da ignorância do eleitorado e da utopia dos intelectuais. A cada vez mais porvável reeleição do Presidente seria fruto de quê?

Arnaldo Jabor - … a grande massa da população não consegue entender as filigranas do que considero ser a mudança política e administrativa do país,…. acha que Lula foi injustiçado, que é uma vítima da pancada das elites. Já os intelectuais, grande parte deles não consegue entender o país e continua tendo uma visão utópica do Brasil.

FEm que consiste essa utopia?

A.J. – É uma visão antiga do que seria “progressismo”. … É um ensopadinho feito de leninismo, de getulismo, de desenvolvimentismo, estatismo e sindicalismo. Este ensopadinho joga-nos de volta a um tempo de utopias irrealizáveis e impede uma agenda modernizadora, que é feita de mudanças óbvias, mas áridas para o gosto da velha esquerda: reforma tributária, reforma da Previdência, enxugamento do Estado.
….

FO senhor acha que Geraldo Alckmin, em quem já disse que votará, seria capaz de executar essa agenda?

A.J. – Eu não sei em quem vou votar ainda. Gostaria de votar em um terceiro candidato que não existe. … Votaria no Serra se ele tivesse sido candidato.

F Se o Serra tivesse sido candidato, o senhor acha que a situação eleitoral seria diferente hoje?

A.J. – Acho que o Serra perderia também. Ninguém ganha do Lula. Ele continua sendo o Messias para o povo e para os intelectuais. Eu não tenho problemas com o Lula. Se ele fizer um governo pragmático, de reformas instuticionais, se fizer o óbvio que precisa ser feito, eu vou achar ótimo. O problema é que as pessoas que estão no poder detestam a administração porque ela é antiutópica. … O ideólogo odeia o concreto. O ideologismo me dá medo porque prescinde do estudo, da técnica, da análise. … O agronegócio é um bom exemplo. O agronegócio foi o que sustentou o Brasil nos últimos três anos, mas como é capitalista, então a gente tem que ser contra. Os ministros entram e começam a dar força ao MST. O governo dá dinheiro para aquele maluco milionário, o Bruno Maranhão, invadir o Congresso. Aquilo, aliás, foi um indício muito preciso do que está por trás desse pensamento da esquerda: “Vamos parar com essa farsa de democracia burguesa e vamos botar para quebrar.”

FMais ou menos o que alguns artistas  disseram em reunião com Lula há duas semanas…

A.J. – É, eles disseram a mesma coisa: “Esse negócio de ética é besteira e tem de botar para quebrar, porque o jogo político é assim mesmo.” Quando esse cara diz isso, ele está denunciando o pensamento secreto dos velhos comunas. Porque, na realidade, esse papo de democracia, para a maioria dos petistas, é um papo que eles consideram burguês. Quando dizem que a ética não importa, que o que importa é o resultado, que em política tem de jogar sujo mesmo, na realidade eles estão dizendo que os fins justificam os meios, sim. Eles têm uma visão “revolucionária” da vida brasileira, quando é impossível fazer a revolução clássica num país como o Brasil.

F Costuma dizer que o Brasil evolui por desilusões. A desilusão de muitos com o governo petista ensinou alguma coisa ao Brasil?

A.J. – Acredito mesmo na evolução pela desilução. Acho que a desilusão constrói mais do que a ilusão e os auto-enganos. Hoje, por exemplo, sabemso muito mais do Brasil do que sabiamos  há quatro, cinco anos atrás. Acho que os problemas estão mais visíveis. Acredito que os acontecimentos dos últimos anos enterraram a ideia de solução e inauguraram a de processo. Enterraram a ideia de revolução – clássica, tradicional – e colocaram a de administração e de reforma. Enterraram também a de uma velha esquerda – que não funcionou, que meteu os pés pelas mãos. Acho que já existe uma mudança no país, embora ela não seja clara, palpável.

F O senhor é um admirador de Freud. Do ponto de vista da psicanálise, como descreveria Lula?

A.J. – O Lula é muito mais deslumbrado com o poder do que eu imaginava. É uma pessoa que, de certa forma, queria subir na vida e conseguiu, e está um pouco deslumbrado com isso. Ele tem um complexo de inferioridade em relação à cultura, à inteligência. Está sempre falando do Fernando Henrique de uma forma crítica, mas você vê que ele é fascinado pelo Fernando Henrique. O Lula establece a sua diferença para com o Fernando Henrique inclusive quando exercita uma certa rudeza propositada. E agora, sozinho como ele está, o perigo é que fique mais autoritário. Ele está encantado com a própria solidão. Acha que sozinho, pode, enfim, fazer as coisas. A soma de solidão com falta de solidez ideológica é preocupante. Uma vez que desapareceu o programa imaginário dos que o cercavam, ficou um homem sozinho com uma tentação populista e personalista.

FUm segundo mandato pode arrefecer isso?

A.J. – Eu acho que pode é reforçar. O Lula vai ficar num delírio de grandeza, ainda mais se eleito no primeiro turno. Eu tenho medo do voluntarismo, do machismo, do populismo, de um certo chavismo cordial. Você pega um cara como Carlos Lessa (ex-presidente do BNDES) falando que tem de revitalizar o getulismo. Um neogetulismo hoje seria catastrófico no Brasil. Catástrofes acontecem. Ainda mais num país onde a Previdência tem um deficit de 50 mil milhões de reais, onde os tributos estão na faixa de 37%, onde 40 000 cargos foram ocupados e aparelhados. É muito fácil rebentar o país. Qualquer imprudência voluntarista pode nos jogar em uma roleta bolivariana, em uma roleta que não nos serve, porque é estreita e nós somos um país muito mais complexo.

F O cenário actual da América Latina contribui para aumentar esse risco?

A.J. – Por um lado, sim. Eu acho que o silmplismo hispânico do chavismo e do bolivarismo – que tem origem no Bolivar mesmo, que era um Napoleão ridículo da américa Latina, um sub-Napoleão – está presente e é uma ameaça. Mas, por outro lado, isso pode ser até bom. Acho até bom que o Hugo Chavez e o Evo morales nos provoquem para que se estableçam diferenças. Quando se tem uma tribo de índios pedindo 9 milhões de dólares de pagamento para não destruir o gaseduto, isso é de um ridículo tal que nos obriga a establecer uma diferença. O Brasil é um país muito mais desenvolvido do que essa coisa hispânica, atrasada, a nosso redor.

F -  O senhor apoiou Lula no primeiro ano de Governo e chegou até a defender o ex-ministro José Dirceu no caso Waldomiro…

A.J. – Eu defendi o Zé Dirceu um pouco no início. Eu entendia que ele pensava: “esse cara aí, esse Waldomiro, é meio ladrão, mas tudo bem, ele é útil.” Só que o projecto era muito mais sinistro – era um projecto que vinha sendo planejado havia 25 anos: entrar no governo, para por dentro, reformar o Estado e ficar 20 anos no poder. No caso do Lula, não acho que foi um erro de análise, porque acredito que esperança é fundamental.

FQual o seu maior erro de análise?

A.J. – Acho que o maior erro da minha geração foi achar qye resloveria os problemas do país de forma unilateral e voluntarista. A ideia de que somos sujeitos da história e vamso resolver o país não é democrática.

FO senhor está a referir-se à sua experiência no Partido Comunista?

A.J. – É, a gente achava que era tudo fácil. Hoje eu tenho horror da visão quixotesca. A contemplação á essencial. O que vai surgir daí eu não sei. Mas o que não dá mais pé é se contentar com um sonho.




Curiosa a referência a “essa coisa hispânica, atrasada, a nosso redor” reflexo das relações complexas do Brasil com os seus vizinhos latino-americanos. Ainda à poucos dias o recente confisco das receitas das refinarias da Petrobras na Bolívia e a nacionalização das jazidas e instalações de petróleo e gás, fez estalar o verniz entre o governo de Lula e o de Evo Morales.
IMPROVISAR, LUSITANA PAIXÃO.....
ALEA JACTA EST.....
«O meu ideal político é a democracia, para que cada homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado»... Albert Einstein
 

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Paisano

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« Responder #1 em: Setembro 23, 2006, 01:01:46 am »
Colegas, peço que tenham um pouco de ceticismo com o que disser o Sr. Arnaldo Jabor, pois ele é um tucano emplumado. :?
As pessoas te pesam? Não as carregue nos ombros. Leva-as no coração. (Dom Hélder Câmara)
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Volta Redonda
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Rui Elias

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« Responder #2 em: Outubro 02, 2006, 09:14:15 am »
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No dia 29 deste mês
Brasil: Lula da Silva e Geraldo Alckmin vão uma segunda volta

02.10.2006 - 07h52   Lusa / http://www.publico.clix.pt/
 

Lula da Silva precisava de obter a maioria absoluta dos votos para não ser forçado a disputar a segunda volta

Lula da Silva e Geraldo Alckmin vão disputar a 29 de Outubro a segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, revelou hoje o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio Mello, numa altura em que estão contados 97,8 por cento dos votos.

Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, vai disputar a segunda volta das eleições presidenciais contra o candidato da oposição Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia brasileira, contrariando as expectativas iniciais de que o presidente seria reeleito na primeira volta.

Com 97,8 dos votos do eleitorado brasileiro já contados, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem 48,79 por cento dos votos válidos contra 41,43 por cento para Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Lula da Silva precisava de obter a maioria absoluta dos votos para não ser forçado a disputar a segunda volta com o ex-governador de São Paulo que, no final da campanha eleitoral, se mostrou confiante de que levaria a decisão do escrutínio para 29 de Outubro.

Os votos do Estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país (cerca de 28 milhões de eleitores), cuja contagem foi mais lenta do que no restante do território, revelaram-se decisivos para levar as eleições presidenciais para a segunda volta.

Na terceira posição surge a senadora Heloísa Helena, do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), com 6,85 por cento dos votos válidos. O senador Cristovam Buarque, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), em quarto lugar, reune 2,67 por cento dos votos válidos. Os outros candidatos somam 0,27 por cento.

Lula da Silva iniciou a disputa presidencial como favorito, com as sondagens a indicar a sua vitória logo na primeira volta durante quase toda a campanha eleitoral.

O cenário de uma eventual disputa na segunda volta surgiu apenas nas pesquisas "Datafolha" e "Ibope" divulgadas sábado à noite. Nesta última sondagem do "Datafolha", Lula da Silva surgiu com 50 por cento dos votos válidos, a mesma percentagem obtida pelos demais adversários. No "Ibope", o presidente brasileiro tinha 49 por cento dos votos válidos contra 51 por cento para os outros candidatos.

A mudança do quadro das presidenciais ocorreu apenas após o "escândalo do dossier", que estourou a 15 de Setembro, quando dois homens ligados ao PT de Lula da Silva foram presos pela para a Polícia Federal (PF) ao tentar comprar documentos contra candidatos da oposição.

O dossier teria alegadas provas que ligariam os candidatos do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra, que já foi eleito na primeira volta, à "máfia dos sanguessugas".

Os documentos pertenciam ao empresário Luiz Antônio Vedoin, apontado como o chefe da "máfia dos sanguessugas", o maior escândalo de corrupção já descoberto no Congresso Nacional que consistia em fraudes na compra de ambulâncias com a participação de quase uma centena de parlamentares.

Vedoin, que estava em liberdade, por colaborar com a polícia nas investigações desse caso, foi preso ao vender as supostas provas contra os candidatos do PSDB para Valdebran Padilha e Gedimar Passos, que disseram à polícia ter agido sob a orientação da direcção nacional do PT.

Com os dois membros do PT foram apreendidos cerca de 600 mil euros em notas de real e dólar que seriam usados para comprar o dossier.

Desde então, o escândalo tornou-se no principal tema da disputa presidencial, com a oposição a explorar muito o episódio para atingir Lula da Silva e o PT.

As imagens do dinheiro apreendido, cuja origem ainda não foi esclarecida pela Polícia Federal, foram divulgadas na última sexta-feira por um delegado da PF.

O escândalo fez cair várias pessoas do PT ligadas à campanha presidencial e amigos do próprio presidente, para além de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma investigação contra Lula da Silva e outros integrantes do PT.

O TSE está a investigar se houve abuso do poder económico para pagamentos de gastos eleitorais na campanha do Presidente Lula da Silva.

Se esta situação for comprovada, Lula da Silva corre o risco de impugnação de um eventual segundo mandato.

Os analistas brasileiros esperam que a campanha se torne ferrenha na segunda volta, e as investigações sobre o caso do dossier serão fundamentais nesta segunda fase da campanha presidencial no Brasil.
 

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PereiraMarques

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« Responder #3 em: Outubro 02, 2006, 02:14:11 pm »
É engraçado comparar este mapa do Papatango com os dados que estou a usar para a minha dissertação de Mestrado



http://img335.imageshack.us/img335/7026/pibpercapita99na3.jpg

http://img111.imageshack.us/img111/1570/txanalfabetimso99pe9.jpg
 

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papatango

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« Responder #4 em: Outubro 02, 2006, 03:34:26 pm »


O resultado da eleição denota uma enorme votação de Lula, nos estados onde há uma maior percentagem de pessoas atingidas pelos programas de apoio social.

A verdade, é que há que dizer que é algo que nenhum presidente brasileiro teve a coragem de fazer no passado, que é dar dinheiro às pessoas para garantir que elas não passam fome.

Este tipo de programa no entanto tem um reverso.

Há pessoas que estão tão habituadas à miséria, que o dinheiro que recebem acaba incentivando a continuação do estilo de vida em vez de melhorar alguma coisa.

É também interessante que os apoios sociais à compra de alimentos tenham desenvolvido os negócios ligados à industria alimentar, o que não é necessáriamente mau.

Mas o problema brasileiro, não é apenas o problema da distribuição de renda. Esse é apenas o resultado do principal problema: O analfabetismo, o obscurantismo, a falta de educação e qualificação das populações, especialmente no nordeste brasileiro.

Noto também que ganhe quem ganhe, os programas sociais do governo Lula, não deverão acabar.
Por muitos dedos acusadores que se possam apontar à sua administração, a verdade é que nem tudo é mau.

O Estado, tem a sua função, e não deve servir apenas de espectador quando a sociedade demonstra que por si só, não tem capacidade para resolver os problemas.

A ideia calvinista, em voga nos Estados Unidos, de que são as próprias pessoas que devem organizar sistemas de apoio aos mais desfavorecidos para que estes se auto-recuperem, não funciona nem na américa, mas eles insistem nela.

Em certos aspectos, um certo fundamentalismo religioso calvinista-protestante-evangélico exportado pelos americanos, infectou negativamente a américa latina.

= = = = =

Quanto ao Lula, provavelmente voltará a ganhar.
Os candidatos em 3º e 4º lugar são de esquerda e estrema-esquerda.
Basta que 20% dos votos dos candidatos à esquerda de Lula (agora derrotados) votem em Lula, para garantir a vitória na segunda volta.

Cumprimentos
 

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Rui Elias

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« Responder #5 em: Outubro 03, 2006, 09:23:22 am »
Considero a análise que o Papatango fez muito acertada.

É certo que o candidato do PSDB, Geraldo Alkmin parece ter tido melhor votação nos estados mais desenvolvidos do Brasil, ao contrário de Lula, mais popular nos estados mais pobres, com maiores taxas de desenvolvimento, industralização e alfabetismo.

As ajudas governamentais aos mais pobres no Brasil permitiram, de acordo com um economista, às dias na TV, e insuspeito de ser apoiante de Lula, com que nestes 4 anos de mandato de Lula da Silva e do PT, com que os muitos pobres vissem os seu poder de compra melhorado em 14%, enquanto os ricos viram o o seu poder de compra melhorado em 3 a 4%.

O que parece desmontrar que a justiça social e redistribuição da riqueza diminuiu.

As ajudas são sempre necessárias para ajudar à coesão social de um estado.

A situação de pobreza e desenraizamento, desemprego, etc, acabam sempre por ser factores de insegurança num estado.

E pode levar-nos a pensar porque é que durante décadas, o Brasil ao longo de diversos governos, antes, durante e depois da ditadura miliar nunca foi capaz de resolver as enormes assimetrias económicas e sociais da sua populaçãoe do seu tecido produtivo, acabando isso por resultar numa situação de "2 brasis".

Lula, e o Partido dos Trabalhadores, à parte os escandalos, que não afectaram directamente e através das suas politicas acabaram por fazer diminuir esse fosso.

O que para mim é extremamente positivo, independentemente das simpatias ou não que o PT mereça.

Até porque se se aceitasse como certo que Lula da Silva teria sido afectado pelos escândalos, o que pode de facto ter contribuido para tal, demonstra igualmente com a eleição para o Senado de Collor de Melo ou Paulo Maluf, que não são políticos impolutos, que como disse ontem António Vitorino, a realidade eleitoral e social brasileira é muito complexa, e por isso não pode ser analizada uma realidade de mais de 150 milhões de eleitores de forma simplista.
 

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papatango

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« Responder #6 em: Outubro 03, 2006, 01:52:59 pm »
Em muitos aspectos o Brasil tem coisas muito estranhas.

Fiquei a saber que foi eleito com quase meio milhão de votos, um tal de Clodovil, que é o equivalente brasileiro do José Castelo Branco da Quinta das Celebridades.

Na realidade, não sabemos que votação a peça teria se tivesse concorrido, mas é um dos problemas do sistema eleitoral de listas abertas (que no entanto eu defendo).

Os partidos têm tendência a chamar pessoas conhecidas para as listas, porque os votos nessas pessoas ajudam a eleger os deputados menos conhecidos. À pala dos votos do Castelo Branco brasileiro, por exemplo foi eleito um candidato millitar...  :shock:

Cumprimentos
 

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« Responder #7 em: Outubro 03, 2006, 03:25:37 pm »
Citar
Em muitos aspectos o Brasil tem coisas muito estranhas.
:nice:  :nice:  :!:

 :shock: [/quote]

  Na verdade é um paramilitar.(um oficial da Polícia Militar do estado de São Paulo, uma espécie de milícia estadual)

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Cumprimentos

  Saudações

  Walter
So há dois tipos de navios:
Os SUBMARINOS e os ALVOS...
 

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Rui Elias

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« Responder #8 em: Outubro 03, 2006, 04:27:40 pm »
Bem vindo ao Forum Defesa, Projecto   :wink:
 

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JLRC

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« Responder #9 em: Outubro 04, 2006, 01:22:11 am »
Bem vindo ao FD Projetociclone ao contrário.... :lol:
 

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« Responder #10 em: Outubro 04, 2006, 03:36:28 pm »
Citação de: "Rui Elias"
Bem vindo ao Forum Defesa, Projecto   :D  :G-Ok: ).

   Pois nossos políticos tem ainda uma visão de que em defesa nacional o dinheiro não é APLICADO , mas GASTO..., e assim não dá.

   É um prazer estar aqui.

   Walter
So há dois tipos de navios:
Os SUBMARINOS e os ALVOS...
 

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Rui Elias

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« Responder #11 em: Outubro 04, 2006, 04:56:34 pm »
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Pois nossos políticos tem ainda uma visão de que em defesa nacional o dinheiro não é APLICADO , mas GASTO..., e assim não dá.

É um prazer estar aqui.

Walter


Cá também é assim.

Só recentemente é que o actual Presidente fez referência a esse aspecto e referiu que se deve deixar de olhar para os custos na Defesa como um "gasto", mas sim como um "investimento".

Entretanto foi aprovada a Lei de Programação Militar, para os próximos anos, mas acho que a generalidade da classe politica e povão nem reparou nessa afirmação.
 

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Cabeça de Martelo

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« Responder #12 em: Outubro 04, 2006, 05:04:08 pm »
Rui antes do nosso caro Presidente da República dizer tais afirmações já o ex-Ministro da Defesa Paulo Portas dizia o mesmo. Acho que na verdade ele é que começou a dizer esta frase repetidamente de forma a que o pessoal entende-se. Esses eram os tempo... :wink:
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Luso

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« Responder #13 em: Outubro 04, 2006, 08:25:02 pm »
http://combustoes.blogspot.com/2006/10/ ... il-de.html



Em 1889, um pronunciamento de marechais derrubava a monarquia de D. Pedro II e com ela o derradeiro laço institucional com Portugal. Monarca constitucional, o imperador durante décadas procurou abolir a escravatura no Brasil, sem contudo poder contrariar os grandes interesses instalados que influiam directamente nas decisões do parlamento. Em finais da década de 80, mais de vinte anos após a guerra civil americana, a abolição era uma inevitabilidade contra a qual o país não poderia resistir. A princesa herdeira Isabel assinou a Lei Áurea, selando simultaneamente o destino da coroa. Os grandes proprietários e o oficialato - os futuros coronéis jagunçeiros tão bem retratados por Jorge Amado - colheram a sua vingança e proclamaram a república, escolhendo como presidente Deodoro da Fonseca, homem ligado aos sectores esclavagistas.
Homem de grande dimensão moral e intelectual, D. Pedro II partiu para a Europa tal como sempre viveu: de forma discreta e numa modéstia de meios que roçava a pobreza. Grande amigo de Portugal e das letras portuguesas - aqui registo as frequentes visitas que fez ao meu tetravô em S. Miguel de Seide - com ele terminou a natural comunicação familiar entre Portugal e o Brasil. Depois disso, com a republiqueta de 1910 e a república dos esclavagistas brasileiros, as duas nações separaram-se definitivamente. Nós, como eles, temos sido presidenciados por uma já longuíssima trupe de oportunistas, feirantes e nulidades, fardados ou desfardados, quase todos envolvidos em negócios mais ou menos turvos, num caudal inusitado de aventureiros de baixíssima extracção. Lá, como cá, a República foi implantada pela violência armada de uma minoria insignificante - os republicanos brasileiros só detinham três lugares na Câmara dos Deputados - cresceu em desmandos e acobertou os interesses mais escusos.
Não dedicámos qualquer atenção ao episódio Lula 2, ainda a decorrer no Brasil. Afinal, parece que nem tudo correu como se previa, porque a excelência não foi plebiscitada nem retornou ao palácio aos ombros do Quarto Estado. Parece que "o filho de operário e mãe analfabeta" - como ditirambicamente lhe chamava um escriba do nosso jornalismo de periferia - não conseguiu fazer passar a imagem de pai dos pobres e famintos. Os brasileiros parece que não gostaram do mensalão e caiu-lhes mal a arrogância presidencial da recusa em debater os problemas nacionais com os outros candidatos. Afinal, o que teria José Inácio para dizer ? O que leu ? Que preparação possui para dirigir a sexta nação do planeta ? É por esta e por outras que sou monárquico e defensor de uma democracia meritocrática.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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papatango

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« Responder #14 em: Outubro 05, 2006, 08:30:45 pm »
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Lá, como cá, a República foi implantada pela violência armada de uma minoria insignificante - os republicanos brasileiros só detinham três lugares na Câmara dos Deputados - cresceu em desmandos e acobertou os interesses mais escusos.


Há no entanto uma diferênça entre a República Brasileira e a República  Portuguesa.

Os brasileiros fizeram um referendo, a perguntar aos brasileiros se queriam a monarquia.
É verdade que a propaganda monarquica foi coartada e as coisas foram mal explicadas às pessoas, no entanto o acto referendário deu à República Federativa do Brasil, uma legitimidade que a nossa República Portuguesa não tem, nem tem coragem para ter.

Cumprimentos
 

 

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