« Responder #1 em: Dezembro 17, 2007, 07:48:58 pm »
JM e Auchan esperam decisão da AdC sobre Sonae/CarrefourA Jerónimo Martins e a Auchan vão esperar a decisão definitiva da Autoridade da Concorrência (AdC) para avançar qualquer possível interesse em adquirir as unidades que a Sonae Distribuição terá de vender para concretizar compra da Carrefour Portugal.
Fonte oficial da Jerónimo Martins, que detém os hipermercados Feira Nova e supermercados Pingo Doce, disse hoje à agência Lusa que o grupo «está atento a oportunidades nos mercados onde actua e que se enquadram na sua estratégia de expansão».
E «reafirma a intenção de analisar todas as possibilidades de crescimento», mas, acerca deste caso em particular «não há qualquer comentário» da Jerónimo Martins, acrescentou a fonte.
No mesmo sentido vai a resposta da Auchan, proprietária dos hipermercados Jumbo, às questões da agência Lusa acerca de um eventual interesse em adquirir as unidades que estarão no mercado, consequência da necessidade de a Sonae Distribuição se desfazer de alguns estabelecimentos para cumprir remédios indicados pela Autoridade da Concorrência e avançar com a operação de compra da Carrefour Portugal anunciada em Julho.
«Não fazemos qualquer comentário enquanto não existir uma decisão definitiva da Autoridade da Concorrência e tivermos acesso ao dossier e aos dados» acerca da operação, referiu fonte oficial da Auchan.
A agência Lusa contactou Os Mosqueteiros, mas ainda não foi possível obter a sua posição acerca de um eventual interesse em comprar algumas das unidades que a Sonae terá de vender em Viana do Castelo, Portimão ou Coimbra.
A Sonae Distribuição, detentora dos hipermercados Continente e dos supermercados Modelo, recebeu no dia 10 de Dezembro da Autoridade da Concorrência uma notificação com a sua «decisão provável» de «não oposição» à compra da Carrefour Portugal.
A decisão foi acompanhada da imposição de condições e obrigações destinadas a garantir o cumprimento de um conjunto de compromissos assumidos pela Sonae Distribuição SGPS, no negócio que abrange 12 hipermercados Carrefour em funcionamento e 13 projectos com autorização de instalação já concedida.
Entre os compromissos que a Sonae Distribuição terá de cumprir estão o desinvestimento de lojas em funcionamento e de projectos licenciados nos mercados de Viana do Castelo, Coimbra e Portimão e o congelamento de novos pedidos de licenças para instalação ou modificação de estabelecimentos nos mercados locais da margem Sul, Paços de Ferreira/Penafiel, Viana do Castelo, Coimbra e Portimão.
O comunicado da Sonae Distribuição refere ainda a limitação de crescimento da área de vendas nos mercados da margem Sul do Tejo (Montijo, Barreiro e Seixal), do Grande Porto e de Paços de Ferreira/Penafiel.
A redução da área de vendas poderá ser concretizada sobre um ou vários hipermercados, em funcionamento ou autorizados, podendo consistir no encerramento de unidades, na redução de áreas, na conversão total ou parcial em lojas da área não alimentar ou na alienação a terceiros.
«Embora pensasse que esta operação poderia ter sido aprovada com menos remédios, que constam do projecto de decisão, estes não beliscam a bondade geral da transacção. Estamos confiantes que a operação mantém a sua bondade económica», afirmou o responsável da Sonae Distribuição, Nuno Jordão.
«Optimista», o presidente executivo da Sonae Distribuição espera um «processo célere e expedito» e será desenvolvido pela empresa, que assim não recorrerá a qualquer instituição finaneira.
Por outro lado, adiantou, «não houve ainda contactos com os concorrentes»: «Nós vamo-nos naturalmente sentar com os vários candidatos a adquirentes destes activos e será uma coisa para ser feita em meses. Agora estão criadas condições que justifiquem o início de conversas para saber quem está interessado neste activos», disse.
Questionado sobre eventuais contestações à operação, o responsável da Sonae Distribuição, Nuno Jordão disse apenas saber que «há muito poucos contra-interessados».
Com a concentração das duas empresas, a Sonae Distribuição reforça a liderança do mercado, passando de 25 para 30 por cento de quota, embora Nuno Jordão tivesse explicado que, atendendo ao total de área já licenciada, aquela quota actual passa a 26 por cento, quando todos novos projectos forem concretizados.
Com os projectos previstos pelo grupo francês, o plano de expansão da Sonae Distribuição, de 600 milhões de euros, até 2009, vai ascender a 900 milhões.
Os 11 projectos em carteira do Carrefour, dos quais dois já em construção em Valongo e Famalicão, representam investimentos de cerca de 300 milhões de euros.
Diário Digital / Lusa