Rússia

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comanche

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« Responder #75 em: Dezembro 16, 2007, 12:45:59 pm »
Rússia afirma que EUA planeiam confronto

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General russo critica atitude dos EUA na Europa
O chefe do Estado-Maior das forças armadas russas acusou ontem, em Moscovo, os Estados Unidos de alimentarem um clima de confronto, procurando pressionar a Rússia com instalação de um sistema de mísseis na Polónia e manipulando as disposições do tratado sobre forças convencionais na Europa.

O general Yuri Baluyevsky falava numa conferência de imprensa ao lado do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Sergey Kislyak, recém-regressado de Budapeste onde participou em mais uma ronda de encontros russo-americanos sobre a instalação de um sistema de defesa na Polónia e na República Checa.

O general Baluyevsky declarou "existir um risco real de resposta [russa] desencadeada por uma má identificação do tiro de um míssil de intercepção" americano, que poderia dirigir-se para território russo na trajectória para abater um míssil de outra proveniência, provavelmente iraniano. Uma ameaça dos mísseis balísticos do Irão é o argumento central para justificar o dispositivo americano.

Baluyevsky garantiu que serão tomadas "medidas assimétricas apropriadas para impedir a deterioração" das capacidades defensivas do seu país, sem entrar em detalhes. Insistiu ainda que os seus "colegas do Pentágono não abandonaram uma agenda de confronto directo" com a Rússia.

Por outro lado, o comandante militar russo acusou os "EUA e a NATO de tentarem nos últimos anos utilizarem o tratado [sobre forças convencionais, assinado em 1990] como meio de pressão sobre a Rússia", "transformando um acordo de controlo de armamento num instrumento ao serviço de objectivos políticos". Mas não especificou acusações.

A Rússia cessou de aplicar o tratado dia 12 com o argumento de que os países NATO recusam ratificar uma nova versão, enquanto Moscovo não retirar as suas tropas da Geórgia e da Moldávia. O tratado é visto como elemento fundamental na estabilidade e segurança da Europa.

O encontro de Budapeste terminou sexta-feira, não se verificando qualquer avanço significativo, mas com uma troca "significativa de informações" dos respectivos serviços secretos sobre eventuais ataques.

Em diferentes ocasiões, desde que foi conhecida a intenção americana de instalar na Europa aquele dispositivo, que dirigentes políticos e militares russos proferiram fortes críticas, tendo o Presidente Vladimir Putin afirmado que o seu país "não deixaria de tomar medidas apropriadas".

Por seu lado, o Presidente Bush insiste, desde o seu encontro em Julho com Putin, que este sistema não tem como alvo nem tem capacidade para atingir a Rússia. Com agências
 

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André

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« Responder #76 em: Dezembro 16, 2007, 09:32:11 pm »
Jornalista do The New Times impedida de entrar na Rússia

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A jornalista moldava Natália Morare da revista russa The New Times foi hoje impedida de entrar na Rússia e expulsa do país, decisão que atribuiu a um artigo sobre o financiamento da campanha eleitoral pelo Kremlin.
A jornalista, cidadã da Moldávia, foi detida num dos aeroportos de Moscovo, o Domodedovo, quando regressava de uma viagem de trabalho com outros jornalistas de Israel.

«Foi-me literalmente dito isto: foi proibida a sua entrada no território da Federação da Rússia. Quando perguntei por quem, disseram-me que tinham recebido uma ordem da direcção central do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB)», declarou Natália Morare à rádio Eco de Moscovo.

Segundo a jornalista, um funcionário do serviço de fronteiras ter-lhe-á dito que «a proibição de entrada na Rússia pode vigorar de três a cinco anos».

Os funcionários do serviço de fronteiras propuseram à jornalista ou regressar a Israel ou voar para a Moldávia.

«Não me deram qualquer justificação. Nenhum deles se identificou. Responderam-me que posso receber todas as explicações na Embaixada da Moldávia na Federação da Rússia», acrescentou.

Natália Morare frisou que tinha todos os documentos em ordem e que vivia e trabalhava na Rússia legalmente, sublinhando que esta decisão dos serviços secretos russos se deveu a um dos seus artigos publicados na revista semanal The New Times.

«Penso que a causa principal foi o último artigo publicado por mim e que tinha por título "Caixa Secreta do Kremlin". Aí, eu descrevi pormenorizadamente como a Administração Presidencial (da Rússia) financiou a última campanha eleitoral», afirmou.

Na edição da revista de 10 de Dezembro, Natália Morare escreveu que o Kremlin financiou ilegalmente as forças políticas controladas pela administração do presidente Vladimir Putin nas eleições legislativas de 02 de Dezembro, e castigou os desobedientes.

Por exemplo, segundo o artigo, o Kremlin prometera à União das Forças Liberais 150 milhões de dólares (103 milhões de euros) para financiar a campanha eleitoral deste partido liberal (cerca de um por cento de votos nas eleições), que acabou por nada receber por ter criticado a política do Presidente Putin e do seu partido Rússia Unida.

Diário Digital / Lusa

 

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macer

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« Responder #77 em: Dezembro 17, 2007, 12:06:48 am »
esta situação da russia está-se mesmo a deteriorar

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André

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« Responder #78 em: Dezembro 21, 2007, 04:22:00 pm »
Putin é o homem mais rico da Europa!!!

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O presidente russo Vladimir Putin acumulou uma imensa fortuna pessoal em apenas oito anos de governo. Segundo revela o jornal britânico "The Guardian", Putin é titular de uma conta secreta  de mais de 40 mil milhões de dólares! O jornal inglês cita, como sua fonte principal, um perito em política russa, Stanislav Belkovsky, que atribui a Putin o título de homem mais rico da Rússia e, mesmo, da Europa.

Belkovsky explica que o presidente russo é o dono "encoberto" de três companhias de gás e petróleo. De acordo com o perito, Vladimir Putin controla 37 por cento da Surgutneftegaz, a terceira maior empresa russa de exploração de petróleo, detém cerca de 5 por cento da gigante  Gazprom e, ainda, 75 por cento da Gunvor, uma misteriosa companhia de petróleos radicada na Suiça.

As fontes citadas por Belkovsky  e pelo "The Guardian" afirmam que Putin pode possuir,neste momento, um capital ainda maior do que os referidos  40 mil milhões. As mesmas fontes associam Putin aos negócios de Roman Abramovich, o oligarca que contratou o treinador português de futebol  José Mourinho para o Chelsea  e que mantém uma estreita relação de amizade com o presidente russo.

Estas revelações surgem poucas horas depois de Vladimir Putin ter sido eleito Personalidade do Ano 2007 pela revista norte-americana "Time", impondo-se a figuras como Al Gore ou J.K.Rowling, a criadora de Harry Potter.

Sapo Fama

 

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André

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« Responder #79 em: Dezembro 21, 2007, 06:16:48 pm »
Exercícios militares ameaçam segurança aérea

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A segurança dos voos civis no Atlântico Norte está ameaçada pelos exercícios navais militares russos na região, denunciou hoje a Federação Internacional das Associações de Pilotos Comerciais.

Estão neste momento o porta-aviões Almirante Kuznetsov, de 60.000 toneladas, com capacidade para 12 caças Sukoy Su-33, cinco Su-25 de ataque ao solo e um número indeterminado de helicópteros anti-submarino, bem como dois contra-tropedeiros da classe Udaloy.

No Mar do Norte, foram lançadas na semana passada operações militares russas próximo da costa norueguesa, «sem notificação prévia às autoridades locais, ou ao tráfego aéreo», queixou-se a organização dos pilotos comerciais num comunicado.

De acordo com o texto, os pilotos comerciais estão confrontados com a possibilidade de depararem com operações semelhantes lançadas sem aviso abaixo dos 3.000 metros de altitude, podendo ocorrer perdas de comunicações em resultado da interferência das transmissões militares.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Oslo declarou que Moscovo foi informada da ameaça à segurança dos helicópteros locais que servem as plataformas petrolíferas ao largo da costa norueguesa.

Bjorn Svenungsen adiantou que Moscovo anuiu em afastar as suas forças das plataformas de petróleo norueguesas, navegando para águas internacionais.

De acordo com analistas militares, este dispositivo naval russo é o mais ambicioso desde o colapso do comunismo, em 1991.

Os exercícios navais, com a duração de um trimestre, vão culminar no Mediterrâneo, quando as unidades no Atlântico Norte se reunirem à frota russa do Mar Negro.

Moscovo está sob pressão devido à intenção norte-americana de instalar bases do sistema anti-míssil (NMD) na Europa de Leste e Sudeste, que neutralizariam o seu arsenal nuclear.

O Presidente Vladimir Putin, em nome do imperativo da protecção do seu país, denunciou o Tratado sobre as Forças Convencionais na Europa (FCE) e mandou reatar as patrulhas regulares de bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-95 e Tu-160 em águas internacionais dos oceanos Ártico, Atlântico e Pacífico.

Diário Digital / Lusa

 

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André

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« Responder #80 em: Dezembro 26, 2007, 11:28:26 pm »
Putin considera lançamento de mísseis «fogo de artifício festivo»

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O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, felicitou hoje os militares russos pelos lançamentos com êxito dos mísseis balísticos intercontinentais e considerou-os um contributo substancial para a capacidade defensiva do país.
«No que respeita ao lançamento dos mísseis, devo dizer que se trata de um fogo de artifício agradável, bonito, festivo, por detrás do qual está um grande trabalho de especialistas militares e engenheiros civis. Dê-lhes os meus parabéns. Trata-se de um passo sério para o reforço da capacidade de defesa do país» - declarou hoje Putin num encontro com Anatoli Serdiukov, ministro da Defesa da Rússia.

Serdiukov informou o Presidente dos dois lançamentos de mísseis realizados terça-feira.

«Ontem foram realizados dois lançamentos. O primeiro a partir do Mar de Barents [no Norte da Rússia], às 13.00 horas, de um submarino situado a 45 metros de profundidade. Todas as ogivas atingiram, às 13:34, o nosso polígono Kura [Extremo Oriente do país], tal como estava programado«, declarou Serdiukov.

Do cosmódromo Plessetsk foi ainda realizado o lançamento de um míssil balístico intercontinental RS-24 com três ogivas.

«Às 16:43 atingiram também Kura. Gostaria de sublinhar que com um grande nível de precisão», acrescentou o ministro.

Anatoli Serdiukov informou também Vladimir Putin de que foram lançados com êxito três satélites do sistema de navegação GLONASS a partir do cosmódromo de Baikonur (Cazaquistão).

Estes lançamentos de mísseis são feitos num momento em que os Estados Unidos insistem em instalar elementos de um sistema de defesa antimíssil na Europa do Leste, que Moscovo considera um «acto ofensivo» virado contra a Rússia.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #81 em: Dezembro 26, 2007, 11:35:18 pm »
Vendas de armas superaram os 4.853 M€ em 2007

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As exportações de armas da Rússia alcançaram em 2007 um novo recorde para o país ao superar os 7.000 milhões de dólares (4.853 milhões de euros), o que representa um aumento de 7,7% relativamente ao anterior recorde de facturação estabelecido no ano passado.
O vice-primeiro-ministro russo, Sergei Ivanov, que anteriormente ocupou a pasta da Rússia, destacou que as exportações de armamento do país quase duplicaram nos últimos sete anos e poderão exceder os 7.000 milhões de dólares no presente exercício, segundo a agência Ria Novosti.

Por sua vez, o director do serviço federal para a cooperação militar, Mikhail Dmitriyev, apontou que as exportações de armamento poderão superar os 7.200 milhões de dólares (4.922 milhões de euros).

As exportações de armamento russo através da agência estatal Rosoboronexport chegam a mais de 80 países, sendo que os principais clientes são a China, Índia, Argélia, Venezuela, Irão, Malásia e Sérvia, segundo a Ria Novosti.

Diário Digital / Lusa

 

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André

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« Responder #82 em: Janeiro 01, 2008, 05:10:26 pm »
Presidência eslovena da UE suscita "bom sentimento" em Moscovo

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A Rússia manifestou hoje ter "um bom sentimento" em relação à presidência eslovena da União Europeia, salientando que a Eslovénia é um "parceiro próximo", numa altura em que se avizinham importantes discussões, nomeadamente sobre o futuro do Kosovo.

"Não há nuvens a ensombrar as relações russo-eslovenas", afirmou hoje o conselheiro especial do presidente russo Vlamidir Putin para as questões europeias, Serguei Iastrzhembski, citado pela agência Interfax.

"Temos um bom sentimento em relação a esta presidência. A Eslovénia é um parceiro próximo", adiantou o mesmo responsável.

A Eslovénia substituiu hoje Portugal na presidência semestral rotativa da União Europeia com a grande responsabilidade de coordenar a política externa comum numa altura em que o Kosovo se prepara para declarar independência face à Sérvia.

A Sérvia, o Kosovo e a Eslovénia pertenceram no passado à Federação Jugoslava e os observadores ocidentais esperam que a Eslovénia utilize agora os seus antigos "laços de família" para ajudar a encontrar uma solução sobre o futuro estatuto do Kosovo, uma das questões mais sensíveis do panorama político internacional.

O primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, anunciou há uma semana que a estabilização da região dos Balcãs será a sua prioridade durante o semestre em que assumirá a presidência da União Europeia.

À Interfax, o conselheiro de Putin manifestou-se ainda esperançado em progressos na discussão da parceria entre a União Europeia e a Rússia, ao longo dos próximos seis meses.

"Há boas razões para pensar que no ano que vem (...) as negociações há muito esperadas possam começar sob presidência eslovena" da União Europeia, adiantou Serguei Iastrzhembski.

O principal obstáculo a estas negociações tem sido o veto da Polónia, retaliação contra embargos da Rússia a produtos polacos.

No passado dia 19 de Dezembro, contudo, a Rússia anunciou o levantamento do embargo mais problemático, às importações de carne polaca.

A Eslovénia está a preparar-se há mais de um ano para assumir as suas responsabilidades europeias, construindo instalações e contratando funcionários especializados nas mais variadas áreas.

A França, que assume logo a seguir a presidência (segundo semestre de 2008), concordou em ajudar a pequena rede diplomática da Eslovénia no estrangeiro oferecendo algumas das suas embaixadas como missões presidenciais da UE.

Lusa

 

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« Responder #83 em: Janeiro 01, 2008, 06:14:34 pm »
Citação de: "macer"
esta situação da russia está-se mesmo a deteriorar

não estou a gostar nada disto

compreender a Rússia...


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As duas faces de Putin
A mídia ocidental insiste em enxergar apenas autoritarismo no presidente russo. Mas as verdadeiras fontes de sua imensa popularidade são o rearticulação do país e a recuperação da auto-estima nacional — duas conquistas reais, que tornam extremamente improvável um retorno à era Yeltsin

Jean Radvanyi

Não se podia esperar grande surpresa das eleições legislativas russas de dezembro de 2007. Já garantido pelas pesquisas, o partido no poder, Rússia Unida, viu as intenções de voto em seu favor darem um novo salto após o anúncio feito pelo presidente Vladimir Putin de que ele próprio encabeçará a chapa. Desde então, tornou-se evidente que o Putin entregaria ao seu sucessor — se é que ele de fato vai abandonar a direção dos trabalhos — uma maioria constitucional na Duma, permitindo-lhe modificar a Constituição com dois terços dos eleitos.

O amplo apoio da opinião pública russa àquele que dirige o país há oito anos é interpretado de diversos modos no Ocidente. Ressurgem os velhos clichês: em primeiro lugar, a suposta incapacidade quase genética dos russos de tomar o caminho da democracia e prescindir de um poder autoritário. Em segundo, o recurso do poder a diversos mecanismos de coerção que, pondo em xeque as conquistas frágeis e contraditórias do período yeltsiniano, explicariam a marginalização das oposições. Estaríamos voltando àquilo que os russos chamam, num belo eufemismo, de “democracia dirigida”. Mas não se pode compreender o grau de adesão ao presidente sem levar em conta outros fatores fundamentais que marcam a evolução recente do país.

Quando Putin chegou ao poder, no final de 1999, inicialmente como primeiro-ministro e em seguida como presidente, a Rússia estava profundamente desestabilizada. As caóticas reformas empreendidas por Boris Yeltsin enfraqueceram o Estado a ponto de fazê-lo perder o conjunto de suas funções exclusivas: muitas regiões e repúblicas dispunham de legislações próprias que contradiziam, em pontos freqüentemente importantes, as instituições federais. Em vários casos, governadores e presidentes locais se arrogavam a nomeação dos responsáveis regionais por administrações-chaves, como o fisco e a alfândega, encorajando as práticas de corrupção ou nepotismo.

Ao mesmo tempo, o Estado viu contestado o controle que exercia sobre sua principal fonte de renda: as receitas obtidas com matérias-primas. Diversos mecanismos legais ou ilegais (cessão de ativos a empresas de fachada off-shore, multiplicação de intermediários financeiros facilitando a evasão dos lucros etc.) permitiam que as grandes empresas russas, criadas no contexto das privatizações da era Yeltsin (fossem privadas, como a Yukos, ou semipúblicas, como a Gazprom), escapassem amplamente aos impostos e taxas, privando o Estado de qualquer margem de manobra financeira. O próprio funcionamento da Federação via-se em perigo. E muitos russos consideravam que seu país corria o risco, senão de explodir, ao menos de perder definitivamente a última oportunidade de progredir.
Tirar força da fraqueza: o Kremlin acusa (com razão...) o Ocidente de desejar a submissão da Rússia

Esse sentimento de derrocada difundiu-se ainda mais na medida em que o contexto internacional o favoreceu: os Estados Unidos e seus aliados europeus empreenderam uma ofensiva sem precedentes para reduzir a influência de Moscou em todo o seu espaço tradicional. Teorizada muito cedo por alguns conselheiros norte-americanos [1], essa estratégia (dita de roll back) visava explicitamente rechaçar a influência russa.
Apoiou-se nos efeitos desastrosos da política tchetchna do Kremlin e nas inábeis pressões, militares ou econômicas, que o governo russo continuou a exercer sobre os vizinhos. E empenhou-se em reforçar a imagem negativa da Rússia, a tal ponto que alguns observadores não hesitaram em falar de russofobia [2].

Longe de responder positivamente aos acenos de boa vontade dados pelo chefe de Estado russo após o 11 de Setembro, os Estados Unidos os consideraram como sinais de fraqueza e apressaram-se em fortalecer sua presença em toda aquela zona, inclusive com as “revoluções coloridas” na Geórgia e na Ucrânia. Além de uma crescente intervenção nos planos diplomático e militar, os norte-americanos utilizaram todo tipo de instrumentos de influência, desde igrejas e seitas até as organizações não-governamentais locais. E quando não puderam eles mesmos fazê-lo diretamente, não hesitaram em fazer com que as ONGs fossem financiadas por diversas organizações internacionais, inclusive programas da Comissão Européia.

Embora seja certamente legítimo ajudar esses jovens Estados independentes a ganhar autonomia perante o incômodo vizinho, a nova política norte-americana, e em grande medida européia, consistiu em considerar que a Rússia não despertava mais interesse, nem no Leste Europeu nem em torno do mar Cáspio.

Nesse contexto, os dirigentes russos, para além do partido no poder, ficaram à vontade para persuadir a opinião pública local de que os Estados Unidos — com o consentimento tácito da União Européia — procuravam enfraquecer irreversivelmente o país. Tratava-se, explicaram eles, de reduzir a Rússia a um papel subalterno de fornecedor de algumas matérias-primas, cuja exploração, ainda por cima, só poderia ser feita graças à participação das grandes empresas ocidentais.

Decerto esse temor do caos foi voluntariamente exagerado por alguns setores próximos ao Kremlin, a fim de facilitar uma retomada do poder considerada necessária. Mas para compreender, ao mesmo tempo, as medidas empreendidas a partir de 2000 e sua aceitação por uma ampla parcela da população russa, é preciso considerar a dimensão desse medo, profundamente enraizado numa opinião pública traumatizada pela sucessão de crises dos anos 90 e pelo enfraquecimento de seu país no cenário internacional.
Mantém-se a empresa privada. Mas o Estado readiquire poder de coordenar os setores decisivos da economia

No campo da política interna, a ação do novo presidente exerceu-se principalmente em quatro eixos. Tratava-se, ao mesmo tempo, de retomar o controle da receita advinda das matérias-primas [3]; de reconstruir a indústria russa; de refundar o campo institucional russo nas regiões; e de constituir uma maioria política estável. Diversos, e freqüentemente brutais, os métodos utilizados combinaram pragmatismo frio e instrumentalização das disparidades. Todos eles inscrevem-se numa retórica de reconstrução patriótica que encontra amplo consentimento na opinião pública.

Apoiando-se nos “supergestores” que passou a nomear desde maio de 2000, o Kremlin retomou o controle das administrações regionais, forçando os presidentes de repúblicas e os governadores de regiões (os quais privou de imunidade parlamentar) a respeitar as leis e as regras orçamentárias e fiscais federais. A partir de 2004, eles passaram a ser nomeados por sugestão do Kremlin. Se necessário, a administração presidencial adula os líderes regionais potencialmente críticos (como o prefeito de Moscou, Yuri Lujkov) com algumas concessões, entre elas a de se verem reconduzidos em sua função. Entretanto, não hesita em forçar à demissão ou em processar aqueles que continuam a resistir. Em julho de 2000, o presidente convocou ao Kremlin 21 oligarcas e lhes ofereceu um acordo [4]: se não quisessem que a administração vasculhasse seus passados, eles deviam apoiar o esforço do governo pelo reerguimento do país, abstendo-se de intervir no campo político. Aqueles que não concordaram foram rapidamente varridos: dois deles tiveram mesmo de se exilar. Uma parte da imprensa russa lembrou, de passagem, a origem judaica de vários deles. E a prisão de Mikhail Khodorkovski, presidente da Yukos, ilustra a determinação do Kremlin.

Alvo eminentemente simbólico, esse magnata do petróleo e da mídia acabara de anunciar que pretendia vender 40% das ações da Yukos à norte-americana Exxon-Mobil e se candidatar à próxima eleição presidencial. Foi condenado por fraudes a nove anos de prisão e seu grupo foi esfacelado. Foi o início da reorganização da indústria, em que a administração presidencial reafirmou sua preponderância em todos os setores estratégicos: dos combustíveis à energia nuclear, do armamento às novas tecnologias.

Contudo, não se tratava de uma reestatização ou de um retorno ao sovietismo. Num contexto opaco, a economia russa tornou-se realmente capitalista. Embora os grandes grupos nacionais vigiados pelo Estado dominem os setores estratégicos (alguns públicos, outros privados, aceitando freqüentemente uma participação estrangeira, desde que permaneça minoritária), a maior parte das empresas e o essencial dos serviços permanecem privados, e abertos para o mundo como decerto jamais estiveram antes na Rússia.

O objetivo perseguido pelo Kremlin é, portanto, bem diferente: trata-se de, apoiando-se nos preços elevados do petróleo bruto, reconstruir uma indústria diversificada e produtiva, com grupos russos capazes de rivalizar com as multinacionais ocidentais em seu próprio campo. Os efeitos dessa política, no contexto da alta dos combustíveis, foram notáveis: em 2006, pela primeira vez, o PIB russo recuperou seu nível anterior a 1991, e as rendas médias do país progrediram nitidamente. É muito provavelmente aí, com a estabilidade institucional recuperada, que reside o núcleo da popularidade do presidente Putin.
Para consolidar o poder do presidente mudanças na lei eleitoral, intimidações, apoio tácito a grupos violentos

Contudo, nem todos os russos beneficiam-se desse crescimento – longe disso. E a opinião pública não aceita todos os sacrifícios que o poder exige dela. É prova a grande onda de manifestações, no início de 2005, contra a reforma das aposentadorias, que lesava as camadas mais desfavorecidas – aposentados, pequenos funcionários públicos. O governo teve então de retroceder em sua política social.

Ao receber um grupo de especialistas em assuntos russos, em setembro último, o ocupante do Kremlin declarou que, em sua opinião, “a democracia e o multipartidarismo permaneciam como únicas garantias de uma real estabilidade da Rússia a longo prazo”, afirmando apoiar, por exemplo, a idéia da criação de um verdadeiro partido social-democrata. Mas não tardou a acrescentar que a implementação desse multipartidarismo “levaria décadas” [5]. Muitos dirigentes políticos, inclusive na oposição, compartilham essa avaliação, que reflete uma profunda dúvida quanto à maturidade do eleitorado.

Na prática, a administração presidencial modificou profundamente, nos últimos anos, o exercício da democracia. Tornou mais difícil o registro dos partidos e das associações (em particular as ONGs, suspeitas de serem sensíveis às influências ocidentais). Revisou a lei eleitoral para suprimir a eleição de deputados por circunscrição (o que permitia que líderes da oposição fossem eleitos mesmo quando seu partido não ultrapassava, no cômputo geral, a cláusula de barreira de 7%). A intervenção nas redes de televisão — a ponto de o canal ORT não convidar mais para debates opositores críticos — restringe a liberdade de expressão a uma ou duas rádios de audiência limitada (principalmente a Eco Moscou) e aos jornais impressos, cujo público leitor desabou desde o fim da URSS.

Mais preocupante ainda é a atmosfera de pressões e de intimidações que sufoca a manifestação de movimentos considerados conturbadores. É o caso sobretudo das manifestações da Outra Rússia, fustigadas pela polícia ou pelos Nachi (Os Nossos, a organização juvenil criada pelo Kremlin [6]). Também nesse campo, a sociedade russa continua brutal e, muito embora nenhuma estrutura oficial estivesse diretamente implicada no assassinato dos jornalistas Anna Politkovskaia ou Yuri Chtchekotchikin, a impunidade dos assassinos de profissionais da mídia, de empresários ou de administradores de diversos níveis revela as debilidades estruturais do Estado: corrupção latente dos serviços de segurança, ausência de separação entre os poderes executivo e judiciário, tolerância para com grupos extremistas, em particular xenófobos ou skinheads [7].
Os limites do poder: desigualdade social aguda e temor de retorno ao totalitarismo soviético

Os russos sugerem levar em conta as dificuldades de seu caminhar rumo a mais democracia, e a brevidade de sua experiência com reformas, desde a abolição do papel dominante do partido único (em 1988) e a dissolução da URSS (em 1991). As eleições legislativas, em dezembro de 2007, e presidenciais, em março de 2008, vão se realizar segundo as leis em vigor. Contrariamente ao que sugeria a maioria dos políticos de todas as tendências, assim como as pesquisas de opinião pública, o presidente não mandou modificar a Constituição em seu favor.

O próprio fato de uma sucessão se desenrolar normalmente nesse país já é um progresso real, seja qual for o papel que Putin atribua a si próprio a seguir. Mas, sob muitos aspectos, a “democracia dirigida” não passa mesmo de um cômodo eufemismo: seria mais adequado falar de “democracia manipulada”, quando o poder não hesita em atrair para si os representantes da oposição sensíveis à outorga de postos ou privilégios, ou quando multiplicam-se os vínculos pessoais (inclusive familiares [8]) entre os mundos político e econômico, e isso enquanto os representantes da oposição vêem-se sistematicamente marginalizados.

O atual chefe de Estado tem insistido na necessidade de uma ampla maioria e de uma presidência forte para concluir a estabilização do país e devolver à Rússia o lugar que reivindica no cenário internacional. Ninguém duvida que ele obterá as duas coisas com o consentimento de grande maioria da população, sensível aos êxitos alcançados durante os últimos anos. No entanto, esse sistema político controlado não poderá durar para sempre. O primeiro obstáculo encontra-se na pauperização real de um terço da população (segundo estatísticas oficiais), entregue à própria sorte numa sociedade muito dividida e com contrastes exacerbados, apesar do crescimento recuperado. Decerto, essas camadas não se caracterizam por um alto grau de organização, mas, como se viu no inverno de 2005, elas podem manifestar-se com veemência. O outro obstáculo reside na contradição crescente entre o modo autoritário de exercício do poder e a lógica liberal do sistema econômico e social.

Até o momento, o Kremlin tem evitado impor limites a conquistas tão preciosas e novas quanto a liberdade de circular e de realizar comércio no exterior (para os que têm meios para isso, mas eles são cada vez mais numerosos), de se informar pela internet ou ainda de enviar os filhos aos quatro cantos do mundo. Num país agora cada vez mais aberto, a retórica patriótica, as limitações ao funcionamento dos partidos e associações e o controle burocrático das empresas correm o risco de se tornar rapidamente freios concretos ao próprio crescimento. E de parecer a um número crescente de cidadãos russos aquilo que de fato são: visões e coerções administrativas herdadas do sistema soviético.
Leia mais:

O peso da política externa

Principais formações políticas


[1] Por exemplo, Zbigniew Brzezinski, “A Geostrategy for Eurasia”, Foreign Affairs, Palm Coast, n.º 5, 1997.

[2] Anatol Lieven, “Against Russophobia”, World Policy Journal, Nova York, inverno de 2000/2001.

[3] Jean-Marie Chauvier, “A Rússia busca seu lugar no mundo”, Le Monde Diplomatique Brasil, fevereiro de 2007.

[4] Le Monde, 30 de julho de 2000.

[5] Intervenção de Putin no clube Valdai, 15 de setembro de 2007. Ver também Eric Hoesli, 24 Heures, Lausanne, 16 de setembro de 2007.

[6] “Les jeunes en rang serrés derrière Poutine”, Courrier International, 30 de agosto de 2007.

[7] Carine Clément e Denis Paillard, [“Desigualdade, guerra e... resistências”->1189, Le Monde Diplomatique Brasil, novembro de 2005.

[8] “Les parents au pouvoir”, Kommersant Vlast, Moscou, 24 de setembro de 2007.



O peso da política externa

Jean Radvanyi

A política exterior é um elemento fundamental da virada estratégica empreendida pelo presidente Vladimir Putin desde sua primeira eleição, em março de 2000. E não por acaso: os dirigentes russos, como a opinião pública, são extremamente sensíveis ao lugar de seu país no mundo. As reviravoltas acarretadas pelo esfacelamento da União Soviética, com efeito, multiplicaram os fatores de inquietação: redução brutal do território e perda de numerosas regiões consideradas como “russas” há séculos; status incerto dos russos do “exterior próximo” (as ex-repúblicas da URSS), entre os quais inúmeros cidadãos da Federação têm parentes ou amigos; migrações em massa desses territórios rumo à Rússia etc.

Esses elementos internos, somando-se à dolorosa experiência da potência perdida, criaram um terreno favorável, na opinião pública, para uma mobilização dos sentimentos nacionais, com os quais a maioria dos partidos políticos, mas também o governo de Putin, têm jogado. Quase todas as grandes decisões recentes de reformas institucionais, econômicas e sociais se inscrevem nessa retórica patriótica que pretende devolver ao país a potência e o papel que se considera que ele deva desempenhar na globalização.

Outro elemento decisivo para compreender a evolução da política russa em matéria internacional: a impressão, amplamente difundida na classe política, para além da administração presidencial, de terem sido ludibriados pelos ocidentais. As razões da aproximação espetacular com Washington, impulsionada pelo presidente russo no dia seguinte aos atentados do 11 de Setembro, evidentemente não eram todas desinteressadas: o Kremlin desejava, ao mesmo tempo, ganhar tempo a fim de consolidar a situação econômica interna e estabelecer um paralelo entre o terrorismo mundial e a resistência chechena. Mas a atitude do presidente Putin – que suscitou muitas reservas entre as elites russas – poderia ter marcado uma virada significativa nas relações entre seu país e os principais membros da Otan. Ora, os Estados Unidos a interpretaram, bem mais, como um sinal de fraqueza permanente da Rússia e, desde então, têm desenvolvido em todas as direções uma estratégia de rechaço da influência russa, inclusive no espaço onde os interesses estratégicos russos estão realmente em causa: da Ucrânia ao Cáucaso e à Ásia Central.

Sem dúvida, Moscou ainda não conseguiu redefinir de modo sereno a natureza de suas relações com os vizinhos mais próximos. Suas decisões brutais, mesmo quando não são ilegítimas (como a elevação do preço do gás aos índices mundiais), e suas ingerências (como durante a campanha eleitoral ucraniana de 2004) só fizeram trazer argumentos de peso a seus adversários. Mas será possível, com isso, eludir o papel das ingerências norte-americanas ou européias nas “revoluções coloridas” [1]? Diante dos descontroles ocidentais em matéria de ações militares e de respeito aos direitos humanos que se multiplicaram no Iraque e em outros conflitos recentes, os russos suportam cada vez menos a prática freqüente do “dois pesos, duas medidas” no que lhes diz respeito. O alerta lançado pelo presidente russo, em fevereiro, em sua intervenção em Munique [2], teve o mérito de levantar com franqueza todas essas questões. Embora considerado brutal pela imprensa ocidental, ele porém não fechava as portas, mas, ao contrário, chamava à retomada das discussões sobre todos os temas sensíveis: ampliação da Otan a outras repúblicas da ex-URSS como a Geórgia, escudo antimíssil, Kossovo e poder nuclear iraniano, para citar apenas os mais evidentes.

Para o Kremlin, essas discussões devem viabilizar uma modificação importante das relações: o modelo político dos anos 1990, que relegava a Rússia à categoria de parceiro inferior do Ocidente, está ultrapassado. Moscou não permitirá mais que lhe imponham acordos considerados desequilibrados, como a Carta Européia da Energia. Decerto esse discurso político vigoroso tem uma dimensão eleitoral, mas exprime mudanças de direção geopolíticas fundamentais: a Europa e os Estados Unidos terão de levar em conta a ascensão poderosa dos “BRIC” (Brasil, Rússia, Índia e China). Putin, aliás, não deixa escapar nenhuma ocasião de lembrar que seu país não é apenas um Estado europeu: a Rússia desenvolverá cada vez mais sua vertente asiática, a exemplo de sua parceria com Pequim no seio do Grupo de Xangai [3].

O sentimento de que seu país volta a ser um ator principal no cenário internacional seguramente contribui muito para a manutenção da popularidade do presidente russo entre seus compatriotas.





Principais formações políticas

Jean Radvanyi

A Assembléia Federal é o órgão representativo e legislativo da Federação Russa. É composta da Duma (câmara baixa, 450 deputados) e do Conselho da Federação (câmara alta, 178 membros). Com a nova lei eleitoral, os deputados da Duma são doravante eleitos pela proporcional integral, mas esta é reservada aos partidos registrados segundo um procedimento muito limitador, únicos habilitados a apresentar chapas. Toda uma parte do quebra-cabeça político, portanto, não estará representada na Duma por não ter podido atender às novas normas de registro. São estes os grandes partidos em cena:

* Rússia Unida (ER, centro-direita). A formação de Vladimir Putin foi criada em 2001 pela fusão dos partidos Pátria, Toda Rússia e Unidade. Boris Gryzlov, atual presidente da Duma, está à sua frente desde 2002. Único grande partido político verdadeiro do país, com mais de 1,5 milhão de filiados, soube agrupar uma grande parte da elite política por trás do presidente russo, permitindo-lhe obter a maioria das cadeiras na Duma (222 cadeiras em 450, com 37,57% dos votos) durante as eleições legislativas de dezembro de 2003.

* Partido Comunista da Federação Russa (KPRF, ex-Partido Comunista da União Soviética). Nascido em 1993 e dirigido por Guennadi Ziuganov, o KPRF é o maior partido de oposição. Conheceu um revés em 2003 ao obter somente 12,61% dos votos (52 cadeiras), ou seja, 11,5 pontos a menos em relação à eleição anterior. Conquistou a prefeitura de Volgogrado (antiga Stalingrado), em maio de 2007, em conseqüência de uma eleição municipal antecipada.

* Partido Democrático Russo (dito “Iabloko”, centro). O partido reformista-liberal Iabloko foi fundado em 1993 por Grigori Iavlinski, Iuri Boldriev e Vladimir Lukin. Favorável, sobretudo, à economia de mercado regulada pelo Estado e à participação na União Européia, é dirigido por Iavlinski. Obteve somente 4,3% dos votos (4 cadeiras) em 2003.

* Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR, ultranacionalista). Dirigido por Vladimir Jirinovski, também vice-presidente da Duma, o LDPR foi criado em 1989 sob o nome de Partido Liberal Democrata da União Soviética. Xenófobo, anti-semita, nostálgico da Grande Rússia, representa hoje a terceira força política do país, atrás de Rússia Unida e do Partido Comunista. Obteve 11,46% dos votos (36 cadeiras) em 2003.

* Rússia Justa (centro-esquerda). Esta formação, constituída em 2006 com as bênçãos do Kremlin, surgiu do agrupamento de três pequenos partidos: Rodina (“Pátria”, uma coalizão de movimentos nacionalistas de esquerda que tinha obtido 9,02% dos votos e 37 cadeiras em 2003), o Partido dos Aposentados e o Partido da Vida. Conduzida por Serguei Mironov, presidente do Conselho da Federação, pretende representar uma força alternativa de esquerda. Rússia Justa obteve 11,6% dos votos na eleição parcial regional de março de 2007, contra 15,7% para o Partido Comunista e 46% para Rússia Unida.

* União das Forças de Direita (SPS). O partido conservador, pró-ocidental, opositor de Putin, apareceu em 1999 a fim de consolidar as múltiplas correntes surgidas dos “jovens reformadores” (Anatoli Tchubais, Boris Nemtsov, Yegor Gaidar etc.). Nikita Belykh foi eleito à sua presidência em maio de 2005. Nas eleições de 2003, o partido sofreu uma pesada derrota (3,97% dos votos, 3 cadeiras), que provocou sua saída da Duma e a demissão de seu líder, Nemtsov, em janeiro de 2004.

* Outra Rússia. Esta coalizão heteróclita instalada em 2006 agrupa diversas correntes políticas – liberais, socialistas, nacionalistas como o movimento de Eduard Limonov – unidas por sua oposição a Putin. O ex-jogador de xadrez Gary Kasparov foi designado como seu candidato à eleição presidencial de março de 2008. Será também um dos três cabeças de chapa do movimento por ocasião das eleições legislativas.
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André

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« Responder #84 em: Janeiro 19, 2008, 03:22:17 pm »
Moscovo admite ataque nuclear preventivo para sua defesa e dos aliados

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O chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Rússia, o general Iúri Baluevski, declarou hoje que o país poderá recorrer a armas nucleares em caso de necessidade, nomeadamente de forma preventiva.
«Não tencionamos atacar ninguém, mas consideramos necessário que todos os nossos parceiros compreendam claramente e ninguém tenha alguma dúvida de que, para defender a soberania e a integridade territorial da Federação da Rússia e dos seus aliados, serão empregues as Forças Armadas, nomeadamente de forma preventiva e com o uso de armas nucleares», declarou o general numa conferência científica realizada em Moscovo.

«A força militar pode e deve ser empregue como demonstração da decisão da mais alta direcção do país de defender os seus interesses, bem como medida extrema, mesmo em massa, quando mostrarem ser ineficazes todos os restantes meios», frisou.

Segundo o general Iúri Baluevski, é preciso ter presente a história e a experiência da Rússia, que mostram que a militarização excessiva da sociedade, na ausência de guerras, mina as bases da sua existência.

O general Baluevski referia-se ao período soviético da História da Rússia (1917-1991), quando a competição militar e a corrida aos armamentos com os Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, acabaram por ser factores que conduziram à destruição do sistema comunista e da União Soviética.

«Hoje, a transição da Rússia para novas relações económicas colocou perante as Forças Armadas, outras tropas e forças que fazem parte da organização militar do Estado, as mais complicadas tarefas, não só de carácter militar, mas também económico», lembrou o general russo.

O responsável considerou que, para garantir a segurança militar, é indispensável uma ligação estreita entre o programa de construção militar e a planificação financeira, a vários níveis e a longo prazo, tendo em linha de conta as possibilidades económicas do Estado, e é precisamente essa tarefa que hoje se coloca perante o comando das Forças Armadas.

Uma proposta considerada «absolutamente correcta» pelo director do Centro de Análise, Estratégia e Tecnologias da Rússia, Ruslan Pukhov.

«Necessitamos extremamente de novas doutrinas, que serão a estrela orientadora no campo da organização militar e mostrarão aos nossos parceiros até onde estamos prontos a ir no caso de agravamento da situação internacional», acrescentou o analista militar.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #85 em: Janeiro 20, 2008, 12:18:48 am »
Onde e que ja vi este filme?
 

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André

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« Responder #86 em: Fevereiro 01, 2008, 01:41:45 am »
Washington e Moscovo lançam diálogo económico, urânio russo para as centrais nucleares norte-americanas

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Os Estados Unidos e a Rússia anunciaram quinta-feira o lançamento de um diálogo económico formal para discutir as suas ligações comerciais e financeiras crescentes, assim como a conclusão de um acordo de fornecimento de urânio.

"Tendo em conta o aumento dos investimentos e das trocas comerciais entre os nossos dois países e a importância crescente da Rússia na economia mundial, os Estados Unidos e a Rússia vão estabelecer um diálogo económico formal para discutir questões de interesse comum", indicaram os dois países num comunicado conjunto.

Responsáveis de vários ministérios dos dois países participarão neste diálogo destinado a tornar-se regular, assim como representantes dos sectores privados dos dois países, precisa o comunicado do Departamento de Estado.

A primeira reunião terá lugar "na primavera em Washington", indica o comunicado sem mais precisões.

Num anúncio separado, o Departamento do Comércio norte-americano indicou que os dois países assinaram quinta-feira em Washington um acordo que liberaliza a exportação de urânio russo para alimentar as centrais nucleares norte-americanas.

O texto do acordo, cujos termos definitivos não foram divulgados, será rubricado pelo secretário do Comércio norte-americano Carlos Gutierrez e pelo director da Agência federal russa de energia atómica (Rosatom) Sergueï Kirienko, precisou o Departamento de Comércio.

Estes anúncios ocorrem apesar das tensões políticas crescentes entre os dois países, nomeadamente sobre a questão da independência do Kosovo que Washington apoia mas Moscovo recusa categoricamente.

O programa de instalação de um escudo antimíssil na Europa de Leste enfureceu também Moscovo que vê nele uma ameaça às suas fronteiras.

Lusa

 

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« Responder #87 em: Fevereiro 01, 2008, 10:20:33 am »
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urânio russo para as centrais nucleares norte-americanas


 :twisted: cuidado cuidado, não vá o urânio russo estar inflitrado de pérfidos isótopos iranianos....
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« Responder #88 em: Fevereiro 03, 2008, 07:26:27 pm »
Moscovo vai aumentar presença no Oceano Mundial

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A Rússia irá aumentar a sua presença nas regiões estratégicas do Oceano Mundial, declarou Vladimir Vissotski, comandante da Armada da Rússia, numa conferência de imprensa realizada em Severomorsk, base naval no norte do País.

«O mais importante não é que nós entrámos (no Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo), mas sim que entrámos nos prazos planeados. Claro que, por enquanto, não temos possibilidades de manter lá permanentemente um destacamento, mas isso não significa que não iremos lá estar. Numa base periódica. Faremos tudo para aumentar essa presença onde a Rússia tem interesses estratégicos» - declarou o contra-almirante ao fazer um balanço das manobras militares de navios russos no Atlântico e no Mediterrâneo.

«Digam o que disserem, nós estaremos lá» - frisou.

Por outro lado, Vladimir Vissotski sublinhou que isso não significa o início de confrontação com outros países.

«Nós não agimos com a força, mas simplesmente realizamos uma das mais importantes tarefas: a presença da Armada no Oceano Mundial em tempo de paz como elemento de todas as Forças Armadas da Rússia» - acrescentou.

O contra-almirante russo aproveitou a oportunidade para anunciar novas manobras ainda maiores do que as já realizadas.

«Não serão tão barulhentas na Imprensa, mas serão mais importantes pelo objectivo» - assinalou, acrescentando que «o comando da Armada planeia realizar iniciativas semelhantes de meio em meio ano».

«A reacção da NATO às manobras dos navios russos foi bastante séria» - concluiu.

A expedição de um grupo de navios da Armada do Norte da Rússia começou a 05 de Dezembro de 2007, entre os quais estava o cruzeiro «Admiral Kuznetsov», os navios de combate a submarinos «Admiral Levtchenko» e «Admiral Tchabanenko», bem como aviação militar.

Estas manobras foram apresentadas por Moscovo como o regresso das suas forças navais ao Oceano Mundial, pois manobras militares semelhantes tinham sido realizadas apenas há 15 anos atrás, ainda na era da União Soviética.

Diário Digital / Lusa

 

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« Responder #89 em: Fevereiro 09, 2008, 10:23:33 am »
Rússia é forçada a retaliar em corrida por armas, diz Putin
Plantão | Publicada em 08/02/2008 às 15h34m
BBC  
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira que uma nova corrida armamentista está em curso no mundo e que a Rússia está sendo "forçada a retaliar" com novas armas de alta tecnologia.

"Já está claro que uma nova corrida armamentista está se desenrolando no mundo", disse o presidente a autoridades, militares e líderes empresariais reunidos em um discurso Kremlin. "Não é nossa culpa, não fomos nós que começamos."

Putin disse ainda que outros países estavam gastando muito mais do que a Rússia em novas amas e que Moscou sempre responderá aos desafios de uma corrida armamentista desenvolvendo mais armamentos de alta tecnologia.

"Na realidade, nós somos forçados a retaliar, a tomar decisões equivalentes", afirmou. "A Rússia tem e sempre terá uma resposta a esses novos desafios."

Sob Putin e com os recursos obtidos com a alta do petróleo, a Rússia tem investido nas suas Forças Armadas, com um aumento de mais de 20% nos gastos com defesa nos últimos três anos. Ainda assim, a sua capacidade militar ainda é muito inferior à que tinha na era soviética.

Durante o discurso no Kremlin, o presidente, que está a três meses de deixar o cargo, defendeu a adoção de uma estratégia para fortalecer as Forças Armadas do país nos próximos 12 anos e consolidar a "segurança nacional".

Otan

Putin disse que, enquanto a Rússia desmantela as suas bases militares da era soviética, o Ocidente expande as instalações da Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos) para perto do seu território e planeja um escudo antimísseis na Europa Central.

Segundo o presidente russo, a Otan não tomou nenhuma medida concreta para atender às preocupações de Moscou, que é contra a ampliação da presença militar ocidental na sua região de influência e se opõe ao projeto do escudo antimísseis.

"Houve muitas discussões sobre isso, mas nós ainda não vemos nenhum passo real no sentido de chegar a um acordo", afirmou

Em dezembro, o governo russo disse que estava planejando exercícios navais no mar Mediterrâneo e no Oceano Atlântico.

O país também retomou, em agosto do ano passado, as patrulhas de longa distância, prática que havia abandonado depois do colapso da União Soviética.

Putin também condenou tentativas "imorais e ilegais" de países estrangeiros de interferir em assuntos domésticos russos, em uma aparente referência à decisão da Organização para a Cooperação e Segurança da Europa (OSCE) de não enviar observadores para as eleições presidenciais de 2 de março por causa de restrições impostas por Moscou.

O candidato que Putin escolheu como seu sucessor, Dmitry Medvedev, é considerado o favorito para vencer a eleição, mas Putin já disse que pretende continuar atuando na política russa, possivelmente como primeiro-ministro de Medvedev.

Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil

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