A ameaça....

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dremanu

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A ameaça....
« em: Maio 04, 2004, 01:33:56 am »
Quando alguns dizem que a Espanha é uma «ameaça» para Portugal, acorrem em defesa de Madrid uns missionários da amizade espanhola e uns pregadores do paraíso ibérico proclamando que ela é uma «oportunidade».

Quando em 1807 as tropas franco-espanholas se aproximavam da fronteira portuguesa para invadirem Portugal alguns alertavam para o «perigo» de Napoleão. Outros, julgados mais iluminados, apregoaram que o General e as suas tropas eram uma «esperança» para Portugal. Os resultados todos os conhecemos, incluindo os espanhóis que com Napoleão se tinham mancomunado...

Hoje no Diário de Notícias, mais um dos que está enganado, alerta para a amizade espanhola...

Espanha ameaça empresas nacionais

Francisco Ferreira da Silva

A Telefónica aumentou esta semana a sua participação na Portugal Telecom de 4,8% para 8,168%, podendo ir ainda até 10%. Fala-se, há já algum tempo, da possibilidade de um banco espanhol adquirir a maioria do capital de um banco português. A Iberdrola criou uma empresa em Portugal e adquiriu já um parque eólico que produz 18 megawatts perto de Lisboa. O jornal espanhol Expansión noticiou, na sua edição de quarta-feira, 28 de Abril, que «a La Caixa, primeiro accionista da Repsol com 12,5% do capital, pode entrar na Galp». Segundo o Expansión, «a entidade financeira lusa BPI, onde a La Caixa possui 16%, é o promotor de uma das ofertas para comprar 33% da Galp. BPI participa na operação através da holding Viacer, que controla a maior cervejeira de Portugal. Fontes do BPI disseram que a La Caixa foi informada da operação e prestou o seu apoio. No entanto, negaram que por detrás da sua oferta se encontre a Repsol. Em qualquer caso, se o BPI triunfar, a La Caixa converter-se-á em accionista das maiores petrolíferas de Espanha e Portugal».

Estes são alguns exemplos recentes do apetite das empresas espanholas por sociedades em Portugal. Até agora, falava-se da existência de um entendimento entre os governos de Durão Barroso e José María Aznar para controlar o interesse das empresas espanholas pelas suas congéneres portuguesas. Com a entrada de José Luis Zapatero para a liderança do Governo espanhol esse acordo terá deixado de existir.

Por isso, esperam-se mais ataques a empresas portuguesas no futuro próximo. A PT está protegida pela golden-share do Estado, que não permite a existência de accionistas com mais de 10%. Mas, como todos sabemos, existem várias formas de contornar o problema. Talvez por isso, o presidente do BES - maior accionista provado nacional da PT - afirmou que estão criadas as condições para a entrada de outro parceiro estratégico no capital da PT, parceiro que poderá ser a KPN, hholandesa, ou a British Telecom, inglesa. O certo é que o risco de "invasão" espanhola talvez nunca tenha estado tão presente como agora, nas telecomunicações, como na energia, mas também na banca e no mais que a seu tempo se saberá.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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Luso

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« Responder #1 em: Maio 05, 2004, 11:00:50 pm »
Dremanu, nada é preto e branco e vou-lhe contar uma história recentíssima que por um lado me deixa contente mas que me entristece como português:

Eu pratico montanhismo e por vezes preciso de material especializado. Para isso dirigi-me a um revendedor de uma marca... espanhola, cujo material até agora só me deu alegrias e no qual confio ao máximo (já tentei fazer com que empresas portuguesas fabricassem cá o produto mas...)
Contactei o representante em Portugal, sabendo que seria mais caro, mas estaria disposto a comprar mesmo assim (não estou a ser hipócrita - talvez um pouco idealista demais ou simplesmente parvo). Contactei a firma e, passado duas semanas repondem-me que o material custaria x (mais caro) e só o teriam para venda daqui a uns meses valentes.
Dirijo-me a uma loja... espanhola na internet e encontro o material. Tenho dúvidas e consulto a fábrica que o produz que me reponde no dia seguinte fazendo recomendações. No dia seguinte, encomendo o produto (significativamente mais barato) na loja espanhola. Passados dois dias após a encomenda já tenho o material. E é bem bom! E corresponde plenamente às espectactivas!
E não é a primeira, nem a segunda nem a terceira vez que isto me acontece!

Eu sou português, mas não gosto que me façam de parvo!
Não é lamentar nem acusar os outros: É lutar ! É trabalhar!
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #2 em: Maio 05, 2004, 11:15:22 pm »
Citar
Eu pratico montanhismo e por vezes preciso de material especializado.


Ora aqui está algo que eu gostaria de praticar "a sério" também. Sendo um admirador de escalada ( mas longe de ser praticante assíduo ), o montanhismo, seja ele numa vertente mais profissional ou de simples recreio, também me atrai bastante.
A queda-livre e o parapente ( é o próximo! ) são as minhas grandes paixões desportivas, mas Luso, um dia destes vamos aí a uma caminhada!  :wink:
Ricardo Nunes
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Luso

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« Responder #3 em: Maio 05, 2004, 11:25:00 pm »
Vale, chico!  :D

Já agora o montanhismo é de recreio: às vezes faz-se escalada, outras vezes rappel. Outras tantas cannyonning (outro anglicismo irritante). Caminhadas e ascenções longas, entradas em minas abandonadas, mergulhos em rios, riachos e lagoas longe de tudo e de todos e por fim acaba-se o dia com um bom bife e sobretudo muito bem regado!
É pena que as miúdas estejam sempre a perguntar: "- Ainda falta muito?"
Irra!
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dremanu

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« Responder #4 em: Maio 05, 2004, 11:42:55 pm »
É, o que é que se pode dizer, bom exemplo da razão pela qual muitos comerciantes nacionaís perdem negócio. Eu lhe garanto que no meu negócio não funciona dessa forma, mas aqui em Portugal ainda têm muita gente a pensar que tudo se pode deixar p'ra amanhã, quando a gente vive na era do instantânio.

Sinceramente, sou a favor de mercados abertos e competição, fui "treinado" para pensar dessa forma. No entanto, e no que diz respeito a Espanha, e só a ela, dá-me uma certa raiva, ou receio de dar sejá o que for aos Espanhoís, porque não confio nessa gente. A minha avó sempre me dizia: "Cuidado com quem tu lidas, sê esperto, porque tem gente que se lhe dás a unha do dedo, logo, logo, já querem o teu braço!".

É assim que eu vejo os Espanhoís, uns comilões que vêm cheios de falinhas mansas, mas estão sempre com segundas intenções. Daí a gente não deve facilitar sejá o que for a essa gente.

Eu tb prefiro comprar produtos Portuguêses, e aos Português, detesto dar um eurozinho que sejá a um castelhano, mas de vez em quando não tem como evitar, infelizmente.

Um dos problemas que eu vejo Luso, e que sim deveriamos estar preocupados com as consequências daquilo que se está a fazer, é a venda de empresas de setores estratégicos à independência económica do país.

Nomeadamente:

- Produção de energia
- Telecomunicações
- Bancos
- Agricultura
- Pescas
- Defesa
- Transportes públicos

Como eu lhe disse numa outra mensagem, eu passei 4 anos a viver no Canadá. Este país tem uma ecónomia 4 ou 5 vezes maior que a nossa, é membro do G7, é um país onde tudo funciona, rico, uma qualidade de vida excelente, para toda a população, e é, na minha opinião pessoal, o melhor país do mundo.

Eles fazem parte da NAFTA, e são mais que bons parceiros dos Americanos, mas vc pensa que eles deixam os Americanos, ou os Europeus tomar conta da ecónomia deles por completo? Nem sonhar!

Empresas como:

- Bancos de atendimento ao público
- Produção elétrica
- Defesa
- Hospitaís
- Pescas
- Extração de minério
- Telecomunicações

Todas elas são regulamentadas de alguma forma. Estrangeiros não podem ser donos diretos de nenhuma das empresas que actuam nestes setores, e nenhuma pode mergir com outra sem autorização do governo. E nenhum acionista pode por lei ser dono de mais do que uma pequena % minoritária de ações.

O governo não interfere na administração diária das empresas, nem estas são dirigidas por membros dos partidos, mas todas elas têm que obedecer a leis bem exigentes.

Contraste isto com o nosso país, onde se vende tudo ao desbarato. Uma coisa é produtos de consumidor, como esse que vc comprou, outra coisa são setores estratégicos. Não se pode aplicar as mesmas medidas aos dois, no que toca a defender os interesses da nação.

E para onde vai o dinheiro das privatizações? Qual é o objectivo final que será dado a esse dinheiro?
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Luso

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« Responder #5 em: Maio 05, 2004, 11:54:19 pm »
Diz bem, Dremanu.
Mas digo-lhe uma coisa: até agora nenhum espanhol me enganou e portugueses nem lhe falo!
E com esses espanhóis, a maior parte nem os conheço.
Os portugueses conheço-os do dia-a-dia e... olhe!


Já agora...

Para mim

Governo = Máfia

(ainda hoje me aborreci quanto a isto e digo-lhes que qualquer dia me junto a "eles" se a Justiça não fizer nada)
Desejo os melhores sucessos ao Senhor Procurador Geral da República.
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dremanu

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« Responder #6 em: Maio 06, 2004, 12:23:50 am »
Não faça isso Luso, mantenha a sua integridade...este mundo não pode ser feito só de malandros, têm que haver homens sérios, e dispostos a lutar pelo certo, contra o errado.

Já viu se vc não estivesse onde está? Não seria pior, para quem precisa de usar o serviço que vc presta ao público? Vc é a força positiva no meio do negativo, e tem que lutar para chegar na posição onde vc pode fazer a diferença, nem que sejá só por uns tempos, não deixa de ser importante.

Fáz parte do processo de crescimento lutar contra a maré, e nunca desistir.

Deixo-lhe aqui as palavras de um filósofo Chinês, chamado Mencius, e que foram escritas hà mais de 3000 anos atrás. Sempre que eu me encontro em situações dificeís leio estas palavras para me inspirar, e continua a remar contra a maré.

Aqui vai:

"Thus, when Heaven is going to give a great responsibility to someone, it first makes his mind endure suffering. It makes his sinews and bones experience toil, and his body to suffer hunger. It inflicts him with poverty and knocks down everything he tries to build."

"In this way Heaven stimulates his mind, stabilizes his temper and develops his weak points. People will always err, but it is only after making mistakes that they can correct themselves. Only when you have been mentally constricted can you become creative. It will show in your face and be heard in your voice, such that you will affect others."

"In your own state, if you don't have legal specialists and impartial advisors, and outside your state, you don't have enemy states to harass you, your own state will certainly fall to ruin."

"From this we can know that life is stimulated from adversity and anxiety, and death results from relaxation and pleasure."
"Esta é a ditosa pátria minha amada."