PIB de 2005 reflecte queda exportações e investimento, BdP

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Marauder

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PIB de 2005 reflecte queda exportações e investimento, BdP
« em: Abril 19, 2006, 07:22:06 am »
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PIB de 2005 reflecte queda exportações e investimento, diz BdP

O fraco desempenho do PIB em 2005 reflectiu, em particular, a queda do investimento e a redução significativa do contributo das exportações para o crescimento da economia.


Por seu lado, o consumo - quer privado quer público - apesar de ter registado uma desaceleração ao longo do ano, manteve um crescimento claramente superior ao do Produto Interno Bruto (PIB), refere o Boletim da Primavera do Banco de Portugal (BdP).

Neste contexto, as necessidades de financiamento externo da economia voltaram a aumentar, com o endividamento dos particulares a pesar 84% do Produto Interno Bruto (PIB), e as do Estado a representarem 64% do PIB, assinala a instituição.

O desequilíbrio externo (saldo da balança corrente e de capital) ficou situado num défice de 8,1% do PIB (- 5,7% em 2004), elevando-se a cerca de 11,92 mil milhões de euros. A conta corrente (mercadorias, serviços, rendimentos e transferências) registou resultado negativo equivalente a 9,3% do PIB, enquanto a balança de capital registou um saldo positivo equivalente a 1,2% do PIB.

A evolução desfavorável das exportações (+0,9%) e do investimento (-3,6%) , as duas componentes da despesa que, sobretudo em pequenas economias abertas, tipicamente revelam um maior dinamismo nas fases de recuperação, tem determinado um comportamento do PIB nos últimos dois anos «muito diferente do observado após a recessão de 1993», observa o Banco de Portugal.

De facto, em contraste com o então verificado, a evolução recente da actividade económica em Portugal caracteriza-se pela «ausência de uma recuperação sustentada». Apesar da procura externa manter um ritmo de crescimento significativo, a deterioração da capacidade competitiva da economia nacional, num quadro de concorrência acrescida nos mercados internacionais, «tem limitado o contributo das exportações para o crescimento do PIB», explica o relatório.

O agravamento dos custos de trabalho relativos na última década e a estrutura das exportações portuguesas surgem como factores importantes para explicar o fraco desempenho das exportações.

A estrutura das exportações nacionais continua a apresentar um peso elevado de produtos com baixos conteúdos tecnológico e de capital humano, como os têxteis, o vestuário e o calçado, os quais têm enfrentado uma concorrência acrescida por parte dos novos participantes no comércio mundial com baixos custos salariais. Mas mesmo nos sectores automóvel e máquinas, as exportações portuguesas têm vindo a observar perdas de quota internacional.

Em termos de mercado de destino, o Banco de Portugal destaca, ainda a redução das exportações portuguesas em termos nominais para os mercados alemão, do Reino Unido e dos Estados Unidos, apontando «para quedas muito significativas da quota de mercado nestes países em 2005».

18-04-2006 16:17:57


de:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro%5 ... news=65962

Não muito animador, mas o que importa agora é este e os anos futuros!!
 

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JoseMFernandes

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« Responder #1 em: Abril 19, 2006, 04:21:24 pm »
Transcrevo do 'Jornal de Negocios' de  hoje (19/4/06) na sua ediçao 'on-line' o editorial do seu director, Sérgio Figueiredo.

 
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Sérgio Figueiredo
Economia de casino
sf@mediafin.pt
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Traz borrasca o boletim da Primavera do Banco de Portugal. O diagnóstico actualizado ao estado da economia mata ilusões e obriga a descer à terra. E isto não é o pior, porque nas finanças públicas a descida é até aos infernos.
Pois é, apesar do castigo fiscal, não obstante a política de contenção na função pública, eis que o nosso Estado volta aos níveis de desequilíbrio financeiro estrutural dos tempos do eng. Guterres.

Dito assim, desta forma, parece cruel. E é. É cruel a realidade que José Sócrates começou por desvalorizar e, depois, passou a omitir. A crise orçamental é um problema grave.

O banco central vem lembrar que, ao contrário do que o primeiro-ministro dizia, essa crise não passa com crescimento económico. Défice público estrutural agrava-se em 2005 e isso nada tem a ver com a conjuntura económica, porque o efeito cíclico está expurgado.

Tal como não tem qualquer relação com receitas extraordinárias. Nem sequer com os juros da dívida pública.

O significado disto é fácil de explicar: as reformas estruturais são, na prática, reduzidas a uma brincadeira. Que não diverte ninguém, uma vez que os impostos não pararam de subir – afinal, a única reforma comum aos orçamentos dos sucessivos governos.

O primeiro-ministro completou o primeiro ano de mandato com frase «o pior está para vir». Efectivamente, Durão Barroso e Santana Lopes quase não promoveram uma reforma com impacto nas raízes dos défices persistentes do Estado.

Seria injusto não reconhecer que Sócrates nada mudou. Porque, nesta matéria, simplesmente ficou pior. E os motivos estão identificados: sistema de pensões, encargos com a saúde, despesas com pessoal.

É verdade que o Governo socialista de Sócrates é diferente do Governo socialista de Guterres. Sócrates anuncia medidas duras. Aumentar a idade de reforma na função pública é uma ousadia que nenhum dos antecessores se atrevera.

Mas que adianta, se a medida só produz efeitos plenos dentro de dez anos? O ministro das Finanças desabafa num programa de televisão que o sistema de segurança social não é sustentável, mas que decisões vão ser tomadas para corrigir a trajectória hoje – e não, outra vez, dentro de cinco ou dez anos?

Sócrates entusiasmou os agentes económicos com um estilo que, no fecho das contas, não produziu resultados. A consolidação orçamental é uma urgência, mas o primeiro-ministro ainda pensa que basta um processo de intenções. Não basta.

E seguir na boa direcção também já não é suficiente. É preciso velocidade. É preciso acabar com a política das meias-tintas. É preciso flexibilizar a economia para preservar o modelo social. Para evitar aumentos de impostos futuros.

O país precisa de um choque de liberdade. Não aquela que Abril nos deu, porque essa já está conquistada. A liberdade que deixe os competentes sobreporem-se aos instalados e os eficazes conquistarem o espaço dos protegidos. Senão continuaremos a viver numa economia de casino. Com a certeza de que, pela primeira vez, a geração seguinte viverá pior do que a anterior.
 


Enfim, julgo que interessante... mesmo que sem nada de especialmente
 novo (o que também fara parte dos nossos problemas).
Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #2 em: Abril 19, 2006, 05:06:17 pm »
JoseMFernandes,

                      embora o Sérgio Figueiredo toca num ponto que realmente é verdade, no entanto parece-me que a sua "crítica" foi encomendada. Senão que se olhe ao objecto de crítica do anuncio do Banco de Portugal e a do Sérgio Figueiredo.

 A economia, seus indicadores estão relancionados mas assim tanto não!!

É certo que é sempre possivel traçar a uma retenção do investimento devido ao défice orçamental, que pode fazer governos aumentarem impostos entre outras medidas, afastando um pouco o investimento...mas assim tanto não!!!

Se realmente tivermos em atenção os conceitos de exportações, investimentos e as balanças de pagamento...bem...a ligação directa com a saúde financeira do estado português é...reduzida....pode-se associar que a quebra das exportações está relancionado com o aumento dos impostos que provém de uma situação delicada do estado português, e tal como já referi, pode influenciar as empresas no momento de decidir em que países investirem.

Também se pode tentar criar uma associação entre a falta de investimento do estado português com a má situação do estado, mas o estado não é quem deve suportar a nível da economia o encargo dos investimentos, mas os privados. Simplesmente deve estímular com peso e medida correcto

No entanto...a ligação entre estes conceitos e o défice orçamental....e aparente incapacidade do estado em tomar decisões fortes relativamente a isto, a meu ver, é díficil de materializar.

Simplesmente o homem aproveitou a oportunidade para "bater" no governo, não que não tenha razão, mas aos meus olhos, a ligação entre as duas notícias é muito ténue.

Já para não falar dos "excessismos" verbais normalmente presentes nalgumas críticas, com o simples objectivo de enraivecer o leitor e vender mais jornais. Exemplo...a última afirmação...claro que não vivi todos os séculos para apontar as falhas, mas posso bem imaginar umas quantas situações onde o caso aconteceu e quando se repetiu..

Pelo menos esta é a minha opinião,

Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #3 em: Abril 19, 2006, 05:06:46 pm »
EDITADO
« Última modificação: Junho 29, 2006, 11:18:47 am por Marauder »
 

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Luso

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« Responder #4 em: Abril 19, 2006, 05:12:31 pm »
Notícias de má gestão tenho-as todos os dias.
De impunidade também.
De laxismo idem.

Aqui o Luso, conhecido como pérfido catastrofista, já tem vindo a alertar para uma situação de crise real resolvida "no duro". Literalmente.
Regressando aos responsáveis actuais, a questão prende-se com a política gerida com base na agenda mediática.
A democracia portuguesa demonstrou ser incapaz de conquistar gente competente e está refém dos incompetentes. Não tenham ilusões que "eles", os da situação, os do "status quo", aqueles para os quais "tudo está bem" nada vão fazer para mudar as coisas.

O texto que o JoseMFernandes nos mostra vai de encontro ao que digo.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Luso

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« Responder #5 em: Abril 19, 2006, 05:16:07 pm »
"Também se pode tentar criar uma associação entre a falta de investimento do estado português com a má situação do estado, mas o estado não é quem deve suportar a nível da economia o encargo dos investimentos, mas os privados. Simplesmente deve estímular com peso e medida correcto"

Eu até já digo que ao menos não atrapalhe!
Alguém sabe como é o licenciamento industrial?
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Marauder

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« Responder #6 em: Abril 19, 2006, 05:28:54 pm »
Citação de: "Luso"
Alguém sabe como é o licenciamento industrial?


Eu não tenho informação alguma sobre isso, mas se voçê tiver, pode disparar à vontade!

O estado deve-se abster da economia, simplesmente criando mecanismos para regular os mercados e seus produtos/serviços.

Como ideia pessoal, penso que deve, caso tenha capital (obviamente), tentar criar empresas de raiz para as lacunas da industria nacional, privatizando-as mais tarde quando assim entender e tiver oportunidade.
 

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Luso

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« Responder #7 em: Abril 19, 2006, 08:57:42 pm »
O licenciamento industrial é muito moroso e complicado: Ministério da Economia, Ambiente, CCDRs, Câmara Municipal, pelo menos. Complicado, demorado e caro. Como diria o tal Presidente / Director na FRESITE num programa dos "Prós e Contras": "...por vezes é perciso forçar a criação de amizadas para que os processos andem mais depressa...". E é assim mesmo. Para não falar de outras coisas... :roll:
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Marauder

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« Responder #8 em: Abril 19, 2006, 11:02:29 pm »
Citação de: "Luso"
O licenciamento industrial é muito moroso e complicado: Ministério da Economia, Ambiente, CCDRs, Câmara Municipal, pelo menos. Complicado, demorado e caro. Como diria o tal Presidente / Director na FRESITE num programa dos "Prós e Contras": "...por vezes é perciso forçar a criação de amizadas para que os processos andem mais depressa...". E é assim mesmo. Para não falar de outras coisas... :roll:


Sim, a velocidade do processo depende do "nosso" empenhamento, isto é, quanto estamos dispostos a investir em "prendas"..
 

 

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