O estado da democracia

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emarques

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« Responder #15 em: Abril 27, 2004, 09:42:03 pm »
Citação de: "dremanu"
Emarques:

Onde é que vc foi buscar a ideia que eu não gosto de democracia?

Eu não disse que o dremanu não gosta de democracia, longe de mim andar a atribuir opiniões a outros. O que eu queria dizer é que, uma vez que não concorda com a forma como se elegem os representantes do povo português, está de certa forma descontente com o funcionamento da democracia portuguesa. Como os outros quarenta e tal por cento da sondagem.

Citação de: "Ricardo Nunes"
Voto nulo ( abstenção ) pode ser intrepertado como simples falta de vontade de ir às urnas ( que é o que normalmente acontece ).


Por acaso agora não me lembro se os votos anulados e as abstenções são são incluídos na mesma categoria de contagem. Mas, como diz o Luso, anular o voto (assinalar todos os partidos, criar um "novo Partido Todos Iguais" e votar nele, ou outras opções) evita fraudes de contagem. Não seria a primeira vez que um qualquer escrutinador menos escrupuloso levava uma caneta no bolso e conseguia mais uns votos para o seu partido.
Ai que eco que há aqui!
Que eco é?
É o eco que há cá.
Há cá eco, é?!
Há cá eco, há.
 

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« Responder #16 em: Abril 27, 2004, 10:07:23 pm »
emarques escreveu:

"Por acaso agora não me lembro se os votos anulados e as abstenções são são incluídos na mesma categoria de contagem."

Para esclarecer dúvidas:

"(...) De facto, o voto em branco é legítimo e previsto na lei. Em cada acto eleitoral, cada cidadão pode abster-se, votar num dos partidos que concorrem, votar em branco ou fazer um voto nulo. Os votos brancos, tal como os nulos, são contados. Mas a atribuição de lugares é feita só a partir dos votos expresso nas forças políticas. Ou seja, há x por cento de abstenção, n por cento de votos nulos, y de votos em branco, z de votos expressos. É desse z que se fazem, depois, as percentagens para atribuição de lugares no Parlamento, por exemplo. (...)"

Isto foi tirado de um artigo do "Público"
http://jornal.publico.pt/2004/03/31/Nac ... 0CX01.html
"If you don't have losses, you're not doing enough" - Rear Admiral Richard K. Turner
 

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Luso

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« Responder #17 em: Abril 27, 2004, 10:17:20 pm »
JNSA, agradeço as amáveis palavras, e concedo-lhe alguma razão quando diz que nem tudo está perdido...
Pouca razão mas alguma.

Por vezes dou comigo a dormir péssimamente porque não consigo implementar determinadas situações que eu tenho a certeza que seriam fundamentais para aproveitar potencialidades económicas e de negócio e gerar emprego e riqueza.
Porquê?
Porque que se prefere estoirar o dinheiro em festas e mariquices efémeras. Para aparecer e ser reeleito (não estou a falar de ti, Santana).

Mas vejo que já haverá alguns neurónios a mudar de opinião. Mas são muito poucos e temo que desapareçam. O que prevejo é que, para uma pequena mudança - que para qualquer um de nós neste fórum aceitaria como elementar - é necessário o tempo de várias gerações. Várias!!
E o que me custa aceitar é essa enorme perda de tempo, oportunidades e recursos. E depois falo e lixo-me.

"Por acaso agora não me lembro se os votos anulados e as abstenções são são incluídos na mesma categoria de contagem. Mas, como diz o Luso, anular o voto (assinalar todos os partidos, criar um "novo Partido Todos Iguais" e votar nele, ou outras opções) evita fraudes de contagem. Não seria a primeira vez que um qualquer escrutinador menos escrupuloso levava uma caneta no bolso e conseguia mais uns votos para o seu partido."

Ora nem mais. Eu já defendia o voto em branco desde que andava na faculdade há uns bons anos, até que uma bela menina - que infelizmente tinha um ar demasiado grunge - me alertava para essa hipótese de fraude.
Não é que as mulheres são também capazes de instantes de brilhantismo??

"E se infelizmente os demagogos e os "bem-falantes" ganham vezes demais, é porque as pessoas não os sabem distinguir de quem é verdadeiramente competente."

Eu fui um ferveroso apoiante do Portas...
"Live and learn".
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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dremanu

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« Responder #18 em: Abril 28, 2004, 12:14:47 am »
Amigo Ricardo, desculpe so o ofendi, não foi a minha intenção de o fazer de forma alguma. Os meus comentários eram referências aos nossos "ilustres" membros do governo, que gostam de olhar para o povo Português como uma massa de gente burra.

E a solução para o povo votar parte exatamente daquilo que eu falei na minha mensagem, vota-se numa face, que é conhecida pela, e fáz parte da, comunidade que será representada na AR. Hoje em dia, e com exceção do PM e PR, vota-se num partido, sem se saber se o representante desse partido, para essa comunidade, é a melhor escolha entre todos candidatos disponíveis para representar essa comunidade, entre todos os partidos.

O povo acaba por ter alguém que o representa, sem saber quem é essa pessoa, sem saber como pode falar com essa pessoa, e sem ter alguém que de tempos a tempos os visite pare explicar qual é o trabalho que está a ser feito na AR a favor da nação, e qual é o impacto que esse trabalho terá não só na realidade nacional, mas também na realidade local. E ao mesmo tempo, "tira-se" ao povo a oportunidade de elevar os problemas regionais que os afetam, e que requerem apoio nacional para que sejám resolvidos, aos ouvidos dos outros representantes de todas as comunidades de Portugal.

Por isso o povo se sente "fora" do sistema. Como se podem sentir incluidos? E como podem TODOS os membros da AR, conhecer todas as realidades locais que afetam as várias comunidades do nosso país, ou o reverso, as realidades regionais que afetam a realidade nacional? Um minhoto de Viana do Castelo, e um algarvio de Faro, com certeza têm muito em comum um com o outro, e podem ser amigos, colegas, primos, etc...ao fim ao cabo ambos são Portuguêses, mas o minhoto que viveu toda a vida no Minho, com certeza será mais conhecido pelas gentes da terra, do que o Algarvio que viveu toda a vida em Faro e que pouco conhece sobre quem mora naquela aldeia, vila, ou cidade.

O sistema que hoje em dia nós temos está PODRE, passou à história, só funciona para quem fáz parte dele, e tem poder de influênciar o mesmo. Enquanto estiver no sistema toda a geração que foi formada antes do 25 de Abril, não teremos evolução, ou será uma evolução ao passo de tartaruga.  
 
Para se mudar o sistema tem que se fazer parte do sistema, e para se fazer parte do sistema, tem que se alinhar com a corrupção do mesmo. Está é a perfidez maquiavélica das oligarquias, das máfias, que sistemáticamente perpétuam a corrupção, fazendo dela algo normal, aceitável, desejável.

Nenhum sistema democrático é perfeito, já se debatem este tipo de questões desde o tempo das democracias dos Gregos. Se alguém ler o livro "A República" do filósofo Plato, encontra temas que tocam sobre o que nós estamos a conversar.

Acredito que o sistema só mudará quando tivermos um líder, com coragem, e que se rodeie de homens e mulheres corajosos da mesma forma, e que estejam dispostos a lutar com unhas e dentes contra os interesses estabelecidos para que se possa fazer a mudança. Até lá resta-nos votar no bloco central. ;_)

Bom, estas são as minhas opiniões....

P.S. Luso, Estou ao seu lado companheiro, onde está um novo Marquês de Pombal, ou um novo D.Diniz...
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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dremanu

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« Responder #19 em: Abril 28, 2004, 12:20:49 am »
Quanto aos impostos...

Impostos pagam-se para que se tenha:

- Boas escolas
- Bons hospitais
- Boas estradas
- Bom sistema policial
- Bom atendimento nos serviços do governo
- Bom sistema de justiça que resolva os problemas do cidadão de uma forma rápida e eficaz
- Boas forças armadas que estejam preparadas para defender o país
- Bom sistema de transportes públicos
- Limpeza nas cidades e praias
- Bom fiscalização por parte do governo sobre todas as indústrias que ofereçem serviços e produtos, ao público, assegurando a qualidade daquilo que se consome

Qual seria a avaliação geral que vocês fariam sobre cada uma destas diferentes áreas?

Quem paga impostos:

- Trabalhadores
- Pequenas e médias empresas
- Grandes empresas

Qual destes grupos foge mais ao pagamento de impostos? E porquê?

- Será porque desconhecem onde o dinheiro será empregue? Ou porque não vêm ao seu redor uma melhoria nas infraestruturas do país, que supostamente são pagas através dos impostos. Ou será porque o governo tem medo de apregoar na praça pública, os gastos que faz em diferenteas áreas sociais do país? Assim evita de ser criticado, e de ter as suas contas avaliadas.
- Será por que têm sálarios baixos?
- Será porque o sistema burocrático é ineficaz, caro, e visto como injusto?
- Será porque existe facilitismo por parte do governo, que cria leis para que grandes grupos económicos assentem escritórios e fábricas em Portugal, em troco por uma carga tributária menor?
- Será que é porque que o governo não persegue e aprisiona quem não paga impostos? Eliminando-se assim o medo de sofrer represálias por parte do governo quando não se paga aquilo que deve ao mesmo?

Tem que se pagar impostos, mas é importante entender os factores socio-económicos que afetam a avaliação do custo/benefício, por parte dos pagantes. O mais importante é existir uma percepção global de que o sistema tributário é justo, produz resultados reais, e existem consequências sérias e reais para quem não paga aquilo que deve.

O que vocês acham que existe hoje em dia em Portugal?
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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JNSA

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« Responder #20 em: Abril 28, 2004, 05:47:22 pm »
Citar
O sistema que hoje em dia nós temos está PODRE, passou à história, só funciona para quem fáz parte dele, e tem poder de influênciar o mesmo. Enquanto estiver no sistema toda a geração que foi formada antes do 25 de Abril, não teremos evolução, ou será uma evolução ao passo de tartaruga.

Para se mudar o sistema tem que se fazer parte do sistema, e para se fazer parte do sistema, tem que se alinhar com a corrupção do mesmo. Está é a perfidez maquiavélica das oligarquias, das máfias, que sistemáticamente perpétuam a corrupção, fazendo dela algo normal, aceitável, desejável.

Nenhum sistema democrático é perfeito, já se debatem este tipo de questões desde o tempo das democracias dos Gregos. Se alguém ler o livro "A República" do filósofo Plato, encontra temas que tocam sobre o que nós estamos a conversar.

Acredito que o sistema só mudará quando tivermos um líder, com coragem, e que se rodeie de homens e mulheres corajosos da mesma forma, e que estejam dispostos a lutar com unhas e dentes contra os interesses estabelecidos para que se possa fazer a mudança. Até lá resta-nos votar no bloco central. ;_)

Bom, estas são as minhas opiniões....

P.S. Luso, Estou ao seu lado companheiro, onde está um novo Marquês de Pombal, ou um novo D.Diniz...


Caro dremanu, era difícil eu discordar mais consigo  :evil:

Foi a pensar assim que Saddam, Kadafi, Hitler, Mussolini, Franco e tantos outros chegaram ao poder... Foi a pensar assim que largas fatias da população os apoiaram...

Pura e simplesmente recuso-me a entregar o poder nas mãos de alguém que não elegi, e de quem não posso discordar, só porque ele é o salvador da pátria  :evil:

Sorry, Luso, estas minhas palavras não tinham um segundo sentido  :wink:

Abraços
JNSA
 

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Luso

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« Responder #21 em: Abril 28, 2004, 08:54:53 pm »
"Pura e simplesmente recuso-me a entregar o poder nas mãos de alguém que não elegi, e de quem não posso discordar, só porque ele é o salvador da pátria"

JNSA, pode recusar mas isso não lhe adianta nada. Quem manda realmente não são os que elege. Muito longe disso! Não falo aqui dos interesses ocultos sequer - que existem - mas falo sim de pessoas como a Sr.ª Conservadora do Registo Predial, o senhor vereador eleito em 4.º ou 5.º lugar e que ninguém conhece e que só integrou a lista porque tem um curso superior para que o partido apoiante pudesse dizer que tem a lista mais "competente". E o Director de Departamento de Planeamento que decide por onde irá passar a estrada sobre o teu terreno, é o assessor do Sr. Presidente da Câmara que preenche os inúmeros vazios das imensas cabeças ocas... que foram eleitas e que legitimam os sonhos delirantes, como construir um munumento ao mílénio por milhares de € no teu terreno que expropriaram ao preço da uva mijona, e de os interesses obscuros de outros que vão poder comprar a preço da chuva o que sobra do teu terreno para construir um arranha-céus. É assim!
O poder é dos eleitos?
Eles nem sequer tem coragem para decidir as ideias dos outros quanto mais terem eles ideias próprias!

"Quanto à geração formada antes do 25 de Abril, lembro que mostrou muito mais dinamismo e vontade de mudança ao fazer a Revolução"

As almas sensíveis das juventudes estudantis tachistas esmagadoramente constituidas por meninos e meninas bem de boas famílias;

Os militares que queriam ver o seu estatuto valorizado face aos oficiais milicianos ou "formados aceleradamente";

Os traidores;

Os sonhadores imaturos (por mais barba qe pudessem ter) que vivem no mundo da lua, como escape à sua incompetência.

Os cavalheiros da velha senhora já não passavam de velhinhos frouxos, sem energia, pouco viris e agressivos. Moles. E por isso também traidores.

A juventude de agora quer telemóveis, nintendos, cabelos com gel, seguir a moda como as raparigas e ouvir aquelas bandas de tipos que grunhem. E quem os fez assim, quem foi?

"O homem foi feito para lutar, para guerrear!"

Não tenham dúvidas disso!
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