Fusão Gaz de France/Suez

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Marauder

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Fusão Gaz de France/Suez
« em: Fevereiro 27, 2006, 10:08:00 am »
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GDF/Suez: Administrações das energéticas ultimam fusão decidida por Paris

As administrações das empresas Gás de França (GDF) e Suez afinaram no domingo a modalidade em que decorrerá a fusão de ambas decidia sábado pelo governo de Paris para evitar a entrada de capitais italianos no sector.


Da absorção do privado Suez pela pública GDF irá resultar um dos principais gigantes privados do sector da energia.

O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, anunciou a fusão cinco dias depois de o grupo eléctrico italiano Enel ter manifestado interesse em adquirir a Suez.

Neste negócio falta ainda decidir que participação terá o estado francês, que detém 80,2% do capital da GDF.

Com a fusão, o Estado irá ficar na posse de entre 35% e 45% do capital do novo grupo, segundo fontes contactadas pela AFP.

O ministro das Finanças francês, Thierry Breton, declarou hoje que a participação estatal nunca será inferior a 34% das acções, o mínimo para ter direito de veto.

A fusão entre o grupo Suez - o 5º no sector da electricidade e o 6º no do gás na Europa - e a GDF - o segundo operador de gás - irá representar 70 mil milhões de euros em bolsa.

à frente deste grupo estará apenas a Electricidade de França, com uma capitalização de 80 mil milhões de euros.

Diário Digital / Lusa

de:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_d ... news=63828

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GDF/Suez: Estado francês fica com 34% do novo grupo

O Estado francês irá ser o principal accionista do grupo que resultará da fusão da Gás de França com o Suez, com pouco mais de 34% do capital, disse hoje um dos negociadores da fusão.


A participação do Estado é a suficiente para ter poder de decisão entre os accionistas da futura empresa, que será um dos principais grupos do sector energético.

«É uma fusão da Gás de França (GDF) sobre o Suez», adiantou a mesma fonte, citada pela AFP, explicando que o esquema foi determinado «por questões fiscais e legais».

A operação foi desencadeada após a eléctrica italiana Enel ter lançado a semana passada uma OPA sobre o grupo Suez.

As modalidades da operação de fusão, anunciada sábado à noite pelo primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, e particularmente as paridades foram votadas pelo conselho de administração da GDF.

Em função das valorizações em bolsa na sexta-feira, a participação estatal poderá ser de 34,5%.

O segundo accionista será o financeiro Albert Frère, cuja participação passará de 7,2% (que detinha na GDF) para 4,1%.

Diário Digital / Lusa


de:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_d ... news=63827

Mais um gigante que vai surgir...
 

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JoseMFernandes

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« Responder #1 em: Fevereiro 27, 2006, 11:22:38 am »
Na realidade a participaçao do Estado frances devera ser de 40%  contando com as   participaçoes indirectas, como reconheceu o ministro frances da Economia Thierry Breton.Como é de calcular os sindicatos entraram em ebuliçao, receando consequencias sérias sobre 'o emprego, tarifas e o investimento', uma reaçao previsivel ( o numero e valor de  regalias e privilégios  detidos pelos funcionarios é impressionante !) face ao que consideram uma 'privatizaçao' da GDF.No entanto os dois grupos  emitiram um comunicado manifestando a vontade de o nivel de emprego, estatutos profissionais e obrigaçoes do serviço publico nao serem afectados por esta fusao, a qual se preve estar concretizada no 2`semestre deste ano.
Obviamente os italianos estao desagradados com esta 'resposta' francesa,que  o ministro da Industria italiano Scajola qualificou de 'neoproteccionismo' e que punha em causa 'o destino politico e economico da Uniao Europeia'  sendo 'uma enorme violaçao do direito comunitario'.
Penso que os italianos terao as suas razoes, e esta 'intervençao' clara do governo frances (liberal ainda por cima!)  ainda fara correr alguma tinta...
 

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Marauder

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« Responder #2 em: Fevereiro 27, 2006, 11:42:35 am »
Curioso...uma parte fala de privatização e uma outra de nacionalização eheh..

    Os sindicatos já deveriam saber que estão a cantar a musica errada. O sector energético na UE é para ser privatizado, doa a quem doer. Já à um ano atrás andavam todos a chorar que não queriam privatizar a EDF.

   Os italianos até tem razão, a meu ver esta operação é uma nacionalização encapotada da Suez, uma nova forma de neoproteccionismo. Mas toda a gente o pratica desde que a UE não levante problemas.

   Em termos de sinergias resultantes da futura fusão, se esta for avante. Como são duas áreas distintas, penso que a nível operacional e tático não haverá muitas mudanças. Ao nível da tomada de decisões haverá sim uma redução.....o bicho não pode ter duas cabeças  :wink: ...mas é mais esperar para ver.

   Estranho é a UE não ter (pelo menos penso que não tem) regras directas relativamente a estas operações. Terá claro de ir à Autoridade para a Concorrencia e ser decidido. As nacionalizações estão proibidas pelas UE, mas...isto no fundo o que é? É uma empresa publica que se privatiza um pouco, e uma privada que se nacionaliza de forma encapotada a meu ver.

  Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #3 em: Fevereiro 27, 2006, 07:38:41 pm »
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GdF/Suez: Itália acusa França de violar lei comunitária

O governo italiano considerou hoje uma «enorme violação do direito comunitário» a decisão do executivo francês de concentrar a Gaz de France e a Suez, para impedir uma oferta pública de aquisição (OPA) da italiana Enel sobre a última.


«Estamos perante uma enorme violação do direito comunitário e do mercado livre», declarou o ministro da indústria Cláudio Scajola numa entrevista ao diário Stampa, anunciando a intenção de recorrer às instâncias europeias.

«Trata-se de uma acção gravíssima do governo francês que mobilizou importantes recursos financeiros para efectuar um raide que trava o mercado livre«, prosseguiu o ministro que anulou um encontro previsto para hoje com o seu homólogo francês, François Loos.

«Ao tornar-se campeã de uma posição neoproteccionista, a França causa danos aos cidadãos consumidores e às empresas», acrescentou Scajola.

«Perguntamos à Comissão Europeia: Onde está? Faça-se respeitar! Há sanções previstas para quem não respeita as regras«, afirmou o ministro, próximo do chefe do governo, Sílvio Berlusconi.

Em plena reorganização do sector energético europeu, a fusão Suez/Gaz de France, anunciada sábado pelo governo francês, fechou a porta à Enel, terceiro grupo energético europeu.

Na quarta-feira, a Enel surpreendeu o mercado ao manifestar a intenção de lançar uma OPA sobre a Suez, para tomar o controlo da filial Electrabel.

Diário Digital / Lusa


de:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_d ... news=63846

Nem acredito que estou a concordar com o Berlusconi...mas o homem tem razão!!
 

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Marauder

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« Responder #4 em: Fevereiro 27, 2006, 08:15:20 pm »
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GdF/Suez: Postos de trabalho mantêm-se apesar de fusão

A fusão entre a Gaz de France e o grupo de energia e meio ambiente Suez não conduzirá a qualquer redução de postos de trabalho, asseguraram hoje os dois grupos, num comunicado conjunto.


No comunicado, a gasífera pública Gaz de France e o grupo Suez indicam ainda que a fusão será efectiva a partir do segundo semestre de 2006.

Entretanto, o ministro da Economia francês, Thierry Breton, esclareceu também hoje que será a Gaz de France a absorver a Suez.

O grupo constituído pela Suez e pela Gaz de France será um dos grupos líderes da energia mundial, «número um na comercialização do gás, líder mundial no gás natural liquefeito, número três da electricidade na Europa», indicou Breton em declarações à rádio privada RTL.

Confrontado, na semana passada, com a manifestação de interesse do grupo energético italiano Enel em comprar a Suez, o governo francês lançou esta fusão para formar um gigante francês e europeu da energia.

A Suez e a Gaz de France trabalhavam neste projecto «desde o final do Outono», sublinhou Breton.

A parte directa do Estado no novo conjunto será de «34% a 35%», segundo Breton, e com «as suas participações indirectas», a participação estatal «deverá ser globalmente um pouco inferior a 40%».

Desta forma, a operação significa a privatização de Gaz de France, detido actualmente em 80,2% pelo Estado.

A lei terá no entanto, de ser alterada para permitir a fusão porque prevê actualmente que o Estado deve deter pelo menos 70% do capital da Gaz de France.

O governo francês pretende pedir ao Parlamento que altere esta lei nos próximos dois ou três meses, afirmou o ministro, mas destacando que será o parlamento a «decidir».

A Itália acolheu mal esta aliança francesa anunciada para impedir a OPA da Enel, terceiro grupo energético europeu, detido a 30% pelo Estado italiano.

O ministro da Indústria Cláudio Scajola considerou hoje que a fusão Suez-Gaz de France representava «uma enorme violação do direito comunitário», acrescentando que poderá levar o caso perante as instâncias da União europeia.

Diário Digital / Lusa


de:
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_d ... news=63855

Aparentemente não haverá alterações a nivel dos postos de trabalho.
Mas o interessante nesta operação é o conflicto França-Itália que está a surgir.
 

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Marauder

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« Responder #5 em: Fevereiro 28, 2006, 12:55:28 pm »
GdF/Suez: Governo francês refuta acusações de proteccionismo sobre fusão
http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_d ... news=63885

 Nada que não surpreenda ninguem..e não acrescenta muita novidade ao caso.
 

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JoseMFernandes

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« Responder #6 em: Fevereiro 28, 2006, 02:34:05 pm »
Marginalmente este negocio tem outras repercussoes, como por exemplo aqui na Bélgica.
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A perspectiva de uma uniao entre Gaz de France e SUEZ. esta a passar com muita dificuldade na Bélgica,  onde muitos pensam que o seu mercado de energia venha a ser praticamente 'anexado' pela França, se esta operaçao se realizar.
Os ecologistas(partido verde com razoavel representaçao) criticam o governo de de Guy Verhofstadt, que teria negligenciado a dimensao estratégica do dossier desde a 'tomada' na totalidade da Electrabel(comp.electric.belga) por Suez a sua casa-mae, em agosto passado.Entao o governo teria obtido garantia que os centros de decisao de Electrabel, que emprega 11 000 pessoas, seriam mantidos em Bruxelas, e as autarquias tinham exigido, no que lhes diz respeito, a manter um direito de controle sobre os sete reactores nucleares do reino belga.
Alguns observadores sublinham hoje que a gestao dos 4 000 milhoes de Euros,  ja aprovisionados pelo governo belga para o desmantelamento das centrais- em 2015 em principio- sera na realidade dos factos confiada ao Estado Frances, que se constitui como principal accionista da SUEZ.
Esta empresa controla 91% da produçao de electricidade belga.O grupo SUEZ assegura também praticamente 2/3 da venda de gaz na Valonia e Flandres, sendo a maior parte do que resta controlado pelo Gaz de France.
Sem o  confessar oficialmente, o governo belga inquieta-se com esta evoluçao, assim como pelas garantias obtidas pela Electrabel.


A organizaçao belga de defesa de consumidores TEST ACHATS ( que por sinal detem e controla a portuguesa PROTESTE)  considera 'inaceitavel ' o projecto de fusao que levaria a um retorno de concentraçao do mercado e penalisando os utilizadores.Esta critica é de resto apoiada pelo governo regional da Flandres que convidou as autoridades federais sobre concorrencia a debruçar-se sobre o dossier. "Sinto que os oligopolios se estao a constituir, eliminando o objectivo da liberalizaçao" disse Kris Peeters, ministro flamengo da energia.
Recordo que as empresas deste 'novo' grupo estao bem implantadas nao so em França como no BENELUX e 'espera tirar proveito da convergencia gas-electricidade:
- multiplicaçao de centrais eléctricas a gas
-ofertas combinadas das duas energias aos privados aquando da    abertura  total do mercado em 1 de Julho de 2007
Sera entao o n°1 mundial de gas natural liquefeito(um mercado em plena expansao com a colocaçao ao serviço em breve de jazigos russos, do Qatar, Irao) dispondo de um peso financeiro de choque para investir nas infraestruturas (gazodutos, sitios de stockagem, fabricas de liquefacçao, centrais nucleares...) bem como na exploraçao-produçao de gas, embora obviamente sempre dependente dos preços negociados com os fornecedores (como a GAZPROM) e as tarifas regulamentadas impostas pelo governo.
A Comissao Europeia tem escassa margem para contrariar a manobra francesa.Os mercados de energia, estanques, dominados pelos antigos monopolios nacionais nao tem permitido até agora fazer  jogar a concorrencia  e obter baixas de preços.A  Comissao pretende atacar rapidamente as praticas anti-concorrencia da França e Alemanha por exemplo, mas tem muita dificuldade em impor as suas regras, das quais certos paises se conseguem escapar 'de facto'.Em 2002, o Tribunal de Justiça Europeu obrigou Madrid e Roma a 'desbloquearem' a EDF que multiplicava aquisiçoes, ao mesmo tempo que se protegia no seu monopolio em França. Zapatero, furioso por nao poder constituir um forte grupo espanhol, tentou opor-se ao raid da E.ON.Silvio Berlusconi que se vira obrigado que deixar a EDISON ser 'caçada' pela EDF, recusa  renunciar agora ao negocio da ENEL perante a SUEZ e pede a Comissao para intervir.
Paris justifica-se expondo uma estratégia aparentemente europeia 'nao podemos ter um produtor(gazprom) que impoe as suas condiçoes a uma miriade de compradores"  e   "é preciso ter capacidade financeira para relançar o nuclear, mesmo que se belisquem principios de concorrencia que por vezes sao nefastos para o investimento".Na realidade dos factos os Estados recusam ter uma politica verdadeiramente comum numa Europa dividida.Ingleses e Holandeses querem controlar 100% dos hidrocarburos, os Franceses querem fazer o que entendem em matéria de nuclear, os Alemaes, Austriacos e Italianos nao querem centrais atomicas nas suas casas mas aproveitam a dos vizinhos.Mesmo as propostas da Comissao referentes a gestao de stocks energéticos por ex. sao rejeitadas pelos Estados  ciosos de preservar as suas prerrogativas.

Recorri-me de textos e informaçoes hoje publicados em diversos orgaos franceses e belgas.'Le Monde' 'Le Soir' 'Les Echos'...

Finalizo  citando
Franco Frattini, vice-presidente da Comissao Europeia:
" Esta fusao nao é ilegal, mas representa um golpe no espirito do mercado comum europeu "

o (desgostado) deputado europeu frances Gilles Savary:
"Abrimos o mercado da energia, mas nao o da politica energética"

e José Manuel Barroso
" Nao é com 25 mini-mercados de energia que a Europa fara face a mundializaçao "

Cumprimentos
 

 

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