Tensão em Timor Leste

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Nuno Bento

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Tensão em Timor Leste
« em: Janeiro 30, 2006, 08:19:51 am »
Timor-Leste:PR Xanana vê sem surpresa anulação de encontro presidente indonésio

 
Díli, 28 Jan (Lusa) - O cancelamento do encontro previsto para sexta-feira, em Jacarta, entre os presidentes de Timor-Leste e da Indonésia não surpreendeu o presidente timorense, afirmou hoje Xanana Gusmão à Agência Lusa.

"Não fiquei desapontado", respondeu Xanana Gusmão.

O presidente timorense falava à chegada a Díli após uma deslocação a Nova Iorque, onde entregou ao secretário-geral da ONU cópia do relatório que descreve, entre outras, as violações dos direitos humanos e os crimes contra a Humanidade, perpetrados pela Indonésia durante os 24 aos de ocupação de Timor-Leste.

Questionado se o cancelamento do encontro, pela presidência indonésia se deveu a pressões de "sectores mais retrógrados" ligados ao antigo regime de Jacarta, Xanana Gusmão optou por responder que não era analista político.

"Pode considerar-se assim, mas eu não sou analista político.

Mas pode considerar-se assim, nesse quadro", repetiu.

Xanana Gusmão tinha previsto um encontro para sexta-feira, em Jacarta, com o seu homólogo Susilo Bambang Yudhoyono, com quem tinha combinado há cerca de um mês a entrega do documento.

O relatório, elaborado pela Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), passa em revista as violações dos direitos humanos e os crimes contra a Humanidade perpetrados em Timor-Leste entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Outubro de 1999.

Ao longo de 2.500 páginas, o documento reporta em pormenor as atrocidades indonésias, entretanto desmentidas pelas autoridades de Jacarta, que nega que 183 mil pessoas tenham sido mortas durante os 24 anos de ocupação.

Xanana Gusmão acrescentou, entretanto, que na próxima semana vai iniciar a distribuição de cópias do documento, intitulado "Chega!", às embaixadas dos países referenciados no relatório, entre os quais Portugal.

Em seguida, será a vez das organizações de defesa dos direitos humanos receberem igualmente cópia do documento, destacou.

A divulgação ao público, de forma mais alargada, terá de aguardar condições financeiras mais favoráveis para ser concretizada.

De acordo com o relatório, a cujo Sumário Executivo a Agência Lusa teve acesso, pelo menos 183 mil pessoas terão sido mortas durante os 24 anos da ocupação indonésia de Timor-Leste.

O relatório, que na versão portuguesa tem cerca de 2.500 páginas, salienta que 70 por cento das mortes ocorreram às mãos das forças de segurança indonésias e de milícias timorenses treinadas e armadas por Jacarta.

A grande quantidade de pormenores sangrentos das violações aos direitos humanos, que segundo a CAVR envolveu as forças de segurança indonésias e as milícias timorenses e, nalguns casos, a própria FRETILIN, está na base da decisão dos líderes políticos timorenses em salvaguardar as conclusões e proceder de forma calculada à sua divulgação, o que deverá acontecer até Junho próximo.

Escrito a partir de 18 meses de trabalho no terreno, onde foram realizadas mais de 1.500 acções de reconciliação comunitária, com vítimas e violadores frente a frente, e identificadas mais de 8.000 vítimas, o relatório foi intitulado "Chega!", expressão que representa um alerta às consciências para que o que se passou nunca mais se repita.

O rol de violações descrito varia entre execuções colectivas a deslocamentos forçados da população civil, passando por estupros, actos de tortura e abusos de crianças.

O documento assinala vários crimes, designadamente o massacre de 160 guerrilheiros da FRETILIN e familiares, perpetrado em Setembro de 1981 nas encostas do Monte Aitana, entre os distritos de Manatuto e Viqueque, a sudeste de Díli.

Esta acção foi definida pela CAVR como fazendo parte da chamada Operação Kikis, uma iniciativa levada a cabo pelos indonésios ao longo de dois meses naquela região.

Sobre os acontecimentos de 1999, designadamente em Agosto desse ano, quando se realizou a consulta popular patrocinada pelas Nações Unidas e em que a população timorense optou pela independência, o relatório considera que as acções de destruição encetadas por Jacarta corresponderam a uma estratégia precisa, gizada pelo comando militar indonésio, ao mais alto nível, não resultando de acções descontroladas ou actos individuais de militares indonésios.

"Membros da administração civil de Timor-Leste e funcionários governamentais, incluindo ministros, estavam a par da estratégia levada a cabo no terreno, e não tomaram nenhuma medida para a impedir de ser executada", destaca o documento.

Em cada caso de violação dos direitos humanos apenas são identificadas as unidades militares.

A identificação dos responsáveis individuais, cujo número não é revelado, está codificada e a lista secreta está em poder de Xanana Gusmão.

O relatório destaca que entre 1977 e 1979, pelo menos 84.200 pessoas morreram de fome e doença, em resultado das transferências forçadas de populações para campos fortemente controlados pelos militares indonésios.

Peça da história recente de Timor-Leste, o relatório é agora também motivo de disputa política, com as organizações de direitos humanos e a hierarquia católica timorense a pressionarem no sentido da divulgação, enquanto os órgãos de soberania de Timor-Leste insistem no controlo da sua difusão.

EL.

Lusa/Fim
 

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Rui Elias

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« Responder #1 em: Janeiro 31, 2006, 04:23:26 pm »
Pode tratar-se de um "amuo" dos indonésios, perante os resultados desse relatório.

A mim, parece-me um relatório equilibrado, já que até faz referência a abusos cometidos pela FRETILIN (partido no poder actualmente) durante a guerra civil em 75.

Mas para Timor é importante que a aproximação a Jakarta continue, para que se livre das tetações hegemónicas que a Austrália tem sobre esse pequeno país.

E acredito que com o tempo, o "amuo" dos indonésios passe.
 

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Nuno Bento

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« Responder #2 em: Fevereiro 01, 2006, 12:26:31 am »
Esses lanchas estiveram algum tempo inoperacionais por falta de manutenção mas agora já voltaram ao activo
 

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JoseMFernandes

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« Responder #3 em: Março 13, 2006, 01:38:45 pm »
Da revista ECONOMIST, 9/3/2006
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Timor-Leste

Free but hungry
Mar 9th 2006
From The Economist print edition

Destitution in the world's youngest country


LIFE has only become more wretched for the 1m inhabitants of Timor-Leste (formerly East Timor) since it achieved full independence from Indonesia in 2002. The country was born the poorest in South-East Asia: and its economy has shrivelled further as the United Nations' peacekeeping operations have wound down, reducing demand for everything from hotel rooms to transport. It is set to shrink yet further after the mandate of UNOTIL, the UN office in the country, expires in May.

The pity is that the country can afford to do much better. A report published this week by the UN Development Programme shows that revenues from offshore oil and gas fields could reduce poverty dramatically—if the government spent the revenue wisely.

 
 
The UNDP sets the poverty line for Timor-Leste at 55 American cents a day. Around 40% of the population has less than this, so hunger is widespread. Only half of rural households have drinking-water on tap, and only a tenth have electricity. With health clinics few and far between, almost one in ten babies die before their first birthday.

Timor-Leste's population is small, at about 1m people. So relieving the worst of the poverty should, in theory, be cheap. The UNDP calculates that it would cost $18m a year for everyone below the 55-cent poverty line to be brought up to it. Even achieving the UN's Millennium Goals for relieving want (including better education and health) by 2015 would cost Timor-Leste $203m a year at most. This, too, should be affordable given the aid on offer and the growing oil and gas income. The country receives energy revenues of around $158m a year, and their sustainability has been underpinned by a recent deal with Australia to divide the proceeds from a big gas field in the sea between the two countries.

However, the government has so far spent most of its money in Dili, the capital. Only about a fifth of state-provided goods and services go to rural areas, where most people live and where poverty is concentrated. People in the rural areas urgently need micro-credit and training to improve and diversify their crops, as well as better sanitation and roads. Unless this changes, the Timorese will remain, as the UNDP puts it, politically free but chained by poverty.

 

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Rui Elias

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« Responder #4 em: Abril 28, 2006, 09:22:51 am »
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Timor: confrontos com polícia e carros incendiados

2006/04/28 | 08:27 in:
www.portugaldiario.iol.pt


Militares contestatários voltaram a manifestar-se. Um polícia ficou ferido
 


Incidentes graves junto ao Palácio do Governo registaram-se hoje em Timor-leste ao princípio da tarde (hora local), na sequência da manifestação que desde segunda-feira militares contestatários mantêm em Dili. Um polícia ficou ferido na sequência dos confrontos com os militares contestatários.

Os incidentes coincidiram com o final de um encontro de empresários no principal hotel da capital de Timor-leste, onde estava previsto um almoço com a participação do Presidente da República, Xanana Gusmão, e do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, além de outros membros do governo.

Cerca das 13:30 locais (05:30 em Lisboa), uma viatura da Polícia passou junto ao hotel e informou, através de um megafone, que os manifestantes tinham «atacado» o Palácio do Governo, sem dar mais pormenores. Xanana Gusmão e Mari Alkatiri foram rapidamente retirados do local, enquanto se ouviam disparos na rua.

Populares que testemunharam os confrontos no local da manifestação declararam à Lusa que os manifestantes furaram as barreiras policiais nessa zona da cidade, a cerca de 100 metros do Palácio do Governo. Os polícias, indicaram à Lusa os mesmos populares, recuaram perante os militares contestatários.

Vários carros que estavam estacionados no parque defronte do Palácio do Governo foram queimados durante os confrontos, declararam as mesmas testemunhas. O Palácio do Governo ficou com muitas janelas partidas.

Uma fonte da embaixada portuguesa disse à Lusa que até ao momento não teve qualquer informação de maus tratos a cidadãos portugueses no território. Também não há notícia de outras vítimas dos incidentes.

O gabinete do primeiro-ministro tinha distribuído hoje uma nota em que afirmava que a partir de agora a manifestação dos militares era ilegal «à luz do direito em vigor em Timor-leste». «O governo, em coordenação com os outros órgãos de soberania, vai pois afirmar a autoridade do estado de direito democrático. Não lhe resta outra solução para repor a legalidade e o respeito pelas instituições e pela ordem pública», assinala a nota.

Cerca das 14:30 os mais de 1.500 manifestantes estavam a percorrer pacificamente a principal avenida da cidade, Avenida de Comoro, em direcção à Taci Tolo, onde está situado um antigo campo de acolhimento da organização internacional das migrações e que é desde há várias semanas o principal ponto de encontro dos militares contestatários.

Os manifestantes estão a ser acompanhados por um cordão da polícia timorense. Dili estava cerca das 14:00 (6:00 em Lisboa) sem comunicações móveis (telemóveis), estando a funcionar apenas os telefones fixos.
 

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Rui Elias

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« Responder #5 em: Abril 28, 2006, 09:31:47 am »
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Timor: reforçada segurança na embaixada de Portugal

2006/03/25 | 11:02 in: portugaldiario.iol.pt

Professores portugueses também vão ter segurança apertada devido a eventuais conflitos
 

A segurança junto à embaixada e consulado de Portugal em Díli, e ainda junto às residências dos professores portugueses, vai ser reforçada esta noite como medida preventiva para eventuais perturbações da ordem pública, disse fonte diplomática à Lusa.

Os cidadãos portugueses residentes na capital são ainda aconselhados a manterem-se em casa nas próximas noites.

Fonte policial timorense disse à Lusa que já se verificaram «pequenas escaramuças» nas áreas de Moleana, Taibessi e Bécora, bairros de Díli, «mas nada que justificasse medidas mais rigorosas».

Nenhum cidadão português ou bens portugueses foi envolvido nestes pequenos incidentes.

O comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, superintendente Paulo Martins, dirigiu-se hoje ao fim da tarde (mais nove horas que em Lisboa), através da televisão, à população aconselhando-a a manter-se em casa e, concretamente dirigindo-se aos mais jovens, a absterem-se de envergarem fardas e de empunharem pedras e paus, sob pena de actuação firme da polícia.

Um número indeterminado de timorenses começou sexta-feira a refugiar-se nas montanhas à volta de Díli devido a insistentes rumores de confrontos entre etnias na capital, opondo os "loromonu" (naturais da parte ocidental do país) aos "lorosae" (da parte Leste).


O Primeiro-Ministro, Mari Alkatiri e o Presidente Xanana Gusmão na mira dos militares revoltosos

Os rumores aumentaram de intensidade depois do presidente Xanana Gusmão ter feito quinta-feira uma mensagem à nação, em que abordou a crise militar no país, marcada pelo afastamento de 591 efectivos das forças armadas, maioritariamente "loromonu".
 

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Nuno Bento

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« Responder #6 em: Maio 01, 2006, 12:36:24 am »
Eu estava a  passar enfrente do Palacio do Governo quando tudo começou e vi as pessoas translocadas a fugir e os manifestantes a apedrejar tudo o que viam. Deseguida dirigime para a minha casa em Comoro e qual não foi o meu espanto a longo do caminho a ver tudo apedrejado bolsas de manifestantes rodeadas pela policia de intervenção e o principal mercado de Dili todo partido. Mas a supresa maior estava reservada para quando cheguei a minha rua barricadas na rua casas incendiadas e apedrejadas, por fim eu pedi ajuda aos populares no local e desobstruimos a estrada e passado 10 m apareceu a policia militar a calma parecia tinha voltado ao local( julgava eu).
Qual não foi o meu espanto quando as 5 da manhã de sabado fui acordado por um disparos de pistola sencivelmente 5m de seguida telefonei para a policia e o tiroteio parou. No entanto por volta das 8 recomecou outra vez desta vez ja com armas automaticas M-16 prolongando se o tiroteio por 15 minutos depois apareceu a policia de intervenção e a policia militar e as coisas acalmaram. Agora se bem que ainda se sinta alguma tensão no ar ja esta tudo mais calmo.
 

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Jorge Pereira

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« Responder #7 em: Maio 01, 2006, 12:59:10 am »
Obrigado pelo seu relato Nuno.

Já agora, acha mesmo que há forças exteriores, como insinuou Mari Alkatiri, por trás dos últimos acontecimentos?

E pode-nos dar uma ideia da importância e número de elementos que está no terreno a provocar todo este alvoroço?
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Nuno Bento

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« Responder #8 em: Maio 02, 2006, 12:20:56 am »
Bem eu acho que os manifestantes(desertores) tem de ter alguem por tras na organização de tudo. Senão como se explica o seguinte:
1-que tenha havido disturbios com bandos de jovens na periferia de Dili que forçaram a policia a desguarnecer a manifestação facilitando a rebelião destes.
2- A policia descobriu no acampamento dos manifestantes material informatico, dezenas de carregadores de M-16, granadas, fardas militares e varios panfletos e telas a exigir ao presidente da Republica que dissolva o parlamento e demita o governo .
3- Quem pagava os camiões com comida que iam todos os dias abastecer os manifestantes
Tem de haver interesses ocultos por detras de tudo não é so uma questão dos manifestantes.
Aqui em Dili fala se muito no apoio secreto da embaixada Americana aos Manifestantes, pois os Americanos gostam muito de se meter onde existe petroleo. Mas eu penso mais que existem outros partidos por detras disso ( são por  demais conhecidas as divergencias entre o Chanana eo Mary Alkatiry e a vontade deste de formar um partido politico.) A meu ver são problemas internos alimentados pela miseria em que vive a população que vive cada vez pior e não consegue ver para onde vai o dinheiro do Petroleo.
 

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Nuno Bento

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« Responder #9 em: Maio 02, 2006, 09:27:27 am »
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01-05-2006 0:44:00.  Fonte LUSA.    Notícia SIR-7949978
Temas:  política timor-leste conflitos

Timor-Leste: "Só confiamos no presidente Xanana" - Tenente Gastão Salsinha

 
Díli, 01 Mai (Lusa) - O porta-voz dos militares contestatários timorenses, tenente Gastão Salsinha, disse hoje, em entrevista telefónica à agência Lusa, que só confia no presidente Xanana Gusmão e que o governo mente.

"Só confiamos no presidente Xanana. Não confio no governo.

Eles mentem e mataram", afirmou.

Escondido nas montanhas, mas sem especificar em que área, o tenente Gastão Salsinha disse que está acompanhado "de mais de 100 militares" e que não tenciona entregar-se, como apelou domingo o primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

"Eles mentem e mataram. Tenho informações que mataram mais de 60 pessoas", acusou.

Oficialmente, as autoridades timorenses continuam a fixar em cinco o número de vítimas mortais e em 35 o de feridos, entre os quais quatro polícias.

O tenente Gastão Salsinha disse que apenas confia no presidente Xanana Gusmão.

"Ele é o nosso presidente. É o nosso comandante supremo. Se ele fica calado, nós também ficamos e continuamos nas montanhas", frisou, salientando que vão continuar a luta a partir das montanhas, mas sem querer entrar em pormenores quanto ao formato dessa luta.

Questionado sobre a alegação das autoridades timorenses quanto à presença do bando Colimau 2000 na manifestação, iniciada no passado dia 24 de Abril, o tenente Salsinha desmentiu a presença de qualquer grupo organizada.

"Além de nós, os peticionários, estavam só os nossos familiares e amigos. São todos nossos simpatizantes", respondeu.

O tenente Gastão Salsinha é a face visível do descontentamento de centenas de militares que se auto-designam "loromonu", ou seja, provenientes dos 10 distritos da parte ocidental de Timor-Leste.

Aqueles militares abandonaram as unidades em Fevereiro e apresentaram-se, desarmados, na Presidência da República, para que Xanana Gusmão ajudasse a pôr cobro às discriminações que alegam serem alvo nas suas unidades.

Esses alegados actos de discriminação são de natureza étnica, perpetrados por comandantes "lorosae", ou seja naturais dos três distritos da parte leste.

O brigadeiro-general Taur Matan Ruak considerou em Março que os 591 militares, ao se manterem fora das suas unidades, se tinham colocado à margem da instituição, pelo que passavam a ser considerados civis, decisão administrativa avalizada pelo governo.

Em duas ocasiões, Xanana Gusmão, em mensagens à nação, criticou a decisão de Taur Matan Ruak e do ministro da Defesa, Roque Rodrigues, considerando que nada tinham feito para arranjar uma solução para os problemas invocados pelos militares contestatários.

Estes convocaram uma manifestação para Díli, iniciada a 24 de Abril, e deram um prazo aos órgãos de soberania para que dessem passos para ultrapassar as discriminações que invocam.

Cinco dias depois, na passada sexta-feira, a manifestação transformou-se em violentos confrontos na zona do Palácio do Governo, que se estendera aos subúrbios da parte ocidental da cidade.

A entrada em cena das forças armadas permitiu inverter para o lado do governo uma situação que, no início, foi marcada por notórias e evidentes dificuldades.

EL.

Lusa/Fim

 
 

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Rui Elias

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« Responder #10 em: Maio 03, 2006, 04:28:59 pm »
Nuno:

Mas afinal o Mary Alkatiri não é o líder da FRETILIN?

Ou estava a referir-se ao Xanana?
 

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Nuno Bento

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« Responder #11 em: Maio 04, 2006, 12:01:58 am »
O Mary Alkatiri é o Secretário Geral da Fretilim e Primeiro Ministro de Timor Leste, e é por demais conhecido aqui em Timor Leste as divergencias deste com o presidente Xanana, essas  divergencias já vem do tempo da resistencia quando o Xanana abandonou a Fretelim por achar que esta não tinha o direito de representar sozinha o povo de Timor. O elo de ligação e apaziguadore entre o Xanana e o Alkatiri tem sido o Ramos Horta, a unica pessoa da Fretilim por quem o Xanana tem admiração
Esta historia esta +- explicada num livro do professor José Matoso recentemete lançado em Portugal  " Konis Santana e a Resistencia Timorense" este livro conta a historia de Timor desde a Guerra Civil de 75 ate um pouco antes do referendo. Penso que o livro foi publicado pelo circulo de leitores com o apoio da fundação Mario Soares.

Um abraço

Nuno
 

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Nuno Bento

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« Responder #12 em: Maio 04, 2006, 06:01:31 am »
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04-05-2006 3:39:00.  Fonte LUSA.    Notícia SIR-7958654
Temas:  sociedade timor-leste conflitos

Timor-Leste: População em pânico refugia-se nas montanhas

 
Díli, 04 Mai (Lusa) - Centenas de viaturas, lotadas e carregadas de víveres, iniciaram durante a noite e ao longo da manhã de hoje (menos oito horas que em Lisboa) um verdadeiro êxodo para as montanhas, testemunhou a Lusa.

O movimento chegou a provocar enormes engarrafamentos nos principais eixos de saída da capital e junto a supermercados e estações de abastecimento de combustível.

Para ajudar à confusão, a rede de comunicações móveis voltou hoje de manhã a registar um substancial aumento de tráfego, o que impediu um normal funcionamento do serviço.

Face ao pânico instalado no seio da população, com muitos bairros praticamente desertos, o presidente Xanana Gusmão, o primeiro-ministro Mari Alkatiri, e os ministros da Defesa e do Interior, Roque Rodrigues e Rogério Lobato, reuniram-se hoje na Presidência da República.

Em conferência de imprensa no final, Xanana Gusmão e Mari Alkatiri anunciaram que até às 16:00 horas de hoje (08:00 horas em Lisboa) os efectivos das forças armadas regressarão aos quartéis e os agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste voltarão a transportar as armas que habitualmente lhes estão distribuídas, deixando de utilizar espingardas automáticas e outro tipo de armas pesadas.

"A ideia é fazer passar à população que já acabou a fase de controlo e se passa agora à fase de estabilização", explicou Xanana Gusmão, sublinhando que "os rumores devem terminar".

Entretanto, a embaixada australiana distribuiu hoje de manhã alertas aos seus cidadãos e cooperantes, incluindo os de outras nacionalidades, para que se mantenham em casa com o telemóvel ligado, para a eventualidade de serem contactados.

O movimento pendular da população entre as montanhas e os bairros de Díli ganhou forte expressão nos últimos dias, com os habitantes que quarta-feira regressaram à cidade a aproveitarem a estada para reforçar o "stock" de víveres.

O sentimento de pânico foi reforçado quarta-feira à noite, com a transmissão pela televisão nacional de um documentário que assinalou a celebração do Dia Da Liberdade de Imprensa.

Este documentário, produzido pela estação de televisão australiana Nine, relatou, com depoimentos actuais e imagens de arquivo, o homicídio de quatro jornalistas, três australianos e um neo- zelandês, em 1975, aquando da invasão indonésia do território.

Na conferência de imprensa, tanto Xanana Gusmão como Mari Alkatiri acentuaram que as autoridades estão a controlar a situação.

"Estamos a gerir a situação. Vamos impedir que a população continue a entrar em pânico. O grande problema é a população continuar a fugir", frisou o presidente da República.

EL.

Lusa/Fim



 
 

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Nuno Bento

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« Responder #13 em: Maio 05, 2006, 02:23:18 am »
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05-05-2006 0:31:00.  Fonte LUSA.    Notícia SIR-7961832
Temas:  política eua timor-leste

Timor-Leste: Washington pede repatriamento de parte do seu pessoal

 
Washington, 05 Mai (Lusa) - O Departamento de Estado norte- americano pediu quinta-feira ao seu pessoal diplomático não essencial e respectivas famílias residentes em Timor-Leste para deixarem o país, onde confrontos com mortes envolvendo ex-soldados abalaram a capital, Dili, a semana passada.

O embaixador norte-americano em Timor-leste "recebeu informações credíveis evocando potenciais violências de origem comunitária ou política", indica o Departamento de Estado num comunicado.

O Governo norte-americano "autorizou a partida do pessoal não essencial e das famílias", informa o Departamento de Estado num comunicado, pedindo igualmente aos turistas para adiarem qualquer projecto de viagem não urgente na antiga colónia de Portugal, que se tornou independente em 2002 depois de 24 anos de ocupação indonésia.

Na sequência de vários dias de manifestações conduzidas por cerca de 600 ex-soldados a semana passada, confrontos abalaram a capital timorense, fazendo quatro mortos e obrigando centenas de pessoas a fugir da cidade.

Os soldados tinham desertado dos seus quartéis em Fevereiro, queixando-se de discriminação, tendo sido considerados auto-excluídos das Forças Armadas.

O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, estimou a 29 de Abril em Lisboa que ao aproximar das eleições gerais e do Congresso do partido no poder (Fretilin), os problemas dos ex-militares são "utilizados" por "pequenas franjas do partido que querem mudar a direcção" e "pôr em causa a legitimidade do Governo".

Terça-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense anunciou a detenção de mais de 100 pessoas, entre as quais 30 dos 600 soldados.

Os actos de violência em Timor-Leste foram os piores desde a repressão desencadeada pelas forças indonésias por ocasião de um referendo pró-independência.

TM.

Lusa/Fim

 
 

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TOMKAT

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« Responder #14 em: Maio 05, 2006, 02:48:43 am »
Nuno Bento, ouvi ontem numa rádio uma reportagem em directo da capital timorense em que o repórter afirmava que estava a acontecer uma fuga para as montanhas idêntica à que aconteceu quando as milícias pró-indonésias viravam do avesso Dili.

Referia os típicos camiões amarelos carregados com de tudo um pouco, desde televisões, frigoríficos, fogões, roupas, mantimentos,...e pessoas assustadas com os acontecimentos, isto apesar de não ter acontecido  nada de anormal nos últimos dias, para além dos muitos boatos.

Referia também as lojas de Dili com portas entreabertas, e a muita procura de mantimentos e combustíveis.

A situação em Dili está assim tão confusa?
IMPROVISAR, LUSITANA PAIXÃO.....
ALEA JACTA EST.....
«O meu ideal político é a democracia, para que cada homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado»... Albert Einstein
 

 

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Timor-Leste: Ramos Horta Eleito Presidente

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Última mensagem Maio 10, 2007, 01:32:29 pm
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