Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais

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Daniel

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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #150 em: Fevereiro 27, 2018, 10:09:18 am »
[bAs guerras secretas de Portugal em África ][/b]
http://visao.sapo.pt/historia/2018-02-27-As-guerras-secretas-de-Portugal-em-Africa

Citar
Toda a gente sabe que o Portugal dos últimos tempos da ditadura travou em África uma longa Guerra Colonial de 13 anos. Também ninguém ignora que esse conflito deixou marcas profundas no tecido social – físicas, psicológicas, sociais, identitárias.

No que se pensa menos é no facto de essa guerra, assente em argumentação falaciosa e levada a cabo contra a lógica e a dinâmica da História, ter representado um esforço muito para além das potencialidades do País – grande duração no tempo, três teatros de operações, enormes distâncias, mobilização de recursos de toda a ordem. Dir-se-á que os movimentos independentistas das colónias eram militarmente mais fracos, mas essa análise precipitada não resiste a uma breve reflexão. Num tempo de Guerra Fria, eles tinham por detrás o apoio do bloco Leste e da China, quando não de setores do Ocidente defensores de uma nova e mais justa ordenação do continente africano, também na mira de não deixar prevalecer ali os interesses de Moscovo ou de Pequim.

Como foi então tão duradouro o esforço de guerra do Portugal de Salazar e de Marcelo Caetano? De duas formas: por um lado, contando com o apoio encoberto de países ocidentais como a Alemanha, a França e a Espanha e de potências regionais racistas como a África do Sul e a Rodésia; por outro envolvendo-se em guerras secretas no interior dos países vizinhos de Angola, Moçambique e Guiné, quantas vezes com o apoio dos também secretos serviços de informações de países ocidentais. É sobre esses apoios camuflados e essas guerras secretas de Portugal em África que se debruça este número da Visão História.

SUMÁRIO

Um longo 
braço-de-ferro Ao longo de quase 20 anos, a diplomacia do Estado Novo opôs-se 
com unhas e dentes ao reconhecimento do direito à autodeterminação e independência das colónias. Nem o grande aliado norte-americano conseguiu demover Salazar e os seus seguidores. Por Pedro Vieira

Armamento: orgulhosamente bem acompanhados Ao contrário do que Salazar proclamou, Portugal nunca esteve completamente isolado durante os 13 anos da Guerra Colonial. Foi o armamento fornecido pela França e pela Alemanha que permitiu combater. Por Francisco Galope

A Espanha na guerra ‘portuguesa’ Sem o auxílio do regime de Franco, 
Portugal teria tido maiores dificuldades 
em manter durante tantos anos a presença 
nos teatros de operações africanos. Por María José Tíscar

O coração das trevas Assim intitulou Joseph Conrad a sua descida aos abismos do mais negro dos colonialismos. Propriedade privada de um europeu que nunca lá se deslocou, depois laboratório de experiências coloniais e pós-coloniais, o Congo é o paradigma da História africana no último século e meio. Por Luís Almeida Martins

Portugal-Catanga, a aliança escondida O Governo de Salazar viu na secessão catanguesa, em 1960, uma oportunidade de obter em África um aliado precioso, e auxiliou Tschombé com todos os meios – inclusive militares – de que podia dispor. Por Ricardo Silva

Tschombé ao poder A PIDE organizou, em 1966, uma operação 
para derrubar o novo Governo de Mobutu. Por Ricardo Silva

E Angola ali ao lado Como os protagonistas e os lances do conflito 
no Congo foram vistos pelos jornais portugueses. Por Emília Caetano

Guerra do Biafra, a morte mediatizada Em 30 de maio de 1967, os Igbos do Sudeste da Nigéria declaravam a secessão. O conflito e o bloqueio impostos pelo poder central provocam mais de um milhão de mortos. Em janeiro de 1970, a «República do Biafra» era apagada do mapa. Por Pedro Caldeira Rodrigues
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #151 em: Abril 20, 2018, 05:55:05 pm »
Carlos Acabado, piloto-aviador: "A Guerra [Ultramar] estava ganha, não tenho a menor dúvida"



Esta é a história de Carlos Acabado, um alentejano optimista. Dos anos da Guerra do Ultramar ao mais recente livro que ainda está a escrever: "A Grande Viagem de Maumude". "A guerra é um fenómeno muito esquisito, é uma coisa estúpida. Mas vemos além da guerra, sabemos o que sentem os nossos inimigos. No momento em que a guerra acabou ficou tudo bem, penso que isto só aconteceu com o povo português", afirma.

Tem das histórias mais surpreendentes vividas na Guerra do Ultramar para onde foi como piloto-aviador. Como a do capitão que, na neblina, matou por engano a mãe de uma criança bosquímano à frente da filha, Kinda, que decidiu trazer para Portugal e perfilhar. Dormiu na cama ao lado de Iko Carreira, que viria a ser ministro da Defesa de Angola entre 1975 e 1980, a quem poupou a vida mais do que uma vez, e era amigo de Daniel Chipenda, que conheceu em Coimbra e a guerra colocou em campos opostos.

De regresso a Portugal foi secretário-geral do Conselho da Revolução em representação da Força Aérea, tendo a seu cargo o pessoal. Foi aí que se deparou com "uma monumentalidade a dar para o esquisito", como os conselheiros revolucionários a andarem nos carros "roubados" aos banqueiros fascistas. E foi também então que conheceu Cavaco Silva, um homem de quem guarda uma péssima imagem.

Pediu para passar à reserva aos 40 e poucos anos, quando a tropa já não lhe dizia nada e no momento em percebeu que os jogos políticos falavam mais alto. Mas ainda voltou a África, ao Congo, depois de ter feito sociedade com um bispo luterano que conheceu em Sevilha: comprou duas traineiras em Setúbal, a Portugal e a Setubalense, e levou-as para pescar no Lago Tanganica. Ouro sobre azul. A empresa desfez-se nos anos noventa, mas as traineiras ainda lá estão hoje, activas.

Aos 83 anos continua a escrever a sua história e as histórias daqueles que, no céu e na terra, fizeram parte da sua vida: de "Kinda e Outras Histórias de uma Guerra Esquecida" a "Margem Esquerda", passando por "Histórias de uma Bala Só – Acasos de Vida e de Morte" até "Conversas com um Gorila Chamado Virunga", contos para crianças e não só. Enquanto termina o próximo livro, "A Grande Viagem de Maumude", é a vez de o SAPO24 traçar o retrato de Carlos Acabado, um alentejano optimista.

Continua.......

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/carlos-acabado-piloto-aviador-a-guerra-no-ultramar-estava-ganha-nao-tenho-a-menor-duvida

Excelente entrevista!
 
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #152 em: Julho 09, 2018, 10:09:15 am »

Citar
Fernando Marçal‎

Recordar uma das pontas feitas com a antiga engenharia Portuguesa algures no leste para a travessia dos rios!

https://www.facebook.com/groups/116432285047990/about/

Saudações
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #153 em: Julho 24, 2018, 07:57:01 am »
 
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #155 em: Agosto 17, 2018, 09:37:52 am »

Citar
Portuguese Improvised vehicle.

https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/

Cumprimentos
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #156 em: Agosto 18, 2018, 06:40:41 pm »
https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/

Citar
Portuguese Convoy disposition Guinea-Bissau (Portuguesa Guinea)













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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #158 em: Agosto 28, 2018, 01:55:23 pm »
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Lightning

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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #159 em: Novembro 04, 2018, 12:27:46 am »
Paraquedistas: a força especial que entrou na guerra de Angola pelo ar

https://observador.pt/especiais/paraquedistas-a-forca-especial-que-entrou-na-guerra-de-angola-pelo-ar/
 


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Lusitano89

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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #161 em: Março 28, 2019, 02:54:03 pm »
Guerra Colonial: Gomes Cravinho condecora primeiras enfermeiras paraquedistas



As primeiras seis das 46 enfermeiras paraquedistas que participaram na guerra colonial foram condecoradas com a medalha da Defesa Nacional de 1ª classe pelo ministro João Gomes Cravinho, segundo uma portaria publicada esta quinta-feira.

"As enfermeiras paraquedistas foram verdadeiras pioneiras, cumprindo o lema das Tropas Paraquedistas "Que nunca por vencidos se conheçam", antes das mulheres terem sido incluídas nas fileiras das Forças Armadas. A forma voluntariosa como quebraram barreiras, e a entrega física e psicológica que demonstraram na frente de combate, cumprindo a sua missão de igual para igual, não poderão ser esquecidas e devem constituir-se num exemplo para as Forças Armadas e a sociedade civil", diz o texto publicado em Diário da República.

Duas das enfermeiras. que ficaram conhecidas como as "Seis Marias", foram condecoradas a título póstumo: Maria Zulmira Pereira André e Maria Nazaré Morais Rosa de Mascarenhas e Andrade.

As outras quatro foram Maria Arminda Lopes Pereira Santos, Maria do Céu da Cruz Policarpo Vidigal, Maria Ivone Quintino dos Reis e Maria de Lourdes Rodrigues.

"Reconhecer o seu mérito é de inteira justiça", diz ao DN o tenente-coronel paraquedista Miguel Machado, diretor do site especializado Operacional, adiantando que essas enfermeiras "completavam o trabalho dos enfermeiros paraquedistas que estavam na linha da frente".

Eram eles quem combatia e prestava os primeiros socorros nos teatros de operações em Angola, Moçambique e Guiné, onde as enfermeiras paraquedistas os iam depois buscar e transportar para os hospitais de retaguarda. "Levantavam bastante o moral" das tropas, garante aquele oficial paraquedista na reforma.

Miguel Machado lembra que os enfermeiros eram militares a quem se dava um curso de enfermagem, enquanto elas já eram enfermeiras de origem - e a confiança que inspiravam nos feridos era tanta que se criou quase uma lenda no campo de batalha: acreditava-se que quem chegasse vivo ao helicóptero "tinha uma grande probabilidade de sobreviver", recorda o responsável do Operacional.

Além dos teatros de guerra africanos, algumas das primeiras enfermeiras paraquedistas participaram logo em dezembro de 1961 - e em maio de 1962 - na evacuação de civis e prisioneiros militares portugueses de Goa para Portugal.

A sua última missão no exterior realizou-se em 1976 e consistiu na evacuação de civis de Timor para Lisboa - via Honolulu e Bali - num Boeing da Força Aérea, acrescenta Miguel Machado.

As enfermeiras paraquedistas - força que até 1993 pertencia à Força Aérea - já tinham sido condecoradas em 2015 pelo então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro.

A medalha da Defesa Nacional foi criada em 2002, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, quando o EMGFA e os três ramos das Forças Armadas já tinham condecorações próprias: medalha da Cruz de São Jorge (Estado-Maior-General), medalha da Cruz Naval (Marinha), medalha de D. Afonso Henriques (Exército) e medalha de Mérito Aeronáutico (Força Aérea).

A conderação das seis enfermeiras paraquedistas foi assinada a 08 de março, Dia da Mulher, sendo conhecida durante uma cerimónia realizada nesse mesmo dia no Museu de Marinha e para assinalar a presença das mulheres nas Forças Armadas.


:arrow: https://www.dn.pt/poder/interior/gomes-cravinho-condecora-primeiras-enfermeiras-paraquedistas-10734376.html?fbclid=IwAR2fE5m5qy1wyd9dZWWTbnlG9f_wiGH_wBoqNzj9IvT17WbS7VGnZYlsChQ
 
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Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
« Responder #162 em: Abril 14, 2019, 06:34:08 pm »
“Andámos a apanhar bocados do furriel que explodiu”
https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/andamos-a-apanhar-bocados-do-furriel-que-explodiu?ref=HP_Grupo1

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Assentei praça a 12 de janeiro de 1964 e fui fazer a recruta para o Monte da Caparica. Depois enviaram-me para Tancos para tirar a especialidade de radiotelegrafista do Serviço de Transmissões Militares. Eu tinha o segundo ano industrial, mas como não entreguei o documento das habilitações não fui tirar o curso de miliciano para furriel e fiquei como soldado.

Quando concluí a especialidade segui para Lisboa, para o Batalhão de Telegrafistas da Graça. Pensava já não ser mobilizado porque os que tinham tirado a especialidade comigo tinham partido todos para Angola e eu tinha ficado de fora, porque na véspera de eu assentar praça o meu pai morreu e eu era considerado amparo de mãe. Mas quando precisaram de radiotelegrafistas para Moçambique lá fui eu, repescado ao fim de 14 meses de tropa na metrópole. Embarquei em Alcântara no navio ‘Pátria’, um barco que não era de militares, em 1965. À chegada estive três dias em Lourenço Marques, embarquei noutro navio para a Beira e Nacala e segui de comboio para Nampula.

Difíceis primeiros dias
A partir daqui a viagem foi um pesadelo. Embarquei num machimbombo (camioneta), era o único militar que seguia nessa viagem, de camuflado, com um cantil de água, umas rações de combate e nada mais, o único branco naquele transporte. Em qualquer aldeia em que a camioneta parava para carregar, eu e era rodeado por muitas crianças, algumas muito magrinhas, a pedirem-me coisas que eu não tinha para lhes dar, o que me entristeceu muito.

Cheguei a Vila Cabral ao pôr do sol, apresentei-me no posto de rádio, fui recebido pelos colegas e logo nos primeiros dias, quando um furriel fazia uma demonstração de como lidar com granadas, tirou a cavilha e deixou cair a granada, atirou-se para cima dela e ficou feito em pedaços. Isto também me ficou na memória porque eu nunca tinha visto uma coisa daquelas, alguns de nós ficámos com estilhaços, feridos.

O que aconteceu foi que, ao tirar a cavilha, ele tentou fazer uma brincadeira com a granada, mandá-la ao ar e tentar agarrá-la, mas a granada explodiu e matou-o. Tivemos que andar a apanhar os bocados do corpo. Passados uns dias, voltei a ficar abalado: chegou um Unimog que tinha sido destruído por uma mina que tinha feito alguns feridos graves.


Era um pelotão que ia buscar correspondência para o nosso quartel à pista de aviação, e lá havia uma palhota onde morava uma velhota indígena. Toda a gente a tratava bem e até lhe davam rações de combate, mas de vez em quando rebentava naquele caminho uma mina e lá ia mais um Unimog pelo ar. Veio a descobrir-se que era a velhota que punha as minas.

Nós, os radiotelegrafistas, sabíamos de tudo, porque havia um código e quando surgia esse código ou eram mortos ou feridos graves. Recebíamos as mensagens, entregávamos ao ‘cripto’ (responsável pela descodificação) e esperávamos pelo que de ruim tinha acontecido.

Eu era de rendição individual, não estava destinado a ir para o mato, mas uma vez ofereci-me. Logo nesse dia sofremos uma emboscada: o Unimog tombou, nós fomos cada um para seu lado, eu tombei para o chão e o rádio ficou afastado de mim.

Na minha atrapalhação, lesionei-me, eles a gritarem para eu pedir socorro, mas eu já nem sabia do rádio. A partir daí nunca mais me ofereci como voluntário para nada. Acabei por ser hospitalizado, de Vila Cabral fui para Nampula e estive um mês e meio a recuperar, antes de regressar. Catorze meses depois recebi ordem para embarcar para Lourenço Marques, que foi o melhor tempo que tive de tropa.

Só gostava de encontrar um camarada que foi como um irmão, o Simão de Castelo Branco, a quem chamávamos ‘Ruço’. Voltei a 9 de setembro de 1967, de uma guerra que nunca entendi.

Nome
Manuel Silva Fernandes

Comissão
Moçambique (1965-67)

Força
Rendição individual

* Info
Tem 75 anos, é casado, tem dois filhos e dois netos. Vive no Barreiro.
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