NAVIOS DE GUERRA PORTUGUESES

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papatango

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« Responder #120 em: Maio 24, 2007, 09:22:12 pm »
Na primeira metade do século XVI, enquanto o dinheiro da Índia transformava Portugal no país mais rico do mundo, o dinheiro permitia fazer tudo.

Portugal não tinha um grande exército, mas tinha uma marinha superior à de qualquer outro país.
Como a exploração marítima em Portugal era propriedade do Estado, o Estado Português tinha uma esquadra, que segundo Oliveira Martins, atingia normalmente um total de 400 grandes navios de alto bordo.
Na altura, o rei de Inglaterra, tinha 20 desses navios.

O expoente da construção naval portuguesa, foi construido em 1535.

O navio era de tal forma poderoso que o imperador Carlos V, mandou pedir ao rei de Portugal que lhe enviasse o navio para ajuda-lo na conquista de Tunis e na captura do Barbaroxa.

O navio, ou Nau chamava-se S. João, e os seus 366 (trezentos e sessenta e seis) bocas de fogo e canhões de bronze, deram-lhe o epiteto de S. João, o Botafogo. Ele foi o comandante da esquadra de 23 navios enviada pelo rei de Portugal para tomar a cidade.

Era de longe, o mais poderoso navio europeu. Ele ultrapassava de muito a Henri Grace a Dieu que Henrique VIII mandou construir e que só tinha rival noutro navio português, o Santa Catarina do Monte Sinai. Esses navios não ultrapassavam os 200 canhões, entre canhões pesados, pedreiros, leões (etc) e colubrinas leves.

No entanto a tendência portuguesa para construir navios cada vez maiores era considerada negativa.
Nos finais do século XVI, já no periodo Filipino, um galeão português foi capturado pelos ingleses e levado para inglaterra perante os engenheiros navais ingleses que afirmaram que não sabiam como era possivel fazer um navio tão grande.

O rei teve que mandar publicar leis para proibir a construção de navios demasiado grandes.

O engraçado, é que quando se fala nos grandes galeões espanhois, do século XVI, eles eram na realidade portugueses.

Outro dos navios importantes, foi por exemplo o galeão São Marinho, que foi navio almirante da armada invencivel em 1588.

NOTA IMPORTANTE

Há um navio chamado S. João Baptista, que aparece em vários sites na internet, mas tanto quanto sei, trata-se de um S.João Baptista construido no final do século XVI e que se perdeu em 1622.
Este navio, é um galeão e não um Nau ou carraca, como seria a S.João conhecida como Botafogo.

Tanto quanto sei, nem restaram planos do navio. Apenas se conhecem as descrições sobre as dimensões do navio e o seu extraordinario poder de fogo.
 

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Luso

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« Responder #121 em: Maio 24, 2007, 10:35:56 pm »
PT, há alguma publicação em Inglês sobre esses navios?
Se nada existir nessa lingua franca nunca existiram para o Mundo.
Há que divulgar isso mesmo aos portugueses. Há que revelar a mediocridade actual para nos pormos em sentido, darmo-nos ao respeito e estar à altura dos nossos antepassados.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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papatango

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« Responder #122 em: Maio 24, 2007, 11:32:52 pm »
Pessoalmente não conheço nenhuma publicação em língua inglesa sobre as naus ou galeões portugueses.
Só livros sobre temas militares onde os ingleses se queixam de que há muito material em Portugal, mas que os documentos estão em português.

Além do mais, creio que não é correcto chamar os navios de galeões, porque o galeão, pela definição que tenho é um navio mais estreito e resultado da tentativa de construir um navio mais pequeno e mais rápido.

Para a tecnologia do século XVI em Portugal chegou-se ao exagero. Há informações sobre navios de mais de 2.000 toneladas, quando uma Urca grande do norte da europa deslocava 400 toneladas.

Os navios na altura eram todos prototipos e não havia classes de navios. Eles também eram construidos por mestres em construção naval que passavam a informação por via oral, pelo que não deveriam utilizar muitos planos de pormenor.

Muita informação foi perdida com o terremoto de 1755 e com os incendios que se lhe seguiram. Ocorreram também incendios posteriores que são responsáveis por se ter perdido parte da informação.

Hoje em dia há mais informação sobre os navios que se construiram na Índia que sobre os que se construiram em Lisboa por causa disso.
Temos registos quase que da compra de cada tábua na India, mas pouco sobre Lisboa.

Creio que... aliás, não creio tenho a certeza, de que hoje não temos capacidade para construir um navio como o São João "Botafogo".
Provavelmente para voltar a construir qualquer coisa como aquilo, seria necessário recorrer a computadores especializados em navios, e os programas que há, não foram feitos para navios à vela com as dimensões das carracas.

Logo, creio que mesmo o software precisará de ser reescrito e configurado para poder construir um modelo de carraca que se pudesse manter à tona de água.

De resto, devo dizer que os navios que construíamos eram enormes, porque dominámos na perfeição a arte da construção de grandes navios, mas eles eram lentos e de navegação dificil.

Seria muito mais interessante estudar os planos para os grandes navios de vela redonda, que eram economicamente inviáveis, mas seriam a resposta aos navios ingleses e holandeses.

É aí que o periodo filipino foi uma desgraça.

Os espanhóis, eram essencialmente um povo mediterrãnico por causa da Coiroa de Aragão e dos reinos mediterrânicos e os castelhanos eram um povo com mentalidade continental e não marítima.

A meu ver, uma das razões da nossa adesão à Hespanha foi exctamente para conseguir os recursos necessários para defender a Índia, e para construir uma marinha que fosse eficiente.

Essa marinha não passava nem pelas carracas nem pelas naus, mas a coroa em Madrid, com uma visão continental-mediterrânica e controlada pela inquisição, não era suficientemente aberta a ideias novas.

Chegaram a dizer a Filipe II, que se quisesse garantir o dominio dos seus reinos no mundo, deveria mudar a capital para Lisboa, mas a mudança da capital, implicava a ascenção do poder da burguesia e da nobreza portuguesa dentro da coroa. A visão centralista dos castelhanos, não foi capaz de abrir mão de alguma coisa preferindo ficar com tudo.

O resultado, todos o conhecemos.
 

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ferrol

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« Responder #123 em: Maio 25, 2007, 12:51:30 pm »
Citação de: "papatango"
Os espanhóis, eram essencialmente um povo mediterrãnico por causa da Coiroa de Aragão e dos reinos mediterrânicos e os castelhanos eram um povo com mentalidade continental e não marítima.
Dacordo deica 1.492. Os castellanos estiveron ocupados na Reconquista do sur deica ese ano, xa que os aragoneses remataran a súa parte bastante antes e non chegaran tan abaixo. Pero despois de 1.492 a cousa cambiou moito. Cando Isabel pagou a viaxe de Colón ó novo mundo, quería compensa-la influencia do séu esposo Fernando de Aragón no Mediterráneo con novas rutas comerciais deica Cipango polo Atlántico. Así, Castela quedou co Atlántico pelexando cos piratas ingleses e holandeses e Aragón co Mediterráneo loitando co Turco...
Xa naquela época, Elcano tiña rematada a súa primeira volta ó mundo, Juan de la Cosa tiña feito o primeiro mapamundi, Legazpi tiña chegado ás Filipinas, Villalobos ás Palau, Hernando Grijalva, Orellana...a vocación naval de Castela queda fóra de toda dúbida...

A España daquela época era unha superpotencia mundial, que tiña intereses por terra e por mar. Indubidablemente, a adhesión portuguesa melloróu a experiencia naval española, como a holandesa melloraba a comercial e a alemana a industrial, pero xa antes Castela tivera grandes navegantes, e despois que Portugal abandoase o Imperio, España permanecéu aínda por 100 anos máis dominando o Atlántico contra ingleses ou franceses...

En 1.580, case 100 anos despois de Colón, cando se reunificou a Península, Castela levaba no Atlántico 3 xeracións, e xa tiña organizado o comercio Atlántico desde había polo menos 3 décadas, unha vez tiña rematada en grande parte a tarefa de descubremento e escomenzou a tarefa de colonización. Así que, desde o méu ver, naquela época Castela non tiña, en modo algún, unha mentalidade continental, xa que tiña grandes capitáns e destinaba grandes esforzos á tarefa naval.
Citação de: "papatango"
A meu ver, uma das razões da nossa adesão à Hespanha foi exctamente para conseguir os recursos necessários para defender a Índia, e para construir uma marinha que fosse eficiente.
As razóns de que Portugal entrase no Imperio foron os dereitos dinásticos que fixo valer Felipe sobre as terras de Portugal.
Citação de: "papatango"
Essa marinha não passava nem pelas carracas nem pelas naus, mas a coroa em Madrid, com uma visão continental-mediterrânica e controlada pela inquisição, não era suficientemente aberta a ideias novas.
Por exemplo a de chegar a Oriente por Occidente, unha tolemia dun tal Colón que en Portugal non tivo moito éxito e tivo que ir á Madrid a convencer a esas mentes "non suficientemente abertas"... :wink:
Tu régere Imperio fluctus, Hispane memento
"Acuérdate España que tú registe el Imperio de los mares”
 

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papatango

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« Responder #124 em: Maio 25, 2007, 09:47:54 pm »
Citar
...Indubidablemente, a adhesión portuguesa melloróu a experiencia naval española, como a holandesa melloraba a comercial e a alemana a industrial, pero xa antes Castela tivera grandes navegantes, e despois que Portugal abandoase o Imperio, España permanecéu aínda por 100 anos máis dominando o Atlántico contra ingleses ou franceses...
A "adesão" portuguesa não alterou nada, aliás apenas piorou as coisas, porque a ideia dos portugueses era conseguir dinheiro para reactivar o imperio da Índia que estava decadente.

Bastava para isso ver o que foi feito na modificação feita a mando do marquês de Santa Cruz, ao mandar modificar os navios construidos pelos portugueses, para que se parecessem com os castelhanos, adicionando-lhes "pontes de abordagem".
Os galeões portugueses, que eram mais rápidos e ágeis que os castelhanos, ficaram muito mais lentos e dificeis de controlar.

= = = =

A questão da mentalidade continental, e a ideia de que os governantes espanhois, foram quase sempre dominados por uma mentalidade continental, nem sequer é minha, mas sim do Almirante da Armada Espanhola, Eliseo Arias-Arenas, que escreveu o seguinte:
La politica española no se ha preocupado de atender a la condición eminentemente marítima de España aunque sin tierras en ultramar se quedara, tal vez por incomprensión del político, nasciente esta de su ignorância […] El español sigue en su plena «continentalidad» pese a la permanente insistência de la condición eminentemente marítima de España”
Segundo a revista de Marinha, esta alocução foi escrita num artigo intitulado "Lo naval : en el 98… y hoy" El País, 1 de Junho de 1998, p. 4.

Citação de: "Ferrol"
En 1.580, case 100 anos despois de Colón, cando se reunificou a Península,
INCORRECÇÃO HISTÓRICA. A península nunca foi unificada, pelo que não poderia ser reunificada. (mas isto é off toopic).

Citação de: "Ferrol"
As razóns de que Portugal entrase no Imperio foron os dereitos dinásticos que fixo valer Felipe sobre as terras de Portugal.
Essas são as razões apontadas nos livros do ensino básico nas escolas. Quem estudar um pouco mais, saberá que grande parte da nobreza estava a favor da união dinástica porque esperava conseguir subsidios e dinheiro dado pelos Filipes, dinheiro que Portugal já não lhes podia dar, por causa da decadência do império da Índia.
O país tinha perdido praticamente todo o seu exército em Alcacer Quibir e naturalmente estava praticamente indefeso.
A adesão à "Hespanha" pareceu na altura ser a solução mais prática e simples. Quando se tornou óbvio que tinhamos aderido a uma entidade que poucos anos mais tarde abria falência, começou a notar-se que não tinha sido boa ideia.

Há que juntar que, a nobreza portuguesa acalentava a possibilidade da transferência da capital para Lisboa. Isso não aconteceu, por causa da nobreza castelhana, que boicotou a transferência da capital para Lisboa, como boicotou a transferênca da Capital para Valência (e neste caso a coroa chegou mesmo a mudar-se para Valência).

É essa pressão castelhana, que força e vinca a mentalidade continental das elites governantes espanholas.

Vendo que não podiamos fazer nada para mudar o estado de coisas, fizemos a única coisa que fazia sentido, depois da a Catalunha ter mostrado o caminho... Não queremos mais...

Citação de: "Ferrol"
Por exemplo a de chegar a Oriente por Occidente, unha tolemia dun tal Colón que en Portugal non tivo moito éxito e tivo que ir á Madrid a convencer a esas mentes "non suficientemente abertas

? ? ? ?
Em 1580 Ferrol, já Cristofom Colona, tinha morrido há muito tempo.
As ideias novas de que falo, eram a de construir navios de vela latina as chamadas caravelas redondas, ou caravelas de grande tonelagem, que eram capazes de atacar os navios ingleses e Holandeses.

Creio que chegaram a ser construidas algumas destas caravelas. Eram menos armadas que os galeões ingleses e holandeses mas eram muito mais manobraveis e podiam navegar contra o vento o que lhes permitia atacar de vários ângulos.

É um navio que se começou a estudar em meados do século XVI, quando se começou a notar que os nossos navios não eram suficientemente rápidos para lutar contra os galeões mais pequenos mas mais manobráveis de holandeses e ingleses.

Com o inicio do periodo de 1580-1640, a mentalidade continental da coroa, tornou este tipo de necessidade inutil, porque a coroa dos Austrias estava noutro comprimento de onda.

Mais uma vez, a mentalidade continental, e a incapacidade de utilizar o mar em sua vantagem, como fizeram os portugueses durante quase um século no oceano Índico.

A Espanha dos Habsburgos mesmo no seu apogeu, não tinha uma marinha capaz de evitar que os ingleses atacassem o seu próprio território e o ocupassem temporáriamente várias vezes.
 

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SSK

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« Responder #125 em: Junho 29, 2007, 10:37:44 pm »
post duplicado
« Última modificação: Junho 29, 2007, 10:51:11 pm por SSK »
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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« Responder #126 em: Junho 29, 2007, 10:38:15 pm »
Para não se perder noutro tópico vou colocar algumas biografias de quem cedeu o seu nome aos navios de guerra da nossa marinha.

Citar
Afonso Cerqueira

Oficial da Marinha de guerra, nasceu em Viseu em 1-II-1872.
Cursou o liceu de Viseu e depois fez os preparatórios na Escola Politécnica de Lisboa, entrando em seguida na Escola Naval, concluindo o curso com 19 anos.
Especializou-se depois em meteorologia, metralhadoras pesadas e ligeiras, gases de combate, torpedeiro-electricista, em Vale do Zebro, observador de Aeronáutica, em Sintra e Alverca, radiotelegrafia, sinais e comunicações, torpedos e minas e tem o Curso Naval de Guerra e o 4º grau do curso de oficiais, em Caxias.
Fez serviço no corpo de Marinheiros, Arsenal de Marinha, Estado Maior da Armada, Estado Maior Naval, conselhos de guerra, Campo entrincheirado de Lisboa, comissão de Aviação Comercial do Ministério do Comércio e Conselho da Ordem da Torre e Espada; foi capitão do porto da Nazaré, instrutor das escolas de Alunos Marinheiros de Faro, Prática de Artilharia Naval e Prática de Torpedos e Electricidade; presidente das comissões Central de pescarias, Permanente de Estudo de todas as questões relativas à pesca do bacalhau, do conselho de Administração da Caixa de previdência e Crédito Marítimo da Junta de Aptidão Física dos Oficiais; director da Aeronáutica Naval desde 1917 a 1922 e de 1929 a 1932, tendo sido, em 1917, durante a guerra, de 1914-18, quem organizou em Portugal este serviço técnico.
Colaborou na organização dos « raids » aéreos à Madeira e ao Brasil e fez parte da comissão de assistência ao « raid » Lisboa - Macau; também pertenceu à Comissão Mista de Aeronáutica e desempenhou os cargos de superintendente do Serviço Naval de Defesa Submarina, chefe da Estação de Barreiras e Minas, Microfones e Navios Lança-Minas.
Fez parte de numerosíssimas comissões. Embarcou em vários navios de guerra, em viagens no continente, ilhas adjacentes, colónias e estrangeiro, fez quatro estações em África ; em 1893-94 serviu na corveta «Mindelo» no Brasil e Uruguai, por ocasião da revolta dos almirantes Custódio de Melo e Saldanha da Gama contra o presidente da república Floriano Peixoto.
Em 1899 fez uma viagem à vela no transporte «Pêro de Alenquer», à Índia pelo Cabo da Boa Esperança, a qual durou 339 dias. Comandou: as canhoneiras «Faro», «Vouga» e «lagos», a lancha-canhoeira «Cherim», vapor «Baptista de Andrade» e transporte «Álvaro de Caminha», estes três navios em Moçambique; rebocador «Bérrio»,vapores «Funchal» e «Cabo Verde», cruzador «S.Gabriel»,contra-torpedeiro «Guadiana», caça-minas «Azevedo Gomes» e transporte«Pedro Nunes»,e foi presidente do júri dos exames para segundos-tenentes, no navio-escola «Sagres».
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« Responder #127 em: Junho 29, 2007, 10:43:08 pm »
Citar
ALMEIDA CARVALHO

Advogado, historiógrafo, jornalista e primeiro oficial taquígrafo da secretaria da Câmara dos pares, nasceu em Setúbal a 05/03/1817, morreu na mesma cidade a 29/03/1897.
Foi redactor principal do Setubalense, primeiro periódico (semanal) que teve Setúbal, e que durou de Julho de 1855 até Dezembro de 1857. Dedicou-se ao estudo dos problemas relativos às salinas das margens do Sado e coligiu sobre a história de Setúbal diversos apontamentos que ficaram inéditos.
Foi sócio e secretário da direcção da Sociedade Arqueológica Lusitana, fundada em Setúbal e cuja história, escrita por ele, se pode ver no Boletim da Real Associação dos Arqueólogos, volume de 1896.
Foi vogal e secretário da comissão encarregada de propor o governo os projectos de regulamentos que foram aprovados por decretos de 20/11/1851, os quais deram nova organização à Junta da Repartição do Sal das Salinas das margens do Sado, outorgaram diferentes providências acerca do comércio daquele género e instituíram nova inspecção dos lastros no porto de Setúbal.
Foi ele que, na qualidade de secretário da Comissão, redigiu o relatório que precede os regulamentos, no qual se contém a história abreviada da antiga instituição da Roda para a venda de sal das referidas salinas (esse relatório foi impresso em Lisboa, em 1851). Por esse tempo escreveu também uma memória intitulada A roda do sal e a liberdade do comércio (considerações acerca da industria do comércio do sal em Setúbal, em resposta aos antagonistas da Roda, e mais particularmente a Latino Coelho), a qual foi publicada nos números 140, 141 e 142 do jornal a Justiça e no número 1.419 de A Nação (1852).
Aposentado, retirou-se para Setúbal. Colaborou em diversos jornais, tendo publicado na Revolução de Setembro, entre outros os seguintes artigos: Setúbal e suas muralhas (número 3.792, ano de 1854); considerações sobre o terremoto de 11/11/1858; considerações acerca da necessidade de extinguir o tributo que pesa sobre os pescadores (número 4.995, de 1858); Arqueologia (sobre antiguidades romanas de Lisboa, número 5.086, de 1859). No Arquivo Pitoresco publicou um artigo Sobre a verdadeira inteligência de uma inscrição goda  encontrada em Alcácer do Sal (tomo 6, página 182-4).
Em 1863 publicou em Lisboa um folheto intitulado Duas palavras ao autor do «Esboço Histórico de José Estêvão», ou refutação da parte respectiva aos acontecimentos de Setúbal de 1846-47 e a outros que com aqueles tiveram relação.  
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« Responder #128 em: Junho 29, 2007, 10:49:00 pm »
Código: [Seleccione]
ANTÓNIO ENES

Politico, escritor e colonialista, nasceu em Lisboa, a 15 de agosto de 1848, e morreu em Queluz a 6 de agosto de 1901.
Fez os seus primeiros estudos no colégio dos padres lazaristas, matriculando-se depois no liceu, donde passou ao curso superior de letras. Aqui defendeu tese, depois dum curso brilhantissimo.
Durante alguns anos dedicou-se à vida comercial, depois de ter sido preterido um concurso para uma cadeira do Instituto Industrial. Estava filiado no partido histórico, chefiado pelo duque de Loulé, e, como tal, entrou para a redação da Gazeta do Povo. Tomou depois a direcção de O País, onde revelou dotes exepcionais de jornalista e polemista. Depois do pacto da Granja, de que resultou a fusão dos partidos reformista e histórico, O País passou a denominar-se Progresso, e António Enes ficou como seu redactor principal. Fundou tambem O Dia, de que foi director político e redactor principal.
Em 1880 foi eleito deputado, mas as câmaras foram dissolvidas. Só tornou ao parlamento na legislatura em 1884-1887, tendo sido reeleitoem 1887-1889 e 1890-1891. Em 1886 foi nomeado bibliotecário-mor da Biblioteca Nacional de Lisboa, lugar que estava vago pelo falecimento de Mendes Leal. Depois do ultimato Inglês de 1890, António Enes foi encarregado da pasta da Marinha e Ultramar, no governo presidido pelo general João Crisóstomo de Abreu e Sousa. Nas circunstancias do momento, de grande excitação nacional e grande perigo para a integridade das colónias portuguesas, a gerencia daquela pasta exigia qualidades dificeis de preencher. António Enes venceu todas as dificuldades que podiam obstar à sua acção e em poco tempo organizou a expedição militar em Moçambique, e providenciou com a maior energia sobre os acontecimentos de S. Tomé, Guiné e Bié.
Em 19 de junho de1891 foi nomeado comissário régio em Moçambique, onde deu provas de grande saber e competencia, deixando o seu nome ligado a notávies obras e feitos naquela colónia. Bastaria para por o seu nome em evidência o facto de ter sido o organizador da expedição de Mousinho de Abulquerque, que levou ao heroico feito de Chaimite.
Em 1896 foi nomeado ministro de Portugal no Brasil. Presidiu, tambem, ao comité que dirigiu os trabalhos do quinto Congresso de Imprensa, reunido em Lisboa em 1898.
Publicou:
•A Filosofia religiosa do Egito, tese apresentada no Curso Superior de Letras, Lisboa, 1868;
•A guerra e a Democracia;
•Considerações sobre a situação politica da Europa;
•Deve estabelecer-se a pena de Morte?
•A Irmã de Caridade;
•Caminho Errado

Da sua obra em Africa deixou: A Guerra de Africa de 1895, trabalho que foi muito discutido. Tambem nos Serões publicou: De Lisboa a Moçambique.
Para o teatro escreveu: Os Lazaristas, peça em três actos representada no ginàsio ( 17 de abril de 1875 ) e em muitos teatros da provincia e do Brasil, com assinalado exito e impressa em Lisboa, 1875. Esta peça deu origem a polémicas e graves conflitos, tendo sido publicado a seu respeito, pelo Padre Sena Freitas o folheto: Os Lazaristas pelo Lazarista sr. Enes. A peça foi tambem publicada em folhetins pela Gazeta de Noticias, e deu lugar a um opúsculo de Augusto Ribeiro: Os Lazaristas nos Açores, Lisboa, 1876. Como fosse proibida a sua representação no Brasil, António Enes publicou:  O Conservatório Dramático do Rio de Janeiro e o drama « Os Lazaristas ».
António Enes era casado com a actriz Emilia dos Anjos.
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« Responder #129 em: Junho 29, 2007, 10:50:11 pm »
Citar
AUGUSTO DE CASTILHO


Nome por que ficou conhecido Augusto Vidal de Castilho Barreto e Noronha , oficial de Marinha ,n. em Lisboa a 10-X-1841 m. a 30-III-1912 ,filho do 1º visconde de Castilho e de sua mulher , D. Ana Carlota Xavier Vidal. Estudou na Escola Politécnica e na Escola Naval .
Em 1859 assentou praça como aspirante , e antes mesmo concluído o tirocínio escolar ,recebeu ordem de embarcar nos navios de guerra enviados a Angola em Agôsto de 1860 , a conduzirem algumas companhias do regimento de Infantaria 2 ,a-fim-de punirem graves distúrbios do gentio do Ambriz . Foi nessa viagem que travou conhecimento com D. Luiz, então infante e simples oficial de Marinha , que comandava a corveta «Bartolomeu Dias», na qual fazia serviço Augusto de Castilho .O infante ,sabendo a que familia pertencia Castilho, Quis conhece-lo mais de perto .Afeiçoo-se-lhe chamava-o à sua camara nas horas de folga , onde ambos se embebiam na leitura das paginas do autor Jocelyn , ou do cantor das Folhas de Outono  e das Odes e Baladas .
Em Maio de 1861 partia na fragata « D. Fernando »para a estação naval da Índia , onde em Março de 1862 recebia a patente de guarda-marinha e onde o seu merecimento deu lugar a que o governador geral , conde de Torres Novas , o nomeasse adido à missão Portuguesa para a demarcação dos limites do padroado Português no Oriente, que trabalhava juntamente com outra , instituída pelo vice-rei da Índia Inglêsa .
Em Outubro de 1862 é graduado em 2.º tenente .Regressa a Portugal em 1864. Depois de várias viagens ,uma delas ao Brasil, o almirantado entrega-lhe , ainda 2.º tenente , o comando da escuna «Barão de Lazarim». Nela largou para Moçambique , onde estacionou . Levantou o plano hidrográfico de alguns pontos da costa e de várias barras .
Em Outubro de 1874 , novamente em Lisboa é nomeado governador do distrito de Inhambane .Segue imediatamente para a província de  e em Maio d 1875 o governador geral transfere-o para o cargo de governador de Lourenço Marques . É então promovido a 1.º tenente , e logo em Setembro desse ano de 75 capitão-tenente ,demorando-se no governo de Lourenço Marques até 1879, ano em que , cansado , pede a sua exoneração , regressando a Lisboa.
É eleito deputado por Salcete em 1882 dirigindo nas Cameras toda a sua atenção para os assuntos ultramarinos . Em 1884 é lhe confiado o comando da canhoneira «Rio Lima», que se dirigia à estação naval de Moçambique , visitando com ela primeiramente os portos do Brasil .
No Rio de Janeiro recebe a noticia de ter sido agraciado com a carta de conselho e com a nomeação de governador geral de Moçambique ,cargo que ocupa de 1885 a 1889.Inauguro-se sob seu governo o caminho de ferro de Lourenço Marques a Incomati .
 Em 1886 faz a ocupação da parte sul da baía da Tungue , depois de largar com os seus navios de Zanzibar e de ter enviado um ultimato ao sultão , que se recusava a tratar lealmente connosco .
Em 1888 rebentava a nova revolta dos bongas , os déspotas da Zambézia , capitaneados pelo temido Montontaura , que conseguiu reunir à sua volta os melhores elementos para uma resistência séria .O governador partiu logo para a Zambézia , subiu rapidamente o rio , deu em Sena as suas ordens ao governador de Manica e estabeleceu quartel-general numa aringa na foz do Miura . Dela dirigiu as operações , quer se prolongaram até ao final do ano em que tomou a aringa de Masangano, nela icando a bandeira portuguesa e mandando construir o forte D. Amélia. Para comemorar este sucesso , a cidade de Moçambique ofereceu-lhe uma espada de honra.
Em 1889 pede a exoneração do seu cargo e volta a Portugal , sendo em 1881 nomeado comandante da corveta «Mindelo».
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1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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« Responder #130 em: Junho 29, 2007, 10:52:03 pm »
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BAPTISTA DE ANDRADE



Oficial da Marinha e colonial que se distinguiu muitíssimo em campanhas ultramarinas, nasceu a 27 de março de 1819 e morreu a 26 de fevereiro de 1902. Assentou praça em 1833, sendo promovido a guarda-marinha graduado em 1839, e a efectivo em 1840.
A sua primeira viagem foi a Moçambique e Goa, com uma passagem do Cabo tormentosíssima.
Regressou da Índia em 1838, e foi acabar o curso da escola Politécnica. Promovido a segundo tenente em setembro de 1844, voltou ao mar como imediato do chutar «Andorinha».
Em setembro de 1845, promovido a primeiro tenente por distinção. Após cinco anos de imediato do «Andorinha», passou a comandar este navio que foi finalmente desarmado. Depois, sucessivamente, imediato e a seguir comandante do brigue «Serra do Pilar», e comandante do brigue «Corimba » e da polaca «Esperança».
O governo da província de Angola nomeou-o governador do distrito de Ambriz, em maio de 1855, nomeação que foi confirmada por decreto de 27 de setembro do mesmo ano. Empreendeu então ma série de brilhantes campanhas para subjugar revoltas de vários sobas indígenas. Em recompensa desses serviços, era nomeado oficial da Ordem da Torre e Espada em outubro de 1857, e promovido a capitão-tenente em 1858, por distinção, em campo de batalha, contando a antiguidade desde 8 de setembro do ano anterior, data em que realizara o ataque mais importante aos régulos revoltados. Teve depois de partir para Engunde, no Bembe, onde subjugou outra revolta.
Apesar de a junta de saúde o mandar recolher à metrópole, com seis meses de licença foi reconduzido no governo de Ambriz por mais três anos, pela necessidade que havia dos seus serviços.
Em 1859 deixou o distrito e foi autorizado a aceitar a superintendência das minas de Bembe, por um ano, com a obrigação de determinar as coordenadas para o traçado cartográfico das minas e dos caminhos desde Mossâmedes até elas. Precisando sair da província o governador Coelho do Amaral, e não convindo entregar a administração ao Conselho Governativo, foi designado Baptista de Andrade para o substituir.
Nomeado comandante das forças expedicionárias ao norte do rio Dande (1860), cedeu a quantia com que o glorificaram, sob condição de ser distribuída por todos os oficiais que o acompanhassem. Regressou finalmente à metrópole , sendo já capitão-de-fragata, a que fora promovido por decreto de 21 de setembro de 1860.
Em setembro de 1861 tomou o comando da corveta «Estefânia» , e em agosto de 1862 era nomeado governador geral de Angola. Percorreu então o norte da província, consolidando o nosso domínio. Cercado no Bembe, defendeu-se heroicamente, até que foi socorrido por uma missão comandada pelo major Teotónio Maria Coelho Borges.
Em 1865, tendo completado três anos de governo, pediu a demissão e regressou à metrópole. Havia sido promovido a capitão-de-mar-e-guerra por decreto de 11 de agosto de 1863, sem prejuízo dos oficiais mais antigos; em maio de 1868 entro para o quadro. Depois dum curto comando da fragata «D. Fernando», voltou ao da corveta «Estearina». Era comandante desta quando o navio foi mandado a inauguração do canal de Suez e desarvorou com um grande temporal no Mediterrâneo. Mais tarde foi a «Estefânia» mandada à índia, quando a revolta da colónia tomou incremento. Regressando a Portugal, deixou pela Segunda vez o comando da corveta, e foi promovido por distinção a contra almirante supranumerário em 1872 (do quadro em 1877).
Em 1873 tornou-se critica a situação em Angola, por causa da revolta dos Dembos. Nomeado governador pacificou a província; e, no fim de três anos regressou a Lisboa.
Em 1889, promovido a vice-almirante ; em 1890, comandante geral da Armada; em 1892, vice presidente do conselho do Almirantado; em 1895, por distinção especial foi promovido a Almirante.
Em 1896 abandonou o serviço activo. Foi ele, quem conduziu de Bordéus a Lisboa, em 1886, a princesa Amélia, que vinha casar com rei D. Carlos.
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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« Responder #131 em: Junho 29, 2007, 10:58:04 pm »
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CORTE REAL


Fidalgo e navegador, o mais novo dos três filhos de João Vaz Corte-Real, deve ter nascido em 1450 no continente. Segundo Damião de Gois, esteve ao serviço do futuro D. Manuel I, por então ainda duque de Beja.
Em 1497 estava estabelecido em Angra, administrando a capitania, primeiro na qualidade de lugar-tenente do pai, e depois, em seguida a morte deste, na de substituto do irmão mais velho, Vasco Anes.
Pelos fins do sec. XV, por própria iniciativa e à sua custa, empreendeu uma viagem de descobrimento, pois que a carta de doação que lhe concedeu D. Manuel, a 12-V-1500, diz assim:«porquanto Gaspar Corte-Real, fidalgo da nossa casa, os dias passados se trabalhou, por si e à sua custa, com navios e homens, de buscar e descobrir e achar, com muito trabalho seu, e despesa de sua fazenda, e perigo de sua pessoa, algumas ilhas e terra firme», etc.. Não se sabe em que direcções se realizaram essas viagens, ou essa viagem de Gaspar, mas tudo leva a crer que se dirigissem para Ocidente. Naquela carta, o Rei concedia-lhe o governo, para ele e seus descendentes, de todas as terras que «novamente achar ou descobrir ».
Segundo Damião de Gois, para esta nova viagem « partiu do porto de Lisboa no começo do verão do ano de 1500», com « uma nau bem equipada de gente e de todo o mais necessário» , e segundo António Galvão, no Tratado dos diversos caminhos, etc., «partiu da ilha Terceira com dois navios, armados à sua custa». Quanto a este ultimo pormenor, sabemos que não é exacto o testemunho de Galvão, e que Miguel, o segundogénito, concorreu com metade das despesas da viagem. Gois afirma que nesta segunda viagem «descobriu para aquela banda do norte uma terra que, por ser muito fresca e de grandes arvoredos, como o são todas as que jazem para aquela banda, lhe pôs o nome de Terra Verde». Logo depois do regresso preparou a sua terceira expedição, que partiu de Lisboa em três navios, em Janeiro de 1501.
A 8 de Outubro do  mesmo ano, um desses três navios estava de regresso a Lisboa. Pietro Pasquaglio, embaixador  da República Veneziana em Lisboa, escreveu a seus irmãos, residentes em Veneza, a 19-X-1501, uma carta em que dá a primeira relação conhecida da viagem.
Diz que se descobriu, a 2000 milhas, entre o NO e o O., uma terra incógnita, e que se percorreram 600 a 700 milhas da costa sem se lhe achar fim, sendo que tal terra prolongava outra descoberta no ano anterior ao setentrião, e que não puderam atingir por causa dos gelos. Três dias depois da chegada do primeiro navio surgia no Tejo um segundo, que não era aquele em que viajava Gaspar.
Habitava então em Lisboa um italiano chamado Alberto Cantino, que mantinha correspondência com Hércules d’Este, duque de Ferrara. Em carta de 19 de Outubro faz ele ao duque uma narrativa da viagem, segundo o que ouvira dizer ao comandante do navio, numa narrativa deste ao Rei, a que Cantino estivera presente.
No fim de cinco meses desta viagem de Gaspar, haviam os navegantes encontrado enormes massas de gelo; depois, impedidos de prosseguir pelo mar gelado, rumaram a NO e O, e no fim e três meses de viagem nessa direcção descobrirão uma grande terra, com importantes rios.
Propõe a hipótese de que Gaspar teria, nesta terceira viagem, percorrido a costa meridional da Terra-Nova, virado para o norte do cabo Ray, seguido ao longo da margem ocidental da ilha até o estreito de Belle-Isle , acompanhando depois o litoral meridional do Lavrador, entrando no golfo de S. Lourenço, depois retrocedido para o atlântico, continuando as suas explorações, e vindo a naufragar, enfim, no estreito de Davis ou na baia de Hudson.
Com a esperança de encontrar terras que, de acordo com aquele tratado, competissem a Portugal, teria ido navegando até o Cabo Bretón, e possivelmente até a ponta SE da Terra-Nova.
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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« Responder #132 em: Junho 29, 2007, 10:59:48 pm »
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PEREIRA  DE  EÇA

 António Júlio Pereira da Costa Pereira de Eça , oficial general e ministro da guerra , n. em 31-III-1852 e m. em 6-XI-1917. Assentou praça em 22-VII-1869, cursando os preparatórios para de artilharia . Sendo 1.º sargento graduado aspirante a oficial do batalhão n.º 2 de Caçadores da Rainha, foi promovido a alferes aluno de Artilharia da Escola do Exercito , em 15-IV-1875 .
Promovido a alferes em 27-XII-1876 , era capitão em 31-X-1884 . Nesse posto serviu Moçambique , fazendo parte do corpo expedicionário a essa província , como comandante da 1.ª Companhia do Regimento de Artilharia 4, de guarnição .Em 1884 e1885 , ainda em Moçambique , o capitão Pereira de Eça desempenhou uma comissão de serviço no Ibo.
Em 1886 foi nomeado por indicação de Mouzinho de Albuquerque , governador do distrito de Lourenço Marques .
Exonerado em 1897 , passou a servir no distrito militar de Gaza ,que se achava em estado de sitio , e na coluna de operações , recusando regressar à metrópole apesar do precário estado de saúde e tomando destacada parte no combate de Mapulenguene , em 10-VIII-1897, pelo que teve louvor .
Major desde 8-VI-1898, voltará em 1903 a servir na província de Cabo Verde como chefe do Estado Maior e secretário geral . Nesse cargo e em 1905 , fez parte de uma importante comissão encarregada de estudar e regularizar vários serviços relativos ao saneamento das populações , ás alfandegas , a concessões de terrenos, ensino publico profissional, código administrativo da província , fiscalização e defesa das águas territoriais ,etc. Louvam-no, ao abandonar o arquipélago em 1908 , pela muita actividade , zelo e inteligencia com que desempenhou todos os serviços .
Técnico da primeira categoria , já em 1893 fizera parte de uma comissão de estudos relativa ao serviço das bocas de fogo .É coronel em 6-VI-1908. A sua competencia e a sua austera capacidade de mando destacam-no entre os  mais brilhantes da artilharia portuguesa . Comanda o  regimento de Artilharia 5 ,e é consecutivamente louvado pela  forma do seu comando , pela sua cooperação na elaboração de directivas para a instrução dos seus soldados .
Soldado fiel à lei louvam-lhe em 1912 a forma como procedeu rapidamente , impedindo o alastramento dos actos de rebelião contra a República , iniciados em Viana do Castelo ,por sua imediata iniciativa suspendendo garantias e assumindo o governo militar do distrito . General por escolha desde 8-III-1913, em 1914 é ministro da guerra  altura em que deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial .
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« Responder #133 em: Junho 29, 2007, 11:03:15 pm »
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HERMENEGILDO CAPELO

Oficial de marinha que se notabilizou pelas suas explorações em África, nasceu em 1841 no castelo de Palmela, morreu em Lisboa, no posto de contra-almirante, a 4-V-1917. Era filho do major Félix António Gomes Capelo e de D. Guilhermina Amália de Brito Capêlo. Assentou praça na Marinha em 1855, terminando o curso em 1859. Em 1860 embarcou como guarda-marinha na corveta «Estefânia» , que partiu para Angola com a «Bartolomeu Dias», comandada pelo príncipe D. Luís, mais tarde rei pelo falecimento de seu irmão D. Pedro V. os navios levavam tropas para a campanha do D Dembe. Capêlo conservou-se três anos na estação naval da África Ocidental, embarcando na «Pedro Nunes» e na escuna «Cabo-Verde».
Em 1863 regressou a Lisboa na fragata «D. Fernando»,sendo promovido a segundo tenente em 1864. Voltou então a África na corveta «Sá da Bandeira», na qual tornou a Lisboa em 1866; depois de curta demora partiu para Angola na «D. João I», conservando-se em cruzeiro na costa ocidental até 1869. Seguiu para Moçambique na «Martinho de Melo», que foi levar mantimentos ás forças de Serpa Pinto, que combatiam o Bonga.
Chegando a Lisboa em 1870, partiu logo para Cabo Verde na canhoneira «Tejo». No ano de 1871 os papéis da Guiné atacavam as feitorias portuguesas, e enviou-se a uma expedição de que fazia parte Hermenegildo Capelo, o qual comandou o forte «D. Luís», onde uma explosão de pólvora por pouco não o matou. Em 1872 achava-se de novo em Lisboa; porem, um mês depois da sua chegada seguia para a China, como imediato do «Tejo», Via Suez.
Em 1876 voltou para a Europa no transporte «África». Quando chegou o couraçado «Vasco da Gama» foi mandado fazer parte da sua guarnição, e nesse navio visitou a Inglaterra.
Em 1877 designavam-no para a expedição ao interior de África que o celebrizou, indo logo a Paris e Londres, com Serpa Pinto, a fim de adquirir o material necessário. Fora o governo autorizado, por carta de lei de 12-IV-1877, a promover e subsidiar uma expedição cientifica destinada a explorar os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique, e principalmente a estudar as relações entre as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze.
Capelo foi ministro plenipotenciário junto do sultão de Zanzibar, organizador de uma carta geográfica da província de Angola, delegado do governo num congresso de Bruxelas, presidente da comissão de cartografia, vice-presidente do Instituto Ultramarino, ajudante de campo dos Reis D. Luís e D. Carlos.
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« Responder #134 em: Junho 29, 2007, 11:04:06 pm »
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HONÓRIO BARRETO

Governador de Bissau, de Cacheu e da província da Guine, por nomeação de 24 de Janeiro de 1859, na Guine, data que ignora e em 1859, sendo tenente-coronel de artilharia de Segunda linha e condecorado com a comenda de Cristo.
Foi dos mais valentes governadores coloniais, naquela época em que tudo era um caos por aquelas paragens, organização militar, administração, comércio, colonização e ate as missões religiosas.
Os territórios da Guine tinham vindo sob a jurisdição económica de companhias particulares que, na época, se chamavam, pitorescamente, «companhias de Olho Vivo».
Os ingleses ocupavam, a bem ou a mal, pedaços da nossa costa africana perante a indiferença quase absoluta da metrópole, desmoralizada com a baixa política. Só Honório Barreto resistia quando era possível, batendo-se e reconstruindo Bolama, meio destruída pêlos incêndios deitados pêlos ingleses (1839) do tenente Kellet.
Resolvida a contenda pela arbitragem do presidente Grant, Barreto empreendeu a obra de reorganização. Em 1843 novo conflito entre Bissau e o Grumetes, e Barreto, logo a seguir, firma diversos contratos com os chefes indígenas Banhuns para a ocupação de grandes áreas nas duas margens do Casamansa.
 Em 1853 grande sublevação dos papeis de Bissau com sangrentas representações e em 1856 a campanha contra os Nagos, que, havia 50 anos, hostilizavam Cacheu, foram empresas em que Barreto se cobriu de glória.
Em 1857, Barreto cede à coroa Portuguesa um território na região dos felpudos de Varela que era sua propriedade particular. Em muitas ocasiões este nativo dava lições de patriotismo aos que iam da metrópole.
 Escreveu, em defesa própria, por causa das acusações que lhe fizeram sobre os terrenos que obtivera dos régulos indígenas, um opúsculo que tem o seguinte título: Respostas ás calunias que o EXmº Sr. Fortunato José Barreiros e o Sr. António Pedro Dantas Pereira dirigiram contra Honório Barreto, governador interino da Guine Portuguesa, Lisboa, 1856. Como governador de Bissau e Cacheu, a sua gerência também suscitou algumas censuras, escrevendo em sua defesa uma carta escrita ao ILmº e EXmº Sr. Domingos Correia Arouca, Lisboa, 1843. Escreveu mais : Memória sobre o estado actual da Senegâmbia Portuguesa, causa da sua decadência e meios de a fazer prosperar, Lisboa, 1843.
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