Cenário de guerra: A Espanha invade as Desertas

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papatango

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« Responder #15 em: Maio 15, 2004, 03:55:58 pm »
Caro João Firmino.

Em primeiro lugar deixe-me apresentar-lhe os meus cumprimentos pela produção da sua página, onde se descreve de forma gráfica (e uma imagem vale mais que mil palavras) a questão das ilhas Selvagens.

De facto, as distâncias são as que refere. Não referi as distâncias que referi, com o objectivo de determinar exactamente a distância entre os rochedos sul da Deserta Grande e as praias das ilhas Canárias, mas sómente com o objectivo de dar a entender que as Selvagens estão mais próximo das Canárias que da Madeira.

Já agora, permito-me comentar o seu comentário:
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Por que razão haveremos nós, no mundo de hoje, de continuar a ver a Espanha como um inimigo, senão único, pelo menos o mais óbvio; o mais imediato, quase de estimação?

A razão, tem a ver com o facto de nós termos como Estado, quase novecentos anos de história. Ao longo de novecentos anos de História, esta, fixou-se na nossa memória. Como dizem os técnicos e os Históriadores, a História é a mamória colectiva das nações.

Óra a nossa memória colectiva diz-nos que Históricamente a Espanha nos atacou regularmente. Muitas vezes nos apresentaram a nós os cidadãos uma Espanha “plural” a que Portugal devería aderir. E depois vimos que a pluralidade afinal éra nada mais nada menos que “um conto do vigário”.

Estamos com a Espanha na União Europeia há cerca de 18 anos. Mas a nossa memória como nação não tem nem 16 nem 32 nem sequer 320 anos. Ela tem quase 900 (novecentos anos).

Como é que se pode pretender que um país que durante nove séculos (Espanha e antes Castela) contestou a nossa existência e a tentou destruir, de repente, nos ultimos anos foi atacada pelo virus do Amor e da Bondade?

A Espanha e Castela também têm a sua memória Histórica, e nessa memória Histórica está a vontade HISTÓRICA de criar uma Castela poderosa, que incluisse Portugal, partindo do pressuposto errado de que juntos os países ibéricos seríam mais fortes. Isto, quando a Historia demonstra exactamente o contrario. (Ou seja, a decadência dos estados Ibéricos começa quando se conseguem juntar).

Temos que aceitar a História como ela é, e não a podemos esquecer, exactamente porque a nação que se esquece da sua História está condenada a vivê-la outra vez.

Naturalmente, havendo mudanças em Espanha devemos estar atentos. E devemos aceitar a evolução da História, que nos leva a achar (correctamente) que nos dias de hoje, conflitos militares ente nações ibéricas são tudo menos prováveis.

Ainda bem que assim é, porque isso implica que em Espanha muita coisa entretanto mudou.

Mas, (e há sempre um mas) ainda hoje encontramos (infelizmente) em Espanha as raizes desse centralismo destruidor. A Espanha não teve uma revolução em 25 de Abril. Fez uma trasição pacifica, mas por isso deixou muito “esqueleto no armário”. Esses esqueletos ainda falam, ainda têm vóz. Hoje não se atrevem a dizer o que diziam há seis décadas atrás (Y Ahora a Portugal – depois da vitoria de Franco em 1939). Mas alguém acredita que deixaram de existir?

Como é que um estado que foi criado há 500 anos com o objectivo de construir a Ibéria, destruindo as várias nações da peniunsula, de repende esqueceu 500 anos de memória colectiva?

- 500 anos ?

- Desapareceram ?

A História foi re-escrita em Espanha ?

- Em Espanha, estuda-se a história de Portugal correctamente ?

- Em Espanha, não se continua a estudar a História referindo que Portugal se tornou independente em 1668, ignorando o facto de o país se ter formado centenas de anos antes, muito antes da propria Espanha?

- Não se continuou a dar ás crianças a ideia de uma nação “separatista”?

- Em Espanha não há por acaso jornais (La Voz de Galicia) que dizem que uma vez que Portugal se juntasse á Espanha, também aqui haveria terrorismo – Como que a dizer que também somos todos uma cambada de terroristas  ?

- Em Espanha não há jornais (ligados aos extremistas, e a tudo o que há de mais retrógrado como o ABC) onde se afronta Portugal, ao colocar noticias sobre Portugal nas páginas sobre Autonomias ?

- Em Espanha não há por acaso jornais que continuam a lavrar na eterna mentira de que as elites Portuguesas são ferozmente anti-espanholas e que o povo é Pró-Espanhol, quando todos nós sabemos que é exactamente o contrário e que se fosse por vontade das nossas elites decadentes, há muito tempo que a bandeira de S.Majestades os Reis Católicos estaria hasteada nas cidades portuguesas?

Temos que nos manter alerta. Há muito boa gente em Espanha, mas continua a haver gente perigosa em lugares de poder.

Temos que acolher aqueles que nos respeitam e nos reconhecem, como sempre fizemos. Sempre recebemos bem "aqueles que vieram por bem". Mas temos a obrigação e o dever de nos levantarmos quando outros nos humilham e nos insultam.

Hoje tudo se decide em Bruxelas, mas poderá chegar o momento em que tudo seja decidido em nosso desfavor. Nessa altura acaba-se a diplomacia dos gabinetes, para passar a outro tipo de diplomacia. Sempre foi assim em milhares de anos. Nada me leva a crer que não voltará a ser assim, se não nos mantivermos firmes.

Citar
O que de passagem ilustra bem que uma das 'armas' mais poderosas hoje em dia é do tipo ventripotente, com gravata de seda


Estou de acordo, mas quando a diplomacia acabar, eu acho que devemos estar prontos, como sempre estivemos (ou quase sempre) para discutir os temas que nos interessam, com outros meios que não os diplomáticos.

Cumprimentos
 

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dremanu

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« Responder #16 em: Maio 15, 2004, 07:07:04 pm »
Você está certíssimo PT....Um guerreiro deve sempre se manter em alerta e pronto a agir em qualquer momento, assim consegue assegurar a oportunidade de sobreviver.

Os homems e as nações devem sempre ter inimigos, que os forçem a estarem atentos ao mundo em que vivem, e a desenvolverem as capacidades que lhes permitem manter de igual-para-igual, ou ultrapassar os inimigos. Sem inimigos as nações tornam-se complacentes, preguiçosas, lentas, e acabam por se destuir a si próprias.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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Dinivan

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« Responder #17 em: Maio 16, 2004, 02:01:23 pm »
exagerados...
 

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papatango

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« Responder #18 em: Maio 16, 2004, 03:11:36 pm »
Citar
Os homems e as nações devem sempre ter inimigos, que os forçem a estarem atentos ao mundo em que vivem
Aqui não estou de acordo, porque não acho que tenhamos que andar á procura de inimigos. Devemos apenas estar atentos e não nos deixarmos "tentar". De outra forma correríamos o risco de entrar em histerías graves. Não nos devemos esquecer nunca de todos os desastres militares da nossa história.

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Sem inimigos as nações tornam-se complacentes, preguiçosas, lentas
Não sei se é assim. A verdade é que o objectivo dos estados que regem as nações, deve ser a procura da felicidade e do bem estar, e não a procura de guerras e de conflitos. O bem estar das pessoas é um objectivo mais importante que as guerras. O conflito militar e bélico, só deve existir quando o bem estar ou a segurança dos cidadãos é colocado em causa.

Os conflitos não têm justificação se não for por esta razão. E claro, as nações têm por característica prezar o seu modo de vida e as suas tradições, dado elas fazerem parte da sociedade. Portanto, defendendo as tradições, também se defende o bem estar das sociedades. Por isso as tradições dos povos devem ser mantidas e preservadas. Por isso mesmo as tentativas para criar super-estados devem ser rechaçadas e rejeitadas, porque no seu âmago está o objectivo principal da destruição das tradições das nações.

Por isso a Europa-Estado, controlada pelas duas nações que históricamente tentaram criar impérios europeus (França e Alemanha) podem colocar em perigo o nosso proprio direito á existência, disfarçando-se de coesão europeia.

Cumprimentos
 

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dremanu

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« Responder #19 em: Maio 16, 2004, 07:06:16 pm »
Bons argumentos papatango! No entanto quando eu me refiro à necessidade de ter inimigos para uma nação continuar a progredir, não me estou a referir a procurar-se criar novos inimigos através de conflitos.

Inimigos podem ser reais ou imaginários, o que importa é que se crie na mente do individuo e do coletivo da nação um senso de urgência, de necessidade de se mover, de se empenhar em trabalhar para melhorar constantemente, e não se descansar sobre os sucessos do passado, ou do presente, porque não passam de ser efémeros momentos.

Uma nação que se sinta permanentemente na necessidade de melhorar as suas instituições, as suas capacidades internas, os seus sistemas de proteção, etc, porque senão o fizer vai ser destruida, ou ultrapassada pelos seus inimigos e rivais, com certeza conseguirá impor um ritmo que assegura um constante desenvolvimento dos mesmos.

Um país que se deixa estagnar no tempo, porque acha que está seguro, e o que fez no passado já foi, e é suficiente para se manter no pelotão da frente, eventualmente será ultrapassado por todos os outros inimigos/rivais, da nação. É assim que acabam impérios, nações, empresas, povos, etc...a falta de constante movimento leva à decadência interna, e consequentemente ao enfraquecimento em relação às forças externas.

E quanto a EU, é uma faca de dois gumes, por um lado é bom porque gera uma força externa que pressiona os países como Portugal a se movimentarem mas rapidamente. Por outro lado é perigoso porque as forças do negativismo e derrotismo são presentemente muito fortes no nosso país, daí haver muita gente com medo de reagir, ou sem vontade de reagir, e que preferem se render do que lutar, algo que pode levar o nosso país a uma situação mais séria.

Pessoalmente acredito que Portugal não precisa de fazer parte da EU para impor a si próprio a pressão necessária para uma mudança mais rápida. Acho que o poderiamos fazer utilizando uma outra estratégica nacional, mas isso é assunto para um outro "thread".
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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Luso

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« Responder #20 em: Maio 16, 2004, 08:53:02 pm »
Entretanto, num fórum espanhol...

"Cenario de Guerra: Portugal ataca las Islas Canárias."
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Ricardo Nunes

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« Responder #21 em: Maio 16, 2004, 08:54:05 pm »
Citação de: "Luso"
Entretanto, num fórum espanhol...

"Cenario de Guerra: Portugal ataca las Islas Canárias."


Isto é uma piada não é?  :oops:
Ricardo Nunes
www.forum9gs.net
 

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Luso

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« Responder #22 em: Maio 16, 2004, 09:02:56 pm »
O assunto é seríssimo!
Imaginem os ódios e o receio que suscitamos nos terríveis castelhanos!  :shock:
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Tiger22

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« Responder #23 em: Maio 16, 2004, 10:36:27 pm »
Tem o link desse fórum amigo Luso?
"you're either with us, or you're with the terrorists."
 
-George W. Bush-
 

(sem assunto)
« Responder #24 em: Maio 17, 2004, 12:27:23 am »
Agradeço a calorosa recepção. O fórum, que ainda não explorei em profundidade, parece-me muito interessante e vou acompanhá-lo certamente, participando sempre que possível.

Ao Sr. Papatango,

Por favor não me interprete mal. Aquilo que eu quis dizer é que, na actualidade, há outros perigos para Portugal, porventura muito mais concretos e ameaçadores do que por parte da Espanha actual. Basta olhar para Marrocos, comparar pirâmides etárias, analisar as curvas de precipitação anual, ver as taxas de desemprego, o nível de pobreza, intuir a impaciência social, cruzar isso tudo com o fim do 'estado de graça' do novo monarca e a expansão do islamismo mais radical apimentado com a retórica nostálgica do Al-Andaluz para se perceber que dali a ameaça é objectiva.

Daí ter-me parecido estranho -e foi apenas isso que eu disse- que neste contexto se continuem a concentrar as...sentinelas, no lado de onde a ameaça é, na minha opinião, muitíssimo menor.

Cumprimentos
 

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Luso

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« Responder #25 em: Maio 17, 2004, 09:21:23 am »
"Tem o link desse fórum amigo Luso?"

Não, Tiger. Estava a brincar convosco. Não resisti. Desculpem-me.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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C. E. Borges

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A propósito de ameaças...
« Responder #26 em: Maio 18, 2004, 11:05:55 am »
A propósito de ameaças - e do tipo de ameaças - continuo convencido de que a Espanha é a «ameaça permanente». A análise racional e fria dessa ameaça, descreveu-a o Embaixador Franco Nogueira em todo o seu último livro, «Juízo Final». Acho que vale a pena ler, em conjugação com a ausência de debate acerca da «(des) Igualdade dos Estados» no âmbito desta integração Europeia. As nossas elites... as nossas eternas elites...
 

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Luso

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« Responder #27 em: Maio 18, 2004, 11:18:52 pm »
O problema é que não podemos contar com as elites, que se deixam tentar, ou como eu me deixei tentar (ou deixei de ser parvo) face à superioridade da eficácia espanhola.
Uma coisa é certa: terá que ser alguém de cima a começar por fazer alguma coisa.
E é por isso que sou péssimista.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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C. E. Borges

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Excelente texto do Sr João Firmino
« Responder #28 em: Maio 19, 2004, 12:30:04 pm »
Com certeza por distracção, só agora pude ler o excelente texto do Sr João Firmino acerca das Selvagens e respectivas «Contendas de Moura». Confesso-me pasmado com a serenidade fria e tranquila com que descreve e analisa as «contendas» e, quando leio que «era bom que Portugal não confundisse diplomacia com humilhação e subserviência», não posso deixar de recordar as palavras do tal Embaixador (Franco Nogueira) a propósito dos "governos moles" em Portugal. Mas a gelatina parece que está para durar, e é claro que onde é mole... pesca-se, por exemplo, com uma licença outorgada pelo governo de Madrid com o posterior aval alemão, e recorre-se depois enfim ao Tribunal Europeu... é assim. A vil tristeza.
 

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Luso

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« Responder #29 em: Maio 19, 2004, 11:18:22 pm »
Borges, brinde-nos com mais algumas palavras a esse respeito. E apareça mais vezes por aqui...
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

 

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