AUTOEUROPA - VW Marrakech fica em Wolsburg

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papatango

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AUTOEUROPA - VW Marrakech fica em Wolsburg
« em: Setembro 27, 2005, 03:19:23 pm »
Foi hoje confirmado aquilo que já se sabia há uma ou duas semanas pelo menos. A fábrica de Palmela da Autoeuropa, onde se fabricam os VW Sharan e Ford Galaxie, não fabricará o novo modelo todo o terreno do fabricante alemão.

A Autoeuropa, ficará com a construção do novo desportivo da Volkswagen, mas não produzirá um segundo veículo.

A conclusão, é a de que ao contrário do que dizem alguns aráutos do liberalismo, que em Portugal se prostituem aos espanhóis sob o argumento de que o capital não tem Pátria, afinal estão enganados.

O capital tem Pátria, e em situações de crise, o capital alemão optou por ficar na sua terra e defender os seus postos de trabalho.

Que sirva de lição aos iberistas, espanholistas e Mario Soaristas, que advogam a diluição de Portugal na ibéria.

O Capital tem Pátria, quando os cidadãos têm coragem para manter a sua dignidade.

Cumprimentos
 

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komet

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« Responder #1 em: Setembro 27, 2005, 03:30:52 pm »
Não é demais lembrar o "movimento 560", sempre que possível comprem português meus caros!
"History is always written by who wins the war..."
 

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Dinivan

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« Responder #2 em: Setembro 27, 2005, 03:42:39 pm »
El capital no tiene patria. Hay muchas razones por las cuales VW pueda haber decidido fabricar allí el modelo: tal vez la fábrica alemana tenia capacidad de producción desaprovechada. Tal vez otras fábricas estén saturadas. Puede que lo haya hecho a modo publicitario para no empeorar su imagen en Alemania (como le ha pasado Deutsche Bank por ejemplo), o simplemente por que como oficialmente indica VW, se haya llegado a un acuerdo para reducir allí los costes de producción... no sé sobre que base afirma usted que lo ha hecho por que su sede esté en Alemania, si lo ha afirmado la propia VW o algún periódico, ¿podría usted dar la fuente?

Citar
Segundo uma fonte oficial do grupo alemão, após negociações com os sindicatos registadas durante esta última noite, foi possível assegurar uma redução dos preços de produção do novo modelo.

Em comunicado, o director da Volkswagen, Wolfgang Bernhard, referiu que o entendimento com os sindicatos permitiu reduzir em cerca de 850 euros o custo de cada unidade produzida, o que viabilizou a escolha de Wolksburgo.

Caso o modelo Marrakesh não fosse produzido na fábrica da Volkswagen na Alemanha, que conta com cerca de 50 mil trabalhadores, isso poria em causa cerca de mil postos de trabalho
 

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NVF

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« Responder #3 em: Setembro 27, 2005, 07:23:35 pm »
PT, esqueceste-te do SEAT Alhambra que tambem e' fabricado na Autoeuropa  :)
Everyone you will ever meet knows something that you don't.
- Bill Nye
 

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3520

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« Responder #4 em: Setembro 27, 2005, 10:44:57 pm »
eheheh  :twisted:
 

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papatango

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« Responder #5 em: Setembro 28, 2005, 02:05:39 pm »
É verdade. Tinha-me esquecido da Volkswagen de Espanha.


Citação de: "Dinivan"
El capital no tiene patria. Hay muchas razones por las cuales VW pueda haber decidido fabricar allí el modelo: tal vez la fábrica alemana tenia capacidad de producción desaprovechada. Tal vez otras fábricas estén saturadas.


O capital tem Pátria e este caso é a maior demosntração disso mesmo.

A fábrica de Palmela é presentemente uma das mais, se não a mais sofisticada e produtiva fábrica da VW na Europa.
Segundo toda a comunicação social noticiou, o VW Marrakech fabricado em Palmela, teria um preço de custo €1.000 inferior ao da fábrica de Wolfsburg mesmo com o transporte incluido.

A fábrica de Palmela quer por causa do custo da mão de obra (que em Portugal é inferior à Alemanha), quer pelo facto de a fábrica  ter dos maiores níveis de robotização e automatização, é mais competitiva que a de Wolfsburg.

Segundo as últimas noticias, os sindicatos aceitaram reduzir os salários dos trabalhadores, de forma a que a diferença de €1000 a favor da fábrica de Palmela fosse reduzida para apenas €150. (Os €850 de diferença foram assumidos pelos trabalhadores alemães, para poderem competir com os portugueses).

Mas mesmo assim, o VW MARRAKECH vai sair de Wolfsburg mais caro que se saisse de Palmela. Custará €150 a mais.

A decisão não é uma decisão económica, (se não o carro sería fabricado em Portugal), é uma decisão politica e que tem principalmente a ver com a pressão de um tal senhor Stoiber.

O Senhor Edmund Stoiber, é o responsável máximo do partido CSU, e é o Primeiro Ministro da Baviera.
O Estado da Baviera, é dono de 30% do capital da Volkswagen, e as pressões já ocorriam antes do periodo eleitoral na Alemanha.

O Capital tem Pátria, e este caso é uma demonstração clara e evidente disso.

Cumprimentos
 

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USB80

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Sindicatos dão o dito pelo não dito
« Responder #6 em: Dezembro 23, 2005, 07:55:35 pm »
http://www.diarioeconomico.com/edicion/ ... 02006.html

Só gostaria de referir a atitude dos trabalhadores (sindicatos?) da Autoeuropa ao não aceitar agora as condições do pré-acordo de aumentos salariais já negociado. Acho muito bem, lutem e chateiem os Alemães que eles não têm mais onde produzir carros. É bem sabido que os trabalhadores portugueses da Autoeuropa são os melhores e mais qualificados do Mundo, por isso podemos pressionar e chatear os Alemães até à exaustão porque eles sem nós estão perdidos!

Acho uma atitude muito inteligente por parte dos trabalhadores da Autoeuropa, e se a VW decidir deslocar a fábrica para outro país, que se lixe, o problema é deles, nós é que não cedemos!

Se a isto acrescentar-mos o aumento de mais de 10% que vai sofrer para o ano a electricidade, que era uma reclamação já antiga da administração da VW, temos todos os ingredientes para os alemães nunca mais querer sair daqui!  :dormir:
"Common sense is the less common of the senses"
 

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jango

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Re: Sindicatos dão o dito pelo não dito
« Responder #7 em: Dezembro 26, 2005, 03:40:56 pm »
Citação de: "USB80"

Só gostaria de referir a atitude dos trabalhadores (sindicatos?) da Autoeuropa ao não aceitar agora as condições do pré-acordo de aumentos salariais já negociado. Acho muito bem, lutem e chateiem os Alemães que eles não têm mais onde produzir carros. É bem sabido que os trabalhadores portugueses da Autoeuropa são os melhores e mais qualificados do Mundo, por isso podemos pressionar e chatear os Alemães até à exaustão porque eles sem nós estão perdidos!

Acho uma atitude muito inteligente por parte dos trabalhadores da Autoeuropa, e se a VW decidir deslocar a fábrica para outro país, que se lixe, o problema é deles, nós é que não cedemos!

Se a isto acrescentar-mos o aumento de mais de 10% que vai sofrer para o ano a electricidade, que era uma reclamação já antiga da administração da VW, temos todos os ingredientes para os alemães nunca mais querer sair daqui!  :D  :D

Cuidado USB80...temos por aqui muita gente de Lx..e para aqueles lados é só sindicalistas....
 

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Marauder

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« Responder #8 em: Fevereiro 09, 2006, 10:49:09 pm »
Boas

....sim....então que continuem intransigentes que se um dia, a VW começar a apresentar resultados negativos, vamos a ver aonde é que as fábricas fecham. Lá para as Americas ainda à umas semanas foram anunciados uns 40mil despedimentos. Relativamente aos empregos directos e indirectos criados com a Auto-Europa não sei o numero, mas sei que teriam um impacto maior na nossa economia que esses 40mil nos EUA. Pessoalmente fico contente que tenham chegado a acordo.

    Se a nossa fábrica que sim, era a mais produtiva à 2 anos atrás foi ficando esquecida nas mentes deles, até ao ponto que actualmente a produção está para metade, então veremos qual é a economia que ficará mais afectada com o fim da Auto-Europa. A da VW ou a de Portugal?

     Infelizmente é mm assim, hoje em dia nem o sindicato e ja nem o estado podem fazer muito nestas discussões laborais. O nossos sindicatos são muito fracos, não como na alemanha onde para cada sector de actividade existe 1 sindicato, uma só voz, tem um enorme peso nas negociações.

  Não podemos fazer muita fita USB80, senão arriscamo-nos a queimarmo-nos com o fogo.


    saudações
 

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Leonidas

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« Responder #9 em: Fevereiro 10, 2006, 01:52:00 am »
Saudações guerreiras.

Bem-vindo Marauder ("da arca perdida")  :D

Citação de: "Marauder"
Se a nossa fábrica que sim, era a mais produtiva à 2 anos atrás foi ficando esquecida nas mentes deles, até ao ponto que actualmente a produção está para metade, então veremos qual é a economia que ficará mais afectada com o fim da Auto-Europa. A da VW ou a de Portugal?

Alguém tem dúvidas quanto á resposta?

Citação de: "Marauder"
Infelizmente é mm assim, hoje em dia nem o sindicato e ja nem o estado podem fazer muito nestas discussões laborais. O nossos sindicatos são muito fracos, não como na alemanha onde para cada sector de actividade existe 1 sindicato, uma só voz, tem um enorme peso nas negociações.


Não sei se será uma questão de sindicalismo fraco ou forte. Nestas coisas só podia haver uma solução ou aceitavam ou sujeitavam-se ao pior que, na pior das hipóteses, não para já, era o enceramento da fábrica a médio longo prazo. A meu ver, a decisão que se tomou em primeiro era aquela que mais se ajustava aos interesses dos trabalhadores, quando 55% deles votou contra os aumentos previstos para 2006. A cantiga das administrações das empresas estrangeiras é sempre a mesma, ou aceitam ou não há mais nada para ninguém, ponto final, parágrafo. Se isto não é chantagem anda lá perto. Para mim isto não é normal, porque é estar a condicionar o bem estar de todos os que dependem da existência daquela empresa e a condicionar também todos os portugueses. O que ouvimos por aqui é que só a produção da Auto-Europa é responsável por 2 a 3% do PIB português logo é condicionar o desenvolvimento de todo um país.

As coisas que se passam na Alemanha são muito diferentes em relação a qualquer país onde seja receptor de industria importante como esta. Eles lá têm o poder que têm, porque a possibilidade da Volkswagen mudar a produção total para outro país é muito mas muito remota senão totalmente impossivel, mesmo sendo isso sempre apetecível. Mas claro, será também uma coisa totalmente intolerável sob o ponto de vista político. Não estamos a falar de empresas têxteis ou calçado, atenção. Sendo assim o poder de negociação é sempre maior do que num país como o nosso, pudera, com as costas quentes tudo é possível!!!! Mesmo a AGMetal (acho que é assim que se chama o maior sindicato da Alemanha) é obrigada a ceder, mas serão sempre benificiados indiretamente, ainda para mais na Alemanha. Se fosse nos EUA eu ainda torcia o nariz por não haver maior proteção aos desempregados, agora aí!!

Os governos num país como Portugal serão sempre apanhados de calças nas mãos. Aquilo que qualquer governo pode fazer é zero e se arrebitar o cachimbo sujeita-se, em menos de 2 anos, a ver desaparecer uma péssima fonte de rendimentos para o país. Que chatice!! Aliás qualquer empresa poderosa, não necessita de pretexto para levantar o barraco e ir vender para outra feira, basta decidir que se quer ir embora e vai. O que os governos fazem, nestes casos, é afirmar que seriam os que lá trabalhavam os responsáveis, como sempre. Só acredita quem quer acreditar, porque nunca se tratou deste argumento. Depois aumentam-se os impostos e apertam com os contribuintes honestos do costume para ver se a coisa vai lá, tornando-nos assim ainda muito mais competitivos que nunca. Não sei porque razão os Alemães ainda não nos copiaram …  

O que está em causa é o subdesenvolvimento do país em áreas que como esta, num passado não muito distante, pura e simplesmente se deixou acabar por completo, por pura negligência política. Não nos podemos dar ao luxo de cometer calinadas atrás de calinadas, porque não temos back-up suficientemente poderoso e convincente para vivermos descançados por comparação com um país como a Alemanha. Um país que tem competência técnica suficiente para isto e mais alguma coisa, porque não o faz?
Enfim, não se pode ter tudo. Por nós não conseguirmos, se não são os outros, o que haveria ser de nós? É mesmo muito bonito, isto tudo.

Vêm os outros com empresas muito bonitas e tal. O governo manda dizer que se enquadra no plano tecnológico.
Nós aqui vamos continuar a fazer aquilo que sempre conseguimos fazer de melhor, construir e pedir dinheiro emprestado para ir de férias, nem que seja á praia dos tesos.

Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #10 em: Fevereiro 10, 2006, 09:36:27 am »
Caro Leonidas,

         é verdade, o quadro de negociações sociais não é assim tão negro como aparentemente retratei. O que queria dizer é que é sempre no fim uma decisão das empresas, elas é que tem o poder, de resto é sempre o normal, elas apresentam um valor muito baixo, os sindicatos sempre um valor muito alto ( pensam que é num ano que conseguem recuperar a diferença..), e pronto, lá se consegue chegar a um acordo e subir uns valores.

       
Citar
Saudações guerreiras.

Bem-vindo Marauder ("da arca perdida")  

Marauder escreveu:
Se a nossa fábrica que sim, era a mais produtiva à 2 anos atrás foi ficando esquecida nas mentes deles, até ao ponto que actualmente a produção está para metade, então veremos qual é a economia que ficará mais afectada com o fim da Auto-Europa. A da VW ou a de Portugal?


Alguém tem dúvidas quanto á resposta?


   Pois, seria Portugal. A VW tem um cadeia de fábricas a produzir, os concorrentes directos da Auto-Europa, e caso as negociações salariais desta dessem para o torto, com os sindicatos a não cederem, o mais provavel seria no fim da produção do novo descapotavel, o Eos, simplesmente não atribuiriam novos projectos e a fábrica fechava. O único senão é que estas decisões custam dinheiro, o custo de desinvestimento, também chamado na literatura como barreiras à saida ( está algures no Modelo de 5 forças de Porter).
 
     Não quero insinuar que a Auto-Europa é a economia portuguesa, nem pouco mais ou menos. É verade que representa uma pequena fatia do nosso PIB, o que é um feito notável. A minha preocupação era que uma noticia como o fecho da Auto-Europa teria na força anímica dos portugueses, uma economia que está a lutar para recuperar e desenvolver-se, seria a meu ver a "ultima machadada". De noticias más já bastam as texteis em Portugal, cada dia que passa é menos uma e mais desempregados. O impacto psicologico do fecho da Auto-Europa a meu ver seria superior ao económico.


     Relativamente ao nosso modelo social, posso-lhe afirmar que ele é fraco, quando estudei os modelos sociais tive a oportunidade de os comparar com o modelo alemão e sueco, e revi melhor o alemão. Existem muitos factores que fazem o nosso modelo fraco. Em primeiro lugar o tecido economico português, que é feito das PME, empresas que não "alimentam" sindicatos normalmente. Enquanto muitas nem tem sindicalistas, outras tem os chamados comissão de trabalhadores. Outro factor é a variedade e divisão politico-ideologica dos nossos sindicatos. São 5 sindicatos, em que somente 2 têm razoavel poder, a CGTP e a UGT. Neste aspecto não sou o melhor para dizer qual destes é o mais forte,  penso que é a CGTP mas não posso garantir. Para além destes 5 existem outras dezenas de confederações e etc.

    No fim, quando existem negociações a tratar, existem sempre conflictos entre sindicatos, ou simplesmente não aparecem. Em qualquer dos casos o poder negocial é reduzido.


    Bem isto é a teoria, mas na prática não podemos pensar assim, temos que lutar, com cabeça, e perceber quando é para ceder. Fico contente que se tenha chegado a acordo na Auto-Europa E QUE os trabalhadores no fim vão ter melhores condições salariais. Mas é um jogo arriscado que se deve saber quando se deve ceder.

    Sim, porque a fábrica de Wolfsburgo até estava às lonas, sem projectos em vista, tanto que a atribuição do Marrakesh a meu ver foi mais politica que outra coisa. Mas ao contrario do Papatango, eu penso que o capital não tem pátria, se assim fosse então Portugal ainda estaria pior em termos de desemprego e de economia (..ou talvez não). Cada país tem que respeitar as normas da UE e CE, por isso é que existem autoridades da concorrencial, quer ao nível da CE quer ao nível nacional.
 A decisão alemã penso que se prendeu com o efeito psicológico ( aqui entra um pouco o "capital tem pátria", afinal...Wolfsburgo é uma cidade histórica pela sua ligação à industria alemã, e grande impacto teria no mercado interno alemão se os alemães vissem uma empresa alemã a despedir alemães para produzir elsewhere), mas também aos custos de desinvestimento, agora que a VW tem uma cadeia de fábricas, o normal será tentar "alimentá-las" a todas com projectos, ou, vendo que tem um numero demasiado grande, eliminar 1 ou 2, com os grandes custos que isso implicada.

      O capital não tem pátria, que digam os trabalhadores da Ford, 30 mil para o desemprego nos EUA, mais quase 10mil da GE nos EUA e outros casos.

     Saudações
 

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Marauder

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« Responder #11 em: Fevereiro 10, 2006, 02:33:58 pm »
Boas, noticias bem frescas..

Volkswagen admite cortar até 20.000 empregos

O grupo Volkswagen prevê suprimir 20 mil empregos nos próximos três anos, de acordo com um conjunto de medidas de restruturação anunciadas esta sexta-feira.


A líder europeia da indústria automóvel e principal operador do Parque Palmela anunciou este plano na mesma ocasião em que divulgou os resultados de 2005.

No ano passado, o lucro do grupo que opera a Autoeuropa alcançou 1,12 mil milhões de euros, superando os pouco mais de 835 milhões esperados por analistas.

O desempenho reflecte um crescimento superior a 61% no lucro líquido, enquanto o resultado antes de impostos superou 1,7 mil milhões, sobre vendas anuais que atingiram 95,3 mil milhões de euros.

Por seu lado, o lucro operacional aumentou 70%, até aos 2,7 mil M€, graças aos resultados do programa ForMotion.

O cash flow operacional da divisão automóvel cresceu 30% para os 2,39 mil milhões, graças a restrições no capex (gastos de investimento).

10-02-2006 14:08:03



       ...  a continuar com o meu outro comentário, no fundo à que ter cuidado porque negociações salariais é brincar com o fogo.

         Espero que esta noticia não envolva Portugal. A nível de conteudo somente tenho a estranhar visto que todos os indicadores estão positivos, e denotam crescimento do lucro, o porquê de medidas tão severas. Talvez tenha sido algum detalhe estratégico que escapou ao jornalista.


        Saudações
 

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Leonidas

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« Responder #12 em: Fevereiro 12, 2006, 04:29:29 pm »
Saudações guerreiras.

Citação de: "Marauder"
é verdade, o quadro de negociações sociais não é assim tão negro como aparentemente retratei. O que queria dizer é que é sempre no fim uma decisão das empresas, elas é que tem o poder, de resto é sempre o normal, elas apresentam um valor muito baixo, os sindicatos sempre um valor muito alto ( pensam que é num ano que conseguem recuperar a diferença..), e pronto, lá se consegue chegar a um acordo e subir uns valores.

Caro Marauder, é claro que se sabe que o poder tem obrigatoriamente de estar nas empresas. Isso eu sei e ainda bem que é assim, caso contrário estávamos num Kibutz ou pior, num sistema de economia planificada, tipo URSS, o que seria perfeitamente descabido. O mesmo se passa na Alemanha, claro. Isto só pode ser verdade, primeiro lá (aí) e só depois cá, na grande maioria das vezes, seja no que for.

Para mim Portugal tem todo o interesse em que a Alemanha e o seu povo (fazendo os operários logicamente parte desse mesmo povo) seja o mais desenvolvido possível, porque é um grande receptor de turismo - uma industria importantíssima cá. A Alemanha é só um dos grandes contribuidores em “cash” em Portugal e a juntar a tudo isto, a Alemanha também é, ainda, uma grande receptora de uma boa parte da produção que cá se faz.

Isto é só para realçar a importância de que sendo os operários da Alemanha, nascidos ou naturalizados, como alemães, devem ter mais poder de compra do que muitas pequenas ou pequeníssimas empresas portuguesas no final de cada ano. Basta ver que a mentalidade na Mercedes é que cada funcionário tenha amor á camisola e assim sendo ele também adquirir o seu Mercedes e assim se salva o seu posto de trabalho e muitas, mas muitas mais coisas boas que advêm desse simples gesto para todos eles. Só isto é mais que suficiente para se estar atento a tudo o que lá se passa. Aliás não só nós tugas, como toda a Europa.

Seja no que for, eles terão sempre mais vantagem, mas atenção, esta conversa dos operários é acessória, ou melhor, é mais acessória lá do que aqui, mas não é isso que está em causa, claro, nunca pode estar. O que estão é questão é forçosamente termos que estar sempre dependentes e com isso pouca ou nenhuma vantagem traz no geral, por muitas exportações que se façam. Não estou, porém, também a querer desvalorizar as exportações, atenção. Simplesmente tenho em conta as caracteristicas especifias ou não de Portugal.

Citação de: "Marauder"
Pois, seria Portugal. A VW tem um cadeia de fábricas a produzir, os concorrentes directos da Auto-Europa, e caso as negociações salariais desta dessem para o torto, com os sindicatos a não cederem, o mais provavel seria no fim da produção do novo descapotavel, o Eos, simplesmente não atribuiriam novos projectos e a fábrica fechava. O único senão é que estas decisões custam dinheiro, o custo de desinvestimento, também chamado na literatura como barreiras à saida ( está algures no Modelo de 5 forças de Porter).
Não esquecer que nestas coisas há muita poeira pelos ares a tentar cegar mais algum incauto. Eles estão cá, mas porque lhes cheirava a dinheiro e outras facilidades. Se eles quiserem irem embora, eles vão com o mais á vontade deste mundo, porque onde eles se irão instalar, de certeza que lhes será muito mais rentável e porque lhes compensará. Basta só abanar com umas folhas de papel a dizerem mai$ $ub$idio$, por exemplo. É claro, o que não pode acontecer é tudo ser feito ás descaradas, porque aí a comissão interviria.  :D

Citação de: "Marauder"
Relativamente ao nosso modelo social, posso-lhe afirmar que ele é fraco, quando estudei os modelos sociais tive a oportunidade de os comparar com o modelo alemão e sueco, e revi melhor o alemão. Existem muitos factores que fazem o nosso modelo fraco. Em primeiro lugar o tecido economico português, que é feito das PME, empresas que não "alimentam" sindicatos normalmente. Enquanto muitas nem tem sindicalistas, outras tem os chamados comissão de trabalhadores. Outro factor é a variedade e divisão politico-ideologica dos nossos sindicatos. São 5 sindicatos, em que somente 2 têm razoável poder, a CGTP e a UGT. Neste aspecto não sou o melhor para dizer qual destes é o mais forte, penso que é a CGTP mas não posso garantir. Para além destes 5 existem outras dezenas de confederações e etc.


Corrija-me se estiver errado, não é de estranhar e não será de estranhar. Desde 1640 que andamos a brincar, nada mais. Aquilo que temos é fruto da nossa total incompetência. Se não são os agentes económicos são os governos e andamos neste ciclo vicioso, salvo alguma rara excepção na história de Portugal. Veja só que aquilo que este governo está a fazer. Por um lado está, na generalidade, a tentar disciplinar/ajustar/reformar/etc (é á escolha do freguês) o sistema e por outro lado está a dar um tiro no pé com investimentos que não vão em nada beneficiar Portugal daqui a 10/20/30/40/etc. anos.

Tenho que concluir que até agora não vi nada que me fizesse espantar (pela positiva, claro). Um tal plano dito tecnológico, enfim, lá está, em termos práticos até agora “só está a resultar porque são os outros”. Mas que raio de plano é este. Onde é que está a industria/empresa nacional? O que se está a passar é mais uma ilusão se as coisas não se inverterem.

Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #13 em: Fevereiro 12, 2006, 06:51:57 pm »
Boas,      

        O turismo é, e vai continuar a ser nos próximos tempos um dos motores do nosso país, no entanto o turismo é volatil. Sem querer entrar em paranoia, mas há sempre que referir que um atentado terrorista em Portugal ou um derramamento petrolifero no Algarve (que tem grande peso no turismo em Portugal) teria consequencias más, para não dizer catastróficas.

   Portugal deve tentar obter e manter bons clusters industriais. Já temos o automóvel, bom, ah que manter e conseguir mais. Cortiça também. No entanto, sempre que possivel devemos tentar mais, pois quem relaxa e leva as coisas como certas acaba por "morrer". Se os empresários do Vale do Ave soubessem que iriam sofrer enormemente com os texteis chineses talvez teriam aproveitado melhor os subsidios da UE em vez de comprar Ferraris :wink:

   Mas sim, o turismo será sempre incontornavelmente um motor da nossa economia.

   Relativamente aos projectos megalómanos do governo, embora o dinheiro aplicado seja sempre útil noutras áreas, são investimentos que tem que ser feitos, ao contrário de Euros e Expos. Relativamente ao Aeroporto de Lisboa, estamos a perder dinheiro com a recusa de vôos, e basta somente viajar por ai para poder notar as diferenças.
        Um novo aeroporto é necessário, visto que o actual está limitado em termos de expansão. Relativamente ao tópico tabu da localização, fico descontente com os 50km de distancia, mas se tem que ser tem que ser, desde que haja uma boa ligação à capital e barata. Tive no Aeroporto de Hong-Kong, e a ligação entre o aeroporto e a cidade é muito boa.
        Relativamente ao TGV, acho que o projecto é empurrado para cima do governo pela UE, e entre fazer obra com dinheiro comunitário, e não fazer, perdendo no futuro essa ajuda, hum...é escolha dificil mas em termos capitalistas percebe-se. Pessoalmente acho que seria melhor para o pais vitalizar a CP Carga e incentivar/melhorar o caminho-de-ferro para mercadorias. Isso sim seria óptimo para a economia, ajudando Portugal a tornar-se numa plataforma logística para a Europa.

    Existe outra ideia que normalmente me faz ter esta visão não tão negativa. Estamos a falar de projectos que envolvem muitos milhões, mas com um muito longo periodo de construção. Os pagamentos feitos pelo estado não vão ser feitos ao mesmo tempo, longe de isso. Se dividirmos o dinheiro pelos anos do projecto, somente isto já reduz o valor a um nível confortavel. O facto de que a economia portuguesa não vai estar sempre em crise também ajuda. Agora estamos em baixo, mas provavelmente daqui a 3 anos o caso já estára diferente...espero eu. E de certeza que haverá contrapartidas quando formos a comprar o material circulante TGV para a CP. Pessoalmente encaro com naturalidade as reacções da sociedade...é natural em casos de crise, tal como o crescimento do nacionalismo, etc etc.

    Agora o que me "gela os tomates" é a questão das reformas que enclodirá daqui a umas decadas. É que precisamente daqui a umas décadas é que eu deverei precisar dela!!! E não é problema só nosso, é dos EUA e de outros paises europeus.

   Desculpem lá pela divagação...relativamente ao resto concordo contigo Leonidas...ninguém vai ao leme desde a restauração da Independencia..

    Cumprimentos,
 

*

Leonidas

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« Responder #14 em: Fevereiro 18, 2006, 04:54:19 pm »
Citação de: "Diário Digital"
VW: Reestruturação não afectará AutoEuropa, diz ministro
O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou, esta terça-feira, acreditar que a AutoEuropa não será afectada pela reestruturação que a Volkswagen anunciou a semana passada e que passará pela dispensa, nos próximos três anos, de cerca de três mil funcionários.

Falando à margem de uma iniciativa em Santa Maria da Feira, que serviu para fazer o balanço do programa de incentivos à modernização empresarial PRIME, Manuel Pinho recordou, em declarações reproduzidas na TSF, o facto da Volkswagen ter escolhido Portugal e a Auto-Europa para produzir um novo modelo, o que, na opinião do ministro, vem demonstrar que «Portugal tem factores de competitividade que estão a vir ao de cima».

Também por este motivo, o titular da pasta da Economia desafiou os empresários a aproveitar os 500 milhões de euros disponíveis no programa PRIME, para alavancar um investimento de 1.300 milhões de euros nas pequenas e médias empresas.

«Nos últimos meses houve uma inversão no clima de investimento no país, com projectos importantíssimos que a médio prazo se vão traduzir no aumento das exportações e há sinais de que Portugal tornou a estar na rota do crescimento», afirmou Manuel Pinho, embora, notando algumas incertezas, não deixar de aconselhar a «não embandeirar em arco»
14-02-2006

Citação de: "Marauder"
Um novo aeroporto é necessário, visto que o actual está limitado em termos de expansão. Relativamente ao tópico tabu da localização, fico descontente com os 50km de distancia, mas se tem que ser tem que ser, desde que haja uma boa ligação à capital e barata.

Caro Marauder, não sendo nenhum especialista nestas matérias, concordo que deva haver um novo aeroporto, mas exatamente no mesmo lugar onde se encontra o atual, em Lisboa. As limitações em termos de espaço podem ser válidas mas resulatam de uma ocupação errada dos espaços, por não haver regras ou, caso em estas existindo, não foram cumpridas. Não só tendo em conta o futuro mas de maneira a que a propria cidade tenha um crescimento harmonioso. Lembre-se que Portugal ainda é um país pensado por pedreiros e para pedreiros. Esse é só o lobbie mais forte de mãos dadas com a banca e o turismo de betão.
aliado a isto, lembre-se também que existiu/existe e existirá (se não se começar a trabalhar a sério no seu combate) o factor "C" de corrupção.


Citação de: "Marauder"
Relativamente ao TGV, acho que o projecto é empurrado para cima do governo pela UE, e entre fazer obra com dinheiro comunitário, e não fazer, perdendo no futuro essa ajuda, hum...é escolha dificil mas em termos capitalistas percebe-se. Pessoalmente acho que seria melhor para o pais vitalizar a CP Carga e incentivar/melhorar o caminho-de-ferro para mercadorias. Isso sim seria óptimo para a economia, ajudando Portugal a tornar-se numa plataforma logística para a Europa.[/size]


Nem daqui a 50 anos Portugal precisará alguma vez de uma infraestrutura de comboios de alta velocidade. Aquela que temos nem serquer está potenciada ao máximo e as obras todas ainda não terminaram. Já escrevi que temos um porto de águas profundas em Sines sem uma ligação ferroviária desde que chegou o combóio a Portugal em meados do séc. XIX.

Quero ver se nos valerá de muito termos uma linha de TGV no dia em que Espanha tiver problemas internos de segurança por causa da questão das autonomias. Quero ver o que o governo vai fazer quando os espanhóis decidirem, por um motivo qualquer, barrar as estradas e linhas de comboio. Se rebentar uma guerra em Espanha, Portugal será uma ilha autênticamente isolada. Será que Portugal tem meios para responder a essas eventualidades? Esperemos todos que não seja preciso e que Espanha se mantenha em paz. Já agora qual seria o custo da paz espanhola para nós? Vender mais um pouco da nossa "dignidade"?

Grande parte das empresas que trabalham com frotas de carga abastecem em Espanha porque é mais barato. Esse problema era fácilamente resolvido por uma boa frota de ferries e navegar nas mais diversas rotas. Desta simples maneira já dava para desenvolver a nossa industria da construção naval por muitos bons anos, sem necessidade de estarmos com as pedinchisses do costume aos outros e a dar cabo da nossa independência económica, por causa da crise no setor das pescas.

Desta simples maneira já as empresas não teriam gastos astronómicos em combustivel e manutenção, podendo hav er claros beneficios para todos. Desde aquele quer produz até ao consumidor final e que vai pagar um custo seguramente inferior. Não haveria tanta poluição e graves consequ~encias ambientais, tais como o aquecimento global e tantas outras coisas boas.

A justificação do gastar dos dinheiros comunitários em projetos como os do TGV e Aeroporto da Ota, não passam da mais prefeita das desculpas de um governo que não tem ideias precisas e coerentes acerca de um desenvolvimento integrado para responder ás necessidades du futuro em termos de sustentabilidade. Lembre-se que o TGV vais ser fortemente subsidiado para que tenha a tal viabilidade que o governo tanto propagandeia. Continuamos a viver com o dinheiro dos outros e não aquele que conseguimos produzir por meios próprios. São as obras do regime. Vive-se na ilusão e de muito discurso demagógico de politicos que, se calhar, nunca passaram dificuldades na vida.  

Cumprimentos
 

 

VW twrá escolhido AutoEuropa para produção de novo SUV

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