A Batalha de Aljubarrota

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André

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« Responder #30 em: Agosto 16, 2007, 10:02:05 pm »
Na wikipédia em espanhol refere que além de cavaleiros franceses havia cavaleiros italianos. Pergunto se isto é verdade :lol:

 

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papatango

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« Responder #31 em: Agosto 17, 2007, 01:00:40 am »
Não é impossível, mas não nos podemos esquecer que até à criação dos estados modernos, os cavaleiros serviam um senhor e não um país.

A ideia de Nação não existia, e um dos poucos países onde se pode afirmar que existia uma identidade nacional (ou algo parecido) era Portugal, e mesmo assim a importância do monarca era muito importante.

No centro da Europa era normal haver muitas vassalagens deste tipo.

De qualquer forma, em termosde tropas  internacionais a presença mais relevante na batalha de Aljubarrota foi a da cavalaria pesada francesa, que não podemos esquecer era a força militar mais poderosa da idade média. Participaram na batalha milhares de cavaleiros franceses.

A seguir em importância e embora a grande distância esteve evidentemente o apoio dos cerca de 300 arqueiros ingleses, que com o seu arco longo, embora fossem numericamente muito inferiores ao numero de cavaleiros franceses conseguiam disparar um numero de setas por minuto, que era impossivel de acompanhar pelos nossos besteiros.
 

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André

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« Responder #32 em: Agosto 17, 2007, 01:03:08 am »
Obrigado pela informação Papatango.  :G-Ok:

 

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Tuga

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« Responder #33 em: Setembro 02, 2007, 06:26:40 pm »
A Batalha de Aljubarrota ainda hoje deve estar "presa" na garganta dos Espanhóis !!!

 f2x2x
 

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comanche

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« Responder #34 em: Setembro 02, 2007, 07:23:15 pm »
Citação de: "Tuga"
A Batalha de Aljubarrota ainda hoje deve estar "presa" na garganta dos Espanhóis !!!

 f2x2x


Presa na garganta e bem presa, 622 anos depois,

Vejam os dados da batalha da Wikipédia portuguesa,

do lado português, 6500 homens, do lado castelhano, 31000 homens.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_aljubarrota
http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Aljubarrota

Vejam os dados da batalha da Wikipédia espanhola, até 17 Julho de 2007

do lado português, 6500 homens, do lado castelhano, 31000 homens.

http://es.wikipedia.org/w/index.php?title=Batalla_de_Aljubarrota&oldid=10099882


Vejam os dados da batalha da Wikipédia espanhola, a partir de 21 de Julho de 2007

do lado português, 16500 homens, do lado castelhano, 31000 homens.

http://es.wikipedia.org/w/index.php?title=Batalla_de_Aljubarrota&oldid=10179105

Os castelhanos acrescentaram mais 10000 homens ao exército português, para assim tentarem atenuar a estrondosa derrota que tiveram :mrgreen:

É este tipo de interpretação e falsificação da história, pelos castelhanos que estamos habituados.
 

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HELLAS

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« Responder #35 em: Setembro 02, 2007, 09:40:03 pm »
Citação de: "Tuga"
A Batalha de Aljubarrota ainda hoje deve estar "presa" na garganta dos Espanhóis !!!

 f2x2x


Posso dar fe que nao tenho nada na garganda dissa batalha, nem dissa nem da batalha de Toro, por exemplo, nao pemso no futuro, so pemso ter as melhores relaçoes com Portugal e os portugueses.
 

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carlos duran

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datos da batalha de aljubarrota
« Responder #36 em: Setembro 21, 2008, 12:42:11 am »
Recomendo vivamente o livro portugues da colección "guerras e campanhas militares" da editorial quidnovi en quanto a sua relación da batalla de aljubarrota semella moi ben informada e razoabel sin nacionalismos que comprometen a verdade histórica.
Iste e, posiblemente, o meu derradeiro comentario neste forum, pois e verdadeiramente triste o desprezo pola historia o desconhecemento e o odio contra ·espanha", "Castela" o sei que eles queran odiar. Di un forista que os espanhois temos na gorxa (garganta) o desastre de aljubarrota, pois supoño que serían os castelhanos pois nen houbo galegos na batalha (mais sim houbo moitos portugueses no lado castelan) nen houbo aragoneses nen granadinos nen navarros.
Supoño que vostedes, e refirome aos que odian ao pais veciño, teran nas suas gorxas o disgusto por tantas derrotas, das que nao gostan falar claro, como a impresionante da batalha naval de saltes (por favor falen dela tamen) da batalha de toro (si voces dicen vitoria mais foi unha vitoria que provocou o final das pretensoes do voso rei en conseguir a coroa de castela, batalha de almansa e caia na guerra de sucesao da espanha, menudas derrotas, nao gostades de falar delas, batalha de alcantara . batalha de albuera 1479 etc etc etc.
nao tendes razao coas cifras e nao entendo porque a vitoria de aljubarrota e impresionante e nao tendes que falsear a historia, gran parte do exercito castelhano( con tropas francesas e portuguesas) nao habia chegado ainda ao lugar do combate e as cifras de homens do exercito castelhano sao dificeis de crer, no mellor momento da espanha na conquista de portugal 1580 dificilmente axuntaronse 20.000 homes. as cronicas medievais exaxeraban moito as cifras, na batalha de covadonga que en realidade foi unha escaramuza os cronistas falan de 100.000 arabes mortos. Mais nao foi asim.
A realidade foi esta: o exercito castelhano con axuda de franceses e portugueses aliados estaba falto dos seus melhores homens mortos de peste no cerco de lisboa e chegou a batalha cansados e faltos de grande parte das suas tropas que estaban de camiño. Contra toda prudencia atacaron o campamento portugués (con axuda dos excelentes arqueiros ingleses) moi ben escollido e defendido o que lles provocou unha gran derrota que puso fin ao intento do rei de castela juan I de ser rey de portugal.
Porque perdeu castela a batalha, pois non porque a providencia estivera de parte dos portugueses que apoiaban o mestre de avis, Joao I, mais sim porque o comando castelhano era pésimo e falto de experiencia, porque o rei castelhano estaba doente nunha liteira, e porque nao aprendera as leccións das batalhas de crecy e outras nas que a cavaleria pesada foi derrotada polos ingleses .
mais fundamentalmente a vitoria portuguesa foi debida ao apoio da gran maioria do pobo portugués a un reino independente de portugal e a grande capacidade militar de Nuno alvares pereira.
Posteriormente a historia se repite a inversa e e portugal o que intenta facerse coa coroa de castela entre 1475-1479 e fracasa porque o povo castelhano, nao asim o galego a quen lle daba igual uns que outros, escolleu Isabel a catolica.
E penoso que se quera sementar odio e desprezo entre dous pobos irmaos, o portugues e o conxunto de pobos ibéricos que formaron espanha aproveitando unha batalha medieval. Quedense co seu nacionalismo eu vou buscar un forum de historia de portugal para falar de historia nada mais.
A verdade nao ten patria
 

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Daniel

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« Responder #37 em: Setembro 21, 2008, 08:43:45 am »
carlos duran
Citar
E penoso que se quera sementar odio e desprezo entre dous pobos irmaos, o portugues e o conxunto de pobos ibéricos que formaron espanha aproveitando unha batalha medieval.
 :shock:  :roll:
A Vida é um teste e uma incumbência de  confiança.
 

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comanche

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« Responder #38 em: Setembro 21, 2008, 08:44:53 pm »
Citação de: "carlos duran"
Supoño que vostedes, e refirome aos que odian ao pais veciño, teran nas suas gorxas o disgusto por tantas derrotas, das que nao gostan falar claro, como a impresionante da batalha naval de saltes (por favor falen dela tamen) da batalha de toro (si voces dicen vitoria mais foi unha vitoria que provocou o final das pretensoes do voso rei en conseguir a coroa de castela, batalha de almansa e caia na guerra de sucesao da espanha, menudas derrotas, nao gostades de falar delas, batalha de alcantara . batalha de albuera 1479 etc etc etc.



Afortunadamente as derrotas castelhanas perante os portugueses foram imensas, a vitória portuguesa em Toro apesar de a grande inferioridade dos portugueses, 5600 cavaleiros e 14000 infantes portugueses contra 4000 castelhanos de cavalaria pesada, 8000 castelhanosde cavalaria ligeira e 30000 infantes, ou seja 19600 portugueses contra contra 42000 castelhanos. (conforme está relatado na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira- Batalha de Toro, pág. 131, vol. 32) a vitória na batalha foi alcançada, os portugueses apesar de lutarem sempre em inferioridade numérica, conseguiram muitas vitórias, vitórias heroicas, as vitórias castelhanas/espanholas são sempre em grande superioridade numérica nada têm de heroico, o soldado português treinado e equipado com equipamento equivalente ao catelhano/espanhol e com um comando capaz, vence o soldado castelhano/espanhol, porque tal como o demonstrou ao largo da história, é mais forte, é superior ao castelhano/espanhol.



Citação de: "carlos duran"
E penoso que se quera sementar odio e desprezo entre dous pobos irmaos, oportugues e o conxunto de pobos ibéricos que formaron espanha aproveitando unha batalha medieval. Quedense co seu nacionalismo eu vou buscar un forum de historia de portugal para falar de historia nada mais.


O nacionalista aqui és tu, és um Ultra espanholista, um fiel serviçal de castela, pareces viver amargurado com a existência de Portugal como país independente, vai lá para os fóruns espanholistas castelhanistas dos teus amos castelhanos e castelhanizado concerteza que lá estarás entre os teus.
 

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Ataru

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« Responder #39 em: Setembro 21, 2008, 09:28:49 pm »
Citar
carlos duran escreveu:
Supoño que vostedes, e refirome aos que odian ao pais veciño, teran nas suas gorxas o disgusto por tantas derrotas, das que nao gostan falar claro, como a impresionante da batalha naval de saltes (por favor falen dela tamen) da batalha de toro (si voces dicen vitoria mais foi unha vitoria que provocou o final das pretensoes do voso rei en conseguir a coroa de castela, batalha de almansa e caia na guerra de sucesao da espanha, menudas derrotas, nao gostades de falar delas, batalha de alcantara . batalha de albuera 1479 etc etc etc.




Afortunadamente as derrotas castelhanas perante os portugueses foram imensas, a vitória portuguesa em Toro apesar de a grande inferioridade dos portugueses, 5600 cavaleiros e 14000 infantes portugueses contra 4000 castelhanos de cavalaria pesada, 8000 castelhanosde cavalaria ligeira e 30000 infantes, ou seja 19600 portugueses contra contra 42000 castelhanos. (conforme está relatado na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira- Batalha de Toro, pág. 131, vol. 32) a vitória na batalha foi alcançada, os portugueses apesar de lutarem sempre em inferioridade numérica, conseguiram muitas vitórias, vitórias heroicas, as vitórias castelhanas/espanholas são sempre em grande superioridade numérica nada têm de heroico, o soldado português treinado e equipado com equipamento equivalente ao catelhano/espanhol e com um comando capaz, vence o soldado castelhano/espanhol, porque tal como o demonstrou ao largo da história, é mais forte, é superior ao castelhano/espanhol.



carlos duran escreveu:

E penoso que se quera sementar odio e desprezo entre dous pobos irmaos, oportugues e o conxunto de pobos ibéricos que formaron espanha aproveitando unha batalha medieval. Quedense co seu nacionalismo eu vou buscar un forum de historia de portugal para falar de historia nada mais.


O nacionalista aqui és tu, és um Ultra espanholista, um fiel serviçal de castela, pareces viver amargurado com a existência de Portugal como país independente, vai lá para os fóruns espanholistas castelhanistas dos teus amos castelhanos e castelhanizado concerteza que lá estarás entre os teus.



É caso para dizer "Olé"  c34x
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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TOMSK

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« Responder #40 em: Setembro 24, 2008, 11:21:57 am »
Citar
Afortunadamente as derrotas castelhanas perante os portugueses foram imensas, a vitória portuguesa em Toro apesar de a grande inferioridade dos portugueses, 5600 cavaleiros e 14000 infantes portugueses contra 4000 castelhanos de cavalaria pesada, 8000 castelhanosde cavalaria ligeira e 30000 infantes, ou seja 19600 portugueses contra contra 42000 castelhanos. (conforme está relatado na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira- Batalha de Toro, pág. 131, vol. 32) a vitória na batalha foi alcançada, os portugueses apesar de lutarem sempre em inferioridade numérica, conseguiram muitas vitórias, vitórias heroicas, as vitórias castelhanas/espanholas são sempre em grande superioridade numérica nada têm de heroico, o soldado português treinado e equipado com equipamento equivalente ao catelhano/espanhol e com um comando capaz, vence o soldado castelhano/espanhol, porque tal como o demonstrou ao largo da história, é mais forte, é superior ao castelhano/espanhol.


Como afirmou Nuno Álvares Pereira sobre o Exército Castelhano " vira muita gente e mal mandada; e que com pouca gente com bom capitão bem depressa os desbarataria"
Assim aconteceu, e acredito piamente que a história repete-se, se num futuro uma hipotética guerra deflagrar entre as duas nações.
 

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Ataru

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« Responder #41 em: Setembro 24, 2008, 11:24:47 am »
TOMSK

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Assim aconteceu, e acredito piamente que a história repete-se, se num futuro uma hipotética guerra deflagrar entre as duas nações.


uma pequena correcção:

"....entre os dois paises." Espanha não é nação c34x

Abraço
Greater Portugal = Portugal + Olivença + Galiza and the Eonavian Region + border villages that speak galaico-portuguese dialects + Cape Verde + St. Tomé and Principe.
 

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TOMSK

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« Responder #42 em: Setembro 24, 2008, 11:57:35 am »
Têm razão, têm razão....
"My mistake, Comrade"
 

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dremanu

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« Responder #43 em: Setembro 25, 2008, 11:53:44 pm »
Já aqui tinha posto alguns dos versos, mas aqui ficam mais uns, para ser mais completo:

Os Lusíadas - Canto IV


Canto Quarto

1

"Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o sol a negra escuridade,
Removendo o temor do pensamento:
Assim no Reino forte aconteceu,
Depois que o Rei Fernando faleceu.

2

"Porque, se muito os nossos desejaram
Quem os danos e ofensas vá vingando
Naqueles que tão bem se aproveitaram
Do descuido remisso de Fernando,
Depois de pouco tempo o alcançaram,
Joane, sempre ilustre, alevantando
Por Rei, como de Pedro único herdeiro,
(Ainda que bastardo) verdadeiro.

3

"Ser isto ordenação dos céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de uma menina,
Ante tempo falando o nomeou;
E como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
- "Portugal! Portugal!" alçando a mão
Disse "pelo Rei novo, Dom João." -

4

"Alteradas então do Reino as gentes
Co'o ódio, que ocupado os peitos tinha,
Absolutas cruezas e evidentes
Faz do povo o furor por onde vinha;
Matando vão amigos e parentes
Do adúltero Conde e da Rainha,
Com quem sua incontinência desonesta
Mais (depois de viúva) manifesta.

5

"Mas ele enfim, com causa desonrado,
Diante dela a ferro frio morre,
De outros muitos na morte acompanhado,
Que tudo o fogo erguido queima e corre:
Quem, como Astianás, precipitado,
(Sem lhe valerem ordens) de alta torre,
A quem ordens, nem aras, nem respeito;
Quem nu por ruas, e em pedaços feito.

6

"Podem-se pôr em longo esquecimento
As cruezas mortais que Roma viu
Feitas do feroz Mário e do cruento
Sila, quando o contrário lhe fugiu.
Por isso Lianor, que o sentimento
Do morto Conde ao mundo descobriu,
Faz contra Lusitânia vir Castela,
Dizendo ser sua filha herdeira dela.

7

"Beatriz era a filha, que casada
Co'o Castelhano está, que o Reino pede,
Por filha de Fernando reputada,
Se a corrompida fama lhe concede.
Com esta voz Castela alevantada,
Dizendo que esta filha ao pai sucede,
Suas forças ajunta para as guerras
De várias regiões e várias terras.

8

Vem de toda a província que de um Brigo
(Se foi) já teve o nome derivado;
Das terras que Fernando e que Rodrigo
Ganharam do tirano e Mauro estado.
Não estimam das armas o perigo
Os que cortando vão co'o duro arado
Os campos Lioneses, cuja gente
C'os Mouros foi nas armas excelente.

9

"Os Vândalos, na antiga valentia
Ainda confiados, se ajuntavam
Da cabeça de toda Andaluzia,
Que do Guadalquibir as águas lavam.
A nobre Ilha também se apercebia,
Que antigamente os Tírios habitavam,
Trazendo por insígnias verdadeiras
As Hercúleas colunas nas bandeiras.

10

"Também vem lá do Reino de Toledo,
Cidade nobre e antiga, a quem cercando
O Tejo em torno vai suave e ledo
Que das serras de Conca vem manando.
A vós outros também não tolhe o medo,
Ó sórdidos Galegos, duro bando,
Que para resistirdes vos armastes,
Aqueles, cujos golpes já provasses.

11

"Também movem da guerra as negras fúrias
A gente Biscainha, que carece
De polidas razões, e que as injúrias
Muito mal dos estranhos compadece.
A terra de Guipúscua e das Astúrias,
Que com minas de ferro se enobrece,
Armou dele os soberbos moradores,
Para ajudar na guerra a seus senhores.

12

"Joane, a quem do peito o esforço cresce,
Como a Sansão Hebréio da guedelha,
Posto que tudo pouco lhe parece,
Co'os poucos de seu Reino se aparelha;
E não porque conselho lhe falece,
Co'os principais senhores se aconselha,
Mas só por ver das gentes as sentenças:
Que sempre houve entre muitos diferenças.

13

"Não falta com razões quem desconcerte
Da opinião de todos, na vontade,
Em quem o esforço antigo se converte
Em desusada e má deslealdade;
Podendo o temor mais, gelado, inerte,
Que a própria e natural fidelidade:
Negam o Rei e a pátria, e, se convém,
Negarão (como Pedro) o Deus que têm.

14

"Mas nunca foi que este erro se sentisse
No forte Dom Nuno Alvares; mas antes,
Posto que em seus irmãos tão claro o visse,
Reprovando as vontades inconstantes,
Aquelas duvidosas gentes disse,
Com palavras mais duras que elegantes,
A mão na espada, irado, e não facundo,
Ameaçando a terra, o mar e o mundo:

15

- "Como!Da gente ilustre Portuguesa
Há-de haver quem refuse o pátrio Marte?,
Como!Desta província, que princesa
Foi das gentes na guerra em toda a parte,
Há-de sair quem negue ter defesa?
Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte
De Português, e por nenhum respeito
O próprio Reino queira ver sujeito?

16

- "Como!Não seis vós inda os descendentes
Daqueles, que debaixo da bandeira
Do grande Henriques, feros e valentes,
Vencestes esta gente tão guerreira?
Quando tantas bandeiras, tantas gentes
Puseram em fugida, de maneira
Que sete ilustres Condes lhe trouxeram
Presos, afora a presa que tiveram?

17

- "Com quem foram contino sopeados
Estes, de quem o estais agora vós,
Por Dinis e seu filho, sublimados,
Senão co'os vossos fortes pais, e avôs?
Pois se com seus descuidos, ou pecados,
Fernando em tal fraqueza assim vos pôs,
Torne-vos vossas forças o Rei novo:
Se é certo que co'o Rei se muda o povo.

18

- "Rei tendes tal, que se o valor tiverdes
Igual ao Rei que agora alevantastes,
Desbaratareis tudo o que quiserdes,
Quanto mais a quem já desbaratasses.
E se com isto enfim vos não moverdes
Do penetrante medo que tomastes,
Atai as mãos a vosso vão receio,
Que eu só resistirei ao jugo alheio.

19

- "Eu só com meus vassalos, e com esta
(E dizendo isto arranca meia espada)
Defenderei da força dura e infesta
A terra nunca de outrem sojugada.
Em virtude do Rei, da pátria mesta,
Da lealdade já por vós negada,
Vencerei (não só estes adversários)
Mas quantos a meu Rei forem contrários."-


20

Bem como entre os mancebos recolhidos
Em Canúsio, relíquias sós de Canas,
Já para se entregar quase movidos
A fortuna das forças Africanas,
Cornélio moço os faz que, compelidos
Da sua espada, jurem que as Romanas
Armas não deixarão, enquanto a vida
Os não deixar, ou nelas for perdida:

21

"Destarte a gente força e esforça Nuno,
Que, com lhe ouvir as últimas razões,
Removem o temor frio, importuno,
Que gelados lhe tinha os corações.
Nos animais cavalgam de Neptuno,
Brandindo e volteando arremessões;
Vão correndo e gritando a boca aberta:
- "Viva o famoso Rei que nos liberta!"-

22

"Das gentes populares, uns aprovam
A guerra com que a pátria se sustinha;
Uns as armas alimpam e renovam,
Que a ferrugem da paz gastadas tinha;
Capacetes estofam, peitos provam,
Arma-se cada um como convinha;
Outros fazem vestidos de mil cores,
Com letras e tenções de seus amores.

23

"Com toda esta lustrosa companhia
Joane forte sai da fresca Abrantes,
Abrantes, que também da fonte fria
Do Tejo logra as águas abundantes.
Os primeiros armígeros regia
Quem para reger era os mui possantes
Orientais exércitos, sem conto,
Com que passava Xerxes o Helesponto.

24

"Dom Nuno Alvares digo, verdadeiro
Açoute de soberbos Castelhanos
Como já o fero Huno o foi primeiro
Para Franceses, para Italianos.
Outro também famoso cavaleiro,
Que a ala direita tem dos Lusitanos,
Apto para mandá-los, e regê-los,
Mem Rodrigues se diz de Vasconcelos.

25

"E da outra ala, que a esta corresponde,
Antão Vasques de Almada é capitão,
Que depois foi de Abranches nobre Conde,
Das gentes vai regendo a sestra mão.
Logo na retaguarda não se esconde
Das quinas e castelos o pendão,
Com Joane, Rei forte em toda parte,
Que escurecendo o preço vai de Alarte.

26

"Estavam pelos muros, temerosas,
E de um alegre medo quase frias,
Rezando as mães, irmãs, damas e esposas,
Prometendo jejuns e romarias.
Já chegam as esquadras belicosas
Defronte das amigas companhias,
Que com grita grandíssima os recebem,
E todas grande dúvida concebem.

27

"Respondem as trombetas mensageiras,
Pífaros sibilantes e atambores;
Alférezes volteam as bandeiras,
Que variadas são de muitas cores.
Era no seco tempo, que nas eiras
Ceres o fruto deixa aos lavradores,
Entra em Astreia o Sol, no mês de Agosto,
Baco das uvas tira o doce mosto.

28

"Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.

29

"Quantos rostos ali se vêem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo;
E se o não é, parece-o; que o furor
De ofender ou vencer o duro amigo
Faz não sentir que é perda grande e rara,
Dos membros corporais, da vida cara.

30

"Começa-se a travar a incerta guerra;
De ambas partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros as esperanças de ganhá-la;
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba, e encontra, e a terra enfim semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.

31

"Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaixo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam;
Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam;
Recrescem os amigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.

32

"Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.

33

"Ó tu, Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos,
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos,
Se lá no reino escuro de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algumas vezes.

34

"Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão!
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tetuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso.

35

"Com torva vista os vê, mas a natura
Ferina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co'o sangue alheio; ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.

36

"Sentiu Joane a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via, e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara;

37

"Corre raivosa, e freme, e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joane, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acode à primeira ala:
-"Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança.

38

-"Vedes-me aqui, Rei vosso, e companheiro,
Que entre as lanças, e setas, e os arneses
Dos inimigos corro e vou primeiro:
Pelejai, verdadeiros Portugueses!"-
Isto disse o magnânimo guerreiro,
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e, deste único tiro,
Muitos lançaram o último suspiro.

39

"Porque eis os seus acesos novamente
Duma nobre vergonha e honroso fogo,
Sobre qual mais com ânimo valente
Perigos vencerá do Márcio jogo,
Porfiam: tinge o ferro o sangue ardente;
Rompem malhas primeiro, e peitos logo:
Assim recebem junto e dão feridas,
Como a quem já não dói perder as vidas.

40

"A muitos mandam ver o Estígio lago,
Em cujo corpo a morte e o ferro entrava:
O Mestre morre ali de Santiago,
Que fortíssimamente pelejava;
Morre também, fazendo grande estrago,
Outro Mestre cruel de Calatrava;
Os Pereiras também arrenegados
Morrem, arrenegando o Céu e os fados.

41

"Muitos também do vulgo vil sem nome
Vão, e também dos nobres, ao profundo,
Onde o trifauce Cão perpétua fome
Tem das almas que passam deste mundo.
E porque mais aqui se amanse e dome
A soberba do amigo furibundo,
A sublime bandeira Castelhana
Foi derribada aos pés da Lusitana.

42

"Aqui a fera batalha se encruece
Com mortes, gritos, sangue e cutiladas;
A multidão da gente que perece
Tem as flores da própria cor mudadas;
Já as costas dão e as vidas; já falece
O furor e sobejam as lançadas;
Já de Castela o Rei desbaratado
Se vê, e de seu propósito mudado.

43

"O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra, e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.

44

"Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do profundo,
Deixando tantas mães, tantas esposas
Sem filhos, sem maridos, desditosas.

45

"O vencedor Joane esteve os dias
Costumados no campo, em grande glória;
Com ofertas depois, e romarias,
As graças deu a quem lhe deu vitória.
Mas Nuno, que não quer por outras vias
Entre as gentes deixar de si memória
Senão por armas sempre soberanas,
Para as terras se passa Transtaganas.

46

"Ajuda-o seu destino de maneira
Que fez igual o efeito ao pensamento,
Porque a terra dos Vândalos fronteira
Lhe concede o despojo e o vencimento.
Já de Sevilha a Bética bandeira
E de vários senhores num momento
Se lhe derriba aos pés, sem ter defesa
Obrigados da força Portuguesa.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

*

mllom

  • 75
  • +0/-0
Si es que no teneis solución.
« Responder #44 em: Setembro 26, 2008, 09:16:13 am »
Citação de: "Ataru"
TOMSK

Citar
Assim aconteceu, e acredito piamente que a história repete-se, se num futuro uma hipotética guerra deflagrar entre as duas nações.

uma pequena correcção:

"....entre os dois paises." Espanha não é nação :roll: , como he dicho en otros posts Ataru y Comanche han decidido que ni España, ni Francia, ni Suiza, ni Italia, ni EEUU, ni México, etc, etc.... son naciones.
Estos nacionalistas portugueses..... :twisted:
 

 

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