A Batalha de Aljubarrota

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komet

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« Responder #15 em: Fevereiro 24, 2004, 12:49:45 am »
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A diferença em relação à série "Total War" é não ter comando táctico sobre os combates. O que se compreende perfeitamente num jogo em tempo real. Imaginem-se a jogar com alguns amigos (até 24, se bem me lembro) e de repente pára tudo enquanto dois maduros se metem numa batalha que não tem qualquer interesse estratégico. Ou imaginem que o jogo não pára, e quando eles acabam a batalha os outros lhes declararam guerra e já controlam metade do país.


Claro, mas repare, a mais-valia do M:TW é mesmo essa, ter controlo directo sobre as tropas em combate, mas em que mandá-los todos ao molhe raramente funciona, e em que os números pouco interessam, mas sim a moral, fadiga, fama dos generais, posiçao no terreno, se há flancos desprotegidos, etc, é óptimo poder controlar as coisas a esse ponto, e mais divertido ainda é batalhar alguem conheçido e assim testar as tácticas de cada um, mas como já tinha dito, é uma vertente facultativa, não é obrigado a fazer as batalhas manualmente, o computador pode resolve-las no momento. A vertente de conquista, gestão de tropas, infrastruturas e recursos também está presente, mas não tão aprofundada como num Hearts of Iron.

São estilos diferentes para disposições diferentes :D
"History is always written by who wins the war..."
 

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Spectral

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« Responder #16 em: Fevereiro 24, 2004, 10:32:48 pm »
No M:TW o pior dos combates tácticos ( além de não serem nada simpáticos para computadores lentos como o meu  :nice:
I hope that you accept Nature as It is - absurd.

R.P. Feynman
 

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emarques

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« Responder #17 em: Fevereiro 25, 2004, 01:01:59 am »
Realmente não fica muito bem sequestrar a batalha de Aljubarrota para discutir jogos. Vou abrir uma thread no sítio próprio com alguma informação sobre os jogos.
Ai que eco que há aqui!
Que eco é?
É o eco que há cá.
Há cá eco, é?!
Há cá eco, há.
 

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dremanu

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« Responder #18 em: Março 23, 2004, 06:08:36 pm »
Batalha de Aljubarrota

Por Luís de Camões em, Os Lusíadas

28

Deu sinal a trombeta castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso.
Ouviu-o o Douro e a terra transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães que o som terribil escuitaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram.

29

Quantos rostos ali se vem sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
É maior muitas vezes que o perigo.
E, se o não é, parece-o, que o furor
De ofender ou vencer o duro immigo
Faz não sentir que é perda grande e rara
Dos membros corporais, da vida cara.

30

Começa-se a travar a incerta guerra:
De ambas as partes se move a primeira ala;
Uns leva a defensão da própria terra,
Outros a esperança de ganhá-la.
Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala:
Derriba e encontra, e a terra, enfim, semeia
Dos que a tanto desejam, sendo alheia.

31

Já pelo espesso ar os estridentes
Farpões, setas e vários tiros voam;
Debaxo dos pés duros dos ardentes
Cavalos treme a terra, os vales soam.
Espedaçam-se as lanças, e as frequentes
Quedas co as duras armas tudo atroam.
Recrecem os immigos sobre a pouca
Gente do fero Nuno, que os apouca.

32

Eis ali seus irmãos contra ele vão
(Caso feio e cruel!); mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta.
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!),
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.

33

Ó tu Sertório, ó nobre Coriolano,
Catilina, e vós outros dos antigos
Que contra vossas pátrias, com profano
Coração, vos fizestes inimigos:
Se lá do reino escuro de Somano
Receberdes gravíssimos castigos,
Diz-lhes que também dos Portugueses
Alguns tredores houve algüas vezes.

34

Rompem-se aqui dos nossos os primeiros,
Tantos dos inimigos a eles vão.
Está ali Nuno, qual pelos outeiros
De Ceita está o fortíssimo leão,
Que cercado se vê dos cavaleiros
Que os campos vão correr de Tutuão:
Perseguem-no com as lanças, e ele, iroso,
Torvado um pouco está, mas não medroso;

35

Com torva vista os vê, mas a natura
Felina e a ira não lhe compadecem
Que as costas dê, mas antes na espessura
Das lanças se arremessa, que recrescem.
Tal está o cavaleiro, que a verdura
Tinge co sangue alheio. Ali perecem
Alguns dos seus, que o ânimo valente
Perde a virtude contra tanta gente.

36

Sentiu Joanne a afronta que passava
Nuno, que, como sábio capitão,
Tudo corria e via e a todos dava,
Com presença e palavras, coração.
Qual parida leoa, fera e brava,
Que os filhos, que no ninho sós estão,
Sentiu que, enquanto pasto lhe buscara,
O pastor de Massília lhos furtara,

37

Corre raivosa e freme e com bramidos
Os montes Sete Irmãos atroa e abala:
Tal Joanne, com outros escolhidos
Dos seus, correndo acorre à primeira ala:
«Ó fortes companheiros, ó subidos
Cavaleiros, a quem nenhum se iguala,
Defendei vossas terras, que a esperança
Da liberdade está na vossa lança!

38

Vedes-me aqui, Rei vosso e companheiro,
Que entre as lanças e setas e os arneses
Dos inimigos corro, e vou primeiro;
Pelejai, verdadeiros Portugueses!»
Isto disse o magnânimo guerreiro
E, sopesando a lança quatro vezes,
Com força tira; e deste único tiro
Muitos lançaram o último suspiro.

........................................................................

42

Aqui a fera batalha se encruece
Com mortos, gritos, sangue e cutiladas
A multidão da gente que perece
Tem as flores da própria cor mudadas&,
Já as costas dão e as vidas; já falece
O furor e sobejam as lançadas;
Já de Castela o Rei desbaratado
Se vê, e de seu propósito mudado.

43

O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da deronra e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.

44

Alguns vão maldizendo e blasfemando
Do primeiro que guerra fez no mundo;
Outros a sede dura vão culpando
Do peito cobiçoso e sitibundo,
Que, por tomar o alheio, o miserando
Povo aventura às penas do profundo,
Deixando tantas mães, tantas esposas,
Sem filhos, sem maridos, desditosas.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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komet

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« Responder #19 em: Março 23, 2004, 06:14:40 pm »
Fantástico...  :G-Ok:
"History is always written by who wins the war..."
 

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PereiraMarques

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« Responder #20 em: Agosto 13, 2007, 09:56:33 pm »
Só para lembrar que faz hoje anos que decorreu a Batalha de Aljubarrota... :wink:
 

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Adamastor

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« Responder #21 em: Agosto 13, 2007, 11:08:51 pm »
Citação de: "PereiraMarques"
Só para lembrar que faz hoje anos que decorreu a Batalha de Aljubarrota... :wink:
 

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PereiraMarques

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« Responder #22 em: Agosto 13, 2007, 11:16:30 pm »
Upsssss! :wink:
 

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comanche

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« Responder #23 em: Agosto 14, 2007, 12:06:54 am »
Citação de: "papatango"

Aqui uma imagem da proporção das forças antes da batalha.

Feito especialmente para dar uma ideia da grande ajuda que tivemos dos ingleses...

Cumprimentos



Grande vitória, os poucos derrotaram muitos!
Aliás isso passou-se muias vezes ao longo da nossa história.
 

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SSK

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« Responder #24 em: Agosto 14, 2007, 12:07:33 am »
Citação de: "PereiraMarques"
Upsssss! :wink:


Não tem importância é sempre bom celebrar uma vitória sobre um exercito mais pequeno que o nosso e sei la´mais o quê que os nossos compadres espanholitos do forum dizem...
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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comanche

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« Responder #25 em: Agosto 14, 2007, 01:18:37 pm »
Faz hoje 622 anos que se deu a batalha de Aljubarrota, grande vitória dos portugueses contra os castelhanos, Deus mais uma vez esteve pelo lado dos portugueses.

Portugal deve muito a D. Nuno Alvares Pereira e que todos os seus homens, que Deus os tenha deixado a todos contemplar a sua glória.
 

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turkiko

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« Responder #26 em: Agosto 14, 2007, 04:09:50 pm »
Aliás a nosso história é farta em acontecimentos destes, que o nosso execito mais pequeno e menos dotado, enfrenta um maior e mais poderoso, desde o tempo de Viriato. Para muitos que negam a história de um povo um exemplo a persevar, nas nossas memórias e no nosso orgulho.

Cumprimentos,
 

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André

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« Responder #27 em: Agosto 14, 2007, 04:25:31 pm »
Mesmo durante expansão a maioria das batalhas, os tugas tinham exércitos mais pequenos como por exemplo na batalha de Cochim ou nos Cercos de Diu. Mas em compensação tinham melhor armamento. A história esta cheia de exemplos em que os números nem sempre ganham, mas sim a perícia e a coragem. :N-icon-Axe:

 

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André

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« Responder #28 em: Agosto 16, 2007, 07:04:07 pm »
Fases da Batalha de Aljubarrota



Wikipédia

 

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papatango

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« Responder #29 em: Agosto 16, 2007, 08:34:18 pm »
Este é o mapa mais ou menos «Oficial», mas não contempla a tese de Froyssard, que foi contemporâneo da batalha.

Não esquecer, que o exército castelhano chegou relativamente cedo ao campo de batalha e que os castelhanos decidiram optar por outra posição para o ataque, aproveitando para mostrar a dimensão do exército aos portugueses.

Mas o exército era tão grande, que demorou horas a mudar de posição.

É durante este periodo que não há concenso.

Há quem afirme, que é enquanto o exército castelhano se está a mover, que irritados com a lentidão eavisando o rei de que a operação de mudança da posição do exército demorará demasiado tempo, que parte dos cavaleiros terá proposto um ataque às forças portuguesas, levado a cabo pelas forças mais móveis da Cavalaria pesada francesa, que era a força mais importante do lado castelhano.

A carga da cavalaria pesada, terá sido efectuada bastante antes da carga do resto do exército castelhano. A primeira vaga francesa foi dizimada e os franceses feitos prisioneiros.

Segundo Froyssard, os portugueses mataram os franceses, para evitar que eles se pudessem soltar durante a batalha.

Segundo alguns, os nobres portugueses quiseram distanciar-se da matança, e virá daí a lenda da Padeira de Aljubarrota.

Cumprimentos
 

 

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