História e origens do Exército Brasileiro

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Vitor Santos

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História e origens do Exército Brasileiro
« em: Junho 20, 2019, 02:17:51 pm »
“A Lei Colonial Portuguesa de 1570 em vigor no Brasil Colônia e as Forças Armadas”


Citar
Por Manoel Rodrigues Ferreira (*)

Portugal, ou mais propriamente a Monarquia Portuguesa, era formada de repúblicas das vilas e cidades. O órgão político-administrativo das repúblicas das vilas e cidades era a Câmara que compreendia os três poderes, legislativo, executivo e judiciário e seus membros (vereadores, juízes ordinários e procurador) que eram eleitos pelos respectivos moradores. Assim, era paradoxal que uma monarquia fosse constituída de repúblicas, mas a sua origem remonta à Idade Média.

As Forças Armadas

1) O exército (usando essa denominação moderna) nacional era o Exército da Monarquia Portuguesa, ou mais exatamente, o Exército do Rei; e

2) Em 10 de Dezembro de 1570, o Rei D. Sebastião assinou uma lei criando a Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades, lei que tinha o título de “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”. Por “gente” subentenda-se os homens das vilas e cidades e seus termos que constituíam o exército (mais uma vez aqui usando o termo moderno) popular ou milícia do povo. Assim, “gente” tem o seu equivalente hoje, de miliciano ou soldado.

A Bandeira

Essa Força Armada das Repúblicas das Vilas e Cidades recebia o nome de Bandeira. Portanto, a Bandeira tinha, segundo a Lei de D. Sebastião de 10/12/1570, o objetivo de organizar os homens das vilas e cidades em uma força militar com a finalidade de servir ao Rei e defender as mesmas vilas e cidades. Passavam a existir, portanto, duas forças armadas:

1) O Exército Nacional ou Exército do Rei; e

2) As Bandeiras das Vilas e Cidades.


A Bandeira era composta, constituída de Companhias, tendo cada Companhia 250 homens. Cada companhia era dividida em 10 Esquadras, tendo pois cada esquadra 25 (vinte e cinco) homens. Assim, por exemplo, se uma vila ou cidade tivesse 1000 homens, haveria uma Bandeira com quatro companhias e quarenta esquadras. Caso houvessem gente para fazer uma só companhia, essa única companhia reduzia-se à própria Bandeira, o que é lógico. E se nem assim houvesse 250 homens, a Companhia poderia ser organizada com 200, 150, ou 100 homens. E se houvessem menos de 100 homens, então existiriam somente as esquadras de 25 homens.

A Bandeira, constituída de Companhias, era superintendida por um Capitão Mor, que recaía nos “senhores dos mesmos lugares ou Alcaides Mores”: caso não existissem esses, o Capitão Mor seria eleito pela Câmara da República da Vila ou Cidade. Cada Companhia era dirigida por um Capitão e seus subordinados, o Alferes, o Sargento, o Meirinho e o Escrivão, todos eleitos pela mesma Câmara da República, mas os Cabos eram escolhidos pelo Capitão da Companhia. Nessas condições, a Bandeira era subordinada à Câmara da República da Vila ou Cidade (eleita pelo povo), mas militarmente dirigida pelo Capitão Mor.

Conclusão 1

Todos os homens (gente) de uma Vila ou Cidade eram obrigatoriamente membros de uma Bandeira, através de suas Companhias ou Esquadras. Todos eram, pois, membros de uma Bandeira, sendo pois, Bandeirantes. E no sertão, mesmo que não existisse uma Companhia completa, ao menos, uma Esquadra que fosse, ela significava a presença da Bandeira. Era, pois, a presença da própria Bandeira. Quando um documento do sertão refere-se somente a uma Companhia, ou a um Capitão, ou a um Cabo, ou um Escrivão, ou a um Meirinho, ou à gente, esse documento está implicitamente referindo-se à Bandeira da qual todos eram parte integrante. Da mesma maneira, quando um documento refere-se a um Escrivão somente, ele está, como nas outras denominações, identificando um Bandeirante, e ipso facto, uma Bandeira.

E não nos esqueçamos de que esses Bandeirantes nos sertões eram responsáveis, pelos seus chefes, perante a Câmara da República das Vila ou Cidade, à qual teriam que prestar contas na volta, principalmente à sua Justiça, apresentando os inventários, testamentos, inquéritos, etc. feitos nos sertões.

Quanto às penetrações de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras) nos sertões, não importa que os documentos refiram-se às mesmas como entradas, jornadas, viagens, descobrimentos, etc., pois essas expressões nada mais significam do que deslocamentos de Bandeirantes (e ipso facto de Bandeiras), isto é, penetrações nos sertões (usando esta denominação hoje).

O que importa é que no corpo do documento são as denominações que assinalam, caracterizam, identificam os membros de uma Bandeira: Capitão, Alferes, Cabos, Escrivães, Meirinhos, Gente (milicianos), etc.

Conclusão 2

É historicamente correto, legitimo, identificar Bandeirantes e Bandeiras, através das denominações que aparecem nos documentos e que são as mesmas da Lei do Rei D. Sebastião, isto é, “Regimento dos Capitães Mores e mais Capitães e Oficiais das Companhias da Gente”, a Lei Orgânica das Bandeiras.

(*) Sobre o Autor: Manoel Rodrigues Ferreira, é professor universitário

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO, RJ, 13 de abril de 1995, Caderno DIREITO & JUSTIÇA, Página 18
 :arrow:  http://www.planobrazil.com/2019/06/19/plano-brasil-historia-do-brasil-colonial-analise-a-lei-colonial-portuguesa-de-1570-em-vigor-no-brasil-colonia-e-as-forcas-armadas/
 
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Re: História e origens do Exército Brasileiro
« Responder #1 em: Junho 22, 2019, 07:14:46 pm »
História do Exército

Fundação

A história do Exército Brasileiro começa oficialmente com o surgimento do Estado brasileiro, ou seja, com a independência do Brasil. Entretanto, mobilizações debrasileiros para guerra existem desde a colonização do Brasil. A data da primeira Batalha dos Guararapes (19 de abril de 1648), no contexto das invasões neerlandesas do Brasil, na qual o exército adversário dos Países Baixos foi formado genuinamente por brasileiros (brancos, negros e ameríndios), é tida como aniversário do Exército Brasileiro.

As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem do Exército Brasileiro

Em 1822 e 1823, o recém criado exército brasileiro derrotou a resistência portuguesa à independência, nas regiões norte-nordeste do país e na província da Cisplatina, assim como evitando a desfragmentação do território nacional nos anos seguintes. O Exército Nacional (ou Imperial como costumeiramente era chamado) durante a monarquia era dividido em dois ramos: o de 1ª Linha, que era o Exército de fato; e o de 2ª Linha, a Guarda Nacional, formada pelas antigas milícias e ordenanças herdadas dos tempos coloniais, comandadas por líderes regionais, grandes latifundiários e proprietários de escravos conhecidos a partir da independência, pelo título genérico de Coronéis.

Império

Internamente, ao longo do período monárquico brasileiro e no começo do século XX, o exército reprimiu com sucesso várias rebeliões e revoltas, tanto civis como militares, tais como a Guerra de Canudos e a Guerra do Contestado. Externamente, durante o século XIX o exército se restringiu a conflitos militares relacionados com os países do Cone Sul, com os quais o Brasil faz fronteira.

Participou de uma série de eventos bélicos na região, como a Guerra da Cisplatina, que resultou na independência do Uruguai; a Guerra do Prata, contra forças argentinas; a Guerra do Uruguai, na qual interveio em conflitos internos desse país; e a Guerra do Paraguai, na qual formou uma Aliança com seus vizinhos para combater o ditador Solano López, no maior conflito já visto na América do Sul.

República

Soldados do Exército Brasileiro sendo recebidos como libertadores. Norte da Itália, final de setembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial

Durante o século XX o exército teve modesta participação nas duas Guerras Mundiais, do lado Aliado. Na I Guerra enviou em 1918 uma Missão Militar à Frente Ocidental e, em 1944 durante a II Guerra, contribuiu no combate ao Nazifascismo com uma Divisão de Infantaria na Campanha da Itália. Desde o fim da década de 1950 tem atuado em diversas missões de paz patrocinadas pela ONU. Esse papel foi incrementado após o término da Guerra Fria, cenário no qual o exército foi chamado a respaldar uma política externa brasileira independente, além de enviar diversos observadores militares para várias regiões do mundo em conflito. No ano de 2004, o Exército Brasileiro passou a comandar as forças de paz que se encontram no Haiti.

Por três vezes (entre 1889 e 1894, durante e imediatamente após a Proclamação da República; entre1930 e 1945, durante o primeiro período Vargas; entre 1964 e 1985, durante o Regime militar no Brasil), assumiu pela força o comando do País, impondo sua visão político-social e modelos dedesenvolvimento econômico que julgava apropriados. Nesse último período de exercício do poder, no auge da Guerra Fria, militantes de esquerda recorreram à guerrilha contra o regime, sendo derrotados. Lentamente, após pressões populares, crises econômicas, bem como o desgaste natural de anos no exercício do poder, a abertura política tornou-se inevitável, sendo conduzida do lado do regime pelo general Ernesto Geisel. Com a promulgação da Lei da Anistia em 1979, o Brasil lentamente iniciou a volta à democracia, que se completaria na década de 1980, com o Exército e as demais Forças Armadas se afastando do núcleo político, a partir da promulgação da atual constituição, em 1988.

Organização

O braço operacional do Exército é denominado Força Terrestre e é constituído pelas divisões de exército, brigadas, unidades de combate e de apoio ao combate.

Os maiores escalões organizacionais do Exéricto são o Estado-Maior do Exército (orgão de direção geral) e os orgãos de direção setorial:

Comando de Operações Terrestres, Departamento-Geral do Pessoal, Departamento de Educação e Cultura do Exército, Departamento de Ciência e Tecnologia, Comando Logístico, Departamento de Engenharia e Construção e Secretaria de Economia e Finanças.

O Exército está organizado em vários Grandes Comandos, unidades e subunidades espalhadas por todo o Brasil. O território nacional é dividido, conforme a área de atuação de cada um, em:

Comandos Militares do Brasil

Comando Militar da Amazônia - CMA - com sede na cidade de Manaus - AM e jurisdição sobre o território da 12ª Região Militar;
Comando Militar do Norte - CMN - com sede na cidade de Belém - PA e jurisdição sobre o território da 8ª Região Militar;
Comando Militar do Nordeste - CMNE - com sede na cidade do Recife - PE e jurisdição sobre os territórios das 6ª, 7ª e 10ª Regiões Militares;
Comando Militar do Oeste - CMO - com sede na cidade de Campo Grande - MS e jurisdição sobre o território da 9ª Região Militar;
Comando Militar do Planalto - CMP - com sede na cidade de Brasília - DF e jurisdição sobre o território da 11ª Região Militar;
Comando Militar do Leste - CML - com sede na cidade do Rio de Janeiro - RJ e jurisdição sobre os territórios das 1ª e 4ª Regiões Militares;
Comando Militar do Sudeste - CMSE - com sede na cidade de São Paulo - SP e jurisdição sobre o território da 2ª Região Militar; e
Comando Militar do Sul - CMS - com sede na cidade de Porto Alegre - RS e jurisdição sobre os territórios das 3ª e 5ª Regiões Militares.

Educação

Desfile dos cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras durante cerimônia de entrega do espadim aos cadetes do primeiro ano

O Exército Brasileiro mantém uma das mais fortes estruturas educacionais superiores do Brasil, atuando nos mais diversos ramos.

Entre suas principais instituições de Ensino Superior, estão:

EsPCEx - Escola Preparatória de Cadetes do Exército
AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras
EsAO - Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
ECEME - Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
IME - Instituto Militar de Engenharia
EsFCEx - Escola de Formação Complementar do Exército
EsSEx - Escola de Saúde do Exército

Além dessas, possui importantes centros de formação, como a EsSA - Escola de Sargentos das Armas, a EsSLog - Escola de Sargentos de Logística, a EsSEx - Escola de Saúde do Exército, a EsIE - Escola de Instrução Especializada, a EsACosAAe -Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, o CCFEx - Centro de Capacitação Fisica do Exército, o CIAvEx - Centro de Instrução de Aviação do Exército, os CPOR - Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, os NPOR - Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, os Tiros de Guerra e os Colégios Militares.

Desde 1992 as mulheres obtiveram o direito de ingressar no Exército Brasileiro. A primeira turma feminina formou-se naquele ano na Escola de Administração do Exército, atual Escola de Formação Complementar do Exército. A partir de 1997, as mulheres tiveram acesso à Escola de Saúde do Exército e ao Instituto Militar de Engenharia.

FONTE: http://www.decex.eb.mil.br/ultimas-noticias/2-uncategorised/102-historia-do-exercito
« Última modificação: Junho 22, 2019, 07:17:20 pm por Vitor Santos »
 

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Re: História e origens do Exército Brasileiro
« Responder #2 em: Julho 26, 2019, 09:15:54 pm »
75 anos do desembarque da Força Expedicionária Brasileira em solo italiano


Vedere Napoli, dopo morire ... (Ver Nápoles e depois morrer...)

Esta é a frase com que os italianos referiam-se à sua bela cidade, porém, na chegada da FEB, o porto de Nápoles estava em estado lastimável. Vários navios estavam submersos, só com a ponta dos mastros fora d’água e com muitos balões tipo zepelin destinados à defesa antiaérea.

Além dos militares que faziam parte deste 1º escalão, vieram, também, integrantes da Justiça Militar, Pagadoria Fixa, Correio Regulador; 11 funcionários do Banco do Brasil, três capelães e três correspondentes de guerra, todos sob o comando do Gen Bda Euclides Zenóbio da Costa.

Os Generais Mascarenhas de Moraes e Zenóbio da Costa desembarcaram, passando em revista a guarda de honra militar norte-americana composta de 45 homens e uma banda de música sob o comando do Ten Gen Jacob L. Devers, Cmt das Forças Aliadas no Mediterrâneo.

O 1º Escalão, já em terra firme, dirigiu-se para o estacionamento de Agnaro, na cratera do vulcão Astrônia, próximo de Bagnoli, onde bivacou. Nesse local, os soldados receberam a 1ª alimentação operacional tipo C e receberam instrução de Ordem Unida, Marchas e Estacionamentos, Instruções Gerais e Práticas Esportivas.

Em 19 de julho, foi hasteada a Bandeira Nacional pela primeira vez em território europeu, pelo comandante da FEB Gen Div João Baptista Mascarenhas de Moraes e pela tropa brasileira em missão de guerra. Nesta mesma data foi, também, determinada a organização e instalação do Correio Regulador (Postal) na Capital Federal, o Correio da FEB. Quatro dias depois, foram remetidas as primeiras malas de correio, com cartas do pracinhas para o Brasil.

Em 20 de julho, pelo Aviso Nr 57, foi criada a Esquadrilha de Ligação e Observação da FAB (1ª ELO) para apoiar a FEB na Itália, comandada pelo Major Aviador João Affonso Fabrício Belloc. (Fig)

Este primeiro contato da FEB com as consequências da guerra, miséria e ruínas por toda parte, realçou nos pracinhas sentimentos de saudade e ao mesmo tempo de gratidão, por saber que a Pátria estava longe deste terrível conflito, onde a desgraça e a dor imperavam.

Após 75 anos, não podemos deixar de homenagear aqueles que lutaram para defender os ideais de liberdade e de democracia tão caros ao povo brasileiro, e não devemos nos esquecer de que o Exército Brasileiro foi a única organização de força militar terrestre da América Latina a combater no Teatro de Guerra da Europa durante a 2ª guerra Mundial.

FONTE: http://www.eb.mil.br/web/noticias/noticiario-do-exercito/-/asset_publisher/MjaG93KcunQI/content/75-anos-do-desembarque-da-forca-expedicionaria-em-solo-italiano
 

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Re: História e origens do Exército Brasileiro
« Responder #3 em: Setembro 13, 2019, 09:41:00 pm »
100 anos da Missão Militar Francesa no Brasil

Quadro do Cel Estigarríbia retrata a assinatura do Contrato da Missão Militar Francesa. Obra produzida especialmente para o centenário da Missão Militar Francesa Quem está assinando é o Ministro da Guerra da França Clemenceau na presença do Embaixador Brasileiro e do Ministro das Relações Exteriores da França, segundo consta no livro “Missão Militar Francesa do Brasil junto ao Exército Brasileiro “ de autoria do Gen Alfredo Souto Malan, reeditado pela BIBLIEx, em 2018

A Missão Militar Francesa de Instrução no Brasil (MMF), chefiada pelo general Maurice Gamelin, foi contratada no dia 08 de setembro de 1919 para orientar, a partir de 1920, a modernização do Exército Brasileiro (EB). Inicialmente prevista por quatro anos, teve seu contrato renovado, sucessivamente, por 20 (vinte) anos, permanecendo entre nós de 1920 a 1940. Consistia em reorganizar, num primeiro momento, as escolas militares e, em seguida, o próprio EB.

Os termos do contrato estipulavam que oficiais franceses comandariam durante quatro anos as escolas de Estado-Maior (EEM), de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), de Intendência, Veterinária, Saúde, Equitação e Educação Física. O contrato representou um grande passo na direção da profissionalização e modernização do Exército e contribuiu para fortalecer o poder militar.

Uma das principais consequências da atuação da MMF, na EEM, foi a introdução e o ensinamento de elementos universais para o estudo do problema tático, os chamados fatores da decisão militar: a missão, o inimigo, o terreno e os meios. Assim os missionários franceses encarregavam-se de reorientar a doutrina do Exército, elaborar novos regulamentos e aperfeiçoar o ensino e a instrução militar. Sua ação resultou na reformulação das missões do Estado-Maior do Exército (EME) e na criação da Escola de Aviação Brasileira no Campo dos Afonsos, embrião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Colocou-se em prática a ideia, então dominante, de que a finalidade principal do Exército era o preparo das forças nacionais para a guerra, e assim foi viabilizado o enquadramento do potencial militar. Ademais, a mobilização militar passou a ser encarada como uma mobilização nacional.

Quadro do Cel Estigarríbia, “O CONTRATO”, retrata a assinatura do Contrato da MMF, em Paris, no dia 08 de setembro de 1919.

Constam do quadro da esquerda para direita de pé o Embaixador brasileiro Raul Régis de Oliveira, sentado assinando, o Ministro da Guerra da França George Clemenceau, de pé  o Ministro das Relações Exteriores da França Stephen Pichon e assistindo sentados à frente o Adido Militar do Brasil na França, Ten Cel Alfredo Malan D’Angrogne e o Chefe da MMF,  Gen Maurice Gamelin.

QUESTÕES ABORDADAS

- O que foi a MMFIEB?

Foi uma Missão Militar Francesa de Instrução junto ao Exército Brasileiro.
Da necessidade de modernização do Exército Brasileiro.
 
- Por que ela foi uma missão contratada na França e não em outro país?

O fato de o Brasil já ter tido uma Missão Militar Francesa contratada pela Força Pública de São Paulo, antes da Primeira Guerra. A presença em Paris, desde 1917 de uma importante missão de compra de do Exército e seu oficiais terem combatido nas fileiras do Exército Francês, e após a mesma a França ter sido vitoriosa no conflito, fez com que a dúvida entre uma Missão Alemã e Francesa se definisse pela França.
 
- Foi cogitada a possibilidade de contratação de uma missão militar junto à Inglaterra, aos EUA ou até mesmo à Alemanha, mesmo derrotada na Grande Guerra (I Guerra Mundial)?

Não.
 
- Quais foram as autoridades civis e militares brasileiras e francesas envolvidas na contratação da MMF?

Militares: Gen Alberto Cardoso de Aguiar, Ministro da Guerra, Ten Cel Alfredo Malan D’Angrogne, Adido Militar do Brasil na França, Marechal Joseph Joffre, Vencedor da Batalha do Marne, Gen Maurice Gamelin, Chefe do Estado-Maior do Gen Joffre.

Civis: Epitácio Pessoa, Chefe da Delegação do Brasil na Conferência de Versalhes, Dr. Pandiá Calógeras, membro da Delegação do Brasil de Versalhes, Dr. Domício da Gama, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Dr. Olintho e Dr. Raul Regis de Oliveira Embaixadores do Brasil na França, Monsieur George Clemenceau, Ministro da Guerra da França, Monsieur S. Pinchon, Ministro das Relações Exteriores da França.
 
- Qual era a duração inicial da MMF estabelecida no contrato?

4 (quatro) anos.
 
- Qual a relação existente entre a I Guerra Mundial (Grande Guerra) e a contratação da MMF pelo Brasil?

Após a Conferência de Versalhes em que participaram Epitácio Pessoa, futuro Presidente do Brasil e Pandiá Calógeras, futuro Ministro da Guerra, corroboraram a iniciativa do Ministro Cardoso de Aguiar de atribuir ao Ten Cel Alfredo Malan D’Angrogne a precisa e delicada missão de contratar a Missão Militar Francesa.
 
- Era realmente necessária a contratação de uma missão de instrução para o EB?

Sim. Principalmente após o término da I Guerra Mundial, quando se viu a necessidade de modernização do Exército.
 
- Quais foram as áreas de atuação da MMF no EB?

A MMF foi contratada para orientar a partir de 1920, a modernização do Exército Brasileiro, consistia em reorganizar, num primeiro momento, as escolas militares e, em seguida, o próprio Exército Brasileiro.

- O EME recebeu os relatórios dos chefes da MMF ao longo dos 20 anos de atuação da mesma no Brasil?

Com certeza.
 
- Caso positivo, o EME dispõe desses relatórios?

Acredito que sim.
 
- Qual foi o legado geral da MMF para o EB?

O grande legado da MMF foi conscientizar da necessidade de o Exército em tempo de paz estar sempre voltado para sua finalidade principal que é o preparo para a Guerra.
 
- Qual foi o legado doutrinário da MMF para o EB?
 
Implantação do método para solução de problemas;
Processo mais seletivo na formação dos Chefes;
Elevação do nível cultural e profissional dos oficiais e surgimento de pensadores militares brasileiros;
Formação dos Chefes que conduziram a FEB na Itália;
Estímulo ao estudo da História do Exército para a formulação de Táticas e Estratégias calcadas na experiência militar brasileira;
Dinamização dos trabalhos de Mobilização;
Introdução das Manobras de Grande Envergadura.;
Grupos de Combate em torno de metralhadoras;
Introdução dos Blindados;
Surgimento da Aviação;
Organização do Terreno;
Apoio Logístico para grandes efetivos (uso de transportes ferroviários); e
Novas Técnicas de Estado-Maior (Mobilização e Concentração)

 
- Os ensinamentos, pressupostos, normas e condutas estabelecidos pela MMF ainda permanecem no EB?

Apesar da mudança para doutrina americana após a Segunda Guerra Mundial, ainda temos influência da MMF, principalmente, nas Escolas Militares.
 
- Passados 100 anos, quais ensinamentos da MMF permaneceram no EB?

Só para dar um exemplo o Estudo de um Problema Tático, os chamados fatores da decisão militar:
A Missão;
O Inimigo;
O Terreno; e
Os Meios.
 
- A MMF chegou a interferir na estruturação do EB?

Com certeza, só para exemplificar, a distribuição das Regiões Militares permanece praticamente a mesma esboçada pelo Gen Gamelin.
 
- Qual foi o relacionamento dos oficiais franceses com a oficialidade brasileira?

Muito boa.

- Os chefes da MMF se manifestaram em relação ao ciclo revolucionário brasileiro durante o período da Missão (1919/1940), mormente Tenentismo, Revoluções de 1923, 1924 e 1926, Coluna Miguel Costa/Prestes, Revolução de 1930, Revolução Constitucionalista de 1932, Intentona Comunista, Estado Novo e Intentona Integralista?

Não, não se intrometeram nos problemas políticos.
.
- A França já havia enviado alguma missão militar de instrução para algum outro país do mundo antes de 1919?

Sim, Polônia, Thecoslováquia, dentre outras.
 
- Quais são as possibilidades de acesso, na França, do conjunto completo dos relatórios franceses sobre a MMF no Brasil?

Segundo o Cel Charles Orlianges, Adido Militar da França no Brasil, os Arquivos estão abertos à Pesquisa.

FONTE: http://www.defesanet.com.br/br_fr/noticia/34147/MALAN---100-ANOS-DA-MISSAO-MILITAR-FRANCESA-NO-BRASIL/
 

 

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