Taxa Lítio

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typhonman

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Taxa Lítio
« em: Junho 12, 2019, 10:00:24 pm »
Boa noite,


Á semelhança do Chile, e visto a "febre do lítio" estar a tomar conta do interior do país, o que me dizem se o estado taxar a exportação do minério e alocar uma percentagem ao reequipaemento das FA?


Cumprimentos,


(E vamos tentar manter uma discussão sadia).
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira, todo o território português ou parte dele
 

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Stalker79

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Re: Taxa Lítio
« Responder #1 em: Junho 12, 2019, 10:12:34 pm »
Em principio seria boa idea, mas tem de se ter em atenção as regras da UE quanto a isso.
Não me parece que seja assim tão simples.

 :-\
 

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LM

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Re: Taxa Lítio
« Responder #2 em: Junho 13, 2019, 10:04:20 am »
Pesadelo político - defesas apaixonadas de que a(s) prioridade(s) deveria(m) ser apoios à "igualdade de género", "saúde", "apoio aos...", etc... talvez se consiga no entanto para "combate a fogos".   
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 

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Clausewitz

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Re: Taxa Lítio
« Responder #3 em: Junho 15, 2019, 06:42:58 pm »
Boa noite,


Á semelhança do Chile, e visto a "febre do lítio" estar a tomar conta do interior do país, o que me dizem se o estado taxar a exportação do minério e alocar uma percentagem ao reequipaemento das FA?


Cumprimentos,


(E vamos tentar manter uma discussão sadia).

Completamente contra! Vender minério em bruto para financiar equipamento militar (importado na sua esmagadora maioria ainda por cima) é uma coisa própria de modelos de desenvolvimento terceiro-mundistas.

O que devíamos fazer era em vez de taxar para estourar dinheiro em qualquer tipo de despesa corrente, incentivar a investigação e a constituição no país de indústrias ligadas ao lítio, de baterias por exemplo, que é um mercado em grande crescimento e com muita margem de inovação tecnológica e de valor acrescentado, evitando ao máximo a venda de minério em bruto.

Para ter uma defesa forte é preciso ter uma economia forte, que sustente essa e várias outras necessidades das pessoas. Portugal tem um PIB per capita abaixo da média europeia e muito abaixo da média dos países com forças armadas que o pessoal aqui tem como modelos. Esta é uma das maiores e mais prementes ameaças ao país e que acaba por influenciar várias outras, não são os delírios de uma invasão territorial. Sem crescimento e modernização da economia não conseguimos criar melhores empregos, nem impedir a fuga de cérebros, nem aumentar a produtividade e valor acrescentado da nossa produção, dificilmente aumentamos a natalidade, nem diminuímos o endividamento nem a dependência externa. Ah, e também não teremos forças armadas mais fortes, apesar do pessoal estar convencido que é tudo uma questão de vontade política, aliás como se o povo tivesse uma vontade diferente...

Mas enfim, desde tempos imemoriais que a pulsão por "keep up with the Joneses" é nossa característica. E mesmo que tivéssemos uma situação de prosperidade, o que devíamos fazer com esse tipo de receitas seria aplicar para o futuro e não usar, tipo Noruega.
 
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Re: Taxa Lítio
« Responder #4 em: Junho 15, 2019, 07:17:09 pm »
Nestas coisas, não há nada como ter uma aproximação cautelosa e multi-facetada. Claro que há lugar ao desenvolvimento industrial que é fundamental para reconstruir a indústria, cuja destruição nos últimos 40 anos está na base da estagnação económica actual. Por outro lado, os mercados têm necessidade do minério e se o pessoal se arma em esperto ninguém compara o minério nem os produtos transformados.

Por isso, acho que sim, que se deveria criar indústrias à volta do Li, mas também devia exportar-se o minério bruto e parece-me que alocar uma percentagem das receitas às FFAA não é uma má ideia de todo — afinal já deu bons resultados no país economicamente mais avançado da América do Sul. Quanto a um fundo semelhante ao da Noruega, também me parece uma boa ideia do ponto de vista estratégico e acho que se lhe devia alocar uma fatia significativa da receita, que seria aumentada à medida que problemas estruturais fossem resolvidos. É de ressalvar, no entanto, que a exploração de petróleo e gás natural na Noruega iniciou-se nos anos 60 e o fundo só foi criado em 1990. Ou seja, primeiro os noruegueses resolveram os seus problemas mais prementes e só depois começaram a poupar.
« Última modificação: Junho 15, 2019, 07:18:05 pm por NVF »
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Clausewitz

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Re: Taxa Lítio
« Responder #5 em: Junho 16, 2019, 02:26:01 am »
Eu acho que se não definirmos como prioritário desenvolver essa indústria e começarmos a alocar as receitas da venda de minério para despesas correntes do Estado dificilmente passamos da cepa torta, até porque rapidamente se cria rigidez nessas despesas que depois dificilmente têm fontes alternativas de financiamento. Algum minério teremos que exportar sim, mas não concordo que as suas receitas financiem gastos militares ou outras despesas correntes do orçamento, ainda para mais ficando com os impactos ambientais por uma eternidade, só vale a pena considerar a exploração se gerar valor sustentado para o futuro. Se bem que ninguém liga a isso por cá, quem vier depois que se amanhe ou apague a luz.

Sobre ter dado bons resultados no Chile, na perspectiva de terem as forças armadas mais desenvolvidas da região sim, muito à base de importações de equipamento militar de todo o tipo. Mas no âmbito mais geral, que seja o país economicamente mais avançado da América do Sul tenho reticências. É dos mais prósperos per capita (acho que atrás do Uruguai), mas também dado os vizinhos vale o que vale e fundamentalmente a economia chilena contínua muito dependente da exploração mineira, do setor primário. Isso não é uma economia desenvolvida e cria vulnerabilidades, os países da América do Sul já passaram todos por isso, ciclos de expansão associados à exploração de recursos naturais que não foram usados para transformar a estrutura da economia e depois acabaram por não conseguir manter a prosperidade quando as condições mudaram.
 
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Re: Taxa Lítio
« Responder #6 em: Junho 16, 2019, 05:16:48 am »
Já vi que não tens a America Latrina em grande consideração.  :mrgreen: Ainda assim, não vejo o Chile na mesma categoria económica dos seus vizinhos, sendo até já membro da OCDE.

Mas quanto ao Li nacional, as coisas podem ser bem feitas se houver vontade e inteligência. Podia-se, por exemplo, dedicar 20% da produção para a indústria nacional e exportar os restantes 80% e à medida que a indústria nacional se desenvolvesse a percentagem para consumo interno aumentaria.

Quanto às receitas resultantes da exportação, podia-se alocar 50 % para abater a dívida soberana, 20% para o fundo da SS, 20% para um fundo ambiental e 10% para defesa nacional (somente para aquisição de equipamento). Fazia-se uma lei para não se poder mexer neste arranjo durante 20 ou 30 anos e depois revia-se. Se nessa altura a dívida nacional fosse inferior a 60% do PIB, por exemplo, diminuía-se os 50% para outro valor e criava-se um fundo nacional para emergências; se a economia tivesse crescido para níveis que pudessem suster FFAA devidamente equipadas, então acabava-se com os 10% para estas; se o fundo ambiental, ou o da SS, fossem demasiado grandes ou pequenos, ajustavam-se. Agora se construirmos igrejas, palácios, monumentos, auto-estradas e rotundas como no passado vai ser mais uma oportunidade perdida.
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Re: Taxa Lítio
« Responder #7 em: Junho 16, 2019, 09:45:18 am »
Boa noite,


Á semelhança do Chile, e visto a "febre do lítio" estar a tomar conta do interior do país, o que me dizem se o estado taxar a exportação do minério e alocar uma percentagem ao reequipaemento das FA?


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Completamente contra! Vender minério em bruto para financiar equipamento militar (importado na sua esmagadora maioria ainda por cima) é uma coisa própria de modelos de desenvolvimento terceiro-mundistas.

O que devíamos fazer era em vez de taxar para estourar dinheiro em qualquer tipo de despesa corrente, incentivar a investigação e a constituição no país de indústrias ligadas ao lítio, de baterias por exemplo, que é um mercado em grande crescimento e com muita margem de inovação tecnológica e de valor acrescentado, evitando ao máximo a venda de minério em bruto.

Para ter uma defesa forte é preciso ter uma economia forte, que sustente essa e várias outras necessidades das pessoas. Portugal tem um PIB per capita abaixo da média europeia e muito abaixo da média dos países com forças armadas que o pessoal aqui tem como modelos. Esta é uma das maiores e mais prementes ameaças ao país e que acaba por influenciar várias outras, não são os delírios de uma invasão territorial. Sem crescimento e modernização da economia não conseguimos criar melhores empregos, nem impedir a fuga de cérebros, nem aumentar a produtividade e valor acrescentado da nossa produção, dificilmente aumentamos a natalidade, nem diminuímos o endividamento nem a dependência externa. Ah, e também não teremos forças armadas mais fortes, apesar do pessoal estar convencido que é tudo uma questão de vontade política, aliás como se o povo tivesse uma vontade diferente...

Mas enfim, desde tempos imemoriais que a pulsão por "keep up with the Joneses" é nossa característica. E mesmo que tivéssemos uma situação de prosperidade, o que devíamos fazer com esse tipo de receitas seria aplicar para o futuro e não usar, tipo Noruega.

Concordo. A situação das FA é apenas o reflexo do resto do País enquanto sociedade. Existe maior ameaça que fuga dos mais capazes em busca do reconhecimento salarial e profissional para o estrangeiro?!! Isso combate-se com fragatas FREMM XPTO?!!

E uma taxa de natalidade que é o reflexo de politicas destruidores de rendimento nas classes mais baixas e de uma taxação que deixa a malta a contar cêntimos a partir do meio do mês?!! Uma verdadeira bomba demográfica que já nem com imigração do leste ou Brasil se vai conseguir resolver?!! É com F-35?!!

O Litio tem tudo é para ser uma maldição que vais acabar com o que ainda resta disto como Nação. Políticos corruptos + povo ignorante e mal informado + recursos naturais = África
 

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dc

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Re: Taxa Lítio
« Responder #8 em: Junho 16, 2019, 01:14:01 pm »
Não sei os valores brutos que a venda de lítio teriam para os cofres do Estado. Mas uma coisa é certa, não dará para tudo, e ainda para mais se for para se gastar em grandes obras públicas que na maioria dos casos só servem os interesses de algumas elites.

Com ou sem investimento directo nas FA através do lucro do Lítio, Petróleo, Gás Natural ou qualquer outro produto, o importante era que isto gerasse o aumento do PIB, dinamizasse a economia e nos colocasse na rota da importância comercial global. A partir do momento em que o PIB crescer, e o dinheiro não for gasto a torto e a direito (que é o mais provável), então mantendo os 2% do PIB para as forças armadas implica automaticamente um aumento do valor investido nestas. É óbvio que havendo riquezas naturais a ser exploradas em Portugal, seria necessário um investimento inicial nas FA, até como forma de dissuadir algum potencial país cobiçador das ditas riquezas. Mas este investimento seria sobretudo inteligente e estratégico, e não para comprar 200 CC, 1 porta-aviões, etc.
O que não se pode fazer, é achar que se pode aumentar o salário mínimo para 3000 euros, fazer grandes e desnecessárias obras públicas, e feiras e estádios e afins. Não podemos achar que estamos num país de ricos, em que todos têm de ter um Ferrari e ser donos de um hotel, como acontece no EAU e demais países árabes. Nem podemos ter uma mão cheia de pessoas da elite a encher os bolsos à pala destes recursos e o resto do país a viver na idade da pedra.