Artilharia de Campanha portugues em 1914

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Vincenzo

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Artilharia de Campanha portugues em 1914
« em: Dezembro 05, 2018, 02:37:24 pm »
Me desculpe mas eu não falo portugues
Eu procuro informações sobre quais e quantas peças a artilharia de campanha tinha na véspera da grande guerra
Eu sei:
1 grupo de baterias a cavalo (2 baterias, 8 pecas) para artigo 81 ordem 11 de 1911 com 7,5 cm K (Krupp?)
1 regimento e tres bataries independentes de montanha (9 baterias, 36 pecas) com 7 cm Schneider mod. 1906&1911
8 regimentos de campanha (para artigo 81 ordem 11 de 1911 com 8 baterias (2 rgt), 6 bat (3 rgt), 5 bat (3 rgt) todos com 2 baterias com lo antigo 9 cm MK e os autros com los 7,5 cm Schneider mod. 1904&1906
1 bateria de posicao com 4 obuzes de 15 cm Schneider automovil (parte da artilharia de guarnição)

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« Última modificação: Dezembro 05, 2018, 09:21:39 pm por Vincenzo »
 

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tenente

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Re: Artilharia de Campanha portugues em 1914
« Responder #1 em: Dezembro 05, 2018, 05:07:18 pm »
Vincenzo aqui vai a info que consegui coligir sobre o teu pedido.
Está na hora de começares a falar e ler Português, meu Caro.


A ARTILHARIA DA REPÚBLICA E A SUA PARTICIPAÇÃO NA 1ª GRANDE GUERRA

A reorganização Republicana

No início do século XX emergia uma crescente oposição à Monarquia, inspirada no exemplo de França, onde os apoiantes de ideologia republicana reclamavam reformas económicas e sociais e cuja tendência liberal e democrática fazia da mudança de regime o seu objectivo essencial. O ultimatum britânico provoca um profundo mau estar nacional, inflamando o nacionalismo e é aproveitado por todos para influenciarem a opinião pública. Todo este conjunto de situações conduz a um aumento dos apoiantes da república, especialmente de classe média todavia os republicanos mantinham-se divididos quanto à forma de derrubar a Monarquia, uns defendiam o processo por via eleitoral e outros a ruptura por acção revolucionária.

No final de Setembro de 1910, “numa vistosa parada militar a que assistiu o rei D. Manuel, comemorava-se no Buçaco o primeiro centenário da memorável batalha…” Poucos dias depois, na madrugada de 3 para 4 de Outubro, rebentava em Lisboa a revolução que viria a proclamar a república.

O Regimento de Artilharia nº 1 esteve bastante empenhado nesta revolta. Foi uma das primeiras unidades a chegar à actual Rotunda do Marquês de Pombal, logo depois chega o Regimento de Infantaria nº 16 e mais alguns civis que montam o dispositivo de defesa com 8 peças de Artilharia. Do lado oposto, entenda-se monárquico, encontrava-se no Quartel – General do Rossio uma Bateria do Grupo de Artilharia a Cavalo de Queluz a quatro peças. As forças republicanas contaram ainda com o apoio das forças navais. E foi o desembarque dessas forças no Terreiro do Paço, bem com o fogo da Artilharia, que derrubaram o regime monárquico desta forma, a 5 de Outubro de 1910, foi proclamada a República Portuguesa.

Com esta revolução “Poucos foram, relativamente os oficiais que, fiéis às suas crenças monárquicas, se abstiveram de aderir ao novo regime, preferindo demitir-se e exilar-se, a servir no exército sob a bandeira da República. Outros houve que, embora mantendo no seu foro íntimo as suas convicções monárquicas, não hesitaram em continuar servindo com a mesma lealdade de soldados, a Pátria e a República, conquistando, do novo regime, a confiança que mereciam pela nobreza do seu carácter”
 
Após esta mudança de regime, como acontece normalmente, assistiu-se a inúmeras modificações no país. Relativamente ao Exército, este sofre em 1911, a sua primeira reorganização após o 5 de Outubro, o que altera em grande parte o dispositivo com grandes semelhanças ao do século XIX. A Artilharia nesta reorganização é dividida “…em duas grandes especialidades: artilharia de campanha e artilharia a pé compreendendo esta ultima a artilharia de guarnição, a artilharia de costa e a artilharia technica”.

As tropas das diversas armas dividiam-se em três escalões: as tropas activas que constituíam a primeira linha do exército destinada a entrarem prontamente em acção; as tropas de reserva constituíam a segunda linha e eram destinadas a reforçar o de campanha e as guarnições do Campo Entrincheirado de Lisboa e de outros pontos fortificados; as tropas territoriais constituíam a terceira linha destinada à defesa das localidades, trabalhos de fortificação e outras missões de carácter mais sedentário.  Sendo assim as tropas activas do Exército, no que diz respeito à Artilharia, compreendiam um Regimento Montado a dois ou três Grupos de Baterias por cada uma das oito Divisões, dois Regimentos de Artilharia de Montanha a três Grupos de duas Baterias, um Grupo de Artilharia a Cavalo, dois Grupos de Baterias de Obuses, três Baterias de Montanha (independentes) e as forças de Artilharia do Campo Entrincheirado de Lisboa.

Quanto às tropas de reserva eram constituídas, no que refere a Artilharia, por oito Grupos de Artilharia Montada, três secções de reserva de Artilharia de Costa e três secções de reserva de Artilharia de Guarnição. Vejamos agora a Artilharia mais em pormenor:

Artilharia de Campanha: Existia a Escola de Tiro da Artilharia de Campanha (ETAC), em Vendas Novas, comandada por um Coronel; oito Regimentos de Artilharia Montada, sendo cinco deles constituídos por três Grupos e três por dois Grupos. Cada Grupo é constituído por duas Baterias. Cada regimento a três Grupos tinha um total de 27 Oficiais e cada regimento a dois Grupos tinha 16 Oficiais. No que diz respeito a localização o nº1 estava situado em Lisboa, o nº2 com o 1ºGupo na Figueira da Foz e o 2º e 3º Grupo em Alcobaça, o nº3 em Santarém, o nº4 com o 1º Grupo em Amarante e o 2º em Penafiel, o 5º em Viana do Castelo, o 6º em Vila Nova de Gaia, o 7º em Viseu e o 8º em Abrantes.
Existiam ainda dois Regimentos de Artilharia de Montanha com três Grupos a duas Baterias cada, eram comandados por um Major e tinham 8 Oficiais por cada regimento; dois Grupos a Cavalo constituído por duas baterias, comandados por um Tenente-coronel, com um total de 8 Oficiais, localizado em Queluz; e três Baterias de Artilharia de Montanha independentes com um total de 6 Oficiais.

As tropas de reserva compreendiam oito Grupos de Baterias Montadas, destinadas a cada regimento montado e, quando mobilizados teriam, um Estado Maior e Menor e as Baterias teriam o mesmo efectivo de uma Bateria de um Regimento Montado.

Artilharia a Pé: como vimos anteriormente estava dividida em Artilharia de Guarnição e de Costa.

Artilharia de Guarnição: Englobava a Escola de Tiro de Artilharia de Guarnição, um Batalhão de Artilharia de Guarnição com seis Companhias, comandado por um Tenente-coronel, e com um total de 22 Oficiais, pertencente ao sector norte do Campo Entrincheirado de Lisboa, um Grupo a duas Baterias para o sector sul, comandado por um Major e com um total de 8 Oficiais, e um Bateria de Artilharia de Guarnição destinada à defesa móvel do sector sul da defesa marítima do Campo, com um total de 3 Oficiais. A reserva era assegurada por duas secções atribuídas ao Batalhão de Guarnição e uma secção ao Grupo de Guarnição.

Artilharia de Costa: era composta por dois Batalhões com sete Companhias cada destinados às fortificações do porto de Lisboa, comandados por 1 Tenente-coronel e tendo o 1º Batalhão 31 Oficiais e o 2º, por um Grupo Independente a duas Companhias destinado a guarnecer as fortificações ainda em construção na foz do Sado, comandado por 1 Major e com um total de seis Oficiais, e ainda uma Companhia de Especialistas, onde constavam telegrafistas e electricistas, instalados em São Julião da Barra, com 3 Oficiais. Quanto à reserva segue o mesmo princípio da Artilharia de Guarnição, duas secções para os dois Batalhões e uma secção destinada ao Grupo. Esta nova disposição difere das anteriores uma vez que pretende tornar-se mais prática e objectiva. Assiste-se, igualmente, a uma mudança a nível do fardamento: A cor é alterada para cinzento (em vez de azul), e passa-se a usar barrete cilíndrico em detrimento do capacete de couro.

A Artilharia Portuguesa na 1ª Guerra Mundial
 
Antes de avançarmos para a Guerra Mundial em que Portugal esteve envolvido, não podemos deixar passar a pequena transformação feita no Exército em 1914 devido ao início da 1.ª Guerra Mundial, como se verifica esse facto na Ordem do Exército quando diz ser a missão do Exército “velar pela honra, independência e integridade da Pátria, em toda e qualquer eventualidade, defendendo-a contra as agressões de inimigos externos e internos.”. As alterações na Artilharia foram as seguintes: passou a haver um Regimento de Artilharia de Montanha46 constituídos com seis Baterias cada um; foi ordenado a formação de dois Grupos de Obuses de Campanha com três Baterias cada Grupo, mas só chegaram a formar em 1916. Referente às tropas de reserva, como previsto na reorganização de 1911, a Artilharia passava a ter mobilizados oito Grupos de Artilharia Montada com três Baterias cada; três Secções de reserva de Artilharia de Guarnição; e três Secções de reserva de Artilharia de Costa.

Voltemos agora ao conflito internacional. Com o início da 1ª Guerra Mundial, foram enviadas expedições para as colónias, cujo intuito era o de reforçar a defesa das mesmas e não o ataque aos alemães, visto Portugal querer manter a neutralidade neste conflito. A 1.ª expedição para Angola tinha incorporado em termos de Artilharia a 2.ª Bateria do Regimento de Artilharia Montanha com 225 homens e quatro bocas-de-fogo, ficando instalada em Huila; e a expedição para Moçambique levava a 4.ª Bateria do Regimento de Artilharia de Montanha com 221 homens e também com quatro bocas-de-fogo, instalando-se em Porto Amélia.
Entretanto em Dezembro começa-se a organizar a Divisão Auxiliar, para que o país tivesse uma força que estivesse preparada para um possível envolvimento, constituída por forças da 1.ª e 7.ª Divisão Territorial (Lisboa e Tomar), onde teria, em termos quantitativos de Artilharia, o 1.º Grupo do Regimento de Artilharia n.º 1, do n.º 2, e do n.º 8; a 1.ª e 2.ª Bateria do Regimento n.º 3; a 1.ª Bateria do Regimento de Artilharia n.º 5; e a Bateria de Artilharia de posição. Esta força ficou reunida em Tancos e mais tarde passou a denominar-se de Divisão de Instrução.

Também nesse mês é enviada a 2.ª expedição para a Angola, onde começa a haver combates contra os Alemães em Naulila, e onde iam incorporados a 1.ª Bateria, com 220 homens, e a 3.ª Bateria, com 216 homens, do Regimento de Artilharia de Montanha, perfazendo um total de 436 homens com 8 bocas-de-fogo; e mais, e 5 Baterias de Artilharia Montada, sendo cada uma pertencente ao Regimento n.º 1, n.º 2, n.º 3, n.º 7 e n.º 8 num total de 1080 homens e com 20 bocas-de-fogo.
A 12 de Julho de 1915 os alemães rendem-se na luta que vinham a travar entre ingleses e sul-africanos, pelo que a preocupação já não eram os alemães, mas sim novamente as tribos que se tinham sublevado devido às investidas alemãs em Angola. As campanhas de ocupação e de pacificação terminaram em Setembro de 1915.

Em Outubro de 1915 embarca a 2.ª expedição para Moçambique com o intuito de render a anterior, visto não ter acontecido mais nenhuma intervenção alemã. Era constituída por um Batalhão de Infantaria, uma Bateria de Metralhadoras, um Esquadrão de Cavalaria, e pela 5.ª Bateria do Regimento de Montanha, com 221 homens. A Inglaterra continua a pedir material a Portugal, principalmente material artilheiro, e o país retribuiu, cumprindo com a sua obrigação devido à aliança acordada entre os dois países, mas mantendo-se sempre beligerante quanto à guerra. Em Fevereiro de 1916, Inglaterra pede a Portugal a requisição de navios alemães fundeados nos portos portugueses, devido à imensa perca de navios britânicos provados pelos submarinos alemães. Assim sendo, Portugal apreende e ocupa navios alemães e austríacos para os Ingleses, pelo que a 9 de Março desse mesmo ano a Alemanha declara guerra a Portugal.
Com a entrada de Portugal no conflito europeu, surge uma urgente necessidade de preparar o Exército, pelo que a 20 Março começam então os treinos em Tancos. O Governo Português define como objectivo atacar as forças alemãs na colónia a Norte de Moçambique. Neste sentido, forma-se uma 3.ª expedição é constituída por três Batalhões de Infantaria, duas Companhias de Infantaria, três Baterias de Metralhadoras, e as 1.ª, 2.ª e 4,ª Baterias (97 homens cada Bateria) do Regimento de Artilharia de Montanha. Inicia-se então a forte Campanha de Moçambique a 15 de Agosto, com uma ofensiva portuguesa.

Ainda em Junho, os ingleses convidavam Portugal para tomar parte activa nas operações militares ao lado dos aliados, pelo que a 7 de Agosto, quando findavam os treinos em Tancos, oficiais ingleses e franceses vão a Tancos para estudar o emprego dessa força portuguesa no teatro de operações, de onde resultaram em duas propostas: a Inglaterra propunha que as forças portuguesas a serem enviadas ficassem às suas ordens e que iriam receber uma instrução complementar antes de entrarem no campo de batalha; já os franceses pediam que fossem enviadas tropas artilheiras para guarnecerem 20 a 30 Baterias Pesadas francesas. Com estas propostas foram assim criadas: o Corpo Expedicionário Português (CEP) destinado aos ingleses; e o Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI) destinado aos franceses. O CEP foi constituído pela força da Divisão de Instrução de Tancos e o CAPI pelo pessoal de Artilharia do Campo Entrincheirado de Lisboa, bem como o Corpo de Artilharia Pesado (CAP), agregado ao CEP.

Em Janeiro de 1917 embarcam as primeiras forças do CEP rumo a França. A constituição do CEP em termos de Artilharia seria o seguinte pertencente às duas Divisões:
seis Grupos Montados; dois Grupos de Obuses de Campanha; Tropas não divisionárias: um Grupo a duas Baterias de Obuses de Campanha; e o CAP com dez Baterias. Quando o CEP chegou a França, houve modificações a nível orgânico para uniformizar com a organização inglesa. Foram dissolvidos os Grupos de 7,5 cm e de Obuses de 11,4 cm e formavam seis Grupos de Baterias de Artilharia (GBA) tendo cada um três Baterias de peças 7,5 cm e uma Bateria de Obuses de 11,4 cm. Os seis GBA pertenciam aos Regimentos Montados, sendo distribuídos da seguinte forma: o Regimento n.º 2 formava o 1.º GBA; o n.º 7 o 2.º GBA; o n.º 8 o 3.º GBA; o n.º 3 o 4.º GBA; e o n.º 1 formava o 5.º e 6.º GBA. Cada GBA tinha 844 homens. Quanto ao CAP, foi constituído por dois Grupos com três Baterias de Obuses cada. A 1.ª Bateria era de 9,2’’; a 2.ª de 8’’; e a 3.ª de 6’’ (libras).

Em Maio de 1917, desloca-se para França o CAPI que era constituído por três Grupos Mistos a três Baterias cada, sendo uma de 32 cm e 2 de 19 cm ou de 24 cm; e um Bateria de Depósito. Tinha um efectivo total de 70 Oficiais e de 1258 praças.
Entretanto, em Julho de 1917, é enviada outra expedição para Moçambique para render a actual que se encontra desgastada devido aos confrontos que se desenrolam com a Alemanha. Na expedição iam três Batalhões de Infantaria, duas Baterias de Metralhadoras e duas Baterias do Regimento de Montanha.
Voltando à guerra na Europa, a 2.ª Divisão chegava a França em Novembro de 1917, ficando assim o CEP com toda a sua força reunida. O CEP pertencia ao 1.º Exército Britânico que se encontrava entre Armentières e Gravelles, e o sector português seria na Flandres, localizado no troço médio do rio Lys, com uma frente inicial de 14 km, passando depois para 11 km. As 1.ª, 4.ª e 5.ª GBA pertenciam à 1.ª Divisão e as restantes à 2.ªDivisão. Os dois Grupos do CAP chegaram mais tarde: o 1.º em Janeiro de 1918 e o 2.º em Março de 1918.

No CAPI, o segundo contingente chegava em Janeiro de 1918, e tiveram instrução com material francês. Porém, quando parecia que o CAPI ia ser empregue no campo de batalha, eis que as ordens foram outras e o CAPI ia ser incorporado no CEP, para reforçar o CAP. A sua deslocação para reforçar o CAP fora interrompida devido a um ataque germânico, onde o 1.º Grupo ficou a auxiliar o Exército francês e o restante rumou a Havre para ter instrução do material inglês. Do Grupo que ficou a auxiliar os franceses, a 2.ª e 3.ª Bateria viram-se fortemente empenhadas contra os alemães, a 18 de Maio, e a 1.ª Bateria, a 27 de Maio, também esteve bastante empenhada. Contudo, foi somente este o empenhamento do CAPI. Os franceses fizeram pouco uso deles, devido ao reforço que obtiveram através das forças americanas uma vez que devido à chegada dessas mesmas forças o exército francês preferiu o seu uso.
 
Quanto ao empenhamento do CEP, até à Batalha de La Lys, esteve num sector calmo, a efectuar alguns raids e a defender de poucos ataques alemães, principalmente em 1918, altura em que os alemães descobrem que aquelas tropas são novas ali. Nessas acções, a Artilharia esteve empenhada principalmente a fazer fogo de barragens e acções de contra-bateria, até que chega Abril de 1918.
As tropas portuguesas estavam desgastadas, cansadas e moralmente em baixo, pois nunca eram rendidas. Então há mudanças na organização portuguesa, e quem fica na linha da frente será a 2.ª Divisão reforçada com uma Brigada. Em termos de Artilharia ficavam empenhados o 1.º GBA com 696 homens e localizado em Neuve Chapelle, o 2.º GBA com 742 homens e também em Neuve Chapelle, o 5.º GBA com 746 homens e localizado em Ferme du Bois, e o 6.º GBA com 657 homens e em Fauquissart.

Ao todo havia 12 Baterias de 7,5 cm com seis peças cada, e de quatro Baterias de Obuses de 11,4 cm com quatro obuses cada, fazendo um total de 88 bocas-de-fogo. Quanto à Artilharia Pesada, os ingleses estavam necessitados, devido a uma frente em que os alemães estavam a atacar ferozmente.
Então, na madrugada de 9 de Abril, os alemães começam com um forte bombardeamento às Baterias artilheiras, ao qual as tropas artilheiras portuguesas responderam fortemente. A maior parte das peças fez fogo enquanto duraram as munições, contudo o remuniciamento era impossível devido à destruição dos transportes.
Depois disso a Artilharia não mais esteve empenhada, procedendo à retirada. De referir que num artigo do jornal New York Times, de 10 de Abril de 1918 e escrito por Philip Gibbs, é destacada a Artilharia portuguesa: “A Artilharia portuguesa manteve-se em posição enquanto foi possível e destruiu os percutores sempre que se tornou inevitável perder um canhão. Os artilheiros portugueses incorporados nas baterias pesadas britânicas comportaram-se com coragem especial!”.

Depois desta batalha, o CEP ficou muito reduzido, perdendo cerca de um terço do seu efectivo. Das forças que ficaram na retaguarda, algumas começaram a auxiliar os ingleses nas frentes, e, a 12 de Abril, o 4.º GBA desloca-se para a zona Marzinganhe Vermelles para cooperar com Artilharia inglesa e, mais tarde, segue também o 1.º GBA. As restantes forças estiveram empenhadas em trabalhos das suas especialidades. Mais tarde, com a mudança do Comandante do CEP, o General Garcia Rosado fez força para que o CEP fosse novamente organizado, o que veio a acontecer a 11 de Novembro de 1918, sendo constituído por três Brigadas, onde estavam incorporados o 3.º e 4.º GBA e parte do 6.º GBA. Desta forma Portugal continua a combater ao lado dos Aliados até à Conferencia da Paz que tem início a 18 de Janeiro de 1919 em Paris.
A actuação portuguesa foi vista como desastrosa pelos outros países, e para disfarçar essa situação, os republicanos culparam os Oficiais e Chefes Militares por esse desastre. Os Oficiais nunca perdoaram esse acto e a partir da Guerra começaram a existir muitas conspirações contra a república.
Durante a guerra houve alterações nas unidades artilheiras, onde, em 1916, fora mandado organizar o 1.º Batalhão de Obuses de Campanha, associado ao Regimento de Artilharia n.º 6, e o 2.º Batalhão de Obuses de Campanha, acoplado ao Regimento de Artilharia n.º 5, tendo cada Batalhão dois Grupos, e cada Grupo com duas Baterias. Cada Batalhão teria 72 homens e 51 cavalos. Em 1917 estes 2 Batalhões juntam-se e formam o Regimento de Obuses de Campanha, com sede em Castelo Branco, tendo um efectivo de 155 homens e de 118 cavalos. Em 1918 o Regimento de Artilharia n.º 1 passou a ter a sua sede em Alcobaça.

Vicenzo Se necessitares de mais alguma info diz, se tiver ou puder arranjar envio-ta.

Abraços
« Última modificação: Dezembro 05, 2018, 05:13:12 pm por tenente »
 

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Vincenzo

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Re: Artilharia de Campanha portugues em 1914
« Responder #2 em: Dezembro 07, 2018, 09:53:22 am »
Obrigado, tenente, mas eu já tinha lido esse artigo.
Eu acho que existem alguns erros:
Embora estivessem presentes nas ordems de 11/1911 e 15/1914, os grupos obuzes não haviam sido estabelecidos e eu não encontrei nenhuma referência à constituição atual do segundo regimento de montanhas.

Problemas eu preciso de uma resposta
a artilharia a cavalo ainda estava com os Krupp?
os regimentos de campanha ainda tinham apenas 33 baterias de 7,5 TR?
os grupos de reserva ainda tinham os 9 MK?

 

 

Discurso de Paiva Couceiro ao Exército Português, Porto 1919

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