Furto de Munições em Tancos

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smg

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #270 em: Março 06, 2019, 11:35:59 pm »
Boa noite . Hoje na comissão de defesa nacional no Parlamento foi ouvido o ex CEME General Rovisco Duarte  . Das mais de 4 horas que durou a audição só pude seguir cerca de uma hora . Mesmo assim foi bastante interessante já que falou de vários casos que aconteceram durante o seu mandato à frente do exército . Como é evidente convém sempre ouvir todas as partes , já que cada um costuma contar a história à sua maneira . Depois de tantas críticas contra ele , apresentou a sua versão dos factos em relação a certos casos . Por exemplo disse que tinha tido conhecimento de algumas queixas da 1 FND na RCA , e quando tentou saber junto do CFT tenente general Faria de Menezes o que se passava , esse terá dito que havia pequenos problemas mas nada de grave . Passado um tempo o ex CEME terá recebido um mail directamente da RCA dando conta de problemas sérios . Então decidiu aproveitar um voo de C130 de reabastecimento da força na RCA e foi ver in loco o que se passava . Foi aí que percebeu que cerca de 40% das viaturas estavam inoperacionais por falta de peças e sobresselentes . Foi necessário mandar várias toneladas de material para que quando chegasse a 2 FND , os problemas estivessem resolvidos . Talvez seja essa uma das razões da 1 FND ter feito tão poucas missões comparativamente com as outras . Também em relação à 2 FND disse que só tomou conhecimento a um mês da partida que o regimento de comandos tinha nomeado pessoas com processos pendentes , contrariando as regras da ONU , e que deu ordens para substituir as pessoas para a força não correr o risco de ser rejeitada . Continuando com os comandos disse que deu ordens para que nenhum dos instrutores envolvidos no curso 127 , participasse no curso 128  . Mas como desconfiava , uns dias antes do curso 128 começar foi a Mafra e constatou que cerca de metade dos instrutores tinham participado do curso 127 ....
Em relação a Tancos disse que a falta de pessoal não justifica tudo  e que houve claramente erros e desleixo por parte de quem tinha que organizar a vigilância .
Se for verdade o que ele disse , não me admira que tenha criado alguns anticorpos junto de algum pessoal do exército .
Finalmente disse que a razão principal da sua saída nem foi Tancos ,mas sim a sua discordância em relação à nova LPM .
Agora cada um pense o que quiser .Um abraço .
 

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raphael

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #271 em: Março 07, 2019, 09:34:23 am »
Boa noite . Hoje na comissão de defesa nacional no Parlamento foi ouvido o ex CEME General Rovisco Duarte  . Das mais de 4 horas que durou a audição só pude seguir cerca de uma hora . Mesmo assim foi bastante interessante já que falou de vários casos que aconteceram durante o seu mandato à frente do exército . Como é evidente convém sempre ouvir todas as partes , já que cada um costuma contar a história à sua maneira . Depois de tantas críticas contra ele , apresentou a sua versão dos factos em relação a certos casos . Por exemplo disse que tinha tido conhecimento de algumas queixas da 1 FND na RCA , e quando tentou saber junto do CFT tenente general Faria de Menezes o que se passava , esse terá dito que havia pequenos problemas mas nada de grave . Passado um tempo o ex CEME terá recebido um mail directamente da RCA dando conta de problemas sérios . Então decidiu aproveitar um voo de C130 de reabastecimento da força na RCA e foi ver in loco o que se passava . Foi aí que percebeu que cerca de 40% das viaturas estavam inoperacionais por falta de peças e sobresselentes . Foi necessário mandar várias toneladas de material para que quando chegasse a 2 FND , os problemas estivessem resolvidos . Talvez seja essa uma das razões da 1 FND ter feito tão poucas missões comparativamente com as outras . Também em relação à 2 FND disse que só tomou conhecimento a um mês da partida que o regimento de comandos tinha nomeado pessoas com processos pendentes , contrariando as regras da ONU , e que deu ordens para substituir as pessoas para a força não correr o risco de ser rejeitada . Continuando com os comandos disse que deu ordens para que nenhum dos instrutores envolvidos no curso 127 , participasse no curso 128  . Mas como desconfiava , uns dias antes do curso 128 começar foi a Mafra e constatou que cerca de metade dos instrutores tinham participado do curso 127 ....
Em relação a Tancos disse que a falta de pessoal não justifica tudo  e que houve claramente erros e desleixo por parte de quem tinha que organizar a vigilância .
Se for verdade o que ele disse , não me admira que tenha criado alguns anticorpos junto de algum pessoal do exército .
Finalmente disse que a razão principal da sua saída nem foi Tancos ,mas sim a sua discordância em relação à nova LPM .
Agora cada um pense o que quiser .Um abraço .

Quando alguém sob as nossas ordens comete um erro nós somos responsáveis por esse erro, independentemente de tutela direta ou não... caso contrário o sr ex-CEME não se tinha apressado um dos 5 comandantes de unidades que decidiu exonerar, porque um desses comandantes esta fisicamente localizado em Alcochete...

Depois para suavizar um erro não apontamos erros a terceiros, ou cometidos por terceiros...não é correto desviar a atenção para outros problemas/erros que nos são imputáveis com erros de terceiros que vendo bem também nos são imputáveis...porque se temos 4 estrelas aos ombros todos os erros que são cometidos abaixo são nossa responsabilidade, seja por lacuna no dever de tutela seja por lacunas em difundir as nossas ordens.

E caso os problemas com a 1ª FND fossem graves ao ponto da RCA se queixar...onde ficaram os procedimentos disciplinares? Resolver para debaixo da carpete não resolve...mesmo.

Quanto aos Comandos, o Exército assumiu que ia uma Companhia de Comandos...tinha que ter uma companhia de comandos completa para integrar a missão, pois era um compromisso com a ONU...se os problemas de pessoal sobressaissem para a ONU puff...acabava-se a missão, ficava a imagem de Portugal em cheque, além de que com três forças de tropas especiais no Exército nenhuma quer abrir mão das missões no estrangeiro que lhes são atribuidas pois quer queiramos quer não são fatores motivacionais para os militares que integram essas forças.

O sr. ex-CEME até pode dizer que não saiu por causa de Tancos e que foi por causa da LPM, mas daqui a 10 anos (sim porque o Exército é muito tradicionalista mas tem uma memória duradoura para o bem e para o mal) e o nome Rovisco Duarte vai estar sempre associado ao desvio de armas de Tancos, tal como os PJM que entenderam disfarçar a forma de encontrar o material.
Já agora o sr ex-CEME chegou a dizer quais os itens em que discordava da nova LPM?

Cada um pensa o que quiser porque somos autónomos e também dizemos o que nos aptece porque já não há "lápis azul"  e já agora porque este fórum é um local de excelência para discutirmos estas temáticas de Defesa.
Um abraço
Raphael
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smg

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #272 em: Março 07, 2019, 05:52:48 pm »
Boa tarde . Caro Raphael , como é evidente o ex CEME ficará para sempre associado ao caso do furto de Tancos pelas funções que exercia na altura . Quanto às responsabilidades na minha opinião devem ser repartidas por vários CEME , e não só , porque o estado dos paióis é fruto de uma falta de acção ao longo de vários anos . Quando os problemas não são resolvidos atempadamente acabam por rebentar mais tarde ou mais cedo .
Quanto à LPM , não sei se sabia , mas o general Rovisco Duarte foi o único CEM que votou contra tanto no Conselho Superior Militar como no Conselho Superior de Defesa Nacional . O sentido do seu voto deve ter ficado exarado em acta ,por isso é conhecida a sua posição . Relembro que o exército fez propostas de reequipamento no valor de 1900 milhões de € , e o que ficou consagrado foram 762,5 milhões para os próximos 12 anos . Menos de metade . Depois se essa foi a principal razão que o levou a apresentar a demissão , como afirmou , volto a dizer que cada um é livre de pensar o que quiser e de acreditar , ou não , nas declarações do exCEME . Um abraço .
 
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Camuflage

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #273 em: Março 07, 2019, 09:05:09 pm »
Citar
General destapa cultura de inação, resistência e desobediência no Exército

Rovisco Duarte, antigo chefe do Estado-Maior do Exército, transmite ao Parlamento um retrato negro sobre o estado daquele ramo das Forças Armadas.

A audição parlamentar do general Rovisco Duarte sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto de Tancos, esta quarta-feira, acabou por tornar público uma realidade do Exército marcada pela inação, passividade, resistência e mesmo desobediência ao longo da cadeia de comando.

Vários exemplos revelados por Rovisco Duarte - que acabaram também por ser um ajuste de contas com os dois tenentes-generais (do seu curso de 1976) que se demitiram em protesto contra a exoneração dos comandantes responsáveis pela segurança dos paióis - revelaram um "homem de ação" e com uma longa carreira em funções de comando que se mostrou incapaz de aceitar um ambiente de "deixa andar" em que um dos seus cultores era, segundo o ex-chefe do Exército, o então comandante das Forças Terrestres, Faria Menezes

Preparar o envio para o Afeganistão de um regimento diferente daquele que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) tinha determinado; garantir ao CEME que não tinham sido nomeados para a República Centro-Africana (RCA) militares alvo de processos (devido à morte de dois recrutas dos comandos) que afinal estavam nomeados - e acabaram por ser retirados à última hora da força; ter de "dar um murro na mesa" porque oficiais queriam implementar medidas diferentes das aprovadas para o antigo Instituto de Altos Estados Militares, em Pedrouços, foram outros dos casos relatados.

A vontade do comandante de uma unidade em querer ter um paiol próprio para os operacionais na inativação de engenhos explosivos - que exigia 300 mil euros - quando tinha um "a 300 metros", noutro quartel, foi mais um episódio contado por Rovisco Duarte e que exigiu a sua intervenção direta e sem diplomacia para forçar os intervenientes - e os seus superiores hierárquicos imediatos - a partilhar o que existia e com espaço disponível suficiente para as necessidades.
"Vai haver sangue quando chegar a Portugal"

Uma das situações mais gritantes desse clima relatado por Rovisco Duarte passou-se com um dos dois primeiros contingentes de comandos enviados para a RCA: havia graves falhas no apoio a essas tropas, que eram reportadas pelo comando das Forças Terrestres (CFT) como sendo menores e resolúveis - mas que levaram o CEME a ir ao terreno e declarar, perante o que viu e ouvir, que iria "haver sangue quando chegar a Portugal".

Isto desde haver 40% das viaturas paradas e até material enviado para a RCA por engano

Informação que permitiu aferir a dimensão dessas falhas foi o ter de enviar "36 toneladas de material" nos dias seguintes ao regresso de Rovisco Duarte a Portugal, contou o general, revelando ainda a breve troca de palavras que trocou em Bangui com um responsável da logística na missão e que decorreu sensivelmente nestes termos: "Já comunicaste esta situação? Já disse. A quem? Ao CFT. O que aconteceu? Nada."

Munido de documentos e relatórios, numa audição que durou quase cinco horas e meia, Rovisco Duarte deu ainda a conhecer algumas situações ocorridas após a morte de dois recrutas comandos que, a dada altura, o levaram a dizer que a lealdade e solidariedade corporativas - alegadamente presentes nas ações de faria Menezes - só são aceitáveis se "dentro da legalidade e da legitimidade".

A ausência de quaisquer contributos dos tenentes-generais sobre o que fazer a seguir às mortes nos comandos ou do furto de Tancos, à exceção de abrir um processo de averiguações, ou haver um comandante de uma brigada a telefonar ao CEME para lhe dizer que havia agentes da PJ e da PJ Militar à entrada do quartel, em vez de resolver o caso localmente, foram outros dois casos relatados por Rovisco Duarte sobre a inação e incapacidade de decidir de muitos responsáveis na cadeia de comando do Exército.

A propósito daquele episódio dos agentes da PJ e da PJM, Rovisco Duarte assegurou não ter dado qualquer ordem para impedir a sua entrada e que as notícias e relatos sobre isso não tiveram qualquer fundamento.
"Tancos não era prioritário"

O melhor retrato dessa realidade resultou do estado a que chegaram os paióis de Tancos, tanto em termos de segurança como das instalações e que poderiam ter sido resolvidas pelos comandantes das unidades locais e pelos comandantes das Forças Terrestres e da Logística: ausência de telefones (quando bastava uma meia hora para estender fios), torre de vigia com vidros partidos e sem lâmpadas a funcionar, falta de desmatação, vedação com buracos, ausência de rondas....

"É preciso uma ordem do comandante da brigada para mudar vidros?", interrogou-se Rovisco Duarte, acrescentando: "Tancos não era prioritário", quando o comando operacional e o da Logística "tinham verbas suficientes para resolver" os problemas existentes - para os quais tinham de se coordenar, outra lacuna aparentemente transversal ao Exército face a outros exemplos relatados por Rovisco Duarte.

"O meu comando foi marcado pela vontade forte de mexer nestas áreas", afirmou o ex-CEME, dizendo que estava "a resolver situações anteriores de inação de comando" quando se deu o furto em Tancos - e a posterior demissão dos tenentes-generais Faria Menezes e Antunes Calçada, por discordância frontal com a sua decisão de exonerar cinco comandantes.

Rovisco Duarte, depois de reconhecer que estes dois generais tinham sido frontais nesse momento, comentou que a reação do responsável pela Logística, tenente-general Fernando Serafino, foi um "nim".

A vontade de "resolver o problema estrutural" da falta de segurança e "não querer esperar" por processos de análise cujo resultado era nada fazer é que o levou a exonerar os cinco comandantes, explicou várias vezes. "Quis provocar um choque e acabar com a cultura do deixa andar" no Exército, pois mesmo podendo ser injusto com alguns dos visados beneficiava-se o ramo, argumentou.

"Quando decido" exonerar os cinco oficiais superiores "estava ciente dos problemas no terreno e das falhas dos comandos", de que foi tendo conhecimento pormenorizado nos dois dias seguintes. Mas "não iria contemporizar com a situação nem deixar no ar a ideia de que não iria ser determinista", justificou ainda o ex-CEME.

E ainda defendem que não há oficiais a mais? Até se estorvam uns anos outros com os seus egos!
Não se entende porque o ex-CEME não exonerou esta cambada de insubordinados e porque só agora é que vem queixar-se do assunto e não quando estava no activo.

Continuo sem entender porque é que aqui os militares no activo continuam a prestar vassalagem a este lixo.
 
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PereiraMarques

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #274 em: Março 08, 2019, 04:46:43 pm »
As FND não estão sobre o comando do CEMGFA e mais diretamente do CCOM?  :o O CEME vai à RCA e decide enviar toneladas de material sem falar com o CEMGFA e o CCOM? O Comandante da FND queixa-se diretamente ao CEME? Não deveria ter sido primeiro ao CEMGFA?
 

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Lancero

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Re: Furto de Munições em Tancos
« Responder #275 em: Março 08, 2019, 11:44:51 pm »
O CEMGFA era o “tá tudo bem”, “vou fazer a sesta”, “tudo obsoleto” Pina Monteiro
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

 

Falta de limpeza da área militar provocou o alastramento do incendio de Tancos?

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