Mulher no Exército Português

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Mulher no Exército Português
« em: Janeiro 10, 2017, 11:57:36 am »
Boas!
Eu estou, neste momento, a desenvolver uma tese de mestrado acerca da participação feminina no Exército Português, onde irei fazer uma ponte entre questões sociais (por exemplo, as formas como a participação feminina nas questões militares é vista pela população) e questões biológicas (capacidades físicas, taxas de baixas, etc) para perceber se há, ou não, alguma relação entre ambas as questões.
Para tal, iria precisar de testemunhos de militares, e como este é um fórum que sigo há vários anos, lembrei-me de perguntar aqui  :D
Assim, vou deixar aqui um questionário, que agradeceria imenso que quem quisesse pudesse responder. E alguma discussão também seria bem vinda, claro.

Entretanto, e para adicionar alguma informação ao fórum, vou fazendo alguns posts com informação sobre este tópico  :G-beer2:
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #1 em: Janeiro 10, 2017, 01:45:24 pm »
Aqui fica, então, o questionário:

https://goo.gl/forms/umrS7naoNPykXVaH2

E relativamente à participação da mulher no exército português...

Cruzada das Mulheres Portuguesas

   Uma das primeiras referências à participação da mulher nas Forças Armadas Portuguesas remonta à Primeira Guerra Mundial, e à criação de um corpo de enfermeiras destinadas a servir nos hospitais militares nacionais e os hospitais militares dos corpos expedicionários, em associação com a Comissão de Enfermagem da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Esta associação de caridade seria oficializada a 3 de julho de 1916, com o Decreto 2:493 , por iniciativa de Elzira Dantas Machado, esposa de Bernardino Machado, Presidente da República à altura, e com o propósito expresso de “prestar assistência moral e material aos que dela necessitassem por motivo da guerra com a Alemanha”. Nesse mesmo decreto é referida a intenção por parte da CMP em criar uma “ambulância”  com capacidade para cerca de 400 feridos, destinada a prestar serviços nos campos de batalha onde se encontrem tropas portuguesas, e um hospital permanente em Lisboa, também com capacidade para cerca de 400 camas.
À CMP (e à Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha) é consagrada a posição de “auxiliar dos serviços de saúde do exército”, sendo que o Artigo 2º do Decreto 2:493 coloca o pessoal das comissões hospitalares e de enfermagem da CMP sob as leis e regulamentos militares, não podendo desempenhar quaisquer serviços de saúde sem autorização do Ministro da Guerra.
Interessante é a questão colocada relativamente à separação das enfermeiras do combate, sendo que o Artigo 6º do Decreto 3:307 de 1916 (onde ficam definidas as formas de recrutamento das enfermeiras dos serviços de saúde do exército português [tanto para hospitais militares como para hospitais de campanha], vencimentos, direitos e formas de emprego) fixa que “as enfermeiras não poderão ser empregadas em hospitais de campanha situados a menos de 10 quilómetros da linha de batalha”. Esta obrigação legal de separação evitaria que as enfermeiras fossem destacadas para a “linha da frente”, onde os perigos de morte ou ferimento seriam muito mais elevados, ficando o cuidado imediato dos feridos em combate entregue a médicos, enfermeiros e maqueiros do sexo masculino . No total, terão servido nos serviços de saúde do exército português cerca de 94 mulheres, 82 enfermeiras da Cruz Vermelha e 12 da Cruzada das Mulheres Portuguesas.
Com este pequeno núcleo de pioneiras, é possível desenhar e perceber aquilo que será um “fio condutor” da participação feminina no exército português (e, de forma geral, noutros exércitos), durante muito tempo: serviços de enfermagem.


« Última modificação: Janeiro 10, 2017, 02:44:07 pm por Anthropos »
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #2 em: Janeiro 10, 2017, 01:57:28 pm »
Enfermeiras Paraquedistas

O próximo passo do sexo feminino nas forças armadas portuguesas será dado durante a Guerra Colonial, com a criação de um grupo de enfermeiras paraquedistas, em 1961, podendo essa criação ser atribuída, em parte, à influência de Isabel Bandeira de Mello e às experiencias das enfermeiras paraquedistas francesas (em particular, nas guerras da Indochina e da Argélia).
As origens dos corpos de enfermeiras paraquedistas franceses podem ser encontradas já na década de 30 do século XX, com o surgimento das primeiras “enfermeiras do ar” (que poderiam ser usadas tanto por organismos civis como militares), em 1934, e com a Cruz Vermelha Francesa a iniciar em 1937 a formação dessas enfermeiras em paraquedismo, sendo os primeiros 13 brevets atribuídos em 1938. Com o início da Segunda Guerra Mundial os treinos das enfermeiras francesas viriam a ser interrompidos, sendo apenas em 1949 (4 anos após o fim da guerra) criada oficialmente a “Secção de Enfermeiras Paraquedistas” da Cruz Vermelha Francesa. É logo na década de 1950 que essas enfermeiras recebem o seu batismo de fogo, com a sua participação nas guerras da Indochina e da Argélia.
Em 1956 uma mulher portuguesa, de seu nome Isabel Bandeira de Mello (ficando conhecida como “Isabelinha”), obtém o brevet de paraquedista em França, no Centro Nacional de Paraquedismo de Biscarrose. Conhecendo várias enfermeiras paraquedistas da Cruz Vermelha Francesa (chegando mesmo a receber formação por parte de Jacqueline Domerge, uma famosa enfermeira paraquedista que viria a falecer em serviço na Argélia), começa a desenvolver o projeto da criação de um corpo de enfermeiras paraquedistas portuguesas.
Em 1957, Isabel Bandeira desenvolve os primeiros contactos com o então Secretário de Estado da Aeronáutica (SEA), Kaúlza de Arriaga, reconhecido como o “pai” do paraquedismo militar português, que mostra algum interesse no projeto, embora adiando o mesmo, por pressão de assuntos de maior prioridade.
Será apenas em 1959 (já após Isabel Relvas ter ajudado à criação de legislação reguladora da prática de paraquedismo civil em Portugal, em 1958) que o Chefe de Gabinete do SEA envia ao Batalhão de Caçadores Paraquedistas (BCP) o programa original do Curso de Enfermeiras Paraquedistas da Cruz Vermelha Francesa, para ser estudado, traduzido, e modificado de acordo com as necessidades portuguesas. Após uma série de “negociações” relativas ao programa a ser implementado, entre o BCP e a Direção do Serviço de Recrutamento e Instrução (DSRI), fica definido o programa de treino das enfermeiras paraquedistas a 1 de junho de 1959. No entanto é apenas a 5 de maio de 1961, com o Decreto nº 43 663, que viriam a ser oficializadas as primeiras vagas para o quadro de enfermeiras paraquedistas.
A 24 de maio do mesmo ano, a DSRI definia o processo a ser usado nas provas de admissão, determinando que as provas psíquicas e físicas fossem feitas nos mesmos moldes das realizadas para os candidatos masculinos, embora adaptadas às condições peculiares da constituição física da mulher. Entre essas “condições peculiares”, destacavam-se os “Distúrbios psíquicos nos períodos ante e menstrual”, “grande predomínio do sistema pélvico sobre o escapular” e o “grande predomínio dos músculos extensores sobre os flexores”.
Desde 1961 até 1974, ano de término do curso de enfermeiras paraquedistas, viriam a ser formadas 46 enfermeiras paraquedistas, que participariam em todos os teatros de operações da guerra colonial portuguesa, e teriam como ultima missão no exterior a evacuação de civis vindos de Timor para Lisboa, em 1975. Falecera em serviço apenas uma enfermeira, Maria Celeste Ferreira da Costa, atingida pela hélice de um Dornier DO27  quando se preparava para embarcar, a 10 de fevereiro de 1973, na Guiné. Uma outra enfermeira, de seu nome Maria Cristina Justino da Silva, será a única a receber ferimentos graves, tendo sido baleada na cabeça, durante uma evacuação de feridos em combate de Mueda.
Embora o ultimo curso ministrado tenha sido em 1974, o fim oficial das enfermeiras paraquedistas viriam em 1980, com o decreto-lei nº 309/80, que decretava a extinção progressiva do quadro, mantendo a opção das oficiais e sargentos enfermeiras paraquedistas requererem ao chefe de Estado-Maior a passagem para o “quadro do pessoal militar permanente privativo do Corpo de Tropas Paraquedistas”. É a 15 de maio de 2002 que se dá a extinção efetiva do grupo de enfermeiras paraquedistas, com a passagem à reforma de Maria de Lurdes Lobão, que também tinha sido a única enfermeira a ser formada pelo último curso de enfermeiras paraquedistas, recebendo o seu brevet a 25 de agosto de 1974
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #3 em: Janeiro 10, 2017, 02:01:45 pm »
Corpos voluntários do Ultramar e Medalha de Mérito Feminino – Pela Pátria

Com o estalar da Guerra Colonial em 1961, e com a falta de pessoal militar/policial para controlar a situação e proteger a população civil, é criada legislação a legitimar grupos milicianos (que, de resto, já existiam). Essa legislação surge na forma do Decreto-Lei nº 43568, que define a criação de um corpo de voluntários em cada uma das províncias ultramarinas, constituído por cidadãos portugueses aí residentes, e em condições de cooperar na manutenção da ordem e proteção da soberania nacional (artigo 1º). Nesses corpos poderiam ser incorporados cidadãos do sexo feminino, embora estivessem dependentes das diretivas do Governador da Província, e para serviços de saúde (Artigo 9º; §2).
Com a publicação do Decreto-Lei n.º 44217, a 2 de março de 1962, é feita uma “remodelação orgânica e funcional do instituído corpo de voluntários, a fim de lhe melhorar a capacidade de eficácia”. Com o artigo 7º do supracitado Decreto-Lei, é indicado que “Os indivíduos inscritos no organização provincial de voluntários são distribuídos, consoante a idade, o sexo, a aptidão física e a preparação profissional, por dois escalões, correspondentes, respectivamente, às missões de autodefesa e a às missões psicossociais.” O parágrafo único desse mesmo artigo refere, então, que “os voluntários do sexo feminino são destinados, em princípio, às missões psicossociais”. 
A 12 de setembro de 1962 é criada, através do Decreto-Lei n.º 44566, a Medalha de Mérito Feminino – Pela Pátria, uma condecoração com o objetivo de “(…) galardoar as mulheres portuguesas que, por actos ou serviços de assinalado mérito, se distingam na defesa da integridade territorial ou do património moral da Nação” (Artigo 1º do Decreto-Lei nº 44566). A título de exemplo, uma das mulheres a quem esta medalha foi entregue terá sido Joana de Saúde Pires Tenório, “Enfermeira nas minas do Mavoio, da Empresa do Cobre de Angola, (…) que em Março de 1961, quando da onda sanguinária do terrorismo avassalava a região do Mavoio, forçando a evacuação total de mulheres e crianças, ficou voluntariamente até que a região estivesse ocupada militarmente e pacificada, continuando a prestar a elementos do Exército a sua assistência técnica e moral; (…) demonstrou sempre, sobretudo nos momentos mais críticos, as suas extraordinárias qualidades de abnegação, heroísmo e sacrifício, a par de inexcedível calma, valentia e patriotismo, pelo que deve ser apontada como exemplo de portuguesa que nobremente serviu a Pátria (…)”, extrato da portaria de 28 de Setembro de 1962 (Diário de Governo nº 255 / II Série / 1962).
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #4 em: Janeiro 11, 2017, 07:49:50 pm »
Questões fisicas

Analisar comparações entre homem/mulher é sempre um assunto delicado, já que há uma grande quantidade de erros que se podem cometer. Por exemplo, há a possibilidade de tomar o todo pela unidade, a unidade pelo todo ou deixar de parte características individuais importantes para o desempenho da função em análise. No caso de análise de teor físico/biológico relativas ao desempenho do sexo feminino na função militar, também é preciso ter em conta questões como sexismo, resistência à mudança ou outras possibilidades que não sejam a de conduzir uma pesquisa imparcial.
No entanto, e após salvaguardar contra os erros (de pesquisa, de "confirmation bias") ou outros que possam ocorrer, surgem certas tendências, confirmadas pela bibliografia pré-existente:

No geral, e em termos puramente físicos, o desempenho de um soldado do sexo feminino será bastante inferior ao de um soldado do sexo masculino (Por exemplo, o Women in Ground Close Combat, estudo feito pelo Reino Unido, afirma que as diferenças entre os sexos implicam uma desvantagem entre 20 a 40% para as mulheres, no que toca a testes baseados em força e capacidade aeróbica. Em termos práticos, significa que um soldado feminino terá que trabalhar e se esforçar muito mais para atingir os mesmos objectivos de um soldado masculino, o que terá efeitos nefastos ao nível da prontidão ou de incapacidades físicas).

Outras diferenças biológicas implicam que os homens tenham:

  • Maior força nos membros superiores
  • Corpos mais altos e mais pesados
  • Taxas metabólicas basais mais elevadas
  • Tempos de reação mais curtos
  • Ossos mais fortes e densos (especialmente nos braços)
  • Visualização espacial mais  apurada, o que implica também maior pontaria a atirar objectos e a bloquear objectos atirados
  • Dissipação de calor mais fácil
  • Sangue mais rico em hemoglobina (e maior quantidade de sangue circulante)
  • Maior rácio músculo-gordura
  • Maior resistência à desidratação
  • Maior capacidade pulmonar (e maior capacidade aeróbica e anaeróbica)
  • Pele mais grossa

A lista anterior, embora relativamente incompleta, revela desde já uma maior capacidade de aguentar as agruras do combate por parte do sexo masculino. Aliás, relativamente a alguns itens da lista, as conclusões do Force Integration Plan, elaborado pelo USMC, são altamente reveladoras: no que toca a capacidade anaeróbica, o percentil 10 superior feminino sobrepunha-se com o percentil 50 inferior masculino, sendo que no geral a capacidade anaeróbica feminina era 15% inferior à masculina. A capacidade aeróbica seria 10% inferior para o sexo feminino, com o percentil 10 superior feminino novamente a sobrepor-se com o percentil 50 masculino inferior. Os soldados masculinos tinham uma média de 80.73kgs, com 20% de massa gorda, e os femininos tinham uma média de 64.41kgs com 24% de massa gorda.
Quanto a questões de ferimentos e taxas de prontidão, os soldados do sexo feminino apresentaram uma taxa de ferimento 6 vezes superior aos do sexo masculino, com 27% dos seus ferimentos atribuídos ao movimento com cargas pesadas, versus 13% dos ferimentos registados pelo sexo masculino.
 
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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #5 em: Janeiro 11, 2017, 08:57:09 pm »
O inquérito é para responder até quando? E vamos saber os resultados?
Será abordado o tema: Questões psicológicas: uma mulher na frente de combate.
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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #6 em: Janeiro 11, 2017, 11:36:16 pm »
"There is no way of influencing men so powerfully as by means of the women. These should therefore be our chief study; we should insinuate ourselves into their good opinion, give them hints of emancipation from the tyranny of public opinion, and of standing up for themselves;
it will be an immense release to their enslaved minds to be freed from any one bond of restraint, and it will fire them more, and cause them to work for us with zeal, without knowledge that they do so, for they will only be indulging their own desire for personal admiration."


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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #7 em: Janeiro 12, 2017, 04:35:03 pm »
O inquérito é para responder até quando? E vamos saber os resultados?
Será abordado o tema: Questões psicológicas: uma mulher na frente de combate.

O inquérito pode ser respondido até Março ou inicio de Junho. Mas na verdade é apenas uma "ferramenta introdutória", uma forma não-oficial de eu ter mais ou menos noção de visões de militares ou ex militares mais gerais, até porque o que me interessa mais são entrevistas individuais (dos quais já tenho algumas, mas se alguém não se importar de perder uns minutos a falar comigo, agradeço o testemunho).
Os resultados.. Bem, eu espero ir postando aqui sempre que possa "pedaços" de informação relevante. No entanto, a verdade é que a minha tese não vai ser propriamente nada de novo em termos de análise física ou psicológica ou histórica. Simplesmente quero perceber a veracidade de afirmações do género "a mulher não faz o mesmo que o homem", ou "a mulher é incapaz do combater como um homem" da forma mais empiricamente correcta possível. Ou seja, não me ficar por questões básicas de acusações de sexismo ou falta de vontade da instituição militar se adaptar aos tempos, ou qualquer dessas explicações que hoje em dia são 5 euros a dúzia.

Por exemplo: um cadete da Academia Militar já me disse que, nos exercícios em que é suposto os alunos marcharem ou cumprirem determinado objectivo completamente equipados (mala+arma+capacete), era comum ocorrerem casos em que as cadetes só tinham o capacete e/ou os cadetes tinham que carregar as malas destas. Ora, isso também me parece estranho, mas não deixa de ser um tema recorrente (embora este caso me pareça ligeiramente demasiado extremo para ser verdade) por parte de quem já entrevistei, que era ou os homens terem que "apanhar os restos" do que as mulheres não conseguiam fazer, ou o medo disso acontecer.
Tipicamente o discurso sociológico aqui falaria de sexismo institucional, etc etc, mas os dados empíricos, biológicos, mostram que não só é provável que tal aconteça em muitos casos, como  nos casos raros em que as mulheres de facto carreguem o seu próprio peso, sofrerão muito mais de ferimentos musculo-esqueléticos que diminuirão a sua eficiência em combate, levarão a um aumento de baixas e a uma menor prontidão geral da unidade.

Posto isto, quero ressalvar que a minha pesquisa não está a ser feita com o Exército. Ou seja, é puramente académica, e os dados antropométricos que poderei usar são dos anos 90 ou inicio de 2000, e que existem na minha universidade. Embora o ideal tivesse sido trabalhar com o exército e fazer as minhas próprias medições, a verdade é que isso não foi possível (por falta de tempo e equipamento). No entanto, se possível, e se seguir para doutoramento, gostaria de arranjar uma tal parceria. 

Entretanto pode já ficar prometido que depois de dia 26 vou colocar aqui dados estatísticos sobre participação feminina no exércitos, depois de uma visita às bibliotecas do Ministério da Defesa Nacional  :G-beer2:

"There is no way of influencing men so powerfully as by means of the women. These should therefore be our chief study; we should insinuate ourselves into their good opinion, give them hints of emancipation from the tyranny of public opinion, and of standing up for themselves;
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Caro Luso, já agora, aproveito para deixar aqui algo de relevante:

A integração feminina veio para ficar, isso é ponto assente e imutável. No entanto, é importante perceber que as motivações para o ingresso na carreira militar são diferentes entre homens e mulheres, sendo que as mulheres apresentam motivações mais institucionais (ou seja, pelo serviço à pátria) do que os homens que tendem a apresentar motivações mais profissionais. No entanto, e com o aumento da integração, a situação tem-se alterado, com as mulheres a "nivelarem" as suas motivações com as dos homens. Isto deve-se ao nível de dificuldade no ingresso: as mulheres que ingressavam, faziam-no por grande vontade e empenho. Hoje em dia, pela maior facilidade, já começam a encarar a profissão militar como isso mesmo, uma profissão. Embora seja importante manter o interesse feminino (assim como o masculino) na instituição militar, ou corre-se o risco de perder mão de obra altamente qualificado e ficar com ainda mais problema de recrutamento.
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #8 em: Janeiro 12, 2017, 05:17:10 pm »
[Caro Luso, já agora, aproveito para deixar aqui algo de relevante:

A integração feminina veio para ficar, isso é ponto assente e imutável. No entanto, é importante perceber que as motivações para o ingresso na carreira militar são diferentes entre homens e mulheres, sendo que as mulheres apresentam motivações mais institucionais (ou seja, pelo serviço à pátria) do que os homens que tendem a apresentar motivações mais profissionais. No entanto, e com o aumento da integração, a situação tem-se alterado, com as mulheres a "nivelarem" as suas motivações com as dos homens. Isto deve-se ao nível de dificuldade no ingresso: as mulheres que ingressavam, faziam-no por grande vontade e empenho. Hoje em dia, pela maior facilidade, já começam a encarar a profissão militar como isso mesmo, uma profissão. Embora seja importante manter o interesse feminino (assim como o masculino) na instituição militar, ou corre-se o risco de perder mão de obra altamente qualificado e ficar com ainda mais problema de recrutamento.

Embora não possua dados estatísticos que sustentem a minha opinião, a minha parca experiência pessoal diz que as mulheres são pouco dadas à defesa de ideais, ao contrário do que diz das mulheres preferirem a carreira por motivos institucionais "de serviço da Pátria", porque, por norma, as mulheres declaram o politicamente correcto e praticam o que é eficaz. Afinal, "todas" dizem querer o "bom homem" mas procuram o "bad boy". 8) ;)

Cito Schopenhauer:

Nem pela música, ou poesia, ou artes plásticas, as mulheres não têm qualquer sentimento real ou receptividade; o que há nelas é pura macaqueação, puro pretexto, pura afetação explorada pelo desejo de agradarem.

Isto vem do fato de que as mesmas são incapazes de ter um interesse puramente objetivo seja pelo que for, e o motivo para isto é, creio eu, o seguinte:

O homem se esforça, em todas as coisas, para dominar diretamente: ou pela inteligência ou pela força.

A mulher, pelo contrário, sempre se vê em toda a parte relegada a um domínio absolutamente indireto, que é conseguido através do homem, sendo este consequentemente a única coisa que ela precisa dominar diretamente.

Aí reside a natureza da mulher que a leva a procurar em todas as coisas um meio de conquistar o homem, e o interesse que parece tomar pelas coisas exteriores é sempre um fingimento, um subterfúgio, isto é, pura garridice e pura macaqueação.

Disse-o Rousseau: "As mulheres, em geral, não apreciam arte alguma, não entendem nenhuma e não têm nenhum talento."

Aqueles que não se detêm nas aparências já certamente o notaram. Basta observar, por exemplo, o que as ocupa e lhes atrai a atenção num concerto, na ópera ou na comédia, notar a sem-cerimônia com que, nas mais belas passagens das maiores obras-primas, continuam a sua tagarelice.

Se é verdade que os gregos não admitiam as mulheres nos espetáculos, tinham muita razão; nos seus teatros podia-se, pelo menos, ouvir alguma coisa.

Mas nada de diferente pode ser esperado por parte das mulheres se refletirmos que a mais eminente deste sexo nunca produziu nada nas belas artes que fosse realmente digno de nota, genuíno e original, ou dado ao mundo qualquer tipo de obra de permanente valor.

Isto é surpreendente com relação à pintura, onde elas são tão aptas como nós para aprender o lado técnico, e cultivam assiduamente esta arte, entretanto, sem se poderem honrar de uma única obra-prima, pela simples razão que lhes falta justamente essa objetividade de espírito que é precisamente o que se faz tão necessário diretamente na arte da pintura, ou seja: elas não podem sair de si mesmas.
sublinhado meu.

Exceções isoladas e parciais não alteram este estado de coisas; as mulheres são, e continuarão a ser, tomadas em conjunto, as mais completas e incuráveis filistéias (ver notas, logo abaixo); e graças à nossa organização social, absurda em último grau, que as faz partilhar a posição e título dos seus esposos, elas são um estímulo constante para suas ambições desonradas.

E ademais, é por elas serem filistéias que a sociedade moderna, à qual impõem seu tom e influenciam, se tornou corrupta.


A dissimulação é inata na mulher, tanto na mais esperta como na mais tola. É lhe tão natural usá-la em todas as ocasiões como a um animal atacado defender-se rapidamente com as suas armas naturais; e, procedendo assim, sentem que até certo ponto estão apenas exercendo os próprios direitos, o que torna talvez impossível encontrar uma mulher absolutamente verdadeira e sincera.

Exatamente por isso elas percebem facilmente a dissimulação alheia, de forma que não é aconselhável tentar usá-la perante elas.

Desse defeito fundamental e das suas conseqüências nascem a falsidade, a infidelidade, a traição, a ingratidão, etc. Também as mulheres juram falso perante a justiça bem mais frequentemente que os homens.

É questionável se elas deveriam ser admitidas a prestar juramentos.


Registe-se que apesar disto, eu gosto das mulheres...
...no seu sítio.
« Última modificação: Janeiro 12, 2017, 05:21:01 pm por Luso »
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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #9 em: Janeiro 12, 2017, 05:36:47 pm »
Bem, quanto à questão da capacidade feminina em seguir juramentos não me pronuncio, que já tenho problemas que cheguem com colegas meus por dizer que há diferenças tangíveis entre os sexos  ;D

Mas deixe-me só ressalvar algo que você próprio postou: "Exceções isoladas e parciais não alteram este estado de coisas". E foi por isso que referi, que quando era difícil uma mulher juntar-se às FA, faziam-no por amor à Pátria, e dificilmente eu conseguiria dizer que uma enfermeira paraquedista (acho que com o novo acordo ortográfico é assim) ou uma mulher que ia contra tudo e todos para ser militar não o faria por verdadeiro amor à Pátria. Hoje em dia? Isso tem vindo a diminuir, e conheço raparigas que o fizeram porque as amigas iam ou porque ia ser uma aventura, ou porque os gajos de farda são giros.

Mas também sei de muito homem que queria ser militar porque queria emprego ou gajas ou os dois. Aliás, o meu caso é muito interessante nisso:
Quando me fui inscrever, num gabinete de recrutamento, para prestar provas de ingresso, fui atendido por um cabo paraquedista (penso que era cabo, mas foi há muitos anos e agora não tenho a certeza). Entretanto, pergunta-me o senhor militar: "Então e queres vir para o Exército porquê? Falta de emprego? Queres aprender a desenmerdar-te? Queres fazer-te mais homem? Ou queres gajas?" ao que eu, um puto de 18 anos feitos há duas semanas, respondi "Bem, eu estava cá mesmo porque acredito naquela coisa de que o dever de um homem é proteger a Pátria e a sua família...". Depois de uma cara de espanto e estranheza, responde-me o cabo "Ah... Então és desses. Isso passa."

Portanto, olhe que não são só as mulheres que entram por razões que não serviço à pátria ;)
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #10 em: Janeiro 13, 2017, 10:04:43 am »
Citar
Por exemplo: um cadete da Academia Militar já me disse que, nos exercícios em que é suposto os alunos marcharem ou cumprirem determinado objectivo completamente equipados (mala+arma+capacete), era comum ocorrerem casos em que as cadetes só tinham o capacete e/ou os cadetes tinham que carregar as malas destas. Ora, isso também me parece estranho, mas não deixa de ser um tema recorrente (embora este caso me pareça ligeiramente demasiado extremo para ser verdade)

Os homens terem de levar o material dos elementos femininos é o mais normal.
No entanto não gosto de generalizar. Há mulheres fisicamente e psicologicamente muito fortes.
São poucas mas existem.
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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #11 em: Janeiro 13, 2017, 11:54:55 am »
Por exemplo: um cadete da Academia Militar já me disse que, nos exercícios em que é suposto os alunos marcharem ou cumprirem determinado objectivo completamente equipados (mala+arma+capacete), era comum ocorrerem casos em que as cadetes só tinham o capacete e/ou os cadetes tinham que carregar as malas destas. Ora, isso também me parece estranho, mas não deixa de ser um tema recorrente (embora este caso me pareça ligeiramente demasiado extremo para ser verdade) por parte de quem já entrevistei, que era ou os homens terem que "apanhar os restos" do que as mulheres não conseguiam fazer, ou o medo disso acontecer.
Tipicamente o discurso sociológico aqui falaria de sexismo institucional, etc etc, mas os dados empíricos, biológicos, mostram que não só é provável que tal aconteça em muitos casos, como  nos casos raros em que as mulheres de facto carreguem o seu próprio peso, sofrerão muito mais de ferimentos musculo-esqueléticos que diminuirão a sua eficiência em combate, levarão a um aumento de baixas e a uma menor prontidão geral da unidade.

Se fosse só na Academia eu era um tipo feliz… mas na minha em todas as marchas/crosses elas tinham ajuda. Na prática era a mochila para um lado, G3 para o outro e dois camaradas já destacados para as arrastar. Dito isto, eu levei mochilas e G3 de outros camaradas com pila em marchas, a única vez que levei aos ombros um outro instruendo em conjunto com um outro camarada num crosse no Curso, foi um Oficial QP.
As meninas desistem menos mas têm menos rusticidade, são menos infantis mas manipulam meio mundo, são ótimas em algumas funções, mas péssimas noutras.
Na prática elas por uma questão de justiça devem ser permitidas entrar em qualquer Arma/Especialidade, mas a formação não deve ser menos intensa só porque há meninas há mistura. Deve haver uma única Prova de Aptidão Física em comum aos dois géneros e nivelado por cima!
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 
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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #12 em: Janeiro 13, 2017, 04:01:39 pm »
Neste caso elas são formadas à parte, passam por testes físicos para poderem ingressar no curso de Infantaria.

Citar
For their final physical and combat fitness tests, the women had to do six pullups; run three miles within 24 minutes and 51 seconds; lift a 30-pound ammunition can 60 times within two minutes; conduct movement to contact within 3 minutes and 26 seconds; and perform movement under fire within 3 minutes and 12 seconds.

They are the first women who have arrived at boot camp with infantry contracts since October, Carroll said. Military.com first reported on Dec. 29 that nine female recruits with infantry contracts will begin graduating from Parris Island this month.

https://www.marinecorpstimes.com/articles/first-female-recruits-training-for-infantry

7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #13 em: Janeiro 13, 2017, 10:04:45 pm »
Na prática elas por uma questão de justiça devem ser permitidas entrar em qualquer Arma/Especialidade, mas a formação não deve ser menos intensa só porque há meninas há mistura. Deve haver uma única Prova de Aptidão Física em comum aos dois géneros e nivelado por cima!

No caso português, até 2015 (se não estou em erro), havia duas provas, umas para mulheres, outras para homens. Agora realmente são todas iguais... Niveladas por baixo, bem baixo: ​
  • Passagem de Pórtico (4 m de altura)
  • Transposição do Muro (60 cm de altura)
  • 5 Extensões de braços no solo
  • 20 Abdominais (1 minuto)
  • Corrida 2.000 m (12 minutos)

Mas isto também tem a ver com outra filosofia, mais virada para um exército voluntário e profissional, em que começa a interessar mais manter um núcleo de pessoal altamente treinado e especializado em sistemas avançados, onde a fisicalidade importa menos, e depois ter os infantes, com melhor preparação física, e mais "dispensáveis". Aliás, cada vez mais se pode esperar que aumentem o número de civis a servir junto das formas armadas, como consultores ou pessoal de serviços (o que tem as suas vantagens).

Neste caso elas são formadas à parte, passam por testes físicos para poderem ingressar no curso de Infantaria.

Citar
For their final physical and combat fitness tests, the women had to do six pullups; run three miles within 24 minutes and 51 seconds; lift a 30-pound ammunition can 60 times within two minutes; conduct movement to contact within 3 minutes and 26 seconds; and perform movement under fire within 3 minutes and 12 seconds.

They are the first women who have arrived at boot camp with infantry contracts since October, Carroll said. Military.com first reported on Dec. 29 that nine female recruits with infantry contracts will begin graduating from Parris Island this month.

https://www.marinecorpstimes.com/articles/first-female-recruits-training-for-infantry

Não sei se se recordam de como pela primeira vez na história, 2 mulheres passaram na Ranger School. Pelos vistos, é possivel que tenham tido imensas vantagens para o fazer:
 
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3249690/First-women-pass-Ranger-School-given-extra-training-lowered-benchmarks-general-vowed-one-pass-sources-claim.html


Um dos problemas da integração feminina, principalmente em cargos de combate, é a politização das decisões, e as vantagens em termos de propaganda (provavelmente o meu próximo post informativo vai ser sobre Israel e a questão da experiência em combate vs teoria).
 

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Re: Mulher no Exército Português
« Responder #14 em: Agosto 11, 2017, 04:30:22 pm »
A Médica militar portuguesa Claúdia Santos a dar o seu testemunho ao canal da NATO


 

 

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