Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #45 em: Setembro 11, 2015, 08:33:55 pm »
Citação de: "Lusitano89"
Vejam como ficou a Hungria depois da passagem dos "refugiados"
















Até tenho medo de pensar como irá ficar a Europa daqui a uns anos !!!!! :roll:  :roll:  :roll:
 

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #46 em: Setembro 11, 2015, 08:39:12 pm »
Citação de: "mafets"
Citação de: "Luso"
A verdadeira guerra é esta e não é com fragatas, caças e tanques que isto se combate.
Nós estamos em guerra!
Vocês não compreendem isto?!
Qual guerra? A maioria quer é futebol, praia e bjecas. Aliás são roubados, estropiados, explorados e nem com isso se preocupam, quanto mais com refugiados, migrantes, conflitos ou seja o que for. Hoje é o debate, amanha a liga Europa e sexta feira já à bola outra vez. Outros chamam xenófobos a quem discute seriamente a questão dos refugiados e migrantes, com preocupação face aos 4 mil jihadistas que já estão a viver na Europa, apesar de nem saberem onde fica a Síria ou a Líbia. Se 1%, bem ou mal, debate estas questões é muito... :twisted:  
http://portocanal.sapo.pt/noticia/68489/
Aliás, a ONU neste capítulo e depois do que fez na Síria, ainda é pior, pois já mete é nojo (e estes tipos não ganham o mesmo que nós)  :N-icon-Gun:
Citar
O responsável da ONU pela imigração disse hoje que a crise motivada pelas migrações em direção à Europa necessita de uma "resposta global" e insistiu que os todos os países do mundo devem participar no acolhimento de refugiados.

"Todos os países do mundo têm a obrigação, por motivos humanitários, de receber refugiados sírios, e com todos incluo o Canadá, Austrália, América Latina, do Golfo Pérsico, Estados Unidos e Ásia", considerou Peter Sutherland, enviado especial da ONU para a Imigração e Desenvolvimento.

O enviado do secretário-geral da ONU explicou que a situação de desespero dos sírios não deixa qualquer dúvida sobre a necessidade premente de que sejam acolhidos, e insistiu numa resposta "proativa" do mundo.

"O dinheiro para os ajudar não exclui a responsabilidade de os acolher", especificou.

Para o antigo diretor-geral da atual Organização Mundial do Comércio (OMC), será necessário estabelecer um mecanismo para definir esta distribuição, e forneceu como exemplo a conferência de 1956 para realojar os 200 mil húngaros que fugiram para a Áustria na sequência da invasão soviética, lamentando a atual posição das autoridades de Budapeste.

Sutherland insistiu que a proximidade geográfica a uma crise não deve determinar quem assume a responsabilidade, ao recordar ainda que durante a Guerra do Vietname os refugiados foram recebidos em países de todo o mundo.

Sutherland, que também foi comissário europeu pelo Reino Unido, também exprimiu o seu descontentamento pela forma como a União Europeia (UE) em geral está a gerir a atual crise.

"A História julgará isto como um momento determinante para a Europa", asseverou.

O responsável da ONU considerou que o Tratado de Schengen, que estabelece a livre circulação de pessoas e bens no interior da UE "está em perigo", e considerou o Tratado de Dublin -- relacionado com o processo de refugiados que procuram asilo político -- "um absurdo", sugerindo a sua abolição.

PCR // VM

Saudações

falasse muito em MIGRANTES, IMIGRANTES ETC, EU DIGO QUE ISTO É PURA E SIMPLESMENTE UMA INVASÃO QUE IREMOS PAGAR MUITO CARO DAQUI A UNS ANOS !!!!!
AGORA TODA A CAMBADA DE POLITICOS E AFINS É A FAVOR DE AJUDAR ESTAS CENTENAS DE MILHAR DE PESSOAS, QUERO VER QUANDO COMEÇAREM A CRIAR PROBLEMAS INTERNOS NOS PAÍSES DE ACOLHIMENTO SE AINDA ESTARÃO COM O MESMO DISCURSO !!!!
 

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mayo

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #48 em: Setembro 13, 2015, 05:29:48 pm »
A dupla personalidade da Alemanha:
Citar
Alexander Dobrindt, Ministro dos Transportes, acredita que é necessário tomar "medidas eficazes", uma vez que a União Europeia fracassou na protecção e controlo das fronteiras.
Ministro alemão admite “fracasso completo” no controlo de fronteiras (13 de Setembro de 2015)
Refugiados: Alemanha reintroduz controlos de fronteira com a Áustria (13 de Setembro de 2015)

Entretanto:
Roménia vai rejeitar quotas de distribuição de refugiados
(13 de Setembro de 2015)
Citação de: "LUSA"
O ministro de Interior romeno, Gabriel Oprea, anunciou hoje que vai votar contra as quotas obrigatórias de repartição de refugiados durante o encontro que se celebra na segunda-feira com os seus homólogos da União Europeia.

«Tenho a clara ordem por parte do Presidente, do primeiro-ministro e do Governo, para colocar a questão modestamente, mas também com dignidade: A Roménia vai respeitar os compromissos iniciais de receber 1.785 imigrantes e também vai votar contra as quotas obrigatórias», declarou o governante aos jornalistas.

Os ministros europeus do Interior decidem na segunda-feira o seu apoio político à distribuição de 120.000 refugiados vindos da Hungria, Grécia e Itália, uma medida proposta pela Comissão Europeia na passada quarta-feira.

No início desta semana, o presidente romeno, Klaus Iohannis, criticou duramente a Comissão Europeia, acusando-a de fazer uma repartição “burocrática” dos refugiados.

Klaus Iohannis reiterou que a Roménia apenas pode aceitar 1.785 refugiados, enquanto a Comissão Europeia lhe pede que receba 6.351.
Fonte: http://observador.pt/2015/09/13/romenia-vai-rejeitar-quotas-de-distribuicao-de-refugiados/

Cumprimentos,
:snip: :snip: :Tanque:
 

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Lusitano89

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #49 em: Setembro 14, 2015, 07:05:21 pm »
 
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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #50 em: Setembro 15, 2015, 12:05:38 pm »
 

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #51 em: Setembro 15, 2015, 12:40:17 pm »
Alemanha sugere cortar fundos europeus aos países que se opõem às quotas de refugiados



Ministro do Interior alemão sugeriu cortes nos fundos estruturais da UE como forma de pressão sobre os países que não concordam com o esquema de repartição dos 120 mil refugiados.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, sugeriu esta terça-feira a possibilidade de reduzir os fundos estruturais atribuídos pela União Europeia aos países que rejeitam as quotas de distribuição de refugiados, depois do fracasso da reunião dos ministros em Bruxelas.

Segundo o Figaro, Thomas de Maizière disse ao canal alemão ZDF que é necessário falar de "meios de pressão", explicando que os países que recusam a repartição dos refugiados por quotas vinculativas "são países que recebem muitos fundos estruturais" europeus, salientou, dizendo que se limita a fazer eco de uma proposta do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A Hungria, Polónia, República Checa e a Eslováquia são alguns dos países que se opuseram na reunião de segunda-feira, em Bruxelas, ao acordo sobre a repartição dos 120 mil refugiados que chegaram à Europa nas últimas semanas. A Alemanha, que espera receber entre 800 mil e um milhão de refugiados, reintroduziu no domingo os controlos fronteiriços, suspendendo o acordo de Schengen que estabelece a livre circulação na Europa.

"Há um certo número de países que não querem aderir a este processo de solidariedade", comentou o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, referindo-se à falta de acordo entre os 28 estados-membros.

DN



Solidariedade Europeia no seu melhor ... :G-beer2:
 

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Camuflage

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #52 em: Setembro 16, 2015, 11:44:32 pm »
Até agora continuo aguardar para ver quando é que alguém vai começar a falar sobre a Arábia Saudita.
 

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mayo

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Lusitano89

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #54 em: Setembro 19, 2015, 08:53:35 pm »
 

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mafets

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #55 em: Setembro 21, 2015, 10:20:04 am »
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3242354/Saudi-offer-build-200-mosques-Germany-Syrian-migrants-slammed-cynical-Kingdom-not-offered-refugees-themselves.html?ito=social-facebook
Citar
Saudi offer to build 200 mosques in Germany for Syrian migrants is slammed as 'cynical' because the Kingdom has not offered to take any refugees themselves
Saudi Arabian King Salman will fund construction programme in Germany
Politicians say the offer is 'cynical' because of the nation's foreign policy
They argue that Saudi Arabia should help by taking in some migrants
Also say that they are creating refugees with military campaign in Yemen


Conservative politicians in Germany have attacked an offer from Saudi Arabia to build 200 mosques in the country for the 'spiritual needs' of the Syrian refugees arriving daily in their thousands.
Andrea Scheuer, general secretary of the CSU party in Bavaria which is Chancellor Angela Merkel's ally in the state, called the offer 'cynical' given that the Kingdom is making thousands of refugees of its own in its military campaign in Yemen.
'No, it is more than cynical. This is no Muslim Brotherhood. Where is the solidarity in the Arab world?' he asked, given that the Kingdom has not offered to take in refugees fleeing from the civil war in Syria.

Citar
CDU Deputy Chairman Armin, left, Laschet said: 'Instead of talking about funding mosques, Saudi Arabia should be thinking about taking refugees and ending financing of ISIS'
http://www.dailymail.co.uk/news/article-3240010/Number-refugees-arriving-Europe-soars-85-year-just-one-five-war-torn-Syria.html?ito=social-facebook
Citar
Four out of five migrants are NOT from Syria: EU figures expose the 'lie' that the majority of refugees are fleeing war zone
Some 44,000 of the 213,000 refugees who arrived in Europe were from Syria
A further 27,000 new arrivals on the continent came from Afghanistan
Britain received one in 30 of all the asylum claims made by new applicants
David Cameron has offered to take in 20,000 refugees but none from the EU
By IAN DRURY FOR THE DAILY MAIL
Only one in every five migrants claiming asylum in Europe is from Syria.
The EU logged 213,000 arrivals in April, May and June but only 44,000 of them were fleeing the Syrian civil war.
Campaigners and left-wing MPs have suggested the vast majority of migrants are from the war-torn state, accusing the Government of doing too little to help them.
'This exposes the lie peddled in some quarters that vast numbers of those reaching Europe are from Syria,' said David Davies, Tory MP for Monmouth. 'Most people who are escaping the war will go to camps in Lebanon or Jordan.
'Many of those who have opted to risk their lives to come to Europe have done so for economic reasons.'

Citar
A guarda costeira grega informou, esta quarta-feira, ter arrestado um cargueiro no qual foi descoberto um carregamento de armas não declarado.

O navio fora arrestado na véspera, ao largo da ilha de Creta, quando rumava à Líbia, depois de ter aparelhado do porto turco de Iskenderun.

Recorde-se que a ONU impôs um embargo vendas de armas à Líbia.

A polícia não divulgou grandes detalhes sobre o carregamento, limitando-se a informar que num dos contentores do navio tinham sido encontradas espingardas.

O Haddad 1 tinha bandeira da Bolívia e a tribulação era composta por sete marítimos, de nacionalidades síria e egípcia.

As investigações continuam agora no porto de Heraklion, para o qual o navio foi rebocado.




Cumprimentos
"Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos." W.Churchil

http://mimilitary.blogspot.pt/
 

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Lusitano89

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #56 em: Setembro 21, 2015, 12:00:26 pm »
Refugiados. Uma crise previsível para que não houve qualquer preparação
Alexandre Reis Rodrigues


A Europa, mais uma vez, deixou-se apanhar desprevenida. Desta vez, foi pela crise dos “refugiados”, malgrado muitos sinais de que não seria possível passar incólume ao lado do que acontecia na Síria e na Líbia, desde 2011. A seu tempo esta situação deve ser analisada pois há lições a tirar desta postura de inércia, uma espécie de espera que os problemas não lhe cheguem e de um quase fechar dos olhos ao que se passa à volta. No entanto, não é este o momento adequado para o fazer porque há uma emergência a atender: encontrar um entendimento interno sobre como lidar de imediato com a atual crise.

A maioria dos comentadores mostra-se escandalizada com a incapacidade europeia de gerar uma resposta coordenada ao problema de acolher 120.000 “refugiados” e com a falta de solidariedade que isso revela, quer perante o esforço que está a cair sobre os países vizinhos da Síria que absorveram mais de quatro milhões (95% do total), quer pela sobrecarga de um grave problema humanitário com que os países de entrada na Europa estão confrontados (Grécia e Itália). Ambas situações deveriam ter merecido uma ajuda à altura do desafio, o que não aconteceu.

O número que a União Europeia se encontra disposta a acolher é, de facto, insignificante, tanto à luz da situação atrás descrita, como em termos de impacto percentual sobre a totalidade da população europeia. No entanto, é errado fazer o julgamento da capacidade de resposta europeia apenas a partir desta dimensão, para logo concluir – como alguns têm feito - que é desta vez que a União, ao não conseguir responder a este desafio, deixou de fazer sentido. O problema é muito mais complexo do que receber 120.000 “refugiados”, ou 160.000 (o que quer que seja, nomeadamente os 200.000 que António Guterres pretende).  

Aliás, este é um número perfeitamente arbitrário, cujo controlo ninguém está em condições de garantir perante a enorme pressão de uma corrente que não para de ganhar força e novas dimensões. Inicialmente, usava apenas a via da travessia mediterrânica, a partir do norte de África, responsável por 80% dos 400.000 que este ano conseguiram entrar ilegalmente na Europa. Hoje, inclui também o percurso marítimo entre a Turquia e alguma ilhas gregas, que é muito mais fácil e tem uma fonte quase inesgotável de candidatos (cerca de dois milhões). Muito claramente, a União Europeia não tem qualquer forma prática de parar a “avalanche” e de falar de forma credível em limites nos vistos a conceder. O pior é que, provavelmente, nem quererá reunir os meios nem assumir a postura que esse objetivo requereria. Sabendo de antemão que fazer o necessário para isso poderá não ser “bonito” de se ver, pelo menos aos olhos bem-intencionados dos que pensam que não deve faltar ajuda aos que fogem da guerra, e que isso pode ter tantos ou mais custos políticos como não fazer nada, as hesitações vão continuar e o problema irá agravando-se. Daqui para a frente, com a nova dificuldade de ter de deportar os que não conseguirem o estatuto de refugiado ou excederem as quotas previstas.

O que nos diz a situação é que o número de “refugiados” a tentar chegar à Europa continuará a crescer enquanto não se atuar sobre os que os faz procurar a Europa, melhor dizendo alguns países europeus, (as causas da movimentação) e sobre as circunstâncias que estão a facilitar estes desenvolvimentos.  A causa principal, mas não única, é a guerra na Síria que não vai acabar tão cedo, mesmo que venha a haver, como se deseja, um renovado esforço diplomático, incluindo a Rússia que, como se viu, não vai perder a oportunidade de fazer sentir o peso que ainda pode ter na procura de uma solução abrangente. Se não se forçar uma solução que permita ajudar os 12 milhões que precisam de assistência e 7,6 milhões que se encontram na situação de deslocados internos com graves problemas de subsistência, então a corrente de fugitivos da guerra vai crescer exponencialmente a curto prazo e com ela a crise que abala a Europa. A causa secundária é a situação dos campos de refugiados nos países vizinhos onde quase apenas se proporciona espaço e tenda de abrigo. Sem conseguirem o estatuto de refugiado5 nesses países, incluindo os direitos que a Convenção de Refugiados prescreve, e sem qualquer futuro à vista era natural que, em desespero, começassem a procurar outras soluções.

As circunstâncias que estão a facilitar a movimentação são, essencialmente duas. Em primeiro lugar o caos que se deixou instalar na Líbia, após o derrube de Kadafi, desfecho para que os europeus tiveram um papel decisivo mas de que se alhearam para o subsequente processo de estabilização, nada fazendo para ajudar o país a entrar em alguma normalidade. Cedo se tornou evidente que a Líbia se estava a tornar a última etapa da chamada rota de África para a entrada de “refugiados” na Europa e um local propício à atuação das máfias do crime organizado, quer na promoção de emigração ilegal, quer para o tráfico de drogas. Se nada for feito para atalhar esta situação, com ou sem o acordo das Nações Unidas, a Líbia continuará a ser uma das situações a que mais se deve a crise porque passa a Europa. E não se conte com qualquer ajuda dos EUA. Em 2013, quando havia mais de 2,5 milhões de sírios a fugir á guerra, aceitaram 36 refugiados. Presentemente, prometem aceitar 10.000 número a comparar com os 48.000 a que a Alemanha concedeu asilo em 2014, mais 33.000 na Suécia, 24.000 na Itália e França e 14.000 no Reino Unido..  

Em segundo lugar, há a referir a euforia inicial da política de “portas abertas” e a suspensão da “Dublin Regulation”, que dispensa o pedido de asilo no país de entrada da União Europeia. Foram decisões da Alemanha que vieram exacerbar o problema, encorajando – diria eu irresponsavelmente - muitos refugiados a passar por riscos que têm posto em causa as suas próprias vidas e que os têm mergulhado em situações extremamente desumanas que ninguém já sabe como evitar ou minimizar. A Chanceler Merkel, aparentemente, esqueceu-se de um aspeto elementar. O de que nem todos os países da União reúnem condições para acolher refugiados, muito menos da forma aberta que previu para a Alemanha mas de que está agora a recuar. Aliás, não teve em conta que as declarações humanitárias de boas-vindas a todos os “refugiados” faziam correr o risco de estimular o fluxo para proporções incontroláveis.  

Entretanto, algum bom senso parece estar a chegar, aliás também pela mão da própria Alemanha cujo governo acabou por estimar que poderia vir a confrontar-se, mesmo só este ano, com mais de 800.000 pedidos de asilo, número que outras forças preveem que será muito superior, mantendo-se a tendência atual. Parece estar a tentar-se pôr de pé um novo processo que instituirá algum controlo de fronteiras e procurará atuar nas frentes de partida no norte de África e Médio Oriente e de entrada na Europa para tentar reduzir o fluxo.  

É obviamente o que faz sentido mas é também o mais difícil porque será neste campo, muito mais do que na aceitação de certas quotas de refugiados, que fica sob teste a solidariedade europeia. O que está implícito nesta linha de ação é pôr um ponto final no “empurrar” o problema de uns para os outros, o que, numa espécie de “efeito de balão” apenas transfere o problema de um lado para o outro  sem nada de fundo se alterar. Ou seja, acertar uma política comum que encare o problema ao longo de todas as rotas possíveis e respetivas etapas, portanto, que não deixe sozinhas a Grécia e a Itália (bem como a Turquia) com um problema que diz respeito a toda a União.  

Oxalá se perceba que esta é, realmente, a área mais decisiva no atual contexto. Se não houver um controlo em que todos possam confiar e medidas sérias que ponham alguma ordem no caos que entretanto se instalou, então a ansiedade natural que esta situação está a criar entre os europeus não vai permitir aos políticos convencer as suas populações de que há espaço e condições para acomodar “refugiados”. Não é apenas uma questão de dinheiro. São também os receios compreensíveis dos vários possíveis impactos (sociais, culturais, religiosos, identitários, etc.).

O que certamente também não ajuda à solução da crise, porque não é uma abordagem séria, é usar o argumento, em defesa de uma política de “portas abertas”, de que a Europa está perante um problema demográfico de envelhecimento e precisa de absorver mão-de-obra do exterior. Como todos sabem, esta questão não se resolve com políticas permissivas de fronteiras abertas deixando o défice existente ser preenchido ao livre arbítrio dos que se decidem aventurar. Implica um plano a gerir em função das necessidades, com critérios estabelecidos e dentro de um calendário.

Finalmente, a questão de distinguir entre refugiados, que procuram a segurança que não têm nos seus países de origem, e os chamados migrantes económicos, que procuram sobretudo melhor nível de vida. Os mais de quatro milhões que procuraram algum refúgio na Turquia, no Líbano e outros países da área qualificam-se certamente como refugiados mas muitos dos que estão a chegar à Europa movem-se sobretudo por aspirações de uma vida económica melhor mostrando-se até dispostos a correr riscos, que de outra forma não enfrentariam, ao entregarem-se nas mãos de máfias sem escrúpulos. É o próprio Comissariado para os Refugiados que reconhece esta realidade quando diz:

«Many chose to move not because a direct threat of persecution or dead, but mainly to improve their lives by finding work, or in some cases for education, family reunion, or other reasons”.

O que muitos, senão quase todos, procuram como destino final é a Alemanha. Não é a Grécia nem a Itália, ou os pontos intermédios da chamada rota dos Balcãs, onde não identificam oportunidades semelhantes. Querem apenas chegar aos países mais ricos, como é também o caso dos que aguardam em Calais uma oportunidade de entrar no Reino Unido.  Realisticamente, se não se estancar a entrada maciça de “refugiados” e começar a verificar o estatuto logo desde o início, num esforço em que os Países de entrada têm que ser muito ajudados, então o caos vai acentuar-se e os processos de deportação, que agora a Alemanha tenta apressar para retificar os erros cometidos, tornar-se-ão muito penosos.  

Independentemente das dificuldades em seguir esta estratégia – serão muitas – não resta senão discutir como a implementar e começar a concretizá-la. Será sempre melhor seguir esse caminho por opção do que forçados pela constatação, mais dolorosa, de que uma migração maciça e descontrolada terá um impacto negativo (financeiro e social) bem maior do que começar, desde já, a tomar medidas sob uma visão que, de forma abrangente, inclua todas as possíveis áreas de intervenção para, em primeira instância, começar a conter o problema.


 :arrow: http://database.jornaldefesa.pt/crises_ ... giados.pdf
« Última modificação: Setembro 23, 2015, 11:45:55 am por Lusitano89 »
 

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #58 em: Setembro 22, 2015, 10:36:14 am »
PORTARIA N.º 302/2015 - DIÁRIO DA REPÚBLICA N.º 185/2015, SÉRIE I DE 2015-09-2270348607
Ministério da Administração Interna
Aprova o modelo de título de viagem para os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal na qualidade de refugiados e revoga a Portaria n.º 396/2008, de 6 de junho

https://dre.pt/application/conteudo/70348607
 

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Re: Crise de refugiados e imigrantes na UE e em Portugal
« Responder #59 em: Setembro 22, 2015, 10:07:03 pm »
A vida e a carreira profissional  levou-me a ter que estar nos Estados Unidos da America!
Devo permnecer aqui nos proximos anos,  
Sigo com atenção o que se passa na europa e em Portugal, porque deste lado do atlantico parece que não se passa nada,  no Medio Oriente.
Aqui estão mais preocupados com os ilegais mexicanos  e espanos que entram no pais.
Estou preocupado com o futuro do meu Pais, a Europa parece adormecida.  Estão à espera que os EUA resolvam o problema, estão enganados aqui ninguem quer saber disso para nada.

Esta na hora da europa voltar a aprender a defender-se e  a resolver os seus problemas sozinha!!!!

O Forista   luso tem razão!!! a Europa esta em guerra!!!!mas ainda não acordou para a realidade
 

 

"Portugal é apenas esperança"-Hernâni Carvalho

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