Combate a fogos pela F.A.P.

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #45 em: Agosto 09, 2011, 12:15:36 pm »
Que meios vão se integrados na FAP

Kamov-32 - 6 meios aéreos;
Ecureuil - 3 meios aéreos;

Reactivação de 3/4 Pumas;

Portugal não possui nenhum Canadair?

Vai-se constituir uma nova Esquadra, ou depois das épocas de incêndios vão ser integrados na esquadra 552 Zangões e 751 Pumas?
"Aqui na Lusitanea existe um povo que não se governa nem se deixa governar" voz corrente entre os Romanos do Séc. I a.C
 

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raphael

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #46 em: Agosto 09, 2011, 02:39:17 pm »
...e tripulações para operar essas aeronaves todas? A FAP não tem pilotos qualificados em número suficiente para os meios da EMA..e dos Puma neste momento só três estarão em condições de vôo. Também nenhuma fonte governamental falou em integrar os meios da EMA na FAP!
Um abraço
Raphael
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #47 em: Agosto 09, 2011, 04:44:16 pm »
Citação de: "raphael"
...e tripulações para operar essas aeronaves todas? A FAP não tem pilotos qualificados em número suficiente para os meios da EMA..e dos Puma neste momento só três estarão em condições de vôo. Também nenhuma fonte governamental falou em integrar os meios da EMA na FAP!

que eu me lembre existem 12 pilotos do exercito. Penso que o numero é suficiente para pilotar essas aeronaves.
"Que todo o mundo seja «Portugal», isto é, que no mundo toda a gente se comporte como têm comportado os portugueses na história"
Agostinho da Silva
 

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #48 em: Agosto 09, 2011, 05:26:25 pm »
Uma coisa que me está a escapar.....se actualmente Portugal tem cerca de 30 e tal aeronaves a combater os fogos florestais e dentro destes 9 pertencem a EMA e os restantes através de locação dos meios.... ora se os meios da EMA vão para a FAP, vai-se futuramente a continuar a fazer a locação de meios aéreos, algumas fontes referem que actualmente esses meios aéreos são escassos, futuramente só com os meios da FAP muito pior vamos estar.
Agora pergunto, futuramente teremos a FAP a combater os incencios com os meios da futura ex-EMA, juntamente com meios aéreos locados?
Vamos so ter a FAP sozinha a combater os fogos florestais?


Grande trapalhada.... eu defendo que futuramente seja somente a FAP a combater os fogos florestais devidamente apretechada de meios aéreos...... com 4 Canadairs, 6 Kamovs -32, 6 Ecureuil, 12 EC-635 ou A109 (substituir os All III), os Pilotos que os formem e que abram mais vagas aos candidatos, e acabar definitivamente com a fuga de PILAvs para as companhias civis.
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #49 em: Agosto 09, 2011, 05:49:59 pm »
Forget about canadair...Não são uteis em Portugal, ponto final.
Artigo 308º

Traição à Pátria

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #50 em: Agosto 09, 2011, 07:20:24 pm »
A fuga de pilotos resolve-se fazendo o que normalmente os lobbies odeiam: aumentar as vagas em grosso modo e baixar ligeiramente os critérios de acesso. Em poucos anos inunda-se o mercado com pilotos e os salários nas companhias privadas tornam-se menos atractivos pois passa haver mais oferta de mão-de-obra.
 

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #51 em: Agosto 09, 2011, 09:49:42 pm »
Ha pouco passava em rodapé na sic noticias

"Força Aérea pretende substituir helis KAMOV que custaram 43 milhoes de euros".

Pelos PUMA ?

Ou serão helis novos ? (Não me cheira)...
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #52 em: Agosto 09, 2011, 09:57:43 pm »
Pelos vistos sim:
Citar
Força Aérea quer recuperar seis Puma para combater fogos
Por Mariana Oliveira
Seis helicópteros Kamov, comprados pelo Estado por cerca de 40 milhões, podem vir a ficar parados devido aos custos de manutenção

in publico.pt (edição para assinantes)
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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #53 em: Agosto 10, 2011, 10:38:22 am »
E quem estará interessado em 6 Kamov?
http://www.youtube.com/profile_videos?user=HSMW

"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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Malagueta

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #54 em: Agosto 10, 2011, 10:51:10 am »
" A perda da capacidade e a sua causa foi confirmada ao CM pelo Estado-Maior da Força Aérea, que, no entanto, não quis adiantar mais pormenores.
A decisão, soube o CM, foi tomada por um dos executivos de António Guterres, que na altura entendeu que o recurso ao aluguer de aviões privados seria melhor solução que aquela que era oferecida pela FAP, e desde então a situação não foi alterada – inclusive pelo Governo de Durão Barroso.
Mas a verdade é que ainda ontem chegaram a Portugal cinco C-130 da Força Aérea marroquina trazendo equipamentos similares aos que antes eram operados pelos C-130 da FAP, agora esquecidos na Base Aérea do Montijo. E, no entanto, a Força Aérea marroquina, assim como os Canadair da Força Aérea italiana e da Força Aérea espanhola foram chamados depois de o Ministério da Administração Interna chegar à conclusão de que os meios aéreos de aluguer existentes no nosso país não eram suficientes para combater as chamas.
Mas mesmo que os equipamentos esquecidos na Base Aérea do Montijo estivessem operacionais, não haveria tripulações para os C-130, uma vez que a decisão governamental de afastar a FAP do combate aos fogos florestais conduziu à perca de qualificação das tripulações para operar neste género de missões.
O que significa que actualmente ninguém da Força Aérea Portuguesa tem treino suficiente para combater fogos florestais, o que obriga a recorer a meios estrangeiros.
MANOBRAS DA NATO FORAM ESQUECIDAS
Até 1996, a Força Aérea tinha, durante a época de fogos, um ou dois C-130 prontos a voar, além de helicópteros em vários pontos do País para o transporte de equipas de bombeiros, mas actualmente é o ‘zero’. Resta o Exército, que entrou no mais alto nível de alerta, o ‘negro’, no âmbito do plano ‘Lira’, mas o Estado-Maior salientou que os militares “apenas podem ser requisitados para situações de rescaldo ou de patrulhamento”, pois “não temos nem nunca tivemos treino para o combate aos incêndios”. Mas a verdade é que a Defesa Nacional – face aos meios humanos existentes – parece estar longe dos incêndios florestais. Ainda em Maio do ano passado Portugal nem sequer quis estar presente num exercício da NATO realizado na Croácia que versava o tema fogos florestais e que congregava militares e civis. No exercício ‘Taiming de Dragon’ participaram 23 países, entre os quais a Espanha, EUA, Reino Unido e Alemanha, mas nada de Portugal."


Boas,

Nesta altura falar sem sabermos o que foi proposto pela FA, no Estudo efectuado, é estar a falar em suposiçoes e em noticias de jornais que as vezes tem pouca credibilidade.

De qualquer das formas, continuo achar que deve ser a FA a combater os fogos, o modelo actual, só serve para alimentar um negocio de milhões de euros, que só interessa ao privados (ninguém me tira da cabeça que muitos fogos são provocados por privados, dado que cada hora de voo de um desses meios aéreos cobram entre 5000 mil a 9000 mil euros)

Tal como na marinha, este também é uma ramo que é de duplo uso ( dado que é a FA que faz salvamentos.. etc ),
pelo que, juntar mais esta valência é uma mais valia, tanto melhor se conseguirem juntar meios, que sirvam para varias funções.

Sobre os meios, pelo que li ( não oficial ), já em 1996 a força área, pretendia ter 6 aviões de combate a fogos, que teriam outras funções fora da época ( não sei quais ).

Como é óbvio, a FA não iria assumir logo a totalidade de operações de combate a fogos, mas penso que um plano, as permitiria a FA assumir gradualmente o combate aos mesmos pelo menos dentro de 5 anos.

Para termos um ideia, só na contracção de  2 Aerotanques anfíbios, 4 heli médios, 7 heli ligeiros e mais dois  helis médios h24, foram gastos 13.450 milhões ( fonte relatório de contas da EMA ), contrato para voarem 2345 horas.
Acrescido que a EMA tem custos operacionais no valor de 33647 milhões., alem que o estado tem estado a pagar por serviços o valor de 28 milhoes e euros por serviços, tem injectado tambem todos os anos cerca de 20 milhoes como accionista.

Em 2011 contam-se 30 meios privados a combater fogos, o dinheiro que é gasto nisto todos os anos.

Pelo que, com o pensamento de utilizarem os meios para varias missões, formarem pilotos etc. só os valores anos aqui mencionados dão para equipar a cada ano a força aérea com uma aeronave no mínimo.

acrescento ainda as funçoes da EMA, por despacho do ministro da Admnistração interna.

Empresa de Meios Aéreos: Primeiras aeronaves declaradas “do Estado”
 
A Empresa de Meios Aéreos (EMA) criada legalmente em Abril de 2007 mas tendo adquirido ainda em 2006 10 helicópteros, sendo 6 Kamov‑32 de fabrico russo e 4 Ecureuil AS350B3 de fabrico francês viu agora declarados oficial­mente “aeronaves do Estado” estes últimos. Segundo o despacho dos Ministros da Administração Interna e Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, n.º 24 413/2007 de 12 de Outubro, “...a declaração como aeronaves do Estado dos referidos helicópteros cria as condições para que as mesmas comecem a operar de imediato e permite ainda que as aeronaves desempenhem um conjunto de missões de interesse nacional … …as seguintes…:
a) Missão de combate a incêndios florestais, que integra, designadamente, as seguintes operações:
  i) Lançamento de produtos de extinção directamente sobre os in­cêndios;
  ii)    Reconhecimento aéreo, vigilância e detecção de incêndios;
  iii)   Transporte de grupos especiais de intervenção;
  iv)    Coordenação aérea;
b) Missão de socorro e assistência aos cidadãos, que integra, designada­mente, as seguintes operações:
  i) Transporte de equipas de socorro e assistência;
  ii)    Transporte de carga da protecção civil, interna ou em suspensão;
  iii)   Evacuações de emergência de vítimas de catástrofes ou sinistros;
  iv)    Busca de pessoas em terra ou em meio aquático;
c) Missões no âmbito da segurança interna, incluindo, designadamente:
  i) Transporte de elementos das forças e serviços de segurança;
  ii)    Coordenação, controlo e desempenho de operações das forças e serviços de segurança;
  iii)   Patrulhamento rodoviário.
 

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typhonman

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #55 em: Agosto 10, 2011, 11:15:27 am »
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

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Malagueta

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #56 em: Agosto 10, 2011, 01:12:54 pm »
Só um exemplo

" A Força Aérea Israelense (IAF) recebeu três novos aviões Air Tractor F-802 para combate a incêndios, durante cerimônia na Base da Força Aérea de Sde Dov, os quais farão parte de uma nova unidades de aeronaves bombeiras.



As aeronaves tiveram as insígnias colocadas após a chegada na base em Israel. (Foto: IDF)
O Air Tractor F-802 possui um motor turbohélice, podendo voar por até três horas sem reabastecer, e é capaz de transportar até 3.000 litros de água.

O Chefe do Estado Maior da IAF, Brigadeiro-General Nimrod Sheffer, disse que a aeronave irá melhorar significativamente a capacidade de Israel nos combates a incêndios.

“Espero que estas aeronaves só saiam em missões de treinamento e que não tenhamos que precisar delas para missões operacionais”, acrescentou.

"
 

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Desertas

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #57 em: Agosto 12, 2011, 12:52:28 pm »
Encontrei isto num blog sobre aviação.

Citar
Withrawn from active duty twice (last time, this year), looks like the Portuguese Air Force Pumas are again on the first line to return, for the second time, to active duty.
This time with the fire fighting and Civil Protection missions.

The Air Force just published a report stating that the Kamov's currently beeing used by EMA (Public Compay that operates the civilian helicopters that operate to the Civil Protection) are of expensive maintenance rather than having these helicopters beeing operated by PoAF, it would be better to sell them and return the Pumas back to operation....

Let's see how it will turn....

http://planesandstuff.blogspot.com/2011/08/portuguese-pumas-back-to-bussiness.html

Um Abraço
God and the soldier all men adore
in time of trouble and no more
for when war is over and all things righted
God is neglected and the old soldiers slighted
 

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typhonman

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #58 em: Agosto 14, 2011, 07:26:42 pm »
Citar
MDN, MAI, INCÊNDIOS E ASNEIRAS ESCUSADAS

Helicóptero Kamov 32
Uma das primeiras intervenções do novel Ministro da Defesa (MDN), efectuada numa visita à Força Aérea (FA), foi a de perspectivar o regresso daquele Ramo militar ao combate aos incêndios florestais (IF).

A ideia é boa, apesar de requentada, e mereceu desde logo – e bem – um alerta do respectivo Chefe de Estado Maior, lembrando que tal desiderato não seria viável de um dia para o outro.

Como as pessoas em Portugal têm a memória curta por esquecimento ou conveniência, vamos tentar dilucidar, sucintamente, todo este imbróglio. Porque de um imbróglio se trata, apesar da aparente candura das palavras ministeriais.

O Governo tinha adquirido, em 1982, equipamentos com o acrónimo “MAFFS”, que foram adaptados aos aviões C-130, e que permitiam largar sobre os incêndios uma quantidade apreciável de uma calda retardante. Custaram, na altura, cerca de 200.000 contos.

Para além disto, na “época dos fogos” distribuíam-se pelo país meia dúzia de helicópteros AL III, que ficavam em alerta aos incêndios. Estes helicópteros tinham uma capacidade muito reduzida de actuação, pois apenas podiam transportar equipas até cinco elementos e largar um pequeno balde de água sobre o fogo.

Com o agravamento anual do número de fogos e área ardida, cada vez foi necessário alugar mais hélis e aviões a empresas privadas, o que gerou um negócio de muitos milhões.

Em 1997, durante o governo do Eng. Guterres, o Secretário de Estado da Administração Interna, Armando Vara, decidiu (presume-se que com o assentimento do MDN), retirar a FA do combate e prevenção aos IF. Tal decisão abriu o caminho para se vir a adquirir, mais tarde, meios aéreos para esta missão, que foram colocados na dependência do MAI.

A fundamentação para tudo baseou-se – como se encontra descrito em vários documentos – na pouca capacidade que a FA possuía para atacar os IF, já que as poucas aeronaves C-130 existentes (cinco, mais tarde seis), o reduzido número de tripulações e o número substancial de outras missões cometidas à esquadra, nunca ter permitido o uso simultâneo dos dois equipamentos MAFFS existentes, a que acrescia as limitações do AL III (para o fim a FA já tinha muitas dificuldades em comprar a calda, pois esta já estava adjudicada a terceiros).

Para além disto, referia-se, o Estado gastava muitos milhões de contos a alugar, sazonalmente, aviões e hélis, não era dono de nenhum e estava sujeito ao mercado.

Salvo melhor opinião, as principais razões que levaram à alteração da política governamental não têm nada a ver com a argumentação aduzida, ou tem pouco a ver. As razões, creio, radicam-se na “luta de capelinhas”; na proeminência que o MAI passou a ter sobre a Defesa; na paranóia em querer afastar os militares de tudo o que não tivesse exclusivamente a ver com a vida nos quartéis, substituindo-os por “boys e girls” – uma pecha insaciável dos partidos – e, também porque nos negócios a efectuar, a FA a Armada e o Exército não terem por hábito pagar comissões ou horas extraordinárias. Senão não teriam feito o disparate que fizeram que é sempre pago pelo contribuinte.

Tudo, aliás, tem resultado num desastre: os fogos não param, a legislação não é adequada, não há prevenção, há muitos acidentes com os bombeiros (os poucos que se apresentam dos cerca de 30.000 inscritos…), etc. Não se sabendo o que fazer com o que restava dos Guardas Florestais, nem como os enquadrar, resolveu-se incorporá-los na GNR que, por ser um corpo militar, é pau para toda a obra; e até se inventou um grupo especial de intervenção contra os fogos, dentro daquela corporação, cuja missão nada tem a ver com isto.

Em contrapartida nada se fez para reforçar os sapadores bombeiros que são os únicos profissionais em apagar fogos, em todo este âmbito…

Ora se tivesse havido boa mente na apreciação da situação, o que deveria ter sido feito era ter aumentado os meios da FA (já que eram insuficientes…) e, ou, dotá-la de meios apropriados que pudessem ser aproveitados noutro tipo de missões, de modo a rentabilizá-los todo o ano. Manter-se-ia, deste modo, os meios aéreos sob comando e controle centralizado (sem embargo da descentralização da execução), a serem operados por quem sabe e tem experiência e capacidade de os operar e manter.

Mas não, decidiu-se pegar no dinheiro – que pelos vistos nunca faltou no MAI – e ir-se inventar a pólvora, pois no nosso desgraçado país os últimos 30 anos têm sido um farró! E o “negócio dos Incêndios” lá continuou de vento em popa.

Constituiu-se mais um dos inúmeros grupos de trabalho (GT), que pulularam no país, como cogumelos, para se equacionar a coisa. As conclusões deste GT foram entregues, em 6 de Setembro de 2005 e daqui surgiu a EMA, Empresa de Meios Aéreos (de capitais públicos), na dependência do MAI.

Do plano inicial fazia parte a compra de hélis ligeiros (quatro) e pesados (seis) e aviões pesados (quatro). Mas continuava a advogar-se o aluguer de 20 (!) hélis e 14 (!) aviões ligeiros e médios. Afinal…

Só para se ter uma ideia da insanidade em que se caiu, em 2010 chegaram a operar, em simultâneo, 56 meios aéreos, o que representa 40% da totalidade das aeronaves do inventário da FA!

Acabou-se por só se adquirir os helicópteros, um negócio atribulado com a Rússia (os Kamov) e, ainda os AS350B3, da Eurocopter (tudo cerca de 54-56 Milhões de euros), e já não se adquiriram os aviões por não haver dinheiro. Os hélis chegaram entre Junho de 2007 e Março de 2008.

O intermediário foi a empresa Heli Portugal, a quem foi adjudicado, também, por cinco anos, a manutenção das aeronaves, o que vale 16 M euros/ano.

A chefia da FA ainda fez uma proposta, em finais de 2004, avançando com a ideia de uma esquadra de aviões tipo Canadair (oito a 10), de multiuso. Este avião tem a vantagem de já ter dado boas provas e ser operado por Marrocos, Espanha, França, Itália e Grécia, podendo-se equacionar uma futura “poole“ destes meios. Ficou, ainda, em aberto a hipótese de reconfiguração dos 10 SA 330 Puma existentes e em desactivação, mas aproveitáveis, apesar de não serem os ideais. Hoje estão à venda e não se lhes encontra comprador.

Não deixa de ser curioso notar, contudo, que a chefia da FA, entre 1997 e 2000, não se ter mostrado nada interessada na questão dos IF, nem nos “Canadair”.

A FA, com realismo militar, mas com falta de “perspicácia” política, sempre foi dizendo que necessitava de cinco anos para tudo estar operacional, o que logo foi aproveitado pelos políticos, como óbice pela falta de celeridade. Menos, certamente, por preocupação com os fogos, mas por estarem sempre de olho nas próximas eleições e no papelinho do voto…

É claro que a proposta ficou na gaveta da política e só não temos a certeza do grau de assertividade com que esta dama foi defendida. E devia tê-lo sido, não só pela FA mas pelo Conselho de Chefes.

E, assim, se avançou para a organização de uma empresa para operar helicópteros num organismo que sabia rigorosamente nada sobre tal “negócio”. O Estado Português tem destas coisas e é, como se sabe, rico.

Faltava agora decidir sobre o dispositivo, isto é, onde estacionar os meios. A Autoridade Nacional de Protecção Civil pretendia meios colocados em Loulé e S. Comba Dão (e outros locais) mas, para além disto, era necessária uma base central.

O MAI António Costa, ainda tentou colocá-los na antiga base de Tancos (que tem todas as infra-estruturas, espaço e está despido de meios aéreos, e para isso reuniu com os Chefes do Exército e da FA. A reunião correu mal (para variar), e nenhum acordo foi atingido.

Resultado, foi-se gastar uma nota gorda (cerca de 15M euros), a fazer uma “base” no aeródromo municipal de Ponte de Sor (a 50 km de Tancos…), que foi completamente remodelado.

Como houve dificuldades, no inicio, em recrutar pilotos para os “Kamov”, a EMA foi generosa e passou a oferecer 6000 euros/mês a um comandante, fora as alcavalas. Afinal só não há dinheiro é para os hélis dos Ramos, nem para aumentar o risco de voo dos pilotos militares… Para já não falar nos diferentes pesos e medidas, que o mesmo patrão (o Estado), usa para com os seus servidores.

Como ninguém, aparentemente, explicou com algum detalhe aos senhores do MAI, que operar meios aéreos não é propriamente o mesmo que colocar uma asa num carro de bombeiros, os custos da empresa não mais pararam de derrapar e o passivo já ultrapassa os 40 milhões, se é que se podem acreditar nas contas que por aí correm. Tentou-se,” in extremis” impor quotas de horas de voo à GNR, PSP, ANPC, SEF, IMTT, etc., o que tem gerado uma apreciável confusão.

E agora ninguém sabe o que fazer. Daí o anzol lançado pelo MDN.

A desintonia e os desencontros, entre MDN, MAI, bem como entre as principais entidades que têm andado ligadas a esta problemática, têm sido a regra

Os incêndios, esses, continuam a surgir por geração espontânea e fazem o seu percurso placidamente.

Deve ser das alterações climáticas.

T.Cor Brandão Ferreira (R).
Artigo 308º

Traição à Pátria

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chaimites

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Re: Combate a fogos pela F.A.P.
« Responder #59 em: Agosto 16, 2011, 12:46:56 pm »
Citação de: "typhonman"
Ha pouco passava em rodapé na sic noticias

"Força Aérea pretende substituir helis KAMOV que custaram 43 milhoes de euros".

Pelos PUMA ?

Ou serão helis novos ? (Não me cheira)...

Citação de: "HSMW"
E quem estará interessado em 6 Kamov?

Seria um grande disparate substituir o Kamov-32 pelos pumas!
Sao precisos 3 Pumas para fazer o serviço de 1 kamov-32

O Kamov é o melhor meio aereo para combate a incendios, teria mais lógica substituir os canadair por kamov`s

Combater incêndios florestais é das tarefas mais complexas que há para helicópteros,
E nenhum Helicoptero  aguenta  como o kamov-32 as condições de voo exigentes de combate a um incendio florestal
 
O Kamov tem como tudo que e Russo o seus defeitos:  E barulhento, desconfortavel e consome muito,  mas aguenta tudo o que se possa imaginar,  soporta como nenhum as grandes colunas de ar ascendente dos incendios, cinzas, detritos resultantes da combutão da floresta,
voa por onde mais nenhum se atreve  
é conhecido por quem o pilota como a "kalashnivov dos helicopteros"


Ter Air trator´s e nao ter nada, e a mesma coisa, nao valem de nada!
Eu so espero que quem esta a organizar a nova estrutura de combate  aero a incendios  florestais saiba o que está a fazer.............

Citação de: "nelson38899"
Citação de: "raphael"
...e tripulações para operar essas aeronaves todas? A FAP não tem pilotos qualificados em número suficiente para os meios da EMA..e dos Puma neste momento só três estarão em condições de vôo. Também nenhuma fonte governamental falou em integrar os meios da EMA na FAP!

que eu me lembre existem 12 pilotos do exercito. Penso que o numero é suficiente para pilotar essas aeronaves.

Os pilotos do exercito que estavam ao servio da EMA foram retirados ja em Agosto de 2010 devido ao inicio do pograma de qualificação operacional para os novos NH90
« Última modificação: Agosto 16, 2011, 02:51:12 pm por chaimites »
 

 

Puma fora dos fogos

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por Rui Elias
Pumas no combate a incêndios

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Iniciado por typhonman

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Última mensagem Dezembro 24, 2017, 05:31:14 pm
por Stalker79