Qual a futura ameaça externa a Portugal ? (10/20? anos)

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Shar[K]

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Qual a futura ameaça externa a Portugal ? (10/20? anos)
« em: Fevereiro 23, 2006, 05:02:09 pm »
Apos em apresentar e já ter lido "todos" os tópicos com relativa atenção surgiu-me a seguinte questão:
-Qual a ameaça externa que Portugal deve temer nos proximos 10, 20, ou até mais?
-E o que fazer para diminuir/retaliar/atenuar essa ameaça?
(isto assumindo que a UE se mantem e não existiram grandes conflitos mundiais e que todos os "issues" peninsulares/europeus são resolvidos como de custume via diplomacia)

Do meu ponto de vista e assumindo que sempre estaremos em armonia com a UE pode-se descartar ataques/ameaças vindos desta.
Data a posição geografica de Portugal continental e dos Açores e Madeira e assumindo uma "UE amiga" no futuro a unica ameaça só poderia vir de Marrocos pais o qual duvido (não sei, não me informei e desconheço totalmente os seus meios) que tenha meios para empreender uma acção ofensiva eficaz sobre uma região Portuguesa e manter essa mesma região dominada. Acredito sim que escaramuças nas fronteiras das ZEE de ambos os pais possam criar algum atrito e eventualmente uma acção militar no entanto situações localizadas e em "alto mar".

A outra ameaça que acho plausivel, alias a unica que acho plausivel, será a entrada de um estado da UE em guerra com um estado arabe (dados os atritos presentes e futuramente o petroleo).

Seja em que caso for vejo que Portugal necessita sim de uma marinha "possante" com algum grau de polivalencia (poucas unidades , boas em uma area, mas relativamente aptas a outras ) quer para intrevenção directa quer para patrulha/vigia de zonas "alvo".
A F.A. sem duvida necessitará de aviões com capacidade de atingirem alvos a longas distancias no continente, e aviões de ataque/patrulha naval com alguma autonomia para as regiões autonomas.
Quanto ao exercito não tenho uma opinião defenida..perdoeem-me mas grosso modo vejo como impessavel uma invasão de territorio nacional (continental/atlantico).

Que opinião tem voces?

PS: n entrei em detalhes tecnicos de aviões/barcos/submarinos dados os meus poucos conhecimentos e sem querer meter pata na poça.
« Última modificação: Fevereiro 23, 2006, 08:21:42 pm por Shar[K] »
 

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Get_It

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Re: Qual a futura ameaça externa a Portugal ? (10/20? )
« Responder #1 em: Fevereiro 23, 2006, 04:38:35 pm »
Qual a futura ameaça externa que Portugal deve temer ?
Gripe das aves, sem dúvida :D

Citação de: "Shar[K
"]Data a posição geografica de Portugal continental e dos Açores e Madeira e assumindo uma "UE amiga" no futuro a unica ameaça só poderia vir de Marrocos pais o qual duvido (não sei, não me informei e desconheço totalmente os seus meios) que tenha meios para empreender uma acção ofensiva eficaz sobre uma região Portuguesa e manter essa mesma região dominada. Acredito sim que escaramuças nas fronteiras das ZEE de ambos os pais possam criar algum atrito e eventualmente uma acção militar no entanto situações localizadas e em "alto mar".

Acho impossível que Marrocos queiram «pegar» connosco. Pois pelo facto da Espanha os manter sempre em xeque-mate.

Cumprimentos,
:snip: :snip: :Tanque:
 

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Miguel

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« Responder #2 em: Fevereiro 23, 2006, 06:04:26 pm »
A principal ameaça a Portugal nos proximos tempos, devera ser o Norte de Africa.

Imaginem um regime Islamico ao nosso lado :!:

Podemos contar com a Espanha? com as suas divisões internas?
 

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Marauder

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« Responder #3 em: Fevereiro 23, 2006, 06:18:43 pm »
Concordo com sua ideia Shar[k], mas a meu ver, é mais provavel Portugal ser arrastado para um conflicto por causa da UE do que ser o principal "actor" num conflicto entre 2 partes.

   Por exemplo Marrocos, não temos muitos problemas com eles por agora é claro, mas talvez haja 1 situação de conflicto entre Espanha e Marrocos. Penso que existe alguma legislação europeia um pouco obscura (pelo menos para mim), que nos fariam entrar em conflicto pelo lado de Espanha. A componente de defesa conjunta europeia não é algo que esteja muito desenvolvido pela UE mas penso que existe algo que vá nesse sentido.

   Sim, já que não podemos ter em quantidade (o que também hoje em dia não é muito válido sem qualidade), que se aposte em pouco mas bom!!! Era isso e o governo ver a área de Defesa como fulcral para o plano tecnológico. Se o Socrátes soube-se a xeta que se faz nesse sector...uiui...

    Em termos de armamento (marinha), os submarinos são por excelência a arma preferencial para resposta ( a não ser que o Estado em causa não tenha costa...ou marinha, o que remeteria estes para vigilância da costa inimiga, colocação de forças especiais...etc). NPO é guarda costeira, VDG conseguimos ter 1 talvez...que pode criar 1 pequena task force com o LDP e talvez com as OHP. Para isto acontecer existem muitos SEs.

  A nível de força aerea felizmente teremos 2 esquadras F-16 MLU, podendo ficar 1 incubindo de CAP Portugal, talvez o outro cedia aparelhos para as ilhas, ficando uns 10 com funções ofensivas. Uma grande falha seria a falta de sistema de reabastecimento no ar pela FAP, mas em termos europeus, podemos sempre cravar a alguém...as usual.

   A nivel de exercito...para mim...uma incognita. Dependeria imenso das situações, sendo o mais provavel era mandarmos um contigente para a frente, no meio das forças europeias. Em termos mais convencionais, tipo conflictos bilaterais à antiga, o exercito não tem muito musculo ou poder para atacar e dominar nações como Marrocos, devendo então a estratégia ser à americana (guerras do Golfo). Sim, até os americanos q possuem esse musculo decidem primeiro dar cabo do adversario via aérea para depois mandar o exercito, evitando perdas. No caso portugues, os homens são bons, mas em termos quantitativos e mm de performance do material deixa muito a desejar. No entanto o bom português sempre soube fazer muito com muito pouco.

   É claro que isto é só especulações mas pronto..é a minha opinião por agora..


   Cumprimentos

    Nos termos
 

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Shar[K]

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« Responder #4 em: Fevereiro 23, 2006, 07:05:16 pm »
Bem fiquei :shock:  não fazia a menor ideia!

Conflito directo com Marrocos duvido muito, no entanto é uma possibilidade dada os "frequeentes" atritos devidos as frotas pesqueiras, mas a assim ser a nossa marinha/força aerea tentariam eliminar a marinha Marroquina, não estou a ver nelhuma incursão aerea ao territorio marroquino nem muito menos uma intervenção terrestre.

Poderá existir uma situação de cidadãos nacionais em território Marroquino a necessitar de evacuação/assistencia medica enfim basicamente ir lá tirar o pessoal de lá e vir embora. Nisto penso que os EH-101 e uma equipe (? brigada ou esquadrão ou equipe não sei o nome a dar) de intervenção especial poderia faze-lo usando os EH-101 para transporte e os F-16 A (eventualmente os MLU caso necessario) para superioridade aerea.

Não estou a ver nada mais no caso de conflito com Marrocos pelo menos enquanto for um pais amigo. Sendo um regime islamico agressivo (de certo existem regimes islamicos pacificos) então penso que se teria mais de apostar na retaliação E contenção de danos... por exemplo comprando baterias Patriot.
É que a arma mais facil mais "acessivel" que incuta maior medo ao adversario (leia-se população/opnião publica) eficaz e relativamente segura são os misseis.
 

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Miguel

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« Responder #5 em: Fevereiro 23, 2006, 07:27:32 pm »
Um conselho Shark... vai ver os meus planos de defesa na famosa tempestade D.Sebastião..
 :arrow:
http://www.forumdefesa.com/forum/viewto ... 90&start=0
 

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Marauder

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« Responder #6 em: Fevereiro 23, 2006, 07:31:29 pm »
Pois...32milhões segundo a CIA..mas "who´s counting?" hehehe..

   Os atritos com os marroquinos hum....penso que temos muitos mais com os espanhois. Neste momento não sei qual é a situação das pescas em termos de negociações bilaterais com Marrocos, mas penso que à uns anos atrás até chegámos a ter acordo para pescas nas suas águas.

   A situação de cidadãos nacionais é sempre 1 caso possivel, especialmente no continente africano e americano (america do sul ou central como é claro). A instalibilidade política/militar nesses continentes pode sempre surgir de um golpe de estado entre outros.

    Seriam de facto enviados F-16, que se tudo correr como planeado estarão todos como F-16 MLU (pensado daqui a 10 anos). Os helicopteros, bem sei que a capacidade dos EH-101 é boa, mas no entanto para este tipo de operações os helicopteros virão do LPD, que ainda não se sabe que helicopteros virá a possuir (ou talvez somente eu que não saiba  :? )
    Os Patriot são bons sim, mas terá sempre que ser uma nação amiga aos EUA para estes aprovarem a sua compra. E, no caso dos PAC-3, ultima versão dos Patriot, é também preciso ter uma boa conta no banco para os comprar. (É sempre possivel que esta situação aconteça...basta somente pensar no Irão, que tem material americano adquirido antes da Revolução Islamica, que com uma boa manuntenção são sempre boas armas..)

    Cumprimentos
 

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Johnnie

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« Responder #7 em: Fevereiro 23, 2006, 08:16:39 pm »
Fazer planos e previsões a 10 e 20 anos hoje em dia é praticamente impossivel senão vejamos por exemplo entre 1976 e 2006 ou seja 30 anos:

-O Irão o grande aliado dos EUA na região do golfo que até por isso em reconhecimento lhes foram vendidos F-14 (Em 1976 a nós nem F-5´s qt mais F-14´s mesmo que os pagassemos a pronto)  tranformou-se num feroz regime totalitário e intolerante...

-A Libia de Kadahfi fazia e acontecia hoje nem se ouve falar deles...

- A URSS e todo o pacto de Varsóvia ruiu sem um unico tiro...

-Os talibans eram os meninos queridos da CIA hoje nem podem ouvir falar neles...

Enfim no mundo moderno 10/20 anos é muito tempo...
«When everything is coming your way... You are in the wrong lane!!!!"
 

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old

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« Responder #8 em: Fevereiro 24, 2006, 09:31:35 am »
Citar
principal ameaça a Portugal nos proximos tempos, devera ser o Norte de Africa.

Imaginem um regime Islamico ao nosso lado  

Podemos contar com a Espanha? com as suas divisões internas


Espanha no tiene problemas de divisiones, se trata de los tipicos nacionalismos que persiguen mas poder economico, o sea lo tipico, nada mas.

Respecto a Morocco no creo que tengan nada que temer.

Es un pais pobrisimo, tan pobre que nisiquiera puede modernizar la totalidad de sus Mirage F1 y encima tiene problemas con Argelia (y estos si pueden modernizar sus ejercitos).
El problema seria que encontraran petroleo en su territorio y comenzaran a entrar $$ y por ende armamento, entonces habria que reequilibrar balanzas estrategicas.

Siempre se puede contar con la ayuda de aliados , pero es mejor contar  con sus propios medios, por si las moscas..
 

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Nadie

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« Responder #9 em: Fevereiro 27, 2006, 05:51:17 pm »
y si el petroleo esta en el sahara? o cerca de las islas canarias? a quien le pertenece?, otro conflipto mas jeje.
 

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papatango

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« Responder #10 em: Fevereiro 27, 2006, 07:03:16 pm »
Citar
Espanha no tiene problemas de divisiones, se trata de los tipicos nacionalismos que persiguen mas poder economico, o sea lo tipico, nada mas.

Os nacionalismos históricos "tipicos" que estão na origem da existência de Portugal.

Não podemos em nenhuma circunstância esperar qualquer tipo de ajuda da Espanha.

Históricamente, se houver possibilidade de em qualquer conflito Portugal ficar de bilitado, a Espanha ou apoia os nossos inimigos directos ou então não fará nada.

A Espanha durante a guerra colonial ficou claramente do lado dos países árabes e não alinhados que apoiavam os movimentos de libertação, no caso de Timor ficou claramente do lado da Indonésia, sendo um dos seus principais parceiros tecnológicos.

Todos os factos pontam sempre para o mesmo.

Os problemas dos nacionalismos espanhois são um problema e uma fonte de instabilidade.

Por um lado há as tensões separatistas que se triunfarem (e não podemos prever o que vai acontecer de aqui a 10 ou 20 anos) podem levar ao esfacelamento do país. Por outro lado, no canto oposto, pode haver movimentações do nacionalismo castelhano, que podem levar a uma guerra civil, isolando novamente Portugal.

Como com as centrais nucleares que não temos, mas cujos riscos somos obrigados a partilhar, em caso de guera civil em Espanha, teremos que sofrer as consequências do isolamento, e pagar caro o facto de nos terem completamente destruido a nossa marinha mercante e de pela primeira vez na nossa história estarmos dependentes da passagem pela Espanha para contactar com a Europa.

Cumprimentos
 

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ferrol

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« Responder #11 em: Março 01, 2006, 09:22:21 am »
Xa estamos co de sempre. Calquera tema vale para solta-lo mitin antiespañol,¿verdade, pt? En fin... :roll:

Bueno, penso que o inimigo de Portugal non é o Estado marroquino, máis sí Marrocos. Antonte, Rumsfeld, de visita a Marrocos dixo que o estreito de Xibraltar é vital para a estabilidade no Mediterráneo, logo quen estabilice o estreito mellorará puntos ante os americanos. Esa tarefa debemos facela os europeos, non Marrocos.

Por outra banda, Marrocos sirve de base e viveiro para terroristas islámicos que actúan en Europa. Marrocos debe controlar estes grupos.

Ademáis é ruta principal de creación e exportación de drogas e tráfico de persoas, ó que o goberno non pon fin porque, segundo se comenta, persoeiros do goberno forman parte das propias mafias.

Tamén é certo que Francia ou España recibiron emigración deste país, que lonxe de integrarse na propia sociedade de acollida, crean ghetos propios e implícanse en actos como a queima de coches en Francia das últimas semanas.

Logo opino que Marrocos non é máis inimigo militar do que permita a pusilanimidade dos gobernantes españois ou portugueses, chegado o caso.

O verdadeiro perigo de Marrocos é o feito de ser fronteira entre oriente e occidente, e que quere ter boas relacións cos 2 bandos, sen molestar ós radicais islámicos e sen parecer proamericano ou profrancés. Esas dobres situacións son as que nunca sabes de qué modo van reaccionar, o que crea indefinición e suspicacias en ámbolos 2 bandos.

Saúdos.
Tu régere Imperio fluctus, Hispane memento
"Acuérdate España que tú registe el Imperio de los mares”
 

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Rui Elias

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« Responder #12 em: Março 02, 2006, 02:18:50 pm »
Portugal é um país geo-estratégicamente falando, simultaneamente importante e dependente.

Dependente, porque os recursos aquíferos dos rios internacionais nascem em Espanha.

Já muitos falaram que uma das principais causas de conflitos, no futuro, será excatamente a partilha da água, e nesse aspecto, Portugal estará extremamente dependente da água que Espanha deixe correr para o nosso lado da fronteira.

Projecções para o longo prazo ditam que futuramente a água (plusiosidade) na orla mediterrânica será tendencialmente menor, e se um dia a água for mesmo escassa, não haverão acordos nem convénios que nos valham.

Depois, a Espanha é o único país que nos permite uma ligação terrestre para o resto da Europa.

Ao nível oceânico, Portugal possui uma enorme e apetecível ZEE e estratégicamete deveria, se pudesse potenciar essa riqueza, ter uma importância priomordial no seio da NATO (flanco sudoeste) e da UE maior que a que tem actualmente.

Por Portugal não ter meios para assegurar a desesa deste flanco da Aliança, é que no passado recente Espanha tentou que as sedes da NATO em Oeiras passassem para Madrid, coisa que Portugal terá evitado, colando-se aos EUA na questão iraquiana.

Portugal pode ser e é vulnerável, se mantiver um patamar estratégico de Defesa próximo do actual.

E o pior é que não se vislumbra para as 2 próximas décadas melhorias na quantidade e qualidade do nosso dispositivo militar.

Espanha identificou um inimigo para justificar a sua recente vocação armamentista:

Marrocos e o perigo islamista.

Tem também as suas vulnerabilidades, como as Canárias, junto da costa marroquina e as cidades de Ceuta e Melilla.

Mas na verdade a curto prazo, o que acontece é que a economia espanhola está a permitir que canalizando um elevado montante para a Defesa, poderá permitir que Espanha se venha a afirmar como a grande potência emergente no sudoeste da Aliança, preenchendo o vazio deixado por Portugal, e ganhar espaço e peso específico no seu seio, e no contexto internacional.

Se Espanha quer ganhar espaço e peso no contexto das nações terá que apostar em meios que lhe permitam materializar essa ambição, através de uma aliança privilegiada na construção europeia (coisa que havia sido deixada para segundo plano no interregno de Aznar) e mantendo uma ponte estreita com os EUA.

Ou seja:

Portugal, que tradicionalmente sempre foi mais atlantista que a Espanha vê essa sua vocação atlântica a 2 níveis (ligação privilegiada com os EUA e Inglaterra por um lado, e proximidade com o mundo lusófono por outro) ser apagada por esta crescente capacidade da Espanha em se afirmar, e desse modo passar a ter maior importância junto de Washington.

Tradicionalmente ainda Portugal tinha a enorme vantagem da Base das Lages, mas nos tempos que correm, com a capacidade de projecção aérea e naval americana e com a diversificação de pontos de apoio por todo o mundo, a Base das Lages, também ela, perdeu a sua importância que já teve nos anos passados da guerra-fria.

Ou seja:

Portugal está a perder o peso e a importância relativa que já teve até aos anos 70.

E se perder peso no seio da UE e da NATO, nomeadamente para a construção de um Exército comum, que funcione como pilar europeu da Aliança, perde importância especifica e real, por irrelevante que passa a ser, e perde peso e importância junto do mundo lusófono, já que este passará a ver em Portugal um parceiro irrelevante e que não lhe trará mais-valias numa relação que todos desejariamos que fosse priveligiada

Espanha está, portanto a ser o tomador dessa decadência portuguesa ao nível geo-estratégico, e da forma como Portugal está a perder a sua capacidade de ser um parceiro de igual para igual no contexto altântico e europeu.

Por isso, para mim, a maior ameaça a Portugal e aos seus interesses mais imediatos, mas com projecção para o médio e longo prazo, é exactamente a sua perca de influência em plano inclinado, passado a estar condenado a um papel meramete secundário ou terciário, mesmo no flanco sul da Aliança e da UE.

Não vejo para já em Marrocos a grande ameaça.

Se Marrocos, mercê de uma mudança para um regime que seja factor de ameaça e instabilidade nessa zona do globo atacasse algum os pareiros da Aliança, o Artigo V da NATO trataria desse asssunto rapidamente.

Espanha é a maior ameaça a Portugal.

Não que através de uma invasão e/ou anexação militar ou política (coisa que no passado até já aconteceu), mas através da importância e peso que tem para ditar as regras no contexto internacional e directamente entre os dois, numa base bilateral, através da forma como poderá ditar a seu bel-prazer e de acordo com as suas necessidades e interesses essa partilha de recursos vitais para a sobrevivência de um estado

E isso é perigoso para a nossa sobrevivência a prazo.

Portugal deve por isso, e como já tenho escrito em outras ocasiões, ter um patamar mínimo de Defesa que lhe permita ser suficientemente dissuasor perante essas ameaças, e ter capacidade de reação a um qualquer atentado aos nossos interesses económicos, políticos ou de soberania.
 

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Shar[K]

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« Responder #13 em: Março 02, 2006, 02:59:59 pm »
Rui Elias, bom texto.

Mas faço uma pergunta, isso tudo deve-se ao mérito Espanhol ou ao demérito Portugues? (se me faço entender)

È que eles não estão a fazer nada "demais", nós é que nos estamos a deixar ir...
Depois quanto á questão hidrografica penso que estamos e estaremos sempre dependentes...mesmo que possuissemos umas forças armadas poderosissimas não estou a ver uma invasao a Espanha (assumindo que se conseguia e que conseguiamos manter a area ocupada) aceite por parte da opinião publica.

Militarmente não vejo grande ameaça, vejo sim necessidades eventuais de evacuar cidadão e uma ENORME necessidade de patrulha da ZEE, agora o maior desafio é meter o rectangulo a tornar-se uma maquina super eficaz econimicamente, socialmente e reduzir as dependencias energeticas. (visto que as dependencias geografica e hidrologicas exeptuando uma invasão são impossiveis de alterar)
 

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PereiraMarques

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« Responder #14 em: Março 02, 2006, 03:21:45 pm »
Citação de: "Shar[K
"]Depois quanto á questão hidrografica penso que estamos e estaremos sempre dependentes...


Não esquecer que Portugal apenas tem costa atlântica, portanto recebemos primeiro e com maiores volumes pluviométricos os ventos húmidos de oeste, do que Espanha (a excepção das áreas costeiras ainda mais a norte: Galiza, Astúrias, Cantábria, País Basco)...Portanto, a questão passa muito também por aproveitar melhor a chuva que "cai" do nosso lado...

Cumprimentos
B. Pereira Marques
 

 

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