'Buraco' nos Merlin

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Lancero

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'Buraco' nos Merlin
« em: Fevereiro 16, 2006, 08:26:53 pm »
Ok, obrigado por me indicarem o local correcto...

Como expectável,

Indústria/Defesa: Comissão de Contrapartidas "preocupada" com contrato EH-101

Lisboa, 16 Fev (Lusa) - A Comissão de Contrapartidas (CPC) está "preocupada" com a "quase nula" execução dos 400 milhões de euros de contrapartidas do contrato de aquisição dos helicópteros EH-101 Merlin, do fabricante Agusta Westland, revelou o presidente do organismo.

      Em declarações à agência Lusa, Rui Neves afirmou que dos vários contratos em execução - submarinos, helicópteros, blindados, torpedos e modernização dos F-16 - o dos EH-101 é o único "cuja evolução suscita alguma preocupação".

      Cerca de um terço das contrapartidas previstas destinam-se à Efacec, através de contratos de exportação e transferência de tecnologia, e 25 por cento à OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, esta essencialmente pelo fabrico de um dos componentes da traseira dos novos aparelhos, que vieram substituir os Puma.

      No restante montante estão incluídos contratos de exportação para o sector automóvel, empresas de tecnologias de informação e produtos químicos, adiantou Rui Neves.

      Mas, referiu, até agora o resultado é "quase nulo", quando estão cumpridos quase quatro anos dos oito de duração do contrato, pelo que a Comissão tem vindo a exercer pressão sobre a Agusta Westland.

      No total, as contrapartidas contratadas nos últimos anos ao abrigo dos diversos programas de reequipamento das Forças Armadas ascendem a três mil milhões de euros, dos quais apenas um quarto está executado.

      De acordo com Rui Neves, a parte executada refere-se sobretudo ao contrato de aquisição dos dois novos submarinos da Armada ao consórcio alemão GSC, que inclui a HDW, Ferrostaal e Thyssen.

      Principais beneficiários deste contrato de 1,2 mil milhões de euros, que dura até 2012, foram até agora os Estaleiros de Viana do Castelo, através da instalação de maquinaria de um estaleiro alemão desactivado (Flender) e contratos de reparação de navios.

      Os contratos de contrapartidas das novas viaturas blindadas de rodas e dos torpedos dos submarinos foram assinados entre o final do ano passado e início de 2005 e duram, respectivamente, até 2015 e 2016.

      Um recente estudo ao programa de contrapartidas, apresentado nas últimas semanas pela CPC no Parlamento, conclui que este está excessivamente concentrado num reduzido número de projectos e também em contratos de venda e exportações (75 por cento do total).

      Além disso, os prazos de cerca de oito anos são considerados "muito longos", com "expressão significativa de projectos pouco inovadores" e parte dos projectos "não são definidos com objectividade e clareza, revelam insuficiências ao nível da concepção e fragilidades ao nível do planeamento de actividades", refere o estudo a que a agência Lusa teve acesso.

      Os autores criticam ainda a "passividade" do Estado na negociação dos mesmos contratos, ao não definir áreas prioritárias para o investimento, "não consolidação" de uma equipa técnica para lidar com os fabricantes de equipamento, além de insuficiente informação disponível.

      O estudo - de Vítor Santos, Amílcar Martins e Miguel Gonçalves - recomenda a constituição de uma "equipa residente" na CPC e que este organismo passe a ser financiado através de uma taxa sobre o valor dos contratos, a título dos serviços prestados.

      O Governo está actualmente a rever o regime de contrapartidas e o estatuto da CPC, prevendo-se que o pacote legislativo seja apresentado em Março.

      Segundo Rui Neves, a CPC pretende começar a trabalhar na contratualização de contrapartidas com um conjunto de "dois ou três clusters" prioritários, dos quais o primeiro será o da indústria aeronáutica.

      Neste primeiro "cluster", vai identificar, capacitar e certificar um conjunto de cerca de 20 empresas para as quais serão canalizadas contrapartidas, privilegiando aquelas que permitam transferência de tecnologia.

      O primeiro passo será a assinatura, na sexta-feira de um acordo de cooperação com a EADS/CASA, à margem do contrato de aquisição dos novos aviões de transporte táctico da Força Aérea, que prevê que o grupo europeu apoie a certificação de empresas e apresente projectos em que as empresas portuguesas podem ser fornecedoras.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

Respeito
 

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Luso

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« Responder #1 em: Fevereiro 16, 2006, 09:30:17 pm »
Está na hora de acabar com essa balela de político que são as contrapartidas. Que se acabe com essa treta e as coisas até ficam mais baratas.
De resto, se o governo estiver interessado realmente na Defesa (que não está) os programas de investigação e incentivo às cacidades tecnológicas e industriais nacionais surgem. O importante são os sinais e ACTOS claros.
E também ficam mais transparentes.
Imaginem que num concurso alguém oferece 1B€ de contrapartidas e o concorrente mais directo oferece metade e o equipamento é melhor.
As contrapartidas não são exercidas e fica-se com o equipamento pior.
Ou seja, é só perder.
Já conhecemos os resultados da gestão desse sistema. Vamos insistir?
Ou interessa a permanência deste "esquema"?
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Marauder

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« Responder #2 em: Fevereiro 16, 2006, 09:50:32 pm »
Ou então pede-se dois orçamentos...um com contrapartidas e outro sem para realmente poder realizar uma boa comparação do "produto simples" e depois o "produto+extras". Metendo clausulas de elevadas penalidades para quebra de contracto, isto é de contrapartidas também seria bom...
 

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Jorge Pereira

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« Responder #3 em: Fevereiro 18, 2006, 11:31:44 pm »
As contrapartidas pela compra de armamento são uma oportunidade única para se obter transferencias tecnologias que de outra forma só com muitos anos de investigação se obteriam.

Vários países deram “o salto” tecnológico precisamente graças a essas contrapartidas.

São também uma boa forma de criar oportunidades de negócios para empresas nacionais mesmo fora do âmbito da defesa.

O problema é quando na hora da compra essas contrapartidas são negociadas de uma forma ligeira, sem estudos aprofundados que de facto permitam a maximização das mesmas, a sua exequibilidade, e quando não se estipulam clausulas pesadas para os incumpridores.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Marauder

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« Responder #4 em: Fevereiro 19, 2006, 12:29:14 am »
No projecto Eurofighter, o facto de estar na clausula uma forte penalização para o abandono do projecto fez com que a Itália mudasse de ideias à 14 anos . Ideia dos alemães ehehehhe