Brasil e União Européia fazem pressão por acordo comercial

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J.Ricardo

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Brasil e União Européia fazem pressão por acordo comercial
« em: Novembro 14, 2005, 01:55:24 pm »
Brasil e União Européia fazem pressão por acordo comercial

Tom Wright
Em Genebra

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, e o principal negociador comercial da União Européia (UE), Peter Mandelson, se reuniram em Roma em uma tentativa de aplainar as suas diferenças quanto a um acordo global de comércio, mas nenhuma das partes ofereceu propostas que possibilitassem um fim do impasse.

As negociações comerciais em Genebra foram interrompidas asperamente na semana passada, quando Mandelson e Amorim se acusaram mutuamente de negociarem com má-fé.

A ausência de progresso obrigou os negociadores a reduzirem as suas ambições relativas ao encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong, no dia 13 de dezembro, na qual se espera que ministros do comércio de todo o mundo cheguem a um consenso quanto a um novo pacto comercial.

No último sábado, Mandelson e Amorim tiveram uma conversa mais cordial, conforme aumentavam as pressões para que os negociadores chegassem a algum tipo de acordo. Mandelson disse que nas negociações falou-se sobre um plano proposto pelo Brasil na semana passada no sentido de reduzir tarifas de importação sobre bens industriais, uma medida exigida pela UE em troca de uma modificação das regras de proteção ao seu setor agrícola.

"Reconheço que existem idéias", disse Mandelson à agência "Reuters". "Foi proveitoso analisar estas idéias com Celso hoje de manhã".

Amorim, que se tornou um porta-voz dos países em desenvolvimento nas negociações, disse que o encontro foi "produtivo sob vários aspectos".

Já o porta-voz de Mandelson, Peter Power, disse que nenhuma das partes discutiu qualquer proposta em detalhes. Mandelson espera se reunir em breve com o grupo que o porta-voz chama de G-4 - formado por Brasil, Índia, Alemanha e Japão - acrescentou Power.


Segundo os negociadores, o fato de não se tomarem medidas rapidamente nos próximos dias fará com que seja difícil que os países cheguem a qualquer acordo significativo em Hong Kong.

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Portman, que esteve na Índia para participar de negociações no sábado, criticou a Europa por esperar concessões de países pobres antes de se comprometer com reformas agrícolas mais profundas no seu próprio território.

"A União Européia tem demonstrado grande dificuldade em concordar com uma proposta que reduza as barreiras tarifárias no setor agrícola, a ponto de possibilitar um acesso real ao seu mercado. Enquanto eles não apresentarem uma proposta equilibrada, que reduza não só os subsídios, mas também as barreiras tarifárias, creio que será muito difícil para nós, de forma prática, nos unirmos e obtermos uma rodada de negociações de sucesso", disse Portman.

No mês passado, a Europa concordou em promover as reduções mais profundas até o momento dos subsídios agrícolas e tarifas de importação. Mas as nações em desenvolvimento e os Estados Unidos, que ofereceram reduções mais ambiciosas, disseram que tais propostas não são suficientemente profundas.

Ao mesmo tempo, alguns membros da UE que possuem poderosos lobbies agropecuários, liderados pela França, criticaram Mandelson, afirmando que ele foi longe demais. Ao exigir maior acesso dos produtos industriais europeus a países como o Brasil, Mandelson espera calar os seus críticos franceses.

Os bancos, as companhias de seguro e os grupos de lojas europeus têm muito a ganhar com um acordo que abra grandes mercados na Ásia e na América do Sul, argumenta Mandelson.

A UE gasta anualmente cerca de US$ 60 bilhões em subsídios agrícolas, mas o setor agrícola emprega apenas 5% da força de trabalho européia. Sofrendo pressões para não inviabilizar um acordo, Amorim começou a discutir na semana passada as tarifas industriais. Em uma reunião em Londres, ele disse que a UE ignorou uma oferta de reduzir essas tarifas pela metade.

Mas os europeus disseram não ter recebido nenhuma proposta formal do Brasil. As nações em desenvolvimento dizem que é injusto esperar que façam promessas antes que a Europa se comprometa a promover reformas mais amplas no setor agrícola.

As atuais negociações, que tiveram início em Doha, no Catar, em 2001, deveriam beneficiar os países em desenvolvimento.

Desde a 2ª Guerra Mundial, os Estados Unidos e a Europa fazem pressões pela redução de tarifas no setor industrial, no qual contam com uma vantagem competitiva, e, ao mesmo tempo, protegem o setor agropecuário, onde tem menos condições de competir no mercado internacional.

Em Doha, Europa e Estados Unidos concordaram em promover reformas no setor agrícolas, sem exigirem grandes cortes em outros setores.

"Francamente, a agricultura nunca gozou de muita importância nessas negociações referentes ao comércio global", disse Portman. Ele chamou as negociações de "uma oportunidade única para a redução das tarifas, e para colocar a agricultura no centro das discussões".

Portman viajará para Pequim para participar de novas negociações antes de seguir para um encontro de ministros da área econômica que precede a reunião de cúpula de Cooperação Econômica dos Países Asiáticos do Oceano Pacífico, na Coréia do Sul, na sexta-feira e no sábado.
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