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Geopolítica-Geoestratégia-Política de Defesa => Portugal => Tópico iniciado por: PereiraMarques em Março 23, 2006, 01:13:09 pm

Título: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: PereiraMarques em Março 23, 2006, 01:13:09 pm
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Governo quer alargar direitos marítimos

O Governo apresentou ontem um diploma que reúne a legislação dispersa sobre delimitação das zonas marítimas nacionais, proposta considerada decisiva para o processo de candidatura ao alargamento da plataforma continental portuguesa.

A proposta de lei foi defendida no Parlamento pelo secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, Manuel Lobo Antunes, sustentando que o diploma constitui um argumento decisivo para a proposta de alargamento (até um limite máximo de 350 milhas náuticas) dos direitos portugueses, que até agora se restringem às 200 milhas da Zona Económica Exclusiva.

A candidatura portuguesa será apresentada até Maio de 2009 na Comissão de Limites da Plataforma Continental, da ONU, disse o governante.

Fonte: http://dn.sapo.pt/2006/03/23/nacional/g ... ariti.html (http://dn.sapo.pt/2006/03/23/nacional/governo_quer_alargar_direitos_mariti.html)
Título:
Enviado por: Jorge Pereira em Março 24, 2006, 03:25:50 am
O que se pretende é qualquer coisa como isto:

(http://www.emepc.gov.pt/images/persp.jpg)

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Perspectivas de Extensão da Plataforma Continental

Do ponto de vista teórico, a área da Plataforma Continental à qual Portugal poderá estender a sua jurisdição, corresponde a áreas entre o limite da sua ZEE (200 milhas náuticas) e 350 milhas náuticas medidas a partir de uma linha base ou até uma distância que não exceda 100 milhas náuticas da isobatimétrica de 2500 metros. Na prática, dentro destes limites, Portugal pretende reclamar todas as áreas que possam ser justificadas à luz da CNUDM.


 :arrow: www.emepc.gov.pt (http://www.emepc.gov.pt)
Título:
Enviado por: Marauder em Março 24, 2006, 11:27:54 am
:headb: E criarmos uma "estrada" nossa entre o Continente e Açores!

  Eu quero é que haja meios para patrulhar essas 200milhas !! quanto mais extender para 350..
Título:
Enviado por: Leonidas em Março 25, 2006, 01:00:00 am
Saudações guerreiras.

Mais olhos que barriga.  :roll:
Só espero estar enganado.

Cumprimentos
Título:
Enviado por: Luso em Março 25, 2006, 12:12:06 pm
Citação de: "Leonidas"
Saudações guerreiras.

Mais olhos que barriga.  :roll:
Só espero estar enganado.

Cumprimentos


Exactamente!
Acto típico de advogado, crer que a conversa se traduz em factos e que altera a realidade. Sem meios não há ZEE.
E isto só mostra a descoordenação intergovernamental nesta matéria.
Título: Medições garantem a Portugal mais mar e riquezas submarinas
Enviado por: Jorge Pereira em Agosto 25, 2006, 04:47:32 pm
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Medições garantem a Portugal mais mar e riquezas submarinas

Riquezas em diversos minérios que poderão valer dez vezes o potencial das minas de Neves Corvo foram identificadas em fundos marinhos que Portugal está a estudar para, à luz de uma convenção internacional, reivindicar muito mais oceano do que as 200 milhas que lhe estão atribuídas como Zona Económica Exclusiva. Os cientistas estão optimistas quanto aos resultados desse levantamento hidrográfico, sísmico e químico as perspectivas de extensão da plataforma continental reconhecida como nacional podem abranger até um milhão e 400 mil quilómetros.

"Para já, há 170 mil quilómetros quadrados sobre os quais não temos dúvidas nenhumas", disse ontem ao JN Pinto de Abreu, o responsável pela missão encarregada de elaborar os estudos localizados e os relatórios que vão basear a pretensão portuguesa de alargar a sua soberania a mais fundos e meios marinhos no Atlântico. Aprevisão mais modesta cifra-se em 240 mil quilómetros quadrados.

Os trabalhos têm vindo a ser feitos com recurso a dois navios da Marinha equipados com meios para reconhecer o relevo dos fundos oceânicos, nomeadamente sismómetros. Também foram recolhidas amostras para análise geoquímica, o que permitiu descobrir a presença de algumas riquezas minerais. Assim, detectaram-se áreas ricas em cobalto na zona da Madeira, vários tipos de inertes a Oeste do continente, bem como sulfuretos maciços e nódulos ferto-magnesianos ricos em manganês em torno dos Açores.

Mas o potencial que Portugal pretende preservar para si tem a ver não só com riquezas minerais. O meio marinho tem vindo a revelar-se fonte para o desenvolvimento de novos materiais e de novos medicamentos, bem como de novas energias, como é o caso das fontes hidrotermais, existentes numa proximidade relativa aos Açores.

A aposta nas biotecnologias com base no oceano foi uma das vertentes frisadas pelo secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, depois de uma sessão em que foi posto a par da evolução do projecto de reconhecimento da plataforma. João Mira Gomes disse ainda ser esta uma faceta da estratégia nacional para os assuntos do mar, numa fase já de acerto interministerial. O mesmo responsável governamental afirmou, por outro lado, que a extensão previsível da plataforma continental implica um exercício de soberania em tudo diferente da que vigora sobre a Zona Económica Exclusiva que, segundo garantiu, é assegurada plenamente em termos de patrulha e salvamento. Sobre as riquezas que venham a ser mapeadas, admitiu que a sua exploração terá um horizonte a médio ou longo prazo.

O processo que pode garantir a Portugal a extensão da plataforma continental vai ter que ser entregue até Maio de 2009 à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas. Esta pretensão tem base no Direito Internacional do Mar e na Convenção das Nações Unidas que enquadra os direitos soberanos dos estados costeiros relativos à prospecção e exploração dos recursos naturais da plataforma continental. Muitos outros países têm vindo a assegurar direitos idênticos sobre águas na continuidade das suas Zonas Económicas Exclusivas.

Fonte (http://http)
Título:
Enviado por: Luso em Agosto 25, 2006, 04:52:56 pm
Típico de Socialistas.
Querem mais direitos e menos responsabilidades...
Depois vai dar nisto... (http://www.clicksmilies.com/s0105/spezial/Fool/tit.gif)
Título:
Enviado por: pedro em Agosto 25, 2006, 05:06:48 pm
Isso e verdade mas e se nos temos essa riqueza toda porque e que so apareceu agora??? :roll:
Cumprimentos
Título:
Enviado por: Farinha em Agosto 31, 2006, 01:31:35 pm
Realmente se nem meios temos para patrulhar uma zee de 200 milhas,quanto mais alargar para 350...mas pode ser que tenhamos sorte e que haja algum petroleo!
Título:
Enviado por: sierra002 em Agosto 31, 2006, 06:47:45 pm
¿No hay respuesta internacional? Como "estranjeiro" me preocupa que Portugal (o cualquier otro país) se apodere de todo el centro del atlántico norte. En un foro español abrí un tópico sobre este tema citando este foro.
Título:
Enviado por: pedro em Agosto 31, 2006, 06:53:50 pm
Caro sierra 002 poderia postar esse site?
Gracias e saludos
Título:
Enviado por: TaGOs em Agosto 31, 2006, 06:58:44 pm
Caro sierra002 podia nos dizer qual é esse forum? Gostaria de ler as preocupações dos nossos amigos Espanhoies.

De que tamanho é a ZEE de espanha? Tem alguma foto que a mostre?
E já agora alguem tem uma imagem ou sabe onde posso encontrar uma em que se possa ver o real tamanho da ZEE de Portugal? É que essa imagem não é lá muito fiavel...

Cumprimentos
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Agosto 31, 2006, 07:00:48 pm
(http://gasa.dcea.fct.unl.pt/infozee/images/3.3.1.jpg)
Fonte: http://gasa.dcea.fct.unl.pt/infozee/3.3.htm (http://gasa.dcea.fct.unl.pt/infozee/3.3.htm)
Título:
Enviado por: sierra002 em Agosto 31, 2006, 07:03:28 pm
En el tópico colgué una foto de la ZEE portuguesa.

El foro es http://www.elgrancapitan.org/foro/index.php (http://www.elgrancapitan.org/foro/index.php)

El tópico es este:  http://www.elgrancapitan.org/foro/viewt ... 5&start=30 (http://www.elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=9825&start=30)

Advierto que está en una sección llamada "Sol y Sombra" a la que solo se puede acceder si estais registrados. Os invito a entrar, es un foro moderado muy correctamente (hubo en el tópico quien insultó a Portugal y fue convenientemente amonestado). Por otro lado... espero que no os parezca yo muy belicoso en dicho tópico.  :?
Título:
Enviado por: TaGOs em Agosto 31, 2006, 07:03:36 pm
Obrigado PereiraMarques, tinha acabado de encontrar essa imagem.  :)  :)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Agosto 31, 2006, 07:08:41 pm
Neste artigo da wikipedia é interessante ver a nossa posição no ranking de países com maior ZEE, http://en.wikipedia.org/wiki/Exclusive_ ... e#Portugal (http://en.wikipedia.org/wiki/Exclusive_Economic_Zone#Portugal)
Título:
Enviado por: pedro em Agosto 31, 2006, 07:11:43 pm
La nisso tem toda a razao.
Cumprimentos
Título:
Enviado por: TaGOs em Agosto 31, 2006, 10:41:44 pm
A ZEE portuguesa neste momento tem 1,727,408 km².
De que tamanho vai ficar quando tiver o alargamento?
Título:
Enviado por: Tiger22 em Setembro 03, 2006, 03:19:50 am
Citação de: "sierra002"
¿No hay respuesta internacional? Como "estranjeiro" me preocupa que Portugal (o cualquier otro país) se apodere de todo el centro del atlántico norte. En un foro español abrí un tópico sobre este tema citando este foro.

De facto o sierra002 ou não percebe nada daquilo que lê em português ou então é outro provocador :roll:  


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O processo que pode garantir a Portugal a extensão da plataforma continental vai ter que ser entregue até Maio de 2009 à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas. Esta pretensão tem base no Direito Internacional do Mar e na Convenção das Nações Unidas que enquadra os direitos soberanos dos estados costeiros relativos à prospecção e exploração dos recursos naturais da plataforma continental. Muitos outros países têm vindo a assegurar direitos idênticos sobre águas na continuidade das suas Zonas Económicas Exclusivas.


Como vê, não somos nenhuns piratas como dá a entender nesse tópico que abriu no dito fórum.

Também se farta de dizer que as fragatas portuguesas foram pagas pela NATO, mas não diz que isso foi como contrapartida pela utilização de diversas bases no nosso país.

Olhe que todos na Europa já repararam no ridículo que estão a fazer ao pedir ajuda à União Europeia para travar os “cayucos” com imigrantes que invadem as vossas costas, enquanto gastam miles de milhões em fragatas F-100,  Eurofighters, mísseis Tomahawk e um longo etc.

Se por mim fosse, o nosso navio que está em Cabo Verde nem sequer tinha partido.

Apostem na coesão nacional, luta contra o terrorismo e tráfico de emigrantes. Com isso já têm com que se entreter.
Título:
Enviado por: sierra002 em Setembro 03, 2006, 04:05:50 pm
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Como vê, não somos nenhuns piratas como dá a entender nesse tópico que abriu no dito fórum.

En el tópico que abrí en ningún momento  llamé piratas a los portugueses ni a su gobierno actual por pretender aumentar sus aguas de control económico. Critiqué la postura portuguesa y expuse los argumentos que yo creo que pueden ser perjudiciales para otros paises, como España. Ya advertí que podía parecer agresivo y por eso mismo cité el post e invité a todos foristas portugueses de aquí a que expongan su opinión allí y defiendan o critiquen lo que estimen conveniente.

Citar
Também se farta de dizer que as fragatas portuguesas foram pagas pela NATO, mas não diz que isso foi como contrapartida pela utilização de diversas bases no nosso país.
Pues no dejes a los foristas españoles con el error. Aclara la duda.

Citar
Olhe que todos na Europa já repararam no ridículo que estão a fazer ao pedir ajuda à União Europeia para travar os “cayucos” com imigrantes que invadem as vossas costas, enquanto gastam miles de milhões em fragatas F-100, Eurofighters, mísseis Tomahawk e um longo etc.

Se por mim fosse, o nosso navio que está em Cabo Verde nem sequer tinha partido.

Esa es su opinión. Pero le recuerdo que también España ha ayudado a Portugal en otras ocasiones.
Título:
Enviado por: Jorge Pereira em Junho 16, 2007, 12:47:00 am
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Nações Unidas: Português reeleito para Comissão de Limites da Plataforma Continental

Lisboa, 15 Jun (Lusa) - O português Fernando Maia Pimentel foi hoje reeleito para a Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas (CLPC), anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

De acordo com o MNE, Fernando Maia Pimentel foi reeleito com 106 votos na 17ª reunião das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que decorreu em Nova Iorque.

Em comunicado, o MNE explica que a CLPC é composta por 21 peritos nas áreas da hidrografia, geologia e geofísica, eleitos com base no princípio da representação geográfica, tendo que obter uma maioria de dois terços dos votos dos representantes dos Estados presentes e votantes.

A CLPC tem com competências para avaliar as propostas apresentadas pelos Estados com vista à extensão da plataforma continental para além das 200 milhas náuticas.

A recandidatura do Fernando Maia Pimentel à CLPC foi apresentada pelo Estado português, por proposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros às Nações Unidas, após indicação do Ministério da Defesa.

O MNE salienta que a reeleição é "importante", porque o próximo mandato da CLPC (2007-2012) coincidirá com a apresentação e análise de um elevado número de propostas de extensão da plataforma continental.

Segundo o MNE, Portugal deverá submeter à CLPC a proposta de extensão da sua plataforma continental até 13 de Maio de 2009, apresentando as zonas marítimas portuguesas "uma invulgar riqueza de biodiversidade e recursos marinhos", o que prenuncia "substanciais benefícios económicos e científicos"
.

Além de Portugal, foram também eleitos os candidatos da Noruega, Irlanda e Austrália.
Título:
Enviado por: comanche em Junho 16, 2007, 11:50:53 pm
Citação de: "Jorge Pereira"
Citar
Nações Unidas: Português reeleito para Comissão de Limites da Plataforma Continental

Lisboa, 15 Jun (Lusa) - O português Fernando Maia Pimentel foi hoje reeleito para a Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas (CLPC), anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

De acordo com o MNE, Fernando Maia Pimentel foi reeleito com 106 votos na 17ª reunião das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que decorreu em Nova Iorque.

Em comunicado, o MNE explica que a CLPC é composta por 21 peritos nas áreas da hidrografia, geologia e geofísica, eleitos com base no princípio da representação geográfica, tendo que obter uma maioria de dois terços dos votos dos representantes dos Estados presentes e votantes.

A CLPC tem com competências para avaliar as propostas apresentadas pelos Estados com vista à extensão da plataforma continental para além das 200 milhas náuticas.

A recandidatura do Fernando Maia Pimentel à CLPC foi apresentada pelo Estado português, por proposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros às Nações Unidas, após indicação do Ministério da Defesa.

O MNE salienta que a reeleição é "importante", porque o próximo mandato da CLPC (2007-2012) coincidirá com a apresentação e análise de um elevado número de propostas de extensão da plataforma continental.

Segundo o MNE, Portugal deverá submeter à CLPC a proposta de extensão da sua plataforma continental até 13 de Maio de 2009, apresentando as zonas marítimas portuguesas "uma invulgar riqueza de biodiversidade e recursos marinhos", o que prenuncia "substanciais benefícios económicos e científicos"
.

Além de Portugal, foram também eleitos os candidatos da Noruega, Irlanda e Austrália.


Excelentes notícias!
Estamos no caminho certo.
Título:
Enviado por: lurker em Junho 16, 2007, 11:54:32 pm
A pretensão de expandir a ZEE não é de agora.
Provavelmente, começou a materializar-se com o concurso para a aquisição dos EH-101 e foi reforçada com o protocolo para a construção dos NPO.

Eu vejo isto como uma necessidade absoluta.
À medida que a população humana aumenta e tecnologia avança, a pressão sobre os recursos maritimos no mar alto tenderá a aumentar também.
É portanto do nosso interesse aumentar a área de recursos sob o nosso controlo.
Título:
Enviado por: SSK em Junho 17, 2007, 05:04:24 pm
Pois, tem toda a razão lurker, agora só falta a parte do controlo... :?
Título:
Enviado por: comanche em Junho 17, 2007, 06:59:38 pm
Citação de: "TaGOs"
De que tamanho é a ZEE de espanha? Tem alguma foto que a mostre?



A ZEE de Espanha é de 1.039.233 km².

Pode ser visualizada nos seguintes link's.

http://www.seaaroundus.org/eez/summaryInfo.aspx?EEZ=724

http://www.seaaroundus.org/eez/summaryInfo.aspx?EEZ=724A
Título:
Enviado por: comanche em Junho 18, 2007, 12:35:21 am
Citação de: "Farinha"
Realmente se nem meios temos para patrulhar uma zee de 200 milhas,quanto mais alargar para 350...mas pode ser que tenhamos sorte e que haja algum petroleo!

Os dias do petróleo começam a chegar ao fim, segundo algumas estimativas as reservas mundiais não durarão 40 anos.

Um futuro pode estar nos hidratos de metano, os Estados Unidos têm reservas conhecidas nas suas águas suficientes para alimentar o país em questões energéticas durante dois mil anos!

Um dos inconvenientes é o efeito de estufa.


Citar
Hidratos de metano – combustível do futuro ou uma ameaça à humanidade?
O que são os hidratos de metano?



Quando as bactérias digerem a matéria orgânica, no fundo do mar, libertam moléculas de CH4 (metano). Estas moléculas acabam "aprisionadas" por cristais de água, formando os hidratos ou, ainda, combinam-se com o limo e o barro do fundo do oceano, formando bolhas de gás solidificado entre densas camadas de barro.

Umas estruturas normais de hidrato de metano contêm 46 moléculas de água e 8 moléculas de metano. A sua aparência é como o gelo, entretanto, é estável somente a altas pressões e baixas temperaturas. Não existe ligação covalente entre a água e o metano; o hidrato, quando se funde, libera água líquida e gás metano.


O “gelo de metano”, como também são chamados os hidratos deste gás, forma-se naturalmente nas regiões profundas, de alta pressão e baixa temperatura, do oceano, mas geralmente fica enterrado sob o sedimento marino. O Golfo do México é um dos poucos lugares onde pode ser encontrado exposto no fundo do oceano.


Antes de 1970, ninguém sabia que hidratos de metano existiam no fundo do mar, embora estes hidratos não sejam raros: pelo contrario, eles estão por toda à parte, "em todos os sete mares", pois estudos recentes indicaram a presença de grandes depósitos submarinos de hidratos de metano em praticamente todos os oceanos.

As "reservas" já conhecidas de hidratos de metano são imensas!

Obviamente, a descoberta destes hidratos ofereceu uma possibilidade sem precedentes na obtenção de energia para a humanidade, sendo mesmo considerado por muitos o combustível do século XXI. Ninguém tem ainda um inventário completo da quantidade de hidrato de metano existente no mundo.

Em todo caso, estimativas menos optimistas apontam para uma quantidade de energia superior a todas as reservas de hidrocarbonetos conhecidas ate hoje. Mais de 50% de todo o carbono existente no planeta esta no fundo do mar, sob a forma de hidratos de metano. E mais do que todas as reservas de materiais fosseis, todos os seres vivos e todas as minas de carvão somadas.

O metano já contabilizado chega a sessenta vezes o valor de todas as reservas provadas de gás natural hoje existentes. As reservas de hidratos de metano americanas, situadas no Golfo do México, no Atlântico e no Pacifico, alem do Alasca, são gigantescas.


Em 1995, o Serviço de Pesquisas Geológicas (U.S. Geological Survey) estimou estas reservas 9.062 triliões de metros cúbicos. Para termos ideia do que isto representa, basta ver que a produção de apenas 1% deste total poderia suprir a demanda de gás nos Estados Unidos por mais de 100 anos. Poderá ainda passar-se uma década antes que o gás dos hidratos circule nos gasodutos americanos, mas sem dúvida as pesquisas actualmente em andamento farão com que este momento se esteja aproximando. (GTI).


Mudanças climáticas e hidratos de metano – sonho ou pesadelo? É difícil de saber se, realmente, os hidratos de metano se venham a tornar uma fonte de combustível. De qualquer forma, os dias do petróleo abundante estão contados, e as nações necessitarão, em breve, de novas fontes de energia. Os hidratos de metano podem ser essa fonte.


Embora muitos considerem estes hidratos uma excelente fonte de energia, existem cientistas extremamente preocupados: a exploração indevida, acidentes, ou mesmo ocorrências naturais, como um grande terramoto, podem vir a libertar grande parte deste gás para a atmosfera. A temperatura do planeta, em uma situação como esta, iria aumentar drasticamente, as calotes polares iriam derreter e a vida iria tornar-se mais difícil.


Por isso nenhum país, ainda, começou com força total a exploração dos hidratos de metano, embora existam muitas pesquisas em curso. No início deste ano, a Japan National Oil Company começou a construção da primeira plataforma para extracção de hidratos de metano do fundo do mar Caspio.


O estudo de sua utilização está, portanto, apenas no inicio, tanto no que diz respeito à sua implicação nas mudanças climáticas quanto pelo seu interesse, a longo prazo, como fonte de energia. O metano é um gás que causa o efeito estufa, e informa-se que o mesmo é de 20 a 25 vezes mais potente que o CO2, para esse efeito (estufa).


Na melhor das hipóteses, o metano na atmosfera, se oxida e gera CO2. Alguns estudiosos do clima acreditam que a produção natural de metano pelos oceanos é a origem de diversos períodos de reaquecimento ocorridos na história geológica da Terra.


Paulo F. Nogueira – Engenharia Ambiental

 



http://www.freewebs.com/drchaves/opinio.htm
Título:
Enviado por: lurker em Junho 18, 2007, 01:57:20 am
Citação de: "SSK"
Pois, tem toda a razão lurker, agora só falta a parte do controlo... :?

Em absoluto. Até porque o reconhecimento internacional da ZEE está sujeito a termos a capacidade de patrulhar e efectuar SAR nessas àguas.
Título:
Enviado por: SSK em Junho 18, 2007, 01:59:24 pm
Nem na área actual quanto mais numa área ainda maior... :oops:
Título: ZEE
Enviado por: zocuni em Julho 01, 2007, 01:23:57 pm
Tudo bem,

Portugal,pelo que vejo está-se articulando para conseguir o aumento de 150 milhas à nossa ZEE,muito bom saber disso.Penso que deve ser até uma questão de Estado.Aqui nem vou pelo lado se temos ou não condições de patrulhamento,penso que com essas 8 NPO em fase de construção,teremos muitos mais meios,se suficientes não sei.Se vamos decobrir grandes jazidas de recursos minerais de grande valor económico,vejo como um objectivo mas não como uma meta.Aqui na minha opinião o ponto da questão e de uma forma mais simplista,se refere no âmbito das pescas,importante sector económico de nosso país,onde emprega 25.000 pessoas,num país com altos índices de desemprego,outra coisa o nosso consumo per capita de peixe é quase o dobro em relação à europa,e apesar de pescarmos perto de 300.000 toneladas,ainda temos de importar.
Mais nossos vizinhos espanhóis,já começam e estrecuchar,só não sei se já se constacta ser o "estrebuchar do morto",essa frase idiota agora está na moda em Portugal.Temos até aqui um ilustre forista espanhol,profundamente desagradado com a ideia de sermos "os donos",do Atântico Norte,azar o dele.Só espero não avistar espanhóis a pescar em nossas águas territoriais como hoje infelizmente se passa.Os espanhóis se estão tão preocupados,em saber quem é dono do quê,poderiam reparar que têm em seu território,uma região que nos pertence "Olivença",não gosto desses moralismos de saco roto.
Ou seja,por todos os motivos devemos lutar por isso.Deixo agora alguns links.

http://www.dg-pescas.pt/mercados/indicadores.pdf


http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2005/11/03g.htm


Abraços,
Zocuni
Título:
Enviado por: comanche em Agosto 05, 2007, 01:39:25 pm
Portugal é o primeiro país do mundo a ter jurisdição sobre uma área superior a 200 milhas náuticas


Citar
Portugal voltou a desbravar o mar. Tornou-se o primeiro país a ter jurisdição sobre uma área para lá das 200 milhas náuticas, onde o mar é de todos. No novo pedacinho de Portugal, para os lados dos Açores, existem fontes de água quente, a 2300 metros de profundidade, onde a luz do sol nunca chega.

Para que quer um país um mundo destes? Porque, entre outras coisas, as fontes hidrotermais são oásis de vida marinha, alguma bem esquisita. Ela adaptou-se a condições extremas, como temperaturas elevadas e um ambiente tóxico, com enxofre, metais pesados, dióxido de carbono ou metano em excesso. Não depende da luz solar e da fotossíntese, mas da síntese que diversas espécies de bactérias fazem de elementos químicos oriundos das fontes hidrotermais, para obterem os nutrientes de que precisam. É nessas invulgares bactérias que assenta a cadeia alimentar: servem de refeição a outros seres vivos, que servem de refeição a outros...

Ao adaptarem-se às condições das fontes, bactérias e outros organismos podem ter desenvolvido moléculas úteis à medicina ou à indústria. Na biotecnologia, as fontes hidrotermais do mar profundo são vistas como um mundo admirável, de onde podem sair produtos industriais ou farmacêuticos surpreendentes.



Metade da cidade do Porto



"Rainbow" é o nome do novo pedaço de Portugal. Situa-se a 40 milhas do limite da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores. A ideia de proteger a riqueza biológica deste campo hidrotermal foi o início de uma história de conquista, em versão pacífica.

Portugal começou por propor, em Outubro de 2006, que o Rainbow fosse uma área protegida sob jurisdição portuguesa, no âmbito da Convenção para a Protecção do Ambiente Marinho no Atlântico Nordeste (OSPAR).

Para esta candidatura, entrou em cena a equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), incumbida pelo Governo de provar pela ciência, até 2009, que a parte continental do território português se prolonga mar adentro para lá das 200 milhas da costa (370 quilómetros). Se o provar, Portugal pode esticar-se - mas só pelo leito e subsolo do mar, como estabelece a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), em vigor desde 1994.

Mas a EMEPC quis apressar as coisas. Defendeu que o Rainbow fosse já reconhecido, formalmente, como parte da plataforma continental portuguesa, com base na informação científica disponível. "Portugal podia, e devia, exercer sobre ele os direitos previstos na CNUDM - ou seja, direitos de soberania sobre a plataforma continental para exploração e aproveitamento dos recursos naturais", refere uma nota de imprensa.

O sim veio no final de Junho, numa reunião dos Estados-membros da OSPAR na Bélgica. Consideraram o Rainbow como área marinha protegida ao abrigo daquela convenção regional e referiram "claramente" que está na "plataforma continental portuguesa alargada, ou seja, dentro da jurisdição nacional", diz a nota.

O novo bocado de chão português tem 2215 hectares: uns 4000 campos de futebol ou cerca de metade da cidade do Porto. Simbólico, mas talvez prenúncio de um país que vai crescer muito mais. Assim o espera Manuel Pinto de Abreu, o engenheiro hidrógrafo e oceanógrafo físico que chefia a EMEPC. Desde meados de 2005 que a sua equipa trabalha para alargar o fundo do mar português.

Até à ZEE, os países têm direito de explorar o que se encontrar na coluna de água e no fundo do mar. Transpor essa "fronteira", embora já só para o fundo do mar, dá trabalho.

Os cientistas têm de reunir uma imensidão de dados (geológicos, geofísicos, hidrográficos...) que provem que a plataforma continental dos seus territórios se prolonga, realmente, para lá das 200 milhas. Portanto, têm de saber onde os fundos marinhos deixam de ter características continentais e já têm características oceânicas. Para encontrar essa transição, usam-se como pistas a morfologia do fundo (um declive acentuado) e a geologia (o fim da continuidade dos materiais geológicos entre a parte emersa e a submersa). O problema, nalguns casos, é que esse limite não é óbvio.



O continente vezes 15?



 Portugal, ilhas incluídas, tem 92.083 quilómetros quadrados e uma ZEE de 1,6 milhões de quilómetros quadrados. Até agora, os dados científicos indicam que Portugal poderá alargar-se em cerca de 240 mil quilómetros quadrados, em redor da ZEE do continente e da Madeira, diz Pinto de Abreu. Tirando os 4000 campos de futebol do Rainbow, os Açores ainda não entram nas contas, porque os levantamentos oceanográficos começaram agora. Está lá o navio Almirante Gago Coutinho e, em Setembro, seguirá o D. Carlos I.

No cenário optimista, o fundo do mar português poderá alargar-se em 1,3 milhões de quilómetros quadrados - o que é 14,9 vezes a área de Portugal continental. O cenário menos favorável é o dos 240 mil quilómetros quadrados já prospectados (2,6 vezes a área continental).


Agora, os cientistas correm contra o tempo, um esforço que custará, incluindo missões de navios, 15 milhões de euros. Até 13 de Maio de 2009, o processo de extensão da plataforma tem de estar concluído e toda a documentação tem de ser entregue na Comissão de Limites da Plataforma Continental. Se as suas recomendações forem favoráveis, Portugal poderá então exercer o acto de soberania que é fixar os limites do país. Que surpresas reservarão essas novas parcelas às gerações actuais e futuras? Petróleo? Gás? Metais? Recursos genéticos, de fontes hidrotermais ou não?

"Há quem diga que a plataforma continental é o novo Tratado de Tordesilhas para Portugal, tal a vastidão da área que pode ficar sob jurisdição nacional. Na União Europeia, Portugal já tem a maior ZEE. Com o alargamento da plataforma, passará a ser dos países com maior jurisdição marítima do mundo",  
diz o jurista Tiago Pitta e Cunha, que coordenou a estratégia portuguesa para os oceanos.

Quando se pergunta qual o significado do Rainbow, Pinto de Abreu sublinha: "É o reconhecimento da jurisdição nacional nessa área, sem sequer termos concluído o processo de extensão da plataforma."

O passo seguinte no Rainbow é gerir e regular a investigação e exploração dos recursos. Se os cientistas de outros países quiserem lá ir, têm de comunicar a Portugal. "É normal que partilhem parte do material recolhido", diz Pinto de Abreu. "Quando há um limite traçado, há uma barreira que geralmente é respeitada."

A incógnita, agora, é saber onde haverá mais bandeiras com as cores portuguesas no chão do Atlântico.




Portugal é grande!
Título: Muito bom
Enviado por: zocuni em Agosto 06, 2007, 01:32:42 pm
Tudo bem,

Excelente notícia,Comanche.Procurei na internet e achei algumas matérias interessantes,tais como:

Mapa
(http://www.ifremer.fr/momareto/images/carte-acores-3sites.jpg)

Video explicativo da RTP,neste site.Tem uma imagem é só clicar.
link (http://http)


Abraços,
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Agosto 06, 2007, 02:16:45 pm
http://www.horta.uac.pt/intradop/notici ... Acores.wmv (http://www.horta.uac.pt/intradop/noticias7/20060731/20060726_jtarde_Acores.wmv)  :wink:
Título:
Enviado por: comanche em Agosto 06, 2007, 02:22:04 pm
Entrevista no jornal 2 de 05-08-2007ao responsável do alargamento da plataforma continental de Portugal.
Ver os 12 minutos iniciais.

http://multimedia.rtp.pt/index.php?vid=1

excelente :wink:
Título:
Enviado por: SSK em Agosto 07, 2007, 10:56:55 pm
Citar
Teresa Firmino

Tal como no Tratado de Tordesilhas, querem dividir o mar, com tudo o que lá existir. Portugal já leva avanço

Portugal voltou a desbravar o mar. Tornou-se o primeiro país a ter jurisdição sobre uma área para lá das 200 milhas náuticas, onde o mar é de todos. No novo pedacinho de Portugal, para os lados dos Açores, existem fontes de água quente, a 2300 metros de profundidade, onde a luz do sol nunca chega.
Para que quer um país um mundo destes? Porque, entre outras coisas, as fontes hidrotermais são oásis de vida marinha, alguma bem esquisita. Ela adaptou-se a condições extremas, como temperaturas elevadas e um ambiente tóxico, com enxofre, metais pesados, dióxido de carbono ou metano em excesso. Não depende da luz solar e da fotossíntese, mas da síntese que diversas espécies de bactérias fazem de elementos químicos oriundos das fontes hidrotermais, para obterem os nutrientes de que precisam. É nessas invulgares bactérias que assenta a cadeia alimentar: servem de refeição a outros seres vivos, que servem de refeição a outros...
Ao adaptarem-se às condições das fontes, bactérias e outros organismos podem ter desenvolvido moléculas úteis à medicina ou à indústria. Na biotecnologia, as fontes hidrotermais do mar profundo são vistas como um mundo admirável, de onde podem sair produtos industriais ou farmacêuticos surpreendentes.
Metade da cidade do Porto
"Rainbow" é o nome do novo pedaço de Portugal. Situa-se a 40 milhas do limite da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores. A ideia de proteger a riqueza biológica deste campo hidrotermal foi o início de uma história de conquista, em versão pacífica.
Portugal começou por propor, em Outubro de 2006, que o Rainbow fosse uma área protegida sob jurisdição portuguesa, no âmbito da Convenção para a Protecção do Ambiente Marinho no Atlântico Nordeste (OSPAR).
Para esta candidatura, entrou em cena a equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), incumbida pelo Governo de provar pela ciência, até 2009, que a parte continental do território português se prolonga mar adentro para lá das 200 milhas da costa (370 quilómetros). Se o provar, Portugal pode esticar-se - mas só pelo leito e subsolo do mar, como estabelece a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), em vigor desde 1994.
Mas a EMEPC quis apressar as coisas. Defendeu que o Rainbow fosse já reconhecido, formalmente, como parte da plataforma continental portuguesa, com base na informação científica disponível. "Portugal podia, e devia, exercer sobre ele os direitos previstos na CNUDM - ou seja, direitos de soberania sobre a plataforma continental para exploração e aproveitamento dos recursos naturais", refere uma nota de imprensa.
O sim veio no final de Junho, numa reunião dos Estados-membros da OSPAR na Bélgica. Consideraram o Rainbow como área marinha protegida ao abrigo daquela convenção regional e referiram "claramente" que está na "plataforma continental portuguesa alargada, ou seja, dentro da jurisdição nacional", diz a nota.
O novo bocado de chão português tem 2215 hectares: uns 4000 campos de futebol ou cerca de metade da cidade do Porto. Simbólico, mas talvez prenúncio de um país que vai crescer muito mais. Assim o espera Manuel Pinto de Abreu, o engenheiro hidrógrafo e oceanógrafo físico que chefia a EMEPC. Desde meados de 2005 que a sua equipa trabalha para alargar o fundo do mar português.
Até à ZEE, os países têm direito de explorar o que se encontrar na coluna de água e no fundo do mar. Transpor essa "fronteira", embora já só para o fundo do mar, dá trabalho.
Os cientistas têm de reunir uma imensidão de dados (geológicos, geofísicos, hidrográficos...) que provem que a plataforma continental dos seus territórios se prolonga, realmente, para lá das 200 milhas. Portanto, têm de saber onde os fundos marinhos deixam de ter características continentais e já têm características oceânicas. Para encontrar essa transição, usam-se como pistas a morfologia do fundo (um declive acentuado) e a geologia (o fim da continuidade dos materiais geológicos entre a parte emersa e a submersa). O problema, nalguns casos, é que esse limite não é óbvio.
O continente vezes 15?
Portugal, ilhas incluídas, tem 92.083 quilómetros quadrados e uma ZEE de 1,6 milhões de quilómetros quadrados. Até agora, os dados científicos indicam que Portugal poderá alargar-se em cerca de 240 mil quilómetros quadrados, em redor da ZEE do continente e da Madeira, diz Pinto de Abreu. Tirando os 4000 campos de futebol do Rainbow, os Açores ainda não entram nas contas, porque os levantamentos oceanográficos começaram agora. Está lá o navio Almirante Gago Coutinho e, em Setembro, seguirá o D. Carlos I.
No cenário optimista, o fundo do mar português poderá alargar-se em 1,3 milhões de quilómetros quadrados - o que é 14,9 vezes a área de Portugal continental. O cenário menos favorável é o dos 240 mil quilómetros quadrados já prospectados (2,6 vezes a área continental).
Agora, os cientistas correm contra o tempo, um esforço que custará, incluindo missões de navios, 15 milhões de euros. Até 13 de Maio de 2009, o processo de extensão da plataforma tem de estar concluído e toda a documentação tem de ser entregue na Comissão de Limites da Plataforma Continental. Se as suas recomendações forem favoráveis, Portugal poderá então exercer o acto de soberania que é fixar os limites do país. Que surpresas reservarão essas novas parcelas às gerações actuais e futuras? Petróleo? Gás? Metais? Recursos genéticos, de fontes hidrotermais ou não?
"Há quem diga que a plataforma continental é o novo Tratado de Tordesilhas para Portugal, tal a vastidão da área que pode ficar sob jurisdição nacional. Na União Europeia, Portugal já tem a maior ZEE. Com o alargamento da plataforma, passará a ser dos países com maior jurisdição marítima do mundo", diz o jurista Tiago Pitta e Cunha, que coordenou a estratégia portuguesa para os oceanos.
Quando se pergunta qual o significado do Rainbow, Pinto de Abreu sublinha: "É o reconhecimento da jurisdição nacional nessa área, sem sequer termos concluído o processo de extensão da plataforma."
O passo seguinte no Rainbow é gerir e regular a investigação e exploração dos recursos. Se os cientistas de outros países quiserem lá ir, têm de comunicar a Portugal. "É normal que partilhem parte do material recolhido", diz Pinto de Abreu. "Quando há um limite traçado, há uma barreira que geralmente é respeitada."
A incógnita, agora, é saber onde haverá mais bandeiras com as cores portuguesas no chão do Atlântico.

2215
hectares é o tamanho do novo bocado de chão português, no fundo do mar - corresponde a quase metade da cidade do Porto
 

 
in  Público
5 de Agosto de 2007
Título:
Enviado por: comanche em Agosto 08, 2007, 03:05:17 pm
Portugal "dá cartas no Mundo" na investigação das fontes hidrotermais



Citar
O cientista Ricardo Serrão Santos garantiu hoje que Portugal "dá cartas no Mundo" na investigação científica das fontes hidrotermais no Atlântico, campos a grande profundidade que estão a merecer a atenção da indústria farmacêutica.
 
Portugal "dá cartas no mundo em termos de investigação científica nas fontes hidrotermais e é mesmo o nono país em termos de produtividade de artigos científicos", assegurou à agência Lusa o director do departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores.

Segundo disse, esta prestação de Portugal deve-se, em grande parte, "ao papel que a Universidade dos Açores desempenha" nesta investigação submarina, através do departamento universitário da cidade da Horta.

"Há alguns domínios específicos em que a Universidade dos Açores é mesmo a primeira a nível mundial, nomeadamente no estudo dos mexilhões das hidrotermais, porque instalou na Horta um laboratório único que lhe permite fazer estudos sobre fisiologia e genética", explicou o investigador.

Um dos objectivos da investigação científica é encontrar respostas para sectores como a medicina e a indústria farmacêutica, que continuam a financiar as grandes missões aos campos hidrotermais dos oceanos.


Cada vez mais as grandes missões científicas em todo o mundo estão associadas a empresas farmacêuticas, que financiam parte dos trabalhos, procurando mais tarde tirar dividendos das descobertas efectuadas.

Este tipo de investigação científica assume uma maior importância numa altura em que Portugal poderá vir a ter jurisdição sobre uma área do fundo do mar até 350 milhas náuticas, mais 150 milhas do que a actual Zona Económica Exclusiva.

O departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) é uma das entidades envolvidas, a par do Governo Regional, na preparação da candidatura a reserva natural das fontes hidrotermais de profundidade existentes ao largo das ilhas.

Segundo Ricardo Serrão Santos, além das candidaturas recentemente aprovadas pela Convenção OSPAR, entidade encarregue da protecção marinha no Atlântico, outras mais poderão surgir num futuro próximo.

A Convenção OSPAR (Oslo/Paris) aprovou recentemente a reclassificação de um conjunto de áreas (Corvo e Canal Pico/Faial) e de fontes hidrotermais (Lucky Strike e Menez Gwen) dentro das 200 milhas da ZEE dos Açores, incluindo, pela primeira vez na história, uma área fora da jurisdição portuguesa, a fonte "Rainbow", situada 40 milhas para além do limite da ZEE nacional.

"Há muitos anos que estamos a desenvolver um dossier sobre as questões das áreas marinhas protegidas em alto-mar, que têm sido financiadas pelo Governo Regional", recordou aquele investigador.

Em Outubro de 2006, numa reunião do Grupo de Trabalho de Habitats e Espécies da OSPAR, realizada na cidade da Horta, foi formalmente apresentada uma candidatura à protecção das fontes hidrotermais.

"Todos os documentos técnicos foram preparados pelo DOP em colaboração com a Direcção Regional do Ambiente, enquanto a Estrutura de Missão para o Alargamento da Plataforma Continental preparou o enquadramento jurídico e específico do Rainbow", explicou Ricardo Santos.

A candidatura do Rainbow (curiosamente o mais pequeno dos três campos hidrotermais), situado a 2.300 metros de profundidade, foi o que mais destaque mereceu pelo facto de ficar fora das 200 milhas da ZEE dos Açores, embora dentro da área de alargamento da plataforma continental portuguesa.

Para o director do DOP, "trata-se de uma área muito importante", que "traz uma mais valia para a investigação científica".

Segundo explicou, o local é fértil em "espécies únicas", que suscitam o interesse dos investigadores, que procuram descobrir propriedades anti-cancerígenas nos organismos de profundidade, que conseguem sobreviver em condições extremas (libertação de gases e temperaturas elevadas).


Ricardo Serrão Santos entende, também, que Portugal deveria investir na construção de um submersível para que possa ter "alguma autonomia na investigação que faz".

Mas isso, realça, implica que o país invista também em navios apetrechados para trabalhar com esses equipamentos.

Actualmente, em toda a Europa, apenas países como a Inglaterra, a Alemanha e a França dispõem de pequenos submarinos, alguns dos quais não tripulados, que permitem descer a grandes profundidades.

 
Título: ????
Enviado por: zocuni em Agosto 09, 2007, 01:49:35 pm
Citação de: "sierra002"
En el tópico colgué una foto de la ZEE portuguesa.

El foro es http://www.elgrancapitan.org/foro/index.php (http://www.elgrancapitan.org/foro/index.php)

El tópico es este:  http://www.elgrancapitan.org/foro/viewt ... 5&start=30 (http://www.elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=9825&start=30)

Advierto que está en una sección llamada "Sol y Sombra" a la que solo se puede acceder si estais registrados. Os invito a entrar, es un foro moderado muy correctamente (hubo en el tópico quien insultó a Portugal y fue convenientemente amonestado). Por otro lado... espero que no os parezca yo muy belicoso en dicho tópico.  :?


Caro,Sierra002

Segui sua sugestão e me cadastrei em tal site,contudo para acessar tal fórum "Sol y Sombra",é pré requisito o utilizador ter 100 mensagens,tem outro lá,que só entra quem é convidado.Parece-me secretismo demais.
Gostaria realmente de saber o que se fala de Portugal,nesse tópico,pois nos abertos pouco ou nada se fala.Também não vi por lá utentes portugueses,vi alguns brasileiros a se expressarem em castelhano,também é obrigatório?

Abraços,
Título: Trabalho
Enviado por: zocuni em Agosto 12, 2007, 02:38:11 pm
Tudo bem,

Artigo sobre as pesquisas oceanográficas em curso.

http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333623


Abraços,
Título: Re: Trabalho
Enviado por: comanche em Agosto 12, 2007, 04:30:50 pm
Citação de: "zocuni"
Tudo bem,

Artigo sobre as pesquisas oceanográficas em curso.

http://visao.clix.pt/default.asp?CpContentId=333623


Abraços,

Muito interessante artigo,

Citar
Momentos depois, a prudência faz-se ouvir. «Prognósticos só no fim do jogo.» O trocadilho é de Manuel Pinto de Abreu, 48 anos, chefe daquela equipa com um nome estranho – Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) – mas muito nobre propósito: encontrar uma continuidade (geológica, biológica) entre a costa portuguesa e o solo oceânico, e estender a nossa jurisdição para lá das 200 milhas náuticas. Se o trabalho correr bem, serão uma espécie de novos heróis, 900 anos depois de D. Afonso Henriques – e o território nacional poderá voltar a beneficiar de nova expansão. A máxima que os move é característica de todos os exploradores: o fundo do mar português constitui um jazigo de riquezas desconhecidas


É muito bom saber que os cientistas fazem este trabalho com alegria, orgulho e prazer, tudo no sentido das suas realizações pessoiais e profissionais, e principalmente por terem consciência que estão a dar um enorme contributo para o engrandecimento Portugal.

Cumprimentos.
Título:
Enviado por: Luso em Agosto 12, 2007, 09:19:14 pm
Citando um post do Comanche Portugal defende criação de uma Política Marítima Europeia , pergunto-me o que é que estes tipos - o "governo" - andam a beber.

- Primo: querem alargar os direitos marítimos para os defender com que meios?

- Secundo: Reivindicar uma parcela de território para depois ser policiado por uma polícia maritíma europeia. Afinal em que é que ficamos?

O que vale é que eu sei é que TUDO isto é só soundbyte. Porque eles não querem saber nem deuma coisa nem de outra. O que interessa é o teatro para tentar passar a ideia que se está a fazer alguma coisa, ideias essas que saem não deles - incapazes - mas de algum subalterno de algum organismo que lá consegue vender o seu peixe.
Título: Meios
Enviado por: zocuni em Agosto 13, 2007, 12:12:44 am
Citação de: "comanche"
Ricardo Serrão Santos entende, também, que Portugal deveria investir na construção de um submersível para que possa ter "alguma autonomia na investigação que faz".

Mas isso, realça, implica que o país invista também em navios apetrechados para trabalhar com esses equipamentos.

Actualmente, em toda a Europa, apenas países como a Inglaterra, a Alemanha e a França dispõem de pequenos submarinos, alguns dos quais não tripulados, que permitem descer a grandes profundidades.


Tudo bem,

Como curioso nestas questões,gostaria que os especialistas nestas questões,de saber.Que navios apetrechados são esses e como seriam esses pequenos submarinos não tripulados?

Abraços,
Título: Re: Meios
Enviado por: comanche em Agosto 14, 2007, 03:13:11 pm
Citação de: "zocuni"
Citação de: "comanche"
Ricardo Serrão Santos entende, também, que Portugal deveria investir na construção de um submersível para que possa ter "alguma autonomia na investigação que faz".

Mas isso, realça, implica que o país invista também em navios apetrechados para trabalhar com esses equipamentos.

Actualmente, em toda a Europa, apenas países como a Inglaterra, a Alemanha e a França dispõem de pequenos submarinos, alguns dos quais não tripulados, que permitem descer a grandes profundidades.

Tudo bem,

Como curioso nestas questões,gostaria que os especialistas nestas questões,de saber.Que navios apetrechados são esses e como seriam esses pequenos submarinos não tripulados?

Abraços,


Como é sabido não existem muitos submersiveis no mundo capazes de descer a grandes profundidades, os MIR russos foram construidos na Finlândia, a França, Japão, USA, também têm submersiveis.
Assim que Portugal tiver área de jurisdição do seu mar defenida, devia pensar em adquirir este tipo de equipamento, para sermos autosuficientes, e podermos assim explorar os nossos recursos.

http://en.wikipedia.org/wiki/MIR_%28submersible%29
http://fr.wikipedia.org/wiki/Nautile_%28sous-marin_de_poche%29
http://en.wikipedia.org/wiki/DSV_Alvin
Título: MIR
Enviado por: zocuni em Agosto 14, 2007, 03:33:37 pm
Tudo bem,

Obrigado,Comanche.Realmente não conhecia esse MIR,russo.Fiz a pergunta,pois pelo que li o Nautile(IFREMER) está sendo utilizado nessas pesquisas,um outro foi usado na década passada o Alvin(WHOI),só que estes são tripulados(2/3)que descubruiu a região "Saldanha".
Estão sendo usados,os navios hidrográficos da marinha(D.Carlos e Alm.Gago Coutinho),o navio arrendado (Kommander Jack),o navio (Arquipélago),do DOP,o Nautile francês e outras lanchas menores.
Penso que poderiamos também ter um,seria muito bom e útil.Qual seria o custo?

Abraços,
Título:
Enviado por: comanche em Agosto 14, 2007, 07:07:55 pm
Não sei quanto custaria a preços a actuais um barco e um submersivel, mas gostaria de saber.
Título:
Enviado por: SSK em Agosto 14, 2007, 07:28:21 pm
Caro comanche os termos é um navio ou embarcação caso seja mais pequeno, bem como se chama submarino visto os submersíveis acabaram quando se inventou o mastro snorkel (inventado no final da 2ªGM).

Os preços variam com o recheio. Qual é o objectivo fiscalizar ou defender/atacar? Qual é a ameaça, são os "pescas", narcotráfico, imigraçãom ilegal. Como pode ver são tantas as variáveis.

Com tantas variáveis que existem o que aconselho é que vejam a armada da dinamarca com os seus navios modelares.
Título: Pesquisa
Enviado por: zocuni em Agosto 14, 2007, 08:37:20 pm
Tudo bem,

SSK,o objectivo seria pesquisa oceanografica a altas profundidades(mais de 4.000m).Tipo esse Nautile ou esse MIR.Não seria na vertente bélica.Por acaso você sabe o custo disso,ou onde encontrar?Obrigado.

Abraços,
Título: Pescas
Enviado por: zocuni em Outubro 14, 2007, 07:40:36 pm
Tudo bem,

Internacional - Economia
União Europeia 2007-10-10 16:28
Portugal tem a quarta maior frota de pesca da UE
A Comissão Europeia anunciou hoje que Portugal tem uma das maiores Zonas Económicas Exclusivas (ZEE) da Europa, 18 vezes maior que a área terrestre nacional, a quarta maior frota de pesca da União Europeia e um grande potencial de desenvolvimento.

Cristina Barreto

Segundo os dados hoje divulgados em Bruxelas, no âmbito da apresentação da nova Política Marítima Europeia, citados pela agência Lusa, Portugal possui 1187 quilómetros de costa e uma ZEE de mais de 1 700 000 quilómetros quadrados.

A Comissão Europeia adiantou que o turismo costeiro representa quase 39 mil postos de trabalho e as pescas mais de 33 mil. O sector naval, incluindo portos, estaleiros e transportes marítimos, emprega mais de 26 mil trabalhadores.

O executivo comunitário informa, no referido documento, que uma grande maioria da população portuguesa (cerca de 76%) vive no Litoral, que, por sua vez, atrai 90% do total dos turistas estrangeiros.

Em relação à actividade pesqueira, a CE contabiliza a frota em cerca de 8700 navios, a quarta maior frota de pesca da UE.

Sendo um dos 16 Estados-membros costeiros da União Europeia, Portugal adoptou já uma Estratégia Nacional para os Oceanos, cujo objectivo central é promover um desenvolvimento económico e social sustentável.

O executivo comunitário acrescenta ainda que o nosso país tem "um forte potencial para as energias renováveis", destacando a frente marítima que permite o aproveitamento da energia das ondas.

Por outro lado, Bruxelas destaca ainda como aspectos negativos a ameaça da erosão costeira e do desassoreamento, para além das alterações climáticas que afectam principalmente os arquipélagos dos Açores e da Madeira.

A Comissão refere ainda que Portugal, pela sua posição geoestratégica, enfrenta desafios na área da defesa nacional e segurança. A vigilância da imigração ilegal, a prevenção de poluição, o apoio à navegação e operações de busca e salvamento no mar são outros entraves que Portugal tem que enfrentar.

Apresentada com o objectivo de permitir uma abordagem global de todas as temáticas que se prendem com os oceanos e mares da Europa, a nova Política Marítima proposta hoje pela Comissão Europeia será debatida no próximo dia 22 em Lisboa, pelos ministros da tutela dos 27.

Abraços,
Título: Tubarões
Enviado por: zocuni em Outubro 14, 2007, 07:51:36 pm
Tudo bem,

Portugal é essencial no salvamento dos tubarões: a prêsidencia da união europeia traz a oportunidade de conservar espécies importantes
 
11 September 2007
 
A SHARK ALLIANCE incita o governo português – no seu actual papel de Presidente da União Europeia (UE) – a que use a sua influência para promover o rápido desenvolvimento de um forte Plano de Acção da UE para a conservação dos tubarões e assim melhorar as perspectivas desta valiosa espécie tão vulnerável.
 
Hoje, em Lisboa, membros da Shark Alliance, representantes governamentais e convidados especiais estão a considerar as oportunidades para que Portugal seja um líder na procura de limites responsáveis na pesca do tubarão, numa conferência intitulada Tubarões em Risco: Delinear um Plano de Conservação da UE.  
Dr. Humberto Rosa
 

 
Related Links
 Pesca e comércio de tubarão na Europa. Edição portuguesa (pdf)
 Quercus associa-se a evento da SharkAlliance  
 
A Shark Alliance, uma coligação de mais de trinta organizações científicas e de conservação (1), está a trabalhar com as organizações de conservação portuguesas GEOTA, LPN, Quercus e com representantes da European Elasmobranch Association (2) com o objectivo de recuperar e conservar as populações de tubarões, melhorando a política de pescas europeia.
   
Especificamente, a Shark Alliance pede ao governo português que se certifique de que o Plano de Acção da UE promove uma maior coordenação entre as agências de pesca e as agências ambientalistas, o que inclui garantias concretas de:
Recuperar populações enfraquecidas de tubarões, raias e mantas
Restringir a pesca e actividades paralelas de tubarões, raias e mantas
Acabar com a prática da remoção das barbatanas de tubarão
Proteger o essencial habitat do tubarão
Promover iniciativas internacionais de conservação do tubarão, através de organizações de pescas e tratados sobre a vida animal (3)
Ao referir-se ao papel primordial que Portugal pode desempenhar no desenvolvimento de um Plano de Acção para o Tubarão (4), Sonja Fordham, Directora de Estratégia da Shark Alliance, disse: “Com a sua rica história nas pescas e interesse na sustentabilidade, Portugal está muito bem colocado para levar a UE até uma nova era de pesca responsável do tubarão, de recuperação de espécies em risco, e de liderança internacional numa conservação global do tubarão. Há quase dez anos, Portugal recebeu a Exposição Mundial e voltou a atenção do mundo para a conservação dos oceanos. A Presidência da UE e o desenvolvimento de um Plano de Acção para o Tubarão oferecem mais uma excepcional ocasião a Portugal de ser líder num tema da maior importância para a saúde dos oceanos.”
 
Numa declaração gravada, preparada para o evento de hoje, o Secretário de Estado do Ambiente português, Professor Dr. Humberto Rosa, constatou:  “O tema da conservação dos tubarões e da biodiversidade marinha no geral são de grande relevância para Portugal. Somos um país pesqueiro, somos um país onde se come muito peixe. Isso significa que queremos continuar a pescar, que queremos continuar a comer peixe. Quer dizer que temos de ter uma pesca sustentável.”
 
A iniciativa de hoje – onde o Prof. Dr. Rosa e a senhora Fordham, assim como outros oradores, irão dirigir-se ao público presente – tem como anfitriã a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (5). Mais tarde, em Setembro, Portugal irá receber delegados de todo o mundo no encontro anual da Organização de Pesca do Noroeste do Atlântico (NAFO), a primeira organização regional de pescas do mundo a estabelecer um limite para a captura da raia.
 


 
Contactos para a imprensa:


Para mais informações, por favor contactar Sally Denbigh, da Shark Alliance pelo número de telefone  +44 795651902, Miguel Vaz, assessor de imprensa da FLAD,  contacto  +351 213935800
 
 
Notas aos editores:

 
1) A Shark Alliance é uma coligação sem fins lucrativos formada por organizações não governamentais de interesse público e dedica-se a recuperar e a preservar as populações de tubarões, melhorando a política europeia de pescas. Por causa da influência que a Europa tem nas pescas a nível global e pela importância dos tubarões nos ecossistemas dos oceanos, estes esforços têm a possibilidade de melhorar a saúde do ambiente marinho na Europa e em todo o mundo.


A Shark Alliance tem dois objectivos principais:
 
Ultrapassar as falhas nas políticas da União Europeia em relação à remoção de barbatanas de tubarão, prática contrária à conservação e a um ambiente sustentável.
 Assegurar limites responsáveis e com bases científicas à pesca do tubarão, para manter a sustentabilidade a longo prazo e a saúde dos ecossistemas.

2) GEOTA – para mais informações, ir a www.geota.pt (http://www.geota.pt)
LPN - para mais informações, ir a www.lpn.pt (http://www.lpn.pt)
Quercus - para mais informações, ir a www.quercus.pt (http://www.quercus.pt)
APECE – para mais informações, ir a www.apece.pt/home.htm (http://www.apece.pt/home.htm)

3) Factos sobre a Conservação de Tubarões
 
A maioria dos tubarões são particularmente vulneráveis à pesca excessiva e as populações levam muito tempo a recuperar, porque geralmente os tubarões crescem lentamente, têm um amadurecimento tardio e produzem poucas crias.
 
A maioria das indústrias europeias da pesca do tubarão entrou em declínio, juntamente com as populações que capturavam. Mesmo assim, a pesca do tubarão efectuada por navios da União Europeia não está completamente regulamentada, numa altura em que está a aumentar a procura da carne e barbatanas de tubarão.
 
Um terço da população de tubarões, de raias e de mantas da Europa é agora considerado Ameaçado, segundo os critérios da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas e Vulneráveis da IUCN (World Conservation Union), estando outros 20 por cento em risco de entrar nessa lista num futuro próximo.
 
A procura de barbatanas de tubarão, ingrediente da iguaria asiática sopa de barbatana de tubarão, leva muitas vezes à remoção das barbatanas, prática que consiste em remover as barbatanas dos tubarões, lançando depois o corpo ao mar. A UE baniu a remoção das barbatanas a bordo dos seus navios, seja onde for que estejam a pescar, mas há sérias falhas na regulamentação e isso impede a sua eficácia.
 
A UE usa uma percentagem entre o peso das barbatanas e o do corpo para assegurar que os navios de pesca trazem para terra todas as carcaças de tubarão de onde se retiraram as barbatanas (em vez de simplesmente lançarem os corpos ao mar). Esta taxa da UE é uma das mais altas do mundo (sendo, assim, uma das mais brandas). Esta e outras falhas, como por exemplo permitir-se que as carcaças e as barbatanas sejam descarregadas separadamente, prejudicam a execução da lei. Além disso, os cientistas alertam para os problemas que surgem no uso de taxas com este objectivo e recomendam vivamente que os tubarões sejam descarregados dos navios ainda com as barbatanas. Este método de imposição é de longe o mais eficiente para se evitar a remoção de barbatanas e também facilita a identificação e recolha de dados por espécie dos tubarões capturados, o que é extremamente necessário para a avaliação da população.
 
Em 1999, a United Nations Food and Agricultural Organization (FAO) adoptou um Plano de Acção Internacional  para a Conservação e Gestão dos Tubarões (IPOA-Sharks). A IPOA-Sharks pedia às nações pesqueiras que desenvolvessem planos de acção nacionais para os “tubarões” (definição que incluía todos os peixes cartilagíneos: tubarões, raias, mantas e quimeras) e que cooperassem no delinear de planos de acção regionais para os tubarões. Oito anos mais tarde, a UE ainda não desenvolveu um Plano de Acção; esta falta de acção está a causar danos nas populações de tubarões que só poderão ser reparados daqui a décadas ou mesmo séculos.
 
4) O que Portugal pode fazer para ajudar os tubarões
Enquanto terceira maior nação pesqueira de tubarão da Europa e com a segunda maior frota de navios de pesca, Portugal tem a responsabilidade de garantir uma gestão pesqueira adequada e programas de conservação para tubarões. A Shark Alliance pede com veemência a Portugal que:
 
Pressione a Comissão Europeia para desenvolver prontamente o devido plano de acção para os tubarões da UE, ajudando assim a garantir que os tubarões recebem a atenção necessária para que haja uma conservação efectiva e uma pesca sustentável;
 
Dê o exemplo a outros Estados-membros da UE de forma a acabar com as excepções à interdição da UE da remoção das barbatanas de tubarão a bordo e a suspender a emissão de autorizações especiais de pesca;
 
Incentive a Comunidade Europeia a propor limites à pesca de tubarão com uma base científica e de prevenção a nível da UE e de órgãos internacionais competentes no domínio da pesca.

5) A Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) é uma instituição portuguesa privada, financeiramente independente. O seu principal objectivo é contribuir para o desenvolvimento de Portugal, fornecendo apoio financeiro e estratégico a projectos inovadores e encorajando a cooperação entre a sociedade civil portuguesa e americana. Para mais informações, ir a www.flad.pt (http://www.flad.pt)
 
6) Em Setembro, Portugal irá receber delegados de todo o mundo no encontro anual da Organização de Pesca do Noroeste do Atlântico (NAFO). Espera-se que os delegados proponham limites à pesca da raia repregada, uma espécie ameaçada. A NAFO é a única organização regional de pescas do mundo a estabelecer um limite para a captura de tubarões, raias ou mantas. Contudo, o limite à pesca da raia que foi estabelecido em 2004, está muito acima daquilo que os cientistas aconselhavam e a população reduzida de raias está longe de mostrar sinais de recuperação. Grupos de membros da Shark Alliance exercem pressão sobre os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá para que cooperem na redução dos limites da pesca da raia, até um nível que possa reduzir o risco de extinção e permita a recuperação da espécie.
 
Video:
http://br.youtube.com/watch?v=2H42bfmbHj4&eurl=http%3A%2F%2Fwww%2Esharkalliance%2Eorg%2Fcontent%2Easp%3Fdid%3D28411


Abraços,
Título:
Enviado por: P44 em Outubro 15, 2007, 08:29:32 am
aahhhhhhhhhhhhhhhhhh e por acaso os tubarões não precisarão de se alimentar...?

Assim de repente veio-me uma ideia á cabeça de como conseguir comida farta para tão interessantes criaturas....
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Outubro 15, 2007, 03:15:33 pm
Epá, não me tirem o cação e a tintureira! Eu adoro comer estes bichanos!
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Enviado por: comanche em Outubro 28, 2007, 05:20:40 pm
Seis semanas isolados no mar para provar que "Portugal não termina nas praias"




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Os longos meses passados sobre as ondas em pesquisas hidrográficas não afectam o moral do capitão-de-fragata Brandão Correia. Ou qualquer dos 34 membros da sua tripulação, treinados para desafiar o tempo na imensidão marítima. Nem as condições atmosféricas mais adversas ensombram as conversas a bordo do D. Carlos I, um dos navios portugueses apetrechados para cartografar o fundo oceânico em toda a plataforma continental adjacente ao território nacional.

"Chegamos a estar três semanas seguidas no mar. Mas quem corre por gosto não cansa", diz ao DN um dos tripulantes. O comandante, diplomado em hidrografia, especifica: "O barco está adaptado às necessidades. Os pisos acima do nível do mar foram especialmente previstos para alojar a tripulação em condições tão confortáveis quanto possível."

Até o Presidente da República ficou impressionado. Cavaco Silva visitou o D. Carlos I e outro navio hidrográfico, o Almirante Gago Coutinho - ambos ancorados no porto da Horta - durante a visita oficial que efectuou na semana passada à Região Autónoma dos Açores. Cavaco teve oportunidade de navegar durante cerca de uma hora num dos navios e não escondeu a satisfação pelo que viu, não perdendo a oportunidade de sublinhar que é tempo de os portugueses voltarem a desenvolver uma relação íntima com o mar.

É o que já fazem o comandante Brandão Correia e os seus subordinados a bordo do D. Carlos I. "Cartografamos toda a plataforma submarina, metro quadrado a metro quadrado, com uma sonda multifeixes. Para mostrarmos a nós próprios que Portugal não termina nas praias", revela o comandante do navio.

Há objectivos políticos por detrás desta missão técnica. Portugal pretende apresentar na ONU, até Maio do próximo ano, um documento em que reivindica a soberania de toda a plataforma submarina até ao limite de 350 milhas. Se for aceite em Nova Iorque, esta pretensão de Lisboa permitirá unir sob a nossa jurisdição toda a área submersa entre o continente e o arquipélago da Madeira. Com as vantagens económicas daí decorrentes, nomeadamente ao nível do aproveitamento das potencialidades do subsolo. A mesma lógica aplicada ao arquipélago dos Açores tornará Portugal um dos países com maior plataforma continental em todo o mundo.

Paralelamente, este navio - tal como o seu "irmão gémeo Gago Coutinho - não deixa de colaborar, sempre que necessário, nas missões que mobilizam todas as outras embarcaçõs da nossa Armada - do salvamento de vidas humanas ao combate ao narcotráfico, passando por operações de fiscalização de pesca. Mas o objectivo principal - cartografar o território português que está debaixo do mar - é o que mais empolga esta gente habituada a uma vida dura. "As missões têm sido compridas, mas as pessoas gostam de estar a bordo", garante Brandão Correia, dizendo-se orgulhoso por saber que tem vindo a fazer "um trabalho para gerações".
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Enviado por: comanche em Outubro 28, 2007, 05:41:30 pm
"Portugal não está de costas para o mar"


Secretário de Estado para os Assuntos do Mar salienta "os novos desenvolvimentos" em matéria de política marítima.

Segunda-feira, 22 de Out de 2007
 
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O secretário de Estado da Defesa e para os Assuntos do Mar, João Mira Gomes, negou esta segunda-feira que Portugal estivesse "de costas voltadas para o mar" e salientou que a política marítima preconizada pela União Europeia abre a parte a novos desenvolvimentos em todos os domínios.

"Para além das actividades tradicionais, como a pesca, os transportes ou os portos, existem novas potencialidades, como é o caso do turismo, o aproveitamento das biotecnologias limpas, novas plataformas de transportes ou ainda o acesso eventual a outras fontes de riqueza propiciadas pelo projecto da extensão da Plataforma continental", declarou.

Noventa por cento dos turistas que procuram Portugal para passar as férias, passam-nas junto ao mar, disse ainda. Mira Gomes respondia a questões dos jornalistas numa conferência de imprensa no intervalo dos trabalhos da Conferência Ministerial da União Europeia sobre a Política Marítima, a decorrer no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

Também o comissário para os Assuntos do mar, Joe Borg, presente na Conferência, considerou que Portugal tem toda a vantagem em desenvolver a política marítima e, em termos europeus, pode até ambicionar a liderá-la, apresentando seu caso como um exemplo de que é possível maximizar o uso dos oceanos.

"Portugal é um país com uma grande costa e é uma das grandes nações marítimas, portanto, só pode ter benefícios em desenvolver estas políticas", afirmou o comissário, sugerindo uma "maximização dos recursos", nomeadamente no que diz respeito ao transporte marítimo, sector em que o país poderia tirar grande partido devido à sua localização estratégica.


A Conferência ministerial, que foi aberta segunda-feira de manhã pelo primeiro-ministro José Sócrates e o presidente da Comissão, Durão Barroso, é a primeira no âmbito da União que reúne os ministros ou responsáveis pelos assuntos do Mar e que teve como convidados especiais os representantes da Noruega e da Islândia.

A política marítima é, aliás, uma das prioridades da presidência portuguesa, para além de, no âmbito da Comissão Europeia, ter sido uma das 'inovações' de Durão Barroso, que criou um posto de comissário dedicado ao assunto. Há 15 dias, foi aprovado o 'Livro Verde' sobre este tema e um plano de acção que prevê mais de 30 iniciativas em todos os sectores, que estão a ser discutidas na conferência.

Neste âmbito, os ministros também debateram a melhor maneira de, em cada Estado-membro, haver uma melhor organização horizontal e vertical, a fim de haver uma articulação das políticas relativas a cada sector abrangido pela política marítima.

Os desafios de Sócrates...

Na abertura da conferência, José Sócrates salientou que Portugal, devido à sua história e posição geoestratégica é "particularmente sensível" a um tema que, segundo disse, é crucial para a própria União.

Trata-se de um "desafio económico", uma vez que a União ocupa um lugar cimeiro nos vários sectores da economia ligada ao mar e um "desafio ambiental e climático", mas também um "forte investimento no conhecimento, investigação e inovação marinha", e uma dimensão significativa de segurança, disse.

"Só poderemos responder a estas exigências com eficácia se ordenarmos o território marítimo, gerirmos de forma integrada as zonas costeiras e construirmos uma fronteira externa comum", declarou ainda.

... e a dimensão do mar, segundo Barroso

Por sua vez, Durão Barroso destacou a "dimensão marítima" da UE, recordando que a Europa dispõe de 70 mil quilómetros de orla costeira, dois oceanos e quatro mares e que o desenvolvimento de uma política marítima era fundamental para a União responder ao desafio da globalização.

Mais de 40% dos europeus vivem nestas regiões e cerca de 90% do comércio externo da UE circula pela rede marítima. Entre três e cinco por cento do produto Interno Bruto europeu é produzido pelas indústrias e serviços relacionados com o mar, salientou.

O presidente da Comissão Europeia advertiu, além do mais, que era urgente o combate à degradação do ambiente marinho e sublinhou que a Comissão já propôs medidas contra as práticas de pesca destrutiva e ilegal.

Desta Conferência deverão resultar conclusões tendo em vista obter uma declaração política do Conselho Europeu, em Dezembro próximo.
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Enviado por: comanche em Outubro 29, 2007, 12:04:26 pm
Navios mapeiam plataforma continental na costa de Portugal

11/10/2007


Objetivo é definir com precisão a extensão da plataforma portuguesa

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Desde 2004, dois navios hidrográficos portugueses já mapearam uma área marítima superior a sete vezes o território de Portugal.

Tendo em vista a extensão da plataforma continental portuguesa, estes dois navios mapearam mais de 700 mil quilômetros quadrados. Para efeitos de comparação, a área de Portugal é de 92 mil quilômetros quadrados.

A maior parte do trabalho foi feito pelo navio D. Carlos I, que iniciou a sua campanha em 2004. Este ano, a missão foi reforçada pelo navio Almirante Gago Coutinho.

Entre as missões destes dois navios da Marinha Portuguesa está a tarefa de fornecerem dados científicos à unidade de missão para a extensão da plataforma continental, que Portugal ambiciona extender até ás 350 milhas. Todos os países têm de apresentar suas propostas de extensão das respectivas plataformas continentais, à ONU até 13 de maio de 2009.

Trabalho para várias gerações

Aos jornalistas portugueses, o Comandante do navio D. Carlos I, o capitão-de-fragata Brandão Correia, afirmou que este é um trabalho para gerações, não só por permitir expandir a jurisdição de Portugal para novos espaços físicos, mas também pelo significado em termos de atualização da cartografia náutica.

O comandante Bandão Correia, afirma ainda que Portugal está reforçando a sua soberania, explicando que o trabalho destes dois navios é também uma afirmação internacional da capacidade científica dos portugueses.

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Enviado por: comanche em Junho 08, 2008, 09:52:31 pm
Ciência: Lusoexpedição ruma hoje para mais uma "aventura" no banco de Gorringe

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Lisboa, 06 Jun (Lusa) - Cerca de 30 estudantes universitários, biólogos e oceanógrafos partem hoje numa expedição oceanográfica, a bordo do navio Creoula, em direcção ao banco de Gorringe, para estudar a biodiversidade deste local longínquo, a 500 quilómetros da costa portuguesa.

Os investigadores que integram a Lusoexpedição Olympus 2008, que se realiza este ano pela terceira vez, vão centrar a sua atenção sobre as alterações anuais na flora e fauna destas montanhas submarinas, identificação de novas espécies ou possibilidade de usar venenos produzidos por organismos marinhos na biomedicina, refere a organização num comunicado.

A missão, coordenada pelo vice-reitor da Universidade Lusófona, Manuel Pinto de Abreu, passa também pela caracterização de zonas remotas do mar português, quando se aproxima a data para entregar o projecto que vai permitir expandir o território marinho sobre jurisdição portuguesa nas Nações Unidas (2009).

O banco de Gorringe é um grupo de montanhas actualmente submersas mas que foram outrora verdadeiras ilhas, abrigando espécies únicas no mundo há muito isoladas dos continentes e das outras ilhas actuais.

"Como o impacto humano é muito reduzido devido ao seu isolamento, estes ecossistemas funcionam também como excelentes termos de comparação para a avaliação de outras zonas mais intervencionadas, como as costas de Portugal continental e ilhas", sublinham os organizadores da Lusoexpedição.

A expedição conta com a participação de várias instituições: Universidades Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Universidade Fernando Pessoa, Universidades de Lisboa, do Algarve, de Sveiro e dos Açores, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e University of Amsterdam.

O Creoula sai hoje da base naval do Alfeite e regressa ao mesmo sítio no próximo dia 15 de Junho.

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Enviado por: Jorge Pereira em Maio 07, 2009, 01:12:12 am
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Mais "chão" do Atlântico reivindicado por Portugal

Plataforma continental mais extensa do que cientistas pensavam.

Proposta segue para a ONU
2009-05-05
EDUARDA FERREIRA

A investigação científica levou mais a fundo as pretensões portuguesas quanto à área sob sua soberania. A proposta chega às Nações Unidas na próxima semana. O nosso domínio territorial, em mar e solo, pode duplicar.

Contando com terra firme, Zona Económica Exclusiva (ZEE) e Plataforma Continental, Portugal pretende ver reconhecido o direito sobre cerca de três milhões de quilómetros quadrados. Os trabalhos de reconhecimento do fundo marinho começaram em 2005. Eles tinham de provar até onde chega a plataforma terrestre em que assentam a parte continental do país bem como da Madeira e dos Açores. A Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar, que Portugal ratificou, admite que os países com mar reivindiquem a posse do fundo marinho e seus recursos, se eles forem a continuação morfológica da plataforma continental em que assentam na parte visível e sólida.

Coube à Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental colher provas. O seu chefe, Pinto de Abreu, coordenou como cientista outros pares de diversas formações (da Biologia à Física e à Quimica, entre outras). Em vésperas do encerramento desta fase do processo de candidatura (que admite algumas especificações posteriores), ele resume as aspirações nacionais confirmadas por dados.

Há uma continuidade entre Portugal continental, a Madeira e os Açores, como se de uma zona de passadiço entre marés se tratasse. Os mapas de levantamento do fundo marinho feito com recurso a processos sofisticados de batimetria e recorrendo muito a sonares mostram que essa plataforma, nos Açores, vai além dos 630 quilómetros a partir das ilhas (350 milhas). A forma do fundo submarino e, em algumas zonas, as suas características, por exemplo em relevos e geoquímica, foram "batidos" pelos equipamentos instalados em navios oceanográficos e pelos sentidos do Veículo de Operação Remota (ROV). Os resultados permitiram determinar, na maior parte dos limites e com grande aproximação, onde acaba a crusta continental e começa a crusta oceânica.

Os levantamentos feitos em pleno Oceano Atlântico abrangeram 1,8 milhões de quilómetros quadrados. As aspirações portuguesas sedimentaram-se em 1,370 milhões, área que não está longe da fasquia máxima calculada inicialmente (1,4 milhões). É isso que leva Pinto de Abreu a afirmar que "somos um país de pelo menos três milhões de quilómetros quadrados", contando com terra e ZEE.

Mas não é só isto que se acrescenta; "há muitos conhecimentos novos" surgidos desta aventura de exploração do relevo e constituição de quanto está submerso, em profundidades abissais que podem exceder os seis quilómetros atingíveis pelo ROV. "Há muitos casos em que encontrámos uma realidade nova", garante Pinto de Abreu.

Em 2013 deverá haver uma resposta das Nações Unidas (Comissão de Limites) mas, entretanto, há que afinar dados para a chamada final de avaliação do candidato, dentro de dois anos. Nesse meio tempo, algum do material genético recolhido na profundidade será analisado. "É preciso calma e visão do futuro", afiança Pinto de Abreu.

Fonte (http://http)


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Enviado por: comanche em Maio 10, 2009, 08:45:42 pm
Portugal quer aumentar mais de 20 vezes a sua área


Alargamento da plataforma continental entregue amanhã na ONU


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Portugal vai ficar maior. A proposta de extensão da plataforma continental é entregue amanhã nas Nações Unidas e reclama a jurisdição de um fundo de mar que ultrapassa largamente os 1,4 milhões de quilómetros quadrados inicialmente previstos. São, afinal, mais de dois milhões de quilómetros quadrados, o equivalente a mais de 23 vezes a área do continente.

É um mundo novo submerso que pode esconder preciosos recursos minerais, genéticos e biológicos ao alcance dos cientistas portugueses. E, enquanto se espera pela decisão da Comissão de Limites da Plataforma Continental que pode demorar quatro anos, a equipa que preparou a proposta promete continuar a descobrir novos limites deste território.

Nos últimos anos, a equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) esforçou-se por reunir todos os dados e argumentos científicos capazes de convencer as Nações Unidas de que o território português se prolonga além das 200 milhas náuticas (370 quilómetros) da chamada Zona Económica Exclusiva. A prova científica não significa que, por exemplo, Portugal possa vir a pescar mais longe. Trata-se da definição de novas fronteiras no subsolo oceânico, sem que isso tenha qualquer efeito na coluna de água. Mas então qual é o interesse nisso? "Há um novo mundo. Um mundo de descoberta", anuncia Pinto de Abreu, o engenheiro hidrógrafo e oceanógrafo físico que coordena a EMEPC, apostando no campo da biotecnologia com origem no mar.

As previsões de alargamento do território submerso mais optimistas foram ultrapassadas e é mesmo provável que ainda possam aumentar nos próximos anos. Havia dois cenários possíveis: um alargamento minimalista (240 mil quilómetros) e um mais optimista (com o fundo português a estender-se por 1,3 milhões de quilómetros quadrados). "O que está proposto é mais que o mais optimista, são mais de dois milhões de quilómetros quadrados", adianta Pinto de Abreu, fazendo as contas: são mais de 23 vezes a área de Portugal continental. Mas, mais do que isso, enquanto espera a decisão das Nações Unidas, a equipa da EMEPC não vai ficar de braços cruzados e é possível que consigam levar ainda mais longe estes limites. "Vamos continuar a trabalhar. Neste momento, explorámos ao máximo os dados que tínhamos. No entanto, há áreas que não sabemos se para lá do sítio aonde chegámos podemos ir mais. Porque não temos dados", explica o coordenador da EMEPC. Para já, acrescenta, tudo o que existe são alguns sinais promissores. Há, por exemplo, amostras recolhidas noutros projectos e noutras zonas que mostram um património semelhante ao que foi encontrado na nossa plataforma dos Açores. Sendo assim, é provável que se esteja perante um prolongamento dessa massa terrestre. "Vamos fazer o aproveitamento da continuidade geoquímica do território e haverá possibilidades de estender para leste e para oeste dos Açores. Poderemos vir a crescer ainda mais", arrisca.

Novo mergulho em Setembro

A tese das novas fronteiras portuguesas só deverá ser defendida dentro de dois anos, quando estiver constituída a subcomissão que vai avaliar a proposta da EMEPC. Assim, a equipa tem dois anos para trabalhar e verificar se, afinal, está tudo incluído ou não. "Em Setembro vamos novamente para o mar fazer novos cruzeiros", avisa Pinto de Abreu. E, nessa altura, é provável que o navio oceanográfico leve a bordo outros tripulantes além da equipa da EMEPC. "O nosso interesse e grande empenho é trazer o maior número de investigadores nacionais a dedicar-se a este material que nós temos e que ainda vamos recolher".

Uma equipa de centenas de pessoas ajudaram a fazer a proposta. O primeiro levantamento dedicado foi a 13 de Janeiro de 2005 e os últimos levantamentos hidrográficos para recolha de dados que foram incluídos no processo de candidatura terminaram no final de Março deste ano, na área dos Açores. Agora, será necessário esperar pela decisão. "Em 2013 devemos ter este processo concluído".

Portugal não é único país a reclamar a extensão da sua plataforma, como permite a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Os primeiros foram os russos, em 2001, mas mais de trinta países já o fizeram. Muitos viram a sua pretensão negada.

"Há países que conseguem provar uma extensão da plataforma olhando apenas para a forma do fundo submarino. Fazem uma sondagem simples, descobrem qual é a forma e conseguem", nota. Para nós não foi, nem será, tão fácil. "Nós temos tudo. A nossa área, que se estende desde a planície do banco da Galiza até ao extremo dos Açores, é complicada e diversa. Se compararmos o Sudoeste da Madeira com o Norte de Portugal, não têm nada a ver um com outro".

Pinto de Abreu lembra: "Se pensarmos hoje, temos mais países com capacidade de fazer exploração aeroespacial do que ir ao fundo do mar. Nós estamos lá e temos essa capacidade. Nós podemos ir lá e chegar a todos os pontos do mar português".


http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1379661 (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1379661)
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Enviado por: legionario em Maio 11, 2009, 01:48:07 pm
Nao tenho muita fé que as nossas pretençoes sejam bem recebidas... e se forem, o mais certo é levarmos com outro ultimatum , ou no melhor dos casos, seremos proprietarios na forma, mas na pratica serao outros a beneficiar desses recursos.

Mais do que nunca a aquisiçao de submarinos e de outros meios navais se impoe para proteger os nossos interesses.
Título:
Enviado por: comanche em Maio 11, 2009, 10:21:14 pm
E se Portugal aumentasse de tamanho?

Portugal entrega hoje na ONU uma proposta para a extensão da sua plataforma continental, ou seja, o fundo de mar que Portugal quer reclamar como seu.


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Fazer com que a área de jurisdição nacional seja muito maior que a actual, é o que se pretende numa batalha que é sobretudo diplomática.

Depois de quatro anos de estudos e de um investimento de 15 milhões de euros, o projecto está pronto e dá a possibilidade de Portugal estender a sua zona marítima em mais 150 milhas. Em causa estão “novos recursos naturais que podem ser economicamente muito importantes”, reconhece João Mira Gomes, secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, que sublinha que este passo “é mais do que uma afirmação de soberania”.

Milhares de amostras recolhidas ao longo destes anos dão a certeza da existência de recursos naturais muito ricos no fundo do mar que Portugal reclama como seu.

E não é só petróleo ou gás natural que se sabe estar no subsolo marítimo: metano, ouro, níquel, cobre, zinco e cobalto são outras riquezas que podem ser exploradas.

Quanto vale este terreno no fundo do mar, o Governo português diz não poder afirmar, mas uma coisa é certa, as potencialidades são imensas e abrem oportunidades económicas muito importantes a vários níveis.

Após quatro anos de estudos com os maiores especialistas portugueses (e não só) sabe-se com certeza que está em causa uma zona rica, um “oásis da vida marinha” - como lhe chamam os biólogos que fizeram parte da equipa que elaborou a proposta.

O arquipélago dos Açores é a área onde a extensão da plataforma é maior, uma vez que o alargamento não colide com outras zonas económicas exclusivas.

Só em 2013 se vai saber a resposta das Nações Unidas, cuja convenção do Direito do Mar prevê que os países podem reclamar território no fundo do mar até às 350 milhas. Isto se conseguirem provar que ele tem características contínuas.

Em várias partes do globo, há territórios, à superfície ou subterrâneos, que continuam a ser disputados. Para o nosso país, depois, “há que ter meios para controlar este novo Portugal”, avisa o General Loureiro dos Santos, especialista em geo-estratégia.

Conheça aqui o projecto de expansão da plataforma continental.

http://www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx ... tId=286335 (http://www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&ContentId=286335)


Portugal entrega hoje nas Nações Unidas (ONU) a proposta para duplicar a Zona Económica Exclusiva (ZEE) dos actuais 1,8 milhões de quilómetros quadrados para os 3,6 milhões. "Para nós este processo é tão importante como foram os descobrimentos", afirmou o secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar.



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"São os descobrimentos do século XXI", disse em entrevista à Agência Lusa João Mira Gomes.
Nos últimos 4 anos, a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental realizou a proposta a entregar na ONU e que pretende a duplicação da ZEE portuguesa.

Para que a ONU "aceita a proposta portuguesa, o projecto tem de provar que existe uma continuidade geológica entre a nossa plataforma actual e o resto, encontrar denominadores e composições comuns através das amostras", disse à Lusa o secretário de Estado.

A importância em aumentar a Zona Económica Exclusiva

"A energia é um dos aspectos essenciais, não só as energias fósseis, como o petróleo ou o gás, mas também os minérios e moléculas que podem ser utilizadas na indústria farmacêutica. Tudo isto são áreas que existem (no espaço marítimo nacional) embora não saibamos ainda toda a sua dimensão e todo o seu valor, apesar de sabermos que nos dias de hoje estes são sectores muito importantes", disse Mira Gomes.

Outra situação avaliada com este aumento é a possibilidade de se iniciar "o armazenamento no fundo do mar de dióxido de carbono na atmosfera".

Apesar de a proposta chegar hoje à ONU, o processo está em aberto, ou seja, Portugal pode "acrescentar elementos à sua proposta durante a avaliação", disse o secretário de Estado.

A decisão final não deverá ser conhecida antes de 2013 ou 2014.


http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Portugal- ... ut=10&tm=8 (http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Portugal-quer-duplicar-ZEE.rtp&article=219024&visual=3&layout=10&tm=8)[/b]


Plataforma Continental: Portugal entregou hoje proposta para duplicar extensão na ONU

Lisboa, 11 Mai (Lusa)- Portugal submeteu hoje à apreciação das Nações Unidas (ONU) a sua proposta de extensão da plataforma continental que, caso seja aceite, irá estender a área sob jurisdição portuguesa até aos 3,6 milhões de quilómetros quadrados.


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Lisboa, 11 Mai (Lusa)- Portugal submeteu hoje à apreciação das Nações Unidas (ONU) a sua proposta de extensão da plataforma continental que, caso seja aceite, irá estender a área sob jurisdição portuguesa até aos 3,6 milhões de quilómetros quadrados.

O projecto português entregue hoje em Nova Iorque - e que foi acompanhado por projectos do Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde - propõe a extensão da plataforma continental para o dobro e não da Zona Económica Exclusiva (ZEE), rectificou o ministério da Defesa.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar, João Mira Gomes, explicou a importância deste projecto - que levou quatro anos a ser elaborado - para o país e referiu algumas das áreas que Portugal pode explorar com a aprovação desta proposta, como a energia.

"A energia é um dos aspectos essenciais, não só as energias fósseis como o petróleo ou o gás, mas também os minérios e moléculas que podem ser utilizadas na indústria farmacêutica. Tudo isto são áreas que existem [no espaço marítimo nacional] embora não saibamos ainda toda a sua dimensão e todo o seu valor, apesar de sabermos que nos dias de hoje estes são sectores muito importantes", afirmou Mira Gomes.

João Mira Gomes disse ainda que, em termos ambientais, Portugal poderá iniciar o "armazenamento no fundo do mar de dióxido de carbono da atmosfera".

A Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, chefiada pelo engenheiro hidrográfico e oceanógrafo Manuel Pinto de Abreu, elaborou a proposta ao longo dos últimos quatro anos, onde através da ONU, Portugal pede à Comissão de Limites de Plataformas Continentais (CLPC) a duplicação da sua plataforma continental, que passa dos actuais 1,8 milhões de quilómetros quadrados para os 3,6 milhões.

"Foram feitos mais de 1,8 milhões de quilómetros quadrados de levantamentos geográficos e geológicos, foram mais de 950 dias de mar", referiu o secretário de Estado, sobre este projecto que envolveu um grupo fixo de 24 especialistas [entre cientistas, biólogos, geólogos e juristas] e outro grupo flexível que chegou às 70 pessoas.

A elaboração do projecto português contou também com o auxílio da Marinha Portuguesa, ao nível do Instituto Hidrográfico, e com a participação de oficiais e equipamento, e do 'Remote Operated Vehicle' (ROV), um robô submarino com capacidade de trabalhar até 6 mil metros de profundidade e que só existe em mais cinco países da Europa.

"Para que a Comissão de Limites de Plataformas Continentais aceite a proposta portuguesa, o projecto tem de provar que existe uma continuidade geológica entre a nossa plataforma actual e o resto, encontrar denominadores e composições comuns através das amostras", afirmou João Mira Gomes, referindo que em todo o processo foram retirados "mais de 10 milhões de toneladas de rocha".

"Para nós, este processo é tão importante como foram os descobrimentos, são os descobrimentos do século XXI", considerou.

O secretário de Estado da Defesa disse ainda que Portugal pode "entregar e acrescentar elementos à sua proposta durante a avaliação" mas que não é previsível que seja conhecido o veredicto sobre o projecto português "antes de 2013 ou 2014".

"O trabalho não acaba na segunda-feira [hoje], estamos a trabalhar com países como Cabo Verde [na extensão da plataforma daquele país] e lançamos também uma proposta no âmbito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, para que se estabeleça uma estratégia para os oceanos", disse João Mira Gomes.

O governante defendeu que, dado ser um "país de referência no âmbito do mar", Portugal tem "mais trabalho a fazer" depois da entrega proposta de extensão da plataforma continental: "Temos outras vertentes a trabalhar, temos de nos organizar para fazer o aproveitamento das novas riquezas, há uma segunda etapa deste trabalho que vai requerer organização, parcerias com outros países, com empresas e com instituições".

ATF.

Lusa/fim


http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stori ... ies/513892 (http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/513892)
Título:
Enviado por: comanche em Maio 11, 2009, 11:04:44 pm
Objectivos da extensão da Plataforma Continental



Citar
Projecção Internacional – melhor know how e mais visibilidade
 
A extensão da Plataforma Continental dará a Portugal a oportunidade de demonstrar no plano internacional conhecimento e capacidade científico-tecnológica no domínio dos mares e das ciências do mar.
 
Afirmação Estratégica – mais território e maior controlo marítimo
 
A aposta na extensão da Plataforma Continental significa o reforço inequívoco da posição de Portugal em matérias relativas ao mar e aos oceanos.
 
Equipamentos Científicos – novas tecnologias, maior operacionalidade
 
Para a fundamentação da proposta de extensão este projecto aplicou investimento em componentes I&D inovadores.
 
Desenvolvimento Científico – mais investigação e melhor conhecimento
 
Com este projecto serão lançadas iniciativas ímpares ao nível da I&D científicos, nomeadamente em áreas como a hidrografia, a geologia, a geofísica e o direito internacional, através da aposta no reforço do corpo científico nacional e na integração de jovens investigadores no projecto.
 
Impactes Socio-Económicos – mais riqueza e melhor qualidade de vida
 
Da concretização deste objectivo resultarão importantes benefícios potenciais ao nível da economia, da biotecnologia e da saúde.
 
Legado Futuro – melhor futuro
 
Este projecto permitirá a Portugal assumir-se, cada vez mais, como uma importante nação marítima europeia, constituindo, ao mesmo tempo, um legado para as gerações futuras, que poderão vir a usufruir e a explorar esta vasta zona marinha.
 


http://www.emepc.gov.pt/iprojecto.php (http://www.emepc.gov.pt/iprojecto.php)
Título:
Enviado por: Mike23 em Maio 28, 2009, 06:02:37 pm
O Novo Portugal!


(http://img29.imageshack.us/img29/4812/nzee.gif)


http://www.emepc.gov.pt/missao.php (http://www.emepc.gov.pt/missao.php)
Título:
Enviado por: Ataru em Maio 28, 2009, 08:37:31 pm
Olhe que eu acho que vai ficar maior... pelo menos lembro-me de um mapa em que aparecia uma zona mais extensa...
Título:
Enviado por: TOMSK em Maio 28, 2009, 08:59:00 pm
Afinal Salazar sempre tinha razão:

(http://i380.photobucket.com/albums/oo246/panzer18/portyuaaas.jpg)

 :anjo:  :P
Título:
Enviado por: Ataru em Maio 28, 2009, 09:05:04 pm
Fixe fixe era haver uma erupção vulcanica no meio do atlantico norte que criasse uma ilha e a nossa ZEE aumentava mais uns milhões lol
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: zocuni em Novembro 01, 2009, 11:06:44 pm
Muito bom.Tem havido continuidade nas pesquisas?Haveria alguma novidade.

Abs,
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Jorge Pereira em Março 18, 2010, 12:51:42 pm
Citar
Portugal explica à ONU ambição de mais mar

Reivindicação de soberania sobre fundo oceânico é defendida em Abril
00h30m

No próximo dia 13 de Abril, em Nova Iorque, é feita a apresentação formal das pretensões portuguesas de soberania sobre mais de dois milhões de quilómetros quadrados de fundo marinho. O país está, como mais outros 50, na corrida aos recursos lá escondidos.

Cabe ao coordenador da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) sintetizar numa hora o conteúdo de cerca de 28 mil páginas de estudos elaborados nos últimos anos. Trata-se de fundamentar as pretensões de Portugal a ver reconhecida soberania sobre fundos oceânicos que sejam a continuação morfológica do continente e dos arquipélagos. Pinto de Abreu terá essa tarefa perante a Comissão sobre Limites da Plataforma Continental, um órgão que entregará o processo a uma sub-comissão técnica que, por sua vez, o submeterá a um plenário. São os meandros complexos a cumprir à luz da Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar, a qual prevê precisamente que os países requeiram o reconhecimento da extensão da plataforma continental.

Até agora, deram entrada nas instâncias da ONU 51 pedidos de reconhecimento por parte de outros tantos países. O pedido de Portugal tem o número de ordem 44. As decisões sobre o processo só deverão ser tomadas depois de 2012.

Para fundamentar as suas pretensões, Portugal tem mantido a funcionar um núcleo de 24 pessoas e, através de parcerias com institutos científicos, mais cerca de 150 especialistas em diversos domínios. Nos diversos cruzeiros para reconhecimento do fundo do Atlântico foram recolhidas amostras geológicas e biológicas, algumas requerendo análises nucleares que demoram mais de um ano a revelar resultados. Também foi adquirido um veículo robotizado (ROV) que permite, com imagem, direccionar a recolha de amostras a grande profundidade. Os trabalhos têm dado já como fruto uma série de artigos científicos, um dos quais suscitou o maior interesse a nível mundial, sobre as origens de uma cratera marinha em forma de ovo estrelado, descoberta perto dos Açores. Impacto de meteorito ou estrutura de gás, a questão pode alterar teorias sobre a formação dos oceanos.

Segundo disse Pinto de Abreu ao JN, a prospecção de riquezas naturais só agora vai passar a ser mais central. Mas foi possível recolher amostras com bom teor em cobalto, níquel e terras raras, estas utilizáveis em novas ligas e em material informático. O topo de um sedimento recolhido revelou uma multitude de material vivo. As expectativas dirigem-se mais para os recursos naturais vivos, por exemplo através da revelação de moléculas com interesse para a indústria farmacêutica.

Fonte (http://http)

 
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Jorge Pereira em Março 19, 2010, 12:44:26 pm
Citar
Área portuguesa de fundo marinho é das mais vastas



Portugal deverá ficar com a segunda mais extensa plataforma continental do mundo, logo a seguir aos EUA, admitiu ontem o responsável pela missão científica com a tarefa de recolher dados para fundamentar o reconhecimento de mais território por parte da ONU.

Pinto de Abreu acrescentou que o estudo já feito dos fundos submarinos revela potencialidades sobretudo no domínio da biotecnologia e energia.

Cerca de 10% das riquezas a explorar nos fundos oceânicos do mundo poderão caber a Portugal se a iniciativa de prospecção, exploração e desenvolvimento for sobretudo direccionada para aplicações no domínio da saúde, cosmética e energia. Já há exemplos de moléculas retiradas de esponjas e outros seres do fundo marinho que deram origem a medicamentos para o herpes , o VIH-sida e para anti-cancerígenos. Um mercado de milhares de milhões de euros por ano. No Pacífico, onde não há extensões de plataforma, países como os EUA e a Índia já implantaram explorações destes recursos naturais vivos, o que é feito até 800 metros de coluna de água. Ora, segundo Pinto de Abreu, a exploração portuguesa já recolheu material a mil metros e está dotada dos melhores meios para ir até mais fundo com o pequeno submarino robotizado.

Foram estas potencialidades que também o secretário de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar evocou ontem, numa sessão nas instalações do Instituto Hidrográfico. Disse Marcos Perestrello que esta "conquista territorial" fornece bases para que a iniciativa de empresas sintetizada no documento Hypercluster do Mar se concretize em actividades económicas de vanguarda. Portugal reivindicou dois milhões e 150 mil quilómetros quadrados de extensão da sua plataforma continental.

Fonte (http://http)

Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lusitano89 em Março 19, 2010, 01:18:02 pm
Ó mar salgado, quanto do teu sal são... euros para Portugal


Numa pequena área a norte dos Açores, as profundezas do mar escondem cobalto suficiente para 25% das necessidades mundiais do metal. Um pequeno tesouro que pode representar 217 milhões de euros/ano de valor líquido para a economia lusa, metade do rendimento de uma das maiores minas do mundo.

É uma área de 1600 quilómetros quadrados, onde, além de cobalto, há níquel e cobre. Para pôr esta dimensão em perspectiva: Portugal ambiciona ter uma plataforma de 4 milhões de quilómetros quadrados - mais de duas vezes o território da Península, França, Alemanha, Reino Unido e Itália.

O exemplo do cobalto, dado por Manuel Pinto de Abreu, responsável pela missão portuguesa encarregada de garantir a extensão da plataforma continental do país [infografia], serve para ilustrar a importância da última guerra na Terra: a soberania sobre o mar. "O Brasil está preocupado porque há navios alemães e russos na fronteira da plataforma continental brasileira à procura de hidrocarbonetos [petróleo]", relatou o responsável. Na zona em que Portugal procura estender a sua plataforma, há também uma hipótese de encontrar petróleo. "Assim esperamos", diz.

Neste campo, Portugal parece não estar para brincadeiras. "A nossa equipa está no top 5 das mais bem equipadas a nível mundial", assegurou o responsável. O caso não é para menos. "Está em jogo um novo mapa de soberanias, que vai alterar por completo a geopolítica mundial", diz. Juntando as soberanias das nações de língua portuguesa, a influência deste grupo de países pode disparar. "Domingo vamos discutir com os países da CPLP os processos de extensão", apontou Marcos Perestrello, secretário de Estado da Defesa.

A equipa portuguesa que prepara este dossiê vai, a 13 de Abril, apresentar os fundamentos nacionais à ONU. A requisição pode demorar 3/5 anos a ser oficializada. Portugal conta com uma plataforma de 1,85 milhões de quilómetros quadrados, querendo estendê-la mais 2,15 milhões.

Ionline
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: sergio21699 em Março 19, 2010, 01:59:05 pm
Se isto for aceite e Portugal ficar efectivamente com mais mar, teremos meios suficientes para patrulhar as águas ou iremos precisar de mais meios (isto na vossa opiniao claro)?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Duarte em Março 19, 2010, 03:20:09 pm
Com mais costa não, ficamos é com mais mar  :D

A concretizar-se este alargamento, a opção pelo 3o. submarino deverá ser tomada, e pelo menos mais uma série de 4 NPOs (melhorados, com hangar para heli) e mais 2 fragatas, de preferência novas, senão corremos o riscio de ficar com uma frota de escolatdores que em 18-20 anos tem que ser toda substituída ao mesmo tempo..
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: sergio21699 em Março 19, 2010, 05:11:58 pm
Citação de: "Duarte"
Com mais costa não, ficamos é com mais mar  :D
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Jorge Pereira em Abril 15, 2010, 06:40:31 pm
Citar
Portugal explica pretensão ao solo no fundo oceânico

Proposta à ONU de extensão da plataforma continental é hoje defendida em Nova Iorque. País maior após 2013

2010-04-13
EDUARDA FERREIRA

Numa hora, pela voz do oceanógrafo Pinto de Abreu, Portugal apresenta hoje à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas as linhas definidoras do solo marinho que quer acrescentar à sua soberania.São mais de dois milhões de Km2.

Para além das 200 milhas que envolvem o seu território com oceano (Zona Económica Exclusiva), Portugal pretende reivindicar cerca de dois milhões e 150 mil quilómetros quadrados de fundos oceânicos que são o prolongamento natural da estrutura geológica do continente das ilhas. Hoje, o país dá mais um passo junto da comunidade internacional para ver reconhecida essa soberania. Já havia, no ano passado, apresentado às Nações Unidas alguma da fundamentação. Mas hoje arranca o ciclo de passagem pela comissão que vai, à luz do direito internacional do mar.

A última corrida

Potugal "corre o risco" de ficar com a segunda plataforma continental mais extensa do Mundo, a seguir aos EUA. Segundo Pinto de Abreu, coordenador da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), este processo está a ser seguido por 51 países, sendo que "a derradeira corrida na Terra é aos oceanos". Se as pretensões nacionais forem atendidas, "poderão caber a Portugal mais de 10% da exploração potencial de riquezas no solo e subsolo marinhos". E este "é um jogo duro, com muitos interesses", já que estão em causa recursos de muita natureza, desde os biológicos, interessantes para a área da biomedicina, aos energéticos. A exploração de gás metano, para não falar do petróleo e de metais (cobalto, níquel e cobre), é uma das probabilidades.

Missão para muitos anos

A fundamentação jurídica e científica entregue por Portugal às Nações Unidas já em Maio do ano passado traduziu-se em dossiês de quase 30 mil páginas. Muitas delas, a que recentemente mais documentos foram acrescidos, traduzem os resultados de cruzeiros científicos feitos ao longo dos últimos anos. Foram recolhidas amostras de solo e subsolo marinhos e feito o levantamento do relevo sob o oceano que fica à frente do continente e em redor da madeira e Açores. Com a ajuda de um submarino robotizado que pode descer a seis mil metros de profundidade, o último ano e meio de pesquisas revelou algumas surpresas, como a de uma formação geológica marinha em forma de ovo estrelado e que levanta a hipótese de ali estarem presentes hidrocarbonetos.

"O país pode estar a caminho dos quatro milhões de quilómetros quadrados", sendo o território a seco a menor porção. A conta assim feita por Pinto de Abreu ainda terá que ser sujeita a longo exame por uma comissão da ONU e pelo plenário da mesma comissão que reúne apenas duas vezes ao ano, com eleições de permeio. Assim, só talvez depois de 2012 a proposta de Portugal comece a ser analisada. Entretanto, não cessam os trabalhos científicos da EMEPC que, até 2014 mantém a verba estatal de quatro a cinco milhões de euros. Até esta fase, os trabalhos científicos visaram sobretudo mostrar até onde se prolonga a base do continente. A prova de recursos naturais com interesse vai ter, a partir de agora, maior peso na prospecção.

Fonte (http://http)

 
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: typhonman em Abril 15, 2010, 10:04:40 pm
Espero que os UAV´s de "long endurance" para vigilância destas riquezas sejam uma opção de futuro...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: nelson38899 em Abril 15, 2010, 10:22:42 pm
Citação de: "typhonman"
Espero que os UAV´s de "long endurance" para vigilância destas riquezas sejam uma opção de futuro...

Espera sentado porque de pé cansas-te!
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Maio 01, 2010, 01:39:32 am
Agora a questão é: quem é que neste momento realiza trabalho mais interessante? A Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar, ou a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Maio 03, 2010, 08:23:38 pm
do Expresso do passado sábado

(http://img132.imageshack.us/img132/4121/mar1j.jpg)
(http://img405.imageshack.us/img405/7070/mar2l.jpg)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: dc em Maio 04, 2010, 10:23:15 am
Boas

Porque é que o governo ainda não começou a investir na economia do mar?
É que eles devem ser burros, pois investem na construção de auto-estradas, querem construir o
TGV que são coisas que quase não dão lucro nenhum e são carissimos, em vez de investir em coisas que dão
verdadeiro lucro. :evil:
Será que é preciso fazer-lhes um desenho.

Cumps
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabecinhas em Maio 04, 2010, 10:56:22 am
Porque Madrid iria ficar numa posição diminuída!
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Julho 19, 2010, 12:18:55 pm
Quem viu ontem a reportagem da SIC sobre a expedição às desertas?

Ah pois, logo vi que não...  :wink:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabecinhas em Julho 19, 2010, 03:27:44 pm
Qual o interessa da Vera Cruz estar numa missão destas e mesmo o Creoula?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Julho 20, 2010, 09:36:36 am
Segundo o artigo da CMFunchal, a Vera Cruz levou estudantes.
De resto, isto não foi propriamente uma operação de cariz militar, foi uma expedição cientifica em que cada metro cúbico extra de capacidade de carga já é uma ajuda. E para isso a vela serve tanto como a hélice. Sei lá, se calhar até fica mais barato, ao preço que o petróleo está!  :)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 22, 2010, 10:44:51 am
O Mar Português, esse Grande Vazio

Já chegámos a isto: o Mar que nos tornou grandes, o mesmo Mar que ainda nos contempla, deixa-nos atordoados. Deixámos de saber bem o que fazer com ele.
No final do século XV, o gigante Adamastor ameaçava-nos pela nossa ousadia de navegar onde mais ninguém se atrevera. Hoje, é o Senhor de Boliqueime que agita a palmatória perante a pasmaceira marítima nacional.

(http://3.bp.blogspot.com/_zWWM5HU-EgY/S8g36R7vjzI/AAAAAAAABrc/vuGEx_CCNKo/s1600/cavaco-silva-2.jpg)

Eu, que nunca fui adepto do Presidente Cavaco, apoio na íntegra o discurso de ontem na abertura do Congresso dos Portos e dos Transportes Marítimos, face ao desgoverno actual das "coisas" políticas neste  país:

«A prioridade da política nacional deve ser o mar, defendeu o Presidente da República no seu discurso de comemoração do 25 de Abril. Um pólo de desenvolvimento que, disse, tornará Portugal mais forte e é “certamente” o desígnio que país precisa. Veja aqui as áreas de negócio apontadas pelo Presidente.

“O mar deve tornar-se uma verdadeira prioridade da política nacional”, defende o Presidente da República. Considera que “abraçando um desígnio marítimo seremos mais fortes” já que “dependeremos menos dos transportes rodoviários internacionais, cada vez mais condicionados pelas políticas europeias do ambiente”.

O Presidente da República descreveu várias áreas de negócio que podem ser desenvolvidas com uma política para o mar. Por isso, disse, “é essencial que criemos condições e incentivemos os agentes económicos a investir no conjunto dos sectores que ligam economicamente Portugal ao mar”Aníbal Cavaco Silva defendeu, nomeadamente, a “criação de condições de competitividade e estabilidade fiscal para os transportes marítimos e para os portos portugueses, que lhes permitam, pelo menos, igualar as condições dos demais Estados costeiros da União Europeia”.

Eis as grandes áreas referidas pelo Presidente da República:

“Apostar mais no sector dos Transportes marítimo e portos” já que, sublinha o Presidente, “70% da riqueza gerada no Mundo transita por mar”;
Desenvolver “fontes marinhas de energia”,·
Desenvolver “equipamentos para a exploração subaquática de alta tecnologia”;
"Desenvolvimento de produtos vivos do mar para a biotecnologia”;
“A reparação e de construção navais”;
“Incentivar a prospecção e exploração da nossa plataforma continental, lembrando que “o projecto de levantamento se encontra em apreciação nas Nações Unidas”.
“As actividades marítimo-turísticas, a náutica de recreio, o turismo de cruzeiros”, actividades inspiradas “na combinação do mar com o nosso clima temperado”.
“Fomentar a aquacultura e a manutenção de uma frota de pesca sustentável”.

Seguir esta política não exige estudos, sublinhou. “Às vantagens decorrentes da nossa geografia, da História e da imagem externa do País”, afirmou, “podemos ainda juntar as estratégias e políticas para o mar desenhadas nos últimos seis anos em Portugal e na própria União Europeia”. E salientou: “ Não é necessário fazer mais estudos e relatórios. Basta agir em cumprimento daquelas estratégias”

Depois de defender estas orientações concluiu: “Portugal e os Portugueses precisam de desígnios que lhes dêem mais coesão, mais auto-estima e mais propósito de existir. O mar é certamente um deles.»


Artigo (e discurso) no Jornal de Negócios (http://http)

O Mar, esse desígnio de outrora, é algo que tem escapado à capacidade dos governantes do séc. XXI, num país que muito deve a essa "coisa" marítima.

Nunca é tarde para um puxão de orelhas...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 22, 2010, 04:56:49 pm
como todo o respeito, caro João, o sr cavaco foi um dos principais responsáveis pelo desmantelamento da Marinha Mercante nacional , encerramento da Margueira, etc, quando era 1º Ministro.



Quem o houve até julga, por ser jovem ou por falta de conhecimento, que ele não teve nada a ver com o abandono a que o Mar foi votado.

Pois a mim não me engana que lembro-me muito bem do que fez.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Setembro 22, 2010, 08:34:03 pm
O Cavaco além de cobarde, é um ignorante.
E como é ignorante vai nas modas, como parece ser a regra de qualquer economista. E de muita ggente com pobre cultura geral.
Por esse motivo é que, a bem de um pretenso liberalismo, destruiu o pouco que havia, permitindo as aquisições hostis ou minando a sustatabilidade financeira das empresas.
Agora aparece, para precisamente isso, aparecer, apelando ao desenvolvimento da economia do mar.
Quando teve poder foi o que se viu. Agora que tem também poder - mais do que eu, é garantido - põe-se a apelar.
Esta gente, porque não é a músculo, é apelo.

É só sacos de vento. Julgava que seria impossível ser pior que o Sampaio em vacuidade, mas não.
Em política é sempre a descer.
PQP esses m*rdas desses.....
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 23, 2010, 10:26:16 am
Bem, mais vale tarde do que nunca. Como Presidente não pode mais que apelar. Portanto apele, que também faz falta.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 23, 2010, 01:55:40 pm
Pois então que se denuncie e se apele, porque de facto não se passa nada à superfície... interessa-me o tema, não a personalidade política. Aliás, interessa-nos a todos.

Com uma ZEE ampliada para 40 vezes a área do território terrestre, não temos mais desculpa para continuar a adiar. Parece que desaprendemos muito nestas gerações. Há mar e mar... e não se faz nada.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 23, 2010, 02:00:29 pm
Citação de: "Luso"
O Cavaco além de cobarde, é um ignorante.
E como é ignorante vai nas modas, como parece ser a regra de qualquer economista. E de muita ggente com pobre cultura geral.
Por esse motivo é que, a bem de um pretenso liberalismo, destruiu o pouco que havia, permitindo as aquisições hostis ou minando a sustatabilidade financeira das empresas.
Agora aparece, para precisamente isso, aparecer, apelando ao desenvolvimento da economia do mar.
Quando teve poder foi o que se viu. Agora que tem também poder - mais do que eu, é garantido - põe-se a apelar.
Esta gente, porque não é a músculo, é apelo.

É só sacos de vento. Julgava que seria impossível ser pior que o Sampaio em vacuidade, mas não.
Em política é sempre a descer.
PQP esses m*rdas desses.....


Pois é , Luso, mas andam aí uns jovens que o já o santificaram e tudo. Como o que eu digo é tudo tretas de um traidor anti-patriota e iberista, pode ser que em ti acreditem...

Ou então passas também a ser mais um que enveredou pelos caminhos da traição. :twisted:

ps-tenho pena que não postes mais. Podemos discordar em muita coisa , mas sabes muito mais a dormir que muitos que aqui andam acordados.

Cumprimentos .
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 23, 2010, 02:39:04 pm
Momento zen...

Espanha tem petróleo na costa
(http://naturlink.sapo.pt/ResourcesUser/Sistemas%20Aqu%C3%A1ticos/Uma%20cat%C3%A1strofe%20ambiental%20%C3%A0s%20portas%20de%20Portugal4.jpg)

Nós temos saudades...

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu
.

(http://3.bp.blogspot.com/_4XfefrRMbMg/Sg6p6YZBhxI/AAAAAAAACww/YD_Fd4VfJ1c/s1600/Levantamentos%2BHidrogr%C3%A1ficos.jpg)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 23, 2010, 03:01:43 pm
Citação de: "João Vaz"
Com uma ZEE ampliada para 40 vezes a área do território terrestre, não temos mais desculpa para continuar a adiar. Parece que desaprendemos muito nestas gerações. Há mar e mar... e não se faz nada.
Atenção que não é a ZEE que se está a aumentar. Os ~2Milhões de Km2 são na Plataforma Continental, ou seja, o fundo do mar, o que estiver debaixo dele ou espécies que a ele estejam presas ou que nele se desloquem. Não inclui a coluna de água que cobre o fundo. Isto é distinto da ZEE, que inclui fundo e coluna de água.

Citação de: "João Vaz"
(http://3.bp.blogspot.com/_4XfefrRMbMg/Sg6p6YZBhxI/AAAAAAAACww/YD_Fd4VfJ1c/s1600/Levantamentos%2BHidrogr%C3%A1ficos.jpg)
Não vale a pena usar as perspectivas. A submissão já foi entregue à ONU, e é maior ainda:

(http://img691.imageshack.us/img691/6150/peixefixed.png) (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 23, 2010, 03:31:43 pm
e vamos fiscalizar isso com...???? :roll:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: PereiraMarques em Setembro 23, 2010, 03:32:06 pm
Citação de: "P44"
ps-tenho pena que não postes mais. Podemos discordar em muita coisa , mas sabes muito mais a dormir que muitos que aqui andam acordados.

Já somos dois.  :roll: ...Apenas uma pequena "achega" para o Luso, muitas vezes o pessoal não consegue ler nas tuas "entrelinhas" (contra mim falo), as tuas mensagens são demasiado "densas", "enigmáticas" até, tens de chamar mais os "bois pelos nomes"...Não me digas que estás com medo da Maçonaria ou do SIS  :mrgreen: ...ou de um processo em tribunal...mas acho que os tribunais já não fazem "medo" a ninguém  :oops:

Citação de: "Luso"
"Alguns tipos são uns chatos de primeira com os seus postaizinhos irrelevantes: umas melgas!"

Luso in "Porque é que os Fóruns perdem qualidade?" Revista Espírito, n.º 26, 2005
 :G-beer2:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 23, 2010, 03:34:39 pm
Citação de: "PereiraMarques"
Citação de: "P44"
ps-tenho pena que não postes mais. Podemos discordar em muita coisa , mas sabes muito mais a dormir que muitos que aqui andam acordados.

Já somos dois.  :roll: ...Apenas uma pequena "achega" para o Luso, muitas vezes o pessoal não consegue ler nas tuas "entrelinhas" (contra mim falo), as tuas mensagens são demasiado "densas", "enigmáticas" até, tens de chamar mais os "bois pelos nomes"...Não me digas que estás com medo da Maçonaria ou do SIS  :mrgreen: ...ou de um processo em tribunal...mas acho que os tribunais já não fazem "medo" a ninguém  :oops:

Citação de: "Luso"
"Alguns tipos são uns chatos de primeira com os seus postaizinhos irrelevantes: umas melgas!"

Luso in "Porque é que os Fóruns perdem qualidade?" Revista Espírito, n.º 26, 2005
 :G-beer2:  Sábias palavras, PereiraMarques!
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 23, 2010, 03:58:57 pm
Citação de: "P44"
e vamos fiscalizar isso com...???? :mrgreen:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Daniel em Setembro 23, 2010, 05:37:06 pm
P44
Citar
e vamos fiscalizar isso com...????

Ouvi dizer que é com motas d`água. c34x  não tenha paciência com a criançada, o que vc acabou de escrever revela uma tremenda falta de respeito pelos demais fóristas, é de lamentar tais palavras não só suas como, do P44 e do caro Luso, uma vez que são velhos tubarões cheios de experiência e de sabedoria dotados, por todo o respeito que possam merecer, nada justifica essa atitude, a não ser que os senhores pretendam ficar com o fórum defesa só pra vcs, pois mal ou bem todos dão o seu contributo para que este fórum tenha alguma vivacidade, pois se ficarem só os que sabem mais a dormir de que muitos acordados, isto fica porreiro pá. :lol:  c34x
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 23, 2010, 08:44:12 pm
Liricos são os jovenzitos que por aqui pululam actualmente, talvez no dia em que tiverem de dar ao litro saindo debaixo das saias das mamãs percebam o que é a vida.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: nelson38899 em Setembro 23, 2010, 09:25:23 pm
Citação de: "P44"
e vamos fiscalizar isso com...???? :roll:

Para a fiscalizar os navios perto da costa tens isto.

(http://poadu.files.wordpress.com/2010/09/p210910_14-50_02.jpg?w=300)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: PereiraMarques em Setembro 23, 2010, 09:59:59 pm
Citação de: "Daniel"
Pois é uma pena que o senhor já velho, de barbas brancas etc etc, c34x

Falei em nomes? Pelos vistos alguém enfiou a carapuça...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: FoxTroop em Setembro 23, 2010, 11:01:44 pm
Citação de: "PereiraMarques"
Citação de: "P44"
ps-tenho pena que não postes mais. Podemos discordar em muita coisa , mas sabes muito mais a dormir que muitos que aqui andam acordados.

Já somos dois. :roll: ...Apenas uma pequena "achega" para o Luso, muitas vezes o pessoal não consegue ler nas tuas "entrelinhas" (contra mim falo), as tuas mensagens são demasiado "densas", "enigmáticas" até, tens de chamar mais os "bois pelos nomes"...Não me digas que estás com medo da Maçonaria ou do SIS :twisted: :twisted: :G-beer2:

Quereis a "papinha" já toda mastigada e já agora o rabinho lavado com água das malvas, não?!!!!! Usai as "celulazinhas cinzentas" como diria o grande Hercule Poirot  :twisted:   :G-beer2:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Setembro 23, 2010, 11:45:28 pm
Pereira, meu reles republicano, como tu me percebes! :mrgreen:
Agora os putos têm o mundo e mais o outro à sua disposição - coisa que não tive na idade deles, em que a informação sobre quase tudo era escassa e muito desactualizada. Além disso, podem contactar com pessoas de qualidade com a maior das facilidades, oportunidade que também não tive e que me dificultou a minha progressão no conhecimento das coisas. Meus meninos: além da informação que se pode obter sobre isto ou aquilo, há também que aprender que há várias maneiras de ver as coisas, de se encarar a realidade!

- E apesar disso, esses merdas de cristas e calças descaídas, além de não aprender um quercus do que muitos de nós aqui GRATUITAMENTE PARTILHAMOS (julgam que as coisas não custam???) - e repetidamente, por Deus! - ainda nos vêm dar lições!

Depois, também há problemáticas que me eram caras e que agora pouco ou nada significam para mim, por ter começado a encarar a realidade de maneira diferente. Quando se mexem nas fundações a construção tende a cair.

A minha presente preocupação é alertar as pessoas para a necessidade de estarem a tentas a certos factores e eventos que afectam ou afectarão as suas vidas... pessoais.
Porque entendo que há coisas que estão definitivamente perdidas, por a maioria das pessoas parecer abominar o pensamento, ainda para mais as que têm tempo de virem para fora.
Brincadeiras à parte, eu não me considero nada de especial, mas por aquilo que vejo e vivo é muito difícil não se julgar um gnóstico, como diria o Padre Rojão.

Sinceramente, sinto-me cada vez mais num outro patamar. Acima ou abaixo, não interessa. Simplesmente num patamar diferente.

Vejam o seguinte: que povo é o nosso?
Será que o nosso povo tem consciência do que é, do seu ser?
Se tem consciência do que é, terá consciência do que não quer ser, e do que ameaça a sua existência?
Saberá o que ameaça a sua existência?
Quererá saber?
Se não, porquê?

Ou seja, a ideia de uma Defesa, implica saber o que há a defender. Depois de saber o que há a defender, é preciso conhecer as ameaças.
(os putos que chegaram até aqui devem ter ido agora ver a Lua Vermelha).

E aqui há uma imensa vontade de falar de brinquedos, de gente fardada sempre "muito competente" e "dedicada à Nação" que cumpre as ordens de gente escolhida por gente que não a conhece e que não se conhece. E que disso não se importa. Ou seja, irrelevâncias que nos transcendem.
Mas que também podem ser discutidas, atenção!
Mas não é por isso que não deixam de ser irrelevâncias.

A meu ver, a mais importante batalha é pessoal, é travada individualmente e é cultural. O resto vem depois. Muito depois.
Como é sabido, eu gosto muito de fisgas mas já não consigo vislumbrar qualquer importância que elas podem ter sem primeiro se encarar a questão cultural.
E é também a questão cultural que por si só me deixa bastante desanimado e mais preocupado em "salvar almas" individualmente (a começar pela minha) e só aquelas que estiverem preparadas.
As restantes que dêem à perna, se quiserem.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 24, 2010, 10:21:34 am
Quem fala assim não é gago  :G-beer2:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Crypter em Setembro 24, 2010, 11:10:12 am
Citação de: "P44"
e vamos fiscalizar isso com...???? :roll:

Neste momento, a nivel de patrulhas aéreas não estaremos  bem servido??

Com os P3 (quantos são ao todo??) e com a chegada dos VIMAR?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 24, 2010, 12:36:28 pm
Citação de: "Vicente de Lisboa"
Citação de: "João Vaz"
(http://3.bp.blogspot.com/_4XfefrRMbMg/Sg6p6YZBhxI/AAAAAAAACww/YD_Fd4VfJ1c/s1600/Levantamentos%2BHidrogr%C3%A1ficos.jpg)
Não vale a pena usar as perspectivas. A submissão já foi entregue à ONU, e é maior ainda:

(http://img691.imageshack.us/img691/6150/peixefixed.png) (http://http)

Bem visto, caro Vicente  :mrgreen:

A propósito, o Dia do Mar foi ontem devidamente assinalado...a ver navios.

(http://lh6.ggpht.com/_IQ96q154h2A/S8YGu9UACcI/AAAAAAAAJgs/mvKzLTX7ZJQ/s800/Sagres_Surf.jpg)

É um daqueles bens "estratégicos". Tão magnífico, que não se fez nada com ele. Permitimo-nos o luxo de esperar por bons ventos.

Um imenso potencial económico na Plataforma Continental, uma ZEE muito para além da escala dos nossos recursos, algum debate, uma Comissão Estratégica dos Oceanos cujo grandioso Relatório de propostas e objectivos (http://http) (também eles estratégicos) acerca da "gestão dos assuntos relativos ao Oceano" foi entregue em... 2004.  

Nos 6 anos que decorreram desde então nada houve de concreto.
Onde está o planeamento estruturado da pesquisa, extracção e comercialização desses recursos?

Ah, e aqueles outros pormenores: não dispômos de tecnologia de águas profundas. As nossas infraestrutras portuárias são pouco menos que sub-desenvolvidas.

Pegue-se no orçamento previsto para a capital do TGV no Poceirão e invista-se ordenada e ordeiramente no sector marítimo, a longo prazo. Pois afunde-se a linha de alta velocidade numa carreira Poceirão-Dorsal Atlântica, com desdobramento para Ponta Delgada, onde há o interface com o off-shore da Madeira. Aí teremos dado, deveras, e finalmente, o prometido "salto tecnológico". Amplie-se e modernize-se o Porto de Lisboa, remodele-se a extinta DocaPesca em Algés (actual terreiro de circo). Mexam-se.

Felizmente, temos recursos humanos na investigação científica: Departamento de Oceanografia e Pescas (Horta, Açores), Biologia Marinha (Faro e Lisboa), Instituto Hidrográfico (Lisboa), a própria Marinha.

Mesmo orgulhosamente de bolsos rotos, temos soluções para estruturar este sector com parceiros naturais do espaço CPLP, numa tão comentada aliança atlântica Portugal / Brasil / Angola. As parcerias GALP/PETROBRÁS já existentes, a SONANGOL possuem capital de experiência e... capital a sério.  
Pois é, inscrevemo-nos numa maratona para a qual não temos pernas. Mas tudo bem.

Uma coisa é certa, estamos sempre bem nas "estratégias". Agora porque é que todo este imenso desígnio oceânico avança à velocidade do cacilheiro ronceiro no Mar da Palha?
É só uma questão de encontrar o bode "respiratório". Deve certamente suceder assim porque pensámos em tudo isto rápido demais...ou porque as "oposições" nunca entram "em acordo". Ou quiçá devido à Natureza cruel e injusta, conspirando numa profundidade abissal da Plataforma em pleno oceano.
Alguma coisa há-de ser, hão de descobri-la e hão de demonstrar que afinal existem razões para (mais) este atraso. Estamos bem, estamos protegidos. Devagar se vai ao longe. O Mar pode esperar (isto é tudo muito familiar). É o Portugal queirosiano no seu melhor.

(http://lh4.ggpht.com/_IQ96q154h2A/TEzLZzlcPTI/AAAAAAAAJzA/1kos8kLNBN8/s800/Valparaiso.jpg)

Isto tem o seu quê de inevitável, num país que reclama consigo próprio há mais de 200 anos por ter perdido uma colecção de oportunidades no seu próprio terreno.

Mas está tudo sob controle. Nós sempre treinámos para o desastre.

(http://lh3.ggpht.com/_IQ96q154h2A/S8pEznrmfiI/AAAAAAAAJhg/7XT4Frzjvtk/s800/Lisboa_Anos_20.jpg)

Panorâmica do Terminal de Carga lisboeta
(http://lh6.ggpht.com/_IQ96q154h2A/S18bUeUdlbI/AAAAAAAAJQA/R4pXb1mOXrg/s800/Vistas_de_Tejo.jpg)

Infraestruturas portuárias - Cluster da Ericeira
(http://lh6.ggpht.com/_IQ96q154h2A/S6qlI0H02JI/AAAAAAAAJdo/tNgSI1py1xI/s800/EriceiraAntigaFCG11.jpg)

Base avançada dos Açores

Patrulha marítima na Zona de águas profundas
(http://lh4.ggpht.com/_IQ96q154h2A/TC-toEH4H6I/AAAAAAAAJvU/VRsFtBp7V3g/s800/Mavericks2010P.jpg)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 24, 2010, 12:58:37 pm
Por acaso na Ericeira está-se a reconstruir o pontão. Depois de as obras acabarem vão fazer outras de forma a construir uma marina para barcos de pesca artesanal, barcos recreativos, etc.

 :roll:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 24, 2010, 07:45:47 pm
Citação de: "João Vaz"
Bem visto, caro Vicente  :|
Se as regras da Comissão não forem alteradas, não sei se isto está feito nesta década.

Por outro lado, nada impede o país de ir explorando aquilo a que tem direito, ir aprendendo, criando a infra-estrutura, formando quadros (importantíssimo!) e preparando a sociedade e as empresas.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 25, 2010, 09:32:24 pm
Olhe um mapa "a sair das boas intenções":

Citação de: "Publico"
Europa cria a primeira rede de áreas protegidas marinhas no alto mar

Os ministros do Ambiente de 15 países europeus aceitaram hoje definir seis zonas livres de pesca em zonas remotas do Oceano Atlântico, criando a primeira rede de áreas protegidas marinhas no alto mar, fora do controlo dos Governos.

Fazem parte desta rede seis áreas protegidas de "elevado valor ecológico" que abrangem 285 mil quilómetros quadrados do Atlântico, ou seja, uma superfície semelhante à da Itália. Todas as áreas estão para lá das 200 milhas náuticas (370,4 quilómetros), o limite das zonas económicas exclusivas dos países. A maioria das seis zonas fica a Norte do arquipélago dos Açores e a Oeste da Irlanda. Quatro das seis áreas foram estabelecidas em colaboração com Portugal.

A protecção em causa pode significar proibições à pesca, exploração petrolífera no fundo do mar e, talvez, restrições à circulação de navios.

Actualmente, 1,2 por cento dos oceanos do planeta são áreas protegidas, menos do que os 12 por cento das áreas protegidas nos continentes, segundo Caitlyn Toropova, especialista da União Mundial para a Conservação (UICN).

“Esta é uma medida histórica” que vai dar “um novo estatuto de protecção às espécies que vivem no Atlântico”, comentou Erik Solheim, ministro do Ambiente norueguês, depois das negociações que decorrem desde ontem em Bergen, Noruega. Solheim referia-se a espécies como os tubarões, raias e corais.

“Vamos tentar inspirar outras nações a fazer o mesmo, por exemplo nos oceanos Índico, Pacífico e outros”. Os delegados que participam no encontro em Bergen, sob a égide do grupo OSPAR – que reúne 15 países para a protecção do Atlântico Nordeste – sublinham que a única outra área marinha protegida em alto mar fica a 80 mil quilómetros da Antárctida.

Henrique Cabral, investigador do Instituto de Oceanografia da Universidade de Lisboa, comentou ao PÚBLICO que esta iniciativa "não tem precedentes", até porque a "tradição" tem sido proteger áreas marinhas em continuidade com as áreas terrestres. O especialista salientou também o benefício para os organismos marinhos desta "acumulação de áreas protegidas".

Ainda assim, "os valores que vão beneficiar desta protecção são uma minoria em relação ao que seria necessário proteger".

Henrique Cabral considera que a maior dificuldade desta rede de áreas marinhas é a "dificuldade de fiscalização e em desenvolver acções no local".

Portugal e Islândia, dois casos

Mas o acordo expôs diferenças de pontos de vista entre os países quanto ao planeamento das novas regras das Nações Unidas, que darão direitos aos países se o leito marinho ou a sua plataforma continental se estender para lá das 200 milhas náuticas.

Portugal aprovou zonas protegidas ao largo dos Açores, numa área onde deverá ter direitos extra ao leito marinho. Já a Irlanda recusou. “Estamos muito dependentes do peixe”, lembrou Humberto Rosa, secretário de Estado do Ambiente. “As áreas marinhas protegidas vão ser benéficas para as pescas”.

De acordo com Humberto Rosa, os benefícios de zonas livres de pesca ultrapassarão qualquer ganho futuro possível.

Já a Islândia recusou conceder protecção a uma área de alto mar a Sul da ilha vulcânica, onde reclama direitos sobre o leito marinho, no âmbito da regulamentação das Nações Unidas. O encontro de Bergen aceitou novas negociações sobre a questão até 2012.

Os delegados dizem que a Inglaterra, Irlanda, Noruega e Dinamarca – que também esperam estender as suas zonas económicas exclusivas, apoiaram a Islândia.

“Estamos satisfeitos por terem sido aceites seis áreas marinhas protegidas para lá da jurisdição nacional”, comentou Stefan Lutter, da organização WWF. Mas disse ter ficado decepcionado pela zona ao largo da Islândia ter ficado de fora.

Os 15 países reunidos em Bergen – Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e União Europeia - informaram que pretendem rever as regras para novas licenças de exploração de petróleo e gás natural a grandes profundidades.

As dez maiores áreas marinhas protegidas do mundo (em quilómetros quadrados):

1) Área Marinha das Ilhas Phoenix, em Kiribati, no Pacífico (408,342);

2) Parque Marinho da Grande Barreira de Coral da Austrália (343,480);

3) Monumento Nacional Marinho norte-americano Papahanaumokuakea, ao largo do Havai, no Pacífico (334,154);

4) Monumento Nacional Marinho norte-americano Mariana Trench, no Pacífico (247,179);

5) Monumento Nacional Marinho norte-americano das Ilhas Remotas no Pacífico (212,788);

6) Área Marinha Protegida das ilhas Príncipe Eduardo, na África do Sul (180,633);

7) Área Protegida Bentónica Kermadec, na Nova Zelândia (164,840);

8) Reserva Marinha da ilha Macquarie, Austrália (161,895);

9) Reserva Marinha das Galápagos, no Equador, no Pacífico (137,975);

10) Franz Josef Land Zakaznik, ao largo do Norte da Rússia (123,877).
link (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 25, 2010, 09:41:43 pm
E olha mais notícias fresquinhas (hoje) sobre isso:

Link (http://http)

(E olha para mim a aldrabar sobre a Comissão Estar a olhar para a submissão  :mrgreen: )
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 27, 2010, 04:16:22 pm
Para quem esteja curioso sobre as novas áreas protegidas em território da nossa Plataforma Continental:

(http://img827.imageshack.us/img827/8588/osparnewmpas.jpg) (http://http)

(Sacado com Paint de um PDF da WWF que desenvolve o assunto: Link (http://http))
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 27, 2010, 05:37:50 pm
Alvíssaras, caro Vicente  :new_argue:

Os mapas estão a ficar cada vez mais complexos..."antigamente" era um traço de alto a baixo no mapa-mundo com nome de vila espanhola e já estava  :mrgreen:

E cada vez mais verifico a mesma complicação quanto aos necessários (e inexistentes) meios tecnológicos, transporte, armazenamento e a própria fiscalização de áreas tão amplas e distantes (enfim, podemos sempre enviar uns golfinhos do Sado treinados)

A ambição submersa da Coroa de Portugal no séc. XXI suscita-me os seguintes comentários:

Plataforma Continental: oh la la
Plataformas Logísticas: n'a pas (jamais)

Entretanto, em Portugal, à falta de crochê, entretemo-nos com um novo Cubo de Rubik, o "Plano Mar Portugal"

http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/228656/pais/228715-mais-mar-portugues

Um dos programas estabelecidos prevê a distribuição de centenas e centenas de "kits do Mar" (http://http) nas escolas. Um entretenimento supimpas. Sugeria apenas a inclusão de uma garrafa de Nitrox e um ROV em cada "kit". Assim, teremos uma verdadeira força de trabalho subaquática.

(http://www.es-loule.edu.pt/biogeo/img/kit_do_mar.png)(http://www.cascaisatlantico.org/files/billeder/Atlantico/imgs/sem_eco_escola4.JPG)

Também descobri no mundo virtual da Internet a existência de uma Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (http://http), que inclui um Fórum Permanente para os Assuntos do Mar. Quando tiver paciência, vou lá dar uma olhada.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Setembro 27, 2010, 09:55:41 pm
Bem dito, João Vaz.

Meninos, ponham na cabeça isto de uma vez port todas:

NÃO HÁ ESTRATÉGIAS NEM PLANOS. APENAS ARGUMENTOS PARA ROUBAR O ORÇAMENTO. MAIS NADA!
Isto é assim em toda a função pública politizada. PONTO.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 28, 2010, 10:20:23 am
Citação de: "João Vaz"
E cada vez mais verifico a mesma complicação quanto aos necessários (e inexistentes) meios tecnológicos, transporte, armazenamento e a própria fiscalização de áreas tão amplas e distantes (enfim, podemos sempre enviar uns golfinhos do Sado treinados)
Os meios tecnológicos até não são assim tão escassos. Claro que, como dizia o José dos Bigodes, a quantidade tem a sua própria qualidade, mas isto não se fez sem meios (http://http), e a recolha de dados necessária para sustentar a extensão da plataforma continental muito menos. E quando os NPO2020 chegarem, espero que o transporte e fiscalização fiquem adequadamente supridos. O que creio que faz mesmo falta, e não é suprível por simples esforço no Orçamento de Estado, é gente.

Citar
Um dos programas estabelecidos prevê a distribuição de centenas e centenas de "kits do Mar" (http://http) nas escolas. Um entretenimento supimpas. Sugeria apenas a inclusão de uma garrafa de Nitrox e um ROV em cada "kit". Assim, teremos uma verdadeira força de trabalho subaquática.
O Kit do Mar não é novidade. Existe desde 2008, tem sido um sucesso, segundo esta notícia dos uma das instituições responsáveis (http://http), e para que não haja confusões, é dirigido aos professores, não aos alunos.

Citar
Também descobri no mundo virtual da Internet a existência de uma Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (http://http), que inclui um Fórum Permanente para os Assuntos do Mar. Quando tiver paciência, vou lá dar uma olhada.
Bom achamento, caro João Vaz!
Mas fui lá dar uma olhada minha, e aquilo não é bem o tipo de forum que eu estava a pensar.  :lol:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 28, 2010, 10:25:42 am
Citação de: "Luso"
Bem dito, João Vaz.

Meninos, ponham na cabeça isto de uma vez port todas:

NÃO HÁ ESTRATÉGIAS NEM PLANOS. APENAS ARGUMENTOS PARA ROUBAR O ORÇAMENTO. MAIS NADA!
Isto é assim em toda a função pública politizada. PONTO.
A OSPAR criou 6 novas Maritime Protected Areas, quatro das quais na coluna de água sobre a Plataforma Continental Portuguesa.

O caro Luso crê que isto se deu sem planeamento ou estratégia?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 28, 2010, 01:40:37 pm
Ave Vincentius Ulixbonensis,

Defendemos ambos o mesmo recurso, mas com perspectivas muito próprias e compatíveis.
Temos um patinho feio a defender  c34x

Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (http://http)

Comissão Interministerial dos Assuntos do Mar (http://http)

E temos também uma Secretaria de Estado da Defesa e dos Assuntos do Mar.

Tudo isto, claro, tem a ver com uma Estratégia Nacional para o Mar (http://http)

A par da Política Marítima (Integrada) Europeia (http://http), também ela em franca discussão, e a Política Marítima Internacional, essa desconhecida.

(http://4.bp.blogspot.com/_51fHCNwhzFg/S6O9hmksMVI/AAAAAAAAE10/JCxpHZimh3g/s200/CPLP_logo.jpg)

Porém, para meu gáudio e regozijo, existe mesmo uma Estratégia da CPLP para os Oceanos (http://http)

http://www.hojelusofonia.com/estrategia-da-cplp-para-os-oceanos/

que inclui entre os seus objectivos:
- a cooperação para o desenvolvimento dos projectos de extensão da plataforma continental e da investigação científica e protecção ambiental associada;
- a cooperação para pesquisa sobre Recursos minerais nos fundos marinhos;
- a identificação de áreas estratégicas de interesse comum aos Estados membros da CPLP no âmbito da segurança e vigilância marítima, nomeadamente com o objectivo de estabelecer requisitos para a criação de um Observatório de Informação Estratégia Marítima

Pronto, já fiquei um pouco mais descansado. Mas ainda só vejo navios no horizonte...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 28, 2010, 04:57:04 pm
Citação de: "João Vaz"
Ave Vincentius Ulixbonensis,

Defendemos ambos o mesmo recurso, mas com perspectivas muito próprias e compatíveis.
Temos um patinho feio a defender  :wink:  :lol:

Fora de brincadeiras, em qualidade não duvido, mas a quantidade não la vejo.

Primeiro, porque não se está a falar de licenciados. Para o melhor e o pior, o canudo hoje não vale nada. Porque há muitos mais licenciados do que à umas décadas atrás, porque a qualidade relativa das licenciaturas e dos licenciados foi diluída, porque a aposta do ocidente pós-industrial está nas "sociedades do conhecimento" que precisam de níveis académicos superiores, porque a "inovação" e a "excelência" precisam de mais bagagem do que a de um licenciado... As razões são múltiplas, mas a conclusão é uma: "recursos humanos qualificados" hoje em dia são do Doutoramento para cima.

Segundo, e consequentemente, porque esses Doutorados faltam. Na minha área (Direito) não estou a ver nem um em Direito do Mar. Nem eu nem o Google.
Claro que devem existir um ou dois, e mesmo que não existam, há de certeza quem saiba muito do assunto, senão as coisas não estavam a andar para a frente, mas compare com outros países, em que existem doutorados ao pontapé sobre todos os assuntos e áreas, e constatará que temos um considerável handicap.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 29, 2010, 10:16:34 am
Citação de: "Vicente de Lisboa"

Primeiro, porque não se está a falar de licenciados. (...) "recursos humanos qualificados" hoje em dia são do Doutoramento para cima.

Mas é exactamente aos PhDs que me referi no "post" anterior ao indicar as Universidades cujos departamentos especializados têm provas dadas. Mas estava a pensar nas Ciências Exactas. E aí, acredite que não faltam pessoas "qualificadas" ao nível do "estrangeiro"  :oops: Eles andem em Bruxelas? (cadê discípulos do venerável Marques Guedes?)

O handicap observa-se claramente a nível estrutural: estaleiros a meio-gás, autarquias marítimas enredadas na habitual teia de dependências e interesses (imobiliários e não só), uma marinha mercante fantasmagórica, frota pesqueira agonizante, infrestruturas portuárias diminutas, desligadas de plataformas logísticas.
 
Também parece que ninguém expôs qual a articulação das regiões autónomas na gestão e exploração das imensas vastidões oceânicas. Outro pormenor interessante reside na animação dinâmica dos fundos marinhos ao largo do Algarve e ao redor dos Açores, com erupções vulcânicas e sismos da segunda metade da escala de Richter garantidos pelo menos a cada década.

Acho que vou continuar a estudar a época dos navios à vela, dá-me mais alegrias  :mrgreen:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 29, 2010, 02:24:31 pm
Citação de: "João Vaz"
Citação de: "Vicente de Lisboa"

Primeiro, porque não se está a falar de licenciados. (...) "recursos humanos qualificados" hoje em dia são do Doutoramento para cima.

Mas é exactamente aos PhDs que me referi no "post" anterior ao indicar as Universidades cujos departamentos especializados têm provas dadas. Mas estava a pensar nas Ciências Exactas. E aí, acredite que não faltam pessoas "qualificadas" ao nível do "estrangeiro"  :oops: Eles andem em Bruxelas? (cadê discípulos do venerável Marques Guedes?)
A Europa, salvo erro, regula pescas, transportes, segurança e ambiente. Mas isso não invalida o meu ponto. Um especialista em "Direito Comunitário" não passa a saber mais de Direito do Mar só porque a UE trata do Mar. Isso só implica mais um grau de complexidade, o que torna ainda mais necessário que haja gente muito especializada na matéria.

Citar
Acho que vou continuar a estudar a época dos navios à vela, dá-me mais alegrias  c34x
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: PereiraMarques em Setembro 29, 2010, 03:27:25 pm
Isso dos Doutoramentos também tem muito que se lhe diga...Para fazer um Doutoramento basta saber o "Estado da Arte", i.e. ler todos os autores que tenham escrito alguma coisa sobre o assunto em causa, e apresentar um "Estudo de Caso" que "comprove" a ideia de partida...

Não será melhor ter um técnico com 40/50 anos, Licenciado ou Mestre, que saiba mesmo da "poda", do que um "Doutor" de 30 anos sem experiência profissional...

Até os alunos de Columbia (que são sempre uns pseudo-génios em potencial, com A e A+) quando o Sócrates disse que era "Socialista", pensaram logo que era Comunista  :N-icon-Axe:

Contratem quem sabe mesmo do assunto e não se deixem enganar pelo "brilho" dos Doutoramentos...

PS: também não se preocupem porque com "Bolonha" e o alargamento do Ensino Superior a qualquer pessoa com "dois neurónios", um Doutoramento em 2020, vale tanto como um Mestrado em 1990 ou uma Licenciatura em 1960...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 29, 2010, 03:48:48 pm
Apoiado! Eu no meu local de trabalho tenho que lidar com muito sô doutor (pelo menos é como eles gostam de ser tratados, mesmo que tenham apenas o 12º ano e muito snobismo em cima). Infelizmente vejo que o que não falta em Portugal é muito individuo que apesar de ter um canudo pouco ou nada sabe de como se desenvolve um projecto, como se recolhe e analisa dados, como se interage com as outras pessoas tanto a nível de superiores como a nível de subordinados, etc.

Na área que a minha mulher está a trabalhar ela queixa-se da mesma coisa e também da profunda imaturidade das novas gerações, em que depois de sair de uma universidade deveriam ser capazes de saber algo e depois na prática têm muita bagagem teórica e pouca ou nenhuma prática. O resultado final é individuos que são subordinados, têm que desenrascar o serviço porque os seus ditos superiores hierárquicos pouco ou nada sabem de como funciona realmente toda a "máquina".

É de se lastimar...

O mais interessante é que a minha irmã está a estudar na universidade e ela própria diz o mesmo, que estão a bombardeá-la com informação, mas que não a estão a prepará-la para o mercado de trabalho (para a sua função em concreto).
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 29, 2010, 04:56:14 pm
Citação de: "PereiraMarques"
Isso dos Doutoramentos também tem muito que se lhe diga...Para fazer um Doutoramento basta saber o "Estado da Arte", i.e. ler todos os autores que tenham escrito alguma coisa sobre o assunto em causa, e apresentar um "Estudo de Caso" que "comprove" a ideia de partida...

Olhe que não, caro Pereira Marques, essa visão anedótica deve mais às Ciências Humanas. E não é disso que estamos a falar. E se acha que que todos os departamentos das Universidades que apontei "tem muito que se lhe diga", é a sua visão  contra todas as universidades "estrangeiras" e muitas empresas que empregam os ditos cujos, não só no "estrangeiro", como cá na terra.
E eu pensava que eu era pessimista  :roll:

Citação de: "PereiraMarques"
Até os alunos de Columbia (que são sempre uns pseudo-génios em potencial, com A e A+) quando o Sócrates disse que era "Socialista", pensaram logo que era Comunista  :new_argue:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 29, 2010, 05:04:20 pm
Citação de: "Cabeça de Martelo"
(...)

É de se lastimar...

E agora pergunto: mas porquê lastimar-se? Um verdadeiro Cabeça de Martelo não se lamenta por umas quantas barracudas, homem  c34x Se a auto-estima lá estiver, não tem que levar a sério essas atitudes. Dê umas marteladas. Ou então, há sempre Bolonha para todos...

Citação de: "Cabeça de Martelo"
O mais interessante é que a minha irmã está a estudar na universidade e ela própria diz o mesmo, que estão a bombardeá-la com informação, mas que não a estão a prepará-la para o mercado de trabalho (para a sua função em concreto).

Esse problema é de alguns cursos, não de todos.
Em Portugal, os centros de ensino tradicionalmente eram uma via de emprego, não de empreendedorismo. E é justamente esse aspecto que tem vindo a ser alterado nas ciências exactas, pois são altamente requisitadas em todo o lado no mundo actual. Basta contactar com os Departamentos de meia dúzia de universidades para reconhecer essa mudança.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 29, 2010, 05:11:13 pm
A minha irmã é de outra "tropa", ela quer ser Educadora de Infância.

Infelizmente eu e a minha irmã somos mais uns que têm alergia à matemática e afins. :oops:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 29, 2010, 05:18:57 pm
Citação de: "Vicente de Lisboa"
Não quero estar a ser o Capitão Pessimista, mas isto (http://http) indica otherwise. Não consigo linkar o que queria mas pesquise "Doutoramentos por área".

Fiz o que o meu Capitão solicitou: http://www.pordata.pt/azap_runtime/?n=4

E vejo que em 2008 o António Barreto contabilizou 380 PhDs em Ciências Naturais e Exactas e outros 338 em Engenharia e Tecnologia. Ou seja, 718 malucos "sôdoutores teóricos" nesse ano. Mais do que a malta das Ciências Humanas. Equivalente a mais de metade dos PhDs desse mesmo ano. Mais razão me dá.

A questão que se impõe é: então não chegam?  c34x  

E a outra: cadê los navios?

(http://www.finalsports.com.br/03/blog_guria/wp-content/uploads/2009/06/naufragio1.jpg)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 30, 2010, 02:25:53 pm
Citação de: "PereiraMarques"
Isso dos Doutoramentos também tem muito que se lhe diga...Para fazer um Doutoramento basta saber o "Estado da Arte", i.e. ler todos os autores que tenham escrito alguma coisa sobre o assunto em causa, e apresentar um "Estudo de Caso" que "comprove" a ideia de partida...
Sim. Bastam anos de pesquisa e investigação sobre uma base sólida, para fazer avançar o Estado da Arte. Coisa simples.  :wink:

Citar
Não será melhor ter um técnico com 40/50 anos, Licenciado ou Mestre, que saiba mesmo da "poda", do que um "Doutor" de 30 anos sem experiência profissional...
In short, não. In long, não interessa porque é uma questão que nunca se põe.

Primeiro, um tipo de 30 anos nunca pode ter a experiência de um tipo de 40/50, porque lhe faltam os 10/20 anos, logo a comparação é vazia.
Segundo, a experiência é boa para fazer como sempre se fez, mas também trás rotinas, vícios e preconceitos que dificultam a inovação.
Terceiro, porque a experiência e a preparação académica não são mutuamente exclusivas. E um tipo com estudos vai ganhar a experiência depois, mas um tipo com experiência não vai estudar depois (até podia, mas na prática não acontece). In any case, precisamos dos dois.
Quarto, na realidade, quem está a estudar para Doutoramentos está most of the time a trabalhar na área, e portanto a ganhar experiência.

http://Contratem quem sabe mesmo do assunto e não se deixem enganar pelo "brilho" dos Doutoramentos...
E esta atitude é parte da razão pela qual o pessoal não investe na sua formação... não ajuda.

Citar
PS: também não se preocupem porque com "Bolonha" e o alargamento do Ensino Superior a qualquer pessoa com "dois neurónios", um Doutoramento em 2020, vale tanto como um Mestrado em 1990 ou uma Licenciatura em 1960...
Para lá da hipérbole, isso não me parece um bom argumento contra o investimento (ou a necessidade) de quadros com mais formação académica.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Setembro 30, 2010, 02:32:54 pm
Citação de: "João Vaz"
A questão que se impõe é: então não chegam?  :mrgreen:

Mas de que valem os navios se não tivermos os quadros para os rentabilizar?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Setembro 30, 2010, 03:18:49 pm
o fundo do mar é bom, já que brevemente todos estaremos nele.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 30, 2010, 05:19:37 pm
Citação de: "P44"
o fundo do mar é bom, já que brevemente todos estaremos nele.

Hall of Fame com esta sentença.  :mrgreen:

Nada como a sapiência do bom humor!
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Setembro 30, 2010, 05:40:40 pm
Citação de: "Vicente de Lisboa"
Citação de: "João Vaz"
A questão que se impõe é: então não chegam?  c34x

Pois a contínua procura de PhDs (e não só) nas áreas científicas são bons indicadores da natural apetência pela especialização em áreas onde a Energia, Tecnologia e Ambiente no âmbito do Mar também se incluem. Ou seja, facilmente e em pouco tempo se reciclam/especializam as fornadas do Mar. Sendo que não apenas muito trabalho de investigação decorre neste preciso momento nessas mesmas áreas, como também muitos conterrâneos técnicos, Licenciados, Mestres, Doutores, etc., encontram-se a esta hora algures no Brasil, em Angola e outros recantos ao serviço de outros países. Faltam é... os meios neste rectângulo nacional  :)


Citação de: "Vicente de Lisboa"
Mas de que valem os navios se não tivermos os quadros para os rentabilizar?

Temos quadros, bustos, medalhões e efígies capazes de rivalizar com as figuras do "estrangeiro". Técnicos, Licenciados, Mestres, Doutores, you name it. Mas se não há efectiva definição prática da tal Política do Mar, isso transmite pouca confiança a quem procura trabalho, por agora. E no entanto...

Senão, veja-se:
Quando é preciso desatolar um navio encalhado no litoral lusitano, chamam-se os holandeses.
Dragagens para manutenção de portos nacionais? chamam-se os holandeses.
É necessário prevenir a poluição de um eventual derrame de "pitroil" em Portugal, liga-se para os holandeses.

Let's look at a "traila":

1) Como é sabido, em 2003 a hoje extinta Comissão Estratégica dos Oceanos apresentou a Estratégia Nacional para os Oceanos.

2) Ainda em 2003, a pequena marinhagem foi expulsa da Doca de Algés, a pretexto da hipótese de vir a receber a piramidal Taça América. Apesar do fracasso, sempre se ganhou mais um projecto imobiliário na frente ribeirinha... A única empreitada "moderna" adjudicada consiste no Terminal de navios de cruzeiro. Tornámo-nos numa espécie de Caraíba continental, mas mais feiota.

Resultado das coisas estratégicas: decorridos quase 8 anos desde o relatório fundacional da Estratégia oceânica, face à prioridade estratégica do Mar temos então grandes obras: aeroporto internacional, terceira ponte e TGV...  :?

Se o respeito pelo Direito do Mar for igual ao da nossa terra, não necessitamos de mais leis... Precisamos é de uma Guarda-Costeira, uma frota hidrográfica, infraestruturas portuárias de um país europeu do séc. XXI e saber atrair investimento, tornar os estaleiros capazes de encarar a competição global.

Meias-medidas, falta de empenhamento e superficialidade é tudo o que temos por enquanto, desde há quase 8 anos. O rosário habitual do "marketing" político. O facto de ainda hoje se discutir neste país como potenciar uma nação marítima, face ao mar, diz tudo quanto ao retrocesso histórico.

É todo um sector vital eternamente condenado e atrasado. Ano após ano, o desequilíbrio mantém-se.
As estratégias óbvias não são acompanhadas nem por qualificação concreta das zonas portuárias, nem nos meios operacionais, nem na capacidade logística. Falta a necessária sustentação para aplicação da estratégia.

Quando o Cabo Bojador foi dobrado, e depois o das Tormentas, não faltaram homens, nem navios. E a estratégia era até muito simples. (momento nostalgia  :oops: )

(http://farm4.static.flickr.com/3584/3451160580_5a3f227c9c.jpg?v=0)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Setembro 30, 2010, 06:46:47 pm
Perdoem-me a irrelevãncia deste postal, mas tenho que louvar este último do João Vaz.

Esta gente que formalmente nos "governa" não pensa como nós. O significado das palavras é para eles diferente. "Estratégia" não passa de uma intenção sonante, genérica, abstrata e que nada nem ningém vincula. Na sua esmagadora maioria não passam de uma colectãnea de lugares comuns que, de tão óbvios, ninguém vai refutar. Algo como "promover o crescimento económico". Nunca passa para opções bem definidas e concretas. Como se diz no meio, "acções operativas".

Só pessoal tapadinho é que cai nisso.
E há muito pessoal tapadinho.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Outubro 01, 2010, 11:52:24 am
Só uma adenda às concretizações "estratégicas":

Também temos:

A torre (inclinada) do Centro de Controlo do Tráfego Marítimo (http://http) em Algés, dominando sobre o deserto naval nacional:

(http://i9.photobucket.com/albums/a51/mirim1/torre03.jpg)


E um projecto atascado de Wave (sem) Power no valor de 1 milhão, 250 mil euros.

(http://img227.imageshack.us/img227/4797/pelamisfx3.gif)
(http://www.ecoideias.com/wp-content/uploads/2008/11/agucadoura-1.jpg)

Aconteceu em 2008. Um Parque de Ondas na Aguçadoura, Póvoa de Varzim...
http://www.cm-pvarzim.pt/groups/staff/conteudo/noticias/parque-de-ondas-da-agucadoura-ja-produz-energia/

Entretanto, os malvados problemas financeiros na estrutura accionista (estrangeira) do consórcio deixaram as máquinas desmontadas e amarradas no Porto de Leixões...
 
(http://sic.aeiou.pt/NR/rdonlyres/66A6A2D4-15CF-40DE-855B-CD0825AFCE92/378398/ondas_texto.jpg)

Porém, a promessa mantém-se para 2011. Aguarda-se intervenção divina.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1369467

Reportagem da SIC (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Outubro 01, 2010, 06:03:16 pm
Citação de: "Luso"
Perdoem-me a irrelevãncia deste postal, mas tenho que louvar este último do João Vaz.

Esta gente que formalmente nos "governa" não pensa como nós. O significado das palavras é para eles diferente. "Estratégia" não passa de uma intenção sonante, genérica, abstrata e que nada nem ningém vincula. Na sua esmagadora maioria não passam de uma colectãnea de lugares comuns que, de tão óbvios, ninguém vai refutar. Algo como "promover o crescimento económico". Nunca passa para opções bem definidas e concretas. Como se diz no meio, "acções operativas".

Só pessoal tapadinho é que cai nisso.
E há muito pessoal tapadinho.


Caro Luso, estás enganado...

Estratégia para enriquecerem, e promover o crescimento económico da conta bancária deles é no que esses individuos mais pensam  :G-bigun:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: papatango em Outubro 17, 2010, 09:45:11 pm
Citação de: "luso"
Eu não contaria com os americanos a médio prazo. Cheira-me (cheira? tresanda!) que eles terão problemas que cheguem. Alemanha ou Brasil parecem-me os parceiros a considerar.
Respondo aqui à questão levantada sobre a saída da NATO de Oeiras.

A questão do futuro de uma eventual plataforma continental, é complicada na medida em que a dimensão da área que corresponderia a Portugal é enorme e completamente desproporcional relativamente ao tamanho do país e da sua população.

Portanto, coloca-se o problema da muleta.
Mas qualquer muleta vai sempre querer a sua parte.

A América também tem a sua plataforma continental atlântica e por isso não tem um problema tão grave quanto Portugal e se tiver alguma coisa a ganhar poderá apoiar Portugal.

O Brasil, infelizmente não tem nem vai ter tão cedo um peso específico real.
Não é que os brasileiros não queiram, o problema é que não podem. O Brasil não está directamente implicado e não tem grande coisa a ver com o Atlântico Norte. A politica externa brasileira pauta-se sempre por opções não intervencionistas, com excepções pontuais, como foi a intervenção na II guerra mundial.
Depois volta ao normal. Presentemente a actual direcção politica brasileira tentou dar uma imagem diferente, mas espalhou-se ao comprido.

A Alemanha, parece-me ser um contrasenso.
Trata-se de uma potência continental, sem tradição marítima. Uma opção pela Alemanha, colocaria Portugal em conflito com a Grã Bretanha, com a França, com a Espanha e com os Estados Unidos, sendo que todos estes países possuem meios navais correspondentes a nações com saída para o oceano.

Tal situação faz-me lembrar o Mapa Cor de Rosa, em que as grandes potências continentais (Impérios Russo, alemão e Austro-Hungaro, deste último não tenho absoluta certeza) apoiaram Portugal, mas no fim da história, toda a gente meteu o rabinho entre as pernas e foi a potência naval dominante que ditou as cartas.

A potência naval dominante do Atlântico, são os Estados Unidos. E isto não vai mudar nos próximos 250anos. Estar contra a América, será a mesma coisa que estar contra a Grã Bretanha no final do século XIX.
Mesmo que o poder dos americanos seja contestado na Ásia, no Pacífico e no Indico, a américa continuará a reinar suprema no atlântico norte.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Outubro 17, 2010, 11:06:35 pm
PT, creio que Portugal tem demasiado a perder em se aliar com alguém que é demasiado forte, alguém que se quiser dita as cartas que quiser, por agora. Em relação a Portugal creio que muito difícilmente não o faria, mas veremos como o povo americano vai indireitar a sua casa.

O Brasil, por seu lado, tem um poder latente mais que óbvio. Além disso tem capacidade industrial e científica/tecnológica. E certamente que será capaz de se autonomizar em determinadas áreas, o que se traduz na possibilidade de fornecer bens e serviços que não seja conveniente serem fornecidos pelos EUA. E quem diz os EUA, diz os Reino Unido, a França ou a Rússia.
A Alemanha, essa tem massa de diversos tipos: a cinzenta e os aéreos. E pouco mar, comparativamente falando. Mas é uma potência e tem estado ao nosso lado na esmagadora maioria dos casos, ao contrário dos nossos "aliados" tradicionais.

Lidar com ingleses ou americanos é arriscar ser traido. E depois, a classe dirigente desses países não é gente para se convidar para padrinhos de baptizado.

Agora dizes muito bem quando sugeres que estamos sós nesta coisa.
Pois claro! Se não nos defendermos, vão ser outros a fazê-lo por nós? Daí eu mencionar países com capacidade de nos fornececer aquilo que precisamos para fazermos o nosso próprio trabalho. Não para o delegar ou partilhar com outros.
O que vale é que isto do "aumento da plataforma continental" já está a alertar as pessoas para a necessidade de termos uma marinha mais poderosa.

Nós estamos mais sós do que se pensa.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Jorge Pereira em Outubro 17, 2010, 11:26:49 pm
Citação de: "José Manuel Félix Ribeiro"
Como é que nós, portugueses, nos vamos adaptar a esta nova situação?

Penso que os alemães simpatizam connosco. Investiram cá, têm uma boa experiência, e não fizemos nada recentemente que os levasse a mudar de atitude. Portugal acumulou um capital relativamente à Alemanha que é positivo e que o distingue da Grécia. Mesmo passando entre os pingos da chuva, não estamos assim tão mal no nosso relacionamento político.

Penso, no entanto, que a Holanda continua a ser crucial e, quando a Bélgica se desintegrar, a Flandres pode ser a nossa maior amiga. É preciso reflectir muito sobre isto, mas creio que há três países que nos interessam: a Alemanha, a Holanda e a Noruega.

A Noruega?

A Noruega devia ser o nosso aliado principal por causa do petróleo, do mar e da exploração da plataforma continental.

Alguns dos cenários do exercício que fez mais recentemente [Portugal 2025 - que funções no espaço europeu, cuja recente actualização considera quatro cenários: "Florida Europeia", "Plataforma Asiática", "Escócia do Sul", "Ponte Atlântica"] consideram a plataforma energética que poderíamos constituir como relevante.

Exacto. Por isso, a Noruega é um parceiro possível - é atlântico e está muito próximo da UE. Fizemos um trabalho sobre as empresas energéticas na Europa e a Statoil [norueguesa] é uma coisa extraordinária - a forma como eles conseguiram estar no mundo inteiro. Mas falo da Noruega se decidirmos fazer uma aposta na plataforma continental, na sua extensão. Os alemães podem também estar interessados, porque não têm mar. Mas entre alemães, noruegueses e holandeses... A Noruega e a Holanda são o mundo atlântico. A Alemanha é o mundo europeu de que não podemos fugir.

Não tenho agora muito tempo para desenvolver, mas a meu ver as prioridades deveriam ser estas:

Estados Unidos: Ligação transatlântica, apoio militar, influência global, mercados financeiros e económicos.

Noruega: Know-how na exploração e aproveitamento da nossa ZEE e Plataforma continental. Energia.

Alemanha: Mercado (o maior da Europa), capacidade industrial,  ligação de Portugal ao continente por intermédio da potência dominante nesta área geográfica, longe de outros países continentais que facilmente colidem com os nossos interesses (Espanha e França).

Inglaterra: Mercados financeiros, contrapeso à opção continental europeia.

CPLP: Mercados (principalmente o Brasil), dispersão geográfica, capacidade de influência desses países nas suas respectivas áreas de interesse. Energia.

Holanda: País vocacionado para o mar por excelência (Atlântico), com grande Know-how nesta área, mas não só.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: FoxTroop em Outubro 18, 2010, 12:28:56 am
Citar
Não tenho agora muito tempo para desenvolver, mas a meu ver as prioridades deveriam ser estas:

Estados Unidos: Ligação transatlântica, apoio militar, influência global, mercados financeiros e económicos.

Noruega: Know-how na exploração e aproveitamento da nossa ZEE e Plataforma continental. Energia.

Alemanha: Mercado (o maior da Europa), capacidade industrial, ligação de Portugal ao continente por intermédio da potência dominante nesta área geográfica, longe de outros países continentais que facilmente colidem com os nossos interesses (Espanha e França).

Inglaterra: Mercados financeiros, contrapeso à opção continental europeia.

CPLP: Mercados (principalmente o Brasil), dispersão geográfica, capacidade de influência desses países nas suas respectivas áreas de interesse. Energia.

Holanda: País vocacionado para o mar por excelência (Atlântico), com grande Know-how nesta área, mas não só.

Seja qual for a direcção tomada, a questão mantem-se. Que podemos oferecer que não possam vir buscar?

É que no caso dos USA, para além dos problemas proprios sérios que tem, pode facilmente passar por cima de nós e "negociar" seja o que for directamente com quem de facto tem capacidade de exercer "direitos" no nosso triangulo (Espanha?). Com o deslocamento do centro de gravidade para fora do Atlantico Norte, Portugal tem um peso cada vez mais insignificante para os interesses USA.

Noruega continua a ser, para mim, o parceiro de excelencia e a opção natural, visto a sua localização e estar fora de "blocos". Contudo, não vejo que se possa fazer grande coisa no nosso contexto actual. É que fazemos excelentes projectos, que acabam invariavelmente mortos à nascença, sugados em comissões e instituições que apenas servem, na maioria dos casos, para sacar dinheiro do orçamento e colocar mais uns entachados. Creio que qualquer coisa que proponhamos aos norueguese e que implique a injecção de capital deles cá, será acolhida com muita reserva e com exigencias que nos farão reconsiderar.

A Alemanha, o nosso melhor parceiro continental (e acredito que se-lo-á por muitos longos anos), tem os olhos postos a leste. Torna a acalentar o sonho de uma fronteira terrestre com a Rússia que lhe irá permitir o acesso à energia e matéria-primas que necessita cada vez mais. E a culpa da viragem a leste dos alemães também é nossa ao ajudarmos a UE a expandir a leste. (beneficiou todos menos nós cá no canto)

Inglaterra e Holanda. Concorrentes directos, principalmente a Holanda. Não acredito que adirão a uma estratégia que lhes é directamente nefasta, tanto mais a Inglaterra, que luta actualmente para não colapsar (muitos por lá actualmente interrogam-se se o facto de não terem aderido ao € não ficará como o maior erro da sua história)

CPLP. Uma aposta de longo prazo. A maneira de ter peso na Europa, mas é coisa para muitos anos, mesmo muitos e já se vai com atraso.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: papatango em Outubro 18, 2010, 11:42:50 pm
Quando falo na questão da plataforma continental e dos direitos marítimos a ela associados, penso na perspectiva histórica, e coloco a possibilidade de no futuro se verificar uma corrida ao fundo do mar, como a partir do último quartel do século XIX, especialmente a partir de 1880 e que tem um dos seus marcos mais importantes na célebre Conferência de Berlim de 1884/1885.

A ligação que faço é a seguinte:

Os portugueses também acreditavam que tinham direitos históricos sobre grande parte dos territórios africanos. Nós acreditavamos e os outros países pura e simplesmente ignoravam com desinteresse esses nossos direitos, porque afinal, não estavam suficientemente desenvolvidos os meios técnicos para permitir a exploração efectiva dos territórios africanos.

O grande desenvolvimento das redes ferroviárias que tinha começado grosso modo por volta de 1840, tinha atingido velocidade de cruzeiro em 1880, altura em que se atingiu uma rapidez de construção muito elevada, resultado da aplicação de novas técnicas.

Os caminhos de ferro das grandes potências estavam mais que prontos para iniciar o desbravamento de África, com os britânicos à frente, que já tinham iniciado um processo idêntico na India.

Em 1880 a rede ferroviária da Grã Bretanha apresentava já sinais de saturação, com uma elevada densidade de linhas (a França e a Alemanha, países de maior dimensão teriam mais km de caminhos de ferro que a Grã Bretanha no final do século XIX).

O caminho de ferro é portanto a mola que justifica e facilita a corrida a África.

Eu parto do principio de que dentro de alguns anos, novas técnicas vão permitir explorar o fundo do mar de forma economicamente vantajosa.
Nessa altura, muito mais que hoje, esse fundo do mar será extremamente apetecível, tal como a África passou a ser muito mais apetecível quando os meios para a controlar e explorar comercialmente ficaram disponíveis com a revolução do caminho de ferro.



Portanto, se ocorrer um fenómeno idêntico, podemo-nos deparar com uma situação idêntica àquela com que já nos deparamos no passado:

Demasiados km2 de superficie marítima, para um país tão pequeno.
Nessa altura, haverá uma nova conferência de Berlim, para determinar que novas leis vão gerir os assuntos do mar e para atribuir territórios aos vários países.

Portugal terá o seu quinhão (se existir como Estado Independente), mas a maior parte desses milhões de quilómetros quadrados serão para outrem.

Considerando que os principais interessados nas nossas actuais potências águas são os nossos vizinhos mais directos, que tipo de relacionamentos deveremos desenvolver para nos precavermos contra eles ?

A Alemanha, é por natureza uma potência continental e por isso vai querer a sua parte do bolo, mas se os alemães quiserem a parte deles, então todos os outros vão querer.
A única coisa lógica que poderíamos fazer, seria tentar evitar aceitar a repartição do bolo, garantindo o direito àqueles recursos.

Mas em quem nos apoiamos ?

Certamente que não nos nossos «aliados europeus», os mesmos que em 1890 nos viraram as costas e olharam para o lado.
Todas as potências europeias nos bateram nas costas para avançar com o Mapa cor-de-rosa, mas quando se tratou de vias de facto, todos eles olharam para o lado e traíram as promessas de apoio.

Poderemos alguma vez confiar em países como a França a Alemanha ?
Pessoalmente acho que não são de mínima confiança.
Os britânicos já há muito que não são uma grande potência naval.

Só restam os Estados Unidos.
Os Estados Unidos, para afirmar o seu apoio à garantia dos direitos portugueses à exploração de vários milhões de km2 de superfície oceânica e do seu correspondente valor económico.

São o único país cujo apoio, tem significado politico-militar.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Luso em Outubro 19, 2010, 12:31:27 pm
Quem é fraco não negoceia: fica com as sobras.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Outubro 19, 2010, 01:09:48 pm
Citação de: "papatango"
Nessa altura, haverá uma nova conferência de Berlim, para determinar que novas leis vão gerir os assuntos do mar e para atribuir territórios aos vários países.
Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar - Artigo 76ª e seguintes (http://http).

Citação de: "papatango"
Portugal terá o seu quinhão (se existir como Estado Independente), mas a maior parte desses milhões de quilómetros quadrados serão para outrem.
Limites exteriores da extensão da plataforma continental de Portugal - ~2 milhões de kilometros quadrados (http://http).
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: papatango em Outubro 19, 2010, 02:20:12 pm
Desde quando as convenções internacionais têm valor após terem sido revogadas ?

O que foi a conferência de Berlim, que não uma reorganização das leis, de forma a dar suporte juridico internacional aos direitos das potências europeias que tinham capacidade para efectivamente controlar territórios ?

Mesmo hoje, quando ainda não há uma noção do que pode haver debaixo do mar, se você disser a um cidadão europeu medianamente informado, que Portugal tem mais ZEE que a maior parte dos países europeus todos juntos, ele vai-lhe chamar parvo.
Se você provar que tem razão, ele coça a cabeça e diz que isso não pode ser e que é um absurdo porque o país é demasiado pequeno.

Nós não temos dimensão para aspirar a controlar as possíveis riquezas da plataforma continental, sem fazermos o que fizemos sempre:
Conseguir apoio da potência que tiver a ganhar alguma coisa, mantendo ainda uma parte considerável do controlo das riquezas e recursos para nós.

Se nos próximos 20 anos, a técnica evoluir e passar a ser possível explorar riquezas do fundo do mar com custos reduzidos, o que o governo da Alemanha vai fazer quando a opinião pública alemã disser que o povo alemão tem direito a uma parte da plataforma continental europeia ?

Quanto tempo você acha que vai demorar, até que alemães e também franceses, polacos, húngaros ou italianos exijam uma divisão da plataforma continental já não pela bitola da costa dos estados marítimos, mas sim pela da dimensão populacional dos países do continente ?
Que direito temos nós, 10 milhões de europeus que estão em Portugal, de ter centenas de vezes mais ZEE que os 80 milhões de europeus que estão na Alemanha ?

Se somos parte da União Europeia, não faz sentido que tudo o que temos no fundo do mar seja repartido de forma equitativa entre os europeus ?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Outubro 19, 2010, 03:54:11 pm
Citação de: "papatango"
Desde quando as convenções internacionais têm valor após terem sido revogadas ?
A UNCLOS foi revogada?

Citar
O que foi a conferência de Berlim, que não uma reorganização das leis, de forma a dar suporte juridico internacional aos direitos das potências europeias que tinham capacidade para efectivamente controlar territórios ?
Mutatis mutandis, descreveu a parte VI da UNCLOS (e outras, mas creio que não está a por em causa essas), assinada por toda a gente que interessa (http://http).

Citar
Mesmo hoje, quando ainda não há uma noção do que pode haver debaixo do mar, se você disser a um cidadão europeu medianamente informado, que Portugal tem mais ZEE que a maior parte dos países europeus todos juntos, ele vai-lhe chamar parvo.
Se você provar que tem razão, ele coça a cabeça e diz que isso não pode ser e que é um absurdo porque o país é demasiado pequeno.
Nenhum daqueles com que falei diz isso. Dizem instead que é um grande potencial e uma grande responsabilidade (ler: em termos ambientais)

Citar
Nós não temos dimensão para aspirar a controlar as possíveis riquezas da plataforma continental, sem fazermos o que fizemos sempre:
Conseguir apoio da potência que tiver a ganhar alguma coisa, mantendo ainda uma parte considerável do controlo das riquezas e recursos para nós.
Já controlamos mais áreas com menos gente e tecnologia. É dar trabalho ao camarada Chaimites e já desenrasca.

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Se nos próximos 20 anos, a técnica evoluir e passar a ser possível explorar riquezas do fundo do mar com custos reduzidos, o que o governo da Alemanha vai fazer quando a opinião pública alemã disser que o povo alemão tem direito a uma parte da plataforma continental europeia ?
A menos que nos próximos 20 anos haja alguma revolução na Alemanha, vai fazer o mesmo que faz quanto às restantes riquezas naturais.
Adquiri-las em troca de equipamento industrial, carros de gama alta, electrodomésticos, elevadores, etc etc.
Em alternativa, pode ir explorar com o acordo dos donos - como andam já a fazer na PC Portuguesa. Ainda este mês um grupo Alemão descobriu mais uma fonte Hidrotermal (http://http).

Citar
Quanto tempo você acha que vai demorar, até que alemães e também franceses, polacos, húngaros ou italianos exijam uma divisão da plataforma continental já não pela bitola da costa dos estados marítimos, mas sim pela da dimensão populacional dos países do continente ?
A menos que todos esses países queiram dar 1/3 do Oceano à India e China, não creio que alguma vez o venham a fazer.

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Que direito temos nós, 10 milhões de europeus que estão em Portugal, de ter centenas de vezes mais ZEE que os 80 milhões de europeus que estão na Alemanha ?
O mesmo direito que meia duzia de Russos e Canadianos têm a toda a tundra do Hemisfério Norte.

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Se somos parte da União Europeia, não faz sentido que tudo o que temos no fundo do mar seja repartido de forma equitativa entre os europeus ?
Boa pergunta - já me prepuseram investigar sobre isso. Afinal, as ZEE são partilhadas para a pesca. Mas se daí se pode argumentar que a Plataforma Continental (que não inclui coluna de água) também é partilhada... parece-me difícil. O argumento para a gestão comunitária das pescas prende-se com a natureza migratória do peixe, e a necessidade de coordenação para a sua preservação. Nenhum desses argumentos se aplica aos fundos do mar da ZEE, logo não vejo como se poderiam aplicar à PC. De qualquer forma, a União tem mecanismos que os Estados Membros podem usar para protegerem o que considerarem ser interesses fundamentais, e em ultimo caso... é opcional.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: papatango em Outubro 19, 2010, 08:23:06 pm
Vicente de Lisboa ->

Como é evidente eu não afirmei que tinha sido revogada qualquer disposição internacional sobre direito marítimo, mas sim que, no futuro, tal poderia ocorrer.
Eu estabeleci uma comparação com a corrida a África, na sequência da explosão do caminho de ferro, quando a construção de vias férreas e a rede na Europa (especialmente no Reino Unido) estava numa situação de saturação.

Os direitos históricos de Portugal, também existiam, ou o que é que você acha que significava o facto de os portugueses erguerem padrões dos descobrimentos em todo o lado ?
Acha que era só para os artífices e pedreiros se divertirem a fazerem padrões com as cinco quinas ?

O Padrão, era uma afirmação de reclamação de terra para um determinado país. Portugal utilizava os padrões para afirmar os seus direitos e todos os países europeus o faziam.
Em 1811, ficou famosa aquela colocação por parte dos ingleses de uma placa numa ilha vulcânica que apareceu nos açores, que ficou conhecida como ilha Sabrina (o nome do navio britânico, que se apressou a navegar para a ilha, para ali colocar uma placa reclamando a terra para sua majestade britânica).
Em 1811 isso era prática comum, embora as veleidades britânicas tenham sido varridas pelo oceano, que voltou a afundar o domínio de sua majestade.

Mas em 1880, os direitos históricos e as placas e o império de padrões portugueses, desapareceu na conferência de Berlim.
O que eu afirmo, é que no futuro, um processo de contornos idênticos pode colocar Portugal na mesma situação em que esteve em 1880.
Ou seja:
Um país pequeno, que a História permitiu que criasse um gigantesco império e que a geografia colocou numa posição, que lhe permite reclamar milhões de quilometros quadrados de área submersa para possível exploração submarina.

Mas, um país pequeno, que não tem condições e recursos para efectivamente explorar tais recursos.
O que alegaram contra nós em 1880, é que não podiamos deixar tanto território por civilizar, já que era dever do homem branco civilizar a África. Deixar tanto território nas mãos dos portugueses era o mesmo que condenar milhões de pretinhos ao subdesenvolvimento ...  :roll:  :roll:

Eu estabeleci uma analogia com o que poderá acontecer no futuro.
Os principais interessados podem perfeitamente alegar que Portugal não tem dimensão nem recursos para explorar o oceano e que por isso deve ser feita uma repartição com base em novos pressupostos.


=== === ===

A afirmação sobre o que lhe dizem os estrangeiros com que fala é sintomática.
Se você falar com pessoas pouco informadas elas vão dizer que não entendem porque Portugal deve ter o direito a tanto mar.
Se a pessoa tiver conhecimento de causa, vai dizer que é uma grande responsabilidade.

É essa afirmação é o primeiro passo, para explicar posteriormente aos portugueses, que é uma responsabilidade que um país tão pequeno não tem como assumir.

=== === ===

A Alemanha dentro de 20 anos será outra. Já não há duas alemanhas nem soviéticos preparados para invadir. A Alemanha de cariz prussiano, que ficou na antiga RDA vai começar a mostrar os dentes como sempre fez, e vai começar a dizer que os outros têm que fazer como a Alemanha manda.
O tempo da Alemanha boazinha que dava dinheiro aos pobrezinhos quando Mario Soares ía pedir esmola a Bona ACABOU ou está para ACABAR.

Eu não sei como se diz «acabou-se a mamata» em alemão, mas é isso que a senhora Merkel está a dizer, e é o que provavelmente dirão os seus sucessores.

A escolha de um aliado do ponto de vista estratégico está por isso condicionada pela geografia, como sempre esteve.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Outubro 22, 2010, 01:50:54 pm
Aposto que não fui o único a esboçar um sorriso com as declarações breves e certeiras de Niko Wiljnost, presidente do Dutch Maritime Network, Chairman da European Network of Maritime Clusters e Professor no Euromed Management em Marselha, à saída da Conferência Expresso/SGD dedicada a Portugal e o Mar: a nossa aposta para o século XXI, essa equação que tornámos impossível.

Infelizmente, não encontrei ainda o excerto da entrevista na net. Mas, basicamente, o especialista comparou a situação actual com a que encontrou quando cá esteve há 4 ou 5 anos: tudo na mesma.

As "propostas" apresentadas são pouco mais que medíocres e largamente insuficientes, como qualquer cidadão pode facilmente perceber.

Epá, falam, falam, falam...


E é só meter água.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Novembro 03, 2010, 02:19:35 pm
Já que não se passa do plano da discussão acerca das estratégias do / para o Mar, aqui ficam umas sugestões potencialmente interessantes:  

(http://www.carloscanaes.pt/wp-content/uploads/2009/02/fdl.jpg)

II JORNADAS DE LISBOA DE DIREITO MARÍTIMO: O NAVIO (http://http)

Dias 11 e 12 de Novembro de 2010

Organizadas pelo Centro de Direito Marítimo e dos Transportes na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Coordenação: Prof. Doutor M. Januário da Costa Gomes

Condições: 100 Euros para participantes em geral / 50 Euros para Licenciados no ano 2005-2006 ou posterior e Advogados-Estagiários / Entrada gratuita para actuais docentes da Faculdade, alunos do 3.º ano da Licenciatura
da Faculdade inscritos em Direito Marítimo, actuais alunos do Mestrado da Faculdade e antigos alunos da Faculdade que tenham obtido aprovação na disciplina “Direito Marítimo” (número limitado de vagas em cada opção)  
:roll:

Inscrições e infos:
Dr. Miguel Martins - Instituto de Cooperação Jurídica (FDL)
Tel: (+351) 21 798 46 00
e-mail: ana.rodrigues@iep.lisboa.ucp.pt (http://mailto:ana.rodrigues@iep.lisboa.ucp.pt) ou tel. 21 721 41 29/45

_______

E não esquecer as Jornadas do Mar organizadas pela Marinha na Escola Naval. O Programa é, francamente, bastante mais prometedor do que os dois acima.

Veja-se o "post" (http://http) no tópico da Marinha (para não duplicar)

A ver se alguém sai mais inspirado...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 03, 2010, 09:07:14 pm
A da ENaval está muito bem, sim senhor, mas não dá para quem trabalha...  :mrgreen:

De qualquer modo, alguém vai participar em alguma delas?
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: FoxTroop em Novembro 04, 2010, 10:13:24 pm
Citar
Aposto que não fui o único a esboçar um sorriso com as declarações breves e certeiras de Niko Wiljnost, presidente do Dutch Maritime Network, Chairman da European Network of Maritime Clusters e Professor no Euromed Management em Marselha, à saída da Conferência Expresso/SGD dedicada a Portugal e o Mar: a nossa aposta para o século XXI, essa equação que tornámos impossível.

Infelizmente, não encontrei ainda o excerto da entrevista na net. Mas, basicamente, o especialista comparou a situação actual com a que encontrou quando cá esteve há 4 ou 5 anos: tudo na mesma.


Citar
O espírito do mar


A conferência "Portugal e o Mar, a nossa aposta no séc. XXI", organizada pelo Expresso e pela CGD teve um orador que nos arrasou. Disse Niko Wijnolst, presidente da Rede Europeia de Clusters Marítimos, que o que fizemos desde 2005 tem sido sobretudo um exercício intelectual. Porquê? "Há muita burocracia e outros problemas, mas a questão fundamental é a falta de espírito empreendedor". Com efeito, muitos se têm empenhado em chamar a atenção dos políticos para o mar. Mais que todos Tiago Pitta e Cunha, que colocou o tema na agenda europeia de Durão Barroso e na de Cavaco Silva. Sem o seu entusiasmo e impulso, o mar não seria hoje uma preocupação em Bruxelas e em Portugal. Mas depois falta ao sector privado a visão e a coragem para assumir riscos que teve o Infante D. Henrique
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Novembro 05, 2010, 04:58:09 pm
Citação de: "Vicente de Lisboa"
A da ENaval está muito bem, sim senhor, mas não dá para quem trabalha...  :G-beer2:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 05, 2010, 06:35:27 pm
Acabei de reparar: José Manuel Fernandes?  :shock:

No thanks.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: P44 em Novembro 06, 2010, 12:13:48 pm
Citação de: "Vicente de Lisboa"
Acabei de reparar: José Manuel Fernandes?  :mrgreen:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 12, 2010, 08:52:29 pm
As II Jornadas de Lisboa do Direito Marítimo foram fixolas.

A sala esteve muito vazia, infelizmente... e parecia que só o Espanhol é que conjugava conhecimento com experiência com iniciativa. De qualquer forma, é para repetir.  :)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Novembro 16, 2010, 05:29:01 pm
Dia Nacional do Mar: como puxar as brasas à nossa sardinha

(http://www.emam.com.pt/images/stories/imagens/opeixecerto.jpg)(http://www.emam.com.pt/images/stories/imagens/passaportedomar.jpg)

A propósito do que realmente está a ser feito no planeamento e actividade no sector da Nova Economia do Mar, ainda não há Desígnio Nacional, mas as "estratégias" multiplicam-se, sobretudo (oh novidade) no sector privado.

Em época de Novos Conceitos Estratégicos (NATO), pode dizer-se que no Mar Português a agitação marítima já começou...
 
Decorreu hoje na Sociedade de Geografia de Lisboa uma interessante Mesa redonda sobre o tema “O Oceano e as Instituições”, organizada em parceria com o Fórum Permanente para os Assuntos do Mar, Academia de Marinha e Centro Nacional de Cultura. O Fórum agrupa 58 empresas e prevê publicação de projectos "concretos" nos domínios da náutica de recreio, portos e transportes marítimos para Junho de 2011.

Mas interessa sobretudo perceber o que está a passar. As iniciativas são múltiplas, de âmbito variado. Hei-de arranjar tempo ainda esta semana para fazer uma actualização maciça neste âmbito das Coisas Estratégicas do Mar em Portugal.

Entretanto, e para que conste à navegação interessada:

(http://www.hipersuper.pt/wp-content/uploads/2010/02/porto_leixoes.jpg)

23 de Novembro:

Seminário “Politica Portuária e Logística”

Hotel Corinthia, Lisboa

Organizado pela Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa, com o apoio das Embaixadas da Bélgica e do Grão-Ducado do Luxemburgo.

O Seminário abordará duas grandes temáticas, nomeadamente:
“A Politica Portuária e a Intermodalidade”
“O Projecto Portugal Logístico”

Os painéis de discussão serão integrados por académicos e empresários de reputado reconhecimento na área e por representantes de instituições, nacionais e internacionais, ligadas à logística e aos portos.

Programa provisório acessível online (http://http)

Mais infos:
Câmara de Comércio Luso-Belga-Luxemburguesa
Av. Duque de Ávila, 203 - 5º – 1050-082 Lisboa
Tel.: 213.152.502/03 – Fax: 213.547.738
E-mail: http://www.cclbl.com (http://www.cclbl.com)


E ainda no mesmo dia 23:

(http://arcaportugal.files.wordpress.com/2010/11/image001.jpg)

Políticas Públicas do Mar: por um Novo Conceito Estratégico Nacional (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 16, 2010, 05:50:40 pm
Bons achados caro João Vaz!
Essa na Gulbenkian (santificado seja o Sr. Calouste) parece bem apetitosa.

Entretanto, hoje o programa da RTP2 "Sociedade Civil" foi dedicado ao Mar, e contou com as seguintes presenças:

Prof. Manuel Pinto de Abreu - Responsável pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar
Dr. Tiago Pitta e Cunha - Membro do Gabinete do Comissário Europeu para as Pescas e para os Assuntos Marítimos
Mestre Maria Fernandes Teixeira - Instituto de Estudos Europeus da U. Católica.
Eng. Fernando Ribeiro e Castro - Secretário Geral do Fórum Empresarial da Economia do Mar

Está disponível por inteiro no site da RTP, AQUI (http://http).
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 30, 2010, 07:30:48 pm
Houve um seminário interessante hoje, na Academia de Marinha sobre "Gestão e Ordenamento das Actividades Litorâneas", embora a meu ver as comunicações mais interessantes tenham sido as do Prof. Fernando Barriga (UL) e Prof. Ricardo Santos (UAçores) sobre os recursos do Mar Profundo.

Infelizmente, a audiência era parca, e o que é pior, e para ser honesto, velha. Acredito que a média de experiência e/ou conhecimento daquelas cabecinhas brancas seja muito superior a qualquer coisa que eu alguma vez possa vir a ter, mas de pouco vale se a informação é transmitida em circuito fechado, para aqueles que já estão mais que alertados para o assunto, e que de qualquer forma já estão na reforma ou perto dela.

Falou-se lá dos jovens, mas atendendo à total falta de divulgação do evento e até à alguma atitude "oh pobre de mim que sou tão bom mas ninguém me vem pedir o meu fantástico conhecimento"... pareceu piada.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: João Vaz em Dezembro 06, 2010, 12:20:09 pm
De facto, a veterana Academia de Marinha tem essa característica etária  :mrgreen:

(http://www.marinha.pt/PT/amarinha/actividade/areacultural/academiademarinha/PublishingImages/02JUN09_2.jpg)

Também sofre de fraca adesão ao calendário de conferências (muitas delas de interesse), fruto dos seus numerus clausus para o público em geral.

Um potencial de divulgação sub-aproveitado, já para não falar na frequente inacessibilidade das famosas separatas das comunicações e de diversas outras publicações excepcionalmente interessantes (http://http) disponíveis em tiragens hiper-reduzidas e em horário de expediente quase inexistente.

Fica aqui o meu voto de actualização do financiamento da Academia, para que amplie e disponibilize o âmbito do seu interessante trabalho histórico-cultural.

Mas, já agora que se falou na Academia...
_________________

(http://www.eurocid.pt/pls/wsd/docs/F1055/2010_marinha_sp.jpg)

...deixo aqui uns excertos de um estudo pertinente para o estado actual das Estratégias do Mar, solicitado pela Academia de Marinha aos Contra-Almirantes engenheiros construtores navais António Balcão Reis e Victor Gonçalves de Brito
e publicado em Abril de 2010.

O trabalho pretende "Dar a conhecer a capacidade e possibilidades da indústria naval nacional" e
"Contribuir para melhorar a cooperação entre a Marinha e a indústria".

Atentem nas conclusões.


"Construção e Reparação Navais: Situação e Perspectivas"

Síntese, elaborada pelo capitão-de-fragata engenheiro construtor naval Óscar Filgueiras
Mota, das palestras sobre «Construção e reparação naval portuguesas. Situação e
perspectivas», apresentadas na Academia de Marinha em 13, 20 e 27 de Abril de 2010, no
âmbito das Jornadas sobre Construção Naval


(...)

"Não assistimos, como era necessário, a uma modernização das instalações, nem a uma especialização dos estaleiros, nem a fusões ou associações entre estaleiros, salvo raras excepções e sempre pontuais. E no entanto a reduzida dimensão do nosso mercado mais aconselhava iniciativas desse género, não necessariamente confinadas ao território nacional.
E assim foram ficando pelo caminho Argibay, Parry & Son, S. Jacinto, Margueira e seguiram em frente, actuais reservas estratégicas em metalomecânica, a Lisnave, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o Arsenal do Alfeite, a Naval Rocha, Estaleiros Navais de Peniche, Navalria, Estaleiros Navais do Mondego.
O Arsenal do Alfeite mercê da sua recente passagem de órgão de execução de serviços da Marinha a Sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, justifica alguns comentários. Os textos legais apontam para mudanças importantes, mas só a forma como vierem a ser aplicadas permitirá um julgamento. Há que esperar para ver"
.

(...)

"Um outro mundo, de dimensão e qualificação muito inferior ao desejável é o da Subcontratação – Empresas de instalação. A subcontratação é inevitável, fruto da evolução natural do processo construtivo, de passagem da empresa global e auto-suficiente a empresa essencialmente de montagem. Há que ter presente alguns riscos inerentes à subcontratação, designadamente o menor conhecimento ou desconhecimento das capacidades, das técnicas, procedimentos e particularidades do contratante e o risco de onde se deveria encontrar especialização se encontrar amadorismo ou cultura biscateira. Mas este é um caminho sem regresso e a solução está na maior especialização e qualificação das empresas".

(...)

"A reduzida dimensão do mercado e as especificações de maior exigência, que são colocadas aos componentes navais, dificultam o estabelecimento de uma indústria auxiliar que, para se afirmar teria que se desenvolver tecnologicamente e internacionalizar/exportar.
E efectivamente, ao mesmo tempo que as poucas indústrias auxiliares tradicionais que ainda tínhamos foram desaparecendo, afirmaram-se fabricantes em tecnologias de ponta virados para a exportação, como é o caso da EID e EDISOFT, actuando na área da concepção e fabricação de sistemas e equipamentos de comunicações navais, sistemas de Processamento de mensagens e de controlo de tráfego marítimo, desenho de sistemas de comando e controlo de armas e sensores de navios militares. Louvável a iniciativa da Associação das Indústrias Navais fazendo-se parceira no projecto Aux-Navalia, integrado no programa europeu Espaço Atlântico, destinado a aumentar a competitividade da indústria auxiliar naval, apontando para a concentração sectorial, internacionalização, agrupamentos transnacional, cooperação entre a indústria auxiliar e os centros tecnológicos sectoriais.
A exportação constitui um imperativo, um requisito de sobrevivência. O mercado nacional tem de servir de cobaia, exigente e responsável. E entre as cobaias têm de ser os organismos públicos, as Forças Armadas em particular, a dar o exemplo, correndo riscos calculados, dando a mão, sendo equilibradamente exigentes, sendo parceiros na procura da excelência"
.

(...)

"O estabelecimento de uma classificadora portuguesa, que se queria como base de desenvolvimento tecnológico e ninho de engenharia naval foi um belo sonho, que se concretizou na Rinave. Foi indiscutivelmente uma iniciativa de marcado interesse, à sua medida, no contexto da engenharia naval em Portugal. Por longos períodos foi o primeiro empregador nacional de engenheiros e técnicos navais. Com a ajuda de alguns conseguiu sucessos que pareciam impossíveis de alcançar. Morreu na praia.
O mais clamoroso de todos os erros foi o divórcio entre a Sociedade de Classificação e a Escola, entenda-se o IST, com o seu curso de engenharia naval e o Centro de Engenharia e Tecnologia Naval.
As novas tecnologias vieram permitir a criação de Gabinetes de Projecto, baseados num pequeno núcleo técnico, com possibilidades de responder a solicitações que antigamente exigiam vastos gabinetes de engenharia e grandes salas de desenho. E jovens engenheiros têm aproveitado estas possibilidades para montar pequenos gabinetes de projecto com trabalhos independentes ou em colaboração com estaleiros que de igual modo têm vindo a tirar partido destas capacidades"
.

(...)

"O IST – Instituto Superior Técnico é o principal centro de formação em engenharia naval do país e em sentido restrito será mesmo a única sede de tal ensino.
Reconhecido o alto nível da formação ministrada ao nível do mestrado, segundo Bolonha, com colocação assegurada a todos os finalistas, merece ser duramente criticada a licenciatura segundo Bolonha, 3 anos, que deveria preparar os instruendos para imediata entrada no mercado de trabalho e os deixa sem um mínimo de preparação, obrigando-os a prosseguir os estudos rumo ao mestrado, negando a própria natureza da licenciatura.
Com um ingresso em média de 10 alunos a que se junta uma dezena de estrangeiros, espanhóis, belgas, brasileiros, noruegueses, etc. em regime de Erasmus ou na base de parcerias com outras Escolas, saem anualmente 4 ou
5 engenheiros.
O IST, na figura do Centro de Engenharia e Tecnologia Naval (CENTEC) continua a ser o maior ou um dos maiores empregadores de recémformados, conforme os fundos que habilmente, honra lhe seja feita, vai angariando. Mas terão tido as centenas de milhares de euros angariados a desejável influência e de progresso na engenharia naval nacional?
Entre os cursos ministrados pela Escola Naval está a Engenharia naval, com os ramos de Mecânica e de Armas e Electrónica.
Pela reforma de 1986 foi extinta a classe de Engenheiros construtores navais, sem prejuízo da Marinha continuar a manter um programa de formação no estrangeiro de pos-graduação em arquitectura naval, que nos últimos anos tem tido lugar no University College London. Terminada a pos-graduação mantêm-se no quadro comum de engenheiros navais.
Tentando ser isentos pensamos que este tipo de soluções não motivam adesões à arte da engenharia naval, não ajudam ao seu desenvolvimento nem honram tradições de séculos de país marinheiro.
Uma palavra final para a Escola Náutica, escola de ensino superior politécnico público tutelada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. É hoje o coração de um moderno complexo de estudos náuticos. A melhor referência que se pode fazer ao seu ensino é a forma como são requisitados todos os que nela se formam tendo assegurada a sua imediata
colocação no mercado de trabalho.
São de crise os tempos que vivemos, crise em geral, crise em particular no sector naval.
Que haja empreendedores que, seguindo a máxima que é em tempos de crise que se investe, tenham a visão e a coragem de apostar no sector, investindo e investindo forte"
.

(...)

Soluções

"A apregoada deficiência do sector de projecto nacional talvez seja mais um problema de coordenação do que de falta de capacidade; para ganhar e manter experiência, é fundamental a continuidade.
E, sobretudo, será de evitar o desperdício resultante de:
- Especificações claramente demasiado complexas, para os tipos de navios em causa;
- Faltas de decisão sobre aprovações de desenhos e de equipamentos, que obrigam a muitos atrasos e repetições"


"4.2 - Ocupação e exploração do mar da plataforma continental
Trata-se de um mercado com um tremendo potencial para a indústria naval, do qual só uma parte depende da Marinha.
As energias renováveis produzidas em meio marinho (sobretudo geradores de ondas e eólicos) necessitarão do trabalho dos estaleiros navais não só no fabrico destes equipamentos, mas também na construção de navios de apoio à instalação, logísticos, patrulhamento e apoio a eventuais actividades nas plataformas marítimas.

Dependem da Marinha de Guerra dois sectores:
- Estudo, construção e manutenção de navios para ocupar e patrulhar a enorme zona marítima;
- Estudo, construção ou adaptação e manutenção de navios especializados em investigação.
Sobretudo em relação aos últimos, bom seria que a Armada pudesse estudar e formular os seus requisitos conjuntamente com a indústria naval"
.

(...)

"Para o futuro, qualquer hipótese de sucesso cremos que passará pela globalização e aproveitamento racional – por uma vez, das contrapartidas.
É fundamental, no nosso ponto de vista, a entrada de capital estrangeiro, detentor do «know-how» e conhecimento do mercado. E a internacionalização"
.

(...)

"A necessidade de cooperação entre a Marinha e a indústria naval resulta evidente para quem estudar esta matéria. Resta definir em que modalidades".

(...)

"4.4 - Preparar o futuro
I. A capacidade da indústria
Já vimos que a indústria naval portuguesa, no seu sentido mais abrangente, tem capacidade para:
- Investigar, projectar e construir navios não combatentes (a oportunidade perdida com as corvetas, brada aos céus)
- Reparar e modernizar navios combatentes Acrescentamos que a política a seguir no caso de navios combatentes deverá ser construir um navio fora e os restantes (normalmente dois) em Portugal. É o que fazem a Grécia e a Turquia que, pelo menos até há pouco, tinham uma construção naval menos desenvolvida do que nós.

Sem querermos entrar propriamente na discussão das contrapartidas, recordamos que, num navio de guerra, o nosso valor acrescentado será da ordem de um terço ou um quarto, sendo o restante (materiais e equipamentos) próximo dos dois terços ou três quartos. Isto quer dizer que temos sempre boas condições negociais para que as construções em Portugal sejam tecnicamente apoiadas.

II. A colaboração entre a Marinha e a indústria
A colaboração, a aliança, entre a Armada e a indústria naval terá de ser íntima e continuada, no interesse mútuo. Poderá levar à criação de um Centro Tecnológico do Mar, mas o que é fundamental é manter um contacto permanente para resolver problemas e fazer um planeamento de longo prazo, que dê continuidade às encomendas.
Para este fim sugerem-se reuniões periódicas de alto nível (intervalos não superiores a 3 meses) abrangendo entidades da Armada, da Defesa, da Economia e dos estaleiros navais com seguimento de:
- Tarefas, tanto quanto possível conjuntas, distribuídas a executantes
diversos;
- Oportunidades que possam ter surgido a partir dos Ministérios da Defesa, Economia ou Negócios Estrangeiros.
A Associação das Indústrias Navais poderá coordenar o apoio pela parte da indústria"
.

Documento na íntegra online:
http://www.marinha.pt/PT/amarinha/actividade/areacultural/academiademarinha/Documents/CONSTRU%C3%87%C3%83O%20NAVAL.%20S%C3%ADntese%20das%20jornadas.pdf

Muito mais haverá a dizer quanto às Estratégias do Mar, em "posts" futuros. Material não falta.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Janeiro 31, 2011, 05:52:02 pm
Ora vamos ver se este Tópico sai das profundezas:

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"Maior riqueza do país está no fundo do mar", diz Manuel Pinto Abreu

Manuel Pinto Abreu, responsável pela Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar (EMAM), concorda que a maior riqueza de Portugal está no fundo da sua Plataforma Continental marítima.

"Com grande probabilidade ela está aí. Agora é preciso trazê-la para a superfície e realizá-la para os portugueses", comentou à Lusa um dos principais rostos da proposta portuguesa para a expansão da Plataforma Continental.

O EMAM, estrutura tutelada pelo Ministério da Defesa, entregou em 2009 na Convenção para os Direitos do Mar das Nações Unidas o dossier que deverá culminar com a atribuição a Portugal da jurisdição sobre os territórios da sua Plataforma Continental marítima.

Apesar de as pesquisas iniciais se focarem naquele objectivo, o EMAM cedo começou a perceber que os recursos existentes dentro da área reclamada por Portugal eram bem mais do que apenas a biodiversidade das nossas águas.

"Os teores dos metais que encontrámos apontam para valores muito promissores relativamente ao que existe no fundo submarino, e, quando estou a falar em teores de metais, falo em cobalto, níquel, cobre, ferro, há muito ferro, mas também ouro, prata e uma série de metais raros", admitiu Manuel Abreu.

O professor reconhece que foram vistas "algumas formações que podem estar associadas ao que chama-mos vulcões de lama, ou seja, de energia relativa a gás, gás natural ou até metano", embora desconheça a sua importância.

O investigador revelou ainda à Lusa a descoberta, na semana passada, de dois novos "pontos de interesse" na Plataforma Continental, duas novas crateras que poderão ser poços de gás natural.

Estas duas novas crateras juntam-se a duas outras, vulgarmente apelidadas de "fried eggs", com seis e três quilómetros de diâmetro, situados 150 quilómetros a sul dos Açores, e a continuação da exploração pode revelar novas surpresas.
Oje Dixit (http://http)


Also,

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Lisboa, 31 jan (Lusa) -- A Plataforma Continental marítima portuguesa esconde um tesouro à espera de ser mapeado, com depósitos de cobre, níquel, cobalto, ouro, prata, gás natural e metano, afirma António Costa Silva, presidente da Partex, em entrevista à Lusa.

O valor, localização e quantidade estão por quantificar, mas o empenho do Governo na expansão da Plataforma Continental, que, provavelmente em 2018, duplicará a área do país para quatro milhões de quilómetros quadrados, comprova o interesse nestas novas fronteiras.

Portugal pode mesmo ter um tesouro no fundo do mar e tudo aponta para que uma das joias da coroa venha a ser a exploração dos hidratos de metano, o combustível fóssil.
Expresso Dixit (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lusitano89 em Fevereiro 03, 2011, 08:10:18 pm
Governo prepara Simplex para o mar


O Governo está a preparar um processo de simplificação administrativa para facilitar a aprovação de projectos ligados ao mar, revelou hoje o secretário de Estado da Defesa Nacional e Assuntos do Mar, Marcos Perestrello.

"Está em curso na secretaria de Estado da Modernização Administrativa um Simplex para o mar. O objectivo é um projecto, uma licença: a cada projecto corresponderá apenas uma licença", revelou o secretário de Estado, durante o seminário "Municípios e o Mar", na FIL, em Lisboa, admitindo que, actualmente, "a economia ligada ao mar sofre de alguma indefinição sobre que autoridade é responsável".

O governante realçou que a economia portuguesa sempre foi virada para o mar, uma tradição que se perdeu nos últimos 30 anos, e que é preciso retomar, envolvendo municípios, universidades, comunidade científica e empresários.

"O Estado tem de ser capaz de criar condições para que os empresários se possam desenvolver, mas a partir daqui é um esforço que nós todos fazemos", disse, realçando que, além do Simplex para o mar, está em fase de conclusão o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo (POEM).

Segundo o governante, ao "sistematizar o POEM e ao simplificar os procedimentos para que os empresários que queiram investir no mar o possam fazer, o Estado já terá feito muito da sua parte".

Marcos Perestrello considerou que os municípios podem ser parceiros fundamentais em relação à questão dos portos, do turismo e da sensibilização para o mar e para o ambiente, a área onde a participação municipal "está actualmente mais desenvolvida".

Na sua intervenção no seminário, José Catarino, secretário-geral da Confederação do Turismo Português (CTP), salientou a dificuldade das empresas na aprovação de projectos nesta área, porque "aparentemente há sete ministérios que tomam conta da zona marinha".

José Catarino considerou "a sobreposição da legislação com múltiplas entidades intervenientes ao nível da administração", o "excesso de taxas", as "poucas infra-estruturas e serviços associados à náutica de recreio e desportiva", a "deficiência em mão de obra especializada" e a "inexistência de uma base de dados única de empresas de animação turística", como algumas das dificuldades para a afirmação do turismo ligado ao mar.

Portugal tem 81 municípios (de um total de 308) com frente de mar, 51 dos quais no continente, 19 nos Açores e 11 na Madeira.

Lusa
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Junho 15, 2011, 10:34:44 pm
2 Noticias para ressuscitar este tópico:

1) O Livro resultante da Campanha EMEPC/M@rBis/Selvagens2010, que decorreu entre Junho e Julho do ano passado, já se encontra disponível on-line!  :G-beer2:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: miguelbud em Setembro 28, 2012, 10:21:00 am
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Série Mar Português: O que (não) fizemos para voltar ao mar
Ter três mil quilómetros de costa projectada sobre o Atlântico na encruzilhada de três continentes, à porta da bacia do Atlântico Sul e, em simultâneo, uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa, seriam razões de sobra para Portugal ser um país marítimo.

Mas não. Portugal é um país com mar, mas hoje não é um país marítimo. Em termos económicos e geopolíticos, vive há mais de 40 anos com as costas viradas para o mar. Sem estratégia a longo prazo, dizem muitos especialistas. Ciclicamente - e em ondas sem continuidade - o discurso público concentra-se no mar e no seu potencial. Houve ímpetos e alguns passos concretos. A Exposição Universal (1998), o Livro Branco para a Política Marítimo-Portuária (1999), a criação da Estrutura de Missão para preparar a proposta à ONU para duplicar a extensão da plataforma continental portuguesa (2005), e a entrega da candidatura à ONU (2009). Houve também sinais de acção recentes. O Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, há muito esperado, foi aprovado este Verão.

Na vida das empresas ligadas à economia do mar, no entanto, o mar parece não sair do papel. É hoje comum ouvir-se que o mar "é estratégico" e o próprio Presidente da República, Cavaco Silva, fala do mar como "prioridade nacional", mas disse também num discurso que "falta largar do cais". Significa isso que falta tudo? "O que nós precisamos é de dar um mergulho fundo", diz a ministra Assunção Cristas com ar convicto. "Um mergulho fundo é termos projectos económicos concretos a funcionar no mar."

Eles existem, mas são casos mais ou menos isolados. "Nestes últimos 30 a 40 anos, Portugal não se tem perspectivado como país marítimo. Esquecemos a nossa geografia. Os decisores económicos, políticos, académicos e os media perderam essa visão", diz Tiago Pitta e Cunha, o jurista que defende há uma década o regresso dos portugueses ao mar e hoje é conselheiro do Presidente para esta área.

O contributo da economia do mar para o PIB "é um desastre nacional porque o país não a aproveita", diz José Poças Esteves, presidente da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR), que desenvolveu o primeiro grande estudo sobre o valor da economia do mar.

Os números impressionam. O estudo de 2010 da SaeR, fundada pelo economista Ernâni Lopes, calcula que a economia do mar vale 10 mil milhões de euros e identifica-a como um hipercluster (grande aglomerado de indústrias) composto por 12 clusters independentes mas que se ajudam entre si (a pesca e a energia offshore são diferentes, mas precisam da indústria e da reparação naval).

O potencial de exploração do fundo do mar, com a extensão da plataforma continental portuguesa, aponta para cálculos ainda mais sonoros. Segundo o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, a exploração de cobalto, níquel e cobre pode render 60 mil milhões de euros anuais. Por enquanto, parece ficção.

Como agarrar o mar
A ministra discorda das visões pessimistas e sublinha o potencial: produção de peixe, ostras ou bivalves para a alimentação; ómega 3 (abundante na cavala) para a farmacêutica e cosmética; algas para os biocombustíveis de segunda geração; minério no fundo do mar e no subsolo; energias limpas como a energia das ondas; turismo náutico como o surf; actividade portuária e transporte marítimo (quando 70% do comércio mundial se faz por mar)... a lista é longa. Perante o "muito trabalho invisível feito no passado" e o conhecimento acumulado, "este é o momento" de se dar "o passo para a acção", mesmo que não haja ainda "o desenho todo para avançar", diz a ministra. Cristas defende uma "estratégia incremental" - "a melhor maneira de agarrarmos o mar". Ou seja, "agora conseguimos fazer isto, fazemos; amanhã conseguimos fazer mais aquilo, fazemos".

E quando ouve que não se vê nada de tangível, responde: "Há um ano, foi montada uma estrutura pioneira no mundo, a eólica offshore do largo da Aguçadoura, na Póvoa de Varzim. Foi a primeira vez no mundo que se juntou uma plataforma usada para as petrolíferas e uma torre eólica que é usada em terra e em mares menos profundos. Nós temos um mar muito profundo e por isso não conseguimos ter uma torre eólica assente no fundo do mar. Precisámos de desenvolver outra maneira de lá chegar. É para um mar difícil, um mar duro, que é o mar português, e foi colocada a tempo de resistir a um Inverno. Já passaram cinco meses. Resultou." Para a ministra, este caso "mostra que passámos da teoria, do potencial, da hipótese, à prática". O passo seguinte? Pegar na tecnologia e replicar, para Portugal e para exportação. "Temos o dever de ser pioneiros."1974, o abandono
A grande ruptura histórica com o mar é situada em 1974, como grande consequência da revolução de Abril e da descolonização. Foi o caminho para cortar com a ideologia e a estética do Estado Novo, que exortava o mar como caminho de glória, na Expansão e conquista do Império.

Portugal vira-se então para terra - para casa, diria o filósofo Eduardo Lourenço. Em O Labirinto da Saudade - Psicanálise Mítica do Destino Português, o pensador escreveu que, por volta de 1974, os portugueses perderam a consciência imperial e regressaram "aos estreitos e morenos muros de pequena casa lusitana".

Poças Esteves defende que Portugal teve um conceito estratégico ligado ao mar desde o fim da revolução de 1383-85. D. João I subiu ao trono e Portugal deixou claro a Castela que quem mandava na costa portuguesa eram os portugueses. E assim foi até 1974. "O mar deu riqueza e poder aos portugueses durante 600 dos seus 900 anos de história. Abandonámos o mar em 1974 e só agora é que o país começa a perceber que o mar é o futuro."

A ressaca do choque petrolífero de 1973 teria sido suficiente para abanar os grandes projectos que Portugal tinha então para o mar, por estarem pendurados na miragem de uma idade de ouro do petróleo. Mas a isso juntaram-se o abandono das relações comerciais com África, que caíram a pique; as nacionalizações; e o desmantelamento do aparelho económico corporativo do Estado Novo.

A Lisnave, que era então o maior estaleiro naval do mundo e que se tinha preparado para a chegada dos superpetroleiros de um milhão de toneladas, viu morrer o seu projecto, ainda que o negócio da grande tonelagem estivesse já condenado no Ocidente perante a entrada dos estaleiros asiáticos no mercado. A indústria naval e a marinha mercante não resistiram ao impacto somado da recessão e da revolução.

A construção do porto de Sines - a maior obra pública da época - começa no ano em que rebenta o primeiro choque petrolífero e um ano antes da revolução. Transformou-se num imenso elefante branco. Sem uma estratégia, também o sector das pescas entrou em crise.

O que Portugal fez então foi atingir "o coração de qualquer economia do mar, de qualquer nação marítima": os portos e os transportes marítimos. "Foi o pecado original", diz Pitta e Cunha. Vingou desde então, acrescenta, "uma visão reducionista do mar". A "desvalorização dos portos e dos transportes marítimos foi de tal ordem que eles desapareceram económica e geopoliticamente do país".

Apenas um sector foi imune: o turismo costeiro. Nos anos 1970, o turismo de massas no Algarve expandiu-se e consolidou-se. "É o turismo costeiro, do hotel e do restaurante junto ao mar. É o "sol e praia"", diz Pitta e Cunha, sublinhando uma ironia: o "sol e praia" são o principal produto turístico e só existe por causa do mar, "mas os portugueses não associam esse turismo ao mar".

Europa em vez do mar
A prioridade política da geração do 25 de Abril foi rumar à Europa, à integração na Comunidade Económica Europeia (CEE). O país chegou às negociações sem condições para se afirmar como um país de mar, ao contrário de Espanha, que tinha grandes projectos para a sua indústria e cobiçava a costa portuguesa. O sector pesqueiro foi um dos mais mediáticos neste processo e o que ficou na memória dos portugueses. "O modelo estava em derrocada e tinha que ser substituído", diz Carlos Pimenta, que foi secretário de Estado das Pescas em 1985, no Governo de Mário Soares, e apoiou a equipa de Ernâni Lopes que negociou a adesão portuguesa nesse ano. O quadro político-económico era difícil: as nacionalizações tinham-se sobreposto ao modelo corporativo do Estado Novo, o endividamento esmagava os pescadores, os salários em atraso cresciam. "Era um caos." Portugal garantiu a zona exclusiva de 12 milhas para a sua pesca artesanal, ajudas para a motorização dos barcos e instalação de frio a bordo. Olhando para trás, Pimenta diz que as concessões para a pesca artesanal - contra a vontade espanhola - foram a grande conquista.

Perderam-se as pescas, dirão muitas pessoas. E Pimenta compreende. Aquela época representou "o desaparecimento de vários mundos e ficámos confinados a uma realidade muito mais pequena. Sem a adesão à CEE, o sistema estava na falência. Não tinha havido modernização dos portos nem das pescas. Todo o sector industrial teve apoios à modernização. O nosso mar Atlântico aumentou, mas os mares do mundo onde íamos buscar peixe encolheram". Esse mar "estava a ir-se embora e não foi por a gestão passar para a CEE: os recursos estavam a ir embora e não tínhamos plano B. Não tínhamos uma fileira com conhecimento de valor".

No final, prossegue Pimenta, "a adesão implicou negociar um sector em derrocada por outro forçosamente mais pequeno, mas com mais valor e com recursos que perdurassem". Para isso, o país recebeu "muitos milhões, alguns mal geridos". Mas, como o antigo secretário de Estado diz, o sector tornou-se mais eficiente e gera mais valor. Hoje, o país pesca quase três vezes menos do que há 40 anos. Entre os anos 1980 e 2000, o número de pescadores caiu 52,6% e o valor do pescado subiu 43%, segundo o INE.

Da Expo aos portos
A Expo"98 e o seu tema Oceanos: um Património para o Futuro prometiam mudar a relação do país com o mar, pela primeira vez desde 1974. Revitalizou uma área imobiliária, chamou turistas, criou grandes espaços arquitectónicos e ergueu-se um dos maiores oceanários do mundo - mas não chegou. "As docas, os portos, os navios, os guindastes estavam ausentes da estética da Expo"98", diz Pitta e Cunha. A economia do mar não estava lá, embora o evento tenha impulsionado uma nova realidade nacional: as universidades criaram unidades ligadas às ciências do mar e uma nova geração de investigadores surgiu.

O Livro Branco para a Política Marítimo-Portuária, de 1999, representa a segunda tentativa e talvez a medida política com mais impacto para a reaproximação de Portugal ao oceano. João Cravinho, ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território (1995-1999), reconhece que ter tido todas estas pastas sob a sua alçada - o que acontecia pela primeira vez - lhe deu a "oportunidade de lançar uma visão estratégica que integrasse muito mais Portugal na actividade europeia". "Tínhamos ambição."

Foi Consiglieri Pedroso, o seu secretário de Estado adjunto, quem liderou o grupo de trabalho do Livro Branco. Num país que não dá grande crédito aos livros brancos, este foi raro por ter dado frutos. Era a visão estratégica de desenvolvimento de 20 a 30 anos e que partia da observação do "estado da arte" a nível internacional. Segundo Cravinho, os portos tinham aí um papel decisivo: "Se tínhamos uma estratégia de criar uma nova centralidade europeia de fachada atlântica, os portos tinham de ter o primeiro lugar."Consiglieri Pedroso recorda que "havia uma oportunidade única por estarmos de costas voltadas, por se ter cometido muita imprudência, por se terem abandonado sectores de actividade, desmantelado os transportes marítimos, a pesca, apostando pouco no mar e nos portos. Tinha sido um erro".

Visão tribal
Passos marcantes surgem rapidamente no pós-Livro Branco: regresso ao porto de Sines, entrega da gestão dos portos a privados (mantendo o Estado a sua propriedade), reformas legislativas de fundo.

Contudo, o fôlego perdeu-se nas décadas seguintes. Cravinho lamenta: "Do ponto de vista estratégico, cafrealizámos. Passámos para uma visão tribal, de feudos. O pensamento estratégico perdeu-se." Quando, em 1999, fez o contrato com a empresa PSA de Singapura para explorar o terminal XXI do porto de Sines, "o Governo comprometeu-se a fazer uma ligação ferroviária de Sines a Espanha e à Europa. Isso foi há 13 anos". A ligação ainda está por fazer.

Por isso, Consiglieri Pedroso considera que "a reabertura [e expansão] do canal do Panamá [prevista para 2014, depois de sete anos de obras] é uma oportunidade magnífica para afirmar Sines" como porto hub de difusão para norte, sul e Mediterrâneo. E se o canal do Panamá ganhar mercado ao do Suez, "Sines assume uma importância maior". Só que em Sines continua o ponto negro - as ligações "tortuosas e disfuncionais".

Apesar de não poder ligar-se por terra à Europa, a concessão da PSA tem permitido ao porto de Sines desenvolver-se a taxas sem paralelo no resto da economia. É Poças Esteves que frisa que "o porto de Sines está a crescer a taxas de 20% ao ano, quando o país não cresce". O que o leva a concluir que "os portugueses não estão a olhar para o lado certo da economia".

Turismo e pesca
Perante a profunda crise e a falta de investimento, Poças Esteves não tem dúvidas. "Se queremos pagar os juros da dívida, a economia tem de encontrar actividades com geração de riqueza a taxas elevadas e com procura internacional".

Os sectores que vê como mais aptos são o turismo e a pesca. "Ao contrário do que possa parecer", diz, "a pesca é um dos sectores de largo futuro para a economia portuguesa". E por isso defende a aquacultura. "Com todo este mar, o país importa 60% do peixe que consome. É uma irracionalidade."

A ministra Assunção Cristas concorda que "seria bom fazer aquacultura para peixe", mas diz que é "duvidoso por causa da agitação das águas". O mar português "é muito batido, muito forte" e isso cria "preocupações que não são evidentes". Dois exemplos: é difícil garantir que as estruturas de aquacultura se mantêm no mar e, sendo "preciso alimentar os peixes", como se faz se "não conseguimos sair porque o mar está picado? Os peixes não podem ficar sem comer uma semana...".

Com bivalves ou ostras "é mais fácil", diz Cristas. "Aí temos belíssimas condições" e é uma "área de muito interesse para exportação, por exemplo para a França e a Bélgica, grandes consumidores de bivalves e ostras".

Os dados do Eurostat de 2009 dizem que Portugal tem uma das maiores ZEE e a menor produção. A Grécia produz 20 vezes mais em aquacultura do que Portugal, a Espanha 40.

Todos estes especialistas estão convictos de que há um papel insubstituível, que cabe ao Estado, no regresso do país ao mar. Cravinho exemplifica que "na conquista do espaço pelos EUA estiveram lá as maiores e melhores empresas americanas, mas quem promoveu aquilo tudo foi o Estado. Sem Estado, nada".O Governo actual deu um sinal, com a constituição de uma Secretaria de Estado do Mar e o empenhamento do seu responsável em fazer da extensão da plataforma continental a mola para o regresso ao mar. Os contratos de pesquisa para hidrocarbonetos que o Ministério da Economia assinou vão na mesma linha.

Só em 2016 é que a ONU vai nomear a subcomissão que apreciará a candidatura para a extensão da plataforma continental dos actuais 1,7 milhões para 3,8 milhões de quilómetros quadrados.

"Olhamos para Portugal e dizemos: é um país pequeno, pobre e periférico. É verdade, se retirarmos o mar. Mas se olharmos Portugal com mar, estamos a falar de um dos maiores países do mundo. Não da Europa. Do mundo. Temos quase quatro milhões de quilómetros quadrados em água, com riquezas fabulosas, à superfície e no fundo." É a visão de Poças Esteves.

Outro sinal que aconselha à mudança é o facto de o mar ser um recurso estratégico não só para Portugal. "A Europa esgotou os seus recursos em terra e falta-lhe explorar o mar, grande parte do qual é português." E Portugal, ou desenvolve a sua capacidade negocial ou perde para outros países a gestão dos seus recursos. A segunda hipótese, profetiza o presidente da SaeR, será "entregar a galinha dos ovos de ouro".
In Público
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: scrupulum em Novembro 26, 2012, 07:39:39 pm
Porque razão os americanos não querem que Portugal tenha submarinos de ultima geração ?

Porque razão os nossos submarinos estorvam os americanos ?
Na minha opinião, Portugal tem algo que lhes interessa, o que sera ?


Um telegrama divulgado pela WikiLeaks e enviado para Washington pelo então embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Thomas Stephenson, arrasa os negócios do Ministério da Defesa português.

“No que diz respeito a contratos de compras militares, as vontades e acções do Ministério da Defesa parecem ser guiadas pela pressão dos seus pares e pelo desejo de ter brinquedos caros. O ministério compra armamento por uma questão de orgulho, não importa se é útil ou não. Os exemplos mais óbvios são os seus dois submarinos ... e 39 caças de combate (apenas 12 em condições de voar)”, lê-se num pequeno parágrafo a meio do telegrama de seis páginas citado pelo Expresso.

“Complexo de inferioridade”

Depois, o diplomata diz que Portugal sofre de um complexo de inferioridade e que tem a percepção de que é mais fraco do que os aliados, acabando por gastar em submarinos dinheiro que faz falta noutras áreas. E dá o exemplo de que Portugal tem poucos navios patrulha para a defesa do litoral e para lutar contra o narcotráfico e a imigração e pescas ilegais. “Com 800 quilómetros de costa e dois arquipélagos distantes para defender, os submarinos alemães comprados em 2005 não são o investimento mais sensato”, ..."

"...Nas mensagens enviadas a Washington, o embaixador passa a imagem de um país de “generais sentados”, dizendo que o Ministério da Defesa não é capaz de tomar decisões e que “os militares têm uma cultura de status quo, em que as posições-chave são ocupadas por carreiristas que evitam entrar em controvérsias”. O embaixador sublinha ainda que o dinheiro na Defesa é gasto de forma imprudente e que Portugal tem mais almirantes e generais por soldado do que quase todas as outras forças armadas..."

"...Os submarinos foram uma oportunidade perdida"

"...No comentário final, o telegrama faz considerações sobre o facto de os portugueses estarem "presos ao seu passado marítimo" e o facto de sentirem "um orgulho visceral nessa tradição marítima e na glória passada como império global". Mário Fernadez conclui dizendo que só isso é que explica que um país da NATO com apenas 10 milhões de habitantes compre equipamento militar tão caro.

O Expresso teve acesso a este telegrama numa parceria com os jornais "Politiken" (Dinamarca) e "Aftenposten" (Noruega) que nos permitiu ler todos os documentos enviados da embaixada dos EUA em Lisboa.


Portugal vai têr muita dificuldade em conservar no futuro a sua ZEE.
Os oceanos são, no nosso planeta, a ultima fronteira por descobrir e explorar e Portugal ja tem demais, para um pais de 10 milhoes de habitantes
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lightning em Novembro 27, 2012, 12:39:16 am
O que está a dizer é possivel, mas a mim no campo da ZEE preocupa-me mais o papel e caneta da UE, do que a força dos EUA.

Basta ver o lindo Tratado de Lisboa, que se fez uma grande festa e tal e tem escrito:

Citar
A UE tem competência exclusiva para formular diretrizes e celebrar acordos internacionais quando está contemplada num ato legislativo da União.
A conservação dos recursos biológicos do mar no âmbito da Política Comum das Pescas.

Citar
Os Estados-membros não podem exercer competência em áreas onde a União tem.
A agricultura e pescas, com excepção da conservação dos recursos biológicos marinhos.

Agora um video para motivar o pessoal  :mrgreen: .
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: scrupulum em Novembro 27, 2012, 05:51:13 pm
O tratado de Lisboa, enquanto não for referendado, tem vocação para ser contestado.
Nos paises que o referendaram, foi rejeitado pelos cidadaos. A construção desta UE esta a ser feita à revelia dos povos. Na realidade, são as oligarquias que tudo decidem. Porreiro pa, e viva a democracia  :roll:

A saida da UE (e do euro) é a unica solução para Portugal e o usufruto exclusivo da nossa ZEE pode garantir a nossa viabilidade economica. Quem quizer sardinhas,  yttrium, terbium, dysprosium, etc. do nosso mar, que os pague !  que isto não esta para borlas.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Novembro 29, 2012, 01:58:39 pm
Citação de: "Lightning"
O que está a dizer é possivel, mas a mim no campo da ZEE preocupa-me mais o papel e caneta da UE, do que a força dos EUA.

Basta ver o lindo Tratado de Lisboa, que se fez uma grande festa e tal e tem escrito:

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A UE tem competência exclusiva para formular diretrizes e celebrar acordos internacionais quando está contemplada num ato legislativo da União.
A conservação dos recursos biológicos do mar no âmbito da Política Comum das Pescas.

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Os Estados-membros não podem exercer competência em áreas onde a União tem.
A agricultura e pescas, com excepção da conservação dos recursos biológicos marinhos.
Nada de novo aí. E uma clara demarcação dos recursos biológicos marinhos da pesca, mantendo-os firmemente na coutada dos Estados Membros.

Não há que haver medos da UE ou dos EUA, temos é de continuar a trabalhar neste mar.  c34x
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lightning em Dezembro 01, 2012, 12:13:12 pm
Tem aqui o site da ONU referente as propostas da expansao da plataforma continental de varios paises, para ver basta carregar no nome dos paises.
http://www.un.org/Depts/los/clcs_new/co ... ssions.htm (http://www.un.org/Depts/los/clcs_new/commission_submissions.htm)

Algumas curiosidades de algumas propostas que li:

1 - Os Estados Unidos nao tem "preocupaçoes" com a nossa proposta, mas a Espanha e Marrocos ja tem :mrgreen: .
5 - As propostas da Argentina e a proposta do Reino Unido referente as ilhas Falkland sao incompativeis...
etc
etc
etc

Vamos ver se todos chegam a acordo...
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: scrupulum em Dezembro 01, 2012, 04:16:17 pm
A ZEE da UE é constituida pelas ZEE de todos os Estados membros, ou seja, as aguas nacionais foram comunitarizadas. Isto quer dizer que as aguas portuguesas são de acesso livre a todos os outros estados membros da UE.
Por outro lado, a UE abateu uma boa parte da frota de pesca portuguesa,... e Portugal (o maior consumidor de peixe, per capita, da UE), importa cerca de mil milhões de euros de pescado, por ano. Atendendo a que Portugal tem atualmente uma ZEE de 1 727 408 km2 (trata-se da terceira maior ZEE europeia e a decima-primeira a nivel mundial), alguem que explique onde é que esta a logica desta coisa.

A Noruega tem uma ZEE sensivelmente superior a Portugal : 2 385 178 km2.
A principal razão que leva a Noruega a não querer entrar na UE reside no facto de que a Noruega não quer partilhar a sua ZEE com os outros estados da UE. Estes noruegueses são mesmo estupidos, não é verdade ? Não querer entrar na UE, imagine-se !!
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Cabecinhas em Dezembro 01, 2012, 06:33:18 pm
Qual é o estado Europeu com a maior ZEE?

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Segundo o Jornal de Defesa e Relações Internacionais, a ZEE (Zona Econômica Exclusiva) portuguesa tem 1.727.408 quilômetros quadrados de extensão geográfica, o que corresponde a 1,25% de toda a área oceânica sob jurisdição de países. Os estudos de extensão da plataforma continental (ver ilustração abaixo) irão atribuir a Portugal a jurisdição de novo território marítimo, acrescentando de 240.000 quilómetros quadrados a 1,3 milhões de quilómetros quadrados, isto é, 14,9 vezes a área de Portugal Continental. Com este acréscimo Portugal passará a ter um área total de 3.027.408 km2, o que fará saltar de 11.ª maior ZEE do mundo para 10.ª, imediatamente atrás do Brasil com 3.660.955 km2.

Read more: http://www.naval.com.br/blog/2009/09/02/portugal-possui-a-maior-zee-da-europa/#ixzz2DpJHN6nY
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: scrupulum em Dezembro 01, 2012, 06:45:55 pm
A maior ZEE da europa ( e a segunda maior do mundo) é a francesa com  11 035 000 km2 . A maior do mundo é a dos EUA com  11 351 000 km2 .
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Vicente de Lisboa em Dezembro 21, 2012, 07:58:13 pm
Citação de: "scrupulum"
A ZEE da UE é constituida pelas ZEE de todos os Estados membros, ou seja, as aguas nacionais foram comunitarizadas. Isto quer dizer que as aguas portuguesas são de acesso livre a todos os outros estados membros da UE.
Por outro lado, a UE abateu uma boa parte da frota de pesca portuguesa,... e Portugal (o maior consumidor de peixe, per capita, da UE), importa cerca de mil milhões de euros de pescado, por ano. Atendendo a que Portugal tem atualmente uma ZEE de 1 727 408 km2 (trata-se da terceira maior ZEE europeia e a decima-primeira a nivel mundial), alguem que explique onde é que esta a logica desta coisa.
Comer muito peixe não faz com que apareça mais peixe nas nossas àguas, e embora a ZEE e a Plataforma Continental sejam cruciais para o futuro do país, não criam mais peixe por isso também. Os stocks não se distribuem de forma igual pelo mar, e a grande fonte da nossa ZEE (Açores) simplesmente não tem a riqueza em peixe que tem a gigantesca costa norueguesa por exemplo.

Dito isto, pelo 2º ano consecutivo há aumento de quotas:
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/notic ... crescem-25 (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/actualidade/quotas-de-pesca-crescem-25)

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A Noruega tem uma ZEE sensivelmente superior a Portugal : 2 385 178 km2.
A principal razão que leva a Noruega a não querer entrar na UE reside no facto de que a Noruega não quer partilhar a sua ZEE com os outros estados da UE. Estes noruegueses são mesmo estupidos, não é verdade ? Não querer entrar na UE, imagine-se !!
Não é esperteza nem burrice, é ter petróleo suficiente para não terem de fazer compromissos. Ora como nós não temos, não vale a pena estar a comparar o incomparável (o que não é dizer que não se possa aprender com eles, naturalmente).
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: nelson38899 em Março 28, 2015, 09:36:40 pm

fonte :?: (http://http)
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Alvalade em Abril 12, 2015, 10:29:48 am
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Selvagens. Espanha desbloqueia expansão do mar português


Madrid retirou objeções feitas em 2013 ao projeto de extensão da plataforma continental portuguesa por causa das ilhas Selvagens.

Espanha comunicou à ONU que não tem objeções ao projeto português de extensão da plataforma continental na região da Madeira, que permitirá alargar a soberania de Lisboa sobre o leito e o subsolo marinhos das 200 milhas para as 350, verificou ontem o DN.

Madrid, na nota publicada sexta-feira em espanhol no site da ONU, diz "reiterar [a posição assumida em 2009 de] que o governo espanhol não levanta nenhuma objeção" à proposta portuguesa.

Lendo o texto, não se percebe porque é que a Espanha reafirma formalmente o que já declarou em 2009. O motivo está omisso: o governo de Mariano Rajoy, em 2013, manifestara "a sua objeção" ao documento de Lisboa, suscitando entraves políticos na apreciação pela ONU da proposta de Portugal.

por Manuel Carlos Freire

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx ... id=4505996 (http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4505996)


http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/esp77_14/prt_re_esp77.pdf

http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/esp77_14/prt_re_esp77_spa.pdf

Portugal
http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/submission_prt_44_2009.htm

Espanha
http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/submission_esp_77_2014.htm
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Alvalade em Abril 12, 2015, 10:39:57 am
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Portugal negociará directamente com Espanha questão da ZEE das Selvagens

(http://4.fotos.web.sapo.io/i/N8f14a59b/18243270_PoFm2.jpeg)

O Diário de Notícias na sua edição de hoje, 12 de Abril de 2015, dá conta de uma pretensa retirada de objecções feitas por Espanha em 2013 ao projecto de extensão da plataforma continental portuguesa por causa das ilhas Selvagens.

De acordo com o referido matutino, "Espanha comunicou à ONU que não tem objeções ao projeto português de extensão da plataforma continental na região da Madeira, que permitirá alargar a soberania de Lisboa sobre o leito e o subsolo marinhos das 200 milhas para as 350".

Na verdade, o que Espanha faz na referida nota não é mais do que  "reiterar [a posição assumida em 2009 de] que o governo espanhol não levanta nenhuma objeção" à proposta portuguesa.", escreve o DN.

Lendo o texto, diz o jornal, que "não se percebe porque é que a Espanha reafirma formalmente o que já declarou em 2009. O motivo está omisso: o governo de Mariano Rajoy, em 2013, manifestara "a sua objeção" ao documento de Lisboa, suscitando entraves políticos na apreciação pela ONU da proposta de Portugal.", escreve o jornal.

Da nota inserta na página da ONU pode ler-se: " Em consequência, Espanha comunica à Comissão de Limites a sua vontade de proceder, de comum acordo com Portugal, à delimitação lateral da Plataforma Continental entre ambos os Países assim que a Comissão tenha examinado as pretensões de Espanha e Portugal".

Contrariamente ao que o matutino português escreve utilizando um título que induz em erro os leitores do jornal, é fácil perceber a matéria em causa:

1. Em primeiro lugar porque não está, nem nunca esteve em causa, a expansão da plataforma continental de Portugal por causa das Selvagens dado que o projecto entregue por Portugal não passa pela utilização daquelas ilhas enquanto suporte para a referida expansão.

2. Espanha sabe perfeitamente que não passando o projecto de expansão da PC de Portugal pelas Selvagens, Espanha dificilmente poderia argumentar em sede de análise jurídica da questão no seio da ONU no sentido de serem as Selvagens um obstáculo por parte de Espanha à aprovação do pedido de extensão da PC de Portugal, pelo que a reacção diplomática anterior protagonizada por Espanha teve como objectivo exclusivo forçar Portugal a negociar, não a questão da expansão da Plataforma continental, mas sim a questão da zona Económica Exclusiva das Selvagens.

3. A nota de Espanha traduz-se uma técnica muito habitual na diplomacia espanhola neste tipo de matérias, a de nunca "dar o braço a torcer", e desta nota pode sim retirar-se, sem margem para quaisquer dúvidas, que já terá ficado assente entre Portugal e Espanha que os dois Estados vão negociar um acordo directo, fora da alçada da ONU (e da sua Comissão de Limites) para a delimitação, não das respectivas plataformas continentais, como na nota espanhola e na notícia do DN erroneamente se afirma, mas sim acerca da Zona Económica Exclusiva das Ilhas Selvagens.

4. Ou seja, e para sermos mais claros, já terão existido negociações técnicas entre os dois países nos últimos meses, omitidas ao conhecimento da opinião pública portuguesa, que permitiram que agora Espanha emitisse este nota na qual, apesar de tudo, não quer dar parte de fraca relativamente ao que antes afirmara, e que se irão traduzir no futuro imediato em negociaçoes entre os dois países ibéricos acerca da ZEE das Selvagens e, portanto, de forma indirecta, sobre a classificação das mesmas enquanto ilhas ou rochedos

5. Assim, a matéria inserta na manchete do DN, cujo título foi feito seguramente de forma involuntária pelo facto de o referido jornalista ter sido induzido em erro, não constitui novidade porque não existiu reviravolta diplomática alguma, mas tem o mérito de permitir perceber que os Governos de Portugal e de Espanha têm mantido conversações directas sobre a questão das Selvagens no que toca à questão da Zona Económica Exclusiva das mesmas e que em breve se sentarão à mesa de negociações.

6. Este blog e todas as centenas de milhar de portugueses que se interessam pela preservação do território nacional não deixarão de acompanhar de forma muito atenta esta questão e estarão vigilantes sobre a capacidade do Governo de Portugal, seja ele qual for, em saber lidar com esta importantíssima temática no sentido da preservação da unidade pátria.
 
Lisboa, 12 de Abril de 2015

http://ilhasselvagens.blogs.sapo.pt/

(http://4.fotos.web.sapo.io/i/Nc6063e00/18243272_8M7YY.jpeg)


Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: HSMW em Abril 12, 2015, 10:59:15 am
Citação de: "Alvalade"
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Selvagens. Espanha desbloqueia expansão do mar português


Madrid retirou objeções feitas em 2013 ao projeto de extensão da plataforma continental portuguesa por causa das ilhas Selvagens.

Espanha comunicou à ONU que não tem objeções ao projeto português de extensão da plataforma continental na região da Madeira, que permitirá alargar a soberania de Lisboa sobre o leito e o subsolo marinhos das 200 milhas para as 350, verificou ontem o DN.

Madrid, na nota publicada sexta-feira em espanhol no site da ONU, diz "reiterar [a posição assumida em 2009 de] que o governo espanhol não levanta nenhuma objeção" à proposta portuguesa.

Lendo o texto, não se percebe porque é que a Espanha reafirma formalmente o que já declarou em 2009. O motivo está omisso: o governo de Mariano Rajoy, em 2013, manifestara "a sua objeção" ao documento de Lisboa, suscitando entraves políticos na apreciação pela ONU da proposta de Portugal.

por Manuel Carlos Freire

http://www.dn.pt/politica/interior.aspx ... id=4505996 (http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4505996)


http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/esp77_14/prt_re_esp77.pdf

http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/esp77_14/prt_re_esp77_spa.pdf

Portugal
http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/submission_prt_44_2009.htm

Espanha
http://www.un.org/depts/los/clcs_new/submissions_files/submission_esp_77_2014.htm

Citação de: "Alvalade"
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Portugal negociará directamente com Espanha questão da ZEE das Selvagens

(http://4.fotos.web.sapo.io/i/N8f14a59b/18243270_PoFm2.jpeg)

O Diário de Notícias na sua edição de hoje, 12 de Abril de 2015, dá conta de uma pretensa retirada de objecções feitas por Espanha em 2013 ao projecto de extensão da plataforma continental portuguesa por causa das ilhas Selvagens.

De acordo com o referido matutino, "Espanha comunicou à ONU que não tem objeções ao projeto português de extensão da plataforma continental na região da Madeira, que permitirá alargar a soberania de Lisboa sobre o leito e o subsolo marinhos das 200 milhas para as 350".

Na verdade, o que Espanha faz na referida nota não é mais do que  "reiterar [a posição assumida em 2009 de] que o governo espanhol não levanta nenhuma objeção" à proposta portuguesa.", escreve o DN.

Lendo o texto, diz o jornal, que "não se percebe porque é que a Espanha reafirma formalmente o que já declarou em 2009. O motivo está omisso: o governo de Mariano Rajoy, em 2013, manifestara "a sua objeção" ao documento de Lisboa, suscitando entraves políticos na apreciação pela ONU da proposta de Portugal.", escreve o jornal.

Da nota inserta na página da ONU pode ler-se: " Em consequência, Espanha comunica à Comissão de Limites a sua vontade de proceder, de comum acordo com Portugal, à delimitação lateral da Plataforma Continental entre ambos os Países assim que a Comissão tenha examinado as pretensões de Espanha e Portugal".

Contrariamente ao que o matutino português escreve utilizando um título que induz em erro os leitores do jornal, é fácil perceber a matéria em causa:

1. Em primeiro lugar porque não está, nem nunca esteve em causa, a expansão da plataforma continental de Portugal por causa das Selvagens dado que o projecto entregue por Portugal não passa pela utilização daquelas ilhas enquanto suporte para a referida expansão.

2. Espanha sabe perfeitamente que não passando o projecto de expansão da PC de Portugal pelas Selvagens, Espanha dificilmente poderia argumentar em sede de análise jurídica da questão no seio da ONU no sentido de serem as Selvagens um obstáculo por parte de Espanha à aprovação do pedido de extensão da PC de Portugal, pelo que a reacção diplomática anterior protagonizada por Espanha teve como objectivo exclusivo forçar Portugal a negociar, não a questão da expansão da Plataforma continental, mas sim a questão da zona Económica Exclusiva das Selvagens.

3. A nota de Espanha traduz-se uma técnica muito habitual na diplomacia espanhola neste tipo de matérias, a de nunca "dar o braço a torcer", e desta nota pode sim retirar-se, sem margem para quaisquer dúvidas, que já terá ficado assente entre Portugal e Espanha que os dois Estados vão negociar um acordo directo, fora da alçada da ONU (e da sua Comissão de Limites) para a delimitação, não das respectivas plataformas continentais, como na nota espanhola e na notícia do DN erroneamente se afirma, mas sim acerca da Zona Económica Exclusiva das Ilhas Selvagens.

4. Ou seja, e para sermos mais claros, já terão existido negociações técnicas entre os dois países nos últimos meses, omitidas ao conhecimento da opinião pública portuguesa, que permitiram que agora Espanha emitisse este nota na qual, apesar de tudo, não quer dar parte de fraca relativamente ao que antes afirmara, e que se irão traduzir no futuro imediato em negociaçoes entre os dois países ibéricos acerca da ZEE das Selvagens e, portanto, de forma indirecta, sobre a classificação das mesmas enquanto ilhas ou rochedos

5. Assim, a matéria inserta na manchete do DN, cujo título foi feito seguramente de forma involuntária pelo facto de o referido jornalista ter sido induzido em erro, não constitui novidade porque não existiu reviravolta diplomática alguma, mas tem o mérito de permitir perceber que os Governos de Portugal e de Espanha têm mantido conversações directas sobre a questão das Selvagens no que toca à questão da Zona Económica Exclusiva das mesmas e que em breve se sentarão à mesa de negociações.

6. Este blog e todas as centenas de milhar de portugueses que se interessam pela preservação do território nacional não deixarão de acompanhar de forma muito atenta esta questão e estarão vigilantes sobre a capacidade do Governo de Portugal, seja ele qual for, em saber lidar com esta importantíssima temática no sentido da preservação da unidade pátria.
 
Lisboa, 12 de Abril de 2015

http://ilhasselvagens.blogs.sapo.pt/

(http://4.fotos.web.sapo.io/i/Nc6063e00/18243272_8M7YY.jpeg)



Todos borradinhos com a vinda do Siroco!  :mrgreen:
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Bravo Two Zero em Abril 13, 2015, 12:35:48 pm
Citação de: "Alvalade"
Selvagens. Espanha desbloqueia expansão do mar português

Perdoem-me a franqueza, mas acredito e muito que Portugal cedeu em algum tema para esta volte face na posição espanhola
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lusitano89 em Abril 27, 2015, 05:58:13 pm
Portugal tem tudo para ser uma «nação liderante no mar», diz Assunção Cristas


A ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, afirmou hoje, no Funchal, que o país dispõe de uma estratégia para o mar "robusta", sendo que o peso das atividades económicas já ultrapassou 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

"O país está preparado, tem uma Estratégia Nacional do Mar, tem uma arquitetura legislativa com uma lei pioneira no mundo (...) e tem fundos comunitários para ajudar a este desenvolvimento", realçou Assunção Cristas, durante a apresentação do Documento Estratégico para o Mar da Região Autónoma da Madeira, elaborado pela Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF).

"Estou convencida que, de facto, já estamos a fazer muito, já estamos a cumprir ativamente os objetivos traçados na nossa Estratégia Nacional do Mar", disse a ministra, vincando que quando o plano foi aprovado, em 2013, a 'economia azul' [atividades relacionadas com mar] representava apenas 2,7% PIB. Assunção Cristas afirmou que Portugal tem tudo para ser uma "nação liderante no mar" e lembrou que é ambição do Governo alargar os direitos de soberania sobre a plataforma continental, o que fará com que o país seja 42 vezes maior em oceano do que em terra.

Acrescentou que a questão deverá começar a ser tratada ao nível das Nações Unidas ainda este ano, mas a decisão final tardará cerca de três anos.
Entretanto, o país reforça a posição de "ator internacional" cada vez mais ativo, sendo que Assunção Cristas destacou a realização da primeira edição da Semana Azul, 3 a 6 de julho, em Lisboa, que inclui uma reunião internacional de ministros e membros de governo responsáveis pelo mar.

Na Madeira, o objetivo é que as atividades relacionadas com o mar atinjam 5% do PIB regional em 2020 [atualmente representam 2,4%], mas a presidente da ACIF, Cristina Pedra, diz que para isso é fundamental encetar um processo negocial para retornar à condição de Objetivo Um, no que respeita ao acesso aos fundos estruturais da União Europeia.

"É um caminho longo e difícil porque implica uma disputa com os outros 27 Estados membros, mas se tal não for feito, o investimento em áreas produtivas marítimas ficará sempre condicionado", vincou.

Durante a apresentação do Documento Estratégico para o Mar, Cristina Pedra defendeu que o transporte de passageiros deve ser encarado como uma alternativa ao transporte aéreo e beneficiar do subsídio de mobilidade. Por outro lado, realçou que a competitividade portuária passa por extingui na região as taxas de uso de porto que incidem sobre as mercadorias.

Lusa
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: nelson38899 em Abril 27, 2015, 06:20:42 pm
O que interessa ter tudo para tal, se os investidores tugas estão mais virados para comprar divida publica do que comprar empresas tecnológicas ou criar riqueza.
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: PereiraMarques em Abril 28, 2016, 02:49:39 pm
Descobri esta tese de doutoramento que pode ter algum interessa para a questão aqui tratada neste tópico.

«A Maritimidade Portuguesa - A extensão da Plataforma Continental»
http://run.unl.pt/bitstream/10362/17038/1/Tese%20Doutoramento%2020Jul.pdf
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lightning em Novembro 14, 2016, 08:29:20 pm
Continua a novela Jornais-GNR-AMN, esta noticia é interessante pois mostra um mapa com os vários radares costeiros existentes.

Citar
Autoridade Marítima usa sistema ilegal de vigilância desde abril

Projeto que permite identificar pessoas e embarcações está a funcionar sem as devidas autorizações. MAI desconhece processo

http://www.dn.pt/portugal/interior/autoridade-maritima-usa-sistema-ilegal-de-vigilancia-desde-abril-5496051.html
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Lightning em Março 24, 2017, 02:03:07 pm
Plataforma continental começa a ser discutida na ONU em Agosto

https://www.publico.pt/2017/03/23/ciencia/noticia/plataforma-continental-comeca-a-ser-discutida-na-onu-em-agosto-1766296
Título: Re: Governo quer alargar direitos marítimos
Enviado por: Get_It em Agosto 15, 2017, 06:10:02 pm
Nada de novo; o novo mapa ainda não é de conhecimento público.

Portugal entrega novo mapa na ONU para ter mais plataforma continental
(15 de Agosto de 2017)
Citação de: Teresa Firmino / Público
Chegou o momento aguardado por que Portugal desde há oito anos: esta segunda-feira nas Nações Unidas, em Nova Iorque, começou a ser discutida a proposta portuguesa de extensão da sua plataforma continental. Tinha sido entregue em 2009. Agora para o início da discussão sobre a proposta de jurisdição do país sobre os fundos marinhos para lá das 200 milhas marítimas, Portugal acabou de entregar, no início de Agosto, uma adenda aos documentos de 2009. Essa adenda contém também um novo mapa dos limites exteriores (as “fronteiras”) da plataforma continental, com alterações em relação ao mapa de há oito anos.

É com estes novos dados em cima da mesa que foi agora dado o pontapé de saída de uma nova fase crucial do projecto de alargamento da plataforma continental do país. A equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) – o grupo técnico-científico que leva por diante estes trabalhos desde 2005 – fez ontem (segunda-feira, entre o final da tarde e já início da noite em Lisboa) a primeira apresentação do projecto aos sete peritos de uma subcomissão da Comissão de Limites da Plataforma Continental nas Nações Unidas.

(...)

Mas Portugal queria introduzir algumas alterações na proposta inicial. Tal como o PÚBLICO já tinha noticiado em Agosto do ano passado, a equipa da EMEPC tencionava ter pronta até ao Verão de 2017, para apresentar na ONU, nova documentação – que passaria por uma adenda e pela actualização de todos os cadernos da proposta com mais dados técnico-científicos. E que, com essa documentação, também seguiria um mapa com novos limites exteriores da plataforma continental alargada. Com mais área a reclamar.

Foi efectivamente o que aconteceu agora no início de Agosto – já depois de os sete peritos da subcomissão terem sido nomeados (a 24 de Julho) e ainda antes do início desta primeira semana de reuniões com a EMEPC. O novo mapa ainda não é público, tal como muita outra informação.

Embora a proposta para alargar a plataforma continental portuguesa tenha sido entregue a 11 de Maio de 2009, a EMEPC continuou a fazer campanhas oceanográficas ligadas ao projecto. Nessas campanhas, recolheu mais informação científica que pudesse reforçar a proposta de extensão da plataforma. Isto porque, enquanto a subcomissão de peritos que vai agora escrutinar a proposta portuguesa não fosse nomeada e começasse esse trabalho, Portugal podia precisamente apresentar mais dados. Como foi a 44.ª proposta a ser submetida, o país aguardava a sua vez.

(...)

Ora nos mapas resultantes dos trabalhos de extensão da plataforma portuguesa vemos os 92.000 quilómetros quadrados de território emerso — Portugal Continental, os Açores e a Madeira —, bem como os 1,6 milhões de quilómetros quadrados da ZEE. Em redor destes três conjuntos de terra – e para lá da ZEE –, o país começou por querer juntar mais 2,15 milhões. Era isto que constava dos mapas de 2009 como plataforma continental que se queria alargar. Agora reivindica-se mais área – no entanto, quanto mais e exactamente em que sítios são informações ainda confidenciais.

O que é público são os números anteriores: ou seja, que Portugal esperava vir a ter jurisdição sobre um espaço marítimo total que ultrapassaria os 3,8 milhões de quilómetros quadrados, o que seria mais de 41 vezes a área do território emerso.

Portanto, nesse espaço marítimo português do futuro haverá diferentes graus de jurisdição do país. Para lá das fronteiras territoriais efectivas, o Mar Territorial, que vai até às 12 milhas da costa, encontra-se então a ZEE, com a possibilidade de exploração dos recursos na água e no fundo do mar. E para lá disso estará a plataforma continental alargada, mais os seus recursos no leito e subsolo marinhos. Por fim, surgem as águas internacionais, o mar de todos.

(...)
Fonte: https://www.publico.pt/2017/08/15/ciencia/noticia/novo-mapa-reclama-mais-area-na-onu-sobre-os-fundos-marinhos-1782352 (https://www.publico.pt/2017/08/15/ciencia/noticia/novo-mapa-reclama-mais-area-na-onu-sobre-os-fundos-marinhos-1782352)

Cumprimentos,