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Economia => Portugal => Tópico iniciado por: Viajante em Novembro 30, 2017, 04:00:38 pm

Título: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Novembro 30, 2017, 04:00:38 pm
Morreu Belmiro de Azevedo, empresário e líder histórico da Sonae

O empresário português Belmiro de Azevedo morreu esta quarta-feira. Tinha 79 anos. O líder histórico da Sonae estava internado desde segunda-feira.

(https://imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com/800x,q85/http://s3cdn.observador.pt/wp-content/uploads/2017/11/29160147/13918147_770x433_acf_cropped.jpg)

http://observador.pt/2017/11/29/morreu-belmiro-de-azevedo/

Morreu um grande empresário, que não deixava ninguém indiferente, com certeza com aspectos positivos e negativos, mas que criou riqueza no país e foi visionário em muitos aspectos. E também uma coisa de que se orgulhava era de dizer aos nossos políticos, fossem eles Presidentes da República, Primeiro-Ministros, Ministros ou deputados, o que ele (Belmiro) achava do político!

A sucessão do império SONAE fica nas mãos do filho do meio, Paulo Azevedo. E mesmo este para chegar a lider da SONAE, teve de começar a "aprender" e a trabalhar em quase todas as empresas do grupo. O pai só o colocou como Administrador de uma das empresas, quando já trabalhava à mais de 20 anos no grupo. A filha mais nova idem. Mas o caso mais caricato, é o filho mais velho que já quase à 20 anos que nem sequer trabalha para o grupo!!!!!! É apenas accionista!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Dezembro 12, 2017, 11:01:41 am
Por que razão o PCP parece querer fechar a Autoeuropa?



Numa coisa, o PCP está certo: o PCP ou a Autoeuropa, um deles tem de morrer. Se o governo também percebe isso, que está a fazer ao lado dos comunistas?

A Autoeuropa, antes de ser uma fábrica, é o resto de um sonho. Na segunda metade dos anos 80, depois do ajustamento de 1983 e da cerimónia de adesão à CEE nos Jerónimos, em 1985, esperou-se em Portugal retomar a história dos anos 60: a industrialização do país, por via da deslocalização das indústrias do norte da Europa. Na década de 60, tinham sido os têxteis e o vestuário. Agora, depois da década perdida com a revolução, seria a indústria automóvel alemã e francesa. Não chegou, porém, a acontecer. Em 1989, a derrocada das ditaduras comunistas reabriu a Europa central às empresas alemãs. Nesse ano do “fim da história”, a classe política em Lisboa, muito à pressa mas sempre com as hesitações de quem não lia livros desde 1967, ainda tentou limpar a economia dos revolucionarismos de 1975. Demasiado tarde. Portugal na CEE não ia ser o país da indústria, mas dos centros comerciais e das urbanizações financiadas pelo crédito barato da moeda única. Das esperanças de um momento, restou a fábrica da Volkswagen em Palmela, a Autoeuropa.

Já nos disseram muitas vezes o que representa: mais de 3000 portugueses empregados, muitos negócios para outras empresas, 10% das exportações, um ponto percentual do PIB. Porque é que então o Partido Comunista decidiu fechá-la? Para começar, porque a Autoeuropa, resultado da integração europeia, violenta a ideia comunista de autarcia económica. Depois, porque a Autoeuropa significa “flexibilidade” e “negociação” nas relações de trabalho, isto é, a negação da intransigência e do confronto em que acredita o PCP. A Autoeuropa, como notam com manifesto desprazer os comunistas, insiste em que tem “colaboradores”, em vez de “trabalhadores”. Ora, o “colaborador” apresenta, para o PCP, este grande defeito: sente, enquanto tal, interesse em fazer prosperar a empresa, quando, como “trabalhador”, deveria ter como único objectivo a destruição do “regime capitalista” e a ruína da “sociedade burguesa”.

A história é conhecida. Durante duas décadas, os comunistas não conseguiram entrar na Autoeuropa, onde os “colaboradores” conseguiram sempre chegar a acordos como a administração. Infelizmente, como se tem visto, nada disso dependia de uma “cultura de empresa”, mas apenas do bom senso de um homem, António Chora, o presidente da Comissão de Trabalhadores, durante algum tempo deputado do BE. A oportunidade para os comunistas surgiu com a reforma de Chora e com a necessidade de criar condições para a produção de um novo modelo. O PCP pôde finalmente sujeitar a Autoeuropa ao conhecido regime da inflexibilidade e do conflito sem saída, que em 2006 já liquidou a fábrica da Opel na Azambuja, então a segunda maior unidade de montagem de automóveis do país.

O ministro Vieira da Silva aparece agora muito incomodado: “o tempo corre contra” o futuro de uma empresa sob “grande pressão externa”. Há rumores sobre “alternativas“, como no caso da Opel em 2006. Mas os comunistas não se deixam comover. Arménio Carlos, muito despreocupado, garante: aconteça o que acontecer, “eles não vão nada embora, vão cá ficar”, como se a Autoeuropa fosse uma fábrica de tijolo em 1943.

Entre 2012 e 2015, os sindicatos comunistas perderam 64 mil filiados, mais de 10% do total. Já este ano, o PCP passou por uma catástrofe municipal, com menos 10 câmaras e a pior votação desde 1976. Mas o comunismo português acredita que ainda se pode salvar, se conseguir recriar em Portugal o mundo de 1943. O cálculo é simples: quando mais empobrecido e ensimesmado, mais o país estará maduro para se render a um qualquer populismo nacionalista, que o PCP, que pouco aprende com a história, acha que pode ser o seu. Nisso talvez esteja errado, porque, se o país tiver de chegar a esse ponto, haverá certamente outras versões mais tentadoras de populismo nacionalista. Mas numa coisa, porém, o PCP está certo: o PCP ou a Autoeuropa, um deles tem de morrer. Se o governo também percebe isso, que está a fazer ao lado dos comunistas?

http://observador.pt/opiniao/por-que-razao-quer-o-pcp-fechar-a-autoeuropa/#comment-post-2403684-1764506
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Lusitan em Dezembro 12, 2017, 12:56:54 pm
Por que razão o PCP parece querer fechar a Autoeuropa?



Numa coisa, o PCP está certo: o PCP ou a Autoeuropa, um deles tem de morrer. Se o governo também percebe isso, que está a fazer ao lado dos comunistas?

A Autoeuropa, antes de ser uma fábrica, é o resto de um sonho. Na segunda metade dos anos 80, depois do ajustamento de 1983 e da cerimónia de adesão à CEE nos Jerónimos, em 1985, esperou-se em Portugal retomar a história dos anos 60: a industrialização do país, por via da deslocalização das indústrias do norte da Europa. Na década de 60, tinham sido os têxteis e o vestuário. Agora, depois da década perdida com a revolução, seria a indústria automóvel alemã e francesa. Não chegou, porém, a acontecer. Em 1989, a derrocada das ditaduras comunistas reabriu a Europa central às empresas alemãs. Nesse ano do “fim da história”, a classe política em Lisboa, muito à pressa mas sempre com as hesitações de quem não lia livros desde 1967, ainda tentou limpar a economia dos revolucionarismos de 1975. Demasiado tarde. Portugal na CEE não ia ser o país da indústria, mas dos centros comerciais e das urbanizações financiadas pelo crédito barato da moeda única. Das esperanças de um momento, restou a fábrica da Volkswagen em Palmela, a Autoeuropa.

Já nos disseram muitas vezes o que representa: mais de 3000 portugueses empregados, muitos negócios para outras empresas, 10% das exportações, um ponto percentual do PIB. Porque é que então o Partido Comunista decidiu fechá-la? Para começar, porque a Autoeuropa, resultado da integração europeia, violenta a ideia comunista de autarcia económica. Depois, porque a Autoeuropa significa “flexibilidade” e “negociação” nas relações de trabalho, isto é, a negação da intransigência e do confronto em que acredita o PCP. A Autoeuropa, como notam com manifesto desprazer os comunistas, insiste em que tem “colaboradores”, em vez de “trabalhadores”. Ora, o “colaborador” apresenta, para o PCP, este grande defeito: sente, enquanto tal, interesse em fazer prosperar a empresa, quando, como “trabalhador”, deveria ter como único objectivo a destruição do “regime capitalista” e a ruína da “sociedade burguesa”.

A história é conhecida. Durante duas décadas, os comunistas não conseguiram entrar na Autoeuropa, onde os “colaboradores” conseguiram sempre chegar a acordos como a administração. Infelizmente, como se tem visto, nada disso dependia de uma “cultura de empresa”, mas apenas do bom senso de um homem, António Chora, o presidente da Comissão de Trabalhadores, durante algum tempo deputado do BE. A oportunidade para os comunistas surgiu com a reforma de Chora e com a necessidade de criar condições para a produção de um novo modelo. O PCP pôde finalmente sujeitar a Autoeuropa ao conhecido regime da inflexibilidade e do conflito sem saída, que em 2006 já liquidou a fábrica da Opel na Azambuja, então a segunda maior unidade de montagem de automóveis do país.

O ministro Vieira da Silva aparece agora muito incomodado: “o tempo corre contra” o futuro de uma empresa sob “grande pressão externa”. Há rumores sobre “alternativas“, como no caso da Opel em 2006. Mas os comunistas não se deixam comover. Arménio Carlos, muito despreocupado, garante: aconteça o que acontecer, “eles não vão nada embora, vão cá ficar”, como se a Autoeuropa fosse uma fábrica de tijolo em 1943.

Entre 2012 e 2015, os sindicatos comunistas perderam 64 mil filiados, mais de 10% do total. Já este ano, o PCP passou por uma catástrofe municipal, com menos 10 câmaras e a pior votação desde 1976. Mas o comunismo português acredita que ainda se pode salvar, se conseguir recriar em Portugal o mundo de 1943. O cálculo é simples: quando mais empobrecido e ensimesmado, mais o país estará maduro para se render a um qualquer populismo nacionalista, que o PCP, que pouco aprende com a história, acha que pode ser o seu. Nisso talvez esteja errado, porque, se o país tiver de chegar a esse ponto, haverá certamente outras versões mais tentadoras de populismo nacionalista. Mas numa coisa, porém, o PCP está certo: o PCP ou a Autoeuropa, um deles tem de morrer. Se o governo também percebe isso, que está a fazer ao lado dos comunistas?

http://observador.pt/opiniao/por-que-razao-quer-o-pcp-fechar-a-autoeuropa/#comment-post-2403684-1764506

O exemplo da maneira de negociar dos comunistas quando estão no poder:

https://en.wikipedia.org/wiki/Novocherkassk_massacre
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Dezembro 12, 2017, 03:25:14 pm
O exemplo da maneira de negociar dos comunistas quando estão no poder:

https://en.wikipedia.org/wiki/Novocherkassk_massacre

Eu não consigo perceber é como ainda há tantas aves raras comunistas em Portugal e como são protegidos principalmente pela comunicação social!

Eu tenho um exemplo pessoal, no meu primeiro emprego, de ver na 1ª pessoa como é que os comunistas lidam com os trabalhadores. Eles que são tão "defensores dos trabalhadores".........
No meu caso os comunistas eram donos da empresa onde eu estagiei! Acarinhavam os trabalhadores tanto que ficaram com os descontos para a Segurança Social durante 4 anos! Dinheiro que o trabalhador descontava e que supostamente ía para o estado! Também senti na pele o que era não receber a tempo e horas..... 1 semana, 1 mês e cheguei a não receber 2 meses. Em contrapartida os bufos da Administração recebiam sempre a horas!!!!! Mas o cúmulo foi uma reunião de urgência marcada pelos Administradores/Donos (comunistas) a todos os funcionários que moravam no concelho da sede da empresa, para que os Administradores percebessem porque é que tendo eles concorrido à Presidência de uma autarquia, ainda tiveram menos votos do que o número de trabalhadores na fábrica e com domicílio nesse concelho. Queriam saber quem eram as ovelhas tresmalhadas! (se calhar era mais rápido pensarem pela cabecinha que os comunistas sempre foram odiados no norte e centro do país...... e descobrirem o porquê?)
Atenção que isto não aconteceu nos anos 70, aconteceu 20 e tal anos depois, nos anos 90!
Escusado será dizer que no espaço de 1 ou 2 anos, saíram todos os quadros superiores, todos!!!!!!! A empresa já faliu à poucos anos, entretanto.
Portanto, já estou vacinado contra os comunistas. Principalmente quando vêem com o discurso do capitalismo selvagem...... a vontade de arrancar pedras da calçada é muita!!!!!!!!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Dezembro 13, 2017, 11:41:10 am
Autoeuropa a caminho do abismo

(https://capas.newsplex.pt/capas/capa_jornal_i_13_12_2017.jpg)

(https://cdn1.newsplex.pt/media/2017/12/13/616467.png?type=artigo)



O novo horário de trabalho contínuo imposto pela administração da Autoeuropa foi recusado pela Comissão de Trabalhadores, que já convocou um plenário para o próximo dia 20. Ministro Vieira da Silva chama de urgência a administração da fábrica de Palmela e a Comissão de Trabalhadores para discutir o futuro da empresa. A reunião está marcada para sexta, mas os riscos de deslocalização de parte da produção para outras fábricas do grupo alarmam o executivo

Depois de dois pré-acordos chumbados sobre mudanças de horários a administração da Autoeuropa decidiu unilateralmente avançar com o horário aos sábados a implementar a partir de janeiro do próximo ano sem esperar pela luz verde por parte dos trabalhadores da fábrica de Palmela. No entanto, deixa em aberto as mudanças de horário a partir de agosto – altura em que entra em funcionamento a laboração contínua – assim como uma porta aberta para o diálogo com a comissão de trabalhadores (CT).

Uma decisão que é rejeitada pela CT ao alegar que “este modelo de horário e as suas condições são mais desfavoráveis e contrariam a vontade expressa pela maioria dos trabalhadores” e defende que seja retomado o processo negocial. Uma ideia que já tinha sido defendida pela estrutura liderada por Fernando Gonçalves quando o segundo pré-acordo foi chumbado e, como tal, convocou um plenário para o próximo dia 20 de dezembro. Discutir a situação da empresa e exigência de nova negociação, assim como a apresentação do caderno reivindicativo são os temas em cima da mesa.

Ao que i apurou esta decisão por parte da administração não causou surpresa, uma vez que, desde o verão que a empresa estava a dialogar com a CT para avançar com estas mudanças e na semana passada já tinha alertado os trabalhadores para a necessidade urgente de implementar a nova carga horária. “É indiscutível a necessidade de ter no início do novo ano um modelo de trabalho que responda às encomendas dos clientes para a primeira metade de 2018, sob risco de entrarmos em incumprimento com o programa de produção”, revelou.

https://ionline.sapo.pt/artigo/592151/autoeuropa-alerta-vermelho-no-governo-?seccao=Dinheiro_i
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Cabeça de Martelo em Dezembro 13, 2017, 12:31:26 pm
O exemplo da maneira de negociar dos comunistas quando estão no poder:

https://en.wikipedia.org/wiki/Novocherkassk_massacre

Eu não consigo perceber é como ainda há tantas aves raras comunistas em Portugal e como são protegidos principalmente pela comunicação social!

Eu tenho um exemplo pessoal, no meu primeiro emprego, de ver na 1ª pessoa como é que os comunistas lidam com os trabalhadores. Eles que são tão "defensores dos trabalhadores".........
No meu caso os comunistas eram donos da empresa onde eu estagiei! Acarinhavam os trabalhadores tanto que ficaram com os descontos para a Segurança Social durante 4 anos! Dinheiro que o trabalhador descontava e que supostamente ía para o estado! Também senti na pele o que era não receber a tempo e horas..... 1 semana, 1 mês e cheguei a não receber 2 meses. Em contrapartida os bufos da Administração recebiam sempre a horas!!!!! Mas o cúmulo foi uma reunião de urgência marcada pelos Administradores/Donos (comunistas) a todos os funcionários que moravam no concelho da sede da empresa, para que os Administradores percebessem porque é que tendo eles concorrido à Presidência de uma autarquia, ainda tiveram menos votos do que o número de trabalhadores na fábrica e com domicílio nesse concelho. Queriam saber quem eram as ovelhas tresmalhadas! (se calhar era mais rápido pensarem pela cabecinha que os comunistas sempre foram odiados no norte e centro do país...... e descobrirem o porquê?)
Atenção que isto não aconteceu nos anos 70, aconteceu 20 e tal anos depois, nos anos 90!
Escusado será dizer que no espaço de 1 ou 2 anos, saíram todos os quadros superiores, todos!!!!!!! A empresa já faliu à poucos anos, entretanto.
Portanto, já estou vacinado contra os comunistas. Principalmente quando vêem com o discurso do capitalismo selvagem...... a vontade de arrancar pedras da calçada é muita!!!!!!!!

O meu pai nos anos 70 teve o "desplante" de perguntar numa reunião convicada pelo sindicato porque é que eles na empresa tinham que fazer greves por razões completamente alheias à dita empresa. Foi chamado até de FDP pelo sindicalista mor de plantão... resultado final, nunca mais fez greve ou foi mais a uma dessas reuniões. Ele é de esquerda mas nem penses em falar do PCP à frente dele! :crit:
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Dezembro 13, 2017, 08:51:11 pm
O meu pai nos anos 70 teve o "desplante" de perguntar numa reunião convicada pelo sindicato porque é que eles na empresa tinham que fazer greves por razões completamente alheias à dita empresa. Foi chamado até de FDP pelo sindicalista mor de plantão... resultado final, nunca mais fez greve ou foi mais a uma dessas reuniões. Ele é de esquerda mas nem penses em falar do PCP à frente dele! :crit:

No norte do país é igual, principalmente junto da população mais idosa do interior. No norte, já à séculos que os pais deixam as terras aos filhos. E chegamos aos dias de hoje com terrenos minúsculos, mas que são defendidos com a vida, qualquer metro quadrado. Um nortenho ouvir nos anos 70 falar da reforma agrária, que vem qualquer marialva tirar-lhe o terreno que já foi do pai (ou até o estado=Lisboa), avô..... ou então que comprou com imenso sacrifício (antigamente havia fome, e a única forma de garantirem que não passavam fome, era endividarem-se e comprarem terras que depois deixavam aos filhos).... só visto. No mínimo ouviam asneiras que nem sabiam que existiam e o mais certo seriam corridos a tiro! Se até em família nas heranças há guerras por causa de meia dúzia de metros quadrados, agora imaginamos um anormal querer apoderar-se da terra que é defendida com a vida!!!!

O meu falecido avô, que até aos últimos dias comprou terras para deixar pelo menos 1.000m2 a cada filho não podia ouvir o nome comunismo ou comunista que logo a seguir dizia asneiras.... e ele era extremamente calmo. Mas pior era o meu tio que tinha um cão chamado........ Cunhal LOL
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: perdadetempo em Dezembro 19, 2017, 10:49:33 am
Citar
Estado pagou 1.800 milhões em juros pelos apoios que concedeu à banca

Citar
"O esforço financeiro resultante das intervenções públicas, destinadas a apoiar o sistema financeiro nacional no seguimento da crise financeira internacional, iniciada em 2007, constituiu um encargo elevado para o erário público num contexto de finanças públicas deficitárias", lê-se no parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado 2016 (CGE 2016), divulgado hoje.

Segundo o Tribunal de Contas, nesse período, o apoio direto do Estado ao setor financeiro representou 0,4% das necessidades de financiamento em 2016, sendo que esse peso no endividamento variou entre 0,1% em 2011 e um máximo de 6,3% em 2012.

"Além disso, as necessidades adicionais de financiamento têm implícitos custos com juros da dívida pública que se estimam em 1.823 milhões de euros [tendo em conta a taxa de juro implícita da dívida pública, calculada pelo IGCP], no período 2008-2016", lê-se no parecer do Tribunal de Contas.

Nestes oito anos, o apoio financeiro totalizou 14.606,4 milhões de euros, dos quais 258 milhões de euros em 2016, uma redução face aos 2.525 milhões de euros verificados em 2015 (na sua grande maioria relativos à capitalização do Banif).

Neste período, a maior 'fatia' do apoio à banca foi dirigida para o BES/Novo Banco (4.614,7 milhões de euros), seguido do BPN (3.702,3 milhões de euros) e da Caixa Geral de Depósitos (3.035,2 milhões de euros). O Banif custou 2.978 milhões de euros e o BPP 659,9 milhões de euros.

Ainda assim, o Tribunal de Contas admite que o valor dos apoios possa ser superior, uma vez que ao défice do BPN e das sociedades-veículo Parups e Parvalorem pode acrescer capitais próprios negativos destas entidades em 2.033 milhões de euros e existem ainda garantias de 2.714 milhões de euros a estas sociedades veículos e de 1.800 milhões de euros ao Novo Banco.

http://24.sapo.pt/economia/artigos/estado-pagou-1-800-milhoes-em-juros-pelos-apoios-que-concedeu-a-banca (http://24.sapo.pt/economia/artigos/estado-pagou-1-800-milhoes-em-juros-pelos-apoios-que-concedeu-a-banca)

A titulo de comparação o total de despesas para a administração central na proposta do orçamento para 2018 seria de 129.327 milhões de euros.

https://www.dgo.pt/politicaorcamental/Paginas/OEpagina.aspx?Ano=2018&TipoOE=Proposta%20de%20Or%c3%a7amento%20do%20Estado&TipoDocumentos=Lei%20/%20Mapas%20Lei%20/%20Relat%c3%b3rio (https://www.dgo.pt/politicaorcamental/Paginas/OEpagina.aspx?Ano=2018&TipoOE=Proposta%20de%20Or%c3%a7amento%20do%20Estado&TipoDocumentos=Lei%20/%20Mapas%20Lei%20/%20Relat%c3%b3rio)

Na verdade o único organismo que no seu orçamento consegue ultrapassar o valor gasto nos bancos é o ministério das finanças e apenas por causa da rubrica "GESTAO DA DIVIDA E DA TESOURARIA PUBLICA" para a qual estes empréstimos bancários vieram contribuir.

Cumprimentos,
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Fevereiro 22, 2018, 02:32:02 pm
Vila Real recebe polo da Critical Software que quer contratar 100 engenheiros

A empresa Critical Software vai abrir um centro de desenvolvimento em abril, na zona de Vila Real, e contratar 100 engenheiros em dois anos, adiantaram hoje fontes da universidade e autarquia.

(https://www.noticiasdecoimbra.pt/wp-content/uploads/2017/06/critical.jpg)



De acordo com as fontes, a empresa, sediada em Coimbra e que atua nos setores da aeronáutica, da defesa e dos transportes, vai instalar um polo, numa parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Câmara Municipal.

O centro de desenvolvimento entra em funcionamento em abril com um grupo de 15 engenheiros que ficarão, numa primeira fase, instalados no Regia Douro Park – Parque de Ciência e Tecnologia.

 O objetivo da Critical Software é mudar, depois, para uma instalação definitiva no centro histórico da cidade.

 As fontes referiram que a empresa prevê contratar mais de uma centena de diplomados em engenharia nos próximos dois anos, principalmente informáticos e eletrotécnicos, mas também ligados à área aeroespacial ou física.

Será articulada com a UTAD a cooperação na formação especializada em alguns desses domínios. Entretanto, a empresa já lançou o processo de recrutamento.

Criada em 1998, a Critical Software é especializada no desenvolvimento de serviços para o suporte de sistemas críticos orientados para a segurança e para o negócio de empresas. Atua em setores como o da aeronáutica, da defesa, da segurança interna, dos transportes, das telecomunicações, das finanças e da energia.

É uma das mais importantes empresas de ‘software’ do mundo e trabalha para clientes como as Forças Armadas de Portugal e do Reino Unido, as agências espaciais norte-americana (NASA), europeia (ESA), chinesa (CNSA) e japonesa (JAXA).

 Atualmente, tem escritórios em Lisboa e Porto e marca presença, através de subsidiárias, no Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos da América, Brasil, Moçambique e em Angola.

Já emprega, ao todo, cerca de 500 pessoas, das quais perto de 400 são da área da engenharia.

Vila Real tem reforçado esforços para atrair empresas e centros de investigação, com o objetivo de criar emprego qualificado e fixar pessoas.

Na semana passada, foi anunciada a instalação de um centro Fraunhofer no Regia Douro Park, também numa parceria com a UTAD, que prevê um programa de atuação ao nível da agricultura de precisão, nomeadamente nas áreas do vinho e da vinha.

A Fraunhofer-Gesellschaft é a maior organização de investigação aplicada na Europa, tem uma equipa de cerca de 25 mil pessoas distribuídas em mais de 80 centros de investigação no mundo, incluindo 69 Institutos na Alemanha.

https://www.noticiasdecoimbra.pt/vila-real-recebe-polo-da-critical-software-quer-contratar-100-engenheiros/
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Fevereiro 24, 2018, 04:05:54 pm
Terminou uma série que aprecio (apreciava) bastante e que passava na RTP, chama-se: Fabrico Nacional, apresentada pela jornalista Catarina Portas.

Deixo o link para os episódios (relembro da Vista Alegre, Atum Ramirez, Licor Beirão, Ach Brito, Viarco, Dr. Bayard, etc....):

https://www.rtp.pt/programa/episodios/tv/p34307

Também há vídeos disponíveis no youtube sobre a série, mas deixo o link original da RTP.
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: HSMW em Março 03, 2018, 04:56:11 pm
(https://www.mapmania.org/static/map/original/net_average_monthly_salary_in_europe_2017_65448.jpg)

Salário médio na Europa em 2017.
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Lusitano89 em Março 04, 2018, 06:45:39 pm
Portugal continua com níveis de desigualdade bastante elevados à escala europeia


Portugal continua a ser um país com níveis de desigualdade social bastante elevados à escala europeia, uma situação que se agravou na última década e se traduziu no aumento da precariedade laboral e da pobreza.

O retrato social de Portugal nos últimos 10 anos é traçado no livro “Desigualdades Sociais, Portugal e a Europa”, que engloba vários estudos de investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-UNL) e que será divulgado na quarta-feira, em Lisboa, no colóquio comemorativo dos 10 anos de atividade do Observatório das Desigualdades.

“A crise cavou fundo na situação social dos desempregados, dos trabalhadores precários, dos pobres, dos pouco escolarizados, dos jovens em transição para o mercado de trabalho, das mulheres com menos recursos, dos imigrantes mais desfavorecidos, daqueles que saíram do país ao encontro de melhores oportunidades, dos que têm menos capacidade de mobilizar a ação coletiva”, lê-se no livro.

Apesar dos dados do INE e do Eurostat registarem “uma pequena evolução favorável” nos últimos três anos, Portugal ainda está “num nível de desigualdades bastante elevado”, disse à agência Lusa o diretor do Observatório das Desigualdades, Renato Carmo.

Desde que a crise surgiu em 2008, o Observatório das Desigualdades tem vindo a acompanhar de “forma muito sistemática e sistematizada” o que aconteceu no país em termos de desigualdade em setores como o emprego, educação, rendimentos e riqueza, saúde, ação coletiva.


"Foram 10 anos em que as desigualdades e a relação entre as desigualdades e a pobreza se agravaram profundamente em múltiplos setores e múltiplas dimensões" e o livro "é demonstrativo disto mesmo", ao abordar o problema numa perspetiva multidimensional e na relação com a Europa, explicou Renato Carmo.

Os estudos constataram que a desigualdade está presente em "muitas dimensões da vida das pessoas e isso significa" que a persistência do problema em Portugal se deve, em grande medida, ao facto de não se circunscrever a "um setor ou a um indicador”, sublinhou.

Para combater o problema são necessárias “políticas estruturais”: “Há perfis e padrões muito vincados que são quase transversais e que, se nada for feito de uma forma mais profunda, levará gerações até poder existir uma alteração mais profunda”, advertiu.

Um dos problemas apontados por Renato Carmo prende-se com a disparidade na distribuição de rendimentos, que é “muito acentuada em Portugal”, nomeadamente a nível salarial.

“A questão que se põe neste momento é como as dinâmicas de precarização do trabalho, nomeadamente em alguns setores que estão a emergir com muita força, como o turismo, podem reforçar estas disparidades salariais na medida em que muitos destes trabalhos são precários e com níveis salariais relativamente baixos”, sublinhou.

A fraca qualificação escolar da população empregada é apontada como um dos principais fatores de desigualdades.

“Portugal ainda é um país com níveis de escolarização abaixo da média europeia e isso reflete-se nas desigualdades” em vários setores, como no acesso a bens e serviços.

No caso da cultura, “é muito claro”, disse o investigador, adiantando que são, sobretudo, as pessoas mais qualificadas que têm práticas culturais “relativamente regulares”.

Os estudos também demonstram que são as classes mais escolarizadas que têm mais “capacidade da ação coletiva e de reivindicação”.

“Verificamos que a questão da qualificação e escolarização é ainda um grande desafio em Portugal”, uma situação que “questiona muito algumas ideias feitas, como o país ter “diplomados a mais”, disse Renato Carmo.

Em Portugal, as classes dirigentes têm níveis de qualificações profissionais abaixo da média europeia e inferiores até à população empregada, um problema que se reflete ao nível do mercado de trabalho, observou.

“Durante a última década, as desigualdades, não só se aprofundaram dentro dos países da Europa, incluindo os mais ricos, como se constituíram num problema para a própria coesão europeia”, frisou.


>>>>>>>>>> http://24.sapo.pt/atualidade/artigos/portugal-continua-com-niveis-de-desigualdade-bastante-elevados-a-escala-europeia
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Lusitano89 em Março 06, 2018, 12:30:07 am
Vistos Gold: Portugal não é "suficientemente rigoroso", diz a Transparência Internacional


Portugal é um dos países da União Europeia em que a atribuição de 'vistos gold' regista falta de rigor, revelou esta segunda-feira a Transparência Internacional, que defendeu que não existem diligências suficientes para confirmar a origem do património dos aplicantes.

Na apresentação de uma investigação conjunta com o Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), em Bruxelas, o diretor estratégico da Transparência Internacional, Casey Kelso, apontou Portugal e Hungria como exemplos de países comunitários que não têm sido “suficientemente rigorosos” no cumprimento das diligências instituídas para a atribuição de ‘vistos gold’.

“Em Portugal, não há diligências suficientes para verificar a proveniência da riqueza dos aplicantes”, sublinhou, indicando que basta a apresentação de um registo criminal.

Para corroborar a sua afirmação, o diretor estratégico da Transparência Internacional, que referiu que Portugal é um caso de estudo de como estes programas podem corromper um Governo, indicou o caso do ex-ministro da Administração Interna Miguel Macedo, que está a ser julgado no âmbito do processo em que se investiga a atribuição de ‘vistos gold’ a cidadãos estrangeiros.

“O julgamento que está a decorrer em Portugal é paradigmático [dos perigos dos ‘vistos gold’]. Há 11 pessoas que exerciam cargos públicos que estão a ser julgadas”, reforçou a responsável estratégica para a União Europeia (UE) da organização não-governamental Global Witness.

Rachel Owens elogiou a eurodeputada socialista Ana Gomes, que definiu como uma “campeã na luta contra os vistos gold”, e lembrou que uma vez que alguém obtém a cidadania portuguesa pode circular livremente na UE.

No caso português, a investigação destaca a aquisição de ‘vistos gold’ por parte de membros da “classe dirigente” de Angola, através da compra de propriedades em território nacional.

“Não sabemos quanto está a ser investido no imobiliário, porque é um setor tão opaco que simplesmente não conseguimos obter os dados”, reconheceu Casey Kelso, argumentando que os preços “excessivos” da habitação registados neste momento em Lisboa são uma consequência do programa.

Segundo dados publicados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, entre 08 de outubro de 2012, data de lançamento do programa, e 31 de janeiro de 2018, os ‘vistos gold’ representaram um investimento de 3,5 mil milhões de euros, dos quais 3,1 mil milhões resultantes do setor imobiliário.

O diretor da Transparência Internacional, Carl Dolan, assumiu “uma preocupação crescente” relativamente ao que estes esquemas representam para a integridade do Espaço Schengen. “Estas pessoas estão a comprar o acesso à cidadania comunitária e à UE”, completou.

A investigação concluiu que os programas dos ‘vistos gold’ são vulneráveis a abusos e minam a luta contra a corrupção na UE e nos países vizinhos, devido, entre outras coisas, à ausência de um escrutínio rigoroso à origem da riqueza dos beneficiários dos ‘vistos gold’, e à opacidade quanto à identidade dos beneficiários.

“[Os ‘vistos gold’] são irresistíveis para países pequenos, que tem alguns problemas económicos. Os governos tendem a manter o anonimato destas pessoas, que não querem ser expostas. O dinheiro é a base de tudo”, reconheceu Jody McPhillips, do OCCRP, que sublinhou que este é um negócio de milhares de milhões de euros para os Estados.

Os resultados da investigação, que decorreu nos últimos seis meses, e que incidiu sobre os programas de oito Estados-Membros – Portugal, Áustria, Bulgária, Chipre, Hungria, Letónia, Lituânia e Malta –, e de Arménia e Montenegro, serão apresentados esta tarde junto de entidades comunitárias.

“Vamos expor estes esquemas representam um risco para a integridade europeia e para os valores comunitários. A Comissão Europeia tem um papel crucial a desempenhar para proteger os seus cidadãos de esquemas de corrupção. Este estudo apresenta sugestões sobre as diligências que a União Europeia pode tomar para evitar que isto aconteça”, explicou Rachel Owens.


>>>>>>>>  http://24.sapo.pt/economia/artigos/vistos-gold-portugal-nao-e-suficientemente-rigoroso-diz-a-transparencia-internacional
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Lusitano89 em Março 14, 2018, 02:22:13 pm
Mais procura na Alemanha melhora perspectivas de crescimento em Portugal


A expectativa de um melhor desempenho das maiores economias europeias, com destaque para o efeito dos acréscimos dos estímulos orçamentais, investimento e salários previstos para a Alemanha, reforça a possibilidade de a economia portuguesa crescer mais do que os 2,6% até agora projectados para este ano pela OCDE e pelo Governo português.

No dia em que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) apresentou as suas projecções interinas para as principais economias mundiais, o economista-chefe da instituição, Álvaro Santos Pereira classificou, em declarações ao PÚBLICO, como “muito provável” a possibilidade de Portugal beneficiar da conjuntura internacional positiva e garantir um ritmo de crescimento este ano maior do que o projectado no passado mês de Novembro.

“Obviamente que para Portugal será muito importante a evolução das economias europeias e aquilo que estamos a prever para economias como a Alemanha ou França pode ter um impacto muito positivo", disse o antigo ministro da Economia, que no início deste ano substituiu interinamente Catherine Mann no cargo de economista-chefe da OCDE.

Nas previsões publicadas esta terça-feira, a entidade sedeada em Paris passou a sua previsão de crescimento mundial este ano dos 3,7% antecipados em Novembro para 3,9%. E, no caso da zona euro (onde se encontram os principais destinos das exportações portuguesas), a previsão de crescimento em 2018 passou de 2,1% para 2,3%.

Nesta fase, apenas foram apresentadas novas previsões para as economias mais relevantes à escala mundial, pelo que no caso de Portugal a estimativa de crescimento em vigor é ainda aquela realizada pela OCDE em Novembro passado, de 2,6%, precisamente o mesmo valor projectado pelo Governo.

Se para a Espanha (o maior destino das exportações portuguesas) também não há novas previsões, para os segundos e terceiros principais parceiros a melhoria das expectativas da OCDE é significativa. Em relação à França, a previsão de crescimento para 2018 passou de 1,8% para 2,2%. E na Alemanha, a subida foi de 2,3% para 2,4%.

Para Álvaro Santos Pereira, aquilo que se está a passar na maior economia da zona euro é mesmo o que dá mais motivos para acreditar num desempenho forte da economia europeia este ano, havendo até a possibilidade de se verificarem taxas de crescimento mais elevadas do que as agora projectadas.

“A Alemanha está claramente a revelar-se como o motor do crescimento na zona euro”, afirma, salientando que “o investimento está a aumentar bastante” e que “o acordo de coligação governamental assinado aponta para um reforço muito significativo dos estímulos orçamentais, na ordem dos 0,3% do PIB ao ano”. Para além disso, há também indícios claros na Alemanha de que se possa assistir a uma evolução mais rápida dos salários, acrescenta Álvaro Santos Pereira, recordando o acordo recentemente assinado pelo sindicato IG Metal, “que já se está a reflectir noutros sectores”.

“Numa economia como a alemã, estes são sinais importantes e que, pelo efeito que podem ter na procura interna, podem ajudar o desempenho dos outros países da zona euro”, afirma o economista-chefe da OCDE, que no caso português, destaca também o facto de se estar a assistir a uma recuperação do investimento.

No relatório, a OCDE diz em relação à zona euro que “as políticas fiscais e monetárias acomodatícias, as melhorias nos mercados de trabalho e os elevados níveis de confiança dos consumidores e das empresas estão a ajudar a estimular a procura”.

Não é só em relação à zona euro que a OCDE está mais optimista. As revisões em alta da previsões foram generalizadas. No caso dos EUA, a OCDE mudou a sua previsão de crescimento este ano de 2,5% para 2,9%. No Japão passou de 1,2% para 1,5%, na China de 6,6% para 6,7%, no Brasil de 1,9% para 2,2% e na Índia de 7% para 7,2%.

Álvaro Santos Pereira aponta dois grandes factores por trás deste optimismo: “o aumento do comércio mundial e o regresso das variações mais elevadas no investimento”.

No relatório agora apresentado, há no entanto um risco a ensombrar o cenário genericamente positivo: a possibilidade de um aumento das políticas proteccionistas em várias economias do planeta. Uma ameaça tornada mais real com a decisão dos EUA de imporem taxas alfandegárias mais elevadas em produtos como o aço e o alumínio e que, a concretizar-se, “afectaria negativamente a confiança, o investimento e os empregos”.

O ex-ministro da Economia explica que, nas previsões agora divulgadas não foram incluídos efeitos negativos. “Não está no nosso cenário central. Achamos que será possível diminuir a tensões, continuamos a acreditar que o diálogo é possível”, afirma.


>>>>>>>>>   https://www.publico.pt/2018/03/14/economia/noticia/mais-procura-na-alemanha-melhora-perspectivas-de-crescimento-em-portugal-1806519
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Março 26, 2018, 10:23:31 pm
INE confirma inclusão dos custos com a Caixa Geral de Depósitos no défice de 2017

...O défice das contas públicas de 2017 sobe, assim, para os 3% do Produto Interno Bruto (PIB), o que contrasta com o défice abaixo de 1% (0,92%) que teria sido registado caso não tivesse havido esse efeito....

https://observador.pt/2018/03/26/ine-confirma-inclusao-dos-custos-com-a-caixa-geral-de-depositos-no-defice-de-2017/

Está explicado porque é que o Ministro das Finanças congelou tudo o que pode em 2017, incluindo as compras militares que já foram confirmadas mas ainda não se viu nada até ao fim de Março!!!!!!

O déficit de 2017 foi de 0,92%, mas com a ajuda a mais um banco, neste caso a CGD (quase 4 mil milhões de euros), o nosso déficit foi exactamente de 3%!!!! O limite máximo permitido pela UE! E não sabemos se temos de ajudar mais algum banco! Fala-se em mais uns camiões de notas para o Novo Banco e não se sabe se a contabilidade criativa no Montepio de 800 milhões + umas dezenas de milhões das Santas Casas é suficiente para repor os níveis de capital!

Percebem agora a prioridade nacional? Temos de passar necessidades para salvarmos os nossos bancos! Gostava mais que copiassemos os americanos e ingleses que dizem..... se um banco quer ajuda, os donos que metam lá dinheiro! Se o dinheiro público entrar num banco, o estado apodera-se do banco e vende assim que possível e com lucro! É difícil, mas é possível como aconteceu por exemplo no inglês Lloyds que tem o António Horta-Osório à frente!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Março 28, 2018, 09:00:13 pm
Parece que adivinhava..... afinal os camiões de notas podem ascender a 450 milhões de euros para o Novo Banco (o tal Banco Bom).

Novo Banco. Estado vai emprestar até 450 milhões ao Fundo de Resolução

O Estado vai emprestar até mais 450 milhões de euros ao Fundo de Resolução para reforçar os rácios de capital do Novo Banco. Instituição teve prejuízos de 1.395 milhões em 2017.

(https://imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com/800x,q85/https://s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2015/11/18162179_770x433_acf_cropped.jpg)

......
https://observador.pt/2018/03/28/novo-banco-estado-vai-emprestar-ate-450-milhoes-ao-fundo-de-resolucao/
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: perdadetempo em Abril 02, 2018, 02:44:01 pm
Guia resumo dos vistos dourados na Europa para o oligarca russo ou imodesto homem de negócios de outros continentes:

https://www.transparency.org/news/feature/navigating_european_golden_visas (https://www.transparency.org/news/feature/navigating_european_golden_visas)

E para o caso nacional
Citar
Portugal

Programme:

    The Portuguese Residence Permit for Investment (ARIs)

Status:

    Active since 2012

Key Features:

    Capital contribution of up to €1 million or real estate investment equal to or above €500,000 - or €350,000 if property is located in urban regeneration areas - or the creation of 10 jobs.
    Applicants should stay in Portugal for a period of seven or more days in the first year and 14 or more days in subsequent years.

Investigation highlights:

    In 2014, the programme was rocked by a major corruption scandal when criminal corruption charges were filed against former Interior Minister Manuel Macedo and the former heads of the notaries service and the immigration authority, among others. The latter were accused of being involved in a bribery scheme and accepting gifts in exchange for expediting residence permits. The trial is ongoing.
    Ninety per cent of the money raised by Portugal’s Golden Visa programme comes from real estate investment which, according to Transparency International Portugal, exponentially increases money laundering risks.
    The US State Department’s 2017 International Narcotics Control Strategy Report states that “suspect funds from Angola are used to purchase Portuguese businesses and real estate” and reports allegations that “Portugal serves as a hub for laundering illicit funds for Angola’s ruling class.”

Para quem estiver interessado os relatórios da Transparência Internacional sobre os vistos Gold Nacionais:

https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2018/03/TI-PT_Golden-Investments-or-Golden-Cityscape_March2018.pdf (https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2018/03/TI-PT_Golden-Investments-or-Golden-Cityscape_March2018.pdf)

O mesmo assunto mas noutra vertente ( e em português)

https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2018/01/TI-PT_Vistos-Gold_2017.pdf (https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2018/01/TI-PT_Vistos-Gold_2017.pdf)

e sobre "BENEFICIÁRIOS EFETIVOS E TRANSPARÊNCIA FISCAL"

https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2017/03/Relat%C3%B3rio-EBOT.pdf (https://transparencia.pt/wp-content/uploads/2017/03/Relat%C3%B3rio-EBOT.pdf)

Cumprimentos,

Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Cabeça de Martelo em Abril 07, 2018, 12:44:08 pm
Como estão agora as feridas abertas pela Troika em Portugal?

Os dois anos de Governo das esquerdas foram marcados por boas notícias, mas muitas feridas abertas na era da Troika ainda estão por sarar. Só neste ano é que o PIB regressará ao nível de 2010
Nuno Aguiar


Discussões sobre um segundo resgate, notícias sobre derrapagens no défice, sanções de Bruxelas, mercados impiedosos, anúncios da vinda do “diabo” e, claro, sucessivos avisos sobre o agravamento da “tensão” entre os partidos que apoiam o Governo. Nos primeiros dois anos de governação da exclusiva responsabilidade da esquerda, as hipóteses mais dramáticas sobre a economia e as finanças públicas não se concretizaram. No entanto, os progressos conseguidos não foram suficientes para recuperar 
o terreno perdido durante a crise.

Num balanço económico dos últimos dois anos, é difícil não começar pelos desenvolvimentos positivos. Portugal cresce ao ritmo mais rápido desde 2000, o desemprego está em mínimos de 2004 e o défice encontra-se no nível mais baixo da democracia; o País deixou de estar sujeito ao Procedimento dos Défices Excessivos e à classificação de “lixo” por duas agências de rating; e Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. Um retrato longe da vaga pessimista que acompanhou o nascimento desta solução de Governo (jornais alemães falavam de “uma nova Grécia”, Cavaco Silva previa graves “consequências financeiras, económicas e sociais”) e o arranque débil de 2016. “Nenhum dos agouros da direita se confirmou”, conclui Mariana Mortágua, deputada do BE.

A aceleração que se seguiria e o ajustamento da estratégia orçamental do Governo deixaram esses cenários no espelho retrovisor. Contudo, é útil pôr os avanços recentes em perspetiva. O forte crescimento de 2017, o quarto ano consecutivo de recuperação, surge num ciclo europeu altamente positivo e, mesmo assim, não foi suficiente para pôr o produto interno bruto (PIB) no nível de 2010, antes da entrada da Troika em Portugal.

“Os resultados permitem dizer que os cenários extremistas não se verificaram, mas também questionam a festa que o Governo está a fazer”, sublinha o deputado do PSD António Leitão Amaro, em declarações à VISÃO. Os dados do INE publicados na semana passada confirmam que as exportações não pararam de galopar, mas o consumo e o investimento continuam, em termos reais, abaixo do pré-Troika. No mercado de trabalho, 
o emprego (medido em contas nacionais) só agora chegou ao nível de 2010 e a percentagem de precários não caiu. A banca está mais sólida, mas continua sem emprestar às empresas, em parte porque uma em cada quatro tem crédito malparado, cujo peso total mais do que duplicou face a 2010. A média salarial nacional pouco mexeu e o SNS ainda está nos cuidados intensivos.

Mariana Mortágua reconhece que 
“a recuperação é longuíssima, principalmente condicionada pelas regras orçamentais”. Uma das suas queixas encontra eco também à direita. “No investimento público não houve esforço. O Governo executa muito abaixo do orçamentado”, critica a bloquista. “Parte do problema está na preocupação em cumprir metas. A despesa é bloqueada pelas Finanças.”

Leitão Amaro nota também a evolução desapontante da produtividade, fruto de o emprego estar a crescer mais rápido do que a economia e em setores como o turismo. Mais: o social-democrata reforça que o desempenho nacional não é especialmente notável quando comparado com outros países europeus. Os 2,7% de crescimento alcançados por Portugal em 2017 estão em linha com a média, e a maior parte dos países até superou esse resultado. “Em comparação com o ciclo económico que estamos a viver, é um resultado medíocre.”

Do lado das contas públicas também há alertas. O maior de todos, aponta Joaquim Miranda Sarmento, professor de Finanças do ISEG, está na dívida: mesmo com um excedente primário, os juros e as ajudas aos bancos adiaram sucessivamente a descida de um dos endividamentos mais altos do mundo. O rácio atual está ainda muita acima de 2010: 126% vs. 96% do PIB. Será difícil enfrentar uma nova crise com uma dívida pública de três dígitos.

Sendo claro que Portugal está a crescer a um ritmo sólido, a discussão deslocou-se para o que o está a alimentar. A direita argumenta que, apesar de a estratégia do Governo se basear no estímulo do consumo via devolução de rendimentos, são as exportações e o investimento que estão a puxar pela economia. De facto, se olharmos para os contributos do crescimento dos últimos dois anos, as exportações foram mais relevantes do que a soma do consumo e do investimento. Além disso, o défice orçamental foi reduzindo mais rápido do que os planos iniciais do PS. O modelo inicial falhou? Ricardo Paes Mamede, do ISCTE, reconhece que as coisas não correram como era suposto. “Não sabemos se foi o contexto externo ou as hipóteses que estavam erradas, mas logo em 2016 o modelo não funcionou. O consumo privado ficou aquém, o investimento também”, explica.

Na segunda metade de 2016, Portugal começou a sentir ventos mais favoráveis, que facilitaram avanços em várias frentes, do défice à relação com Bruxelas. “É importante distinguir resultados de medidas. Acho positiva a compreensão, a partir do verão de 2016, que o caminho de contrarreforma e de aceleração do consumo estava a resultar mal”, refere Leitão Amaro. Embora tenha adotado um sistema gradualista em quase todas as devoluções de rendimentos, a verdade é que o Executivo as tomou: as pensões subiram, os salários dos funcionários públicos foram repostos, a sobretaxa eliminada e o salário mínimo reforçado. “A devolução de rendimentos não é, só por si, uma estratégia, mas faz parte. 
O consumo gera vendas, que cria emprego e dá origem ao investimento”, afirma Mariana Mortágua. Mesmo o PSD, que prefere dar crédito às reformas passadas, aos programas do BCE e ao ciclo europeu, reconhece o impacto. “Há um efeito de curto prazo com medidas do lado da procura”, reconhece Leitão Amaro.

Talvez poucos esperassem que um Executivo apoiado por PCP e BE tivesse este perfil de crescimento e um dos maiores excedentes primários do euro. Cumpriu as expectativas? “Sabíamos que rompendo com a austeridade seria possível entrar num melhor ciclo económico, [mas] que em áreas como a banca seria difícil estar de acordo com o PS”, lembra Mortágua. “Foi um acordo de mínimos.” Para já, foi suficiente para estancar hemorragias; falta agora fechar as feridas.

http://visao.sapo.pt/exame/2018-04-07-Como-estao-agora-as-feridas-abertas-pela-Troika-em-Portugal-
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: HSMW em Abril 22, 2018, 06:06:46 pm
(http://i.vas3k.ru/7kk.jpg)
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Abril 23, 2018, 10:13:41 am
(http://i.vas3k.ru/7kk.jpg)

Facilmente detectamos onde era o antigo bloco de leste! Com essa ideia peregrina de distribuir a pobreza por toda a gente!!!!!!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Clausewitz em Abril 24, 2018, 03:00:37 am
Facilmente detectamos onde era o antigo bloco de leste! Com essa ideia peregrina de distribuir a pobreza por toda a gente!!!!!!

O problema é que nós nunca fomos do bloco de leste mas estamos quase na mesma... Aliás já estamos ou estaremos em breve pior do que vários desses países.
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Abril 24, 2018, 10:08:01 am
Facilmente detectamos onde era o antigo bloco de leste! Com essa ideia peregrina de distribuir a pobreza por toda a gente!!!!!!

O problema é que nós nunca fomos do bloco de leste mas estamos quase na mesma... Aliás já estamos ou estaremos em breve pior do que vários desses países.

Já estivemos muito pior. Se comparar a nossa situação antes de entrarmos na UE, verá como se vivia nessa altura em comparação com o resto da Europa (com excepção da Europa de leste que efectivamente estivemos sempre à frente). Mas connosco passou-se por breves momentos algo parecido, logo a seguir ao 25, quando destruímos grande parte da capacidade produtiva do país, com a ocupação de empresas que tinham um dono e passaram a não pertencer a ninguém! Sabe o que acontece quando algo não pertence a ninguém, não sabe!? Aliás estivemos para nos tornar num país semelhante aos de leste.
Outro aspecto que se prende connosco é a nossa aversão ao risco e mudança, mais do que nos outros países. Quem é que quer arriscar e deixar de ser empregado a ganhar o seu salário ao fim do mês, para apostar tudo numa empresa que pode correr muito mal e deixar essa pessoa/família sem absolutamente nada!? (ainda na semana passada tive conhecimento de um amigo que vivia muito bem, era empresário e........ os negócios correram mal e já perdeu tudo o que tinha, para já só tem a casa onde habita, como tinha avalisado todos os empréstimos da empresa com a responsabilidade pessoal dele e como não devia muitos milhões, os bancos limparam-lhe todos os bens e agora está com cinquenta e tal anos, sem empresa, sem rendimentos e sem subsídio nenhum!!!!!) Aliás eu entendo que essa nossa aversão ao risco é o nosso maior problema, porque leva a que toda a gente se encoste ao Estado para ver se chove mais uns dinheiritos, sejamos nós empregados, reformados ou empresários! Assim não se arrisca tanto e com a bênção do estado/políticos, temos sempre uns negócios mínimos garantidos!!!!!

Outro problema deve-se à nossa falta de qualificação em comparação com os restantes países, mesmo com os do leste. Porque não tenha dúvidas que quanto mais alta for a nossa qualificação, mais produtivos nos tornamos, mais riqueza criamos (esse é um grande problema de muitas empresas nacionais, em que o patrão tem baixa escolaridade, até consegue "safar-se", mas depois não tem conhecimentos para mais, para fazer crescer o negócio).

Dou-lhe outro problema, parece que o país é alérgico à indústria! Ou porque polui, ou porque faz barulho, ou porque deita maus cheiros. Temos de ser exigentes com a indústria, sem dúvida nenhuma, mas também lhe digo que nenhum país do mundo consegue enriquecer sem a indústria! A Europa fez um enorme disparate ao expulsar a indústria para a Ásia! Esse é o grande motivo para os europeus verem a sua vida empobrecer e aos asiáticos que à décadas atrás morriam à fome, agora são economias muito desenvolvidas e com a população a enriquecer a olhos vistos, mesmo em países comunistas como a China (só é comunista no papel, em termos económicos é extremamente agressiva e liberal com os outros e conservadora para si mesma).

E o motivo para nós não crescermos é a falta da indústria, não tenha dúvidas. Não existe nada à face da terra (nem o petróleo ou as minas), conseguem criar tanta riqueza como uma fábrica! E se tem dúvidas, vá ver quanto ganha o funcionário mais mal pago da Autoeuropa em Setúbal, da Vulcano em Aveiro...... Atenção que estou a falar de empresas que criam muito valor acrescentado (riqueza), não estou a falar das fabriquetas nacionais que até produzem com qualidade, para depois entregarem à Benetton, à Adidas ou outra empresa de renome só para colocar a sua etiqueta em cima e estas a entregarem à fabriqueta 5% do valor e elas ficam com 95% do valor da venda!!!!!! Nem estou a falar das call center ou do turismo (não vamos enriquecer com o turismo, disso pode ter a certeza, aliás mais facilmente enriquecemos com a agricultura do que com o turismo. Veja o aumento do preço dos imóveis e culpe o turismo e os vistos gold).

Por fim para não me alongar mais, a cultura da responsabilidade! Chegarmos a horas aos compromissos, cumprirmos com o que prometemos a alguém (porque nós lá por dentro também somos como os políticos, prometemos muito mas depois damos pouco), não olharmos só aos direitos, mas lermos também os nossos deveres. Levarmos a integridade a outro nível, porque eu não tenho ilusões, os nossos políticos são o que são, porque nós somos assim. Não se nasce político. A política no fundo amplifica os nossos pontos positivos e negativos! E para terminar mesmo, e como sou da área da gestão, falta ao português um bocado mais de conhecimentos/literacia financeira, para saberem fazer contas e chegarem à conclusão de que é um disparate pagarmos juros de 10% ou mais no crédito ao consumo, ou irmos de férias com crédito (mais vale passar 1 ano férias por casa e no ano seguinte saímos)......
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: perdadetempo em Maio 13, 2018, 05:01:09 pm
A acreditar nesta notícia talvez o Novo Banco/Ex grupo Espirito Santo, tenha uma boa noticia para dar nos próximos tempos.

Citar
...Currently in Portuguese hands, the Isle of Man Steam Packet Company (IoMSPC) is the oldest continuously operating passenger shipping company in the world. In 2011 the company was bought by the Banco Espírito Santo which has now reportedly accepted an offer of £124 million which will see the services transferred to public ownership. Under the current agreement the IoMSPC must provide an inbound freight capacity of 7,800 lane metres per week, with 936 UK return sailings and 63 Irish east coast sailings per annum...(continua...)

http://www.handyshippingguide.com/shipping-news/union-welcomes-proposed-deal-to-buy-freight-and-passenger-roro-lifeline-ferry-company_9049 (http://www.handyshippingguide.com/shipping-news/union-welcomes-proposed-deal-to-buy-freight-and-passenger-roro-lifeline-ferry-company_9049)

Cumprimentos,
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Maio 18, 2018, 08:42:35 pm
A acreditar nesta notícia talvez o Novo Banco/Ex grupo Espirito Santo, tenha uma boa noticia para dar nos próximos tempos.

Citar
...Currently in Portuguese hands, the Isle of Man Steam Packet Company (IoMSPC) is the oldest continuously operating passenger shipping company in the world. In 2011 the company was bought by the Banco Espírito Santo which has now reportedly accepted an offer of £124 million which will see the services transferred to public ownership. Under the current agreement the IoMSPC must provide an inbound freight capacity of 7,800 lane metres per week, with 936 UK return sailings and 63 Irish east coast sailings per annum...(continua...)

http://www.handyshippingguide.com/shipping-news/union-welcomes-proposed-deal-to-buy-freight-and-passenger-roro-lifeline-ferry-company_9049 (http://www.handyshippingguide.com/shipping-news/union-welcomes-proposed-deal-to-buy-freight-and-passenger-roro-lifeline-ferry-company_9049)

Cumprimentos,

Infelizmente as notícias não são muito boas!!!!
O Novo Banco (o tal banco bom), já pediu mais 800 milhões ao Fundo de Resolução e nos próximos anos, podem pedir mais 3 mil milhões (está escrito no contrato de venda do Banco aos americanos!!!!!!!!!)

https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca---financas/detalhe/recapitalizacao-do-novo-banco-acontecera-nos-proximos-dias
https://observador.pt/2018/05/18/governo-diz-que-recapitalizacao-do-novo-banco-acontecera-nos-proximos-dias/

Depois do que já nos limparam, o Novo Banco ainda pode rapar mais 3,8 mil milhões, ou aos bancos ou a nós mesmo!!!!!!!!!

E é inacreditável e até vergonhoso que este Banco tenha participado no perdão de quase 100 milhões de euros ao Sporting (em conjunto com o BCP), acordado à dias!!!!!!!!
Pois é muito fácil ao dono do Novo Banco perdoar as dívidas do Sporting, eles têem na mão um documento que lhes garante que recebem até 3,8 mil milhões por negócios ruinosos feitos antes da venda do banco........

O estado faz cada negócio!!!!!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Srgdoido em Julho 25, 2018, 08:08:30 pm
http://expresso.sapo.pt/economia/2018-07-25-Portugal-tem-55-de-probabilidade-de-entrar-em-recessao-a-medio-prazo
"Portugal tem 55% de probabilidade de entrar em recessão a médio prazo"
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Srgdoido em Julho 25, 2018, 09:58:20 pm
Impostos do tempo da crise rendem quase mil milhões de euros a António Costa

http://expresso.sapo.pt/dossies/diario/2018-07-24-Impostos-do-tempo-da-crise-rendem-quase-mil-milhoes-de-euros-a-Antonio-Costa#gs.vhAfEgQ
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 02, 2018, 11:08:15 am
Do “despejo imediato” à demissão, nove perguntas e respostas que explicam o caso Robles

A batalha legal de Robles e da irmã para despejar um inquilino. A intenção inicial de não fazer obras no andar ocupado. As isenções. O imposto Mortágua. E as diferenças face ao negócio da líder do BE.

(https://s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2018/07/27190429/1q9a1001.jpg)

“Basta pensar-se que no balcão dos despejos o senhorio não precisa de nada para mandar despejar e o inquilino precisa de advogados para se defender. É um absurdo completo. Chama-se balcão do arrendamento, bem sei, mas eu pergunto se algum dos presentes achou alguma vez que o balcão servia para arrendamento”. As palavras são de Catarina Martins, em Abril deste ano. O Bloco de Esquerda defende o fim do Balcão de Arrendamentos, mas foi precisamente nesse balcão que Ricardo Robles interpôs a acção de despejo contra um inquilino com quem não conseguiu chegar a acordo.

O processo de licenciamento das obras no prédio de Alfama deu entrada na Câmara de Lisboa às 16h14 do dia 20 de Março de 2015. A autorização de utilização foi deferida pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, a 11 de Setembro de 2017.

As peças da batalha legal contra o inquilino e o processo de licenciamento das obras na Câmara de Lisboa são alguns dos documentos a que o Observador teve acesso e que ajudam a completar estas nove respostas a perguntas que ainda são pertinentes sobre o caso Robles, mesmo após a demissão do vereador, naquela que é provavelmente a maior crise da história do Bloco de Esquerda.

..........

https://observador.pt/especiais/do-despejo-imediato-a-demissao-nove-perguntas-e-respostas-que-explicam-o-caso-robles/

Seu capitalista! :)
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 07, 2018, 11:41:15 am
Portugal: Preços da eletricidade e gás são dos mais caros da Europa

O Eurostat, autoridade estatística da União Europeia, foi criado em 1953 e é atualmente uma Direcção-Geral (DG) da Comissão Europeia que tem como papel fundamental fornecer estatísticas à Comissão e às outras instituições europeias para que possam ser definidas, implementadas e analisadas as políticas comunitárias.

Recentemente, e pela primeira vez, a Eurostat publicou um comparativo de preços da eletricidade e do gás e Portugal é dos que tem preços mais caros.

(https://pplware.sapo.pt/wp-content/uploads/2018/08/energia_00-720x482.jpg)

Pela primeira vez, o Eurostat publica os preços para a eletricidade e gás natural que são totalmente comparáveis entre países. De acordo com os dados, só apenas a Bélgica e a Dinamarca estão à frente de Portugal no que diz respeito a preços da eletricidade e gás. Portugal aparece na terceira posição.

Os preços da eletricidade e do gás na UE podem variar de acordo com as condições de oferta e procura, incluindo a situação geopolítica, os custos da rede e as condições meteorológicas.

Entre os 24 Estados-Membros que forneceram os dados, o preço da electricidade por Quilowatt-hora (kWh) pago pelas famílias variou entre 10 cêntimos (Bulgária) e 28 cêntimos (Bélgica). Na grande maioria dos países, o preço está entre 10 e 20 cêntimos por KW/h. Portugal está perto dos 25 cêntimos por KW/h.

Preço da eletricidade para as famílias por kWh, em 2017

(https://pplware.sapo.pt/wp-content/uploads/2018/08/Household-electricity-prices-538x720.png)

Relativamente ao gás o cenário é idêntico. Portugal volta a aparecer na terceira posição e à sua frente está a Irlanda e a Suécia. O preço por kWh do gás doméstico é geralmente menor do que o preço da eletricidade doméstica e, em 2017, variou de 3 cêntimos (Roménia) a 12 cêntimos (Suécia). Na maior parte dos 21 Estados-Membros que conseguiram fornecer os dados, o preço era inferior a 8 cêntimos por kWh.

Preço do gás para as famílias por kWh, em 2017

(https://pplware.sapo.pt/wp-content/uploads/2018/08/Household-gas-prices-535x720.png)

Apesar de termos uma economia bem menor que outros países, a verdade é que somos dos que mais pagamos ao nível da eletricidade e gás. Apesar de existirem várias ofertas é importante saber quais as mais adequadas para cada cidadão.

Para ajudar a escolher o melhor tarifário, podem sempre consultar o portal Poupa Energia, que permite simular e comparar mais de 200 tarifários de energia – gás natural e eletricidade. Esta plataforma é gerida pela Agência para a Energia (ADENE), entidade privada sem fins lucrativos e de utilidade pública, e o objetivo principal é ajudar as famílias a poupar e a mudar os seus hábitos de consumo, aumentando em pelo menos dez por cento o atual número de mudanças de operadores de energia.

https://pplware.sapo.pt/informacao/portugal-precos-da-eletricidade-e-gas-sao-dos-mais-caros-da-europa/#comment-2190408
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 12, 2018, 08:55:57 pm
Navigator em guerra com o Departamento de Comércio dos EUA contra taxa anti-dumping

Empresa de pasta e papel, a terceira maior exportadora portuguesa, vai contestar nos tribunais americanos taxa anti-dumping imposta pelo Departamento do Comércio dos EUA.

(https://imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com/800x,q85/https://s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2017/04/05195847/16048696_770x433_acf_cropped.jpg)

A Navigator vai contestar nos tribunais americanos a aplicação de uma taxa anti-dumping sobre as importações por parte da Alfândega dos Estados Unidos. A taxa pode penalizar em 45 milhões os lucros da empresa de pasta e papel.

Em comunicado enviado ao regulador da bolsa na sexta-feira à noite, a empresa de pasta e papel argumenta que não existem fundamentos para a aplicação de uma taxa final sobre as vendas de 37,4% definida pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos. Esta taxa deverá ser aplicada retroativamente sobre as vendas de papel para os Estados Unidos realizadas entre agosto de 2015 e fevereiro de 2017.

A Navigator diz que vai interpor uma providência cautelar para impedir a Alfândega americana de aplicar a referida taxa sobre as importações. No entanto, avisa que enquanto o recurso estiver a ser apreciado a nova taxa “será aplicável a todas as importações da sociedade depois da data de publicação da decisão — prevista para dentro de aproximadamente uma semana — e a impugnação judicial pela Navigator irá também cobrir esta medida”.

A empresa liderada por Diogo Silveira garante que usará “todos os meios processuais disponíveis e está convencida que vai conseguir demonstrar perante os tribunais norte-americanos que a taxa acima mencionada para o período em causa é totalmente injustificada e, consequentemente, fazer com que o Departamento do Comércio reverta esta medida administrativa que tem um impacto estimado (à taxa de câmbio atual de aproximadamente 66 milhões de euros no EBITDA (margem bruta operacional) e de 45 milhões de euros nos lucros líquido do ano em curso“.

A Navigator é a terceira maior exportadora portuguesa, segundo dados de 2017, representando 2,4% das exportações nacionais. O mercado americano representa 10% das vendas da empresa que também opera diretamente nos Estados Unidos.

Empresa foi visada por alegadas práticas de dumping

O diferendo com o departamento do comércio remonta a 2015, quando foi fixada uma taxa de depósito provisória sobre as vendas para o mercado americano de 29,53%. Esta taxa resultou de uma investigação de alegadas práticas de dumping (venda com prejuízo) nas exportações de papel UWF para os Estados Unidos da América cujos resultados a empresa portuguesa contesta.

A avaliação final feita em janeiro de 2016 reduziu a taxa para 7,8%, por via da correção, diz a Navigator, de um “erro administrativo”. Essa taxa esteve em vigor até agora. Em abril deste ano, a empresa foi informada de que a taxa provisória a aplicar nesse período seria de 0%. Mas agora a empresa controlada por Pedro Queiroz Pereira foi notificada pelo United States Department of Commerce que a taxa final seria de 37,4%.

Considerando que existe uma “modificação substancial da taxa anterior” e que as autoridades americanas não pediram informação adicional nem houve alteração de circunstâncias, a empresa diz que esta é uma “mudança intencional dos pressupostos assumidos pelo Departamento de Comércio com o objetivo de aumentar a taxa final sobre vendas de papel Navigator para os EUA”, apesar da empresa ter colaborado. Esta “mudança” coincide com um endurecimento da política americana contra as importações da União Europeia.

https://observador.pt/2018/08/11/navigator-em-guerra-com-o-departamento-de-comercio-dos-eua-contra-taxa-anti-dumping/

A guerra comercial contra a Europa continua, desta vez apanhou uma empresa portuguesa!!!!!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Srgdoido em Agosto 14, 2018, 09:36:34 pm
https://www.jn.pt/economia/interior/economia-acelera-no-segundo-semestre--9716159.html
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 18, 2018, 09:53:03 pm
The Guardian destaca cerâmicas portuguesas como tendência de “millennials”

Descritas como "êxito de culto", as cerâmicas portuguesas estão aparentemente na moda um pouco por todo o mundo e a culpa é do estilo de decoração, que se assemelha ao "das nossas avós".

(https://imageproxy-observadorontime.netdna-ssl.com/800x,q85/https://s3cdn-observadorontime.netdna-ssl.com/wp-content/uploads/2018/08/18161324/bordallo-pinheiro-pintura_1280x720_acf_cropped_770x433_acf_cropped.jpg)

Um “êxito de culto”, uma tendência para os millenials (jovens nascidos entre os anos 80 e finais dos 90): é desta forma que o jornal britânico The Guardian fala das cerâmicas portuguesas da Bordalo Pinheiro, histórica marca oriunda das Caldas da Rainha.

Num artigo publicado este sábado, 18 de agosto, a publicação começa por questionar como é que esta marca com 134 anos está a “tomar conta de mesas e Instagrams” um pouco por todo o mundo. Elogiando o “fantasioso, colorido e excêntrico” mundo destas criações portuguesas, o jornal justifica a nova moda afirmando que o estilo “casa da avó” está aí em força, seja materializado num jarro em forma de peixe, numa bandeja disfarçada de couve ou num aplique de croché em cima da televisão.

Depois de explicar um pouco da história da marca e do seu fundador — um “visionário subversivo e socialista que gostava de gozar com a sociedade portuguesa do final do século XIX” –, destacam os resultados de vendas, que vão levar a Bordalo Pinheiro a inaugurar as duas primeiras lojas no estrangeiro, uma em Paris e outra em Madrid, ambas a abrir ainda em 2018.

A tal tendência vai-se verificando, aos poucos, em territórios portugueses, com cada vez mais lojas a venderem os animais, vegetais e frutos da cerâmica caldense. É no estrangeiro, contudo, que se nota o maior crescimento na procura, com mais de metade do milhão de peças produzidas em 2017 (são todas feitas à mão) a serem vendidas para fora.

https://observador.pt/2018/08/18/the-guardian-destaca-ceramicas-portuguesas-como-tendencia-de-millennials/
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 19, 2018, 12:04:49 pm
PQP, o piloto de competição que se tornou um dos grandes industriais portugueses

A sua paixão foi a indústria e o que gostava mesmo era de projetar fábricas. Construiu um grupo industrial do qual fazem parte duas das grandes empresas industriais portuguesas, a Navigator Company, ex-Portucel, e a cimenteira Secil.

(https://thumbs.web.sapo.io/?epic=ODM4rkIANEPx4Uh8N9TPpmqGfZ/uwDjWmu0qnc1vIuB3PBU3u46XPQkQtSi6GAjQMvXxwl7rDU50E/4Q5jAOgPWBBJMiVAFgq2aN0gypIVLHvJA=&W=800&H=0&delay_optim=1)

Pedro Queiroz Pereira, que morreu esta madrugada aos 69 anos, é um nome incontornável na economia portuguesa do pós-25 de abril. Quando a revolução acontece, o então jovem Queiroz Pereira era mais conhecido como PêQuêPÊ - ou PQP, as iniciais do seu nome - nome conquistado ao volante dos carros, paixão que o levou a ser piloto de competição antes de assumir a sua vocação industrial e construir um dos maiores grupos empresariais do país.

Foi aluno do Colégio Militar e posteriormente frequentou o Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa. No pós-25 de abril, a família, muda-se para o Brasil onde viveu entre 1975 e 1987. No Brasil continua ao volante, tendo inclusive chegado a participar de provas de competição de Fórmula 2 com Ayrton Senna de quem ficaria amigo.

Assume a liderança dos negócios da família perto dos 40 anos na sequência da morte do pai e do irmão mais velho. Da história da família Queiroz Pereira, cujos interesses se repartiram desde cedo por várias áreas do imobiliário à indústria e à banca, há episódios que ilustram bem o ascendente que teve na sociedade portuguesa: Manuel Queiroz Pereira, o pai, foi por exemplo um dos dez empresários desafiados por Salazar a construírem o primeiro hotel de luxo em Lisboa, o Hotel Ritz de que Pedro também viria mais tarde a ser parte da administração.

Nos anos 90 as privatizações mudam a face da economia portuguesa e Pedro Queiroz Pereira, já à frente dos destinos dos negócios da família, lança os alicerces do que é hoje o grupo ao comprar a Portucel e a Secil. Todavia, seria a disputa da Cimpor que faria correr rios de tinta e que estaria na génese da sua rutura com Ricardo Salgado, a quem chegou a acusar de traição, e com o grupo Espírito Santo com quem teve durante anos uma ligação histórica. Na notícia sobre a sua morte, o Expresso lembra - e bem - que "a guerra com Salgado foi determinante para o colapso do Grupo Espírito Santo".

A novela pela disputa da Cimpor foi longa mas é difícil falar do percurso empresarial de Queiroz Pereira sem a contar.  Começou em julho de 2000, quando lançou uma OPA (oferta pública de aquisição) hostil sobre a cimenteira numa operação cara  que custava 550 milhões de contos (mais de 2500 milhões de euros). Sabia desde o início que era uma compra arriscada pela dimensão da empresa a comprar que a tornava um alvo mais fácil e até mais lógico para um grande grupo internacional do que para outra empresa portuguesa.  Tentou, ainda assim, controlar a Cimpor, associando-se aos suíços da Holcim, com quem iria repratyi a empresa, separando a operação internacional. “Temos muita pena de dividir a Cimpor, mas se não me antecipasse haveria uma OPA de uma empresa estrangeira”, disse na altura. A proposta aparentemente bem recebida pelo governo socialista da altura acabou chumbada ministro das Finanças e da Economia - então reunidas na mesma tutela - Pina Moura e Queiroz Pereira acabou por perder para o bloco Teixeira Duarte, BCP e Lafarge - num concurso polémico em que o Estado entregou os últimos 10% do capital do Estado à Teixeira Duarte, apoiada pelo BCP, e única concorrente. Perdeu mas demorou anos até desistir mantendo a disputa quer via participação accionista quer através dos tribunais.

Em 2004, a compra da Portucel teria outro desfecho - desta vez bem sucedido  - mas não foi isenta de novas batalhas, tendo pela frente um outro interessado chamado Belmiro de Azevedo. Para controlar a empresa, o empresário teve de lançar uma OPA sobre a Portucel, coisa que Belmiro de Azevedo se recusou a fazer, e a Semapa teve de vender alguns dos seus ativos, nomeadamente a Enersis e 49% da Secil.

No perfil traçado em maio deste ano pelo Jornal de Negócios, é descrito como "o grande industrial português". Só a Navigator, recordava o jornal, investiu nos últimos 15 anos mais de 1,3 mil milhões de euros em Portugal. "Costuma dizer aos mais próximos que com o dinheiro que ganha podia comprar um palácio no sul de França. Mas Pedro Queiroz Pereira não gosta de palácios nem do sul de França. Prefere investir e inaugurar novas fábricas. E é o que tem feito, quase a uma média de uma por ano".

Acionista maioritário do grupo Semapa, proprietário da Navigator, da cimenteira Secil e de negócios na área do ambiente e da energia, Pedro Queiroz Pereira era, segundo o ranking da  Revista Exame,  o 7º mais rico de Portugal, detentor de uma fortuna avaliada em 779 milhões de euros (em conjunto com a mãe).

Nos últimos anos chamou para o grupo um conjunto de gestores de topo e foi abandonando funções executivas. Manteve-se como presidente do conselho de administração da Semapa, que tem como presidente executivo João Castello Branco, ex-líder da McKinsey em Portugal, e a The Navigator Company  tem como presidente executivo Diogo da Silveira. Na Secil, a liderança executiva é do suiço Otmar Hübscher.

Em 2014 ficou viúvo e caberá agora às filhas a gestão do património e dos negócios da família. Avesso à exposição pública, refugiava-se amiúde numa herdade em Coruche onde fazia criação de cavalos e uma das filhas está inclusive em competições desportivas. Dele dizia-se que tinha maus feitio, que era teimoso mas sempre frontal, determinado e sabendo valorizar opiniões fundamentadas. Deixa como herança um grupo industrial português que sempre foi a sua grande ambição.

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/pqp-o-piloto-de-competicao-que-se-tornou-um-dos-grandes-industriais-portugueses

Mais um grande industrial que parte. Precisamente quando os EUA lançam uma guerra comercial contra uma das empresas do grupo, a Navigator! Outras grandes empresas do grupo são a Secil (cimentos), Semapa e ETSA.
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Agosto 30, 2018, 11:08:48 am
Vai dar tudo certo

(http://images-cdn.impresa.pt/visao/2016-08-26-JoseEduardoMartins-2/1x1/mw-300)


Opinião

José Eduardo Martins

Advogado e ex-deputado do PSD


O dr. Costa goza o pagode sem o mínimo de pudor. Porque pode. Não precisa de exibir inteligência, competência, conhecimentos, bom senso, nada. Só falar e encher o vazio, porque ninguém o contraria?

Para pôr um grão de areia nesta alegria de verão, o Expresso foi entrevistar o antigo deputado do PS Henrique Neto e ele saiu-se com uma que felizmente passou despercebida: “O país não está melhor, mas os portugueses acham que sim.”

Uma semana depois, o mesmo jornal lá corrigiu o tiro no otimismo com uma belíssima e retemperadora entrevista ao nosso líder. Ficámos tranquilos. 
Estamos como um pero.

Virámos, explica com paciência e carinho o dr. Costa, a página da austeridade e estamos agora na fase do redentor rigor.

A carga fiscal bateu recorde no ano passado (que isto do rigor precisa de muita receita), mas agora, anuncia o nosso benfeitor, vem aí, pela redução de impostos, a resolução dos nossos maiores problemas. Tufas, mai nada.

Vamos atrair de volta os jovens emigrantes qualificados e vamos ter um bodo para os senhorios fazerem retomar um mercado de arrendamento normal.

Os quadros mais qualificados estão a fazer as malas para o regresso e até já o Robles desistiu lá disso do alojamento local. Que os salários desses mais qualificados continuem baixos e sem qualquer perspetiva de subir ou que os senhorios não tenham ganhado nenhum na ideia são minudências que não atrapalham quem lidera, até porque o nosso primeiro-ministro não é de grandes teorias. Só de grandes convicções. Ele que não leva o PS para a esquerda nem para a direita, só em frente. Toda a gente sabe que para a frente é que é o caminho.

Os pessimistas têm algum receio do que pode acontecer a uma pequena economia aberta na véspera de uma guerra comercial? Não há porquê, explica o nosso visionário dr. Costa… e desata a falar da confiança dos empresários cá na terra. Toma, vai buscar.

Também vamos precisar muito dos fundos comunitários, mas não haverá problema nenhum com o rombo orçamental inevitável que os derrotistas preveem se tudo for executado. E porquê? Porque sim. Arruma lá esta.

Não percebi aquilo da autoestrada onde não podemos ir sempre a 120, mas são assim os grandes, não importa decifrá-los, importa confiar.

Talvez porque o desejo torna o irreal possível, como escreve o poeta.

Talvez porque no dia da entrevista, ilustrou as redes sociais, com a mesma fatiota, ao comando do feito notável de Monchique.

Um sucesso nas palavras do dr. Costa. E aqui, coisa rara, deixou-se tolher pela modéstia. Mais do que um sucesso, inventou todo um novo paradigma no combate aos incêndios. Arrastar as pessoas, para não haver mortos e deixar arder tudo, não porque não haja químicos ou coordenação, mas pela beleza regeneradora da inatividade magistral. Notável, não é? Embrulha!

Estamos portanto a mudar de página, de vida, quase de planeta. O dr. Costa goza o pagode sem o mínimo de pudor. Porque pode. Não precisa de exibir inteligência, competência, conhecimentos, bom senso, nada. Só falar e encher o vazio, porque ninguém o contraria?

Tudo o resto é mera implicância do Henrique Neto e do CFP, com relatórios impróprios (90 páginas, que horror) para a época das festas e dos festivais e títulos aziagos (“Riscos orçamentais e Sustentabilidade das finanças públicas”).

Pois, parece que temos um risco superior a 50% de entrar em crise a cada cinco anos, que cada crise nos custa mas de 3% do PIB e levamos tantos anos a recuperar dela como os que dura, que só chegamos aos 100% de dívida em 2030, que temos uma concentração de carga fiscal e consequente risco apenas em dois impostos e, entre outros fatores igualmente graves, somos o país da EU com maiores passivos potenciais à conta do brilho e do equilíbrio das nossas PPP.

Preocupações que o verão felizmente enterra na areia, como normalmente nós também o fazemos até chegar o FMI.

Valha-nos a oposição e o PSD que não se deixa ficar. Lançámos um novo cartão de militante cuja imagem vai “reforçar a afetividade e, por isso, 
a proximidade às bases do partido”.

Como dizia o bispo Edir Macedo: vai dar tudo certo!

http://visao.sapo.pt/opiniao/2018-08-22-Vai-dar-tudo-certo
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Outubro 24, 2018, 12:30:33 pm
Arrendamento: estragaram em 33 meses o trabalho de 33 anos

Decorridos três anos em que se sucederam anúncios e proclamações em matéria de habitação, o fracasso é evidente, os resultados são aterradores e as primeiras vítimas desta política são os mais frágeis

Há 33 anos, era aprovada a lei que ficou conhecida como “Lei das Rendas”. Corria o ano de 1985.

Esta lei pode ser considerada o primeiro passo, com efeitos reais, para desfazer o congelamento das rendas que se iniciara com a implantação da República e que o Estado Novo renovou na década de 40 em Lisboa e no Porto. Este congelamento, após a revolução de 1974, foi alargado a todo o país.

De então para cá, decorreu um trabalho que pretendia progressivamente reconstruir o mercado de arrendamento em Portugal, com o objectivo de encontrar uma resposta para as famílias que não podiam ou não queriam adquirir casa.

Um dos problemas mais sensíveis deste percurso relacionava-se com aqueles que viviam há várias décadas em casas antigas e com rendas congeladas e que não teriam capacidade económica para suportar o seu aumento. Nos anos 80, as famílias que estavam nesta situação com os chamados contratos antigos, excediam um milhão. Nos censos de 2001 e de 2011 este número desceu, primeiro para cerca de 440 mil e depois para 255 mil.

Ao longo destas décadas, foi sendo evidente que o Estado não tinha capacidade orçamental para financiar um subsídio de renda generalizado, que muitos preconizavam e consideravam indispensável para suportar o descongelamento das rendas. Também era óbvio que uma liberalização do arrendamento urbano, realizada sem um processo de transição, poderia ter efeitos imprevisíveis para os quais as instituições públicas não teriam capacidade de resposta.

Nestes 33 anos, houve uma dezena de governos, uns com maioria absoluta, outros minoritários ou de coligação. Todos os que antecederam o actual contribuíram de alguma forma para a progressão que se verificou no arrendamento urbano e cujos passos mais marcantes sintetizo seguidamente.

Em 1986 foi publicada a regulamentação da “Lei da Rendas” com a criação do primeiro subsídio de renda e a reformulação do regime de renda condicionada.

Em 1990 foi aprovado o RAU (Regime de Arrendamento Urbano) que tipificou os vários tipos de regimes de rendas e introduziu os contratos de duração limitada.

Em 1995 foi publicado o diploma que alargou estas reformas ao arrendamento não habitacional.

Em 2000 foi publicada legislação que determinou várias alterações, embora pontuais, para dar maior segurança entre as partes na celebração dos contratos.

Em 2004 foi apresentada uma reforma do regime de arrendamento que não se chegou a concretizar porque o Parlamento foi dissolvido e o governo caiu.

Em 2006, com o NRAU (Novo Regime de Arrendamento Urbano), deram-se novos passos para concluir o processo de descongelamento das rendas num horizonte de dez anos, criou-se um novo subsídio de renda e foi introduzido um mecanismo para inviabilizar os trespasses.

Em 2012, com as alterações realizadas ao NRAU, foi liberalizada a duração dos contratos, eliminou-se a exigência de realização de obras para actualizar rendas, estabeleceram-se novos prazos para a transição dos contratos antigos para o novo regime, nasceu o Balcão Nacional do Arrendamento (BNA) e o procedimento especial de despejo e foi introduzido um novo sistema de protecção dos arrendatários idosos ou com deficiência através de um outro subsídio de renda.

Muitos dirão que estes passos foram tímidos, pouco ousados e que se arrastaram demasiado no tempo. Têm razão.

O caminho percorrido foi sinuoso e certamente muito demorado. Olhando para trás, é possível dizer que deveríamos ter avançado mais depressa e que em muitos casos houve excessivas hesitações.

Mas em todas as alterações e independentemente da sua bondade ou resultados, procurava-se que o arrendamento urbano se tornasse uma actividade viável e atractiva para os investidores e que os proprietários tivessem motivos para confiar os seus imóveis para o arrendamento.

Esta questão tornou-se premente a partir de 2002, quando acabou o crédito bonificado à aquisição de casa própria, num momento em que o mercado de habitação já apresentava sinais de saturação e o setor da construção entrou em queda. É este o ponto de viragem no paradigma que, durante décadas, modelou e financiou a oferta habitacional em Portugal.

O crédito bonificado à construção e aquisição de casa própria foi durante estas décadas a solução para contornar os custos políticos de uma reforma do arrendamento urbano que, independentemente do seu alcance, seria sempre controversa e penalizadora.

Importa realçar que o PCP e a Associação de Inquilinos Lisbonense, sempre que se aprovava uma alteração às regras do arrendamento urbano, vaticinavam catástrofes e hecatombes sociais de proporções inimagináveis. Expressões como “crime social”, “fomento dos despejos” e “lei de despejos”, são recorrentemente usadas desde 1985 e com particular veemência aquando dos processos legislativos mais significativos, como sucedeu em 1985, 1990, 2006 e 2012.

Como agora se pode constatar, as catástrofes que anunciaram nunca ocorreram.

Mas este receio esteve sempre bem presente nos processos legislativos.

Para se conseguir que o mercado de arrendamento urbano começasse a funcionar com normalidade, era necessário eliminar definitivamente as situações residuais dos contratos antigos e com rendas congeladas e estabelecer um sistema que transmitisse segurança e confiança, sem que pairasse o espectro da incerteza sobre o contrato celebrado e o pagamento da renda.

Esse sistema tinha que garantir a qualquer proprietário ou investidor que as poupanças que colocariam neste negócio não estariam sujeitas aos constrangimentos que se verificaram no passado: contratos de duração vitalícia, transmissões dos arrendamentos, congelamentos de rendas ou limitações às suas actualizações, processos de despejo que se eternizavam, ocupação e vandalização das habitações sem consequências para os prevaricadores.

Como em qualquer negócio, a avaliação do risco determina a sua viabilidade.

Em Portugal, as flutuações políticas ocorridas em mais de 100 anos, tiveram sempre reflexos negativos sobre as regras de funcionamento do mercado de arrendamento. Primeiro no período final da Monarquia, depois na 1ª República e no Estado Novo e finalmente após o 25 de Abril de 1974.

No percurso de 33 anos vivido após 1985, foi possível manter uma trajectória reformista, porque havia um consenso entre as principais forças políticas e agentes do setor.

Tudo mudou no início de 2016.

Desde que o actual governo iniciou funções que no domínio da habitação se sucedem os anúncios, as proclamações, as medidas mais desmedidas que se podem imaginar, as acusações, as desculpas, os comícios e as manifestações. Não há memória de tanto se falar em habitação.

Mas como diz o provérbio “são mais as vozes que as nozes”.

Inicialmente foi o ataque ao regime de arrendamento apoiado, que se aplica aos bairros sociais. Aprovaram uma nova lei (a Lei 32/2016, de 24 de Agosto), que em menos de um ano, pela voz dos seus principais promotores, o PCP e o Bloco, passou de justa a injusta e de fantástica a desadequada. Bastou que as respectivas clientelas, que querem viver em casas do Estado praticamente de borla, fossem confrontadas com as óbvias obrigações de qualquer arrendatário.

O resultado imediato destas alterações foi a perda de autoridade dos senhorios públicos para aplicar a lei, a permissividade com as ocupações ilegais, a criação de dificuldades em actualizar as rendas e acima de tudo os constrangimentos para confrontar os “caloteiros” com uma escolha simples: ou pagavam a renda ou enfrentavam a acção de despejo.

Seguiu-se a investida sobre o arrendamento não habitacional. A pretexto do encerramento de alguns estabelecimentos comerciais decrépitos e que há muito tinham perdido viabilidade, criaram a figura das “lojas com história”. Em vez de definirem uma política pública que permitiria apoiar e valorizar os estabelecimentos considerados notáveis e que financiaria a sua manutenção e a reabilitação dos edifícios onde se encontram, atiraram para cima dos senhorios com todas as responsabilidades, prorrogaram os respectivos contratos e congelaram as rendas.

Trata-se de medidas que criaram um beco sem saída para todos. Para os comerciantes, para os senhorios e para os municípios, porque na maior parte dos casos são negócios inviáveis e só atrasará a reabilitação dos respectivos edifícios.

Quando percorremos as zonas mais antigas dos nossos centros urbanos, é confrangedor verificar a enorme quantidade de espaços não habitacionais encerrados e vazios. Esta realidade tem mais de uma década e é indissociável de dois acontecimentos: a crise económica que desde o ano 2001 tem vindo a reduzir o poder de compra das famílias e atingiu em cheio o comércio tradicional e o NRAU de 2006 da autoria de António Costa (então Ministro de José Sócrates responsável por esta reforma) que acabou e bem, com os trespasses. Para os que já não se recordam, os trespasses eram o passaporte para a reforma de muitos comerciantes que por esta via “vendiam” o seu estabelecimento arrendado, sem que o senhorio o pudesse impedir. Estes trespasses davam sangue novo a estas actividades, recapitalizavam-nas e permitiam em muitos casos a sua continuação.

A figura das “lojas com história” tem mérito, mas foi criada contra os senhorios, colocando nas mãos destes uma responsabilidade que devia ser assumida e financiada pelo Estado.

E as entidades públicas são as primeiras a ignorarem as regras que aprovaram, quando julgam em causa própria. A conduta da Câmara Municipal de Lisboa é reveladora desta indecência. No caso do “Restaurante A Gôndola” na Praça de Espanha, cujo edifício entretanto demolido era propriedade municipal, a câmara fez cessar o arrendamento e vendeu-o a uma instituição bancária. Também em Lisboa, na Rua de S. Lázaro, a câmara vai pelo mesmo caminho para realizar um negócio imobiliário.

Depois foi o ataque à “Lei dos despejos”, onde se criou uma encenação com notícias alarmantes sobre famílias que estavam a ser despejadas. Agora é claro que não se tratavam de despejos, mas de contratos celebrados na década que se seguiu à publicação do NRAU de António Costa de 2006, que tinham chegado ao seu termo. Ainda hoje continuamos sem saber a quantidade dos ditos “despejos” que serviram para provocar tanto alarido.

Mas ao criarem tanta agitação com algo que não passava de um logro, ficaram com um problema. Era preciso aparentar que se fazia qualquer coisa e em vez de aprovarem medidas concretas para resolver a crise de que tanto falam, produziram uma aberração: aprovaram uma lei que suspende até ao final de Março de 2019 os processos de despejo de arrendatários com idade superior a 65 anos e cujos contratos tenham mais de 15 anos.

Mais uma vez, armaram uma ilusão sem terem a menor ideia de quantos casos poderão existir nestas circunstâncias.

E fizeram-no ao mesmo tempo que enfiaram na gaveta o subsídio de renda criado em 2015 e que permitiria responder a estas e muitas outras situações de famílias em risco de perderem o alojamento. E a razão invocada é espantosa: “um problema orçamental” como reconheceu o ministro da tutela numa entrevista que deu em Agosto de 2017. Por outras palavras, não tinham dinheiro.

Não satisfeitos com estas decisões, em cima dos faseamentos de actualização de rendas iniciados em 2006, alargaram os prazos de transição da reforma de 2012, prolongando na prática o congelamento das rendas por mais uma década. Não deixa de ser curioso que esta nova prorrogação é criada quando os prazos de transição do NRAU de António Costa de 2006 já se encontravam esgotados. Ou seja houve prorrogação de prazos para a reforma de 2012, mas não para a de 2006, sendo que esta provocou em muitos casos, aumentos de renda superiores à da reforma de 2012.

Seguiu-se a crítica à precariedade habitacional supostamente criada pela reforma de 2012. Mas quando analisamos as propostas que estão para aprovação no Parlamento, constatamos que discutem se a duração mínima de um contrato de arrendamento deve ser de um, de três ou de cinco anos. Afinal, aquilo que hoje debatem é a dimensão da precariedade que tanto criticaram à reforma de 2012.

Logo a seguir anunciaram que os contratos de arrendamento se convertiam em vitalícios para arrendatários com idade superior a 65 anos, com grau de deficiência superior a 60% e que vivam nas casas que arrendam há mais de 25 anos. Também aqui se desconhece a dimensão desta realidade.

Novamente, atiraram para cima dos privados com a responsabilidade de assegurar o direito constitucional de garantir o acesso ao alojamento às famílias em situação de maior fragilidade.

Nunca o Estado levou tão longe a privatização das suas responsabilidades num dos pilares do estado social: a habitação.

E para degradar ainda mais a confiança neste sistema, fizeram duas alterações numa matéria que é crítica e que se relaciona com a cobrança das rendas: a mora pelo atraso no pagamento da renda será reduzida de 50 para 20% e o processo de despejo só poderá ser accionado se estiverem em dívida três rendas, quando antes bastavam duas.

A sucessão de anúncios, medidas e propostas, atingiu o clímax quando, a pretexto da venda das habitações da Fidelidade, se lembraram de alterar o regime do direito de preferência. Após ler o diploma aprovado, percebe-se a sua inutilidade e ineficiência, quer para os arrendatários, quer para quem pretenda vender um imóvel arrendado. O disparate chegou ao ponto de terem legislado sobre o exercício do direito de preferência relativo a uma parte de um imóvel que não está constituído em propriedade horizontal, ignorando que a respectiva câmara municipal tem poderes para impedir a constituição dessa propriedade horizontal. Pior ainda, ignoraram as situações em que a transacção pode envolver um imóvel cujo destino é a demolição. Enfim, mais um ato de propaganda, para gerar uma ilusão e simular uma solução com resultados aberrantes.

Depois do bode expiatório da “Lei dos Despejos”, viraram-se contra o alojamento local.

Aprovaram uma lei que “inventou a roda”, só que esta é quadrada. Ninguém sabe como é que os condomínios a poderão aplicar e os poderes conferidos aos municípios para “travar” a expansão desta actividade vai gerar todo o tipo de iniquidades e perversidades. A figura das quotas é um absurdo cujo único resultado será aumentar a quantidade de casas vazias, inflacionar os preços e expandir a “gentrificação” de que tanto se queixam. E a confirmar-se que vão limitar o número de alojamentos locais por proprietário, assistiremos a uma proliferação de pequenos proprietários que servirá para esconder uma realidade económica bem distinta.

Depois de terem perorado durante mais de três anos sobre os problemas do alojamento local, é escandaloso verificar que chegada a hora de aplicar a lei e fazer os regulamentos, limitam-se a suspender o licenciamento de novos alojamentos. Afinal, não sabem o que fazer.

Mas já perceberam as consequências da proliferação dos seus anúncios e medidas. Como não há casas para arrendar, agora propõem-se criar um regime para arrendar de forma forçada os imóveis que sejam qualificados como devolutos. Mais uma vez, estamos perante decisões inconsequentes e inviáveis. Bastaria analisar os resultados da aplicação do agravamento do IMI aos imóveis devolutos, que vigora há mais de uma década, para se perceber que estamos perante mais um embuste.

Mas a maior das anedotas é a criação da figura do “assédio no arrendamento”, também apelidado de “bullying imobiliário”, como se estivéssemos num ambiente escolar. Uma infantilidade. Cabe perguntar se as verdadeiras vítimas deste “bullying” não são aqueles que colocaram as suas poupanças em casas para arrendar e que, há décadas, são esbulhados dos investimentos que realizaram.

E finalmente vieram anunciar um grande pacote de benefícios fiscais para quem arrendar, esquecendo-se, mais uma vez, dos contratos antigos e ainda daqueles a quem foi prorrogado o congelamento das rendas.

Desculpem-me a imagem sórdida, mas estes benefícios fiscais parecem-se com uma aspirina que é oferecida a quem foi obrigado a engolir várias cápsulas de cianeto.

Há uma proclamação feita por um membro do governo que ridiculariza esta governação: “queremos uma política de habitação centrada nas pessoas e não nas casas”. Andam a brincar com as palavras, mas a triste realidade é que agora as pessoas não encontram casa…

Decorridos pouco mais de 33 meses desta governação, os resultados são aterradores. Os preços não param de subir. A oferta é cada vez mais escassa.

As medidas que anunciaram e as que aprovaram já têm efeitos perversos, cujas primeiras vítimas são as famílias em situação mais frágil e que esta esquerda proclama como os seus protegidos, bem como os que procuram uma casa para arrendar.

A idade e a deficiência constituíram-se como armadilhas que se viram contra as famílias que procuram casa. O espectro criado com a decisão de tornar vitalício qualquer contrato de arrendamento celebrado com pessoas nestas circunstâncias, passou a excluí-las do acesso a um arrendamento.

A figura das “lojas com história” ditará o fim dos contratos de arrendamento não habitacional assim que se aproximar o limiar dos 25 anos da sua duração. Estes contratos de arrendamento nunca mais alcançarão essa longevidade.

Os malabarismos realizados com o regime do direito de preferência terão efeitos devastadores. Ninguém celebrará contratos de arrendamento com duração superior a dois anos e nos poucos casos em que o direito de preferência se concretize sem que exista propriedade horizontal, estaremos perante condomínios que nunca irão funcionar. Entretanto, investidores institucionais no arrendamento como era o caso da Fidelidade, fogem deste negócio o mais rapidamente que podem.

Nestes 33 meses, com anúncios e medidas disparatadas e inconsequentes, esta governação destruiu a segurança e a confiança que se procurou criar ao longo de 33 anos.

Os danos perdurarão por muito tempo. O PCP e o Bloco de Esquerda, com a ajuda do PS, estão de parabéns. Conseguiram o que preconizaram durante décadas: a destruição da iniciativa privada no arrendamento urbano em Portugal. A partir de agora, este negócio será cada vez mais residual e só servirá quem tiver dinheiro para pagar rendas milionárias.

Só um ingénuo colocará as suas poupanças num sistema que, a todo o momento, está sob a ameaça de um assalto legislativo e fiscal conduzido por uma governação irresponsável que vive exclusivamente para as notícias e a propaganda.

Está novamente demonstrado que é possível estragar num ápice, o que levou muito tempo a consertar.

Por muito optimista que se seja, o mercado de arrendamento urbano em Portugal está morto e não se recomenda.

Arquitecto, presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana de 2012 a 2017

https://observador.pt/opiniao/arrendamento-estragaram-em-33-meses-o-trabalho-de-33-anos/

A Geringonça a destruir o mercado do arrendamento!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Outubro 26, 2018, 05:22:19 pm
Brasileiros vendem Cimpor ao turcos da OYAK

O novo dono da Cimpor é um conglomerado industrial e financeiro da Turquia.

(https://jornaleconomico.imgix.net/wp-content/uploads/2017/06/Cimpor-e1496957655504.jpg?w=850&h=532&q=60&compress=auto,format&fit=crop)

Os brasileiros donos da Cimpor acabam de anunciar em comunicado que vão vender a cimenteira portuguesa e o negócio de Cabo Verde aos turcos da OYAK que é um conglomerado industrial e financeiro.

A InterCement e a Cimpor “assinaram com o Grupo OYAK um contrato que tem como objecto a venda de todos os activos que compõem a unidade de negócio de Portugal e Cabo Verde”, diz o comunicado enviado às redacções.

A InterCement é a antiga Camargo Corrêa Cimentos que é uma empresa brasileira pertencente ao Grupo Camargo Corrêa que actua na produção de cimentos, e que comprou a Cimpor em 2012.

Segundo o comunicado conjunto da Cimpor e do OYAK (Ordu Yardımlaşma Kurumu), este grupo assinou hoje um contrato com a Cimpor – Cimentos de Portugal com vista à aquisição de todos os activos que compõem a Unidade de Negócio de Portugal e Cabo Verde da Cimpor.

Através desta aquisição, a OYAK integrará no seu portfolio as três fábricas e as duas moagens de cimento, as 20 pedreiras e as 46 centrais de betão localizadas em Portugal e em Cabo Verde.

As actuais estruturas directivas das áreas produtivas e dos serviços centrais da Cimpor em Portugal e Cabo Verde manter-se-ão em funções, garantem as empresas.

O valor do negócio não foi avançado mas a Reuters está a relatar que a InterCement encaixa 700 milhões de euros. A Camargo investiu 1,5 mil milhões em 2012 para controlar a quase totalidade da empresa.

“No âmbito da sua estratégia de internacionalização, a OYAK Cement identificou o potencial de integração da Cimpor Portugal e Cabo Verde, valorizando em particular o seu know-how, capacidade operacional, a escala, o posicionamento geográfico e a sua capacidade exportadora”, diz o comunicado.

O OYAK é o primeiro e maior fundo de pensões (‘second tier’) na Turquia, fundado em 1961, e o grupo líder em investimentos estratégicos em sectores lucrativos e de crescimento continuado de diversas indústrias como o cimento e a betão, a exploração mineira e a metalúrgica, o automóvel, a energia e o sector químico, a agricultura, a logística, as finanças e a alumina especializada, explica a nota enviada pela Cimpor.

O OYAK emprega actualmente cerca de 30 mil pessoas em 19 países, e registou, em 2017, um volume de negócios de 10,2 mil milhões de dólares.

A OYAK Cement conta com 7 fábricas integradas de cimento, 3 moagens de cimento, 45 centrais de betão pronto localizadas na Turquia, com uma capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas.

Segundo o comunicado o novo dono da cimenteira portuguesa é líder de mercado na Turquia, “a OYAK Cement é uma referência no desenvolvimento de soluções inovadoras para a utilização de cimento, orientadas por critérios de eficiência, criatividade e rentabilidade, bem como pela sua actuação sustentável e responsável em termos ambientais e comunitários”, asseguram.

“A estes atributos juntam-se a reputação e a força comercial da marca e dos produtos Cimpor, que serão peças-chave no desenvolvimento estratégico do negócio de cimento da OYAK”, acrescentam.

A história de como a Cimpor foi comprada pelos brasileiros da Camargo Correia, em 2012 não escapou a críticas e polémicas. Tendo sido na sequência de uma OPA lançada em 2009 pela brasileira CSN (empresa de siderurgia), que queria através da Cimpor (que detém a Cimpor Brasil), entrar no sector dos cimentos no Brasil, o que não agradou aos concorrentes brasileiros que controlam o mercado, como a Camargo Correia e Votorantim. Para impedir a OPA da CSN, a Camargo lança uma OPA concorrente à Cimpor e foi a CGD que acabou por ajudar a Camargo Correia, porque faz um acordo com a Votorantim em nome de manter um núcleo de accionistas portugueses com um parceiro minoritário brasileiro, que incluía a CGD e a Teixeira Duarte. Mas esta roeu a corda e numa madrugada vendeu à Camargo Correia, mais tarde ambas as cimenteiras brasileiras entendem-se e assim a InterCement ficou a dona da Cimpor, uma empresa que em Portugal passou por uma crise que se traduziu em prejuízos anuais.

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/brasileiros-vendem-cimpor-ao-turcos-da-oyak-370865

Mais um episódio da novela da venda de uma das maiores e melhores empresas cimenteiras do mundo a um grupo de empresas brasileiras de cimentos de 5ª categoria que destruíram completamente a Cimpor, só para destruir mais um concorrente no Brasil! Só assim se justifica a compra por 1,5 mil milhões e a venda agora por 700 milhões! Pelo caminho, a InterCement apoderou-se de todas as fábricas da Cimpor e só deixou as fábricas em Portugal e Cabo Verde. O princípio do fim da Cimpor começou a ser traçado, quando o Sócrates impediu a venda da Cimpor à portuguesa Secil, para vender aos amigos de Lula, já que é uma das 3 empresas brasileiras a operar em Portugal e investigadas no Lava Jato: https://expresso.sapo.pt/internacional/2015-07-17-Viagem-de-Lula-para-o-lancamento-do-livro-de-Socrates-foi-paga-pela-Odebrecht#gs.yibsBU8
A Actual Cimpor tem ainda como actual Presidente do Conselho de Administração o sinistro Proença de Carvalho!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Outubro 31, 2018, 01:34:41 am
Imposto subiu 6 cêntimos em 2016. Agora baixa 3 cêntimos e só na gasolina. Porquê?

Mário Centeno anunciou finalmente uma descida no imposto sobre os combustíveis para 2019. Mas são apenas três cêntimos, só vale para a gasolina e ninguém sabe quanto vai custar.

(https://bordalo.observador.pt/800x,q85/https://s3.observador.pt/wp-content/uploads/2018/10/29184305/19113523_770x433_acf_cropped.jpg)

Finalmente uma boa notícia para os automobilistas. Durante a discussão da proposta de Orçamento do Estado para 2019, o ministro das Finanças anunciou que vai baixar o imposto sobre a gasolina. Mário Centeno afirmou, em resposta aos deputados do CDS e do PCP, que ia reverter o aumento extraordinário do imposto sobre os produtos petrolíferos decidido em 2016 no primeiro Orçamento do Estado da “geringonça”. Mas a anunciada descida do ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) só irá abranger a gasolina e vai, segundo esclareceu Mário Centeno aos deputados, ficar pelos três cêntimos por litro. Este valor representa metade do aumento decidido há dois anos e meio e deixa de fora o combustível mais vendido em Portugal.

1 Se o imposto subiu 6 cêntimos em 2016 porque baixa agora metade?

É certo que o ministro das Finanças anunciou que ia reverter essa medida no caso da gasolina, mas Mário Centeno também afirmou que a descida prevista, mas não expressa na proposta de Orçamento do Estado, iria colocar o ISP aos níveis em que estavam antes da atualização feita em 2016, e que foi da sua responsabilidade.Uma consulta às estatísticas da Direção-Geral da Energia e Geologia ajuda a explicar o que parece uma contradição. Em fevereiro de 2016, o imposto petrolífero subiu seis cêntimos nos dois combustíveis. Uma medida que foi justificada pela necessidade de compensar a perda de receita no IVA sobre os combustíveis que resultava da descida dos preços finais dos combustíveis.

Mas, enquanto que no gasóleo o imposto petrolífero não só se manteve como até se agravou ligeiramente, na gasolina aconteceu o inverso. O ISP baixou ainda um cêntimo em 2016 e mais dois cêntimos em 2017. E apesar de ter sofrido um agravamento inferior a um cêntimo no início do ano, o imposto sobre a gasolina está hoje mais baixo do que no dia a seguir ao do “enorme aumento de impostos” sobre os combustíveis de 2016. Logo, regressar aos níveis anteriores a essa subida, implicaria baixar o ISP da gasolina em cerca de 3,8 cêntimos por litro. Centeno disse que seriam 3 cêntimos.

2 Porque fica o gasóleo de fora?

Essa será a pergunta que interessa à maioria dos automobilistas portugueses, já que o gasóleo representa cerca de dois terços das vendas de combustível rodoviário. Mário Centeno não deu grandes explicações, mas remeteu para a reforma da fiscalidade sobre a energia, uma reforma que teve um grupo de trabalho cujo relatório não é conhecido ainda, mas que apontará no sentido do agravamento fiscal sobre o gasóleo e a aproximação do nível de imposto cobrado sobre este combustível ao da gasolina.

Esta é uma tendência europeia que já tinha sido sinalizada na reforma da fiscalidade verde de 2014, feita pelo anterior Governo, com a criação de uma taxa de carbono nos combustíveis que, desde logo, penalizou mais o gasóleo. O movimento anti-gasóleo tem vindo a ganhar força em várias cidades e países europeus, muito por efeito do escândalo das emissões da Volkswagen que chegou a outras marcas. E não são apenas os governos que estão a penalizar o gasóleo com mais impostos e até interdições para daqui a algumas décadas. Também os consumidores estão a fugir dos carros a diesel e a procurar mais a gasolina e os modelos híbridos que combinam o abastecimento elétrico com a gasolina. O movimento irá chegar às vendas de gasóleo.

Outra razão que explica porque se continua a carregar no gasóleo, apesar de ser o combustível usado pelos transportes de mercadorias e com maior impacto na economia, é a criação do gasóleo profissional. Um produto que garante aos grandes transportadores de mercadorias, com camiões de 35 toneladas para consumos até 30 mil litros por ano, o reembolso do imposto a mais que é cobrado em Portugal em relação ao outro lado da fronteira. Mas este reembolso deixa de fora ligeiros de mercadorias e pesados que não cumpram estas disposições.

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https://observador.pt/2018/10/29/imposto-subiu-6-centimos-em-2016-agora-baixa-3-centimos-e-so-na-gasolina-porque/

Mais uma medida estranha e completamente estúpida deste desgoverno! Os donos de Ferraris, Porsche, Lamborguini, Bentley, Rolls Royce..... que são pessoas necessitadas, agradecem!!!!!!
No mínimo um disparate!!!!!!!
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Novembro 03, 2018, 05:33:48 pm
Emissão de dívida em moeda chinesa avança até Junho

Portugal prepara-se para colocar 377 milhões de euros em Obrigações em renminbi para alargar a base de investidores. A data exacta irá depender das condições de mercado, do apetite dos investidores e das necessidades de financiamento do país.

(https://jornaleconomico.imgix.net/wp-content/uploads/2018/11/Panda-bons.jpg?w=730&h=456&q=60&compress=auto,format&fit=crop)

A primeira emissão de dívida portuguesa em moeda chinesa deverá acontecer até ao final do primeiro semestre de 2019. O objectivo é diversificar a base de investidores que financiam a República e o Jornal Económico apurou que o montante das operações poderá chegar aos 377 milhões de euros no conjunto do ano.

“É um mercado que está a crescer muito, com uma dimensão já neste momento é muito significativa. Portanto estar nesse mercado e ser o primeiro país da área do euro a emitir nesse mercado é algo que nos orgulha, até pelas ligações históricas de Portugal ao Extremo Oriente”, explicou Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças, em entrevista ao Jornal Económico.

A emissão deste tipo de títulos, conhecidos como panda bonds, foi anunciada pelo Governo em Setembro de 2017 e já tem autorização do banco central da China, mas até agora ainda não aconteceu. Mourinho Félix afirmou que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP está ainda a trabalhar na emissão, “mas deverá ser no primeiro semestre do próximo ano com uma probabilidade elevada”.

O secretário de Estado não especificou qual o montante indicativo para a operação, ou se será realizado em uma ou várias colocações, mas está inscrito na proposta do Orçamento do_Estado para 2019 que o Tesouro pretende emitir 377 milhões de euros em dívida denominada em moeda que não euro. Apesar de Portugal ter Obrigações em dólares, o Jornal Económico sabe que todo esse montante está planeado para títulos na divisa chinesa, que deverão totalizar os três mil milhões de renminbi, à taxa de câmbio actual.

A data exacta para a emissão irá depender das condições do mercado. “Temos que avaliar no momento da primeira emissão qual é o apetite dos investidores e também quais são as nossas necessidades de financiamento”, disse Mourinho Félix.

Regime fiscal desenhado para atrair investidores

O objectivo é sobretudo diversificar e alargar a base de investidores, de acordo com o secretário de Estado. Por isso, o Tesouro irá olhar para as condições no mercado nesse momento e para as necessidades de financiamento. Portugal tem beneficiado de condições externas favoráveis, bem como da maior confiança de agências de rating e investidores para emitir dívida a taxas de juro cada vez mais baixas. Depois da primeira emissão, e caso seja bem sucedida, o Tesouro irá avaliar depois se irá realizar emissões seguintes que dêem liquidez e que permitam aos investidores gerir essa dívida nas suas carteiras com lucro, mas também com benefício para a República Portuguesa. “Penso que por essa via também, temos todas as condições para ter aí um papel que seja muito bom para Portugal do ponto de vista do alargamento da base de investidores”, sublinhou.

Para aumentar a atractividade das panda bonds, o Governo propôs ao Parlamento benefícios fiscais para investidores estrangeiros que comprem dívida pública portuguesa emitida em moeda chinesa. A medida implica a isenção de pagamento de IRS ou de IRC dos juros decorrentes de contratos de empréstimo celebrados pelo IGCP em nome e em representação da República Portuguesa, sob a forma de obrigações colocadas em mercado primário.

A isenção é aplicada a títulos subscritos ou detidos por não residentes sem estabelecimento estável em território português ao qual o empréstimo seja imputado. A exceção são residentes em país, território ou região sujeito a um regime fiscal claramente mais favorável constante de lista aprovada por portaria do membro do Governo responsável pela área das Finanças.

De fora ficam também as transacções em mercado secundário. Sempre que os valores mobiliários abrangidos pela isenção sejam adquiridos em mercado secundário por sujeitos passivos residentes ou não residentes com estabelecimento estável no território português ao qual seja imputada a respectiva titularidade, os rendimentos auferidos devem ser incluídos na declaração de IRS ou IRC.

Governo previne turbulência no  mercado

Apesar das condições crescentemente favoráveis (desde 2016) que têm beneficiado a dívida portuguesa, as últimas colocações de dívida já têm resultado em juros ligeiramente mais elevados. Ainda na semana passada, o IGCP pagou um juro de 1,939% para emitir 782 milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos, o que representa uma subida face à última colocação de dívida benchmark.

Não só os custos de financiamento do país subiram como não foi alcançado o montante máximo indicativo do leilão, que se situava nos mil milhões de euros. A principal razão foi a incerteza generalizada a todo o mercado de dívida da zona euro devido ao conflito entre Itália e a Comissão Europeia em relação ao défice do país.

A curto prazo, a tendência é a mesma. Esta quarta-feira, o Tesouro colocou 1.250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) com juros médios negativos. No entanto, as taxas subiram tanto a três meses como a 11 meses em relação aos anteriores leilões comparáveis.

A colocação de panda bonds, que deverão ter uma maturidade próxima de cinco anos, poderá ser uma forma de Portugal contrariar a pressão em momentos de incerteza. “É um programa inicial e a ideia é ter também esse mercado. Em situações em que seja desejável diversificar para outros mercados é algo que é útil em situações de turbulência, ter mais um mercado disponível. Passamos a ter dívida portuguesa emitida em dólares, em euros e em moeda chinesa”, explicou Mourinho Félix.

Por outro lado, o principal desafio é expor a dívida portuguesa ao risco cambial do renminbi, numa altura especialmente crítica. A guerra comercial tem aumentado a volatilidade em relação à moeda chinesa, que já acumula uma desvalorização de 7% face ao dólar desde o início do ano. A queda não se deverá acentuar de forma significativa dado que o banco central da China já sinalizou que poderá intervir e apertar o controlo de capitais para limitar os efeitos da efeito comercial.

O Tesouro está também a acompanhar e acautelar a volatilidade cambial, através de cobertura de risco. “Ao emitir em moeda estrangeira, tal como quando emitimos em dólares, há a cobertura do risco cambial, portanto não há aqui uma especulação de em relação à taxa de câmbio”, garantiu o secretário de Estado.

Primeiro país da zona euro a emitir panda bonds

Portugal tornou-se um dos países preferidos para o investimento estrangeiro ao longo da crise, período durante o qual empresas chinesas adquiriram uma série de participações em firmas portuguesas, especialmente nos sectores energético e bancário. Mais recentemente, em maio, a China Three Gorges lançou uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) dos 76,7% do capital da EDP, por nove mil milhões de euros. No campo da dívida, a operação será, no entanto pioneira.

Os bancos contratados para realizar a operação de colocação são a Caixa Geral de Depósitos, o Banco da China e a HSBC, segundo informações dadas pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, quando anunciou que o país tinha recebido luz verde dos reguladores chineses. Portugal irá, assim, juntar-se a um número muito limitado de países que já emitiu dívida em moeda chinesa, incluindo a Hungria, Polónia e Coreia do Sul.

A colocação de panda bonds poderá beneficiar de condições mais favoráveis do que o inicialmente previsto pelo Governo já que a China anunciou em Julho que está a preparar medidas de simplificação para os activos em renminbi com vista a encorajar a participação estrangeiro no mercado de dívida do país.

O montante actual de dívida estrangeira emitida em divisa chinesa é de apenas 160 mil milhões de renmibis, o que equivale a cerca de 20,1 mil milhões de euros e compara com um mercado de dívida no país que ascende a 9,6 biliões de euros. O interesse pelas panda bonds tem sido limitado, em parte, pelas regras pouco claras das qualificações dos emitentes e do destino dos retornos. O vice-governador do Banco da China, Pan Gongsheng, explicou à agência Reuters que as novas directrizes visam exactamente simplificar a emissão, a retirada de ganhos e o regime fiscal.

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/emissao-de-divida-em-moeda-chinesa-avanca-ate-junho-2-373425

Portugal a ceder cada vez mais aos chineses.... e a Merkl é que era o diabo!
Ainda por cima vamos isentar os juros do IRS!!!! Só benesses!!!! (https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/oe2019-juros-das-panda-bonds-vao-ficar-isentos-de-pagar-irs-366336)
Seguros, Banca, Energia, tudo sectores irrelevantes, já têem uma percentagem muito grande de controlo Chinês! E vem aí o Presidente Chinês, para abrir ainda mais o mercado português e funcionar como entreposto comercial para a Europa!!!! (http://visao.sapo.pt/lusa/2018-10-22-Bruno-Macaes-diz-que-Emmanuel-Macron-receia-aproximacao-entre-Lisboa-e-Pequim)
Título: Re: Economia nacional
Enviado por: Viajante em Novembro 14, 2018, 11:15:12 am
O país ancorado a 36%

Luís Aguiar-Conraria



A região que se esperaria que fosse o motor do país, a Área Metropolitana de Lisboa, serviu como uma âncora, puxando o país para baixo. E pesando de 36% no PIB nacional, é uma âncora demasiado pesada.

Ontem foi apresentado, no Palácio da Bolsa, um estudo patrocinado pela Associação Comercial do Porto com o título “Assimetrias e Convergência Regional”. O trabalho foi coordenado por Fernando Alexandre, que contou na sua equipa com João Cerejeira, Miguel Portela e Miguel Rodrigues (todos meus colegas) e ainda com Hélder Costa (que é meu ex-aluno). O trabalho com quase 200 páginas foi feito ao longo deste ano e pude, por muitas vezes, ver os meus colegas a trabalhar nele; cheguei a com eles discutir algumas conclusões.

Imagino que haja quem queira desvalorizar os resultados deste estudo, alegando que foi feito por encomenda de uma associação do Porto que tem lutado pela descentralização do país. Tal seria um erro. Quando são contratados académicos sérios (e eu ponho as mãos no fogo pela seriedade dos autores), só o estudo é que é encomendado. Os resultados não, esses são aquilo que a análise dos dados indicar. E, como académicos sérios que são, gostam de sujeitar os estudos ao crivo da comunidade científica, pelo que, a partir deste estudo, já escreveram um artigo científico que está neste momento a ser avaliado por uma revista internacional da área. É em grande parte com base nesse artigo académico, e não no estudo ontem apresentado, a que ainda não tive acesso, que escrevo a minha crónica de hoje.

Neste artigo, os autores começam por notar que entre 2008 e 2016, ao contrário do que se verificou nos restantes países intervencionados pela troika e da maioria dos países da União Europeia, as desigualdades entre as regiões portuguesas diminuíram. Esta evolução, repito, foi ao arrepio do resto da Europa e quer obviamente dizer que as regiões mais pobres cresceram mais e as mais ricas menos (ou, se se preferir, que as mais ricas sofreram mais com a crise e as mais pobres menos). Ou seja, aquela região que se esperaria que fosse o motor do país, a Área Metropolitana de Lisboa (AML), serviu como uma âncora, puxando o país para baixo. E, quando essa região tem um peso de 36% no PIB nacional, é uma âncora demasiado pesada para arrastar.

Como a crise financeira internacional e a crise da zona euro foram, no essencial, crises de sobreendividamento, uma hipótese para este comportamento era que o endividamento das regiões mais ricas de Portugal fosse maior. Uma riqueza a crédito, digamos assim. Por outro lado, no contexto da crise que atravessámos e dado o processo de consolidação das contas públicas, era inevitável que o principal factor de crescimento fossem as exportações. Assim sendo, era de esperar que as regiões com um maior peso do sector não transacionável tivessem tido mais dificuldades em reagir e em libertar-se da crise.

As hipóteses levantadas acima são, de um modo geral, confirmadas pelos dados, mas os autores vão mais longe. Vendo que as diferentes regiões do país têm diferentes graus de especialização, além de serem especializadas em sectores diferentes, conjecturam que isso tornará os seus ciclos económicos assíncronos. Quando assim é, é importante que as políticas regionais possam ser diferentes, dado que os problemas que enfrentam são também diferentes. Nesse sentido, os meus colegas testam se as regiões com maior peso de receitas próprias e, portanto, com maior margem para compensar quebras das transferências centrais conseguiram resistir melhor aos choques externos. E, mais uma vez, os dados confirmam esta tese, com as regiões que mais receitas conseguiram gerar a enfrentarem melhor os choques negativos que sofreram.*

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O resultado de todos estes factores somados pode ser visto na tabela que apresento em cima. Nela podemos ver que, desde que começou a longa estagnação portuguesa, em 2000, a Área Metropolitana de Lisboa tem tido um desempenho verdadeiramente medíocre, sendo mesmo a região com pior desempenho entre 2008 e 2016, o que não surpreende se tivermos em atenção que é a região com maior peso da dívida (privada) sobre o PIB e que também tem um sector exportador com muito pouco peso. Para além disso, a AML é a região mais dependente do Estado, tendo uma grande fatia das vendas de bens e serviços a entidades públicas.

Por outro lado, as cinco regiões com maior vocação exportadora — Beira Baixa, Ave, Aveiro, Alto Minho e Trás-os-Montes — e o Alentejo Litoral (a região com maior peso de sectores transaccionáveis) estão entre as que mais contribuíram para o crescimento do país (entre 2000 e 2016) e para a recuperação da crise (2012-2016). E ainda para a alteração da estrutura produtiva, com o crescimento do sector da indústria transformadora a destacar-se.

Ao mesmo tempo que a região de Lisboa é uma das mais estagnadas do país, continua a ser aquela que mais recursos atrai. Há vários indicadores que o demonstram. O meu preferido é o da deslocação de diplomados, onde podemos ver a capacidade da região de Lisboa (e, em menor medida, do Porto) de captar quadros qualificados à custa de um brain drain das outras regiões.

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A questão que temos de enfrentar é se faz sentido continuar a fazer da Área Metropolitana de Lisboa um sorvedouro de recursos de Portugal, quando já é de longe a região mais rica (sendo a única região com um PIB per capita superior ao da média da União Europeia), num momento em que esbarrou num modelo de desenvolvimento esgotado e há cada vez mais dados empíricos que mostram que a descentralização é boa para o crescimento.

* Imagino que alguns leitores estejam neste momento a pensar que a relação causa-efeito é a oposta, argumentando que foi graças ao facto de o crescimento ter sido maior que estas regiões geraram mais receitas próprias. Este problema da endogeneidade das receitas próprias foi tido em consideração nas estimações econométricas, pelo que os resultados não estão contaminados por ele.

https://observador.pt/opiniao/o-pais-ancorado-a-36/

Tradução simples: A região que mais desvia recursos do país, financeiros e humanos (licenciados) é a que mais arrasta o país para baixo!!!!