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Conflitos => Conflitos do Passado e História Militar => Tópico iniciado por: dremanu em Outubro 07, 2004, 08:43:12 pm

Título: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: dremanu em Outubro 07, 2004, 08:43:12 pm
A ORGANIZAÇÃO MILITAR DE PORTUGAL DURANTE AS GUERRAS  NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA

Documento do Instituto de Defesa Nacional

Introdução

Antes de se descrever a organização militar que Portugal adoptou neste período da nossa história, é importante perceber os riscos que a nação tinha que defrontar para salvaguardar a sua independência e bem estar, as alternativas estratégicas possíveis, e as decisões políticas adoptadas, afim de melhor se compreender a organização que foi implementada.

I – QUAL A POLÍTICA DE DEFESA NACIONAL A ADOPTAR POR PORTUGAL ?

Perante as intenções agressivas da França Revolucionária dos finais do Século XVIII e, sobretudo posteriormente, perante as manobras do Império Napoleónico, Portugal debateu-se entre duas políticas de defesa nacional:

Ou,

1º Aliar-se à França e à Espanha de então, acomodando-se à vontade imperialista do colosso revolucionário francês, e instrumentalizando assim as políticas anti- britânicas francoespanholas.

Era a corrente política pró-francesa defendida por António Araújo de Azevedo, conde da Barca, diplomata e depois Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do Príncipe Regente D.João, de 1804 a 1808.

• No que punha em risco o nosso império colonial e o nosso comércio, principais fontes de subsistência económica do Portugal de então.
• Mas que evitava os horrores de uma guerra de ocupação e destruição económica, opondose a forças que o bom senso via como desproporcionadas aos nossos meios de defesa militar e recursos materiais. Para as nossas elites progressistas de então representava também a oportunidade de reforma política e social, abrindo as portas às novas ideias democráticas e á construção da sociedade burguesa liberal propagada pelo império napoleónico.

ou,

2º Tomar o partido do seu tradicional aliado, o Reino-Unido, a potência marítima preponderante na época e seu principal parceiro comercial.

Era a corrente política pró-inglesa defendida por D. João de Mello e Castro, conde das Galveias, e por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, ambos também ministros de Príncipe Regente D. João.

• Preservaria o império colonial, o seu comércio marítimo e o grosso da sua actividade económica. Teria acesso a meios financeiros e militares adicionais, posto que estava consciente da importância estratégica que Portugal então representava para Inglaterra, dado o valor económico do seu império colonial, dos seus portos e da sua frota civil e militar. Para os mais tradicionalistas protegia também a sua sociedade das “nefastas ideias políticas” propagadas pela Nova França.
• Mas teria que fazer face à terrível ira militar que a França Revolucionária, e depois Napoleónica, prometia para o pequeno Portugal.

SALVAR A SOBERANIA

Tivemos na altura um inteligente e hábil chefe político, na pessoa do Príncipe Regente D. João, mais tarde Rei D. João VI, actor fundamental da nossa história e tão injustamente tratado por uma corrente de historiadores jacobinos portugueses e brasileiros. Estes porque não perdoavam “aos Bragança” a sua aliança com a Inglaterra, aqueles porque representava o poder colonial, e ambos porque mais que relatar história importava denegrir a gestão política da casa Bragança, afim de servir os interesses políticos da causa republicana.

Manobrando entre os dois partidos, ouvindo os seus diferentes conselheiros e ministros, D. João continuou pedindo as reformas militares e planos de emergência possíveis, e ao mesmo tempo ía explorando políticas diplomáticas opostas e aparentemente contraditórias junto de Paris, Londres, Madrid, Viena e outras chancelarias europeias.

Quando esgotada a “batalha diplomática”, não podendo contemporizar e confundir mais, e perante a notícia da entrada das tropas de Junot na Beira em 20 de Novembro de 1807, e de dois corpos de invasão espanhóis no Norte e no Alentejo, D. João a 27 de Novembro embarca e faz a retirada magistral da corte e principais instituições e serviços do Estado para o Brasil (16.000 pessoas!), pondo a capital do Império fora do alcance de todos os grandes actores do teatro militar europeu, França e Reino-Unido incluídos. Uma jogada desta magnitude não se improvisa em poucos dias.

Durante muitos meses D. João secretamente ordenara a preparação e embalagem de artigos pessoais, mobília, e dos Arquivos e instrumentos essenciais do Governo do Estado Português, e concentrara em Lisboa o essencial da Armada e dezenas de navios civis.

A ideia da transferência da capital para o Brasil não era nova. Em 1580 o Prior do Crato aventou o primeiro esta alternativa. Já em 1640, quando das Guerras da Restauração contra as tropas de Filipe IV de Espanha, se tinha considerado também esta possibilidade. O marquês de Pombal e D. José também consideraram esta hipótese quando da Guerra dos Sete Anos na Europa em 1762-9.

A Espanha, que também considerou uma manobra semelhante a partir de Sevilha, bem se poderá arrepender de não ter feito o mesmo! Perderá a soberania da Nação e o seu Império, vendo-se envolvida em terríveis guerras ideológicas e civis, e em ferozes combates populares contra um poderoso invasor, que acarretou destruições e um role de perdas humanas bem mais terríveis que os que virá a sofrer Portugal.

Em Portugal D. João deixa um Conselho de Regência, com a incumbência de acalmar a ira dos ocupantes Napoleónicos, proibindo qualquer acção militar de defesa contra uma invasão Franco-Espanhola imparável nas circunstâncias então prevalecentes.

Portugal não tinha recursos militares suficientes para sozinho fazer face às tropas francesas e espanholas. Nem o território português tinha defesas naturais ou a imensidão da Espanha, que permitisse a um corpo de batalha guerrear e manobrar impunemente contra as forças militares de um Napoleão, decidido a acabar com a independência do país, a apossar-se da sua frota e portos, e a dar indirectamente um golpe fundo à Inglaterra. Não nos esqueçamos que simultaneamente a Espanha também nos atacava, como havia feito em 1801 e depois de a termos ajudado em 1793-5 no Roussilhão, e que essa postura só se modificará em 1808.

Convém também notar que por esses tempos a Inglaterra estava bem envolvida no Egipto, e ocupada a atacar todas as colónias francesas e espanholas por esse mundo fora, e recusava envolver-se com forças terrestres em Portugal porque considerava inviável a nossa defesa na conjuntura europeia do momento. Preferia “reforçar” as praças estratégicas portuguesas fora do continente europeu, como a Ilha da Madeira, Goa e Macau. Também fazia pressão junto do soberano português para que este se retirasse temporariamente para o Brasil, negociando a protecção da Royal Navy para esse efeito.

1808 E O NOVO CONDICIONALISMO PENINSULAR: RECRIAR AS BASES DE UMA POLÍTICA DE DEFESA.

Violentas revoltas populares rebentam em 1808 contra os ocupantes franceses e contra os seus colaboracionistas, primeiro em Maio em Espanha, depois em Junho em Portugal. O Parlamento e o Governo de Inglaterra, perante os urgentes pedidos de apoio das Juntas de patriotas espanhóis , vendo o desentendimento entre os comandantes das tropas francesas em Espanha, e Napoleão ocupado na Europa Central, decidem-se a enviar armas e tropas para acentuar o desequilíbrio de Napoleão na Península.

D. João, quando se assegura que os britânicos vão mesmo intervir militarmente em apoio dos revoltosos na península, negoceia com Londres, a troco da vantagens comerciais, a sua ajuda na reorganização de um novo Exército Português, e para melhor eficácia no combate comum, aceita que este seja integrado operacionalmente com o exército inglês e receba deste abundantes quadros.

Infelizmente estes acordos só serão celebrados depois da “Convenção de Sintra” acordada entre os generais ingleses e Junot, aonde não somos considerados, e se perde assim uma oportunidade de oiro de Portugal negociar o regresso dos seus soldados enviados por Junot para França, e que constituía o núcleo escolhido do antigo exército português.

Nem tudo corre pelo melhor para as tropas inglesas na Península! O corpo de exército do general Sir John Moore, que de Portugal se havia embrenhado por Espanha adentro, não tem hipóteses contra um Napoleão que, após destruir militarmente a Prússia e impor acordos de paz à Áustria e à Rússia, entra em Espanha a frente do melhor exército da Europa.

O exército de Moore é empurrado para fora de Espanha, morrendo o próprio Moore nos combates de defesa do embarque na Corunha, e os exércitos de linha espanhóis, apesar do feito de Baylen, são esmagados e dispersos em pequenos corpos. Perante a força e eficiência dos exércitos de Napoleão na península, os exércitos de 1ª linha espanhóis nunca mais ganharão uma batalha nem constituirão uma ameaça eficiente em termos militares convencionais até ao fim da guerra na península. Napoleão tem que se voltar para outros fogos no seu Império, deixando a Espanha entregue ao seu irmão José feito rei em Madrid, e aos seus generais comandando os 6 corpos de exército dispersos por Espanha.

O Governo do Príncipe Regente D. João, perante a nova conjuntura, negoceia com o governo de Jorge III de Inglaterra a viabilidade do esforço de guerra português, a troco de compensações comerciais como a abertura á Grande-Bretanha do comércio com o Brasil. Este e outros sacrifícios serão necessários, pois segundo o conde de Redondo, Secretário de Estado das Finanças em 1812, a nação em armas custava á Regência 45 milhões de cruzados por ano. As receitas anuais cobradas eram de 12 milhões. Tomando 9 milhões dessa contribuição mais o subsídio anual inglês de 16 milhões, faltava quase metade dessa soma que era coberta por promissórias.

A Regência pagava os equipamentos, e os salários de 25.000 homens de 1ª linha, além da Marinha, Milícias, Ordenanças e tropas ultramarinas. Os ingleses pagavam os custos de 30.000 homens de 1ª linha, mais equipamentos e armas em profusa quantidade.

OS RESTOS DO EXÉRCITO DE PORTUGAL EM 1808

Ao falarmos de reorganização do exército a partir de 1808 convém lembrar que a máquina militar portuguesa estava decapitada dos seus chefes, e claro também dos seus melhores soldados, com a ocupação do pais pelas tropas de Junot.

Muitos oficiais foram com a Corte para o Brasil. Mas aí, agora também serão necessários pois havia que reorganizar, armar e restabelecer a força do Estado num continente em que os vizinhos, libertos de uma Espanha Imperial impotente e longe, ocupada em guerras ideológicas e campanhas militares internas, se haviam fragmentado em inúmeras repúblicas independentes, seguindo o exemplo emancipalista e democrático dos norte-americanos.

Na realidade sem a presença e as reorganizaçôes locais operadas por D. João VI, e a chegada das elites, quadros e oficiais que acompanharam a corte para a nova capital, o Brasil muito provavelmente também se teria dividido em pequenas repúblicas e não seria hoje o grande Estado que congrega metade da América do Sul!

Enfim, outros oficiais emigraram para os Açores e Reino-Unido. Será em Londres que um grupo de voluntários constituído por militares portugueses aí exilados irá constituir o núcleo do que será a Leal Legião Lusitana, financiada e equipada pelo Governo inglês e depois enviada para o Porto, aonde será acolhida com grande regozijo pelo seu activo Bispo que sonha fazer dela a guarda da sua cidade! Sob o comando do impetuoso coronel inglês Sir Robert Wilson, organizada com 3 batalhões de infantaria ligeira, a 10 companhias cada, dois esquadrões de cavalaria e uma bateria de artilharia a cavalo, com uniformes verde escuro á semelhança dos batalhões “rifle” de elite ingleses, constitui na realidade uma “versão inglesa” do nosso modêlo da Legião de Tropas Ligeiras de 1797.

Funcionará primeiro como uma unidade autónoma enquadrando tropas auxiliares, por vezes penetrando profundamente e sozinha em território inimigo, depois enquadada nas divisões anglo-lusas do exército de manobra. Em 1811 será integrada no exército regular, constituindo os núcleos dos 7º, 8º e 9º Batalhões de Caçadores.

Outros oficiais e soldados ainda, os melhores, treinados nas campanhas do Roussilhão e frustados por não os terem deixado combater os invasores, foram empurrados para uma Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão que Junot em 1808 rapidamente organiza de entre as fileiras do exército português e manda para longe combater nas gloriosas campanhas do Império meritocrático europeu de Napoleão.

Com 9.000 homens a Legião tem praticamente um terço dos oficiais e dos efectivos do Exército Português de antes da invasão. Os melhores e os mais corajosos. Alguns seduzidos pela nova sociedade meritocrática prometida por Napoleão e não aceitando ou compreendendo o sacrifício pedido por D. João, outros obrigados e que progressivamente vão desertando à medida que a Legião avança por Espanha a caminho de França.  

Desertam praticamente metade. Os que continuaram vieram a participar com valor e distinção nas batalhas de Wagram, Smolensk, Gora, Moskowa, Krasnoé, Bérésina, Wilna, Leipzig, Hanau etc. tendo o corpo português praticamente sido dizimado na retirada da Rússia. Entre os poucos que depois da guerra regressam a Portugal, conta-se Gomes Freyre, Pamplona, D. Manuel de Souza Holstein, marqueses de Loulé, Ponte de Lima, Valença, Alvito, condes de Sabugal, de Castro Marin, S. Miguel, Atalaia, visconde de Asseca, para referir alguns representantes da alta aristocracia portuguesa e compreendermos a importância à época do contingente levado para França. Muitos outros, como o marquês de Alorna e os bravos coronéis Pêgo, Xavier e Garcês, por lá morrerão.

Em Portugal, em 1808, dos militares ficaram só velhos e incapazes. Permito-me aqui lamentar a forma como os autores e historiadores britânicos persistem à 200 anos em escrever profusamente sobre este período sem nunca consultar arquivos e fontes portuguesas, nem tentar perceber ou conhecer os condicionalismos do seu aliado. Assim referem-se sempre e sistematicamente ao “improfissional e incapaz” oficial português que os seus compatriotas vêm encontrar em 1808, razão que utilizam para explicar a vinda de oficiais ingleses para enquadrar as tropas portuguesas...

Nunca se vê referirem que o exército que vieram encontrar era os restos duma instituição dramaticamente esvaziada de talento e coragem pelas razões acima referidas. Devo assinalar a excepção dos recentes livros de René Chartrand sobre o Exército Português nas Guerras Peninsulares publicados na Osprey.

A ALIANÇA MILITAR E O EXÉRCITO DE MANOBRA INTEGRADO

Acordado um chefe para o novo Exército Aliado, na pessoa do protestante anglo-irlandês, Sir Arthur Wellesley, mais tarde Lorde e Duque de Wellington, este recomenda para Chefe do Exército Português o tenente-general Sir William Beresford, que, além de comandar em campo como vice-chefe Aliado, vai dirigir a reorganização do aparelho militar português, com o posto de marechal-general. Chegam também oficiais ingleses que ocupam alternadamente com oficias portugueses os escalões militares superiores (de general a major), e, em número proporcionalmente muito menos importante, para os quadros subalternos.

De início, esta chegada de oficiais estrangeiros não provoca problemas de rejeição por parte do corpo militar português. Primeiro porque não havia recursos nacionais alternativos suficientes, depois porque se estava habituado à presença de oficiais e comandantes estrangeiros para o nosso exército no século anterior e, enfim, porque no entusiasmo da reorganização do novo exército, todos estavam mobilizados na expectativa de uma desforra sobre os invasores.

Os aliados ingleses comprometiam-se a armar e fardar 30.000 soldados portugueses à sua custa e a pagar os seus soldos e alimento, e a ajudar-nos com armamento e equipamento! Como poderíamos nós refazer o nosso exército de forma tão pragmática e tão rápida, senão desta forma? Junot havia destruído ou requisitado as armas guardadas nos nossos Arsenais, e enviado para França armas, canhões e cavalos.

Sobe o comando de Sir William Beresford e com a boa colaboração do pragmático, e incansável reorganizado D. Miguel Pereira Forjaz, Secretário de Estado da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, e Membro do Conselho de Regência em Lisboa, a eficiência do exército de manobra Anglo-Português consegue ser uma realidade em pouco tempo, uma verdadeira força de manobra perfeitamente integrada, que em 1812 mobiliza 90.000 soldados de 1ª linha, entre ingleses (35.000) e portugueses (55.000).

Mas não devemos esquecer que fora dos corpos de manobra sob o comando directo de Wellington, mas em seu apoio directo e indirecto, Portugal alinhava outras forças regulares em guarnição de fortalezas ou em enquadramento de Brigadas Territoriais, e Regimentos de Milícia, por vezes constituindo Brigadas Auxiliares, assim como forças de Ordenança.

II – QUAL ERA A ESTRATÉGIA MILITAR ALIADA?

Wellington, comentando ainda em Londres a tarefa que o aguarda e que aceitou, convicto da sua exequibilidade, refere que irá jogar pelo seguro, “play a safe game”, “risking nothing”. Mas achava que um pequeno exército de manobra de 50 a 70.000 homens podia fazer face aos 230 a 300.000 soldados que Napoleão mantinha na Península. Via a Península Ibérica como um grande espaço de planícies secas e de montanhas desflorestadas e rochosas, portanto, com uma agricultura pobre e insuficiente para alimentar grandes exércitos em corpos concentrados por longos meses de manobra. Dizia-se “para além dos Pirinéus, pequenos exércitos são dizimados e os grandes morrem de fome!”.

Assim, a sua estratégia para a defesa de Portugal assentava nos seguintes pontos:

1º Uma organização logística importante, com múltiplas bases e meios de transporte que permitissem ao exército não concorrer com a população na sua alimentação (senão, perdiam-se os aliados no terreno…).

2º Os meios logísticos tinham que vir de fora da península. Com a sua riqueza e o seu domínio dos mares, a Inglaterra podia alimentar as suas forças se tivesse controle de portos de mar, como Lisboa.

3º Uma zona defensiva segura, para onde o seu corpo de manobra se pudesse retirar, como as Linhas de Torres Vedras. A defesa não se faria nas fronteiras, como queriam os civis da Regência.

4º A continuação da revolta patriótica dos espanhóis, da guerrilha e de pequenos exércitos provinciais, mobilizando forças francesas de ocupação importantes, dificultando as comunicações e multiplicando as diversões, permitiam assim ao seu exército de manobra Anglo-Português nunca ter que fazer face a forças demasiadamente importantes, como acontecera ao general Moore, atacado por Napoleão em Espanha no início das invasões francesas.

5º Construir pontos de resistência em Portugal que permitissem atrasar avanços das forças invasoras e desgastar o inimigo antes de combates importantes. Nesse sentido, decide reforçar e reactivar várias fortalezas portuguesas e criar obras de engenharia militares e em zonas de combate eventual.

6º Desenvolver uma política de “terra queimada” em Portugal, de forma a dificultar a
subsistência das forças invasoras no seu território. Esta política, utilizada também mais tarde pela Rússia, trouxe terríveis sofrimentos às nossas populações, sobretudo na Beira, Estremadurae Ribatejo, mas dizia que era melhor que “alguns sofressem muito, para que a Nação no seu conjunto sofresse menos”.

7º Enfim, reorganizar, equipar e treinar o Exército Português e as Forças Auxiliares. As primeiras de modo a que pudessem ser integradas com o exército inglês em Portugal - que, dizia-se, era o maior conjunto de forças que a Inglaterra na altura possuía- de forma a se conseguir um corpo de manobra respeitável, 50 a 70.000 homens. As segundas, criando forças de Milícia que agissem como Corpos de Observação cobrindo as fronteiras, guarnecendo fortalezas e não permitindo a actuação de forças inimigas menores em operações de diversão nas províncias. Apoia a reactivação das Companhias de Ordenança como centros de recrutamento, e a sua utilização em pequenas forças territoriais que não dessem quartel às patrulhas inimigas na procura de alimentos e em missões de comunicação, desgastando o inimigo, dificultando a sua logística e o seu moral. No entanto não constituem Bandos de guerrilha porque são enquadrados por oficiais e só actuam pontualmente quando chamados para acções locais.

Devemos aqui reflectir sobre o facto de o nosso território, mais pequeno e populado, não permitir as acções de guerrilha e mesmo de pequenos corpos de manobra possíveis em Espanha.

Mas se a Espanha “guerrilha impunemente” o ocupante francês, este está solidamente instalado na capital e principais cidades, com o apoio da burguesia afrancesada. Depois de Baylen e da heróica resistência de Saragoça, a partir de 1809 a Espanha não terá uma só vitória militar no campo de batalha! Estas serão ganhas pelo exército anglo-português de Wellington. Se é verdade que a guerrilha dificultava as comunicações e logística, e mobilizava fortes contingentes franceses de ocupação, e que sem isso Wellington não poderia ter encetadas suas campanhas ofensivas, também é certo que só com a guerrilha os Espanhóis não teriam conseguido expulsar os invasores franceses e os seus aliados espanhóis ideológicos.

III – QUE EXÉRCITO PORTUGUÊS SE FEZ ENTÃO?

Quando Beresford chegou a Portugal, não teve que improvisar todo um aparelho militar. Na altura com quase sete séculos de existência, muitas guerras na defesa do seu território, e forte da sua experiência de quatro séculos de aventura na criação de um império global a partir de uma tão pequena população, a Portugal não lhe faltavam modelos de organização militar.

REFERENCIAS DO PASSADO

A mobilização da população em forças militarizadas de três níveis de profissionalismo e sacrifício já havia sido desenvolvida nas Guerras da Restauração (1640-68). Portugal, então com cerca de 2.000.000 habitantes, recrutava todos os homens válidos sem excepção, dos 15 aos 60 anos.

A 1ª linha era composta de tropas pagas, exército e marinha, que constituíam as forças de manobra ou de campanha. Depois a 2ª linha eram os Terços Auxiliares, que acudiam às fronteiras. Por fim, as Companhias de Ordenança que faziam a guarnição das praças e fortalezas.

Em 1641 mobilizava-se 25.000 soldados pagos, 25.000 auxiliares e 15.000 ordenanças. Em 1704, com uma população igual, mobilizávamos 28.000 homens também em 1ª linha. Em 1761-3 com uma população de 2.500.000 e com a organização de Lippe, mobilizava-se 48.000 pagos (1ª linha), com 40.000 para a infantaria, 2.100 para a artilharia, e 5.900 para cavalaria. E ainda 8.000 auxiliares.

CAMPANHA DO ROSSILHÃO (1793 – 1795), O LABORATÓRIO

Em 1793, ainda no Governo de D. Maria I, Portugal envia um corpo em auxílio de Espanha para combater os exércitos revolucionários franceses na fronteira dos Pirinéus Orientais. O denominado “Exército Auxiliar á Coroa de Espanha” compreendia 6 Regimentos de Infantaria e uma Brigada de Artilharia, na força de 5.000 homens. O sacrifício de dois anos de operações trarão poucas vantagens para Portugal, mas constituirá um verdadeiro laboratório ou escola de reformadores militares, pois das suas fileiras sairá uma prole de pensadores e organizadores de que salientaremos os seguintes: D. Miguel Pereira Forjaz, Ministro da Guerra e grande organizador do Exército das Guerras Peninsulares e que terá um excelente entendimento com Beresford. O general Marquês de Alorna, que introduzirá os primeiros corpos de tropas ligeiras (a Legião de Alorna e as companhias de atiradores).

O general Gomes Freire de Andrade que produzirá uma obra interessantíssima, propondo a organização do exército em acordo com as especifidades da agricultura e economia do país. O general de artilharia José António da Rosa, que reorganizará e dirigirá esta arma no exército português durante as guerras peninsulares e será um próximo colaborador de Beresford, e o comandante do corpo português que combateu no Roussilhão. Enfim o general John Forbes, que redigirá o “plano de organização militar “que servirá de base aos trabalhos da Comissão Militar criada em 1801, e ao extenso debate que houve na altura ,e de que resultarão as reformas de 1806 e 1809.

No campo naval a marinha reorganizada e aumentada pelo incansável ministro Martinho de Mello e Castro, enviará por duas vezes esquadras operar no Mediterrâneo, comandadas pelo almirante Pedro Mariz, em 1793 (6 navios de combate e 12 de transportes), e pelo Marquês de Niza, em 1798-1800 (4 naus e 1 corveta), em apoio á esquadra inglesa de Nelson.

A REFORMA DO EXÉRCITO DE 1806-7

Sem enumerarmos as várias pequenas reformas, limitamo-nos a referir aquela que sairá dos trabalhos do Conselho Militar criado em 1801 por D. João de Almeida Mello e Castro e do qual D. Miguel Pereira Forjaz era secretário. O Ministro Mello e Castro é demitido em 1804 por intrigas do partido francês e imposição de Napoleão transmitida pelo Embaixador de França general Lannes, mas as suas ideias e esforços de refleção concensual vingarão pelos decretos de Maio de 1806 e Outubro de 1807, que recriam as bases da organisação do nosso exército para o século XIX.

O exército é organizado em 3 divisões (Norte, Centro e Sul), cada uma comportando 8 regimentos de infantaria, 4 de cavalaria, 1 de artilharia (a do Sul, terá 2 regimentos de artilharia). Também recomenda a criação de 6 batalhões de caçadores, e a reorganização do exército auxiliar em regimentos de Milícia (2ªlinha), elevados a 48, e das Ordenanças (3ªlinha) organizadas em 24 brigadas de Ordenanças, que funcionarão como distritos de recrutamento para 1 regimento de infantaria e 2 de mílicias. Também concorrem com forças territoriais, organizadas em companhias, para acções pontuais e regionais.

Com as reformas decretadas em 1806 e 1807, são também criadas bandeiras e uniformes totalmente diferentes do passado e introduzidas bandas musicais nos Regimentos. Mas não estavam em plena execução estas novas medidas quando Portugal é invadido por Junot em Novembro de 1807.

AS REFORMAS DE D. MIGUEL FORJAZ E BERESFORD (1808 –15)

Portugal beneficiou do clima de colaboração construtiva do Ministro da Guerra, D. Miguel Forjaz com o marechal-general Beresford. Quando começam a reorganização do exército, só se mantêm 4 coronéis nos 4 Regimentos de Artilharia e os inspectores da Cavalaria, Artilharia e Engenharia. Todos os outros regimentos recebem novos chefes, posto que como já acima o dissémos a grande maioria dos coroneis haviam abandonado o país. Para além do proposto em 1806-7, Beresford cria um batalhão de Engenharia (sapadores e mineiros), desenvolve a artilharia moderna (ligeira) criando 10 baterias (brigadas) de Artilharia de campanha e montanha, um batalhão de Condutores do Trem, aumenta os batalhões de linha de 5 para 6 companhias, e implementa a criação dos 6, depois 12, batalhões de caçadores, que virão a ser verdadeiras unidades de elite nas guerras peninsulares.

Cria também os Depósitos de Instrução de recrutas de Cavalaria (Salvaterra) e Infantaria (Mafra). Os uniformes serão de novo reformulados em 1811, de modo a os tornar mais homogéneos com os equipamentos aliados, e a introduzir modelos mais práticos beneficiando dos ensinamentos de dois anos de campanha. Beresford tratou de reformar e criar novos quadros, criando um limite conveniente para os oficiais em serviço activo. Disciplinador, fê-lo com espírito de justiça, pois cuidou igualmente do bem estar das tropas, aumentando-lhes os vencimentos e garantindo a integridade e pontualidade dos pagamentos. Modernizou os regulamentos moldando-os tanto quanto possível aos ingleses para que houvesse uniformidade na acção dos dois exércitos aliados.

Não tentou fazer uma reorganização radical, criteriosamente procurou valorizar o que existia por corresponder a condicionalismos nacionais, ouvindo e aconselhando-se com Pereira Forjaz com quem desenvolveu uma relação de confiança total. Enfim, a acção directa dos oficiais ingleses deu um aprumo, asseio e disciplina ao exército que lhe conferiu por largos anos uma feição britânica.

No tocante às Milícias e Ordenanças, excepto uma maior mobilização das mesmas e o aumento das suas unidads e efectivos, a organização continuou a ser basicamente a de 1807. De salientar a organização de corpos territoriais, agrupando unidades auxiliares que se ocupam da vigilância das fronteiras e dificultam ao inimigo a manobra de forças táticas menos numerosas. São também criadas unidades auxiliares adicionais em Lisboa, e para guarnição das Linhas de Torres Vedras.

As unidades do exército, integradas a nível de brigada no exército aliado, guardam a sua especificidade nacional, mas os equipamentos e armas são praticamente todos ingleses, assim como as novas ordens de evolução e manobras de combate. Depois da batalha do Bussaco, a eficiência das tropas portuguesas é um facto reconhecido por inimigos e aliados. O seu emprego tático por Wellington a partir de 1811, não sofre qualquer discriminação positiva ou negativa relativamente ás outras tropas inglêsas.

A infantaria é organizada em regimentos a dois batalhões, que em batalha em campo aberto disponham-se em linha um ao lado do outro, (dai chamar-se Infantaria de Linha!), a três fileiras de profundidade, oferecendo assim um máximo de poder de fogo. Este ordenamento era o oposto da formação francesa favorita que preferia dispor os batalhões com uma frente menos extensa (menos poder de fogo), mais em múltiplas fileiras em profundidade o que dava maior força de impacto e moral numa carga á baioneta. Os regimentos operavam a dois e dois, constituindo uma brigada, que era a unidade logística. Cada brigada sempre que possível integrava também um batalhão de caçadores, que actuava regra geral em ordem dispersa ou aberta à frente dos batalhões da infantaria de linha. A brigada portuguesa ou funcionava tacticamente como corpo independente (cerca de 6 brigadas ), ou era integrada numa divisão anglo-portuguêsa (as outras 6). Estas divisões normalmente eram compostas de uma brigada portuguêsa e de duas outras brigadas inglêsas.

Mas como estas tinham só 3 ou 4 batalhões cada, (contra os 5 batalhões nas brigadas portuguêsas ), resultava que estas divisões aliadas mistas eram compostas normalmente de cerca de 40 % de soldados portugueses, ou seja 5 batalhões portuguêses e cerca de 6 ou 7 batalhões inglesês.

O exército aliado de manobra era composto a partir de 1811 de 6 divisões mistas angloportuguesas, 1 divisão inteiramente portuguesa, 1 divisão inteiramente inglesa (da Guarda Real), a da elítica Divisão Ligeira que integrava 2 batalhões inglêses de “rifle”, 2 batalhões de Caçadores portugueses, 2 batalhões de infantaria ligeira inglesa e 1 ou 2 batalhões de infantaria portuguesa (ou da Leal Legião Lusitana). O exército integrava ainda 2 a 5 brigadas de infantaria portuguesas independentes.

A estas forças de infantaria juntavam-se baterias de artilharia portuguesas e inglesas ditas “a pé”, e inglesas ditas “a cavalo”. Cada um dos 4 regimentos de artilharia portugueses tinha 7 companhias ou baterias de artilharia, além de 3 companhias de especialidades. Mas dos 4 regimentos nunca se destacaram mais de 10 baterias em campanha, (designando-se então cada companhia ou bateria “brigadas de artilharia”), ficando as restantes em serviço de guarnição em fortalezas. Conjuntamente com os caçadores, a artilharia portuguesa gozava de boa reputação, sendo a arma que necessitou de menos intervenção da parte de Beresford.

A cavalaria portuguesa, funcionando como cavalaria ligeira e sempre com crónica insuficiência de cavalos, nunca conseguiu pôr em campanha mais de 2 ou 3 brigadas, a dois regimentos cada, e estes quase sempre com uma força de efectivos reduzida pela mencionada falta de cavalos. Os ingleses operavam com 2 ou 3 brigadas de cavalaria pesada, e 3 ou 4 brigadas de cavalaria ligeira. Apesar dos regimentos inglêses serem bem montados e com efectivos relativamente elevados, a cavalaria aliada era geralmente menos numerosa que a francêsa. Podemos dizer que em relação ás forças napoleónicas contra quem combatiam, os aliados tinham geralmente menos artilharia e cavalaria que os francêses, mas melhor infantaria e particularmente infantaria ligeira.

EM GUISA DE CONCLUSÃO

Em 1809, Portugal tem uma população de aproximadamente 3.000.000 de habitantes e nunca mobilizara exércitos à escala a que foram aqui mobilizados. Durante este conflito, o exército português nunca perdeu uma bandeira em combate (excepto as Milícias). Ao longo de seis anos sustentou 15 batalhas, 215 combates, 14 sítios, 6 bloqueios e 12 defesas de praças. O total das baixas elevou-se a 21.141 homens dos quais 5.160 mortos. Os franceses perderam 50.000 soldados na Península em batalhas, e 180.000 por acção de guerrilhas, fome ou doença.

Sob o comando de Beresford e da administração de Forjaz, o exército ganhou uma disciplina, coesão e combatividade exemplar. No Bussaco provou ser uma força capaz de igualar em valor e eficácia os seus camaradas ingleses e, progressivamente, foi ganhado prestígio e confiança em si próprio. Nas Linhas de Torres Vedras o exército de Linha, as Milícias e as Ordenanças aguentaram a pé firme as investidas do temível exército francês! A sua determinação faz desistir os 3 Corpos de Exército do marechal Massena, e os francêses nunca mais invadirão Portugal!

Quando Wellington passa à ofensiva em Salamanca, em Vitória e em S. Sebastian, os soldados portugueses estão na linha da frente. Nas campanhas dos Pirinéus e na invasão do sul da França é “aquela máquina” a que Wellington chamará os “ fighting cooks of my army”! Na última grande batalha, em Toulouse, os portuguêses contribuem com o maior contigente do exército aliado, encerrando com essa vitória o nosso envolvimento nas Guerras Napoleónicas.

Wellington, em 1815, pede a Portugal que lhe envie um contingente de 15.000 soldados para integrar no seu Exército Aliado na Bélgica. A Regência atrasará o envio de uma divisão preparada por Beresford, e quando chega do Brasil a aprovação explícita de D. João, já a batalha de Waterloo tinha tido lugar! D. Miguel Pereira Forjaz envia então esta divisão para o Brasil, denominada de Voluntários Reais do Príncipe, que irá fazer a conquista e a pacificação do Uruguai em 1816, e depois reforçar a guarnição do Rio e a segurança da capital num Brasil contagiado pela febre emancipalista. Estes serão verdadeiramente os últimos “Soldados de Portugal”! Depois serão os soldados das guerras civis...

Em 1814 Beresford havia conquistado a admiração e estima do exército português. Mas finda a guerra não compreendeu que agora o jogo do poder era outro, e que passado o perigo francês a sua função de “protector” não era recebida com agrado pela nova sociedade portuguesa do pósinvasões! Em 5 anos de campanhas os oficiais haviam desenvolvido a sua auto-estima e a consciência da sua legítima cidadania.

E muitos, no combate aos exércitos franceses, haviam sido conquistados pelas ideias liberais, facto a que a ausência da corte no Brasil não terá sido alheio. Na seu novo papel de polícia fundamentalista e por demais estrangeiro, Beresford mobilizará todos contra a sua pessoa. Este triste fim-de-festa explica que ainda hoje a sua memória não faça justiça ao excelente reformador e chefe militar que foi.

Como última reflexão, permito-me chamar a vossa atenção para o mapa de 1806, redesenhado em 1810, aqui junto, com o plano de uniformes para o exército. Impressiona a organização geométrica e aritmética do mesmo; “24 brigadas de ordenanças, 48 regimentos de milícia, 24 de infantaria, 12 de cavalaria, 4 de artilharia, 6, depois 12 batalhões de caçadores, tudo organizado
em três divisões iguais”.

Tudo isto reflecte o espírito que presidiu ao pensamento reformador do exército português das guerras peninsulares, aliás também presente nas várias propostas e obras publicadas à época, quando do amplo debate organisado no país a partir de 1801 e que levou ás reformas de 1806-7.
Título:
Enviado por: [PT]HKFlash em Outubro 07, 2004, 08:54:52 pm
O dremanu aplicaçou-se a história! :)
Título:
Enviado por: emarques em Outubro 08, 2004, 11:24:27 am
Ó dremanu, o Instituto de Defesa Nacional não escreveu nada sobre o exército liberal de D. Pedro IV? Eu precisava da ordem de batalha de Portugal em 1836, e depois da guerra civil o exército ficou organizado nos moldes do exército liberal. :)

Quanto ao resto, obrigado por nos trazer esta análise. Muito interessante.
Título:
Enviado por: fgomes em Outubro 10, 2004, 10:48:45 pm
Notável !!!
Só um reparo, por não mencionar o General Bernardim Freire de Andrade, que foi também um dos  primeiros organizadores da resistência ao ocupante francês e que morreu trágicamente linchado por camponeses que confundiram uma retirada com traição. Uma morte injusta para um Grande Patriota !
Título:
Enviado por: dremanu em Outubro 15, 2004, 12:50:42 am
Obrigado!!! Eu tenho mais informações sobre as invasões Napoleónicas, que a tempo vou por aqui para todos lerem. Quanto ao exército liberal de D.Pedro IV, vou procurar saber mais.
Título:
Enviado por: dremanu em Outubro 15, 2004, 06:11:52 pm
O TRATADO DE FONTAINEBLEAU DE 1807

Portugal, enfraquecido e num contexto políticamente confuso, foi objecto, no início do século XIX de uma tentativa de aniquilação como Estado soberano, que não deve ser esquecida.

O Tratado Franco-Espanhol de Fontainebleau de 1807, de má memória, pretendia, com efeito, para Portugal o seu puro e simples desmembramento.

Entregava o Entre-Douro-e-Minho, reconvertido num reduzido reino da Lusitânia Setentrional, ao rei da Etrúria, um filho do Duque de Parma casado com uma infanta de Espanha.

O centro (Trás-os Montes, Beira e Estemadura incluindo Lisboa) entregue temporáriamente ao Duque de Bragança como vassalo do Rei de Espanha.

E o Sul (Alentejo e Algarve chamado de reino dos Algarves) a Manuel Godoy, Ministro de Carlos IV que o juntaria à Andaluzia e parte da Estremadura espanhola.

Pelo caminho o rei de Espanha ficava com o título de Imperador das Índias Orientais e Ocidentais, incluindo o Brasil e Napoleão partilhava com Espanha os outros domínios ultramarinos de Portugal (Serrão).

Quer dizer que o esquema napoleónico, em grande parte inspirado por Madrid, se destinava fundamentalmente a acabar com Portugal como estado soberano e para isso procedia préviamente ao seu desmembramento, entregando cada uma das regiões resultantes desse desmembramento a suzeranias feudais e integrando-as nas regiões limítrofes duma Espanha que Napoleão controlava e pensava continuar a controlar.

Pouco depois, na Petição de Baiona de 1808, uma deputação portuguesa que terá incluido Gomes Freire de Andrade pedia a Sua Magestade Imperial e Real, entre outras coisas, "que o nosso território europeu seja dividido em 8 províncias, assim a respeito da jurisdicção eclesiástica, como da civil.."numa mal sucedida tentativa para atenuar o esquema inicial do Tratado (Anon, 1838).

Estas iniciativas tiveram, como ponto comum entre si, o de considerarem dispensável a consulta ao povo português sobre a matéria.

Seguiu-se a invasão prevista no Art-º 1º da sua Convenção Suplementar mas com resultados muito diferentes dos antecipados pelos subscritores do Tratado (ver adiante Azeredo, 2003).

ARTICULADO DO TRATADO
(extratos do Artigos mais significativos)

Art. I -A província de Entre Douro e Minho será dada ao Rei da Etrúria, como Reino de Lusitania Septentrional, tendo por capital do Porto.
(Pelo Artigo II o Alentejo e o Algarve seriam dados a D. Manuel Godoy, o Principe da Paz, com
o Título de Princípe dos Algarves)

(Pelo Artigo III a Beira, Trás-os-Montes e Estremadura ficariam em depósito até ao fim de
guerra, dando-se-lhes então destino definitivo)

Art. VIII -No caso de que as províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura Portuguesa que ficarão em sequestro, fossem devolvidas na paz geral à Casa de Bragança em troca de Gibraltar, o da Trindade e outras Colónias que os Ingleses têem  conquistado à Espanha e a seus aliados, o novo Soberano destas províncias terá em relação a Sua Magestade Católica el Rei de Espanha as mesmas obrigações que EI Rei da Lusitânia Septentrional e o Príncipe dos Algarves, possuindo-os com iguais condições.

( )

Art. XIII -Os dois (signatários) entender-se-ão para fazer uma divisão igual das Ilhas, Colónias e outras propriedades de Portugal.

Art. XIV -Este convénio permanecerâ secreto.

CONVENÇÃO SUPLEMENTAR

Art. 1 -25.000 infantes e 3.000 cavalos franceses a que se juntarão 8.000 infantes, 3.000 cavalos e 30 peças espanholas invadirão Portugal.
Título:
Enviado por: dremanu em Outubro 15, 2004, 06:15:16 pm
AS INVASÕES NAPOLEÓNICAS DE PORTUGAL
Por Gen. Carlos Azeredo

Introdução

A invasão de Portugal por forças militares francesas entre 1807 e 1811 é uma etapa importante, senão decisiva, das Guerras Napoleónicas.

Em 1806 Talleyrand informava confidencialmente Lord Yarmouth que Napoleão preparava já a invasão e conquista do Reino de Portugal. Mas Bonaparte, para chegar a Lisboa, precisava de assegurar não só a anuência da Espanha como ainda o seu concurso.

Estas as principais razões que estiveram na origem do tratado secreto de 27 de Outubro de 1807, assinado em Fontainebleau, entre a França e a Espanha, pelo qual se punha fim à existência do Reino de Portugal que seria dividido em três pequenos estados, e se destronava a Casa de Bragança (vide o Tratado de Fontainebleau) O pretexto, que tem que ser entendido no contexto do conflicto europeu em curso, foi a resistência da Côrte de Lisboa em fechar os portos aos navios britânicos, não colaborando deste modo no bloqueio que o Imperador francês pretendia impor à Inglaterra.

Assim a 17 de Outubro Bonaparte ordena ao antigo VIII Corpo (Junot), agora organizado no Corpo de Observação da Gironda, para marchar ràpidamente sobre Lisboa afim de aprisionar a Família Real Portuguesa cuja intenção, para se deslocar para o Brasil já conhecia. (1) Pretendia ainda apoderar-se da Esquadra Portuguesa e das riquezas que julgava existirem no País.

As coisas, no entanto, estiveram loge de correr como planeado. Thiers resume: "Em consequência, ele (Napoleão) resolveu apropriar-se de Portugal... ."Tal foi o começo dos maiores erros e das maiores infelicidades do seu "reinado !

"O nosso coração aperta-se ao iniciar este sinistro relato, pois isso não foi "apenas a origem dos infortúnios de um dos homens dos mais "extraordinários e dos mais sedutores, mas foi a origem das desgraças "da nossa pátria infortunada, arrastada com o seu herói numa queda "espantosa.

Por três vezes Napoleão tentou dominar um pequeno País como Portugal e por três vezes falhou nos seus intentos. Sucintamente as Três Invasões napoleónicas a Portugal, aliás acontecimentos capitais da Guerra Peninsular, podem ser descritas como segue:

PRIMEIRA INVASÃO -1807/1808

Factos mais notáveis:

Junot, reforçados os seus 23 000 homens e 4 700 cavalos com, 8 000 infantes e 3 000 cavalos espanhóis, cruza a fronteira portuguesa a 19 de Novembro de 1807 e procurou atingir fulminantemente Lisboa, mas quando a 30 de Novembro de 1807 chegou ao seu destino apenas pôde contemplar a lenta saída pela barra do Tejo da Frota Portuguesa levando a Família Real
para o Vice-Reinado do Brasil, bem como grande parte do erário público.

A retirada da Casa de Bragança, com a então poderosa Armada Portuguesa para o Brasil, constituíu um rude golpe nos planos napoleónicos, e vai constituír o principal alento da resistência popular ao Invasor. Devido à guerrilha popular, entre Salamanca e Lisboa, perde cêrca de 20 % dos seus efectivos. O Exército Português, pràticamente inoperacional devido à política pombalina após a Guerra dos Sete Anos, e às instruções do Príncipe Regente, futuro D. João VI, não opôs qualquer resistência às fôrças napoleónicas.

A 1 de Fevereiro de 1808, Junot decreta que a Casa de Bragança tinha deixado de reinar. Início da resistência contra o Invasor.

A 22 de Dezembro Junot dissolve as unidades de primeira linha do Exército Português, e a 15 de Fevereiro decreta a dissolução e a entrega de todo o armamento das Milícias.

Com os oficiais e demais praças que aceitaram servir o Império, Loison forma a Legião Portuguesa que incorpora 9 000 homens para reforçar o Exército napoleónico e que actuará nas campanhas da Europa Central e Invasão da Rússia, sob o comando do 3° Marquez de Alorna. Mais de metade dos seus efectivos desertou ainda em Espanha.

A 7 de Junho de 1808 revolta-se a guarnição da Fortaleza de S. João da Foz contra a presença dos franceses na sequência da retirada das tropas espanholas estacionadas no Porto ocorrida no dia anterior. A Espanha até então aliada de Napoleão e que permitira a entrada das tropas francesas na Península, revoltara-se dias antes após a prisão da Família Real Espanhola e da sua substituição no Trono de Madrid por José Bonaparte.

A 19 de Junho formação no Porto da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino presidida pelo Bispo Frei D. António de S. José de Castro da Ordem de S. Bruno, que encabeça a revolta do Norte de Portugal contra o Invasor. Em Julho Loison está perante a rebelião generalizada do País, de Norte e Sul, ficando célebres devido ao carácter sangrento as repressões de Évora, de Arraiolos e de Leiria por ele executadas.

Aproveitando o estado de rebelião generalizada, tropas britânicas desembarcam na praia de Lavos, junto à Figueira da Foz a 1 de Agôsto pouco mais de 13 000 soldados ingleses sob o comando de Sir John Cradock.

Combate da Roliça a 17 de Agôsto entre o Exército Anglo-Luso e forças napoleónicas comandadas pelo General De Laborde. Os franceses são obrigados a retirar.

Batalha do Vimeiro a 21 de Agôsto, comandando os Aliados o General Wellesley e os franceses o próprio Loison. Derrotados os franceses são obrigados a retirar.

A 22 de Agôsto Loison pede aos britânicos, através do Gen. Kellerman seu enviado, a suspensão da hostilidades e retira sobre Lisboa, onde entra a 23.

A 31 de Agôsto é ratificada em Torres Vedras um ajuste entre Britânicos e franceses conhecido pela Convenção de Cintra, pelo qual as tropas imperiais seriam embarcadas com destino a França com todos os seus haveres, armas e bens saqueados em Portugal. Assina pelos Aliados o britânico General Dalrymple.

Início do embarque de Junot e das tropas francesas a 10 de Setembro de 1808, em navios de uma esquadra russa então fundeada em Lisboa comandada pelo Almirante Siniavin. Os últimos soldados franceses deixaram Portugal a 15 de Setembro de 1808, dia em que terminou o embarque das tropas invasoras.

Assim terminou a Primeira Invasão dos exércitos de Napoleão a Portugal.

SEGUNDA INVASÃO -1809

Após o fracasso da Primeira Invasão, Napoleão insistindo no seu intento de conquista, deixa aoGeneral Alexandre Berthier seu Chefe de Estado Maior, instruções para o General Soult, então no Ferrol, com vista à Campanha de Portugal. Segundo esse plano de operações datado de 21 de Janeiro de 1809, Soult deveria seguir para sul, entrar em Portugal pela faixa do litoral atlântico e atingir o Porto a partir de 5 de Fevereiro e Lisboa a partir de 16 do mesmo mês.

Soult tinha à sua disposição 17 Regimentos de Infantaria, 10 de Cavalaria e um apoio de fogos de 58 canhões, e deveria aguardar na Galiza que o General Ney e o seu Corpo de Exército o viessem render. Uma vez rendido, marcha para a fronteira portuguesa, atingindo Tuy e A Guarda a 10 de Fevereiro. Seria apoiado se necessário pelos Generais Ney, Lapisse e Victor estacionados próximo da nossa fronteira.

Após uma tentativa falhada para a travessia do Rio Minho junto a Caminha a 16 de Fevereiro, resolve subir o mesmo rio e entrar em Portugal pelo Vale do Rio Tâmega.  Deixa em Tuy a sua artilharia pesada e uma reserva comandada pelo General Thomieres.

Finalmente a 10 de Março de 1809 as tropas de Soult entram em terra portuguesa pondo cêrco à cidade fronteiriça de Chaves que capitulou na manhã do dia 12.

Principais acontecimentos:

A 14 Soult reinicia a sua marcha para o Porto pelo eixo Chaves –Venda Nova-Ruivães-Braga- Porto, sempre seguido e atacado pela guerrilha popular cuja agressividade crescia à medida que as forças imperiais se aproximavam da cidade de Braga.

A 16 o General Silveira do Exército Português, operando no flanco esquerdo de Soult ataca-o em Venda Nova.

A 18 de Março os Invasores estão já próximos de Braga e encontram forças do General Bernardim Freire e populares instalados em Carvalho d'Este. A 20, após dois dias de reconhecimentos ofensivos, Soult ataca as posições defensivas de Carvalho d'Este, nas proximidades de Braga. Os defensores, comandados pelo Barão d'Eben resistem durante algumas horas, após o que são obrigados a retirar. As tropas imperiais entram em Braga.

A 25 de Março a guarnição francesa que ficara na praça de Chaves, cercada desde o dia 21 pelas forças do General Silveira, rende-se caindo nas mãos do General português como prisioneiros 1270 soldados, 38 oficiais, 23 civis franceses, e ainda 90 cavalos 12 canhões e 1200 espingardas.

A reconquista de Chaves pelo Gen. Silveira representava para as forças imperiais a perda da sua "linha de operações" e a impossibilidade do apoio previsto de Ney, Lapisse e Victor. A 25 de Março, a partir de Braga as forças de Soult iniciam a marcha na direcção da cidade do Porto.

Ao princípio da manhã do dia 29 Soult inicia o ataque às defesas do Porto, que após renhida resistência acabaram por ceder totalmente ao fim da tarde. Na tentativa de restabelecer uma linha de operações para nordeste que o ligasse com Lapisse, e destruir a ameaça que as forças do General Silveira em Penafiel representavam para o seu flanco esquerdo e mesmo para a sua rectaguarda quando marchasse para Lisboa, Soult envia na direcção de Penafiel/Amarante e Trás-os-Montes, a 31 de Março, a Divisão La Hussaye e a Brigada de Dragões Caulaincourt.

A 4 de Abril, Soult preocupado com o seu isolamento no Porto, envia as Divisões Lorges e Heudelet para norte na direcção de Caminha e Valença com vista a socorrer a praça de Tuy que estava cercada e onde estacionara a sua artilharia pesada e as tropas do General Thomiéres e tentar a ligação com Ney na Galiza. Para sul, afim de se proteger de algum ataque de surpreza das fôrças Luso-Britânicas que entretanto se estavam a reorganizar, envia a cavalaria de Franceschi e a Divisão Mermet que chegam até ao rio Vouga.

Face à resistência encontrada em Penafiel e no vale do Tâmega, Soult reforça as suas forças no vale do Tâmega a 7 de Abril, com a Brigada Foy que, com os Dragões de Colaincourt, formam uma Divisão sob o comando do General Conde de Loison. Silveira que retirara de Penafiel mantem-se sobre a linha do Tâmega, em Amarante.  A 13 de Abril o General Silveira contra ataca os franceses que retiram para a linha do Rio Sousa, e retoma a cidade de Penafiel.

A 14, Soult surpreendido com a ofensiva de Silveira, reforça Loison com a Brigada Arnaud apoiada por 10 bocas de fogo e ordena a La Houssaye que marche de Guimarães com a sua Divisão pela estrada do Pombeiro/Lixa sobre Amarante. Silveira, prevendo o envolvimento do seu flanco direito retira para Amarante .

A 15 de Abril De laborde retoma Penafiel e procede a reconhecimentos para leste nos dias 16 e 17.

A 18 de Abril trava-se o combate de Vila Meã entre as forças de De laborde e as avançadas de Silveira que retiram sobre Amarante. Na tarde desse dia as forças imperiais atingem a entrada de Amarante, que acabam por ocupar até â margem direita do Rio Tâmega, ficando as forças de Silveira barricadas na margem esquerda, à saída da ponte.

De 18 de Abril até 2 de Maio Silveira detem as tropas imperiais sobre a linha do Tâmega, numa defesa de 18 dias, que ficou célebre devido à enorme desproporção de meios humanos e materiais.

A 22 de Abril desembarcam em lisboa 22 000 homens sob o comando do Ten-General Sir Artur Wellesley que vieram reforçar os 10 000 homens de Sir John Cradock.

A 8 de Maio Loison sai de Amarante na direcção da Régua, onde não chega a entrar por ali encontrar as forças portuguesas do Brigadeiro Bacelar e se encontrar ameaçado no seu flanco esquerdo pelas forças de Silveira já em Vila Real a caminho de Amarante.

A 10 de Maio Loison retira de Fontelas nos arredores da Régua a caminho de Amarante vila que abandona na noite de 11 para 12 pela estrada da Lixa/Pombeiro / Guimarães.

Na manhã de 12 de Maio as tropas de Wellesley passam o Douro em Avintes. Nessa mesma manhã Soult abandona subitamente a cidade do Porto a caminho de Amarante, mas pela 1 hora e meia da madrugada do dia 13 o General francês é informado que Loison deixara Amarante a caminho de Guimarães e que a sua linha de retirada por Amarante Chaves ou Bragança estava nas mãos do inimigo. Seguindo para norte pela margem direita do rio Sousa e pela Serra de Santa Catarina, após ter destruído em Baltar tôda a sua impedimenta e artilharia, Soult, utilizando carreiros de pé posto, vai encontrar junto ao Mosteiro do Pombeiro as tropas de Loison que retiravam de Amarante, e a 14 atinge Guimarães.

A 15, Soult continua a sua marcha para norte, atingindo Salamonde, onde após ser informado que Silveira barrava a saída por Chaves na Serra da Cabreira, decide seguir uma estreita vereda para Montalegre. No dia 16 de Maio Soult é obrigado a conquistar à viva força a passagem da Ponte da Misarela o que obrigou a totalidade das tropas imperiais a parar na estreita vereda aberta na rocha quási a prumo da margem do Rio Rabagão, apertada entre um abismo à sua esquerda e a parede íngreme da montanha à sua direita.  Ao ouviram súbitamente o fogo das tropas de Silveira que atacaram a rectaguarda francesa, várias unidades imperiais foram tomadas de pânico o que causou várias centenas de mortos caídos à corrente tumultuosa do rio pela desordenada pressa em passarem o estreito tabuleiro da ponte sem de guardas. (

Na manhã do dia 18 de Maio os 15 213 homens que restavam ao Marechal Soult dos 27700 com que iniciara as suas operações em Portugal, saíram do nosso Território pela fronteira de Montalegre a caminho de Guinzo já na Galiza.

Assim terminou a Segunda Invasão dos exércitos napoléónicos a Portugal.

A TERCEIRA INVASÃO –1810/1811

A 27 de Setembro de 1809 publicava o jornal parisiense “Moniteur” a seguinte frase escrita pelo Imperador francês no seu campo imperial de Schoenbrunn : ”1 Antes de um ano serão os ingleses, apesar de todos os seus esforços, expulsos da península, e a águia imperial tremulará sobre as fortalezas de Lisboa! ".

Na verdade apesar dos desaires em que se cifraram as duas tentativas para a conquista de Portugal, a ambição de Bonaparte não desistira ainda de dominar o pequeno Reino Lusitano e até a própria Península Ibérica. Assinada a Paz de Viena, o Imperador viu-se livre de preocupações com a Europa Central e desembaraçado para poder lançar sobre a Espanha e Portugal o grosso dos seus Exércitos.

A 4 de Dezembro de 1809 Napoleão reafirma perante o Senado a sua intenção de voltar à Península e inicia o envio de forças poderosas com o principal objectivo de conquistar Portugal.  O Exército destinado a invadir e dominar a pequena Pátria Lusitana contava mais de 80 000 soldados divididos em três Corpos de Exército comandados respectivamente pelos generais Ney, Junot e Regnier e um quarto Corpo de Reserva às ordens do General Drouet, que estacionaria junto à raia portuguesa.

O comando supremo foi entregue ao mais hábil, ao mais feliz e ao primeiro dos seus generais o brilhante Marechal Massena, Príncipe de Essling e Duque de Rivoli. Em Portugal ao mesmo tempo que as tropas britânicas eram reforçadas com sucessivos desembarques de novas unidades, as tropas portuguesas eram aumentadas com novos e  repetidos recrutamentos. Deste modo Portugal pôde ter debaixo de bandeiras 54 900 homens nas tropas de 1a linha, e mais de 55 000 homens nas forças de 2ª e 3ª linha, respectivamente em companhias de Milícias e companhias de Ordenanças.

Wellington tinha estabelecido um plano para a defesa do País que consistia de modo geral numa lenta manobra de retirada afim de retardar o avanço do inimigo e desgastar as suas tropas com acções de guerrilha na sua rectaguarda de modo a suster definitivamente o avanço de um inimigo enfraquecido sobre as Linhas de Torres Vedras, cujas obras defensivas mandára reparar, reforçar e activar. Simultâneamente impôz a prática da " Terra Queimada ", de modo a retirar aos franceses tôda a possibilidade de encontrarem meios de subsistência, de abrigo e de qualquer apoio logístico para um tão grande Exército, que seria assim flagelado pela fome, pela doença e pela miséria.

Factos principais:

A 24 de Julho de 1810 os franceses atacam Salvaterra do Extremo e as forças dos Batalhões de Caçadores 1 e 3 postadas na defesa da Ponte de Almeida. Ainda a 24 se inicia o cerco à Praça de Almeida pelas tropas imperiais De 1 a 10 de Agosto cerco e conquista da fortaleza de Puebla de Sanábria, pelas forças portuguesas, onde se rendeu ao General Silveira um Batalhão Suísso ao serviço de Napoleão e onde foi tomada a primeira "Águia Imperial".

A 26 de Agosto, após o desastre do rebentamento do paiol da pólvora e munições, com a destruição de grande parte da artilharia e derrube de parte das muralhas, a guarnição de Almeida rende-se e Massena ocupa a praça.

A 27 o Corpo Regnier atravessa para norte o Tejo em Alcântara e reune-se às tropas de Ney e de Junot junto de Almeida, para iniciarem a progressão para o interior de Portugal pelo Vale do Mondego. Progredindo pela margem direita do Mondego, sempre atacados pelas guerrilhas, os franceses combatem em Santa Comba Dâo a 19 de Setembro .

A 26 dá-se um combate nas imediações da Serra do Bussaco.

A 27 Massena ataca com o grosso das suas forças as posições Luso-Britânicas de Wellington na Serra do Bussaco, sofrendo nesta batalha, que durou mais de duas horas e meia, uma indiscutível e muito significativa derrota.

Na manhâ de 28 de Setembro Wellington na previsão de Massena rodear o Bussaco por norte inicia a retirada para sul pela Mealhada e Coimbra. Ao fim do dia 28 de Setembro, Massena na impossibilidade de forçar as defesas Luso-Britânicas sobre a estrada de St.a Comba Dão/Mealhada inicia o torneamento da Serra do Bussaco por norte, pela estrada de Boialvo.

A 29 as avançadas de Massena atingem Avelãs na estrada para Coimbra.

A 30 de Setembro o Exército Luso-Britânico está a sul do Rio Mondego em marcha para o sul.

A 1 de Outubro as forças de Massena entram em Coimbra e continuam a marcha para sul dificultada pela chuvas anormalmente abundantes, enquanto Wellingtom entra com as suas forças nas inexpugnáveis Linhas de Torres Vedras, estendidas por sobre as alturas com encostas ravinadas desde Alhandra junto ao Rio Tejo até Torres Vedras e foz do rio Sizandro junto ao Mar. No Tejo, guardando o flanco direito das Linhas de Torres Vedras estacionavam três navios de guerra fortemente artilhados. Wellington tinha feito reunir grande parte das forças de 2ª e 3ª Linha portuguesas que reunidas às tropas de 1a Linha somavam mais de 100 mil homens, onde se contavam desde 22 de Outubro cerca de 8000 soldados espanhóis sob o comando dos Generais Marquez de La
Romana, O'Donnel e La Carrera.

Também, em conjugação com a prática de "Terra Queimada", ellington tinha feito recolher a sul das Linhas e mesmo a Lisboa, as populações dos Vales do ondego e norte do Tejo, com os seus gados, colheitas e provisões.

A 13 de Outubro, Massena atinge Alenquer, sempre incomodado por fortes chuvadas e por caminhos tornados intransitáveis. Nesta localidade é informado da existência das fortificações das Linhas de Torres Vedras, ao tempo inexpugnáveis. Após vários reconhecimentos nos dias seguintes Massena vê-se incapaz de continuar a sua marcha para Lisboa. Tenta, através de provocações, fazer saír Wellington das fortificações e atraí-lo para o combate aberto, mas o Comandante britânico, sensatamente, não se demoveu. As intempéries, a fome, a doença e o desânimo eram agora as armas com que Massena tinha de se defrontar.

A 15 de Novembro, Massena, completamente isolado pelas guerrilhas dos Generais Silveira, Bacelar, Wilson e Trant que impediram a chegada de reforços e provisões, com os seus homens fustigados pela fome, pela doença e pelas intempéries, inicia a retirada a caminho de Santarém, sempre perseguido pelas forças Luso-Britânicas.

A 18 dá-se um combate no Cartaxo contra a guarda da rectaguarda francesa.

A 9 de Janeiro de 1811 Soult e Mortier ocupam Mérida a caminho do Alentejo no intuito de socorrer Massena.

A 23 Soult ocupa a Cidade portuguesa de Olivença, defendida guarnecida por militares espanhóis comandados pelo Marechal D. Manuel Herk.

A 11 de Fevereiro Massena acossado pela fome envia uma força de dois regimentos de cavalaria comandada pelo Marechal Junot a atacar um depósito de trigo e vinho estabelecido pelos Aliados em Rio Maior, tendo os franceses feito retirar a pequena guarda Luso-Britânica, após luta de que resultou um ferimento no próprio Junot.

A 19 de Fevereiro Soult ataca a praça de Badajoz, que resiste.

A 4 de Março, Massena, perdida a esperança e socorro, inicia a retirada de Portugal por Leiria, mantendo as forças de Ney em guarda da rectaguarda..

A 9 Massena atinge Pombal.

A 11 de Março há o combate de Pombal com a rectaguarda dos franceses. Na mesma data Soult conquista finalmente Badajoz.

A 14, sempre perseguido pelos Aliados, trava-se o combate de Condeixa. com a rectaduarda francesa.

15 Março, dá-se o combate da Foz do Arouce. No dia 18 o combate da Ponte da Murcela.

A 22 de Março, após heróica resistência, rende-se aos franceses, operando no Alentejo, a praça de Campo Maior defendida por cerca de 30 soldados e milícias.

A 25 é retomada pelas forças de Beresford a praça de Campo Maior.

A 29 de Março a retaguarda de Massena é atacada na cidade da Guarda. A 3 de Abril sempre perseguidos pelos Luso-Britânicos, os franceses em retirada são atacados no Sabugal.

A 5 de Abril de 1811, Massena, sem ter atingido os objectivos que lhe foram impostos por Napoleão, abandonava o Território Português, entrando em Espanha, com as suas tropas famintas, doentes, descalças e esfarrapadas.

Assim terminou a terceira e última Invasão Francesa a Portugal.

O Exército Luso-Britânico vai continuar a campanha até final da Guerra Peninsular, pelos anos de 1811 -1812 -1813 e 1814, tomando parte nas grandes batalhas então travadas, nâo só na Península, mas além Pirinéus até à cidade de Toulouse .
Título:
Enviado por: capelo em Novembro 09, 2005, 12:50:43 am
Bem, depois dos textos do Dremanu, nem me atrevo a dizer nada para além de que, há alguns meses li " The Peninsular War 1807-1814" escrito por Michael Glover, da colecção Classic Military History e publicado pela pela Penguin Books.
Obviamente não está centrado no desempenho dos militares portugueses, havendo mesmo algum snobismo tipicamente inglês ao longo da narrativa. No entanto, gostei de ler que as unidades portuguesas, eram prezadas pelos ingleses, vistas como capazes e corajosas e que continuaram a luta mesmo em terras espanholas, até correrem com os francius para o lado certo dos Pirinéus.
Título:
Enviado por: papatango em Maio 06, 2006, 06:06:36 pm
= = =
no seguimento da discussão:
http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?p=43752#43752
= = =
e-marques:

Eu não pretendo desmerecer do esforço dos espanhóis, mas sim afirmar que a guerrilha não foi o factor mais determinante para o resultado do conflito.
A argumentação vem no sentido de explicar que sem os ingleses, não haveria possibilidade de vitória sobre Napoleão.

É um bocado como a libertação da França.

Quando vemos alguns escritos dos franceses, quase que se fica com a impressão de que a França se libertou sozinha dos alemães, e que os aliados tiveram um papel secundário.

Em alguns casos, para os franceses, a libertação de Paris, é mesmo o factor mais importante na guerra durante 1944, quase ignorando Dunquerque.

= = = =

Ora, é evidente que a vitória em Dunquerque, se deve em parte, também à pressão das sabotagens da resistência francesa.

Mas sejamos realistas, não foram os franceses que livertaram a França.

As milicias espanholas, por muito bravas que fossem, tiveram uma actividade limitada. a apenas algumas regiões.

Em 1809-1810 as milicias espanholas lutaram contra os franceses em:

- País Basco / Navarra
- Zona de Lugo na galiza, até à fronteira
- Zona de Ciudad Rodrigo, numa faixa de uns 50 a 100 Km a partir da fronteira portuguesa de Almeida até à margem norte do Tejo.
- Zona de 25 a 50Km a partir da fronteira portuguesa desde Badajoz até ao mar.
- Duas pequenas regiões entre Gibraltar e Malaga e na região de Granada.

Em 1810, ainda resistiam a região ocidental da Galiza, e uma pequena faixa de 100Km de profundidade a partir do mar entre Valencia e Granada.

Mas mais de 80% da Espanha estava em mãos francesas e não havia resistência.

Em 1811, A resistência das forças regulares na região de Valência é derrotada e substituida por resistência das milicias mas a região da Galiza é abandonada pelos franceses. Madrid, Barcelona, Sevilha, Valência, Saragoça, Granada, Malaga, estão nas mãos dos franceses, e a pressão das milicias só se faz sentir junto à fronteira portuguesa, e do outro lado da peninsula, na região de Valência-Murcia, e ainda na região do País Basco / Navarra.

Como já disse. isto não retira nenhum mérito às ,ilicias espanholas, que a meu ver, estavam mal enquadradas e não tinham um plano coordenado de acção que lhes permitisse agir em conformidade.

O problema étnico, também complicava tremendamente a gestão das questões militares, porque os espanhóis, não queriam ficar sob comando inglês, nem eram capazes de agir sem ele e além, disso, várias milicias obedeciam a chefes diferentes, os quais nem sempre estavam de acordo.

Muitos dos grupos de guerrilheiros, eram capitaneados por um senhor de terras, ou por militares isolados, e os maiores grupos tinham até 500 homens (o que para força de guerrilha é bastante). mas a maioria era constituida por grupos muito mais pequenos.

É evidente, que quando os ingleses compararam o exército português com os espanhóis, e especialmente com a dificuldade de coordenação que tinham com as tropas espanholas e ou com as milicias, eles achassem os portugueses mais eficientes.

Cumprimentos
Título:
Enviado por: sierra002 em Maio 06, 2006, 09:00:40 pm
Citar
Espero ter explicado a diferença, e talvez o conceito não seja assim tão diparatado. Talvez o Augusto Bizarro entenda, que eu tenho SEMPRE uma noção muito precisa do que estou a dizer.

Patango no sabe de historia, y menos, de la de España.

Citar
Os espanhóis -Durante la invasión napoleonica- nunca tiveram capacidade para enfrentar os franceses e sempre que o fizeram, foram completamente esmagados


Pues no señor, el ejercito español fue capaz de enfrentarse solo a los franceses y vencerles mas de una vez.

Mi favorita, la batalla de Bailen, donde el general Castaños rinde a Dupont.

Aqui el cuadro mostrando el momento del encuentro por Casado de Alisal. Observese el detalle de que el lado español no aparece ninguna bandera que no fuera española.

(http://www.1808-1814.org/imagenes/rendicion2.jpg)

Texto sobre la batalla. Es del MDE español, para que no se hable de la Wikipedia.

http://www.ejercito.mde.es/ihycm/revist ... rvello.htm (http://www.ejercito.mde.es/ihycm/revista/90/3cervello.htm)


De nuevo pido una sanción para Papatango, entre otras cosas, para que este foro deje de ser el cachondeo de los foros de defensa.
Título:
Enviado por: papatango em Maio 06, 2006, 09:29:40 pm
Bailem.

Tenho que reconhecer o meu erro, relativamente a essa batalha, e quanto ao que disse inicialmente.  :oops:

Pretendia referir-me aos esforços das forças irregulares espanholas, e não a forças regulares.

De qualquer forma está feita a correcção

Cumprimentos
Título:
Enviado por: manuel liste em Maio 07, 2006, 09:12:50 pm
Citação de: "sierra002"
Citar
Os espanhóis -Durante la invasión napoleonica- nunca tiveram capacidade para enfrentar os franceses e sempre que o fizeram, foram completamente esmagados

Pues no señor, el ejercito español fue capaz de enfrentarse solo a los franceses y vencerles mas de una vez.

Mi favorita, la batalla de Bailen, donde el general Castaños rinde a Dupont.
.


Yo conozco otras dos victorias en campo abierto protagonizadas por fuerzas regulares españolas. Aparte de la muy famosa de San Marcial de 1813, otra menos conocida fue la que tuvo lugar en Pontesampaio (en Arcade, al sur de la ciudad de Pontevedra) en junio de 1809, y que expulsó definitivamente a las fuerzas francesas de Galicia. Esta última fue todavía más notable, pues lo que por entonces todavía era una milicia mal armada consiguió rechazar a todo el C.E de Ney quien, temiendo el cerco, se retiró hacia Zamora por Orense.

Está claro que el Estado Mayor francés diseñó mal la campaña de invasión de Galicia de 1809, pues cuando el C.E de Soult pasó a Portugal, todas las comarcas de la costa gallega que dejó a sus espaldas se alzaron victoriosamente contra los ocupantes, cortando por tanto sus líneas de suministro. Sólo en Vigo, por entonces una villa de unos 4000 vecinos, fueron capturados y embarcados hacia Inglaterra 1300 prisioneros.
Título:
Enviado por: emarques em Maio 08, 2006, 12:39:20 am
As linhas de abastecimento não eram tão importantes para um exército do tempo napoleónico como o são hoje em dia. Começavam a ser mais importantes que anteriormente, mas ainda assim as necessidades de abastecimento eram reduzidas, pois podiam "adquirir" comida junto das populações, e o gasto de munições era relativamente baixo. Isto enquanto estavam em movimento, porque um exército parado rapidamente esgotava a capacidade local de lhes fornecer comida.

Mais importantes eram as linhas de comunicação. Os corpos de exército precisavam de manter-se em contacto para operar coerentemente, e Soult ao entrar em Portugal ficou rapidamente isolado das restantes forças francesas. Mesmo que os galegos não se tivessem rapidamente sublevado, essas linhas seriam cortadas, porque se a população minhota foi suficientemente decidida para impedir que Soult atravessasse o rio Minho, com certeza que os correios franceses também não passavam. E o caminho que Soult seguiu para entrar no país foi cortado por Silveira, que retomou Chaves e ocupou a ponte de Amarante.

Citação de: "papatango"
Eu não pretendo desmerecer do esforço dos espanhóis, mas sim afirmar que a guerrilha não foi o factor mais determinante para o resultado do conflito.
A argumentação vem no sentido de explicar que sem os ingleses, não haveria possibilidade de vitória sobre Napoleão.

Então, e eu concordei, não foi? (discordei mais foi com o esmagamento dos regulares, e por isso é que a minha mensagem começava por "Bailén"). Não foi o factor mais determinante. Só que acho que também não foi insignificante. Mantiveram os franceses espalhados um pouco por toda a Espanha, o que deixou o exército aliado muito mais à vontade para manobrar sem o perigo de subitamente serem confrontados com forças muito superiores em número.

E contribuíram também através do tal corte das comunicações. Os correios franceses tinham que andar acompanhados de escoltas fortes, e mesmo assim tinham sérios problemas em passar. Como mencionei no outro tópico, quando Junot assina a convenção de Sintra estava sem saber de Loison desde o combate dos Cachões da Valeira. O Q.G. de Junot só tinha acesso a rumores de que Loison teria sido derrotado quando se dirigia ao Porto, e que diziam que o general francês teria sido capturado ou morto. Ou seja, Junot não sabia se havia qualquer possibilidade de retirar sobre Almeida em vez de se render. Devido à acção de guerrilhas portuguesas que tinham impedido a passagem dos correios.
Título:
Enviado por: Luso em Maio 08, 2006, 09:10:43 pm
Só para dizer que os Ospreys sobre a Guerra Peninsular são publicações excelentes...  c34x  :mrgreen:
Título:
Enviado por: Miguel Sá em Maio 08, 2006, 11:02:42 pm
Sobre o Exército Português deste periodo uma boa fonte de informação é http://www.arqnet.pt , tem um link para este tema e dá a conhecer os nossos regimentos e orbats

Quanto ao periodo da Guerra Civil, infelizmente ou não encontro informação ou não existe.
No pós guerra tal este site dê uma ideia do que era o nosso exército http://www.viriatus.com/uniformes.asp
Título:
Enviado por: emarques em Maio 10, 2006, 01:44:09 am
Alguém já leu o livro "Aqui não passaram! - O erro fatal de Napoleão"?

Vi-o há dias na livraria e pareceu-me interessante, mas...


ISBN      9722622242
Autor(es)    Azeredo, Carlos
Editora    Livraria Civilização Editora
Título:
Enviado por: Miguel Sá em Maio 10, 2006, 11:10:21 pm
Caro emarques, está na minha estante. Ainda não o li.

Fala da 2ª Invasão que ocorreu a Norte do Douro desde a invasão pela Galiza, ocupação do Minho, a batalha e a conquista do Porto, a tentativa de alargar para o interior transmontano a ocupação e a resistência de algumas forças nacionais comandadas por Portugueses que lutaram com os franceses até à entrada em cena do Exército Luso-Britânico.

Contém basicamente informação de um outro livro "A Invasão do Norte" também do General Carlos de Azeredo publicado pela Editora Tribuna.
Faz parte de uma colecção Batalhas de Portugal que anda a sair a contas gotas.

Para mais informação sobre o periodo napoleónico, mas sem referência a Portugal, o seguinte site fala dos exércitos europeus de então

http://web2.airmail.net/napoleon/NAPOLEON_FOREVER.html (http://web2.airmail.net/napoleon/NAPOLEON_FOREVER.html)
Título:
Enviado por: Nuno Bento em Maio 11, 2006, 08:56:16 am
(http://www.fnac.pt/images/catalogo/livros/g/9789722622240.jpg)

Citar
Esta tropa de elite, que no planalto de Pratzen, inebriada pelo sol da glória, dobrou a força de dois impérios e conquistou com os seus saberes e as suas baionetas ensanguentadas a mais fulgurante e estimável vitória para as águias napoleónicas, veio aqui, ao Norte de Portugal, morder o amargo fruto da derrota, imposta não por grandes exércitos, mas pela tenacidade sem limites, pelo sacrifício sem reservas e pela coragem sem vacilações da humilde gente rural.


Esta a venda por 17,91 € na Fnac em

http://www.fnac.pt/produto.aspx?catalog ... 9722622240 (http://www.fnac.pt/produto.aspx?catalogo=livros&categoria=historiaPortugal&produto=9789722622240)
Título:
Enviado por: Nuno Bento em Maio 11, 2006, 09:01:56 am
Ainda sobre as Guerras Napoleonicas descobri este:

(http://www.fnac.pt/images/catalogo/livros/g/9789722622523.jpg)

Citar
Em 1807, no auge das guerras napoleónicas, o príncipe regente português D. João tomou uma decisão extraordinária. Apesar de horrorizado com a ideia de uma viagem marítima, optou por transferir toda a corte e o governo para a maior colónia de Portugal, o Brasil.
Com as tropas francesas a apertarem o cerco a Lisboa, um total de 10 000 aristocratas, ministros sacerdotes e criados sobe a bordo das frágeis embarcações da frota portuguesa. Após uma difícil viagem transatlântica sob escolta britânica, desembarcaram imundos, cheios de piolhos e esfarrapados, para grande surpresa dos súbditos do Novo Mundo.

O autor oferece interessantes reflexões sobre as consequências para Portugal, a longo prazo, da ausência do rei durante treze anos.
Título:
Enviado por: JoseMFernandes em Maio 11, 2006, 07:53:16 pm
Citação de: "papatango"
É evidente, que quando os ingleses compararam o exército português com os espanhóis, e especialmente com a dificuldade de coordenação que tinham com as tropas espanholas e ou com as milicias, eles achassem os portugueses mais eficientes.

Já agora vou tentar mostrar a visão dos franceses, neste caso por um dos principais cronistas ( e participante nos campos de batalha em Portugal)  o general Jean-Baptiste MARBOT, através das suas Memórias que no aspecto factual  tem sido consideradas muito rigorosas.
Tradução minha sobre o texto original em francês (Mémoires du Général Baron de Marbot)

 
Citar
(...)Os Ingleses e os Portugueses sofreram perdas consideráveis, mas as dos espanhóis ultrapassaram todas as outras, por causa da sua obstinação em sustentar o assédio de várias cidades  cujas populações acabariam  por perecer quase inteiramente.O vigor dessas  defesas célebres, particularmente a de Saragoça, atraiu um tal brilho sobre os espanhóis que se atribui a eles a libertação da peninsula; mas é um erro.
Eles contribuiram, e muito, certamente, no entanto sem o apoio das tropas inglesas, os espanhóis não teriam podido resistir as forças francesas.Mas eles tiveram um imenso mérito, quando  derrotados nunca desencorajavam.Retiravam, reuniam-se mais longe e voltavam alguns dias depois, com uma nova e redobrada confiança que nunca era destruida !...Os nossos soldados comparavam os Espanhóis  a bandos de pombos que se abatiam sobre um campo e levantavam voo ao menor ruído para voltar logo a seguir.
Quanto aos Portugueses, não lhes foi concedida inteira justiça na parte por eles tomada nas Guerras da Peninsula.Menos cruéis, muito mais disciplinados que os Espanhóis, de uma coragem mais calma, eles formaram nos exércitos de Wellington diversas brigadas e divisões que, dirigidas por oficiais ingleses em nada eram inferiores às tropas britânicas; mas menos fanfarrões que os Espanhóis, pouco falando deles  próprios e dos seus sucessos,  acabaram sendo menos celebrados pela fama.
O primeiro sublinhado é do autor.

Aproveito para citar ainda o general MARBOT a propósito de uma referencia feita por aqui, sobre a divisão inicialmente pensada para Portugal.

Citar
...é um ponto que nunca foi esclarecido ( nota:o 'reinado' de Soult); porque o marechal Bertrand disse-me que nas  longas entrevistas que teve em Santa Helena com Napoleão sempre quis por diversas vezes levar a conversa sobre a realeza efémera do marechal Soult, mas o Imperador sempre guardou silêncio a esse respeito.Bertrand concluía que o Imperador não tinha nem encorajado nem reprovado o que Soult tinha feito com vista a obter a coroa de Portugal, e que a audácia seria perdoada pelo sucesso da tentativa.
O Imperador teve primeiro a ideia de reunir toda a Península num único Estado, do qual o seu irmão José seria o rei; mas reconhecendo que o ódio recíproco de Espanhóis e Portugueses tornaria o projecto impraticável, mas desejando no entanto retirar a todo o custo Portugal da esfera inglesa, ele teria consentido a concessão da coroa desse país a um dos seus próximos, cujos interesses fossem os mesmos da França.Bertrand pensava que Napoleão estaria determinado a ratificar essa escolha.O Imperador teria assim obtido maior firmeza do rei José no trono e a expulsão dos Ingleses de Espanha e Portugal, cuja guerra o começava a fatigar, impedindo-o de por os olhos no norte da Europa.(...)Contudo um grande número de oficiais superiores e generais receavam que a subida de Soult ao trono de Portugal levasse o Imperador, para o apoiar, a deixar indefinidamente o 2° Corpo em Portugal, ficando como os antigos colonizadores romanos, que se iriam envolver numa guerra sem fim e procurando as tréguas com os ingleses, que ocupavam Lisboa, resolveram eleger um chefe e pensaram fazer apelo às tropas francesas vindas de Espanha, tencionando regressar todos para França, forçando o Imperador a concluir a paz.
Este projecto inspirado pelo governo ingles e de resto mais facil a elaborar que executar, poderia vir a ter  a compreensão de todo o exército e da nação francesa?Permito-me duvidar disso.
Houve no entanto um principio de execuçao.(...)
Título:
Enviado por: Jorge Pereira em Maio 11, 2006, 11:11:23 pm
Citação de: "JoseMFernandes"
Quanto aos Portugueses, não lhes foi concedida inteira justiça na parte por eles tomada nas Guerras da Peninsula.Menos cruéis, muito mais disciplinados que os Espanhóis, de uma coragem mais calma, eles formaram nos exércitos de Napoleão diversas brigadas e divisões que, dirigidas por oficiais ingleses em nada eram inferiores às tropas britânicas; mas menos fanfarrões que os Espanhóis, pouco falando deles próprios e dos seus sucessos, acabaram sendo menos celebrados pela fama.


Obrigado JoseMFernandes por nos trazer citações como esta. Numa altura em que só ouvimos previsões e estudos de opinião absurdos e até idiotas para com os portugueses, um ponto vista como este faz sempre bem ao nosso ego.

Obrigado
Título:
Enviado por: Spectral em Maio 17, 2006, 04:45:06 pm
Acabei de ler o 2º vol- de Campanhas Navais - A Marinha Portuguesa na Época de Napoleão da colecção "Batalhas d'Portugal" (muito interessante e bem conseguido, embora tenha vários erros de edição e de revisão inadmissíveis nos dias de hoje).

Se a armada que em 1793 podia ser considerada como a 4ª/5ª europeia(logo mundial  ) e dispunha de uma estrutura moderna e muito eficaz ( para a época  ) a todos os níveis, do corpo de oficiais (talvez o único defeito fosse o seu reduzido número que obrigava ao uso de estrangeiros) e da sau instrução às qualidades náuticas dos nossos navios,
em 1820, depois das Invasões Napoleónicos, era uma estrutura antiquada e completamente *rebentada* que tinha perdido mais de metade dos seus navios por idade e não tinha sido capaz de os substituir, os navios que tinha ainda ao serviço estavam velhos e gastos, apenas se construíam navios pequenos, começava a haver um excesso de oficiais devido às benesses durante a guerra, etc. A independência do Brasil foi o golpe final, com 48 navios ( incluíndo a maior parte dos navios de linha, embora estes já fossem quase todos muito antigos) a ficarem por lá.

E durante o séc XIX a Marinha nunca mais se levantou. É triste ver como no espaço de cerca de 25 anos um país perde uma Marinha de grande nível por motivos completamente alheios a ela.
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Janeiro 09, 2007, 11:48:50 pm
Cooperação Anglo-Lusa na Guerra Peninsular

"Fiquei espantado com a aparência das tropas portuguesas. É, em todos os aspectos, igual à das nossas, e, nalguns pormenores, mesmo melhor."
Major-General Robert Long

O Corpo Expedicionário Britânico de Arthur Wellesley

Em Novembro de 1807, na sequência do tratado secreto que França e Espanha haviam firmado no mês anterior, em Fontainebleau, consuma-se a invasão e ocupação de Portugal pelas tropas dos dois países. As unidades do Exército Português que não haviam viajado com a Corte para o Brasil são, então, dissolvidas, indo uma parte importante das melhores formações integrar numa força que, sob a designação de Legião Portuguesa, logo marcha para França para reforçar o exército napoleónico...
http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... o-Lusa.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/JE/Coop%20Anglo-Lusa.pdf)
Título:
Enviado por: Spectral em Janeiro 10, 2007, 06:02:17 pm
Muito bom artigo ;)

Era bom que tivesse uma parte 2, mais focada sobre pormenores específicos das unidades de Caçadores como organização, características de cada batalhão etc

É tão difiícil encontrar qualquer coisa sobre a participação militar portuguesa nas Guerras Napoleónicas excepto os habituais temas "Buçaco", "Fuga da Corte para o Brasil", "saque pelos franceses (e ingleses)" ...
Título:
Enviado por: oxidus em Maio 12, 2007, 01:35:18 am
a segunda invasão, deve ser muito bem analizada até em questões actuais por causa da forma como foi feita.
Eu sou de penafiel, e conheço os sitios onde foram travados combates, o mais espetacular é a freguesia de Vila Cova, que como o nome diz, é mesmo uma cova, que so tem ligação viavel pelo tamega, soult tentou passar por ali, mas a resistencia popular e o terreno de inclinação acentuada tornavam a passagem impossivel, inclusive ele numa das cartas a napoleão escreveu acerca da sua passagem isto "a minha marcha é uma batalha constante, padres,velhos, mulheres e até crianças, escondem-se nos desfiladeiros e atacam-nos com tudo que têm a mão, os meus canhões enterram-se na lama e os cavalo não tem força pra os puxar, vou retirar para o rio tamega, e segui em direcção a amarante onde espero consegui atrevessar em direção ao porto"...

cumprimentos
Título:
Enviado por: Benny em Maio 12, 2007, 11:15:28 pm
Infelizmente não conheço nada por essas bandas, mas gostava muito de ver fotografias da paisagem, para ter uma ideia das dificuldades sentidas pelo invasor.


Benny
Título:
Enviado por: Upham em Maio 13, 2007, 08:01:23 pm
Boa tarde!

Citar
vou retirar para o rio tamega, e segui em direcção a amarante onde espero consegui atrevessar em direção ao porto"...


Não lhe terá sido fácil. A defesa da ponte, pelo Reg de Infantaria de Chaves e pela população, durou de 18 de Abril a 2 de Maio de 1809.
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 25, 2007, 09:28:03 pm
Alguem me sabe explicar qual a diferenças entre os regimentos de caçadores e os de infantaria em termos de missões e formas de actuar?

comprimentos
Título:
Enviado por: Sintra em Outubro 26, 2007, 03:12:41 am
Citação de: "oxidus"
Alguem me sabe explicar qual a diferenças entre os regimentos de caçadores e os de infantaria em termos de missões e formas de actuar?

comprimentos


 Podemos começar pelos Uniformes, a infantaria de linha portuguesa trajava de azul escuro, os caçadores, dependendo do ano/época vestiam de castanho ou verde.
 As funções, táticas e inclusivamente as armas eram diferentes, a infantaria de linha estava equipada com um mosquete de desenho Britânico "Brown Bess", os caçadores tipicamente (mas nem sempre) utilizavam uma "carabina" de cano estriado "Baker", estas duas armas tinham funções e utilizações diferentes, o mosquete era rápido de carregar e disparar, mas tinha uma precisão horrivel, a Baker tinha boa precisão, mas demorava imenso tempo a carregar.
 A infantaria de linha tinha como função formar uma... linha :wink: e despejar três tiros por minuto no adversário, os caçadores eram a infantaria "leve", los batedores, os homens que seguiam na vanguarda das formações e tentavam atingir os oficiais, tambores, estandartes adversários, eram sniper´s e "skirmisher´s", lutavam espalhados e normalmente em grupos de dois homens. Os batalhões de caçadores são uma cópia directa dos batalhões de "Green Jacket´s" Britânicos.

 Abraços
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 26, 2007, 03:16:48 am
e havia algum metodo diferente de recrutamento?pois se eram uma especie de "snipers" deveriam se escolhidos por suas habilidades com a arma, correcto?
Título:
Enviado por: Sintra em Outubro 26, 2007, 03:20:10 am
Citação de: "oxidus"
e havia algum metodo diferente de recrutamento?pois se eram uma especie de "snipers" deveriam se escolhidos por suas habilidades com a arma, correcto?


 Essa era a teoria, na prática era com o material humano que estivesse disponivel na altura que se treinavam os "caçadores".
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 26, 2007, 03:23:41 am
pois...a tipica e rigoroza organização tuga  :wink:
Título:
Enviado por: Spectral em Outubro 26, 2007, 05:11:48 pm
Citar
Os batalhões de caçadores são uma cópia directa dos batalhões de "Green Jacket´s" Britânicos

Na altura das Guerras Napoleónicas surgiram formações deste tipo (infantaria ligeira armada de "rifles") por todos os exércitos europeus, com a notável excepção do francês, por oposição de Napoleão ao conceito (a batalha é decidida pelo movimento). Os Rifles britânicos não foram os primeiros e muito menos os únicos, embora o habitual bias anglo-saxónico nas abordagens mais comuns às Guerras Naps (mais visivel na Internet, mas então os livros de historia populares aqui no UK...**) faça passar a ideia que eram super-homens únicos (Sharpe...) Claro que o maior exemplo disto é a atenção desmedida dada a Wellington e ao teatro peninsular, especialmente se comparados com as campanhas de 1812 e 1813 na Russia e Alemanha.

Por outro lado, e porque este é um tópico interessante (já que agora honestamente não posso dizer o mesmo do resto do fórum... ) pode -se argumentar que a missão táctica dos Caçadores era diferente da dos Rifles. Se atentarmos na sua distribuição, por exemplo aquando da batalha de Salamanca, cada brigada de infantaria de linha portuguesa recebia 4 bats de inf de linha (2 regimentos) e um de Caçadores, enquanto que os Rifles estava quebrados em companhias individuais pelas brigadas inglesas. Assim, parece-me que enquanto os nossos Caçadores também cumpriam as missões mais clássicas de infantaria ligeira (cobertura da força principal em ordem aberta, liderar o ataque em terreno broken ), os Rifles ingleses dedicavam-se mais à funçao de sharpshooter, até porque os britanicos tinham outras unidades de inf ligeira (vestidas de vermelho e com Brown bess, como a infantaria de linha.)

Já agora, durante a Guerra de 1801 com Espanha ( a tal que foi concluida com a perda da terra de O.  ) havia uma Legião de Tropas Ligeiras na frente da Beira Baixa, comandada pelo Marquês de Alorna, o que pode ser considerado a origem das tropas ligeiras em Portugal.

Citar
pois...a tipica e rigoroza organização tuga  
obrgado por me tirares essa duvida


Isso acontecia em todos os exércitos da altura, portanto não há grandes razões para recriminações nacionais :D
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 26, 2007, 05:22:01 pm
Só que nos tinhamos a derradeira vantagem, o famoso "desenrascanso" portugues :wink:
Eu sou de penafiel, conheço muito bem as zonas onde se travaram combates, n sei se chegaram a andar por cá os Regimentos de Caçadores pelo que conta a historia a resitencia até foi popular, mas se caso cá estivessem, conhecendo a geografia desta zona imagino que os estragos infligidos teram sido devastadores para os "avecs"...
Título:
Enviado por: Luso em Outubro 26, 2007, 09:34:37 pm
Citação de: "oxidus"
Eu sou de penafiel


Desculpe o desvio ao tópico, mas por acaso é de Irivo?
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 27, 2007, 01:29:19 am
Não, sou de uma freguesia perto, mas tenho muitos amigos lá...Terra de bons militares irivo :wink:
mas porque a pergunta?
Título:
Enviado por: Sintra em Outubro 27, 2007, 02:20:41 pm
Citação de: "Spectral"
Citar
Os batalhões de caçadores são uma cópia directa dos batalhões de "Green Jacket´s" Britânicos

Na altura das Guerras Napoleónicas surgiram formações deste tipo (infantaria ligeira armada de "rifles") por todos os exércitos europeus, com a notável excepção do francês, por oposição de Napoleão ao conceito (a batalha é decidida pelo movimento). Os Rifles britânicos não foram os primeiros e muito menos os únicos, embora o habitual bias anglo-saxónico nas abordagens mais comuns às Guerras Naps (mais visivel na Internet, mas então os livros de historia populares aqui no UK...**) faça passar a ideia que eram super-homens únicos (Sharpe...) Claro que o maior exemplo disto é a atenção desmedida dada a Wellington e ao teatro peninsular, especialmente se comparados com as campanhas de 1812 e 1813 na Russia e Alemanha.

Por outro lado, e porque este é um tópico interessante (já que agora honestamente não posso dizer o mesmo do resto do fórum... ) pode -se argumentar que a missão táctica dos Caçadores era diferente da dos Rifles. Se atentarmos na sua distribuição, por exemplo aquando da batalha de Salamanca, cada brigada de infantaria de linha portuguesa recebia 4 bats de inf de linha (2 regimentos) e um de Caçadores, enquanto que os Rifles estava quebrados em companhias individuais pelas brigadas inglesas. Assim, parece-me que enquanto os nossos Caçadores também cumpriam as missões mais clássicas de infantaria ligeira (cobertura da força principal em ordem aberta, liderar o ataque em terreno broken ), os Rifles ingleses dedicavam-se mais à funçao de sharpshooter, até porque os britanicos tinham outras unidades de inf ligeira (vestidas de vermelho e com Brown bess, como a infantaria de linha.)

Já agora, durante a Guerra de 1801 com Espanha ( a tal que foi concluida com a perda da terra de O.  ) havia uma Legião de Tropas Ligeiras na frente da Beira Baixa, comandada pelo Marquês de Alorna, o que pode ser considerado a origem das tropas ligeiras em Portugal.

Citar
pois...a tipica e rigoroza organização tuga  
obrgado por me tirares essa duvida

Isso acontecia em todos os exércitos da altura, portanto não há grandes razões para recriminações nacionais :D

 É um excelente tópico de facto :lol: (wrong forum, i know, sorry  :evil: ) gostam de dar relevância ao Marquês de Alorna e às suas unidades ligeiras, mas a criação dos Batalhões de Caçadores só se dá com a reorganização do exercito de 1808, ou seja, com Beresford. A grande maioria dos batalhões de caçadores criados na altura foram treinados por oficiais e (mais importante) sargentos Britânicos, alguns destes sargentos vão depois entrar para os quadros do exercito Porttuguês como oficiais (com o ordenado do oficial equivalente ao seu posto no exercito Britânico, o que até não era nada mau, porque a grande parte do seu soldo era paga pela “saint george cavalary” e não pelo estado Português, que assim ganhava militares experientes). Na prática os batalhões de caçadores Portugueses eram, mais coisa menos coisa, o equivalente directo dos “Rifles” Britânicos.

Abraços Spectral

ps- O doutoramento está a correr bem?
ps2- Pois o "Sharpe" e o "Harper"... Culpado, tenho a colecção toda  :D
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 27, 2007, 05:03:23 pm
esse livro da osprey por  acaso não são os tres volumes da [Osprey Publishing] - Men-at-Arms #358- The Portuguese Army of the Napoleonic Wars (1,2,3) [OCR]?
Título:
Enviado por: Sintra em Outubro 28, 2007, 12:19:21 pm
Citação de: "oxidus"
esse livro da osprey por  acaso não são os tres volumes da [Osprey Publishing] - Men-at-Arms #358- The Portuguese Army of the Napoleonic Wars (1,2,3) [OCR]?


Exacto  :wink:

O "Sharpe" é outra coisa, isto: http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Sh ... _character (http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Sharpe_(fictional_character))
http://www.bernardcornwell.net/index2.c ... seriesid=1 (http://www.bernardcornwell.net/index2.cfm?page=1&seriesid=1)
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 28, 2007, 01:13:56 pm
tenho o volume 2 e 3, mas ainda não consegui sacar o primeiro volume :evil:
Mas São excelentes livros que n haja duvida....
Título:
Enviado por: Benny em Outubro 31, 2007, 05:55:46 pm
Citação de: "Sintra"
Citação de: "oxidus"
esse livro da osprey por  acaso não são os tres volumes da [Osprey Publishing] - Men-at-Arms #358- The Portuguese Army of the Napoleonic Wars (1,2,3) [OCR]?

Exacto  :wink:

O "Sharpe" é outra coisa, isto: http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Sh ... _character (http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_Sharpe_(fictional_character))
http://www.bernardcornwell.net/index2.c ... seriesid=1 (http://www.bernardcornwell.net/index2.cfm?page=1&seriesid=1)


Os livros são de facto fantásticos - e já começaram a sair em Português e tudo!

E quem tem a série de televisão, com o Sean Bean?

Benny
Título:
Enviado por: oxidus em Outubro 31, 2007, 06:48:21 pm
Isso é uma serie ou um filme? é que em tempos passou na telvisão, mas parecia ser um filme.... :roll:
Título:
Enviado por: Benny em Outubro 31, 2007, 09:58:54 pm
Trata-se de uma série de meados dos anos 80 baseada na conhecida colecção de Bernard Cornwell.

Recentemente foi rodado um telefilme (muito fraco) que passou cá num canal de televisão. A série é bastante mais interessante.

Benny
Título:
Enviado por: FS em Novembro 07, 2007, 03:24:50 pm
Citação de: "Sintra"
Citação de: "oxidus"
e havia algum metodo diferente de recrutamento?pois se eram uma especie de "snipers" deveriam se escolhidos por suas habilidades com a arma, correcto?

 Essa era a teoria, na prática era com o material humano que estivesse disponivel na altura que se treinavam os "caçadores".



Por acaso ate havia diferença no recrutamento sendo que:

a) os primeiros batalhões de caçadores recrutavam preferencialmente caçadores (civis) e homens habituados a viver em montes e bravios (tras-os-montes, beira, minho, alto alentejo ???). Assim eram homens ja com alguma experiência em armas de fogo e sobrevivência.

b) pelos menos três dos batalhões (7, 8 e 9) foram criados a partir da real legião lusitana, a primeira forca de portuguesa treinada como tropas ligeiras no principio do seculo XIX.


Ja agora, apenas uma companhia de cada Batalhão de caçadores era de atiradores de elite.
Título:
Enviado por: FS em Novembro 07, 2007, 03:37:06 pm
Citação de: "papatango"
É evidente, que quando os ingleses compararam o exército português com os espanhóis, e especialmente com a dificuldade de coordenação que tinham com as tropas espanholas e ou com as milicias, eles achassem os portugueses mais eficientes.

Cumprimentos



A opinião dos Ingleses ao principio era que as tropas Portuguesas eram inferiores as das Inglesas. Mas com o desenrolar da guerra a opinião mudou.

No final da guerra peninsular os Ingleses consideravam as tropas Portuguesas tão boas como as Inglesas e ate melhores que as Francesas!

Wellington chamava as tropas Portuguesas: "My fighting coks"!
Na realidade as tropas Portuguesas estavam em tão alta estima com Wellington que por vezes estavam de guarda aos aquartelamento de Wellington. Para mais sabe-se que Wellington pediu 30.000 homens a Portugal para a Batalha de Waterloo, mas chegaram demasiado tarde (ou nem foram enviados).

Apesar de a Guerra Peninsular ter sido ganha com a ajuda dos Ingleses, nunca se esquecam que 1/3 a1/2 do exercito Inglês era Portugues!
Título:
Enviado por: FS em Novembro 07, 2007, 10:12:36 pm
Citação de: "oxidus"
pois...a tipica e rigoroza organização tuga  :wink:

Citação de: "spectral"
Isso acontecia em todos os exércitos da altura, portanto não há grandes razões para recriminações nacionais


Bem pelo contrario o sistema de recrutamento do exercito Português era inovador e extremamente organizado (especialmente para os estrangeiros, para nos já era tradição). Nos sec. XII e XIII foram criadas as ordenanças e as milícias (estes eram forcas de cariz militar que se juntavam provisoriamente para se treinarem sob a lideranca de um capitao mor em cada distrito/município) e de onde  era possivelmente recrutar homens para a infantaria de primeira linha (especialmente a partir das ordenanças), algo que não era vulgar na Europa. Na realidade esta tradição so acabou com o fim do serviço militar obrigatório a uns anos atrás! Assim em 1808 foi fácil juntar um exercito em poucos meses que continuou a crescer nos anos seguintes!

Vejam este link, publicado na revista do exercito:

http://www.revistamilitar.pt/modules/ar ... php?id=105 (http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=105)
Título:
Enviado por: Spectral em Novembro 10, 2007, 06:54:23 pm
Boas a todos, e desculpas pelas respostas muito atrasadas. Não tenho vindo a estas bandas muitas vezes...

sintra :

Citar
E já agora os "Rifles", aquando das campanhas de Wellington, como Salamanca, funcionavam como regimentos/independentes e não como companhias adstritas a um batalhão de infantaria de linha.

Eu queria dizer como companhias anexadas a cada brigada. Posso estar a lembrar-me mal of course, a minha fonte de qualquer maneira é o volume sobre Salamanca da Batalhas D'Portugal, que se encontra 1300km de distância...Lá tem uma bela orbat do exército aliado

Citar
Aquando das campanhas de wellington na Peninsula Ibérica, como Salamanca, os Regimentos/Batalhões de Green Jacket´s funcionavam precisamente como as nossas unidades de caçadores, ou seja um ou dois batalhões distribuidos por uma Brigada (ou mais tratando-se da "light Brigade"). De vez em quando, numa situação particular, as suas companhias podiam ser distribuidas como apoio a outros regimentos de linha, mas isso era pontual, um dia, uma batalha, ou até uma campanha, mas as companhias de "rifles" voltavam sempre ao regimento original.

Eu queria realçar a existência de unidades de infantaria ligeira no exército britânico, armadas de brown bess e trajadas de vermelho.

Como estes

http://www.lightinfantry.org.uk/regiments/obli/ox_index.htm

http://www.plasticsoldierreview.com/Review.asp?manu=HaT&code=8036

(links fracos eu sei) O meu point era que os nossos caçadores cumpriam as missões atribuídas a estes dois tipos de unidades.

Já agora, era comum por essa Europa fora a companhia da esquerda de formação do batalhão (a da direita eram os granadeiros) ser destacada em linha de escaramuça à frente da formação principal. Existem relatos da noss infantaria efectuar o mesmo, ou dependia exclusivamente nos caçadores ?


Citar
nossos historiadores militares (não é que existam muitos  )


A questão é ? Eles existem ?  :D

Citar
A grande maioria dos batalhões de caçadores criados na altura foram treinados por oficiais e (mais importante) sargentos Britânicos, alguns destes sargentos vão depois entrar para os quadros do exercito Porttuguês como oficiais (com o ordenado do oficial equivalente ao seu posto no exercito Britânico, o que até não era nada mau, porque a grande parte do seu soldo era paga pela “saint george cavalary” e não pelo estado Português, que assim ganhava militares experientes). Na prática os batalhões de caçadores Portugueses eram, mais coisa menos coisa, o equivalente directo dos “Rifles” Britânicos.

Concordo, só queria deixar claro que  não eram a única unidade de infantaria ligeira ou a usar espingardas estriadas na altura na Europa :D ) estudantil e da administraçao que tinha fugido para Inglaterra com a entrada dos Franceses :D

Citar
Para mais sabe-se que Wellington pediu 30.000 homens a Portugal para a Batalha de Waterloo, mas chegaram demasiado tarde (ou nem foram enviados).

A ideia que tenho é que a divisão criada para o efeito (não nos esqueçamos que desde a fuga de Elba até a Waterloo foram apenas 100 dias!) embarcou mais tarde para o Brasil, onde foi usada para tomar a "margem esquerda do Rio de Prata" : i.e. o Uruguai . O comandante era Carlos Lecor, um dos generais mais distintos da altura, e que ficou no Brasil com a proclamação da independência (como aconteceu a muita gente capaz da administração portuguesa de topo no Brasil ...)


Citar
Bem pelo contrario o sistema de recrutamento do exercito Português era inovador e extremamente organizado (especialmente para os estrangeiros, para nos já era tradição). Nos sec. XII e XIII foram criadas as ordenanças e as milícias (estes eram forcas de cariz militar que se juntavam provisoriamente para se treinarem sob a lideranca de um capitao mor em cada distrito/município) e de onde era possivelmente recrutar homens para a infantaria de primeira linha (especialmente a partir das ordenanças), algo que não era vulgar na Europa. Na realidade esta tradição so acabou com o fim do serviço militar obrigatório a uns anos atrás! Assim em 1808 foi fácil juntar um exercito em poucos meses que continuou a crescer nos anos seguintes!

Vejam este link, publicado na revista do exercito:

http://www.revistamilitar.pt/modules/ar ... php?id=105 (http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=105)

Artigo muito interessante, é sempre raro encontrar material português deste calibre (vejam a quantidade de notas de pesquisa!) sobre estes temas. Suponho que esta noção de SMO incipiente não fosse exclusiva a nós :penso que os camponeses russos estavam sujeitos a um sorteio, e algo semelhante as ordenanças existia em Espanha. Por outro lado, e voltando ao ponto inicial, tirando os bats de caçadores levantados nas tais áreas com predominância de caçadores e guardas-florestais o recrutamos para os Caç parece-me ser completamente indistinto. :)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Dezembro 13, 2007, 05:59:11 pm
PROGRAMA DAS COMEMORAÇÕES DOS 200 ANOS DA GUERRA PENINSULAR

http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... 20Comemora (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/compinfo/Programa%20Comemora)ções%20200%20Anos%20Guerra%20Peninsular.pdf
Título:
Enviado por: Diogo Ventura em Janeiro 08, 2008, 06:59:29 pm
REVISTA "ALENTEJO TERRA MÃE", NATAL 2007, Janeiro-Fevereiro 2008 (saída em 20 de Dezembro de 2007) (DEVERÁ SER DISTRIBUÍDA EM BREVE COM O DIÁRIO DE NOTÍCIAS)
 REVISTA "ALENTEJO TERRA MÃE", NATAL 2007, Janeiro-Fevereiro 2008 (saída em 20 de Dezembro de 2007)
A NOSSA HISTÓRIA


O ESCRIVÃO DE BORDO QUE ‘DESCOBRIU’ A “VOLTA DA GUINÉ”

Aires Tinoco, natural da então portuguesa e alentejana comarca de Olivença, partiu na caravela de Nuno Tristão, como escrivão de bordo, para explorar a costa da Guiné em 1446. Tendo o comandante e quase toda a tripulação sido dizimados pelos indígenas, Tinoco fez-se ao mar e conseguiu atingir a costa portuguesa ao fim de dois meses no mar, sem avistar terra, pela rota que passou a designar-se "Volta da Guiné"
(TEXTO DA ARQUITECTA Maria Antónia Goes, do ALVITO, nova directora da Revista)

_________________
   Foram muitos os alentejanos que contribuiram para a História dos Descobrimentos Marítimos e que ficaram no anonimato. Aires Tinoco seria um deles, se não tivesse realizado um feito excepcional.
   Natural da então portuguesa e alentejana comarca de Olivença (ver caixa na página 21), Tinoco partiu na caravela de Nuno Tristão, como simples escrivão de bordo, com o fim de explorar a costa da Guiná em 1446. Não era a primeira vez que Nuno Tristão realizava aquele trabalho, era a quarta viagem do grande navegador que, a mando do Infante D. Henrique, desbravava a faixa costeira entre o Cabo Branco, que ele próprio descobrira em 1441, e o Rio Gâmbia.
   Capitaneando uma caravela com 30 homens a bordo, Nuno Tristão passou ao largo do Cabo Verde que Dinis Dias tinha descoberto em 1444 e, navegando para o Sul, deu com a embucadura de um rio que se pensa ser o Gâmbia, posto que há discordência entre vários historiadores.
   Fundearam a caravela e, em dois pequenos batéis, avançaram pelo rio acima. O barel de Nuno Tristão foi logo seriamente atacado pelos indígenas que, com setas envenenadas, dizimaram completamente a tripulação, incluindo o comendante. Os outros tentaram atingir o navio, salvando-se apenas cinco homens "um grumete, assaz pouco avisado na arte de marear e um moço da cânara do Infante que se chamava Aires Tinoco, que ia por escrivão, e um moço guinéu que fora filhado com primeiros que filharam em aquela terra, e outros dous moços assaz pequenos que viviam com alguns daqueles escudeiros que ali faleceram", segundo o cronista Gomes Eanes de Azurara.
   Sem escolta, decidiu-se Aires Tinoco, com os seus parcos conhecimentos de navegação que, certamente, não iam para além da observação, fazer-se ao mar e tentar atingir a costa portuguesa, o que conseguiu ao fim de dois meses no mar, sem avistar terra.
   Diz Gomes Eanes de Azurara, na "Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné": "Ó grande e supremo socro de todos os desamparados (...), onde bem mostraste que ouvias suas preces quando em tão breve lhe enviaste tua celestial ajuda, dando esforço e engenho a um tão pequeno moço, nado e criado em Olivença, que é uma vila do sertão mui afastada do mar, o qual, avisado por graça divinal, encaminhou o navio, mandando ao grumete que directamente seguisse o norte (...), por que ali entendia ele que jazia o Reino de Portugal (...).
   (...) Este moço que disse era aquele Aires Tinoco (...), no qual Deus pôs tanta graça que por dois meses continuados encaminhou a viagem daquele navio(...); ao fim dos quais cobraram vistas de uma fusta (...) sobreveio em eles uma nova ledice, e muito mais quando lhes foi dito que estavam na costa de Portugal, a través de um lugar do mestrado de Santiago, que se chana Sines. E assim chegaram a Lagos, donde se foram ao contar-lhe o forte acontecimento da sua viagem, apresentando-lhe a multidão de flechas com que seus parceiros morreram(...)..."
   Para além dos documentos que permitem conservar as descrções da viagem de Nuno Tristão, conseguiu-se cmprovar a possibilidade de retornar da Guiné por mar alto, sem rerra à vista, na rota que passou a designar-se "Volta da Guiné"(ver caixa em baixo).
   Efectivamente a corrente das Canárias e os alísios do Nordeste não permitiam que, na viagem de regresso a Portugal, as caravelas seguissem ao longo da costa precisando sempre de navegar à bolina, contra o vento.
   A volta da Guiné ou da Mina, afastando-se da costa, penetrando ao largo do Oceano Atlêntico, começou a ser comum, levando os navegadores a escalar os Açores, que se tornaram o maior ponto de apoio.
   Pelo seu feito, Aires Tinoco foi agaraciado com terras em Elvas, na sua Olivença natal, onde lhe for atribuído o Monte do Barroco (Velho) junto à aldeia de São Jorge de Alôr, e ainda em Estremoz, onde, além do almoxarifado, recebeu casas e terras.
   Foi ainda escrivão do Infante D. Henrique. Em 1475, vivia ainda, ao que parece em Estremoz. É referido em vários documentos como pessoa estimada e merecedora do adjectivo de heróica, pelo seu feito.

(CAIXA)
OLIVENÇA É PORTUGUESA...
(mapa do Alto Alentejo, com a região de Olivença incluída, em cor alaranjada)
   Olivença deixou de ser portuguesa em 1801, quando foi tomada pelos espanhóis numa invasão fronteiriça que ficou conhecida como a Guerra das Laranjas. Incitados por Napoleão que queria acabar com a aliança anglo-portuguesa, os espanhóis penetraram n Alentejo, ocupando, sem resistência, e em apenas 18 dias, Olivença, Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, e Ouguela. D. Manuel Godoy, chefe do Governo espanhol e comandante das forças invasoras, do rei Carlos IV, (pai de D. Carlota Joaquina, portanto sogro do então Príncipe Regente de Portugal D. João, futuro D. João VI), mandou um belo ramo de laranjeira portuguesa à rainha Maria Luísa com quem mantinha uma relação swcandalosa, de conhecimento público, com a mensagem - Eu careço de tudo, mas sem nada irei para Lisboa.
   O Congresso de Viena, em 1815, depois da queda de Napoleão, tentando repor a ordem na Europa, aceitou como justa a reclamação do enviado de Portugal, o Conde de Palmela e condenu a Espanha a devolver Olivença, mas a Aspanha nunca cumpriu.

(GRAVURA COM TEXTO, represenrando Laranjas; o texto: " Aires Tinoco era narural da então portuguesa e alentejana comarca de Olivença, que só deixou de ser portuguesa em 1801 quando foi tomada pelos espanhóis numa invasão fronteiriça que ficou conhecida como a Guerra das Larenjas")

(CRONOLOGIA, tendo como fundo ema caravela que ocupa uma página:"- 1434 /Gil Eanes dobra o Cabo Bojador: -1441/Viagem ao Cabo Branco em que Gonçalo Afonso acompanha Nuno tristão; -12444/Dinis Dias descobre o Cabo Verde e a ilha de Palma; -1445/Álvaro Fernandes ultrapassa o Cabo Verde; -1446/Realizam-se três expedições à Guiné. Sendo uma delas aquela em que Nuno Tristão morre e o seu escrivão de bordo, Aires Tinoco, vê-se obrigado a fazer-se ao mar para tentar regressar a Portugal. O que consegue dois meses depois, navegando à bolina por mar alto, sem terra à vista, na rota que passou a designar-se "Volta da Guiné"")

(GRAVURA COM TEXTO, representando uma nota de cem escudos; o texto: "NUNO TRISTÃO. Este navegador português do século XV, foi o primeiro europeu que se sabe ter atingido o território da actual Guiná Bissau, iniciando entre os portugueses e os povos daquela região um relacionamento comercial e colonial que se prolongaria até 1974.")

(CAIXA
A VOLTA PELO LARGO E A NAVEGAÇÃO ASTRONÓMICA
(GRAVURA DE UM MAPA ENTIGO DA ÉFRICA OCIDENTAL E GOLFO DA GUINÉ)
" Não há hoje dúvidas de que, por algum momento entre 1435 e 1440, os navegadores portugueses se viram confrontados com as limitações da arte de navegar mediterrânica para a resolução dos problemas que lhes colocava a navegação oceânica. Esta técnica, cimentada nos séculos XIII e XIV, resolvia os problemas de quem navegava junto à costa, num mar fechado e, sobretudo nop sentido longitudinal. O recurso à agulha de marear e às cartas-portulano servia perfeitamente, porque, estando as segundas desenhadas de acordo com os rumos magnéticos indicados pela agulha, não se verificavam distorções de monta em rumos que tinham uma pequena extensão no sentidoSul-Norte. Por outro lado ainda, e como expressão do conhecimento dos navegadores mediterrânicos, as cartas mostravam as áreas de navegação que os navios e narinheiros conheciam para além do Mediterrâneo: não só a costa ocidental da Europa ,mas também a costa africana atlântica, conhecida e navegada com regularidade até às Canárias d

esde, no mínimo, os inícios do século XIV. Aos navegadores portugueses puseram-se depois dois problemas distintos. O primeiro consistiu na navegação em mar alto. A progressão ao longo da costa africana fazia-se sem dificuldades a partir da costa portuguesa, beneficiando de ventos e correntes favoráveis. Quanto mais se progredia para o Sul, porém, maior era a dificuldade de retorno, que se fazia contra as condições físicas de navegação. Para os pequenos navios, como a barca e a caravela, que se empregaram a início, o retorno a Portugal junto à costa tornava-se cada vez mais penoso. A partir de um momento que se pode hoje situar nas daras indicadas, os navegadores portugueses viram-se obrigados a fazer a chamada "volta pelo largo", ou seja, a internarem-se no mar alto para contornar os ventos que sopravam constantemente no sentido aproximado Norte-Sul junto à costa africana. Essa manobra só podia ser feita recorrendo ao cálculo de pelo menos uma coordenada, a latitude, para o
q
ue se impunha a observação comparada das alturas dos astros. A novidade não consistiu nesta observação, conhecida e praticada havia muito, mas no facto de ter sido feita a bordo e dela se obtar a posição do navio no alto mar, deixando o cálculo da longitude à perícia dos pilotos, já que só a puderam determinar com rigor quando o quaro protótipo do cronómetro de John Harrison provou a sua suficiência, no decurso do terceiro quartel do século XVIII."
(Francisco Contente Domingues, Professor de História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
 

Textos gentilmente cedidos por Dr. Carlos Luna   carlosluna@iol.pt
   
 :cry:
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Fevereiro 13, 2008, 10:39:14 pm
(http://img232.imageshack.us/img232/9538/galruizgallardonbicentepm7.jpg)

(http://img232.imageshack.us/img232/6451/galruizgallardonbicentend1.jpg)

(http://img232.imageshack.us/img232/9347/galruizgallardonbicentebp1.jpg)

(http://img232.imageshack.us/img232/4065/galruizgallardonbicentenp3.jpg)

Fonte: http://www.munimadrid.es/ (http://www.munimadrid.es/)


(http://img142.imageshack.us/img142/1589/20080212bicentguerrindewe1.jpg)

(http://img142.imageshack.us/img142/1157/20080212bicentguerrindegb9.jpg)

(http://img142.imageshack.us/img142/3840/20080212bicentguerrindehc2.jpg)

(http://img142.imageshack.us/img142/2415/20080212bicenterariodesot3.jpg)

(http://img142.imageshack.us/img142/9837/20080212bicentguerrindeqy4.jpg)

(http://img142.imageshack.us/img142/5065/20080212bicentguerrindedr0.jpg)

Fonte: http://www.mde.es/NotasPrensa?id_nodo=4 ... _nota=1601 (http://www.mde.es/NotasPrensa?id_nodo=4072&accion=1&id_nota=1601)
Título:
Enviado por: ricardonunes em Fevereiro 13, 2008, 11:41:05 pm
Mais um projector, para se poder ver esta página :?
Título:
Enviado por: Benny em Fevereiro 14, 2008, 09:08:15 am
Aí está uma cerimónia simpática entre antigos inimigos.

Benny
Título:
Enviado por: Lancero em Fevereiro 14, 2008, 11:30:56 am
(http://i192.photobucket.com/albums/z212/lancero2007a/fevereiro/4ab6f56d.jpg)

(http://i192.photobucket.com/albums/z212/lancero2007a/fevereiro/d2338bb5.jpg)
Título:
Enviado por: Lusitanus em Fevereiro 14, 2008, 12:17:05 pm
Gosto mais desta ultima  :lol: parece que estão a mudar de dominio.
Sinceramente não sei o que é que o ... do Severiano estava lá a fazer.
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Fevereiro 14, 2008, 12:50:23 pm
Estás a falar do nosso ministro da Defesa, um pouco de tino não lhe fazia mal.
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Fevereiro 14, 2008, 02:56:55 pm
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Estás a falar do nosso ministro da Defesa, um pouco de tino não lhe fazia mal.


É porque o Sr. proibiu a participação do Exército nas cerimónias do regicídio, se tivesse autorizado era logo apelidado de "Sr. Prof. Doutor Nuno Severiano Teixeira" e davam-lhe uma comenda "fantasma" de São Miguel da Ala ou da N.ª Sr.ª da Conceição de Vila Viçosa. c34x
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Fevereiro 14, 2008, 02:58:22 pm
Eu sou monárquico, mas não ando para aí a chamar nomes às pessoas sem mais nem menos, é uma questão de educação, mais nada.
Título:
Enviado por: quintanova em Março 12, 2008, 10:18:13 am
No domínio da infantaria ligeira no Exército Português, desde 1797 que a Legião de Tropas Ligeiras, ou Legião do Alorna como era popularmente conhecida, conduzia uma experiência inovadora, constituída das 3 armas, com objectivos de projectar força rapidamente para qualquer parte do território nacional.
Acessoriamente, e por esse mesmo ano, foi criada uma companhia de caçadores por cada regimento de linha.

Na reforma de 1806, estava já planeada a criação de batalhões de caçadores (penso que 6), ao que nunca se procedeu, mais não seja porque fomos ocupados militarmente pelos Franceses e o nosso exército desmembrado.

A nível europeu, o conceito de infantaria ligeira como o conhecemos desenvolveu-se desde 1740, na Austria.
Título:
Enviado por: Benny em Março 13, 2008, 02:36:12 pm
Interessante.

Quer falar um pouco mais sobre o que sucedeu por volta de 1740 na Áustria, caro quintanova?

Benny
Título:
Enviado por: quintanova em Março 13, 2008, 04:34:57 pm
Caro Benny,

Tem a ver com uma das primeiras, se não a primeira aparição, das chamadas tropas ligeiras no contexto do século XVIII. Segundo Mark Chappel:

“To face the earliest of Frederick’s incursions the Austrians summoned ‘the Transylvanians, Croates, and other irregular and undisciplined corps, - Marshal Saxe appointed Uhlans, and regiments were then raised – called Light Troops’.” (pp.5-6 - Mike Chappel (2004) Wellington’s Peninsula Regiments (2) – The Light Infantry, Osprey – Men-at-Arm n.º 400)

Aqui temos o Imperador Frederico da Prússia, de certo modo o fundador dos principios da guerra como ela foi combatida até dentro do século XIX (primado da ordem unida para optimização do poder de fogo), e a utilização de irregulares em ordem dispersa, com profundo conhecimento do terreno e com hábitos civis úteis à guerra. É Lippe quem introduz os princípios de Frederico no Exército Português com o atraso normal de 20 anos (nada mau para a altura).

Claro que esta manifestação foi esporádica, fruto da conjectura militar, mas começou a fermentar desde logo nas mentes militares teóricas a devida utilização táctica das tropas ligeiras, em ordem dispersa ou escaramuça, em conjunção com as unidades de linha.

As tropas ligeiras vão-se consolidando ao longo do século, mas é só no seu final, ao início das guerras napoleónicas, que a infantaria ligeira ganha consistência, não só devido a um aumento do poder de fogo, que pedia uma infantaria mais flexível que protegesse a de Linha e oferecesse uma mais valia, mas também os novos conceitos de soldado-cidadão, que nascem da Revolução Francesa.

Eu tenho prestado atenção a esta forte mudança social dos finais do século XVIII, e principalmente a sua manifestação no Exército Português.

Num Exército Português de cariz fortemente aristocrático (poderiamos até chamar-lhe o último reduto da Nobreza), em que era quase impossível passar-se de capitão, em 1796 alguns jovens oficiais (nobres diga-se), como Gomes Freire de Andrade e o Pedro de Almeida Portugal investem na criação da Legião das Tropas Ligeiras e na instalação de uma companhia de caçadores em cada regimento de linha.
A experiência foi permitida, mas um Exército reaccionário e envelhecido (em corpo e em ideias) não permitiu que ganhasse frutos.

A Invasão Francesa acorda-nos da pior forma, e em 1808 estabelecem-se os primeiros batalhões de Caçadores (que deviam estar de pé desde 1806).

Peço desculpa pelo formato algo ensaístico, mas teve que ser assim...
Título:
Enviado por: quintanova em Março 13, 2008, 04:42:57 pm
O autor David Martelo é que editou um livro interessante, Os Caçadores - Os Galos de Combate do Exército de Wellington (Ed. Tribuna) que traça um historial da infantaria ligeira.
Na minha opinião, haveria muito mais a dizer e talvez desse um livro bem mais elaborado, mas mais vale um livro que nada.

David Martelo aponta, e muito bem, que desde sempre houve infantaria ligeira, com, entre outros, o exemplo do Vélites romanos que tomavam, muito à semelhança das guerras napoleónicas, a dianteira da linha e 'escaramuçavam' o inimigo, flagelando a linha adversária.

Em 1800, mais do que isso, e com o fumo das armas disparadas, criavam um 'screen' de fumo que impedia o inimigo de perceber as movimentações.
Alguns testemunhos indicam que o soldado de infantaria ligeira, no calor do combate, não conseguia ver o colega do lado (acho que os ingleses combatiam com os chamados binómios).
Título:
Enviado por: Benny em Março 13, 2008, 05:17:02 pm
Muito obrigado. O meu pouco conhecimento sobre a infantaria ligeira está limitado à era Napoleónica e à Guerra de Independência Norte-Americana.

Sobre este tema posso recomendar este livro de um conhecido e brilhante autor:

http://www.amazon.com/Rifles-Mark-Urban/dp/0571216811 (http://www.amazon.com/Rifles-Mark-Urban/dp/0571216811)


Cumpts,

Benny
Título:
Enviado por: quintanova em Março 13, 2008, 06:39:55 pm
Parece interessante, mas fala da experiência norte-americana da Guerra da Independência? Nessa guerra, os ingleses viram-se na ponta errada do poderio da infantaria ligeira, e é daí que os Rifles se desenvolvem para chegar às Guerras Napoleónicas.

Confesso que anda um pouco farto das fontes inglesas, normalmente condescendentes e paternalistas.
Título: Luz Soriano
Enviado por: quintanova em Março 13, 2008, 06:44:21 pm
A quem interessar e não souber,

Na Biblioteca Nacional Digital pode-se encontrar digitalizado a seguinte obra, uma das fundamentais, acerca da Guerra Peninsular:

Luz Soriano, História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal comprehendendo a história diplomática militar e política d'este reino desde 1777 até 1834, Lisboa, 1866-1890

http://purl.pt/12103 (http://purl.pt/12103)
Título:
Enviado por: Lancero em Março 14, 2008, 03:11:00 pm
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Brasil/Corte: Jaime Gama considera guerra peninsular base de reflexão para segurança e defesa actuais  



    Lisboa, 14 de Mar (Lusa) - A Guerra Peninsular é uma referência para a actual discussão nacional sobre a defesa e a segurança em Portugal, afirmou hoje o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.  

 

     "￾ um período da nossa história, particularmente sensível, enquanto centro de reflexão para aquilo que deve ser um verdadeiro conceito de segurança e defesa para o nosso país, que ainda vale na actualidade", afirmou Jaime Gama, hoje no Parlamento, na sessão de abertura da conferência "Guerra Peninsular, Soberanias Atlƒnticas, Novas Instituições".    

 

    A Guerra Peninsular ocorreu no início do séc. XIX, na sequência das invasões francesas na Península Ibérica ordenadas por Napoleão Bonaparte.

 

 

    Na sessão de abertura desta conferência, que se insere nas comemorações da chegada da família real e da Corte portuguesa ao Brasil, esteve presente o presidente da Cƒmara de Deputados daquele país, Arlindo Chinaglia, que acentuou a importƒncia desta deslocação na evolução do Brasil.  

 

    "A sua importƒncia para o Brasil é tanta que não se distingue da emancipação política do país, com consequências importantes no seu desenvolvimento económico, social e político", declarou.  

 

    Para o político brasileiro, "foi inédita a atitude de um soberano europeu rumo a uma distante colónia para instalar a sua corte. O feito permitiu a realização de grande significado para o brasil".    

 

    A reflexão sobre este período, segundo afirmou Jaime Gama, é uma forma de saber "se mais desejamos viver na época de hoje ou ter vivido nesta época gloriosa sobre a qual agora nos debruçamos".  

 

    Na conferência "Guerra Peninsular, Soberanias Atlƒnticas, Novas Instituições" estão previstos vários debates com personalidades académicas portuguesas e brasileiras, discutindo as implicações e as consequências globais da revolução francesa e da independência dos Estados Unidos.  

 

    Esta iniciativa foi organizada conjuntamente pela Assembleia da República de Portugal e pela Cƒmara de Deputados do Brasil, no ƒmbito das comemorações do 200 anos da chegada da Corte portuguesa e de D. João ao Brasil.  

 

    Sobre a mesma temática, terá lugar uma conferência nos próximos dias 5 e 6 de Maio, em Brasília, com a participação de deputados portugueses e brasileiros.    
Título:
Enviado por: HELLAS em Março 24, 2008, 01:34:38 pm
Desculpen se esto ja foi deixado ca, mas estaba a navegar que pensei que podia ser interesante.

http://www.youtube.com/watch?v=1Q-EIWN1OHM (http://www.youtube.com/watch?v=1Q-EIWN1OHM)

http://www.youtube.com/watch?v=tg0zCdSq ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=tg0zCdSqzL0&feature=related)
http://www.youtube.com/watch?v=dztp44Mh ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=dztp44MhUu0&feature=related)
http://www.youtube.com/watch?v=y-Pmfmeq ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=y-PmfmeqTSg&feature=related)

http://www.youtube.com/watch?v=c3jY7TXR ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=c3jY7TXRNqw&feature=related)

http://www.youtube.com/watch?v=z-PUcjBo ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=z-PUcjBomJM&feature=related)
http://www.youtube.com/watch?v=ZjU795SR ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=ZjU795SRBXc&feature=related)
http://www.youtube.com/watch?v=72EaVvk8 ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=72EaVvk8P7c&feature=related)

Quando vejan esto, vai a puder ver outras ligaçoes, pois é una locura deixar tudas ca.
Título:
Enviado por: Lancero em Abril 01, 2008, 10:20:43 pm
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Defesa: Jaime Gama participa nas cerimónias do Bicentenário da Guerra Peninsular e Construção das Linhas de Torres    

 

    Lisboa, 1 Abr (Lusa) - O Presidente da Assembleia da República, Jaime  Gama, e o presidente da Comissão Parlamentar de Defesa, Miranda Calha, participam  quarta-feira nas cerimónias comemorativas do bicentenário da Guerra Peninsular  e da Construção das Linhas de Torres, em  Torres vedras.  

 

   Após as Honras Militares, cerca das 10:30, a prestar ao Presidente da  Assembleia da República, Jaime Gama acompanha os membros da Comissão de  Defesa numa visita ao forte de São Vicente, onde será descerrada uma lápide  evocativa da efeméride.    

 

   Na cerimónia usarão da palavra o Chefe de Estado Maior do Exército,  José Luís Pinto Ramalho, o Presidente da Comissão Parlamentar de Defesa,  Miranda Calha, o Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos  Manuel Soares Miguel, e o Presidente da Assembleia da República.  

 

   A Guerra Peninsular, entre 1807 e 1814, teve uma sequência de acontecimentos  que envolveram a península Ibérica e que remontam à Campanha do Rossilhão  (1793-95), quando tropas portuguesas reforçam as castelhanas, integrando  a primeira aliança liderada pela Inglaterra contra a França revolucionária.  

 

   Após a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder (1799), a Espanha alia-se  à França para, por meio da invasão e da divisão de Portugal entre estes,  atingir indirectamente os interesses comerciais do Reino Unido e Irlanda  do Norte (Guerra das Laranjas, 1801).  

 

    Em Agosto de 1807, enquanto Napoleão faz concentrar tropas em Baiona  para a invasão de Portugal, os representantes da França e Espanha em Lisboa  entregaram ao príncipe regente de Portugal, D. João, as suas exigências:  Portugal teria que se juntar no bloqueio continental que a França decretara  contra a Inglaterra, fechar os seus portos à navegação britânica, declarar  guerra aos ingleses, sequestrar os seus bens em Portugal, e prender todos  os ingleses residentes.  

 

   Nas Linhas de Torres, o exército anglo-português, com participação de  milícias populares, sob comando do Duque de Wellington, derrotou e explusou  do país as tropas napoleónicas.  
Título:
Enviado por: HELLAS em Abril 01, 2008, 10:54:37 pm
Citação de: "Lancero"
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Defesa: Jaime Gama participa nas cerimónias do Bicentenário da Guerra Peninsular e Construção das Linhas de Torres    

 

    Lisboa, 1 Abr (Lusa) - O Presidente da Assembleia da República, Jaime  Gama, e o presidente da Comissão Parlamentar de Defesa, Miranda Calha, participam  quarta-feira nas cerimónias comemorativas do bicentenário da Guerra Peninsular  e da Construção das Linhas de Torres, em  Torres vedras.  

 

   Após as Honras Militares, cerca das 10:30, a prestar ao Presidente da  Assembleia da República, Jaime Gama acompanha os membros da Comissão de  Defesa numa visita ao forte de São Vicente, onde será descerrada uma lápide  evocativa da efeméride.    

 

   Na cerimónia usarão da palavra o Chefe de Estado Maior do Exército,  José Luís Pinto Ramalho, o Presidente da Comissão Parlamentar de Defesa,  Miranda Calha, o Presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos  Manuel Soares Miguel, e o Presidente da Assembleia da República.  

 

   A Guerra Peninsular, entre 1807 e 1814, teve uma sequência de acontecimentos  que envolveram a península Ibérica e que remontam à Campanha do Rossilhão  (1793-95), quando tropas portuguesas reforçam as castelhanas, integrando  a primeira aliança liderada pela Inglaterra contra a França revolucionária.  

 

   Após a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder (1799), a Espanha alia-se  à França para, por meio da invasão e da divisão de Portugal entre estes,  atingir indirectamente os interesses comerciais do Reino Unido e Irlanda  do Norte (Guerra das Laranjas, 1801).  

 

    Em Agosto de 1807, enquanto Napoleão faz concentrar tropas em Baiona  para a invasão de Portugal, os representantes da França e Espanha em Lisboa  entregaram ao príncipe regente de Portugal, D. João, as suas exigências:  Portugal teria que se juntar no bloqueio continental que a França decretara  contra a Inglaterra, fechar os seus portos à navegação britânica, declarar  guerra aos ingleses, sequestrar os seus bens em Portugal, e prender todos  os ingleses residentes.  

 

   Nas Linhas de Torres, o exército anglo-português, com participação de  milícias populares, sob comando do Duque de Wellington, derrotou e explusou  do país as tropas napoleónicas.  


Quero precisar,que quem realmente queria partir Portugal porque Napoleao prometiu meia Portugal como reino foi una personagem lamentavel que ninguem queria ca, e que terminou mal tambem ca. Ele nao queria ganhar terras para Espanha, ele queria isso para ele, e vendiu Espanha a Napoleao por isso. Se Espanha valia pouco para ele, Portugal ainda menos, assim que com una personagem assim nada bom podemos esperar.Godoy nao gostamos nem voces nem nos, assim que nao façam como se os espanhois gostaramos daquelo, pois foi una vergonha.
Título:
Enviado por: quintanova em Maio 12, 2008, 10:12:55 pm
No final da Guerra Peninsular o Exército Português de Operações retornou a Portugal, tendo cá chegado em finais de Agosto de 1814 (provavelmente no dia 25). Uma testemunha, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 5.º Marquês de Fronteira, então com 12 anos de idade, deixou escrito o seguinte:

"A entrada dos corpos foi brilhantissima. Recordo-me de vêr entrar os Regimentos de Cavallaria n.º 1 e n.º 4, commandado este pelo bravo Conde de Penafiel que, apesar da sua grande fortuna e independencia, fez todas as campanhas da Guerra peninsular, os Regimentos de Infanteria n.ºs 1, 4, 13 e 16, sendo o 13 commandado pelo jovem João Carlos de Saldanha, hoje Duque de Saldanha, que apenas tinha vinte e quatro annos, e um numeroso parque de artilharia. Á frente d'esta brilhante columna vinha o General Lecor seguido d'um bello Estado Maior e de muitos officiaes superiores que, tendo feito a Guerra peninsular, mas não estando nos seus corpos, se agregaram ao Estado Maior para gozarem, e com justiça, das honras d'aquelle dia.
Foi por esta occasião que vi, pela primeira vez, o General Luiz do Rego que tanta gloria adquiriu durante a guerra. Estava na força da edade e tinha o ar marcial que sempre o caracterizou. Foi saudado pelos habitantes de Lisboa com grande enthusiasmo.
Os corpos mal tinham espaço para desfilar por secções, porque o povo era tanto que, a todos os momentos, interrompia a marcha. Vi os porta-machados do Regimento 4 e uma parte da companhia de granadeiros, levados em triumpho nos braços do povo, quando passavam pela frente do palacio onde estavam os Governadores do Reino, numa das varandas".


fonte: Memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto (v. 1), Coimbra: Imprensa da Universidade, 1926 (1861) - pp.131-132.

Noutro sítio, http://www.somosportugueses.com/mch/modules/icontent/index.php?page=489, levantado pelo Prof. Mendo Castro Henriques, pode-se ler também o testemunho de Manuel José Maria da Costa e Sá, do qual destaco duas pequenas histórias deste ajuntamento, ao mesmo tempo as maiores do mundo para quem as viveu e para quem as lê hoje:

"Uma Velha de maior idade, dirige-se ao Rossio, ali pergunta por dois Filhos, que parece tinha no Regimento N.° l de Infantaria, sabe que são ambos mortos, e com uma energia verdadeiramente expressiva levanta as mãos aos Céus, “Bendito sejais DEOS. Pai meu, (diz), que mos concedeste para acabarem no seu Serviço, e no do meu Príncipe”: e mudança alguma mais se lhe observa: a outra, um Soldado que se apresenta, ao passar o Regimento N.° l de Infantaria, sem uma perna perdida em combate; "este" diz hum Indivíduo dos circunstantes, "mostra ter encarado os Inimigos", “Sim Senhor..”, responde ele, “…mas fiquei impossibilitado de o poder encarar muitas vezes, pois perdi esta perna no principio da Campanha, e fiquei inútil, e não pude colher bastante gloria, paciência”, dizia lacrimejando, “mas ainda encostado a um muro, como tenho os braços sãos, posso mostrar que sou Português” (...)".
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Maio 13, 2008, 04:33:11 pm
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Jacinto Correia e a Subversão Popular de 1808

Lugar de Atouguia, Gorcinhos – Mafra, finais de Janeiro de 1808: ao final da manhã, o jornaleiro Jacinto Correia, habitante da área, de 46 anos,
casado e com filhos, dirige-se, como habitualmente, para casa com o produto do seu trabalho. No caminho, é abordado bruscamente por dois
soldados franceses que o pretendem roubar. Jacinto  Correia não teme e não cede, segue-se uma violenta luta entre os três homens. O jornaleiro saloio, homem de rija têmpera e habituado ao trabalho duro do campo, habilmente e com raiva, brande a foice roçadora que transporta e golpeia mortalmente os dois soldados que o atacaram.

Em pouco tempo, uma força militar francesa detém Jacinto Correia, que é presente a tribunal e julgado num Conselho de Guerra.

Apesar de algumas autoridades locais tentarem o perdão do jornaleiro, o Tribunal empurrou o processo para uma incriminação do réu, que impunha
punir exemplarmente.

Em determinada altura do julgamento, porque o jornaleiro apresentava uma atitude de serenidade e desafio, foi-lhe perguntado por Loison, “se o
arrependimento já tinha exercido algum efeito no seu espírito”. A resposta, tão convicta como desconcertante, “se todos os Portugueses fossem como eu, não ficaria um francês vivo”, enraiveceu a normal cólera de Loison.

(...)


 :arrow: http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... orreia.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/JE/Jacinto%20Correia.pdf)
Título:
Enviado por: quintanova em Maio 16, 2008, 10:00:21 am
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Presidente nos 200 Anos da Ordem da Torre e Espada

    O Presidente da República presidiu, na Sede da Liga dos Combatentes, em Lisboa, à Cerimónia Comemorativa dos 200 Anos da Ordem da Torre e Espada, tendo proferido uma intervenção.

    Na ocasião, o Presidente Cavaco Silva entregou diplomas de Sócios honorários da Liga dos Combatentes aos onze condecorados com a Ordem da Torre e Espada.

    Depois de ter visitado uma Exposição alusiva à mais alta condecoração militar portuguesa, o Presidente participou na cerimónia do lançamento do Selo comemorativo dos 200 Anos da Ordem da Torre e Espada.


http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=16017 (http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=16017)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Maio 16, 2008, 01:26:43 pm
Ja agora uma questao de pormenor, a Banda das Tres Ordens (Cristo, Avis, Sant'iago), nao pode/deve ser considerada como a mais alta condecoracao portuguesa? Ou deve apenas ser considerada como insignia privativa (e exclusiva) do Chefe de Estado Portugues?
Título:
Enviado por: quintanova em Maio 18, 2008, 06:32:02 pm
A banda das três ordens é a mais alta ordem portuguesa, sem dúvida, mais não seja porque é detida pelo grão-mestre de todas as ordens, mas a Torre e Espada é a mais alta dada por feitos em campanha, sendo a segunda mais alta no geral e a mais alta (no sentido em que qualquer cidadão a pode receber pelo mérito e não pelo cargo).
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Maio 21, 2008, 12:29:46 am
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A 1ª Invasão Francesa:
porque não se lutou desde a primeira hora?

Tenente‑Coronel PilAv João José Brandão Ferreira*
* Sócio Efectivo da Revista Militar.
 
“A teus pés, fundador da monarquia
vai ser a lusa gente desarmada!
Hoje cede à traição a forte espada
Que jamais se rendeu à valentia!”
Início do soneto declamado pelo autor,
Capitão de Cavalaria Luís Paulino de Oliveira Pinto
da França, junto ao túmulo de D. Afonso Henriques,
na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, em 1807,
após a primeira Invasão Francesa.
 
As invasões francesas foram um facto histórico maior, na história de Portugal, do qual deixámos de guardar memória e nem sequer temos como povo, nem sequer a nível das elites, verdadeira consciência das consequências que tais invasões tiveram e que se repercutem até aos dias de hoje. Sim, até aos dias de hoje!
 
As consequências não foram “apenas” materiais e sociais, foram doutri­nárias e sobretudo políticas.
 
Na parte social, as perdas humanas foram enormes e nunca ao certo contabilizadas. Estima‑se que cerca de 10% da população tenha perecido não só pela acção inimiga como também pela doença, pela fome e pelo frio. Seriam cerca de 300 000 compatriotas nossos, um número inimaginável nos dias de hoje, mesmo tendo em conta que hoje somos quatro vezes mais …
 
No mais o país ficou arrasado: a agricultura e a pecuária destruídas; os campos talados; os monumentos roubados; igrejas profanadas; cidades, vilas e aldeias incendiadas; território ermado; pontes e outras “obras de arte”, destruídas; população esbulhada e deslocada (estima‑se que atrás das Linhas de Torres se aglomeraram cerca de 600 000 pessoas!), todas as actividades produtivas desarticuladas.
 
No campo doutrinário, inoculou‑se a nação com ideias estranhas à sua matriz portuguesa, não se conseguindo ou querido, disseminá‑las de um modo progressivo e adequado. A imposição de tais ideias, a maioria oriundas da revolução francesa, dividiu a família real, a corte, as forças armadas e toda a nação, dando origem a divisões políticas profundas que ainda se entre­chocam nos dias de hoje. A consequência mais profunda desta divisão política foi uma guerra civil intermitente que lavrou durante cerca de 100 anos e só terminou, não completamente, porém, com a Constituição de 1933.
 
Pelo caminho ficaram dezenas de assuntos da maior importância por arrumar. Não tenho esperança que venham a ser arrumados.
 
Vamos então tentar perceber como Portugal foi abrasado pela fúria Napoleónica.
 
 
“No conjunto presente enquanto as coisas não tomam jeito, a maior política será o maior disfarce e a melhor negociação será a de ter boas tropas e bons navios.”
José da Cunha Brochado, carta de 28 de Novembro
de 1700 a El Rei D. Pedro II
 
Os poderes em Portugal tinham toda a obrigação de estar mais que avisados dos perigos que ameaçavam o País, tendo em atenção os graves eventos que ocorriam na Europa e no Continente Americano e, em particular, por via das Inconfidências Brasileiras, da Campanha do Roussilhão e da infeliz Campanha de 1801 desenvolvida contra nós por uma coligação franco‑espanhola em que perdemos Olivença, ilegalmente ocupada, desde então, pela Espanha.
 
Lamento incomodar as consciências dos leitores sobre este ponto, mas não posso deixar de o enfatizar.
 
E, ainda, porque se deveria ter levado a sério a ameaça de Napoleão quando ao comentar a actuação da esquadra portuguesa, no Mediterrâneo ao lado da Inglesa, afirmou: “Virá o tempo que a Nação Portuguesa chorará com lágrimas de sangue a ofensa que praticou à República Francesa”.
 
Mas em vez de tirar as ilações naturais e preparar o país para um conflito mais do que certo, reforçando o Poder Nacional de todas as maneiras possíveis e preparando uma linha de actuação politica e as estratégias económica, militar, diplomática, financeira, psicológica, etc., que a sustentasse, optou‑se por se tergiversar e adiar constantemente no caminho a seguir, entregando à Providência Divina a prevenção das desgraças. Não me parece até, que os actuais habitantes deste cantinho ocidental da Europa, tenham aprendido muito com os seus antepassados …
 
A Revolução Francesa pela dinâmica que criou, tornou a França exportadora de ideologia por atacado. Com a subida ao Poder de Napoleão, aquele país tornou‑se imperialista e dispôs‑se nada mais, nada menos, do que a subjugar toda a Europa e, naturalmente, todas as suas dependências ultramarinas.
 
Contra a República Francesa, que tinha transformado cada cidadão num soldado e cada soldado num cidadão, levantaram‑se diversas coligações, das principais potências europeias habilmente manipuladas pela Inglaterra que, defendida pelo Canal da Mancha evitava comprometer forças suas em solo europeu, desenvolvendo toda a sua campanha no mar. As coligações foram sendo sucessivamente derrotadas pelo grande cabo‑de‑guerra corso, numa série de brilhantes batalhas. No mar, no entanto, a sorte era‑lhe adversa.
 
A hora de Portugal chegou, quando Napoleão, na sequência da vitória de Iena, em Novembro de 1806, decretou em Berlim o bloqueio continental, com o que pretendia impedir todo o comércio e comunicação com a Grã‑Bretanha. Em seguida, apeou a monarquia espanhola colocando um irmão seu no trono de Madrid.
 
Pela Paz de Tilsit, após a vitória de Friedland, que selava a derrota da Rússia, da Áustria e da Prússia, o auto proclamado imperador dos franceses, fez um ultimatum ao governo de Lisboa (e a outros países) segundo o qual teríamos que declarar guerra à Inglaterra e fechar‑lhes todos os portos. E se não o fizéssemos até 1 de Setembro de 1807, o país seria invadido. Estávamos em Julho desse ano. E não contente com isso ainda mandou um “aviso”, a 14 de Agosto, que obrigava Portugal a “oferecer voluntariamente” uma elevada quantia em dinheiro e quatro mil soldados.
 
Nestas circunstâncias Portugal não tinha grandes escolhas (e já devia saber disso de guerras anteriores!...); ou declarava a neutralidade ou escolhia um dos lados da contenda. Em qualquer dos casos só um milagre evitaria a guerra.
 
A neutralidade seria o que melhor conviria aos interesses portugueses e por isso ela foi tentada. Mas era irrealista, dado que não é neutral quem quer, mas sim quem tem Poder para o fazer. Ora Portugal não tinha na altura poder suficiente para se interpor entre as duas super potências da época. Declarar‑se ao lado da Inglaterra resultaria numa invasão franco espanhola da Metrópole; mas pôr‑se ao lado dos poderes continentais implicaria a perda de todo o Ultramar, de que dependia a sua existência.
 
E isso não garantia que a Inglaterra não viesse a desembarcar forças suas na Península, trazendo a guerra à Metrópole.
 
Por isso parecia lógico que a situação menos má fosse declarar em altura própria, a actualidade da Aliança Inglesa e preparar o país para as consequências possíveis. Nada disto se fez. A Corte e o Conselho de Estado estavam divididos, os embaixadores inglês e francês moviam as suas influências no seu seio e o próprio governo inglês na insidiosa actuação, por vezes pérfida, em que modela a sua diplomacia, nunca foi também claro no apoio que estaria disposto a facultar‑nos e quando. O Primeiro‑Ministro William Pitt, chegou até a responder a um pedido nosso, esta frase sugestiva: “O governo de S. Majestade só ajuda os governos que, em primeiro lugar, se queiram ajudar a si próprios!”
 
Até ao fim tentou‑se tapar o Sol com a peneira e o desespero fez até com que fossem tomadas algumas atitudes de vergonhosa subserviência e apaziguamento, sobretudo relativamente a Paris.
 
Foi no meio deste ambiente que surgiu a ideia de pôr a família real portuguesa a salvo no Brasil, privando assim Napoleão de deitar mão ao Poder Político português, gorando os seus projectos de domínio de Portugal. Esta ideia teve o apoio, senão mesmo a sua origem, do governo inglês. Pouco se fez, sem embargo, para a tornar viável.
 
Napoleão soube, em 9 de Outubro de 1807, que o governo português recusava o ultimatum e ordenou a invasão.
 
Por um golpe de sorte a Corte em Lisboa, soube através de um comerciante português, que tinha passado por Bayonne, da existência do Exército Francês aí estacionado, que se destinava à invasão de Portugal. Mais tarde a informação foi confirmada pelo nosso ministro na capital espanhola.
 
Tolhidos por uma paralisia incompreensível pouco se ia fazendo para lidar com a situação e só se soube que a invasão se tinha dado quanto Junot estava em Abrantes.
 
 
“É necessário estarmos apercebidos para nos defen­dermos de quem quiser ofender, porque a presteza aproveita às vezes mais que a força nas coisas da guerra. Não descansem os amigos da paz, na que agora gozam, se a querem perpetuar porque os contrários dela, se a virem mansa, levá‑la‑ão nas unhas”.
Padre Fernando Oliveira (estratega do Sec XVI)
 
Entretanto, em Lisboa reinava a confusão e o pânico. A Corte dispunha apenas de escassos 15 dias para rejeitar ou aceitar as exigências resultantes de Tilsit.
 
Logo no dia 18 de Agosto reuniu‑se o Conselho de Estado, tendo apenas um dos conselheiros, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, advogado que se “fizesse guerra à França e Espanha … e (quando Portugal) não fosse feliz nas armas passasse a Família Real para o Brasil”; e o conselheiro Thomaz Villanova Portugal, insistiu na saída imediata “para o Brasil do Príncipe da Beira, com o título de Condestável e com tropa, acompanhado das infantas e de dois generais …”.
 
Os restantes conselheiros inclinaram‑se para que Portugal “se unisse à causa do Continente e fechasse os portos”.1
 
A 30 de Agosto nova reunião que aprovou a ida do Infante D. Pedro, para o Brasil à excepção de Sousa Coutinho que continuou a “sustentar que se devia fazer a guerra e na retirada, sair toda a Família Real para o Brasil”.
 
Esta decisão espoletou a preparação de quatro naus destinadas àquela tarefa, no Arsenal de Lisboa. A nau destinada a transportar o herdeiro do trono era a “Afonso de Albuquerque”, navio antigo mas considerado ainda em boas condições.
 
Logo que esta esquadra ficou pronta o Príncipe Regente decidiu informar os governos da França, Espanha e Inglaterra da decisão do Conselho de Estado. A reacção francesa consubstanciava uma declaração de guerra; a da Espanha mantinha uma contínua ameaça e a da Inglaterra limitava‑se a dar conselhos, o mais importante dos quais contemplava a saída imediata para o Rio de Janeiro de toda a Família Real.2 Durante o mês de Outubro e face às ameaças francesas, discutiu‑se na Corte qual das duas opções seria preferível: apenas a ida do Príncipe Real se de toda a Família, para a segurança das terras brasileiras. Mas nada se decidiu!
 
Em Novembro a confusão aumentou, com as perturbadoras notícias chegadas de Espanha e com o exército invasor já em movimento. A Corte ainda tentou acalmar Napoleão com a oferta de uma espada de oiro guarnecida de diamantes e a promessa de se cumprirem os seus desejos. Mas era tarde demais.
 
Por este tempo (11 de Novembro) arribou ao Tejo uma esquadra russa vinda da Turquia, constituída por nove navios que ninguém duvidou ser consequência do acordado em Tilsit entre a França e a Rússia. O Almirante russo insistiu em vários propósitos que eram contrários aos tratados em vigor, mas tudo se lhe consentiu. E um oficial russo chegou mesmo a declarar com o maior desembaraço, que se o Príncipe os não deixasse entrar (no Tejo) dentro estava quem lhe abriria a porta …”3. Por aqui se pode ver quão longe teria ido a traição entre os portugueses. Estranhamente a esquadra manteve‑se apenas espectadora durante todo o desenrolar dos eventos.
 
A 14 de Novembro uma esquadra inglesa de cinco navios comandada pelo Almirante Sidney Smith postou‑se ao largo da Foz do Tejo ficando a bloquear a costa portuguesa. Uma nova fragata britânica chegou entretanto, entrando no Tejo com a bandeira de parlamentário para levar instruções ao embaixador inglês, Lord Strangford. Este deslocou‑se a bordo da força inglesa, tendo regressado a 21 de Novembro à capital, com um exemplar do jornal “Monitor” do dia 11 de Novembro, o qual continha o decreto imperial datado de 27 de Outubro de 1807, pelo qual Napoleão decidira que “a Casa de Bragança deixara de reinar em Portugal”!
 
O Conselho de Estado votou então pela saída imediata de toda a Família Real para o Brasil, deitando mão a todos os navios de guerra e mercantes surtos no Tejo e que fosse possível aparelhar.
 
A 24 de Novembro o governo português deu conta finalmente que Junot estava em Abrantes, quando ainda o julgava em Salamanca. A invasão tinha avançado a 19 de Novembro, entre Segura e Castelo Branco. Em simultâneo um exército espanhol comandado pelo General Taranco, ocupava o norte do País. Os dias seguintes foram de desvairamento na Corte.
 
E em vez de embarque ordeiro a ânsia da fuga de todos os filhos de algo do Reino resultou numa confusão indescritível, levando a que se perdessem muitos haveres, se preparassem mal os navios e os sobrecarregassem com todo o tipo de carga e passageiro em demasia. A Família Real embarcou a 27 e com ela uma multidão estimada entre 10 a 15 000 pessoas, com todas as riquezas que puderam transportar.
 
Devido ao mau tempo (factor que deveria também ter sido equacionado com antecedência), a esquadra de cerca de 30 a 40 navios, comandada pelo Almirante D. Manuel da Cunha Sottomayor, só conseguiu largar o Tejo a 29, sendo comboiados por quatro navios de guerra ingleses. Esse foi o dia em que as tropas avançadas do Exército francês, destroçadas e maltrapilhas, conseguiram chegar a Lisboa. Junot no seu desespero ainda avistou os navios ao longe…
 
Todos os navios à excepção de um conseguiram atingir o Brasil numa viagem de dois meses, muito penosa pelas terríveis condições a bordo. A chegada ao Rio de Janeiro só se deu a 7 de Março de 1808. O Príncipe Regente deixou em Lisboa uma junta governativa para receber Junot e indicações para que não se molestasse os franceses, para evitar represálias.
 
Porém uma delegação da maçonaria portuguesa tinha‑se adiantado e ido saudar em Sacavém, os franceses como libertadores …
Tinha começado um longo calvário para a Nação Portuguesa.
 
 
“Todos os homens dos 15 aos 60 anos se armem, cidades, vilas e povoações que se fortifiquem.
Quem o não fizer incorre em pena de morte e as vilas que franquearem as suas portas serão arrasadas”
Real Decreto de 11/12/1808, incitando os portugueses a resistirem aos franceses
 
Afinal a resistência que com tantos receios se quis evitar brotou naturalmente do povo enquadrado pelas pequenas forças militares que restavam.
 
De facto uma das primeiras medidas de Junot foi licenciar o Exército português e escolher um corpo constituído pelas melhores tropas que não tardou a enviar para França. Constituíam‑no seis a sete mil homens (muitos dos quais desertaram) que veio a constituir a Legião portuguesa comandada pelo Marquês de Alorna e que tão valentemente se veio a bater nas campanhas do Centro da Europa. Apenas cerca de 100 destes bravos regressou a Portugal…
 
Desde cedo a atitude das tropas francesas começou a gerar incidentes e revoltas. O primeiro motim sério registou‑se quando a bandeira nacional foi arriada do Castelo de S. Jorge e substituída pela francesa!
 
Em Maio de 1808, deu‑se uma insurreição em Madrid contra os franceses. O contingente espanhol que ocupava o Porto prendeu o comandante francês e retirou para a Galiza. A 11 de Maio o General Sepúlveda, Governador das Armas de Trás‑os‑Montes revoltou‑se e instituiu uma junta a que presidiu.
 
A revolta alastrou a todo o País. As tropas francesas conseguem debelar alguns focos. Uma intervenção inglesa é então negociada pela Junta do Porto e aqueles desembarcam a 1 de Agosto frente à Figueira da Foz.
 
A 17 e a 20 de Agosto travam‑se os combates da Roliça e do Vimeiro. Vencidos os franceses estes negoceiam a rendição e pela Convenção de Sintra são autorizados a partir com armas e bagagens e o produto dos seus saques …
 
Chegou entretanto o General Beresford com a incumbência de reorganizar o Exército Português.
 
A cruenta guerra que se seguiu só terminou em 1814, com as tropas anglo‑lusas às portas de Toulouse.
 
Porque não resistimos?
 
 
“Se todos os portugueses fossem como eu não restaria um só invasor…”
Jacinto Correia
Português, fuzilado pelos franceses em 25 de Janeiro de 1808
 
 
Como se pode constatar, Junot foi expulso de Portugal ao fim de seis meses. E pode verificar‑se que dado o estado depauperado em que ele chegou à fronteira portuguesa, dois batalhões bem adestrados e comandados seriam suficientes para o esmagar na passagem das Talhadas. Mas nunca se encarou seriamente a hipótese de resistência. Porquê?
 
Fundamentalmente por uma deficiente formação e escolha das elites que nos governam.
 
Tal facto originou na altura questões que podemos sintetizar em problemas de:
 
Liderança
 
Política
 
Ideologia
 
Traição
 
Ordem Psicológica
 
Derivados do medo
 
De facto o Príncipe Regente não tinha compleição nem estatura moral, intelectual e psicológica para fazer frente a tão complexos e perigosos desafios. Numa época onde eram requeridas grandes decisões, alguma audácia, exemplo e força de vontade, o futuro Rei mostrava‑se tíbio, indeciso, infeliz, sem astúcia nem golpe de asa, mal aconselhado e sofrendo da forte personalidade da mulher de quem se viria a afastar.
 
Dos principais conselheiros e membros do governo nenhum também se destacou pelos dotes de clarividência e perseverança à excepção de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, já mencionado.
 
Tais características nas principais figuras com peso político no reino originaram que não se concebesse atempadamente uma clara linha de actuação política com objectivos bem definidos, nem se definiram estratégias para os alcançar. Esta indefinição além de gerar confusão de actuação, dúvidas no devir colectivo, impediu que se reforçasse adequadamente o Poder Nacional, nomeadamente a economia, a diplomacia, as forças militares e o Sistema de Informações, indispensáveis aos sucessos futuros.
 
Esta falta de definição de uma política teve também origem em causas ideológicas. As sequelas doutrinárias da Revolução Francesa já tinham chegado a Portugal e eram sobretudo disseminadas pelas lojas maçónicas, nomeadamente de rito francês e escocês, em franco desenvolvimento desde o consulado de Pombal, e por vários diplomatas e militares estrangeiros durante a sua passagem por Portugal.
 
Tais ideias eram fundamentalmente subversivas da ordem política exis­tente e eram transmitidos preferencialmente à nobreza e burguesia cultas e também a alguns sectores da Igreja.
 
Estas questões ideológicas vieram a resultar, algumas em traição e todas, seguramente, contra os interesses nacionais da altura por terem dado origem a dois partidos: “o partido francês e o partido inglês”. Ora só interessava à Nação que existisse o “partido português”…
 
A questão ideológica não explica por si só o que atrás se afirma. Para tal concorreu também a corrupção de muitas consciências, em grande parte originados na acção de Marechal Lannes e do próprio Junot enquanto embai­xadores da França em Lisboa, nos períodos que antecederam a 1ª invasão.
 
Finalmente adiantam‑se causas psicológicas que afectaram a mente de muitas personalidades na Corte e fora dela o que teve a ver sobretudo com o mito criado pela invencibilidade dos exércitos napoleónicos, sobretudo quando comandados pelo próprio imperador. Isto gerou os medos mais variados (e sabe‑se como o medo é mau conselheiro) e obnubilou por certo o discernimento das decisões.
 
 
Porque deveríamos ter resistido?
 
“O peso da mochila do soldado é incomparavelmente mais leve que o peso das grilhetas do escravo”
Eisenhower
 
 
Em primeiro lugar é necessário começar por dizer que resistir a quem nos assalta a casa, neste caso a casa portuguesa, é um direito e um dever de todos os nacionais, a começar pelos mais responsáveis.
 
É uma questão de princípio.
 
Em segundo lugar por uma questão de Honra. Por muito deletérias que sejam as ideias e a moral de uma época, o conceito de honra agiganta‑se sempre bem alto pela sua excelência e altivez. Transportando isto para a Instituição Militar, um Exército só se deve render quando esgotada a sua capacidade de lutar e morrer faz parte do Dever Militar, por mais que espíritos desorientados trocem da questão ou tentem inventar guerras sem mortos.
 
Depois porque a resistência permite o reforço da coesão e o moral nacional.
 
A “alma” de uma Nação tempera‑se e reforça‑se nas agruras e nos feitos praticados em conjunto. Em 1800 os portugueses já tinham um lastro longo de uns e de outros.
 
Em seguida, porque permite aumentar a nossa capacidade de negociação em termos diplomáticos, tanto durante como após o conflito. E permite a garantia dos nossos direitos, aumentando a autoridade moral.
 
Aliás não se entende que haja receio das elites, em Portugal, em oferecer resistência seja em que época for. Muito menos naquela altura.
 
Quando o Major de Engenharia Talaya com apenas 30 homens defendeu a praça de Campo Maior durante 10 dias contra uma Divisão francesa, em 1811, nada há a temer, da resistência.
 
Quem consegue fazer as Linhas de Torres Vedras, em 1810, com 108 fortes, 151 redutos, revelins e batarias, entre a Foz do Lisandro e Alhandra e guarnecê‑las com 1 067 peças de artilharia e 68 000 homens, também teria conseguido organizar mormente a defesa em 1807, se tivesse havido vontade para isso.
 
Quem tem no seu seio um punhado de gente, como aqueles pescadores de Olhão que decidiram atravessar o Atlântico Sul num pequeno barco de pesca, inapropriado para o efeito, só para irem dar a notícia da expulsão dos franceses de Portugal, ao seu Rei, não há que temer opor resistência seja a quem for. E ao dito de Napoleão após a batalha de Wagram, afirmando não haver em toda a Europa infantaria como a portuguesa, julgo que não é preciso acrescentar mais nada, pois não pode haver mais abalizado e eloquente elogio.
 
O Exército e o povo não se bateram no início da primeira invasão francesa apenas e pela simples razão de que ninguém lhes deu ordem. E é nisto que reside a nossa maior vulnerabilidade como Estado/Nação desde que o filho de Henrique de Borgonha individualizou e alargou o Condado onde ainda hoje vivemos.
 
 
Conclusão
 
“Com quem saiba conduzi‑los, eles irão a toda a parte e combaterão quem se quiser …; marcharão sujeitando‑se às maiores fadigas, sem um murmúrio, e vivendo apenas de pão e água com um dente de alho como condimento…”
Diogo Ferrer, Oficial do Exército Britânico
(sobre os soldados portugueses, século XVIII)
 
A Geopolítica, cujos factores primordiais, são a geografia e o carácter da população, sempre condicionaram, condicionam e condicionarão o “status quo” político, estratégico e social da Nação Portuguesa.
 
Estes factores não foram avaliados devidamente pela liderança existente na época dos eventos que evocamos. Constata‑se ainda, no meio da tergiver­sação política e social ocorrida que apenas uma personalidade com peso político teve o discernimento da opção mais correcta: D. Rodrigo de Sousa Coutinho. A sua voz não fez vencimento. A saída da Família Real para o Brasil parece correcta e deve ser encarada como uma retirada estratégica e não como uma fuga.
 
Contudo, devido ao modo atrabiliário como foi preparada a saída e o muito mau estado dos navios no que concerne a fabricos, excesso de carga e falta de provisões, tornou a travessia do Atlântico numa verdadeira aventura que poderia ter degenerado numa tragédia de consequências incalculáveis.
 
Sem embargo já não parece acertado ter‑se permitido o embarque da quantidade enorme de gente que seguiu com o Rei. O Rei devia ter‑se feito acompanhar das pessoas necessárias à constituição de um governo fora da sua sede normal (Lisboa), do tesouro real e das forças militares e navais que conseguisse salvar para posterior emprego militar. A nobreza e burguesia que embarcou devia ter ficado no Reino e sofrido com o povo as agruras da crise. A retirada da Família Real, devendo estar preparada e planeada há muito mais tempo, só se devia efectuar depois de se verificar que não era possível prosseguir na defesa e tal a pusesse em perigo.
 
De facto a não resistência não evitou nenhuma das desgraças que se racionalizara em tal tomada de decisão, apenas acrescentou indignidades e emba­raços. E nem sequer parece coerente com uma das primeiras decisões do Príncipe Regente após a sua chegada ao Rio, que foi a de declarar guerra à França!
 
Mas só com a mudança de Regência em Lisboa se começou a reorganizar o Exército de Linha e se deu início à reconstrução de praças e fortalezas, com a nomeação para a pasta dos assuntos da Guerra, de D. Miguel Pereira Forjaz.
 
Caros leitores:
 
Já há muito que devíamos ter aprendido, entre muitas coisas, que é fundamental prepararmos e seleccionarmos as elites que nos governam para serem esclarecidas e patriotas; que um Exército não se improvisa de um dia para o outro; que existem realidades geopolíticas a que não nos podemos furtar e que isso implica um equilíbrio constante entre a maritimidade e a continentalidade; que tem que se ter muito cuidado com toda a sorte de ideologias que não são conformes à matriz nacional e ao estado de desenvolvimento cultural médio da população, em cada época, ou pura e simplesmente são erradas e maléficas; que as virtudes morais e cívicas têm que ser cultivadas sem desfalecimento; que as leis têm que ser adequadas às pessoas em que se aplicam; que o desenvolvimento lento e sustentado é preferível a eventuais soluções de ganho rápido e desgarrados no tempo e no espaço; que não se deve gastar mais do que o que se produz; que quanto mais dobramos a cerviz, mais mostramos o fundo das costas, etc.
 
Mas, por estranha maldição, não somos capazes de aprender.
 
Só os povos que sabem resistir ficam na História e fazem a História. Os outros serão pasto de vontades alheias e olhados com um misto de indiferença e comiseração.
 
Mas para sermos donos do nosso futuro temos que reflectir constante­mente sobre o passado para podermos aprender com os erros e acertos que nele se espelham.
 
Os portugueses já têm antiguidade mais do que suficiente como povo e uma vivência rica de acontecimentos os mais variados para poderem transformar as notícias em informações, estas em conhecimento que dão em seguida origem a sínteses de saber. Saber estar, saber fazer e saber prever.
 
Infelizmente e olhando a praxis política contemporânea e seus principais actores verifico que não se tem conseguido nada disto, a não ser a insistência nos erros.
 
Quero alertar, no entanto, que não parece terem minguado os “Napoleões” potenciais que nos rodeiam. Já, porém, dificilmente vislumbro porto seguro para onde retirar noutra emergência.
 
 
Bibliografia
 
Barata, Manuel Freire Themudo – “As Invasões Francesas e a Organização da Resistência Portuguesa”, Cadernos de História Militar nº 1, Direcção do Serviço Histórico‑Militar, Lisboa, 1989.
Direcção dos Serviços de Engenharia – “Engenharia Militar Portuguesa”, 1997.
Ferreira, João José Brandão – “A Evolução do Conceito Estratégico Ultramarino Português, da conquista de Ceuta à Conferência de Berlim”, Atena, Lisboa, 2000.
________“A Evolução do Conceito Estratégico Ultramarino Português, da Conferência de Berlim, à Descolonização”, Hugin, Lisboa, 2002.
Serrão, Joel e outros – “Dicionário da História de Portugal”, Figueirinhas, Porto.
 
Conferência
Santos, Cor Valdez dos – “A Viagem da Família Real para o Brasil”, International Congress on the Iberian Pesinsula (1780‑1840), em 24 de Julho de 1989.
 
Revistas
Barrento, António – “Invasões Francesas, Portugal na Fronteira do Poder Terrestre e no Poder Marítimo”, Revista Militar, nº 8, Agosto de 1989.
Ramos, Rui – “As Invasões Francesas na História de Portugal”, Jornal do Exército, nº 489, Outubro de 2000.
 
_____________
 
 1 Boletim do Arquivo Histórico Militar nº 46.
 2 Valdez dos Santos, “A Viagem da Família Real para o Brasil”, pag. 5.
 3 Valdez dos Santos, obra citada, pag. 5.

 
 :arrow: http://www.revistamilitar.pt/modules/ar ... php?id=258 (http://www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=258)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Junho 02, 2008, 01:30:29 pm
Citar
EVOCAÇÃO DO BATALHÃO ACADÉMICO DE 1808
     
No âmbito das Comemorações do Dia da Brigada de Intervenção, a realizar na cidade de Coimbra no período de 2 a 6 de Junho e inserido nas Comemorações dos 200 Anos da Guerra Peninsular, o Exército leva a efeito um conjunto de actividades para evocar o “Batalhão Académico de 1808”, cujas acções foram preponderantes no reforço da revolta popular no centro do País e na reacção aos efeitos perniciosos da Primeira Invasão Francesa.


 :arrow: http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... 20do%20Col (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/compinfo/Programa%20do%20Col)óquio%20e%20Exposição%20do%20Batalhão%20Académico%20de%201808.pdf
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Junho 19, 2008, 04:41:42 pm
CICLO DE CONFERÊNCIAS DAS ESCOLAS PRÁTICAS

27JUN08

ESCOLA PRÁTICA DE INFANTARIA
“A INFANTARIA E AS GUERRAS PENÍNSULARES”

 :arrow: http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... nsular.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/compinfo/Palestras%20Guerra%20Peninsular.pdf)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Julho 04, 2008, 11:46:50 pm
Episódios da Guerra Peninsular


"Perto de nove mil portuguezes, constituindo uma divisão de alguns regimentos de infantaria e cavallaria, sob o mando em chefe do general marquez d´Alorna, a quem, em diversas commissões do serviço, obedeciam o tenente general Gomes Freire de Andrade, os marechais de campo, João de Brito Mousinho, Manuel Ignacio Martins Pamplona, D. José Carcome Lobo e outros officiaes de varias patentes, entre os quaes eram contados muitos, como estes, de elevados creditos, foram violentados a abandonar o paiz, e a marchar pelos fins do mez de março de 1808, para incorporar-se em Hespanha com as tropas francezas, e, segundo lhes foi insinuado, voltar depois acompanhando o imperador Napoleão, que então se dizia dever em breve tempo visitar Lisboa.”

 :arrow: http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... diosGP.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/JE/EpisodiosGP.pdf)
Título:
Enviado por: quintanova em Julho 05, 2008, 08:59:28 pm
Citação de: "PereiraMarques"
"Perto de nove mil portuguezes, constituindo uma divisão de alguns regimentos de infantaria e cavallaria, sob o mando em chefe do general marquez d´Alorna, a quem, em diversas commissões do serviço, obedeciam o tenente general Gomes Freire de Andrade, os marechais de campo, João de Brito Mousinho, Manuel Ignacio Martins Pamplona, D. José Carcome Lobo e outros officiaes de varias patentes, entre os quaes eram contados muitos, como estes, de elevados creditos, foram violentados a abandonar o paiz, e a marchar pelos fins do mez de março de 1808, para incorporar-se em Hespanha com as tropas francezas, e, segundo lhes foi insinuado, voltar depois acompanhando o imperador Napoleão, que então se dizia dever em breve tempo visitar Lisboa.”


Para saber mais:

[GoogleLivros] História da Legião Portugueza em França (1814)
http://books.google.com.br/books?id=5GMIAAAAQAAJ

Em livro impresso:
Teotónio Banha, A Legião Portuguesa ao Serviço de Napoleão, Caleidoscópio: Lisboa. Este livro, reedição do original do século XIX, são memórias do tenente Banha e dão-nos os pormenores mais intimistas da retirada do Grande Armée da Rússia, a miséria e a (pouca) irmandade portuguesa na luta por um naco de comida...
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Novembro 15, 2008, 02:05:39 am
Corolário da Invasão de Junot - As primeras derrotas de Napoleão em Portugal

 :arrow:  http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... olario.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/JE/corolario.pdf)
Título:
Enviado por: Lancero em Novembro 20, 2008, 04:37:54 pm
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Linhas de Torres: Exemplos estrangeiros de recuperação podem vir a ser adoptados em Portugal    

   Arruda dos Vinhos, Lisboa, 19 Nov (Lusa) -- As intervenções de conservação  realizadas em estruturas militares de países como a Polónia, Grécia ou Suécia  podem vir a servir de exemplo a Portugal para o trabalho de reabilitação  das centenárias Linhas de Torres.  

 

   "Vamos reunir especialistas nacionais e estrangeiros com trabalhos teórico-práticos  em estruturas militares e estabelecer comparações sobre o património para  vermos formas de reabilitar as Linhas de Torres", afirmou hoje à Lusa Paula  Ferreira, da câmara de Arruda dos Vinhos.  

 

   O município da Arruda, onde se situam alguns fortes das Linhas de Torres  que já podem ser visitados, a partir de um percurso pedestre, organiza de  20 a 22 de Novembro um seminário internacional sobre "A Importância das  Linhas de Torres na Europa".  

 

   Em debate vão estar a reabilitação e conservação das Linhas de Torres  e as experiências realizadas nas linhas defensivas da Polónia, Grécia, Suécia  e Reino Unido.  

 

   O seminário é uma acção do projecto Rota Histórica das Linhas de Torres,  financiado pela Islândia, Liechtenstein e Noruega através do Mecanismo Financeiro  do Espaço Económico Europeu.  

 

   O projecto abrange os municípios de Arruda dos Vinhos, Loures, Mafra,  Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira, concelhos em  cujo território foram edificadas as fortificações das Linhas de Torres.  

 

   Além do debate sobre a reabilitação e conservação, os participantes  vão abordar ainda "as potencialidades da rota das Linhas de Torres em termos  turísticos", adiantou Paula Ferreira.  

 

   Os participantes vão falar sobre as formas que têm que ser encontradas  para captar turistas nacionais, ingleses, franceses e espanhóis, acrescentou  a responsável camarária.  

 

   O projecto das autarquias pretende recuperar a parte mais significativa  deste sistema de fortificações militares construído, na sua maioria, entre  1809 e 1810 para a defesa da cidade de Lisboa face às  

 

   invasões do exército napoleónico durante a Guerra Peninsular (1807/1814).  

 

   Ao norte da capital, entre o Tejo e o Atlântico, foi construído um sistema  defensivo "considerado um dos marcos da arquitectura e estratégia militares  da história europeia, pela sua extensão (85quilómetros) e pelo número de  fortificações (152)".  

 

   A sua construção envolveu portugueses e ingleses distinguindo-se pela  eficácia bélica alcançada e que conduziu à derrota das tropas napoleónicas.  

 

   Após a utilidade estratégico/militar, o património degradou-se e para  poder ser visitado necessita de ser recuperado.  
Título:
Enviado por: Lancero em Novembro 28, 2008, 04:12:46 pm
(http://i227.photobucket.com/albums/dd66/lancero11/novembro1/1.jpg)

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Scene from the Napoleonic conflict known as the Peninsula War shows British & Portugese troops fighting the French at the Battle of Busacao before retreating to Torres Vedras, the prepared defensive lines erected by British General Wellington.
Location: Portugal
Date taken: September 27, 1810

(http://i227.photobucket.com/albums/dd66/lancero11/novembro1/2.jpg)

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The Battle of Vimiero, where French troops were defeated by the Duke of Wellington's British and Portuguese troops during the Peninsular War.
Location: Vimiero, Portugal
Date taken: August 21, 1808

(http://i227.photobucket.com/albums/dd66/lancero11/novembro1/3.jpg)

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Scene from the Napoleonic conflict also known as the Peninsula War shows French forces engaging British troops at Torres Vedras, the prepared defensive lines erected by British General Wellington.
Location: Torres Vedras, Portugal
Date taken: October 09, 1810

(http://i227.photobucket.com/albums/dd66/lancero11/novembro1/4.jpg)

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Scene from the Napoleonic conflict known as the Peninsula War shows French officer giving the order to charge during the Battle of Busaco prior to the British retreat to the prepared defenses of Torres Vedras.
Location: Portugal
Date taken: September 27, 1810

(http://i227.photobucket.com/albums/dd66/lancero11/novembro1/5.jpg)

Citar
Scene from the Napoleonic conflict known as the Peninsula War shows British troops retreating towards the prepared defenses of the Lines of Torres Vedras, erected by General Wellington.
Location: Torres Vedras, Portugal
Date taken: October 09, 1810
Título:
Enviado por: cromwell em Novembro 28, 2008, 07:01:06 pm
Maravilhosa, a primeira imagem.
Sabem que a batalha do Buçaco foi a maior batalha alguma vez combatida em território português?
Título:
Enviado por: emarques em Novembro 28, 2008, 08:06:11 pm
A primeira imagem:
E eu aqui convencido que o exército luso-britânico ocupava posições no alto da encosta...
Título:
Enviado por: Granadeiro em Janeiro 13, 2009, 03:58:17 pm
A Primeira imagem é muito bonita mas só tem isso mesmo, está cheia de erros que duvido muito que tenha sido feita em 1810, nem mesmo as litografias desses anos têm tantos erros.

Não sei aonde foram arranjar as fardas porque do exercito português não são de certeza.
Título:
Enviado por: comanche em Fevereiro 01, 2009, 06:14:23 pm
História: Memórias do marechal Soult editadas pela primeira vez em português


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Lisboa, 27 Jan (Lusa) - As memórias do marechal Nicolas Soult, que há 200 anos comandou a segunda invasão francesa a Portugal, são pela primeira vez publicadas em português com introdução e notas do historiador António Ventura.

"Memórias do Marechal Soult - sobre a guerra em Espanha e Portugal" é editado pela Livros Horizonte na colecção "Memórias de Portugal", onde anteriormente saíram as memórias de Massena, o último marechal napoleónico a entrar com tropas em Portugal, e o "Diário da I Invasão francesa", de Jean-Andoche Junot.

Soult, duque da Dalmácia, "é uma figura de primeiro plano, vindo a desempenhar papéis políticos de relevância posteriormente, e foi o único dos três que invadiram Portugal que escreveu um testemunho na primeira pessoa", disse à Lusa o historiador António Ventura.

O marechal francês "foi o causador indirecto do desastre da Ponte das Barcas" no Porto, mas procurou "uma política de aproximação às populações e de colaboração com as autoridades locais, tendo chegado a editar um jornal pró-Napoleão, o Diário do Porto".

Soult invadiu Portugal pela fronteira de Trás-os-Montes e Alto Douro em Março de 1809 e, depois de ter derrotado as forças inglesas na Corunha, venceu a batalha do Carvalho d'Este (Braga) e avançou até ao Porto, que ocupou, fixando "fronteira" no rio Douro.

O marechal "teve a preocupação de projectar uma imagem positiva de França e sobre os portugueses faz um juízo bastante mais benévolo do que dos espanhóis", assinalou Ventura.

O historiador observou ter "reservas" quanto à possibilidade de Nicolas Soult ter ambicionado cingir uma coroa de Rei de Portugal.

"Ele cumpria as ordens do Imperador, era um homem de Napoleão e, como todos, queria ser bem visto por ele. Há uma tendência para uma certa autonomia, mas, devido à especificidade da Península Ibérica e ao corte de comunicações, era difícil comunicar com Paris", explicou o historiador.

Soult, na opinião do historiador, "não escreve coisas desagradáveis sobre os portugueses, são [memórias] fundamentalmente de cariz militar, aparecendo poucas referências de natureza etnográfica ou geográfica".

Ventura indicou ainda que Soult "foi o único" dos três líderes militares que invadiram Portugal "que sobreviveu ao regime de Napoleão Bonaparte, tendo desempenhado as funções de ministro da Guerra e Primeiro-Ministro".

NL.

Lusa/Fim

Título:
Enviado por: André em Março 21, 2009, 01:45:51 am
Espada do capitão Luís Carneiro é única recordação do homem que fez o gen. Soult recuar


A espada com que o capitão Luís Carneiro enfrentou os invasores franceses na Barca da Trofa, em 1809, é a única recordação que resta hoje do homem que obrigou a recuar o general Soult, atrasando o avanço para o Porto.

A arma, preservada pela família, está colocada em evidência numa parede, logo à entrada da casa onde viveu o capitão que comandava a Companhia de Ordenanças de Santiago de Bougado em finais de Março de 1809, quando o exército francês tentou atravessar o rio Ave na zona da Trofa.

"A casa sempre esteve na nossa família. O capitão vivia aqui e, por isso, a espada ficou cá. A família sempre a conservou", disse à Lusa Manuel Loureiro, descendente directo em sétima geração de Luís Carneiro e actual proprietário da casa.

"Até à morte do meu avô, esta foi sempre a Casa do Capitão", recordou Maria Antónia, irmã de Manuel Loureiro, admitindo que a expressão praticamente já caiu em desuso actualmente.

O capitão Luís Carneiro liderou a Companhia de Ordenanças de Santiago de Bougado, uma pequena força de populares armados, contra uma coluna militar comandada pelo general Soult, impedindo a sua progressão.

Dispondo apenas de dois pequenos canhões e o apoio de um reduzido grupo de militares milicianos, os portugueses defenderam a Barca da Trofa e obrigaram os invasores franceses a subir o Ave até à Ponte da Lagoncinha, onde conseguiram atravessar o rio.

As tropas acamparam no Souto de Bairros, mas o general Nicolas Soult foi pernoitar numa casa situada a algumas centenas de metros, que pertencia a Manuel Faria Carneiro.

"Nesta casa, de 25 para 26 de Março, pernoitou o Duque da Dalmácia - 1809", refere uma placa colocada na frente da casa.

"O general ficou aqui só uma noite, mas as pessoas da casa ficaram muito bem impressionadas com os franceses, que não fizeram mal a ninguém", afirmou à Lusa Júlia Amandia, actual proprietária da casa.

Apesar da imagem negativa que criou ao longo da sua marcha em território português, os invasores franceses também provocaram boa impressão numa farmácia situada na fronteira entre Trofa e Vila do Conde.

Os actuais proprietários da farmácia, fundada em finais do século XVIII, revelaram recentemente que os militares franceses passaram por lá em 1809 para levantar medicamentos, tendo tratado bem todas as pessoas que ali se encontravam.

Dessa altura, restam como recordação duas barretinas francesas, ainda na posse dos descendentes.

A breve passagem francesa pela Trofa em Março de 1809 provocou uma dezena de mortos, um dos quais José Moreira, que era escrivão da Companhia de Ordenanças.

Quando revistaram a sua casa, situada frente ao local onde o general Soult pernoitou, as tropas francesas encontraram armas escondidas no palheiro.

Como castigo, José Moreira, cujo nome consta da lista inscrita no Monumento da Barca da Trofa, foi severamente torturado até à morte.

Pouco depois, as tropas invasoras levantaram o acampamento e prosseguiram a marcha para o Porto.

Lusa

:Soldado2:  :Soldado2:  :Soldado2:
Título:
Enviado por: André em Março 25, 2009, 01:25:09 pm
Porto evoca domingo 200 anos do desastre da Ponte das Barcas


O Porto evoca domingo os 200 anos de um dos episódios mais terriveis da sua hisória, o desastre da Ponte das Barcas, que terá provocado a morte a mais de quatro mil pessoas, afogadas nas águas do Rio Douro.

O episódio, recordado numa "alminha" instalada numa parede da Ribeira do Porto, ocorreu em 29 de Março de 1809, na sequência da conquista da cidade pelo general Soult, nas segundas Invasões Francesas.

Tomada de pânico face ao avanço das tropas vindas do Norte, a população tentou fugir para o lado de Gaia, onde já se tinha refugiado no dia anterior o bispo do Porto.

Acontece então a catástrofe, por motivos que variam segundo os relatos: uns dizem que a ponte, constituída por 20 barcaças ligadas por cabos de aço, não aguentou a pressão e desfez-se, provocando a queda no rio da multidão.

Outra versão refere que do lado de Gaia alguém abriu um alçapão na ponte, para impedir que os franceses a atravessassem, que "engoliu" os que seguiam à frente na fuga, empurrados para a morte pelos que lhes seguiam a peugada.

Duzentos anos depois, a data é assinalada com a colocação de uma peça escultórica do arquitecto Souto Moura no local onde a velha ponte se situava, a poucos metros da actual Luis I.

A peça, feita em aço corten, simboliza a ligação entre as duas margens, visto que do lado de Gaia ficará instalada uma estrutura metálica semelhante.

No mesmo dia tera lugar na Sé do Porto uma missa onde sera interpretado um Rquiem à memoria de Camões composto por João Domingos Bomtempo, contemporâneo da catástrofe.

Na véspera da efeméride, sábado, o Coliseu do Porto acolhe o maior coral alguma vez realizado no Porto, com mais de 500 vozes, numa obra da autoria do cónego Ferreira dos Santos chamada "Portugal" e apresentada, em estreia absoluta, no âmbito das comemorações do Bicentenário das Invasões Francesas.

É inspirada em poemas da "Mensagem", de Fernando Pessoa, estando prevista a actuação de duas orquestras e 500 coralistas.

A direcção musical é de Cesário Costa, tendo como solistas a soprano Dora Rodrigues, o tenor, Marco Alves dos Santos, com o actor Júlio Couto como declamador.

Estrão em palco os coros do Círculo Portuense de Ópera, Polifónico da Lapa e mais vinte coros do Porto e Gaia, além da Orquestra Clássica de Espinho e da Banda Sinfónica Portuguesa

Tambem no sabado, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett inaugura uma exposição.

Na sexta-feira, na Casa da Música poderá ouvir-se "A música que o rei ouvia", temas de Marcos Portugal e João Domingos Bomtempo, autores portugueses contemporâneos de D. João VI, exilado no Brasil na sequência das invasões napoleónicas.

Hoje à tarde, numa iniciativa conjunta entre a comissão responsável pelas comemorações e o jornal Publico, e lançado um livro em quatro volumes sobre as invasões.

As comemorações continuam mais tarde em Agosto, com a concentração, no Porto, de mais de 500 especialistas num congresso promovido pela Associação Internacional de Historia Militar.

Lusa
Título:
Enviado por: manuel liste em Março 25, 2009, 03:11:33 pm
Triste aniversario ¿pero pudieron morir tantas personas?

En Aveiro hay un monumento a los patriotas de 1809 ¿alguien conoce detalles sobre el suceso?

En esos duros días de marzo de 1809 se estaba produciendo en el Sur de Galicia la lucha decisiva para la liberación: En el mes de enero anterior y tras expulsar a los ingleses de La Coruña, el mariscal Soult ocupó la costa del Sur de Galicia dejando guarniciones en Marín, Pontevedra, Vigo y Tuy.

El francés intentó cruzar el Miño en Tuy, pero le fue imposible por la falta de puentes, así que decidió remontar el río hasta Orense dejando la mayor parte de su artillería en Tuy, y ocupar después la orilla Sur del río.

En su trayecto entre Tuy y Orense tuvo que dispersar a numerosos grupos de paisanos armados que intentaban retrasar su avance, sin éxito. Tras cruzar el Miño, se dirigió a Verín y cruzó la frontera en dirección a Chaves, pensando que la pacificación de Galicia era un hecho.

Sin embargo, en febrero el alzamiento patriota era más que evidente. Los españoles pronto controlaron el Ribeiro (comarca entre Orense y Vigo), ocupando los huecos dejados atrás por el avance francés, y desde ahí hostilizaron a las guarniciones francesas de Vigo y Tuy. Los patriotas pronto encontraron el auxilio de oficiales del Ejército, de militares retirados y de las pequeñas fuerzas del Marques de la Romana, que eran los restos de la división española que había ocupado Dinamarca.

A primeros de marzo las plazas de Vigo y Tuy fueron cercadas. Dentro de Vigo había unos 1500 soldados franceses, 4000 en Tuy. Mayormente el cerco era sostenido por paisanos armados organizados en "Alarmas" (milicias), pero pronto recibirían los refuerzos de un pequeño contingente portugués de la guarnición de Braga capitaneado por el teniente Almeida. También tendrían apoyo de infantes de marina británicos desembarcados en la Ría de Vigo, y de un contingente de unos 3000 milicianos del Ribeiro bajo mando del capitán Bernardo González.

Cuando los cercos fueron efectivos y para establecer una clara cadena de mando, todas las fuerzas aceptaron al capitán de granaderos Pablo Morillo (luego general) como su comandante. Las tropas de Morillo hicieron retroceder a una columna francesa de socorro que avanzaba desde el Norte (fuerzas del CE. del Mariscal Ney, que ocupaban el Norte de Galicia), y fortificaron la orilla Sur del río Oitavén para evitar el paso del enemigo. A continuación fuerzas bajo mando de Bernardo González atacaron y tomaron Pontevedra.

Finalmente, el 28 de marzo cayó Vigo

La rebelión en Galicia era generalizada, y en el Norte la represión francesa fue muy dura. Pese al acoso a que veía sometidas sus fuerzas, Ney intentó contraatacar en el Sur, tomó Pontevedra y avanzó hasta Pontesampayo en el Oitavén, donde las fuerzas españolas, portuguesas y británicas le estaban esperando.

En junio fue la batalla decisiva que determinaría el destino de Galicia: Ney intentó superar a los alzados en Pontesampayo por dos veces, pero las dos fue rechazado con graves pérdidas. Unos días después perdería Santiago de Compostela, y los franceses serían arrojados definitivamente de Galicia.

Este mes también se cumple el bicentenario de esos hechos, todavía bien recordados en estas tierras.
Título:
Enviado por: Lancero em Março 25, 2009, 03:19:49 pm
Citação de: "André"
Porto evoca domingo 200 anos do desastre da Ponte das Barcas


(http://1.bp.blogspot.com/_JkZYnqoqdlo/Rgl13-4qmeI/AAAAAAAAALM/WCD9EetXyuA/s400/barcas1.jpg)
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Enviado por: PereiraMarques em Março 25, 2009, 08:36:46 pm
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Presidente da República no Regimento de Infantaria 19, em Chaves

No âmbito da sua visita à cidade de Chaves, por ocasião do bicentenário da sua libertação da segunda invasão francesa, o Presidente da República esteve no Regimento de Infantaria nº 19.

No quartel, o Presidente Aníbal Cavaco Silva inaugurou oito painéis pintados por artistas da região do Tâmega e almoçou a convite do Presidente da Câmara Municipal local e do Chefe do Estado-Maior do Exército.


(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1008.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1014.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1023.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1036.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1121.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1123.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090325-PR-1142.jpg)

 :arrow: http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=26152 (http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=26152)
Título:
Enviado por: dremanu em Março 25, 2009, 09:40:28 pm
Tem alguém conhecimento de quais eram as musicas, ou cadências, tocadas nos regimentos Portugueses durante o avanço na direcção ao inimigo? Será que eram semelhantes às dos Britânicos, ou seria algo nacional?
Título:
Enviado por: Arqueiro em Março 26, 2009, 03:27:43 pm
Para quem gosta  das fardamentas das batalhas napoleónicas aconselho a verem este site, de uma reconstituição da batalha de Waterloo :Combate:      

http://napoleon-monuments.eu/Napoleon1e ... 080622.htm (http://napoleon-monuments.eu/Napoleon1er/Waterloo20080622.htm)
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Março 29, 2009, 08:46:01 pm
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Presidente Cavaco Silva na inauguração do monumento evocativo da "Ponte das Barcas"

O Presidente da República esteve presente, no Porto, na cerimónia de inauguração do monumento evocativo do desastre da "Ponte das Barcas", tendo deposto uma coroa de flores durante a homenagem aos mortos no episódio ocorrido há 200 anos, por ocasião das invasões francesas.

Uma força militar constituída por elementos dos três ramos das Forças Armadas prestou honras e desfilou perante o Presidente da República.


(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0003.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0015.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0033.jpg)

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(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0096.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0157.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0201.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0238.jpg)

(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0258.jpg)

 :arrow: http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=26199 (http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=26199)[/img]
Título:
Enviado por: HSMW em Março 29, 2009, 09:02:56 pm
(http://www.presidencia.pt/archive/img/090329-PR-0033.jpg)

Sim senhor, mais uma bela m**** de monumento...  :evil:
E haja alguém que tire os melões de debaixo dos braços daquele homem...
Título:
Enviado por: TOMSK em Março 31, 2009, 12:53:20 pm
Qual é o monumento?

Os dois pedaços de ferro espetados no meio do rio?
Ou o arame coroado de flores?

Não há o mínimo de bom senso quando atribuem a obra aos artistas?
Quer dizer, qualquer turista que ali passe, pergunta-se se aquilo será alguma obra inacabada...
Que vergonha! :evil:

O Padrão dos Descobrimentos é um exemplo de uma bem feita e extremamente bonita. Agora  parece que estes abortos é que são arte...
Título:
Enviado por: Cabecinhas em Março 31, 2009, 12:59:55 pm
Caro convido-o a ir visitar um monumento lá para os lados no Lavradio (Barreiro)... um rotunda para ser mais preciso, dizem que aquilo é arte.  :?  :?

http://www.panoramio.com/photos/original/1002637.jpg
Título:
Enviado por: Crypter em Março 31, 2009, 01:20:11 pm
Citação de: "Cabecinhas"
http://www.panoramio.com/photos/original/1002637.jpg


Sorry cabecinhas, mas o link não funciona...
Título:
Enviado por: ShadIntel em Março 31, 2009, 01:51:31 pm
Citação de: "Crypter"
Citação de: "Cabecinhas"
http://www.panoramio.com/photos/original/1002637.jpg

Sorry cabecinhas, mas o link não funciona...

 :arrow:  http://www.panoramio.com/photo/1002637 (http://www.panoramio.com/photo/1002637)
Título: toques, monumentos, etc., etc.
Enviado por: drum major em Março 31, 2009, 01:56:32 pm
Caro Dremanu

Como sou novato neste forum, tenho andado a passear, vendo aqui e acolá, vejo que no respeitante à Guerra Peninsular o meu caro é um especialista, o que é bom ter pessoas que se interessem e aprofundem este tema que é muito fascinante.

Quanto aos toques, realmente existem que eu conheço e possuo as partituras para Infantaria e Cavalaria. Contudo muitas vezes utilizavam-se os britânicos, quando havia tropas combinadas o que era quase geral, marchas militares é que já não é fácil encontrar, do século XVIII tenho, mas é natural que utilizassem essas e outras compostas por Marcos Portugal, desse compositor conheço uma, composta no Rio de Janeiro.

Quanto ao monumento, bom é mais um "mamarracho" e não sei bem qual o interesse se já existia um (a não ser que tenha sido vandalizado ou roubado), mas o que mais me aborrece é esta nossa mania de "festejar" desgraças, derrotas, massacres, etc., etc.

Bolas! Virem-se para as vitórias, não foi só o Buçaco!
É que muitas pessoas pensam que a guerra terminou quando os franceses atravessaram a fronteira e esquecem-se que fomos atrás deles até Tolouse; porque não comemorar ou falar nessas vitórias que tivemos em Espanha, por exemplo em San Sebastian, fomos os primeiros a entrar na brecha e o mais interessante é que os espanhóis comemoram isso. Todos os anos, por essa ocasião, fazem uma enorme parada onde as crianças das escolas desfilam fardadas com uniformes, espanhóis, ingleses, franceses e portugueses! Quando poder e se estiverem interessados posso enviar fotos. E no Museu da Câmara de San Sebastian lá está um manequim com um uniforme português. Trata-se do Regimento de Infantaria N.º 13.

Um abraço do
Drum Major
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Março 31, 2009, 02:55:58 pm
Inauguração do monumento evocativo da "Ponte das Barcas"

 :arrow: http://www.youtube.com/watch?v=UuapzX34VmM (http://www.youtube.com/watch?v=UuapzX34VmM)

O Presidente da República inaugurou, no Porto, o monumento evocativo do desastre da "Ponte das Barcas", ocorrido há 200 anos, por ocasião das invasões francesas.
Título:
Enviado por: André em Março 31, 2009, 04:56:29 pm
Citação de: "ShadIntel"
Citação de: "Crypter"
Citação de: "Cabecinhas"
http://www.panoramio.com/photos/original/1002637.jpg

Sorry cabecinhas, mas o link não funciona...
c34x  :lol:  :lol:
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Março 31, 2009, 05:48:09 pm
Parece-me é uma vergonha! :roll:
Título:
Enviado por: Lancero em Março 31, 2009, 07:32:41 pm
Já vi pior.

Olhó Tópico, sff :oops:
Título: Ainda o desastre da Ponte das barcas
Enviado por: drum major em Abril 01, 2009, 12:59:28 pm
A artilharia da Serra do Pilar, num total de 50 peças, defendia a chamada ponte das barcas, que era a única ligação permanente entre o Porto e Vila Nova de Gaia.

Para essa  ponte afluíra a multidão espavorida e horrorizada porque, naquela hora amarga, a fuga era a única esperança de salvação.

A fuga pela ponte das barcas foi uma coisa iminentemente pavorosa. Alguns, na ânsia irreflectida de fugirem ao inimigo, lançavam-se ao Douro, tentando atravessá-lo a nado. Outros enchiam os barcos como podiam e assim atravessavam o rio.

A maioria, porém, afluíra à ponte que a breve trecho se encontrava repleta de velhos, mulheres e crianças, apertando-se e esmagando-se, numa confusão de endoidecer...

Os primeiros fugitivos ao atravessarem a ponte, tiveram a desastrada ideia de levantar os alçapões com o intuito de cortar aos franceses a passagem para Vila Nova de Gaia, mas os autores de tal acto não se lembraram de que iriam causar milhares de vítimas.

Os primeiros a avançar pararam aterrados ao deparar-se-lhes com o abismo das águas revoltas que se lhes abria aos pés. Mas os da rectaguiarda impacientes com a demora e ignorando o que a motivara, no desejo único de se verem o mais breve possível longe do inimigo, impeliram os da frente com vigor a que era impossível resisitir. Gritos de terror e aflição cruzaram os ares, enquanto milhares de pessoas arrastados pelo turbilhão, eram precipitadas no rio. Os corrimões laterias da ponte, que eram de madeira, cederam também à pressão e, rebentando concorreram com a sua quota-parte de vítimas para aumentar o horror da catástrofe.

Mas não ficou por aqui a tragédia. As baterias da Serra do Pilar, ao verem os franceses avançar em direcção ao cais e da Praça da Ribeira, abriram fogo sobre eles, e as balas de metralha, passando pela ponte das barcas, produziram entre os desgraçados fugitivos, numerosas mortes.

E como remate para os que na fuga haviam procurado a salvação, a cavalaria portuguesa, perseguida pelo inimigo, precipitou-se pela funesta ponte, esmagou quantos fugitivos encontrou na sua frente e até abriu caminho à cutilada!

Difícil, se não impossível, foi calcular ao certo o número de pessoas que perderam a vida neste pavoros desastre, mas bastará afirmar que se chegou a citar a cifra de 20 000, para se ter uma ideia, ainda que de leve, da horrível catástrofe.

Os franceses, no Porto, cometeram toda a espécie de delitos e excessos, apesar do marechal Soult - forçoso é dizê-lo em honra da sua memória - ter empregue todos os esforços para moderar os ímpetos dos seus homens e pôr termo a terrível carnificina.

Cumprimentos do
Drum Major

Nota: Desculpem a ignorância, mas como é que se anexam imagens? É que tinha uma da ponte das barcas, mas não descobri como se faz...obrigado.
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Abril 01, 2009, 01:47:31 pm
COMUNICAR EM TEMPO DE GUERRA. O TELÉGRAFO DA SERRA DO SOCORRO (1810)

O público é convidado a recuar 200 anos no tempo. Este projecto, integrado na Rota Histórica das Linhas de Torres – Circuito da Enxara, propõe-lhe a reconstituição histórica de um contingente de militares a operar o telégrafo. A primeira actividade decorre no dia 4 de Abril, pelas 15h30, na Serra do Socorro. »
 
 
Consulte a programação:

RECRIAÇÃO HISTÓRICA*
Animação histórica no âmbito das Invasões Francesas

Serra do Socorro (Enxara do Bispo)
Entrada livre
4 de Abril |15h30 às 17h00 | Actividade integrada no “Raid Hípico das Linhas de Torres” | Público em geral
18 de Maio |14h30 às 16h00 | Actividade integrada no “Dia Internacional dos Museus” | Alunos das escolas básicas do 1.º Ciclo do Concelho de Mafra



Saiba mais:
O Posto de Sinais da Serra do Socorro
Para proteger Lisboa da 3.ª Invasão Francesa, as forças anglo-lusas estabeleceram, em torno da capital do reino, um sistema defensivo estruturado que incluía duas linhas defensivas que ligavam o Oceano Atlântico ao Rio Tejo: as Linhas de Torres.
Paralelamente à construção de fortes e redutos, o exército anglo-luso previu a instalação de um sistema de comunicações para a transmissão de ordens e informações. A Serra do Socorro constituía o ponto central a partir do qual era efectuada a comunicação com os sete fortes onde estavam colocados mastros de sinais. Com base na documentação histórica e nas evidências arqueológicas, efectuou-se o projecto (pioneiro) de reconstituição do telégrafo da Serra do Socorro.
Comunicar em tempo de guerra
Será recriada a ocupação militar que a Serra do Socorro registou durante a 3.ª Invasão Francesa, através de uma encenação junto ao telégrafo.
Duzentos anos volvidos, podemos reviver o quotidiano da época e compreender como funcionava este sistema telegráfico que permitia passar uma mensagem até Lisboa em poucos minutos!
* As actividades poderão ser canceladas caso se verifiquem condições meteorológicas desfavoráveis

A par com a Recriação Histórica têm, igualmente, lugar visitas guiadas no dia 5 de Setembro, às 15h00 e 16h00 (início das visitas).

A entrada é livre, mediante marcação prévia através do telef.: 261 819 711 ou e-mail: arqueologia@cm-mafra.pt.

Saiba mais:
Circuito da Enxara
O Circuito da Enxara insere-se no projecto “Rota Histórica das Linhas de Torres”, iniciativa de âmbito intermunicipal que visa investigar, valorizar e divulgar o património histórico das Linhas de Torres.
Serão disponibilizadas visitas guiadas aos vários elementos que integram o referido circuito:
Serra do Socorro – Observatório de paisagem; buraco de poste musealizado; Centro Interpretativo dedicado à temática das Linhas de Torres; e Telégrafo (este será apenas montado, caso as condições meteorológicas o permitam).
Fortes – Visita ao Forte Grande (28) e Forte Pequeno. Os redutos 28 e 29 encontram-se situados ente a 1.ª e 2.ª Linhas, tendo como objectivo estratégico central a defesa da estrada Torres – Montachique, como apoio ao Quartel-General de Wellington em Pêro Negro.
 

 
30-03-2009 11:55
Título:
Enviado por: quintanova em Abril 02, 2009, 09:33:32 am
Apesar de achar estranho comemorarmos um dos mais dramáticos desastres das Invasões Francesas, por outro lado o acidente marca um ponto de viragem fulcral. Explico-me:

A Junta Suprema no Porto, presidida pelo todo poderoso Bispo de Porto, assumiu até esta altura um poder fenomenal que ofuscava o Conselho de Regência recolocado no poder pelos Ingleses após o Vimeiro e a Convenção de Sintra. O populismo do Bispo tornava-se cada vez mais perigoso no que tange à unidade nacional.

O desastre da ponte de barcas no Porto marca o descambar absoluto desta Junta, com a fuga, no dia anterior, do Bispo para a Serra do Pilar. Esta fuga aliás, quando conhecida pelo povo portuense, foi a pedra de toque para o pânico.

Como ponto de curiosidade, os franceses tentaram salvar as pessoas mais próximas da margem. Conta-se de uma rapariga que se recusou a ser ajudada, tal o medo, e afogou-se (provavelmente é apenas propaganda da altura - antes afogada que violada).

Seja como for, depois da queda do Porto, a Junta Suprema do Reino perdeu totalmente o seu poder e Portugal passou a ser governado apenas pelo Conselho de Regência em Lisboa. Neste regência, D. Miguel Pereira Forjaz tomou a Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra e assumiu-se como o principal responsável pela reconstrução do Exército Português que iria crescer brilhantemente até ao Buçaco, em 1810, e depois por Espanha e França.
Título:
Enviado por: drum major em Abril 02, 2009, 12:10:25 pm
Ora ai está uma figura chave que passa e tem passado totalmente ao lado que é D. Miguel Pereira Forjaz a história e a sua biografia está totalmente por fazer e penso que era de toda a justiça falar-se dessa figura tão pouco conhecida e peça fundamental em todo este conturbado periodo.

Faz-me lembrar um pouco a figura do Dr. João Pinto Ribeiro , após a Restauração essa importante personagem desaparece, embora exista uma biografia dele editada pela Sociedade Historica da Independência de Portugal (SHIP), seja como for seria interessante publicar-se algo sobre o Pereira Forjaz e a sua acção durante a Guerra Peninsular

Drum Major
Título:
Enviado por: quintanova em Abril 04, 2009, 12:26:54 pm
Existem biografias de Beresford e de D. Miguel na forma de 2 teses de doutoramento numa universidade na Florida (EUA), mas não estão publicadas. Seria um projecto interessante de alguma editora corajosa.

No brilhante sítio de Manuel Amaral - "O Exército Português em Finais do Antigo Regime", está a biografia de D. Miguel - http://www.arqnet.pt/exercito/forjaz.html (http://www.arqnet.pt/exercito/forjaz.html).

Numa comparação tosca, mas bem poderosa, principalmente para os amantes da II Guerra Mundial, o Forjaz foi para a dupla Wellington/Beresford aquilo que o Marshall foi para o Eisenhower. Digo eu.
Título:
Enviado por: Lancero em Abril 07, 2009, 02:15:23 pm
Citar
Invasões Francesas: 450 voluntários envolvidos na recriação das 70 mortes do massacre de Arrifana  



    Santa Maria da Feira, 6 Abr (Lusa) - O bicentenário das invasões francesas assinala-se em Santa Maria da Feira entre 14 e 19 de Abril, um programa que tem como ponto alto a recriação do "massacre dos quintados", de que resultaram 70 mortes na freguesia de Arrifana.  

 

    Nas diversas iniciativas previstas estão envolvidas 20 associações do município, num total de 450 voluntários, muitos dos quais já com experiência nas recriações da Viagem Medieval em Terras de Santa Maria.  

 

    O principal momento do programa é a encenação que, durante a tarde do dia 19 de Abril, irá reproduzir as execuções levadas a cabo pelos franceses na sua passagem por Arrifana.  

 

    A história a contar remonta a Abril de 1809, quando o morgado Bernardo Cunha, natural de Arrifana, matou o tenente-coronel Lameth numa emboscada de populares às tropas francesas estacionadas em S. Tiago de Riba Ul.  

 

    O oficial era ajudante de campo do General Soult e este ordenou a retaliação: no dia 17 de Abril, o exército francês tomou de assalto a povoação de Arrifana e todos os que ofereceram resistência foram mortos a tiro, à coronhada ou com cortes de sabre e baioneta.  

 

    Grande parte da população procurou refúgio no interior da igreja, mas os franceses obrigaram os homens a abandonar o templo e fuzilaram depois um em cada cinco - daí a expressão "massacre dos quintados", como ainda hoje é referido o episódio que, segundo os registos paroquiais da época, fez 71 vítimas.  

 

    Amadeu Albergaria, vereador da Cultura na Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, afirma que a recriação do dia 19 de Abril pretende recordar "um dos episódios mais trágicos das invasões francesas" em território português.

 

    Dário Matos, presidente da Junta de Freguesia de Arrifana, defende, aliás, que essa "foi a terra mais martirizada pelos franceses" na sua passagem por Portugal.  

 

    "Não houve batalha mas houve massacre", continua o autarca. "Depois disso, durante 10 anos seguidos não tivemos mancebos para mandar para a tropa".  

 

    Amadeu Albergaria reconhece o impacto profundo que esses factos tiveram no município: "Impunha-se assinalar a efeméride com um diversificado programa de actividades, para manter vivo este capítulo da história local e homenagear a coragem e valentia das nossas gentes".  

 

    O programa das comemorações do bicentenário das invasões francesas em Santa Maria da Feira inclui outras actividades, como exposições de armamento, miniaturas bélicas, ilustração, literatura e banda desenhada.  

 

    Haverá também encenações históricas por alunos das escolas do concelho, um acampamento ao estilo da época, exercícios militares e cerimónias religiosas de homenagem aos mártires.  

 

    Estão ainda previstos desfiles de fanfarras, bandas de música e milícias, assim como um recital de poesia por Aurelino Costa, um concerto evocativo pelo maestro António Vitorino de Almeida e o lançamento de duas publicações alusivas à efeméride.  

 

    No programa que assinala o bicentenário das invasões francesas em Arrifana, o investimento da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira é de 25 mil euros.

 

    O evento é organizado pela autarquia e pela Junta de Freguesia de Arrifana, em colaboração com o Exército Português e a Junta Metropolitana do Porto.

 
Título:
Enviado por: Lancero em Abril 17, 2009, 10:52:26 pm
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Invasões Francesas: Manobra de diversão derrotou duas semanas de resistência pela ponte de Amarante  



    Amarante, Porto, 17 Abr (Lusa) - Uma "manobra de diversão", criação de um facto artificial noutro local para desviar as atenções, permitiu aos franceses, há 200 anos, vencer a resistência das tropas portugueses que durante duas semanas impediram a conquista da ponte de Amarante.  

 

    O episódio histórico, que sábado à noite vai ser recriado na cidade, acrescido do denso nevoeiro gerado no leito do rio Tâmega, foram determinantes para as tropas do general Soult atravessarem a estreita ponte de Amarante na madrugada de 02 de Maio de 1809.  

 

    A travessia da cidade do Tâmega constituía, no desenrolar da II Invasão Francesa, um itinerário estratégico para a fuga a caminho de Trás-os-Montes, depois de os franceses se sentirem acossados pelos ingleses na zona do Grande Porto.  

 

    Carlos Teixeira, quadro da divisão cultural da Câmara de Amarante responsável pelo programa comemorativo da Defesa da Ponte, explica que a resistência dos portugueses durou duas semanas e provocou inúmeras baixas entre os franceses, embora estes nunca o tenham reconhecido.  

 

    Foi a perspicácia de um oficial de engenharia, conta Carlos Teixeira, cujo plano teve o aval directo do general Soult, que conseguiu derrotar os portugueses há dois séculos.  

 

    "Soult percebeu que precisava de destruir a defensiva da ponte e chamou um oficial de engenharia para encontrar um estratagema", refere Teixeira.

 

    Esse "engenheiro" francês [Bouchard], ainda durante a noite, subiu à torre sineira do mosteiro de S. Gonçalo e com um monóculo conseguiu avistar as defesas portuguesas na outra margem e aperceber-se das guarnições instaladas na ponte, nomeadamente a existência de um fornilho [um grande barril de pólvora, com uma arma no interior e um cordel ligado ao gatilho] preso no terceiro arco, pronto a ser detonado à distância quando da passagem das tropas.  

 

    "A armadilha visava destruir o arco da ponte, a exemplo do que foi feito no Marco [de Canaveses], se os franceses tentassem atravessar", refere o também responsável pela programação cultural do museu municipal.  

 

    "Os franceses criaram manobras de diversão a jusante da ponte, no vale dos Morleiros, simulando uma tentativa de passagem para que a atenção e o fogo dos portugueses se concentrasse naquela zona", recorda.  

 

    "Aproveitando o nevoeiro [corriam dias chuvosos e o nevoeiro à noite e madrugada era uma constante] e com as tropas de primeira linha já colocadas na Praça da República, os franceses colocaram três batedores [vestidos com sacos de pano tosco, vulgo serapilheira, os camuflados da época] a rastejar na ponte e a empurrar três barris de pólvora com a cabeça, que previamente foram enrolados em palha para não fazerem barulho na calçada", conta Carlos Teixeira, citando os relatos da época.  

 

    Com os portugueses distraídos e com o nevoeiro, os franceses conseguiram encostar os três barris à paliçada da margem esquerda e detonar os barris, uma explosão muito bem conseguida que permitiu não só cortar a barricada mas sobretudo cortar o fornilho, em que o barril com pólvora desprendeu-se do gatilho e do cabo que permitia accioná-lo.  

 

    Segundo Carlos Teixeira, a artilharia portuguesa nem teve tempo de reorientar as peças para a ponte porque logo de seguida a infantaria e a cavalaria de Napoleão mais avançada atravessaram a ponte e despedaçaram as tropas que tentaram opor-se. A debandada foi geral.  

 

    Os franceses consolidaram depois posições e afastaram os portugueses do monte do Calvário [uma pequena elevação sobranceira à cidade] para que não tivessem posição de tiro. A cidade estava tomada.  

 

    A conquista de Amarante pelos franceses, sugere Carlos Teixeira, advém da sua importância estratégica e militar na época.  

 

    "O general Soult, no Porto, ao ver aproximar tropas inglesas a Sul, na Feira, e as tropas avançadas já na zona de Gaia, percebeu que eles lhes iam cortar a progressão [em círculo] pela Régua, cortando o trajecto de fuga para Trás-os-Montes", refere.  

 

    Percebendo este movimento táctico das forças inglesas, acrescenta o técnico cultural da câmara de Amarante, Soult viu que era necessário assegurar um trajecto de saída o mais rápido possível e manda um corpo abrir a passagem rumo a Norte. Só restava a travessia de Amarante depois de um arco ter sido destruído na ponte de Marco de Canaveses.  

 

    O mês de Abril de 1809 foi extremamente chuvoso e o leito do rio Tâmega levava um caudal de cheia, não permitindo atravessamentos a pé ou a cavalo.

 

    "Só a ponte permitia a passagem da cavalaria e de toda a estrutura militar, os canhões, etc. e sobretudo o saque, ou seja, as carroças com o saque", assegura.  

 

    A "batalha" de Amarante, que tinha cerca de oito a nove mil combatentes de cada lado da ponte, fez baixas em ambos os exércitos.  

 

    Os franceses estavam em fuga e a antiga vila de Amarante foi retomada dez dias depois pelo general Silveira - que terá comandado a resistência algures entre a ponte e o lugar de Padronelo - e que mais tarde foi declarado Conde de Amarante.  

 

    Contudo, são os mesmos relatos da época que proclamam "primeiros heróis" da defesa de Amarante os oficiais Bento de Sá, um exímio artilheiro, e Patrick, um tenente-coronel inglês ferido de morte durante combates corpo a corpo nos primeiros dias da tomada da cidade pelos franceses.  



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Invasões Francesas: Chuva pode condicionar recriação histórica da Defesa da Ponte de Amarante  



    Amarante, 17 Abr (Lusa) - A chuva é o grande inimigo da recriação histórica dos 200 anos da Defesa da Ponte de Amarante, que a autarquia organiza sábado, inviabilizando a deflagração da pólvora e a figuração dos combates entre tropas francesas e portuguesas.  

 

    "Isto foi preparado para um cenário de tempo seco", refere Carlos Teixeira, quadro cultural da Câmara de Amarante e responsável pela coordenação da recriação histórica, um evento que envolve mais de 600 pessoas, sem contabilizar as forças de segurança, bombeiros e socorristas.  

 

    "A recriação vai utilizar pólvora, quer para as armas ligeiras quer para as pesadas, um certo tipo de pólvora adequado ao que se pretende fazer. Mas, num cenário em que chova todo o dia, é impossível fazer-se", afirma o responsável, salientando que com humidade a pólvora não deflagra.  

 

    Carlos Teixeira confia, porém, que surjam abertas, nomeadamente com algum sol, como tem sucedido nos últimos dias e afiançam as previsões de satélite das organizações meteorológicas americanas, que permitam avançar com o programa delineado.  

 

    "O problema é quando cai chuva pesada, nem que seja por um minuto ou dois. Basta cair uma pinga sobre a pedreneira que já não faz faísca. Se a pedra estiver húmida, ao bater não faz chispa e não explode", assegura.

 

    "[A recriação histórica] é um excelente instrumento pedagógico e científico e que só daqui a 100 anos é que tem lógica  voltar a fazer", salienta Carlos Teixeira, admitindo que serão as condições atmosféricas a definir o maior ou menor sucesso do acontecimento, para o qual se aguarda uma grande afluência de público.  

 

    O programa de comemoração do bicentenário da Defesa da Ponte de Amarante, que incluirá muitos efeitos pirotécnicos, sobretudo à noite, compreende uma sessão solene às 15:00, presidida pelo general Ramalho Eanes e com a presença do Chefe do Estado-Maior do Exército.  

 

    Durante a tarde será realizada a recriação da chegada dos franceses à cidade, na zona de Santa Luzia e tendo como palco principal uma ruína dessa época, o Solar dos Magalhães.  

 

    " noite, será recriado o episódio da defesa da ponte, com as paliçadas e a progressão das tropas francesas, a conquista das casas e do mosteiro de S. Gonçalo, terminando no assalto final.  

 

    Os figurantes, cerca de 160 com fardamentos e armamento da época, são elementos do grupo de recriação histórica do Município de Almeida.  

 

    O percurso das tropas e os principais episódios de combate serão objecto de alocuções sonoras explicativas dos factos, de modo a permitir ao público seguir o desenrolar dos acontecimentos vividos há 200 anos.  

 

    O trânsito será fechado em quase todo o centro da cidade durante o sábado e a manhã de domingo, tendo sido disponibilizados gratuitamente todos os parques de estacionamento em redor dos acontecimentos.  

 

    Os locais de assistência para o público estão assinalados pela organização.

 
Título:
Enviado por: TOMSK em Abril 28, 2009, 11:17:21 am
Anglo-lusos eram melhores atiradores  

(http://www.tintafresca.net/_uploads/Edicao94/Batalha_Vimeiro1.JPG)

Expresso
10:34 Quinta-feira, 15 de Maio de 2008  
José Ventura

Se as armas e equipamentos eram semelhantes, por que razão os exércitos que defenderam Portugal entre 1808 e 1814 acabaram por sair vencedores?

Olhando para os armamentos, tanto ligeiros como pesados, utilizados pelos dois exércitos na Guerra Peninsular não se descortinam diferenças de maior. Então, como se explica que armas e equipamentos semelhantes se revelassem mais eficazes nas mãos dos britânicos e seus aliados portugueses? A resposta foi dada por Sanches Baena, investigador do Centro de História da Universidade de Lisboa, na 7ª sessão do Curso Livre de História Militar. É tudo uma questão de treino, disciplina de fogo e pontaria.

Os mosquetes de pederneira, usados desde o séc. XVIII até à Guerra Civil norte-americana (1861-65), eram pouco precisos, não permitiam pontaria a mais de 70 metros e, sobretudo, o seu carregamento era lento e complicado. Entre deitar pólvora na caçoleta, armar o cão, introduzir o projéctil e a pólvora no cano e calcar com a vareta, passava-se quase um minuto até o soldado poder voltar a disparar. Isto se na pólvora não estivesse húmida, a pederneira desse faísca e ... o inimigo não se tivesse, entretanto, aproximado. Fora as vezes em que, com os nervos, o atirador carregava duas e três vezes seguidas o mosquete ou se esquecia de tirar a vareta do cano, o que originava, quase sempre, explosões fatais aquando do disparo. O que também acontecia nas situações de combate próximo, quando alguém apanhava uma espingarda do chão, deixada por amigo ou inimigo, e, por via das dúvidas a carregava...

Nestas condições, mesmo um soldado veterano, dificilmente conseguiria disparar mais de dois tiros por minuto, no máximo três. Ao contrário dos outros exércitos da época, os britânicos treinavam com munição real e faziam-no vezes sem conta, até todos os movimentos do atirador estarem automatizados. Tudo isto obedecendo a vozes de comando e disparando de forma coordenada com os seus camaradas. Desta forma os ingleses combatiam sempre em duas linhas de atiradores que disparavam por companhias e meias companhias e por salvas. Quando uns acabavam de disparar, já os outros tinham carregado e estavam prontos a fazer fogo e assim sucessivamente. Como explicou Sanches Baena, especialista em armamento, "o fogo era contínuo, sem intervalos e extremamente devastador".

Foi esta superior disciplina de fogo que se revelou fatal para as tropas de Napoleão em momentos decisivos da Guerra Peninsular, como nas Batalhas da Roliça e Vimeiro (Agosto de 1808) ou do Buçaco (Setembro de 1810). Mas a verdade é que no caos em que se convertia o campo de batalha de princípios do séc. XIX, com o fumo da pólvora negra a tapar a visibilidade, os canhões a troar e as balas a caírem por todo o lado, "o soldado de infantaria, muitas vezes não tinha possibilidade de disparar mais que um tiro. O confronto com o inimigo acaba por ser à baioneta ou à coronhada". O conferencista citou o relatório de um médico militar após a batalha do Buçaco que referia ter tratado 12 feridos por bala, 28 por golpes de baioneta... e 220 com traumatismos resultantes de coronhadas. "Bem dizia Napoleão que a verdadeira arma do soldado de infantaria era a baioneta..."

A passagem de algumas cenas do filme "O Patriota" ilustrou as amargas lições aprendidas pelos britânicos na guerra de independência norte-americana. Em vez de travarem batalhas em campo aberto, envolvendo formações geométricas, tiveram de enfrentar colonos motivados a bater-se por uma terra e um ideal, conhecedores do terreno e guerrilheiros exímios. E usando, em vez dos mosquetes de grande calibre, carabinas, derivadas das armas de caça, de cano estriado e devastadora precisão. Isto levou a que os exércitos que Wellington comandou em Portugal tivessem, a apoiar as grandes formações de linha equipadas com mosquetes, tropas ligeiras armadas com carabinas de cano estriado. A maior lentidão do carregamento era compensada pela precisão do tiro, dirigido contra alvos selectivos no dispositivo inimigo: oficiais, artilheiros, guardas-avançadas, etc. A carabina Baker era a arma habitual da infantaria ligeira britânica, da qual vieram, para Portugal, entre 1808 e 1814, 2.300 exemplares para equipar os regimentos portugueses congéneres, os Caçadores. Foi uma arma destas que atingiu o general francês Junot em 1811, perto de Rio Maior, causando-lhe um ferimento da cabeça que o viria a fazer perder a razão.

No meio de tudo isto, os portugueses fizeram valer a sua proverbial capacidade de improviso, adaptando o armamento recebido dos britânicos. As espadas de cavalaria, modelo 1798, perderam uma das guardas para não estorvarem o manejo e passaram a ter a ponta afiada em bico, para não resvalarem em pontos mais duros do equipamento do adversário (medalhas, botões, etc). E, como os atiradores portugueses eram, por regra, mais baixos que os seus camaradas britânicos, tinham problemas a disparar eficazmente os mosquetes Brown Bess que eram quase da sua altura. Era uma arma desequilibrada que, ao fim de algum tempo, devido ao cansaço causado nos braços, tendia a ficar apontada par baixo. O esforço de correcção, levava os soldados a fazer pontarias demasiado altas, por sua vez "corrigidas pelos oficiais que, punham as espadas sobre os canos para não os deixar subir demais".
Título: musicas marchas no exercito
Enviado por: rpedrot em Maio 05, 2009, 12:54:27 pm
"Quanto aos toques, realmente existem que eu conheço e possuo as partituras para Infantaria e Cavalaria. Contudo muitas vezes utilizavam-se os britânicos, quando havia tropas combinadas o que era quase geral, marchas militares é que já não é fácil encontrar, do século XVIII tenho, mas é natural que utilizassem essas e outras compostas por Marcos Portugal, desse compositor conheço uma, composta no Rio de Janeiro. "

gostava que elucidassem sobre este ponto: ao que sei marcos portugal fez algumas músicas/colaborou com os franceses da primeira invasão e terá caído em desgraça. foi para o brasil onde morreu na indigência.

e tocavam marchas dele no exército?
Título:
Enviado por: Granadeiro em Maio 11, 2009, 02:32:18 pm
Para quem não assistui este fim de semana à recriação da reconquista do Porto fica aqui algumas fotos que encontrei:

http://www.flickr.com/photos/insanofoto/sets/72157617874894441/

http://www.flickr.com/photos/11257022@N05/sets/72157617818265925/
Título:
Enviado por: TOMSK em Maio 25, 2009, 07:50:52 pm
Encontrei isto cá em casa:

(http://i380.photobucket.com/albums/oo246/panzer18/digitalizar0010.jpg)

(http://i380.photobucket.com/albums/oo246/panzer18/digitalizar0011.jpg)
Título:
Enviado por: Granadeiro em Maio 27, 2009, 02:24:15 pm
Tinhas esta gravura?  :shock:  :shock:

Uma das mais fieis que vi até agora, embora o forro devia ser vermelho para ser o RI8.

Segundo o plano de uniformes esta imagem pertence ao RI 7.

Pena que não se consiga ver a mochila, ainda não se sabe bem como era a mochila portuguesa.
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: Olhadura em Outubro 22, 2009, 07:59:11 am
Encontro-me a ler algumas obras sobre a assim chamada primeira invasão francesa, e tenho algumas dúvidas em relação a certos termos.
Alguém sabe explicar a um leigo da linguagem militar a diferença entre ordenanças (pelo que percebi havia ordenanças a cavalo), milícias, tropas regulares, veteranos e paisanos?

Outra pergunta: Alguém me sabe confirmar se os pescadores algarvios estavam dispensados de cumprirem o serviço militar na época das invasões francesas? Encontrei esta informação num estudo do final do séc. XVIII sobre a decadência das pescas em Portugal (http://books.google.com/books?id=0-QAAAAAYAAJ&pg=PA313&dq=MEM%C3%93RIA+Sobre+a+decadencia+das+Pescarias+de+Portuga&lr=&as_brr=3&hl=pt-PT#v=onepage&q=&f=false). Segundo diz o autor, exclusivamente acerca do Algarve, "todos os Pilotos, Mestres, Arrais, Marinheiros, Pescadores, Mareantes, Calafates, Carpinteiros, etc, são escusos de todo o serviço do mar e terra".
Nas outras províncias isto não se passava, e acerca do Minho chega o autor a dizer: "O Augustíssimo Príncipe Nosso Senhor [futuro D. João VI] adiantaria[=desenvolveria] muito a pescaria da província do Minho, se fosse servido mandar que a ela se estendesse o mesmo privilégio que têm os do Algarve de não serem recrutados para as suas tropas". E explicava o porquê: "O pescador, que ordinariamente é um  mau soldado, pode ser um hábil marinheiro e um bom piloto da costa, e ainda mesmo exercitando o seu ofício não é menos útil ao Estado do que o soldado com as armas na mão".

O autor daquelas linhas passou em Olhão em 1790, e fez então as suas conclusões. Mas os pescadores olhanenses mostrariam que eram bons soldados (ainda que não tivesse cumprido serviço militar), senão vejamos: revoltaram-se contra os franceses entre os dias 16-19 de Junho de 1808, dando-lhes luta tanto no mar como na terra, fazendo quase uma centena de prisioneiros, pondo em fuga muitos, matando alguns outros, e obrigando mesmo os franceses a tomarem medidas preventivas de chamarem mais tropas e até de quererem acordar umas tréguas com os olhanenses (nem que fosse uma mera estratégia para ganhar tempo de chegarem os novos reforços, veja-se ao que se humilharam os franceses)... E isto para não falar no resto, pois foram também pescadores olhanenses que decidiram rumar ao Brasil numa pequena embarcação e que, assim, foram os primeiros a contar ao príncipe regente, em primeira mão, as suas façanhas, ao ponto do monarca elevar o lugar de Olhão a vila (dizendo no alvará que foi aí que se verificou o primeiro exemplo da luta contra o jugo francês), dando ainda medalhas e outras benesses e promoções a muitos olhanenses.  
Infelizmente estes episódios acabam por passar despercebidos numa história que privilegia vitórias como a Roliça, Vimieiro, Bucaço, Linhas de Torres, exército inglês (quando este era composto por muitos portugueses), Wellington e Beresford, etc, etc...
Quem quiser saber um pouco mais acerca do que se passou em Olhão há 201 anos, pode fazê-lo em http://www.olhao.web.pt/Comemoracao200anos.htm

Edgar
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: ShadIntel em Novembro 17, 2009, 10:26:00 am
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Bicentenário das Linhas de Torres começa a ser celebrado em Sobral de Monte Agraço

As comemorações oficiais do bicentenário das Linhas de Torres, estrutura defensiva constituída por 177 fortes e redutos que impediu as tropas francesas de Napoleão Bonaparte de invadirem Lisboa em 1811, arrancam, na próxima quinta-feira, em Sobral de Monte Agraço. As cerimónias, que serão presididas pelo presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, incluem uma sessão evocativa do início da construção das Linhas de Torres, uma conferência sobre a importância desta estrutura defensiva e a apresentação do programa da Plataforma Intermunicipal das Linhas de Torres.

Liderado pelo marechal inglês Wellington, quando já se desenhava uma nova invasão francesa do território português, o processo de construção das Linhas de Torres iniciou-se em Novembro de 1809 e ficou concluído cerca de 10 meses depois. Erguida em "segredo", esta rede de fortes, redutos e baterias estendia-se por duas linhas principais compreendidas entre a zona do Tejo (Alhandra) e a costa atlântica e incluía duas linhas mais pequenas nas zonas de Oeiras e Almada. "Estrategicamente localizadas no alto das colinas, reforçando os obstáculos naturais do terreno", estas fortificações "controlavam os acessos principais para a capital" e as Linhas de Torres são referidas por muitos especialistas como "um dos mais eficientes sistemas de fortificação no campo da história militar".

Certo é que, logo em 1811, as Linhas de Torres tiveram um papel decisivo. Contando com o empenho das populações - que sacrificaram os seus bens para que o exército napoleónico não tivesse condições para se fixar - e com o desconhecimento pelos franceses da existência desta barreira defensiva, as tropas anglo-portuguesas conseguiram travar a sua progressão e obrigaram o invasor a retroceder.

As cerimónias de quinta-feira são organizadas pela PILT e pelo Exército português e realizam-se num pequeno município do coração do distrito de Lisboa onde se situam importantes vestígios das Linhas de Torres, como o forte de Alqueidão e a quinta onde Wellington estabeleceu o seu quartel-general. Incluem uma recepção com guarda de honra a Jaime Gama na Praça do Município, uma cerimónia em honra dos que tombaram no campo de batalha e o descerramento de uma placa evocativa do início da construção dos fortes e redutos das Linhas de Torres.

No cine-teatro de Sobral de Monte Agraço realiza-se a sessão solene evocativa, que inclui intervenções da câmara local sobre os projectos da Plataforma Intermunicipal das Linhas de Torres, uma conferência sobre "As Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular" e alocuções de Jaime Gama e do chefe de Estado-Maior do Exército.

No quadro dos projectos que a PILT pretende levar a cabo deverá ser criada uma rota histórica, que deverá ficar concluída no final do próximo ano e que pretende vir a atrair turistas e estudiosos britânicos, franceses e espanhóis, atendendo ao envolvimento que estes povos tiveram na Guerra Peninsular.
Público (http://http)
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: Miguel Silva Machado em Dezembro 15, 2009, 05:16:54 pm
O “Operacional” junta-se às comemorações e apresenta hoje a exposição “Guerra Peninsular 1810-1814″ patente no Museu Municipal Leonel Trindade em Torres Vedras. Foi inaugurada no passado dia 11 de Novembro pelo Presidente da República e estará exposta até 2010 e 2012.

http://www.operacional.pt/guerra-penins ... os-depois/ (http://www.operacional.pt/guerra-peninsular-200-anos-depois/)

(http://www.operacional.pt/wp-content/uploads/2009/12/1-expo-guerra-peninsular-200.jpg)
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: Lusitano89 em Janeiro 18, 2010, 11:50:35 pm
Linhas de Torres: Lordes britânicos querem angariar dinheiro na recuperação dos fortes


Um grupo de deputados e lordes britânicos prometeu hoje juntar esforços para ajudar a recuperar as construções militares das Linhas de Torres Vedras, cuja eficácia, alegaram, poderá ter salvo o Reino Unido de Napoleão.

Ajuda técnica e angariação de fundos junto de entidades britânicas foram algumas das formas de auxílio discutidas hoje na Câmara dos Lordes, numa cerimónia promovida por Lorde Roper, onde foi lançado o grupo de Amigos das Linhas de Torres Vedras.

Linhas de Torres Vedras foi o nome dado ao sistema defensivo do qual fazem parte os 152 fortes que há 200 anos permitiram defender a cidade de Lisboa das tropas francesas de Napoleão pelo exército luso-britânico comandado pelo General Wellesley (futuro Duke de Wellington) e que se encontram espalhados por diversos concelhos, de Torres Vedras a Loures e Vila Franca de Xira.

A ideia de promover o bicentenário e a conservação dos fortes surgiu após uma visita de vários parlamentares britânicos a Portugal em Julho, durante a qual observaram os trabalhos de recuperação.

“Por enquanto, é uma minoria de entusiastas”, admitiu à agência Lusa o deputado conservador Tim Boswell, que irá, após abandonar a Câmara dos Comuns nas próximas eleições legislativas, dedicar-se a dinamizar o grupo.

As obras de reabilitação já receberam a doação de 1,5 milhões de euros da Noruega, Islândia e Liechenstein e 500 mil euros do governo português.

Mas o historiador e coronel (aposentado) Gerald Napier incitou os deputados e lordes a convencerem as autoridades britânicas a contribuir para “algo que foi tão importante para o Reino Unido”.

“O Reino Unido beneficiou da criação das Linhas e da derrota dos franceses”, enfatizou.

O sistema defensivo criado pelos ingleses e portugueses, sublinhou, ajudou na capitulação das invasões francesas e na subsequente derrota de Napoleão.

Além do lançamento do grupo de amigos das Linhas de Torres, deu entrada hoje, pela mão do deputado trabalhista Andrew Dismore, uma moção a pedir maior atenção do governo para o aniversário da Guerra Peninsular.

Presente na cerimónia, o presidente da Assembleia da República (AR) portuguesa, Jaime Gama, manifestou o desejo de que esta iniciativa “seja um contributo útil à participação internacional em todos os trabalhos que estão a ser feitos em Portugal para preservar o património histórico”.

Jaime Gama esteve acompanhado pelos deputados José Ribeiro e Castro (CDS/PP) e José Luís Arnaut (PSD), presidentes, respectivamente, da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e da comissão parlamentar da Defesa.

Durante o dia, o presidente da AR encontrou-se com os seus homólogos da Câmara dos Comuns, John Bercow, e da Câmara dos Lordes, Baronesa Hayman.

Questionado sobre a disponibilidade manifestada na sexta-feira por Manuel Alegre para candidatar-se pela segunda vez à presidência da República, Jaime Gama, cuja candidatura foi sugerida por alguns socialistas, recusou comentar.

Ionline
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: Templário em Fevereiro 06, 2010, 08:48:23 pm
LINHAS DE TORRES

documentário de Nunes Forte sobre as "Linhas de Torres". Depoimentos do Prof. Veríssimo Serrão, Generais Themudo Barata e Sousa Lucena, Ten. Coronel Pena e Major Fernandes Henriques. Recriações históricas pelo Regimento de Infantaria I e Museu Militar. Mais informações em http://TVPinheiro-noticias.blogspot.com



Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: Templário em Fevereiro 06, 2010, 08:51:55 pm




Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: miguelbud em Outubro 09, 2013, 06:49:17 pm
Há falta de melhor tópico coloco aqui este artigo que saiu hoje no Diário Económico.

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A linhagem Rothschild
 No início do século XIX, os herdeiros do dono de uma casa de câmbio em Frankfurt mostraram a um dos maiores génios militares da história que sem poderio financeiro não há artilharia suficiente para vencer guerras.

A melhor altura para comprar é quando há sangue nas ruas”. O autor da frase, Nathan Rothschild, devia saber do que falava, já que ajudou a construir um império financeiro alicerçado no sangue derramado na Europa pelas guerras napoleónicas do fi nal do século XVIII e início do século XIX. E ainda hoje a máxima do Barão de Rothschild é aplicada por alguns investidores para fazerem milhões.

No final do século XVIII, grande parte da Europa tremia ao ouvir este nome: Napoleão. A campanha conquistadora deste génio militar provocou o medo nos homens mais ricos da altura. Não só temiam ver as suas fortunas transformadas em despojos de guerra mas também, principalmente para aqueles que adoravam mais a vida que o dinheiro, o terror de serem esquartejados pelas baionetas dos soldados de Napoleão.

Um desses homens que queria preservar tanto a sua riqueza como a sua vida era Guilherme I, Eleitor de Hesse, que governava um território perto de Frankfurt e, dizia-se, era um dos aristocratas mais ricos da Europa. Numa primeira fase tentou ocultar os seus bens para que não acabassem nas mãos do Júlio César do século XVIII, contando com a astúcia e a perspicácia de Mayer Amschel Rothschild, que tentava transformar a casa de câmbio que herdara numa entidade fi nanceira poderosa. Mais tarde, Guilherme I exilou-se e deixou os seus bens nas mãos do fundador da poderosa dinastia Rothschild, que dura até aos dias de hoje e tem ramifi cações por todo o mundo, incluindo Portugal.

O xeque-mate a Napoleão

Napoleão até podia ser um dos maiores génios militares da História. Mas não há exército que resista ao poderio financeiro. E Mayer Rothschild revelou-se um estratega fi nanceiro capaz de causar estragos nas fi leiras de uma das maiores máquinas de guerra de sempre. Mas, mais importante ainda, conseguiu aumentar a fortuna à medida que o sangue tingia os campos de batalha pela Europa.

Mayer espalhou quatro dos cinco fi lhos pelos maiores centros fi nanceiros e de poder europeus (Londres, Nápoles, Paris, Frankfurt e Viena). E com a experiência adquirida em ocultar os bens de Guilherme I, criou uma rede logística no Velho Continente para que se conseguisse fazer circular bens pela Europa, como ouro e obras de arte, de maneira a que estes não fossem apanhados pelas tropas francesas. Mas a grande mais-valia deste entreposto logístico residia noutro factor, o poder da informação. Como dizia um dos aliados dos Rothschild, o Duque de Wellington, “tudo o que importa na guerra, aliás, tudo o que importa na vida, é esforçarmo-nos por descobrir o que não sabemos com aquilo que fazemos”. E aquilo que os Rothschild faziam permitiu-lhes saber o que outros não sabiam, dando-lhes enorme vantagem e reconhecimento nos mercados fi nanceiros.

Mas antes de se avançar com o golpe que permitiu colocar em prática a máxima de que é quando o sangue corre pelas ruas que os negócios se fazem, convém explicar porque se trouxe Arthur Wellesley, o Duque de Wellington, para esta história. O militar inglês andou anos a brincar ao jogo do gato e do rato com Napoleão, que com as suas ambições imperialistas havia sido considerado um alvo a abater por essa Europa fora. Mas já desde os tempos remotos que se sabe que quando se quer fazer guerra há que ter dinheiro. E foram os Rothschild que fi nanciaram Inglaterra nas campanhas contra Bonaparte, nomeadamente na defesa de Portugal durantes as Invasões Napoleónicas. Além disso, utilizaram a sua rede logística para entregar fundos da Coroa Inglesa aos estados aliados na guerra contra o temível francês.

A estratégia de fi nanciamento para derrotar Bonaparte iniciara-se, segundo alguns historiadores, sob as ordens do tal Guilherme I que, preocupado com os seus bens, queria evitar que o francês reinasse sobre toda a Europa. O patriarca dos Rothschild deu seguimento a esta táctica, contando com o contributo decisivo do fi lho que destacara para Londres, Nathan Rothschild, o tal que sabia como fazer dinheiro quando houvesse sangue nas ruas.

Além do sangue nas ruas, o dinheiro faz-se com influência e informação

Sangue foi o que não faltou no Junho chuvoso de 1815. Na última tentativa de se reerguer da humilhação na Rússia e do exílio em Santa Helena, Napoleão jogou as cartas todas em Waterloo, perto de Bruxelas. Do lado oposto estavam os aliados ingleses e prussos liderados por Wellesley. O futuro do continente e da bolsa londrina jogava-se naquele embate em terreno encharcado, iniciado a 18 de Junho, um Domingo.

Entretanto, reza a lenda, nos dias seguintes à batalha, o tal que sabia como fazer dinheiro quando houvesse sangue nas ruas, começou a vender dívida inglesa. Com a ausência de notícias vindas do campo de batalha, o mercado interpretou a decisão de Nathan como se o Rothschild soubesse qual tinha sido o desfecho de Waterloo e começou também a desfazer- se dos títulos. Segundo alguns especialistas, Nathan soube com antecedência qual o resultado da batalha, graças à sua rede de agentes que palmilhava a Europa para entregar bens e reunir informações. Após a queda do mercado e já com os preços deprimidos, Nathan começou a comprar e, seis dias após a batalha de Waterloo, chegou a Londres o emissário do Duque de Wellington a dar a notícia de que o temível Napoleão havia sido derrotado.

O resultado da sangrenta batalha, que provocou 51 mil baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos) no exército de Bonaparte e 24 mil nas fileiras dos aliados, deu um grande impulso ao mercado londrino. E poderá ter sido uma das maiores jogadas na História dos mercados fi nanceiros, aumentando exponencialmente a fortuna dos Rothschild. Apesar desta versão, há alguns investigadores a argumentar que Nathan não lucrou com Waterloo e que, na verdade, a sua fortuna correu riscos signifi cativos com a possibilidade de Inglaterra sair derrotada, já que era um dos maiores credores da Coroa e veria os seus investimentos perder valor com uma derrota do Duque de Wellington.

Com a fortuna e a infl uência a subirem em fl echa, os Rothschild montaram um dos primeiros bancos de investimento globais. Rapidamente se tornaram nos principais fi nanciadores dos Estados europeus, espalhando o seu negócio por todo o Velho Continente. Foi esta família de banqueiros que fi nanciou a Coroa Inglesa para a compra do estratégico Canal do Suez. Estiveram ainda na fundação de empresas como a De Beers, que ainda hoje detém o monopólio de diamantes, e da Rio Tinto, que continua actualmente a ser uma das gigantes do sector mineiro. Compraram minas na América, onde abriram sucursais, e na Península Ibérica. Foram uns dos maiores fi nanciadores do fôlego industrial de fi nal do século XIX e não deixaram escapar a oportunidade do ouro negro, ao investir nos campos petrolíferos russos.

Usaram o seu dinheiro para incentivar a construção de caminhos-de-ferro, do metro de Londres e de um túnel que ligasse França a Inglaterra. Toda esta infl uência levou mesmo os Rothschild a ter o poder de emitir moeda em Inglaterra e a serem a entidade responsável por fi xar o preço do ouro. E ao mesmo tempo que a sua infl uência fi nanceira junto de estados soberanos aumentava, os Rothschild lançavam também elementos da sua família na política inglesa e francesa. Todo este poder levou a que surgissem teorias sobre o papel dos Rothschild no controlo da economia mundial e da infl uência para coagir os estados a tomar posições benéfi - cas para os seus interesses, assim como de conseguirem promover a guerra e a paz.

Entretanto, dos negócios iniciados pelos fi lhos de Mayer Amschel Rothschild, a operação em Nápoles acabaria por encerrar. Também em Frankfurt a falta de herdeiros levaria ao fecho da casa que serviu para o império Rothschild como Roma para o Império Romano. O poder da família tinha como epicentro Londres e Paris.

O judaísmo, o desentendimento e a ligação a Portugal

Apesar da riqueza existiam questões fracturantes entre a família Rothschild. Uma delas era se o clã devia ou não usar a fortuna para instituir a Terra Prometida da sua religião, o judaísmo. Um dos Rothschild mais empenhados nesta demanda foi Edmond James de Rothschild, fi lho do fundador do negócio da família em Paris. No século XIX fi nanciou os primeiros colonatos judeus na Palestina, lançando bases decisivas para a criação do que viria a ser o Estado de Israel. Os esforços de Edmond valeram-lhe mesmo o epíteto de Pai de Israel. O incentivo à criação de um Estado judaico na Palestina continuou a ser incentivado pelos descendentes de Edmond James. E um dos seus fi lhos, Maurice, protagonizou a querela com maiores consequências na história do clã no final da década de 30 do século XX. Discordando do rumo dos negócios da família, saiu do grupo Rothschild para se estabelecer por conta própria, mas não teve muito tempo para colocar as suas ideias em prática devido à ascensão de Hitler.

Mesmo tendo conseguido levar a melhor sobre Napoleão, os Rothschild não resistiram incólumes à cavalgada diabólica de Hitler pela Europa. O regime nazi confi scou os bens dos Rothschild na Áustria, levando ao encerramento da operação da família em Viena. E a associação de Maurice de Rothschild à estrela de David e à resistência francesa, levaram-no a recorrer ao cônsul português de Bordéus, Aristides Sousa Mendes, para conseguir um visto que o tirasse de terreno mortífero. Maurice era senador francês e foi um dos poucos a opor-se ao Regime de Vichy do general Petain, que fez a paz com Hitler, e congeminou a criação de um foco de resistência francês em Londres caso a Gália sucumbisse totalmente aos Panzers alemães.

Graças aos vistos concedidos por Aristides, Maurice e outros sete elementos da família Rothschild conseguiram fugir para Portugal e escapar às perseguições nazis. Após a II Guerra Mundial, o fi lho de Maurice, Edmond Jacques, aproveitou várias heranças para criar uma entidade fi nanceira na Suíça que ainda hoje é independente do Grupo Rothschild, o Edmond de Rothschild Group, que tem, desde 2000, escritórios em Portugal.

Além do escritório em Lisboa, as entidades ligadas aos Rothschild estiveram activas no processo de privatizações portuguesas nas décadas de 80 e 90 e continuam a ser assessores fi nanceiros em operações no mercado de capitais nacionais. A entrada em bolsa da REN, por exemplo, teve o grupo Rothschild como um dos bancos de investimento a montar a operação. E, mais recentemente, a entidade esteve presente na avaliação dos activos da Cimpor e no cálculo das necessidades de capital dos bancos portugueses. Outras das grandes áreas de actividade do clã são a arte e os vinhos. Os Rothschild já foram proprietários da Quinta do Carmo, de onde sai o vinho Bacalhoa, que foi comprada há poucos anos por Joe Berardo.

O grupo Rothschild, que vai na sétima geração de banqueiros, continua a manter a sua infl uência nos dias de hoje e ainda tenta recuperar de um dos maiores reveses que sofreu na sua história. Apesar de terem derrotado Napoleão e sobrevivido a Hitler, o negócio original do clã sofreu os maiores estragos em 1983, quando o Presidente francês, François Mitterrand, nacionalizou o Banco de Rothschild. Três anos depois, a família tentou reerguer-se das cinzas, fundando o Rothschild & Cie Banque, que deu origem ao grupo actual.

E apesar de actualmente não terem o poderio e o mediatismo de gigantes norte-americanos, como o Goldman Sachs e o JP Morgan, ainda são capazes de fazer jogadas de mestre nos mercados. Em 2008, ano em que a falência do Lehman Brothers colocou os maiores bancos de investimento do mundo a lutar pela sobrevivência, a empresa-mãe do grupo Rothschild, a Paris Orléans, conseguiu lucrar 76 milhões de euros, assentes na sua actividade na banca de investimento, gestão de activos e banca privada.
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: miguelbud em Março 26, 2014, 08:25:24 pm
Aas Linhas de Wellington ganharam o prémio Europa Nostra na categoria de conservaçao.

http://www.europanostra.org/awards/132/ (http://www.europanostra.org/awards/132/)
Título: Re: AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
Enviado por: mafets em Maio 02, 2017, 12:10:19 pm
Em 02/05/1808 começava a Guerra Peninsular (209 anos).
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Este dia marca o inicio daquilo que em Portugal se chamou «Guerra Peninsular»[1]

O conflito que ocorreu na península ibérica, e que é conhecido como guerra peninsular, teve o seu inicio em 1807 com a entrada em Espanha de tropas francesas, que em coligação com a Espanha deveriam ocupar Portugal.

No entanto, a posição espanhola perante Napoleão era uma posição cada vez mais débil. O caudilho (chefe militar espanhol) e primeiro ministro Manuel de Godoy[2] assumia cada vez mais poderes em Madrid. Como aliado preferencial de Napoleão tinha grande poder, poder que era reforçado pela influência junto da rainha de Espanha, e dessa forma, junto do próprio rei.

Os acontecimentos em Madrid, enquanto as forças francesas e espanholas, que eram na altura aliadas, entram em Portugal no final de 1807 e inicio de 1808 - continuam numa sucessão de intrigas palacianas e traições. As linhas principais da intriga, que acabará por fazer a Espanha mudar de lado na guerra podem definir-se da seguinte forma:

http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=96 (http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=96)
(http://www.areamilitar.net/historia/images/GuerrPenins_08.jpg)

Saudações