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Conflitos => Conflitos do Passado e História Militar => Tópico iniciado por: JNSA em Agosto 25, 2004, 07:01:05 pm

Título: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: JNSA em Agosto 25, 2004, 07:01:05 pm
Abri esta discussão inspirado pelas histórias que o JLRC nos contou no outro tópico na área livre...

O meu objectivo aqui não é propriamente conhecer histórias de guerra, visto que já há tópicos para isso, mas sim tentar, através do testemunho de alguns dos membros do fórum que participaram na guerra (ou que tenham familiares ou conhecidos que combateram), ter uma visão sobre alguns aspectos que não são muito tratados na literatura disponível.

Assim, e para começar, gostaria de saber se alguém me pode "iluminar" sobre os seguintes assuntos: :wink:

Espero que não esteja a ser muito chato... :wink:
Título:
Enviado por: komet em Agosto 25, 2004, 07:10:32 pm
Algo que também me desperta a curiosidade, se me permitem, é a opinião da população africana em geral, na altura, queriam mesmo que os portugueses fossem embora? Os que queriam era apenas por questões ráciais, ou acreditavam mesmo que sozinhos se conseguiam aguentar como nação? (esteve à vista de todos estes 30 anos que não...)

A independência significa muita responsabilidade e acima de tudo União, se tal nunca existiu não sei como se podia conceber a independência na altura (isto aos olhos de um civil).

Outra coisa que me interessa  imenso é a opinião internacional sobre o conflito, como era esta guerra aos olhos do mundo? Um Vietname em África?
Título:
Enviado por: Spectral em Agosto 25, 2004, 09:45:41 pm
Ah, excelente ideia  :wink:

Por acaso também já me tinha várias vezes interrogado sobre a questão HK21 vs MG42/3 ( muitos outros exércitos como o alemão continuaram a utilizar esta como metrelhadora ligeira).

Por outro lado gostava também de saber mais pormenores sobre a utilização da artilharia e sobre a colaboração da África do Sul  ( tenho a ideia que uma esquadra de aviões deles chegou a estar estacionada em Angola).
Título:
Enviado por: fgomes em Agosto 25, 2004, 10:46:14 pm
Tanto quanto sei, houve apoio de helicópteros sul-africanos no transporte de tropas portuguesas no sudeste de Angola. Tratava-se de impedir a SWAPO de se infiltrar na Namíbia através de Angola.
Título:
Enviado por: JLRC em Agosto 26, 2004, 10:35:06 pm
Caro JNSA

Vou tentar responder a algumas das perguntas que formulou, baseado na minha experiência pessoal.

1ª Quanto a esta questão devo dizer-lhe, que tirando a G-3, só disparei a Kalash. A preferida para mim (destas duas) era a Kalash. Era (é) uma arma robusta, com boa cadência tiro e leve, o que é muito importante quando se passam alguns dias no mato (normalmente 4), carregados com as munições, rações de combate e outro material. No outro tópico vou contar a minha chegada a Moçambique. Além da G-3, na instrução, quer em Mafra, quer em Vendas Novas (era atirador de artilharia), só disparei pistolas metralhadoras FBP e Uzzi e a pistola Walter. Por sinal, no dia da Uzzi íamos morrendo todos com uma rajada acidental (parece que era hábito).

2ª Quanto às metralhadoras, sempre utilizei a HK-21 porque era a que normalmente estava disponível.

3ª Nunca vi em Moçambique, pelo menos na minha zona, nenhuma viatura blindada, nem sequer uma auto-metralhadora, nem sequer ouvi falar do seu uso. Portanto não havia nenhum preferido.

4ª Pela resposta anterior depreende-se que não havia pedido de viaturas blindadas. Nós queriamos eram Berliets e mesmo estas não haviam.

5ª Quanto às armas pessoais, estávmos bem servidos com a G-3. Faltavam no entanto outras armas complementares e por vezes quando haviam, não havia munições em quantidade para elas. Nós, de armas operacinais, além das G-3 tinhamos 1 Breda, 1 MG-42, 2/3 HK-21, 2 morteiros 60 e 1 lança-granadas foguete (com 2 munições). A estória das munições contadas e justificadas é verdadeira. Todos os disparos tinham que ser justificados. Para podermos fazer tiro de reconhecimento (que era proíbido) tinhamos que poupar as munições de tiro de treino, para as podermos gastar sem justificação. O que por vezes também fazia falta era melhor apoio aéreo. Normalmente o apoio só era pedido quando havia um ataque muito grave e quando os Fiat ou os heli-canhão chegavam, já os guerrilheiros estavam a milhas de distância. No entanto, houve casos de ataques a colunas, que só foram contidos com o apoio dos Fiat.

6ª As forças de polícia militar tinham um importante factor de união, isto é, sempre que apareciam, acabavam as rivalidades e eram todos contra eles. Fora destas actividades, tive bastantes contactos com uma companhia da PM, da Beira, que fazia a escolta às cargas críticas para Cabora Baça. As cargas críticas eram por exemplo as turbinas, etc. estas cargas vinham de combóio desde a Beira até Moatize, onde eu estava, e depois seguiam por estrada até Cabora Baça. Quem escoltava as cargas era uma companhia da PM, sediada na Beira, e tanto quanto me lembro, fazia um bom trabalho. Como pernoitavam no meu quartel, enquanto estavam em Moatize, vía-os frequentemente e fiz alguns bons amigos. Um dos alferes agora é médico em Serpa.

7ª Tive contacto com Fuzos, Páras e Comandos. Devo dizer que fiquei sempre com muito boa impressão dos Pára-Quedistas, salvo erro, do BCP 31 da Beira. Eram impecáveis no trato e muito competentes. Houve uma altura em que eles ficaram estacionados durante muito tempo na picada Moatize-Zobué e nós faziamos os possíveis para pernoitarmos no acampamento deles, pois sabíamos que íamos ser bem recebidos, com comida quente, bebidas e uma bela lerpa. Eram os nossos preferidos.
Eu pessoalmente, tive contactos com os Fuzos do destacamento de Tete, porque a partir de certa altura, passámos a ter um destacamento no aldeamento do Sungo, na margem do Zambeze, e na época das chuvas era impossível reabastecer o destacamento por terra, só o podíamos fazer de heli ou por lancha da marinha, descendo o Zambeze. Devo dizer que as duas descidas que fiz, foram as viagens mais incríveis que fiz em toda a minha vida. Só graças ao alto profissionalismos dos tripulantes da lancha (era uma lancha de desembarque das mais pequenas, talvez uma LDM) era possível navegar no rio. Havia zonas em que o fundo da lancha batia no chão, noutras tinha que ser puchada à mão com cordas, das margens. Incrível.
Quanto aos comandos, os contactos que tivemos foi com só com companhias de Moçambique, de Monte Buez, e eram um bando de desordeiros, indisciplinados que chegaram inclusivamente a urinar e defecar na piscina, em frente a toda a gente. Operacionalmente não fizeram nada. Eles e os pára eram o 8 e o 80. Na altura dizia-se que os comandos da metrópole eram completamente diferentes, mas isso eu não posso testemunhar pois não tive contactos com eles.
Cumptos
Título:
Enviado por: Luso em Agosto 27, 2004, 05:49:44 pm
Excelente, JLRC!
Que pena que o meu Pai não fale muito desses tempos...
Está no seu direito.
Título:
Enviado por: fgomes em Agosto 28, 2004, 10:54:05 pm
No meu trabalho existem alguns veteranos de guerra, Moçambique e Guiné, com os quais tenho conversado várias vezes sobre as suas experiências. Quanto as armas ligeiras e viaturas  as opiniões são semelhantes às do JLRC. Um dos veteranos fez parte de uma unidade equipada com blindados Panhard na Guiné e tinham sempre falta de sobressalentes, de modo que nunca tinham todas as viaturas operacionais, conseguindo ter um número de blindados em serviço, abaixo do ideal, graças ao típico desenrascanço português. De qualquer modo segundo guerrilheiros do PAIGC capturados, as armas que mais temiam eram justamente os Panhard e os helicanhões, isto por volta de 1970.
No caso de Moçambique aqueles que participaram na operação Nó Górdio, dizem que esta só faria sentido se tivesse incluindo o ataque à principal base da Frelimo na Tanzânia situada em Nashiguewa.
Todos sentiram a falta de veículos com protecção contra minas, sendo uns grandes admiradores do material sul-africano nesta área.
Título:
Enviado por: JoseMFernandes em Novembro 20, 2004, 06:22:27 pm
Citação de: "fgomes"
No meu trabalho existem alguns veteranos de guerra, Moçambique e Guiné, com os quais tenho conversado várias vezes sobre as suas experiências. Quanto as armas ligeiras e viaturas  as opiniões são semelhantes às do JLRC. Um dos veteranos fez parte de uma unidade equipada com blindados Panhard na Guiné e tinham sempre falta de sobressalentes, de modo que nunca tinham todas as viaturas operacionais, conseguindo ter um número de blindados em serviço, abaixo do ideal, graças ao típico desenrascanço português. De qualquer modo segundo guerrilheiros do PAIGC capturados, as armas que mais temiam eram justamente os Panhard e os helicanhões, isto por volta de 1970.
No caso de Moçambique aqueles que participaram na operação Nó Górdio, dizem que esta só faria sentido se tivesse incluindo o ataque à principal base da Frelimo na Tanzânia situada em Nashiguewa.
Todos sentiram a falta de veículos com protecção contra minas, sendo uns grandes admiradores do material sul-africano nesta área.


Creio ter absoluta razao.Estive em Angola, no sul, no norte,e em Cabinda.
O material disponivel era ridiculo.Olhar para as forças portuguesas de hoje destacadas em missao(mesmo sem comparar com os outros paises), da-nos uma ideia bem triste das nossas possibilidades de entao.. com deslocaçoes de varios dias a pé e viatura.As raras vezes que utilizei helis, nas planicies do Cuando Cubango, eram aparelhos cedidos eventualmente pela Africa do Sul(devido a proximidade com a Namibia).
As viaturas (Unimogs e Berliets) nunca estavam operacionais em mais de 50%.Muniçoes eram razoavelmente racionadas, (treinos quase inexistentes), além de nem sempre estarem em condiçoes(num dos raros combates em que entrei, o  camarada que estava a meu lado tentou fazer disparar o morteiro(a mao) que tinha consigo,... todas as granadas que introduzia nao disparavam, e ele entao despejava o tubo para o chao e tentava outra..e outra... (até tremo retrospectivamente ao pensar nisso).Idem para as  LGF, e mesmo os dilagramas(criaçao aparentemente portuguesa) eram quase inexistentes.Metralhadoras ligeiras( hk21-  1 por pelotao), com problemas também.Material de transmissoes era deficiente(comunic. com os meios aereos entao... nem falar).Os melhores operacionais ainda eram (no nosso caso) os Flechas, forças especiais administrativamente dependentes da DGS(PIDE) e de qualidade extraordinaria, que nalguns casos nos acompanhavam,...  e que pouparam muitas vidas aos nossos soldados...
Como nota complementar o nosso batalhao controlava entao um sector cuja area era o dobro do nosso territorio continental.
Título:
Enviado por: fgomes em Novembro 20, 2004, 07:00:53 pm
Um antigo chefe que tive, também serviu no leste de Angola, e tem uma grande admiração pelos Flechas, nomeadamente das suas capacidades como pisteiros. É pena que ainda não se tenha feito a história destas tropas, sem cair nos chavões habituais, quando se trata da PIDE/DGS.
Título:
Enviado por: [PT]HKFlash em Novembro 20, 2004, 07:06:48 pm
Boa ideia JNSA! :wink:

Citar
2- o mesmo que no ponto anterior, mas em relação às metralhadoras. Qual era a opinião sobre as Dreyse, as Breda, as HK-21, as MG-42, etc..? (sobretudo as duas últimas)

O meu avô utilizava o morteiro e não metralhadoras. Portanto apenas sei que os Commandos utilizavam a MG-3 salvo o erro.

Citar
3- qual era o veículo (blindado ou não) que as tropas no terreno achavam mais adequado às missões de patrulha/reconhecimento e participação em colunas?

Veículos blindados?haha, no meio daquela selva o mais provavel servir de torre defensiva aos aquartelamentos. Haviam poucos ou nenhuns. Não existiam blindados pelo menos onde o meu avõ esteve. Ele chegou a andar de M-113 mas isso foi nos treinos em Portugal.

Em relação a veículos não-blindados apenas o bom velho jeep americano. (sem portas)

Citar
4- o apoio de viaturas blindadas dedicadas era muito procurado pelas tropas no terreno, ou era considerado algo dispensável/secundário?

Nenhum até porque como já disse não existiam unidades blindadas onde o meu familiar combateu. O terreno era muito dificil para veículos não blindados, quanto mais para blindados.

Citar
5- em termos de melhoria da eficácia em combate, o que é que as tropas achavam mais prioritário? Melhores armas pessoais? Melhores armas de apoio, como os RPG-7 do inimigo? Melhor apoio aéreo (por hélis ou não)? Melhores veículos?

Sei que as tropas portuguesas tinham LAWs e Morteiros. Mas como o meu avô utilizou morteiro suponho que esta arma melhora-se significativamente a eficácia no combate, embora as munições fossem mais usadas para "assustar" o inimigo. (eu estou a falar em missões de patrulha e escolta, não em defesa de acampamentos)

Citar
6- que tal era a performance das unidades de Polícia do Exército nas missões de escolta a colunas e defesa das unidades (ou seja, fora das missões típicas de manutenção da ordem)?

Nunca ouvi falar da policia militar. De qualquer maneira os Caçadores Especiais da companhia 270 faziam muitas missões de escoltas a colunas de abastecimentos. O  meu avô contou me inúmeras vezes sobre essas "aventuras". Lembro-me de ele me dizer que um civil (eram os civis que levavam os mantimentos em carrinhas civis até chegarem viaturas do exercito) disse que preferia a companhia 270 dos caçadores especiais, pois normalmente salvam-lhe a pele.

Citar
- qual era considerada a unidade mais bem adaptada ao tipo de conflito vivido? Comandos, Páras, Fuzos, Caçadores Especiais, Flechas, etc?


O meu avô teve contactos com os Commandos e Pára-quedistas. Estas duas forças por vezes metiam se umas com as outras e gerava-se a confusão...enfim rivalidades.  :wink:
Título:
Enviado por: [PT]HKFlash em Novembro 20, 2004, 07:08:42 pm
Citar
As raras vezes que utilizei helis, nas planicies do Cuando Cubango, eram aparelhos cedidos eventualmente pela Africa do Sul(devido a proximidade com a Namibia).


Sei que a Africa do Sul forneceu uma ambulância ás tropas portuguesas. Era o nosso único aliado em Angola.
Título:
Enviado por: JoseMFernandes em Novembro 22, 2004, 09:31:09 am
Citação de: "fgomes"
Um antigo chefe que tive, também serviu no leste de Angola, e tem uma grande admiração pelos Flechas, nomeadamente das suas capacidades como pisteiros. É pena que ainda não se tenha feito a história destas tropas, sem cair nos chavões habituais, quando se trata da PIDE/DGS.



Flechas, TE's, GE's..., falta talvez fazer a historia das forças  militarizadas que combateram na Guerra Colonial.Uma das mais importantes (nomeadamente em numero) foram os ex-gendarmes catangueses, que se refugiaram em Angola depois dos acontecimentos no Ex-Congo Belga
e da saida politica de Tschombé.Estavam também dependentes da DGS(Pide), e muitos tinham a familia consigo.A eles muito se deve  a contençao dos guerrilheiros angolanos, no Leste.Viriam apos a independencia,curiosamente, a trabalhar para governo oficial (MPLA), no combate a FNLA e principalmente a UNITA, com sortes diversas.E também em intervençoes na entao Republica do Zaire(Kinshasa,Kolwezi...). Mas isso ja é outra historia...
Título:
Enviado por: dremanu em Novembro 24, 2004, 11:46:38 pm
O meu pai andou na Guiné-Bissau, e fazia parte dos caçadores, não porque quiz, mas porque era um excelente atirador, devido ao meu avô o ter incentivado a caçar desde criança. Quando fez os testes de admissão teve notas excelentes, então o exército decidiram-no mandar para esse grupo.

O que o safou de ser selecionado para andar no mato a tempo inteiro foi ter um curso de electrónica, porque assim deram-lhe o trabalho de ser especialista de comunicações, mas mesmo assim teve que passar algum tempo no mato. E tb teve que experimentar o seu quinhão da realidade da guerra, visto que ouve colegas dele que morreram, e outros que ficaram gravemente feridos.

Em geral andava armado com uma Walter, e só carregava a G3 quando ia para o mato. Nunca matou ninguém, mas uma vez, durante uma noite qualquer, enquanto fazia uma ronda à volta do quartel, escutou um ruído no meio dos arbustos, gritou para que se identificassem com a senha, quando não o fizeram metralhou os arbustos, acordou o quartel inteiro, e toda a gente saiu a correr e aos tiros por todo o lado pensando que estavam a ser emboscados. No fim de tudo, era um animal qualquer que estava a rastejar. :D

Algumas das estórias que o meu pai me contou, inclui tb as viagens entre Portugal- Guiné e o reverso, que eram feitas num avião militar, creio que num DC-3 que voava em altitude baixa, ao longo da costa africana, e que demorava umas 10 ou 12 horas para fazer o percurso. Sempre vinham abordo dos aviões os feridos e os mortos de retorno ao continente, o que era triste de se ver.

O meu pai voltou com alguns problemas psicológicos por causa da guerra, e a princípio a minha família passou por situações dificeís, mas hoje em dia já tudo passou à história.
Título:
Enviado por: [PT]HKFlash em Novembro 26, 2004, 09:00:14 pm
Citar
O meu pai andou na Guiné-Bissau, e fazia parte dos caçadores


Dremanu , parece que os nossos antecedentes têm algo em comum.  :D

Há também que realçar que o meu avô chegou a fazer patrulhas na fronteira com o Senegal, e se não fosse a aeronave a avisá-los, eles penetrariam ainda mais para dentro desse território.

JNSA já agora sei que existiam M-113 no ultramar mas estavam estacionados apenas em cidades importantes como Luanda.
Título:
Enviado por: papatango em Novembro 26, 2004, 09:13:22 pm
Garanto que é impossivel. Os primeiros M-113 chegaram a Portugal em 1978  para o BIMEC da BMI.

Cumprimentos
Título:
Enviado por: Miguel em Novembro 26, 2004, 09:18:53 pm
Citação de: "papatango"
Garanto que é impossivel. Os primeiros M-113 chegaram a Portugal em 1978  para o BIMEC da BMI.

Cumprimentos


alias nunca houve nehum blindado sobre largatas no ultramar!
1°tinhamos M47 e Halftrak M3 mais isso avariava tanto e gastava muito petroleo!
2° os blindados que tinhamos no ultramar eram :
   AML60,EBR,DAIMLER scout car,Chaimites
Título:
Enviado por: papatango em Novembro 26, 2004, 10:07:12 pm
Citar
alias nunca houve nehum blindado sobre largatas no ultramar!
Não há fumo sem fogo.

Houve de facto carros sobre lagartas em Angola. Só não foram M-113.

Cumprimentos
Título:
Enviado por: Miguel em Novembro 26, 2004, 10:11:27 pm
papatango

os unicos carros largatas que houve em angola, eram os bulldozers catterpillar da engenharia!
Título:
Enviado por: JNSA em Novembro 26, 2004, 10:30:43 pm
Citação de: "miguel"
papatango

os unicos carros largatas que houve em angola, eram os bulldozers catterpillar da engenharia!


Errado, foi utilizado um pequeno número de carros de combate M5A1 em Angola, mais especificamente no Batalhão de Cavalaria 1927.
Título:
Enviado por: Miguel em Novembro 26, 2004, 10:57:03 pm
M5a1??
que é isso?
sei que tinhamos M24 e M47

ja agora, o meu pai tambem estive em Angola entre 62 e 66, no norte,
os outros 2 irmãos do meu pai (meus tios) 1 tive em Mozambique e outro na Guinéé.
O meu avo serviu no RAC durante a IIguerra mundial,e o pai do meu avo serviu en frança no CEP na Iguerra mundial.
Aqui em frança existe um cemiterio dos soldados portugueses da grande guerra, situa-se perto de Lille no norte, fizerem tambem 1 monumento para homenagear a heroica resistencia, dos nossos soldados em la couture, famosa batalha da lys.
Título:
Enviado por: JNSA em Novembro 27, 2004, 12:06:20 am
O M5A1 era um carro de combate ligeiro americano, desenvolvido na 2ª Guerra Mundial, e usado pelo Exército Português entre 1956 e 1967.
Título:
Enviado por: [PT]HKFlash em Novembro 27, 2004, 12:31:54 am
Citação de: "papatango"
Garanto que é impossivel. Os primeiros M-113 chegaram a Portugal em 1978  para o BIMEC da BMI.

Cumprimentos


Ooops! :oops:

De facto fui confirmar e não se tratavam de M-113.
Título:
Enviado por: papatango em Novembro 27, 2004, 12:36:50 am
Exactamente.

Caro Migel, Talvez fosse melhor ter em atenção que algumas pessoas neste fórum só dizem coisas quando têm a certeza do que estão a dizer.

qualquer pessoa que tenha o livro do Aniceto Afonso e do Carlos de Matos Gomes vê lá as fotos dos carros M5

(http://bbs.defence.co.kr/html/bbs/data/landarms1/1-1-1m5a1.jpg)

Esses carros estiveram em Angola para analisar a viabilidade da sua utilização, tendo-se concluido que, por razões várias, entre as quais as ervas altas - que tornavam os tanques em veículos extremamente vulneraveis,-  a sua utilização era desaconselhada.

Cumprimentos
Título:
Enviado por: Lightning em Junho 14, 2006, 10:52:49 pm
O meu pai foi Para-quedista na Guiné-Bissau por altura de 1970 (mais ano menos ano :lol:  (convencidos)
Título:
Enviado por: luis filipe silva em Junho 19, 2006, 03:10:01 am
Miguel escreveu:


Citar
os unicos carros largatas que houve em angola, eram os bulldozers catterpillar da engenharia!

Citar
M5a1??
que é isso?
sei que tinhamos M24 e M47


É só perder um pouco de tempo e ler:
http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?t=3240 (http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?t=3240)
Título:
Enviado por: Rui Elias em Junho 20, 2006, 11:05:01 am
O blindado de lagartas M5 A1 é esse aí?

(http://mars.wnec.edu/~dwilliam/history/tank2.gif)
Título:
Enviado por: Marauder em Junho 20, 2006, 01:44:46 pm
Yep..bela da relíquia..
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Junho 22, 2006, 02:21:04 pm
Citação de: "Hélder"
O meu pai foi Para-quedista na Guiné-Bissau por altura de 1970 (mais ano menos ano :wink:
Título:
Enviado por: ricardonunes em Junho 22, 2006, 04:24:23 pm
Cabeça de Martelo, o lança-rocktes que fala será este?
(http://img61.imageshack.us/img61/8062/dscf08152jh.th.jpg) (http://http)
Título:
Enviado por: Lancero em Junho 22, 2006, 05:38:36 pm
Já agora, e porque me parece que ainda não vi estas fotos por aqui - e imagens de AlII na FAP são raras.... Deparei-me com elas num qualquer site (peço perdão por não me lembrar qual) sobre a Guerra Colonial. Foram tiradas em Moçambique em situações, infelizmente, não muito agradáveis

(http://img198.imageshack.us/img198/6598/aliimocambique6vn.th.jpg) (http://http)

(http://img394.imageshack.us/img394/1391/aliimocambique17sz.th.jpg) (http://http)


A FAP adquiriu os primeiros Aerospatiale SE3130 Aloutte II em 1957. Inicialmente foi enviado para França um grupo de pilotos, onde receberam instrução. Em 21 de Janeiro de 1958 chegou à BA6, no Montijo, o primeiro AlII, ao qual é atribuído o nº de cauda 9201. Posteriormente seriam recebidos mais seis helicópteros deste modelo, (9202 a 9207). http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A9ros ... louette_II (http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A9rospatiale_Alouette_II)

Motor:
Turbomeca Artouste II de 400hp
Dimensões:
Envergadura.................. 10 m
Comprimento................. 9,70 m
Altura............................ 2,75 m
Pesos:
Peso vazio..................... 825 Kg
Performances:
Velocidade cruzeiro......... 175 km/h
Raio de acção................. 700 km

Estes não sei se tinham o mesmo uso, mas o meu pai (que foi Comando em Angola) já me contou que - além dos heliassaltos - usavam muito o ALIII para caçar. Ele diz que era uma regalo após cinco dias de mato quando chegava o ALIII com as gazelas penduradas...
Título:
Enviado por: Lightning em Junho 22, 2006, 07:52:26 pm
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Eu pensei que a AR-10 só tinha sido usada em Angola. Já vi muitas imagens de Páras durante a guerra do Ultramar com material soviético e também com um lança-rockets desenvolvido pelos Páras (?), que usava rockets dos aviões.


Pois isso agora não sei se ele a usou na Guiné ou se foi em treinos em Tancos, tenho que lhe perguntar.

Está a perguntar ou a afirmar que esse lança-rockets foi desenvolvido pelos paras?
Nunca ouvi falar nele, mas ouvi falar no "rocket electrico", penso que a fotografia apresentada seja desse que eu falei.
Título:
Enviado por: Lightning em Junho 22, 2006, 08:01:19 pm
Citação de: "Lancero"
Estes não sei se tinham o mesmo uso, mas o meu pai (que foi Comando em Angola) já me contou que - além dos heliassaltos - usavam muito o ALIII para caçar. Ele diz que era uma regalo após cinco dias de mato quando chegava o ALIII com as gazelas penduradas...


Essas histórias é que eu gosto de ouvir :lol: levantaram-se logo uns quantos e disseram "Ninguém come isso!", o meu pai aproveitou a confusão e mais outro para irem à procura de vinho :lol:  (mundo pequeno), lá levaram uns recipientes em barros grandes cheios de vinho e esconderam-os por baixo da mesa, passando um bocadito lá começou a chegar o javali pa comerem :twisted:
Título:
Enviado por: ricardonunes em Junho 22, 2006, 08:58:25 pm
Os paraquedistas que estiveram em Timor, também levaram a AR-10.
http://tvtel.pt/paraque/album_timor/21- ... timor.html (http://tvtel.pt/paraque/album_timor/21-memorias-timor.html)
Título:
Enviado por: Rui Elias em Junho 26, 2006, 11:27:00 am
Ainda relativamente às viaturas utilizadas na guerra colonial:

O M5-a1

(http://www.viriatus.com/images/GU_96.jpg)

(http://www.viriatus.com/images/GU_97.jpg)

O AML Panhard:

(http://www.viriatus.com/images/GU_95.jpg)

E muitas outras, bem como armamento diverso, em:

http://www.viriatus.com/GU61_74_07.asp (http://www.viriatus.com/GU61_74_07.asp)
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Junho 27, 2006, 10:29:43 am
Citação de: "Hélder"
Pois isso agora não sei se ele a usou na Guiné ou se foi em treinos em Tancos, tenho que lhe perguntar.

Está a perguntar ou a afirmar que esse lança-rockets foi desenvolvido pelos paras?
Nunca ouvi falar nele, mas ouvi falar no "rocket electrico", penso que a fotografia apresentada seja desse que eu falei.

Estou a afirmar, mas sempre se pode confirmar isso. Eu depois digo algo.

Citar
Os paraquedistas que estiveram em Timor, também levaram a AR-10.
http://tvtel.pt/paraque/album_timor/21- ... timor.html (http://tvtel.pt/paraque/album_timor/21-memorias-timor.html)


Pois...mas já estamos a falar de 1975. Nessa altura já se tinha feito a descolinização ou estava muito perto de acontecer.  :wink:
Título:
Enviado por: sierra002 em Setembro 08, 2006, 07:06:09 pm
Aqui un link que hemos dedicado en un foro español a las guerras coloniales portuguesas.

http://www.elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=5125 (http://www.elgrancapitan.org/foro/viewtopic.php?t=5125)
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 09, 2006, 01:01:19 am
Foi um debate interessante! Papatango no seu melhor e um Espanhol que fez um notável trabalho de pesquisa.
Título:
Enviado por: TOMKAT em Setembro 20, 2006, 05:52:45 pm
Memórias de 1973

(http://img226.imageshack.us/img226/3615/cgn1lp9.jpg)

(http://img226.imageshack.us/img226/8393/cgn2ym4.jpg)

(http://img228.imageshack.us/img228/9389/cgn3sb7.jpg)
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 20, 2006, 09:56:49 pm
Excelente descoberta Tomkat!
Título:
Enviado por: JLRC em Setembro 20, 2006, 11:21:42 pm
Viram a reportagem na RTP 1 acerca dos cemitérios militares portugueses nas ex-colónias? Fiquei impressionado com o estado de degradação e abandono de alguns especialmente os de Moeda e Pemba, em Moçambique estavam uma vergonha, com o mato da altura de um homem e as cruzes tapadas pela altura do mato. Uma vergonha.
Título:
Enviado por: TOMKAT em Setembro 21, 2006, 01:20:46 am
Citação de: "JLRC"
Viram a reportagem na RTP 1 acerca dos cemitérios militares portugueses nas ex-colónias? Fiquei impressionado com o estado de degradação e abandono de alguns especialmente os de Moeda e Pemba, em Moçambique estavam uma vergonha, com o mato da altura de um homem e as cruzes tapadas pela altura do mato. Uma vergonha.

Vergonhoso.

Contudo, vergonha maior, é o estado português não fazer nada para transladar os restos mortais de quem perdeu a vida defendendo um conceito de estado, convictamente ou não, muitas vezes forçados a isso por esse mesmo estado, que, independentemente das épocas e das ideologias que o orientam, é e será sempre a mesma entidade.
Essa transladação que seria o mínimo que esse mesmo estado poderia fazer, para atenuar a dor de que perdeu familiares ou amigos, e nunca teve oportunidade de lhes prestar a devida homenagem.

Citação de: "Cabeça de Martelo"
Excelente descoberta Tomkat!


O mérito não é meu. Tenho o prazer de receber na minha caixa de correio alguma informação relacionada com a guerra colonial, enviada por ex-combatentes com os quais mantenho um relação de amizade.
Esta veio, por via indirecta, da Guiné.  Honra a quem a merece.  :wink:
Título:
Enviado por: TOMKAT em Setembro 21, 2006, 05:39:39 pm
GUINÉ
Memórias de 1974


(http://img128.imageshack.us/img128/1332/gn74bqh5.jpg)

(http://img206.imageshack.us/img206/9731/gn74ago7.jpg)

Ps. Ainda acerca dos cemitérios de militares portugueses nas ex-colónias, chegou-me à caixa do correio documentação com interesse, mas vem num formato que ainda não descobri maneira da e postar... :?
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 21, 2006, 06:32:23 pm
Manda para mim que eu talvez consiga dar-lha a volta.  :wink:
Título:
Enviado por: TOMKAT em Setembro 21, 2006, 07:06:03 pm
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Manda para mim que eu talvez consiga dar-lha a volta.  :wink:

Acerca da transladação dos restos mortais dos militares que ficaram nas ex-colónias, partes do testemunho de um ex-combatente que, inconformado com a situação, procura despertar consciências... e fazer algo mais do que manifestar a sua indignação.

Citar
...

A todos prometi que havia de lhes entregar os restos mortais dos seus entes queridos. Tudo farei para cumprir a minha promessa, mesmo que pague do meu bolso.

Quanto ao ponto da situação:

a)As autoridades políticas e militares portuguesas não se recusam a trazer os corpos, o que vão dizendo é que não têm dinheiro;

b)Desloquei-me ao Estado-Maior da Força Aérea para solicitar os mapas do local onde foram enterrados os Soldados Pára-Quedistas. Recusaram-mos;

c)A família do V. remeteu requerimento ao General CEMFA, solicitando os mapas. Do que conheço do General CEMFA, considero que ele lhos vai entregar. Se os mapas forem recusados, a família irá recorrer a Tribunal.

d)Organizou-se, na Universidade de Évora, um Grupo de Arqueólogos, de que faz parte uma das irmãs do V., para se deslocarem à Guiné com o objectivo de procederem às escavações para recolherem e catalogarem os restos mortais dos militares que foram enterrados em Guidage;

e)Reuni-me em Évora, com o núcleo de Estudantes da Guiné, para os auscultar sobre a eventualidade de se ir à Guiné transladar os restos mortais de alguns antigos combatentes. Todos os alunos se mostraram completamente disponíveis para ajudar e esclareceram que nem as autoridades nem as populações colocariam qualquer entrave ao que eu pretendia;

f)Solicitei audiência e reuni-me com o Senhor Chanceler da Guiné...
que me informou da sua total disponibilidade para colaborar no que fosse necessário, expressando mesmo, a disponibilidade das autoridades do seu país para ceder toda a documentação possível.

... ao lado dos três Pára-quedistas estão enterrados outros cinco militares metropolitanos.

Trabalhando eu sozinho, não podia ir além dos Pára-quedistas, por mais que isso me desagradasse.



Omiti os nomes do texto citado acima por razões óbvias.

Algo se faz em Portugal, mas apenas graças ao empenho de alguns portugueses, nobres em atitude e grandes em dedicação por uma causa vergonhosamente esquecida pelo Estado português.
Título:
Enviado por: p_shadow em Setembro 23, 2006, 05:39:47 am
Citar
Exmos. Senhores
Aguardando que as anunciadas memórias do Dr. Almeida Santos venham finalmente revelar os termos do Acordo Militar, até hoje mantido secreto, assinado entre Portugal e a FRELIMO em Lusaca, em 1974, convido-vos a visitar a minha página ESPOLIADOS DO ULTRAMAR, em:
http://www.espoliadosultramar.com/ (http://www.espoliadosultramar.com/)
Com os meus melhores cumprimentos
Ângelo Soares



Cumptos
Título:
Enviado por: TOMKAT em Setembro 23, 2006, 09:16:32 pm
Guiné
Memórias de 1973


(http://img216.imageshack.us/img216/5128/cgn4xy6.jpg)
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 23, 2006, 10:10:03 pm
Já repararam no aspecto imponente que os nossos homens tinham antigamente? Na ETP nós tínhamos fotos desse tempo na companhia onde fiz a minha recruta e uma coisa que sempre nos fez impressão era que essas fotos mostravam sempre militares que tinham a nossa idade e que no entanto pareciam 10 anos mais velhos do que nós. Parecia que nós não passávamos de garotos e eles é que eram homens com H maiúsculo...  :oops:
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Setembro 25, 2006, 01:49:59 pm
(http://photos1.blogger.com/blogger/5462/3675/1600/bcp21.jpg)

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A contra gosto lá me levantei. Os camaradas suspenderam a batota e fomos ver o que se passava. Tremenda algazarra com o pessoal do Exército a assistir a uma sessão de batatada no convés entre dois ou três Páras e outros tantos Comandos. Sempre que a rivalidade entre Páras e Comandos conduzia a este tipo de “combates”, o pessoal do Exército regozijava-se pois não gostavam dos Comandos nem pintados. Quando se pressentiu que tudo poderia descambar em algo grave, pois um Pára teimava em empurrar pela borda-falsa o seu adversário, alguém desapertou os contendores e aquilo morreu ali. Se entre marido e mulher não se mete a colher, entre militares não é muito diferente pois ninguém vai fazer queixinhas a seguir. Eu, que estava bem sossegado a ver as “habilidades” dos jogadores da batota no meu camarote, é que acabei por levar por tabela. De repente, como cabo de dia vejo-me a responder pelos actos de cerca de cinco dúzias de pára-quedistas que comigo embarcaram. Como dois ou três, se lembraram de andar à pancada… fui avisado que mal chegasse a Luanda, iria ser responsabilizado pelo ocorrido, por não ter identificado os Pára-quedistas intervenientes.
Como tinha alguma habilidade para o desenho, a pedido de alguns, fui tatuando nos seus braços o emblema dos Pára-quedistas. Assim os dias foram passando numa rotina que me começava a assustar. Já nada nos intimidava nem a viagem nem a guerra que nos esperava. Só nos restava o cansaço, o sono e a saudade. Por isso alguém dizia: “- Já só faltam 104 semanas para regressarmos”.
Foi isso que definiu o nosso objectivo principal e nos norteou todo o tempo: contar semana a semana.
Ao nono dia já se avistava o arranha-céus do Banco Comercial de Angola. O que era um ponto no horizonte, começou a emergir e com ele vislumbrámos a baía lindíssima de Luanda. Quando o Vera Cruz finalmente acostou ao porto de Luanda as tropas desembarcaram e logo, no cais, reparámos num autocarro azul da força aérea, que nos transportou a Belas onde estava instalado o nosso Batalhão de Caçadores Pára-quedistas nº 21.
Já em terra firme, avistam-se os barcos de pesca dos negros, passando lentamente para um e outro lado. Uns pássaros grandes e estranhos que pareciam gaivotas passeiam sem mover as asas, acima das palmeiras. Uns negros maltrapilhos arrastam-se a pedir esmola, outros oferecem cinzeiros de madeira e objectos esculpidos. Uns sujeitos brancos e sebentos trocam escudos por angolares com a taxa acrescida de 12%. Os brancos aqui, de patilhas e camisas transparentes, têm todos aspecto de vendedores de automóveis e de taxistas. As mulheres brancas andam excessivamente bem vestidas e as jovens mulatas são lindas de morrer. Somos rodeados por pretitos, descalços nesta terra poeirenta e vermelha que mais parece barro, com cachos de enormes bananas ao preço da chuva.
E assim terminou esta viagem, ancorando neste Brasil africano chamado Angola



http://zeminhoto.blogspot.com/ (http://zeminhoto.blogspot.com/)
Título:
Enviado por: TOMKAT em Outubro 07, 2006, 01:29:15 am
Memórias da Guiné

Cartazes de propaganda do Governo colonial, ou ...outra forma de combater o PAIGC.

(http://img218.imageshack.us/img218/4040/gn11au9.jpg)

(http://img218.imageshack.us/img218/9462/gn12hc2.jpg)

(http://img183.imageshack.us/img183/9382/gn13tz1.jpg)

(http://img183.imageshack.us/img183/7392/gn15gb9.jpg)

(http://img223.imageshack.us/img223/5706/gn16ww3.jpg)

(http://img221.imageshack.us/img221/3842/gn17du6.jpg)

(http://img183.imageshack.us/img183/7959/gn18xh1.jpg)

(http://img183.imageshack.us/img183/2696/gn19my0.jpg)

(http://img183.imageshack.us/img183/4973/gn20na0.png)

(http://img223.imageshack.us/img223/8121/gn14or2.jpg)
Título: A CONDECORAÇÃO MAIOR
Enviado por: Cabeça de Martelo em Outubro 07, 2006, 05:17:33 pm
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A Prisão, os Responsáveis e o Forte de Caxias
Na madrugada, cerca das 5h30, do dia 28 de Setembro de 1974, a casa do General Kaúlza de Arriaga foi cercada por mais de uma centena de militares, a maioria da Força Aérea, chefiados por um Capitão que havia sido piloto de helicópteros do próprio General, quando este era Comandante-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique. Tal Capitão apresentou um mandato de captura que invocava, como razão da prisão, o facto de Kaúlza de Arriaga pertencer a uma "associação de malfeitores". Razão notável, parece que imaginada, para o caso, pelo Dr. Salgado Zenha, então Ministro da Justiça.
O General encontrava-se armado e poderia ter resistido, mas considerou errado abrir fogo, travando uma luta na qual não poderia ter sucesso. Assim, deixou-se prender, perguntando ao Capitão piloto de helicópteros se não tinha vergonha do que estava a fazer. Este respondeu que sim, mas que cumpria ordens.
As ordens de prisão do General Kaúlza de Arriaga, segundo se averiguou posteriormente, foram emitidas pelo General Costa Gomes, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, e pelo então feito Brigadeiro Vasco Gonçalves, Primeiro Ministro, embora estes nunca tivessem tido a coragem de as assumir.
De sua casa, Kaúlza de Arriaga foi conduzido para o quartel do RAL 1 e neste para a enfermaria da Unidade, que estava servindo de prisão e onde se encontravam já numerosos outros presos, entre os quais o Embaixador Franco Nogueira. Estes, vendo entrar Kaúlza de Arriaga, logo pensaram, com entusiasmo, tratar-se de contra-golpe em curso e que o General os ia libertar. Quando se aperceberam da realidade, a sua frustração e desilusão foram imensas.
Durante o dia, todos os presos foram transferidos para o Forte de Caxias e distribuídos por celas. A Kaúlza de Arriaga coube uma cela individual, onde permaneceu cerca de 15 dias. Ali, em Caxias, estabelecimento prisional então dirigido por uma escória de oficiais, Kaúlza de Arriaga, embora sem qualquer mau trato físico, perdeu a sua hierarquia, passando a ser simples preso. Por outro lado, as suas contas bancárias e as de sua Mulher foram congeladas.
 
O Presídio da Trafaria, Otelo e a Liberdade Condicionada
Após aqueles cerca de 15 dias, os presos militares de Caxias, e assim Kaúlza de Arriaga, foram transferidos para o Presídio Militar da Trafaria, onde readquiriram a sua hierarquia militar, no caso de Kaúlza de Arriaga a de General, tendo como única restrição a de não poderem saír da área do aquartelamento.
O Presídio Militar da Trafaria era, na ocasião, dirigido por oficiais sérios e correctos. O pavilhão dos presos políticos, onde naturalmente estava Kaúlza de Arriaga, não seria um hotel de cinco estrelas, mas era suficientemente bom.
O Presídio dependia de Otelo Saraiva de Carvalho, então feito Brigadeiro e nomeado Governador Militar de Lisboa. A Mulher do General Kaúlza de Arriaga, a Senhora D. Maria do Carmo Formigal de Arriaga, conseguiu ser recebida por Otelo Saraiva de Carvalho, tendo-lhe dito, sem tibiezas nem cerimónias, o que havia a dizer, inclusivé o relativo ao congelamento das contas bancárias. Otelo declarou que o que o MFA desejava relativamente ao General Kaúlza de Arriaga era designá-lo Embaixador num país da América do Sul e não prendê-lo. No respeitante às contas bancárias, Otelo fez uma ligação telefónica para o Banco Espírito Santo e, mostrando o seu poder e numa atitude positiva, mandou descongelar os juros das contas em causa. Mais tarde, o, na época, Brigadeiro Pedro Cardoso procurou anular este descongelamento, mas não o conseguiu.
A par desta atitude positiva, tempos depois, Otelo determinou, inconcebivelmente e em atitude bem negativa, que o General Kaúlza de Arriaga não podia ter assistência jurídica. Deste modo, Kaúlza de Arriaga foi o único preso político que não pôde ter, durante 5 meses, advogado.
Durante a estada no Presídio da Trafaria, o General foi duas ou três vezes levado ao Forte de Caxias, onde, de cada vez, permaneceu alguns dias. A última destas visitas ao Forte de Caxias, já então dirigido por oficiais decentes, teve lugar logo após o "25 de Novembro". Nela, o conselheiro da revolução, Tenente-Coronel Costa Neves, foi mandado contactar com Kaúlza de Arriaga para lhe oferecer, em nome do Conselho da Revolução, a liberdade imediata, com a condição de, também de imediato, partir para Paris, para o que tinha já passagem reservada na Air-France, e permanecer, nesta cidade, até às próximas eleições presidenciais em Portugal, cuja data não estava sequer ainda fixada. Kaúlza de Arriaga, apesar de estar preso há quase 15 meses, recusou peremptoriamente a troca da prisão pelo exílio. E continuou preso na Trafaria mais 41 dias.
 
A Libertação e a Acção Judicial
Finalmente, em 21 de Janeiro de 1976, e muito em consequência da acção, junto do Conselho da Revolução, da Comunicação Social e da Opinião Pública, do Coronel F. Marques Repas, que acabou por ser, durante a prisão, o seu decidido e incansável defensor, o General foi libertado, sem quaisquer condições e com todos os direitos da cidadania portuguesa. Também, contribuiu fortemente, para esta libertação, a actuação esforçada, dinâmica e corajosa, junto da Ordem dos Advogados, do Governo Militar de Lisboa e do Conselho da Revolução, de sua Mulher, já atrás referida. Assim, a duração da prisão foi de 16 meses menos uma semana.
Consideradas a iniquidade, a arbitrariedade e a prepotência da sua detenção e a forma como ela decorreu em termos de duração, de falta de assistência jurídica e de privação de contacto com sua Mulher e Filhos durante cerca de 3 meses, e considerada a ausência de explicações e de reparações, mesmo após a sua libertação, o General Kaúlza de Arriaga decidiu colocar uma Acção em Tribunal contra o Estado-Réu. Esta Acção teve seguimento em 15 de Março de 1977.
O processo judicial decorreu durante mais de 10 anos, sem uma falha ou fraqueza dos advogados do General, os Drs. A. Valdez dos Santos e A. Silva Tavares.
Em 5 de Novembro de 1985, a primeira instância, o Tribunal da Auditoria Administrativa de Lisboa, proferiu a sua Sentença, em que dava razão ao General Kaúlza de Arriaga e condenava o Réu, o Estado Português. Este recorreu de tal Sentença para o Supremo Tribunal Administrativo, última instância, que, em 4 de Junho de 1987, emitiu o seu Acordão.
A Sentença e o Acordão, plenamente concordantes entre si, deram total razão ao General Kaúlza de Arriaga, condenaram o Estado Português e definiram as causas que conduziram à prisão do General e ao longo período da prisão.
Essas causas, segundo os Tribunais, foram as seguintes:
"As Autoridades Portuguesas de então consideravam que o General Kaúlza de Arriaga tinha, realmente, capacidade, vontade e prestígio para liderar um movimento que impedisse a descolonização de Angola e de Moçambique e que, assim, tinha de ser preso e de estar preso até que as independências daqueles territórios africanos se consumassem".
 
A Condecoração Maior
Após o Acordão do Supremo Tribunal Administrativo em causa, o General Kaúlza de Arriaga passou a considerar, como a sua maior condecoração, não atribuída pelo Poder Executivo mas sim pelo Poder Judicial, o seguinte trecho desse Acordão:
 
"O General Kaúlza de Arriaga tinha, realmente, capacidade, vontade e prestígio para liderar um movimento que impedisse a descolonização de Angola e Moçambique".


Retirei isto de um fórum e não sei bem quem é o autor, mas acho que é um texto interessante por isso postei no fórum.  :wink:
Título:
Enviado por: Lancero em Outubro 07, 2006, 07:38:19 pm
Na mesma senda

Citar
Ainda em volta das famosas sevícias de Abril

O Manuel Azinhal já tinha chamado oportunamente a atenção para o texto de Walter Ventura anteontem publicado no semanário O Diabo ainda a respeito das recentemente "descobertas" torturas de Abril. Ainda assim e atendendo a que me pareceu que os meus amigos não perdiam nada em conhecer o depoimento na sua totalidade - isto no caso lamentável de ainda não terem comprado o único jornal que em Portugal vale mais do que custa - aqui vos deixo na íntegra o artigo de Walter Ventura, com o agradecimento ao autor pela pronta disponibilidade manifestada em ver o texto aqui escarrapachado. E agora leiam que vale a pena:

De repente, não percebi bem como, a questão das sevícias praticadas pelos nossos admiráveis revolucionários militares aprilinos apareceu à luz do dia.
Uma chatice, a enodoar uma revolução tão casta e tão incruenta que obrou daqueles bons frutos através dos quais é possível aquilatar a casta da árvore mãe.
Cá por mim, que tive a honra prazerosa de passar dois anos e pico nos cárceres da liberdade, a questão já estava esquecida, salvo quando, em encontros com amigos velhos desses tempos, recordamos peripécias e inépcias dos “capitães de Abril” que tivemos o gosto de conhecer – e gozar – nos bons tempos do prec no prato.
E foi, de facto, um prato.
Verdade seja que alguns dos presos da liberdade se deram mal com quem lhes saiu na rifa. Lembro-me de ver o Marcelino da Mata – um herói com Torre Espada ganha no campo da honra e não numa cerimónia do 25 de Abril em que emparelhasse com uma qualquer D. Isabel do Carmo – entrar de maca no Forte de Caxias. Com ele vinham mais uns dez presos que haviam passado uns oito dias no Ralis, nunca se apurou por que razões.
Eram todos pessoas ligadas, directa ou indirectamente à Guiné. Curiosamente, só dois ou três ainda estão vivos, tendo a maioria morrido na flor da idade.
Um deles, o meu amigo Coelho da Silva, um fuzileiro corajoso se bem que um tanto louco, fora caçado com a mulher em fim de gravidez, em plena Praça da Figueira. A mulher, já não sei se a caminho do Ralis, se dentro do simpático quartel, levou um pontapé na barriga que lhe provocou um aborto instantâneo. Um “jeep” transportou-a até às imediações do Hospital de São José, onde foi abandonada. O Coelho da Silva apenas foi sovado, durante alguns dias até ser levado para Caxias.

À minha cela foi parar um moço de vinte e poucos anos, licenciado em Direito e filho de um juiz que estava numa cela ao lado. Não recordo os nomes, apenas o apelido: Veloso. Contou-me, o que aliás me foi confirmado pelos restantes elementos do grupo que acabei por conhecer graças a mudanças sucessivas de cela para cela, que durante dias tinham sido torturados, pai frente ao filho, amarrados a duas cadeiras. O pai já dobrara os 60 anos e sofria do coração.
Os dois que chegaram em pior estado, foram o Marcelino da Mata que esteve sujeito a choques nos testículos e que tinha ferimentos graves num joelho por lhe terem dado pontapés exactamente onde tinha alojados estilhaços de granada e um outro indivíduo – de momento não recordo o nome e não tenho à mão os apontamentos que então fiz – que fora encarregado de um destacamento das Obras Públicas, na Guiné, chegou-nos de maca apenas vestido com umas cuecas ensaguentadas e com o corpo coberto de ferimentos.
Em Caxias também houve alguns casos interessantes. Recordo que numa dada altura, fui de castigo para uma cela onde estava um homem dos seus 70 anos que na juventude pertencera episodicamente à Pide e, mais tarde enveredara por outra profissão. Chamava-se Dá Mesquita e oscilava entre períodos de calma, durante os quais se mostrava pessoa educada, de fino trato e bastante simpática e outros de terrível excitação em que me era penoso suportá-lo.
Contou-me repetidamente que um dia fora levado até ao pátio interior do fortim e, com todas as regras do cinema de mau gosto, amarrado, vendado e encostado ao paredão. Os soldados que o acompanhavam, alinhados à sua frente, receberam ordens de preparar as armas, manobraram as culatras e dispararam à voz de fogo.
É verdade que dispararam para o ar mas foi demasiado para o pobre homem que nunca mais conseguiu recuperar da gracinha.
Não foi a única simulação de fuzilamento que os dignos militares revolucionários engendraram para se divertirem um bocadinho.
Pela parte que me toca, não tenho grandes razões de queixa. Estávamos apinhados como sardinhas em lata em celas que nos bons velhos tempos, se calhava encher, apenos comportavam sete valorosos adeptos do reviralho. A comida também era péssima mas, essa, conseguíamos corrigi-la com alguns suplementos que nos chegavam do exterior. Os companheiros de cela eram geralmente catitas e, quando o não eram, não tardavam a ser metidos nos eixos. Dos guardas prisionais também não havia grandes razões de queixa. Eram quase todos correctos, alguns simpáticos e uns poucos bastante camaradas quando sentiam não estarem a ser observados pelos militares. Alguns, chegaram a correr riscos, passando-nos recados ou cartas para o exterior.
Alguns soldados e sargentos tentaram armar-se em tesos mas bastava mandá-los à merda para os pôr no seu lugar e perderem a vontade de armarem em heróis.
Quanto à vasta fauna de inquisidores, a coisa raiva o ridículo e, de certo modo, privados de rádios, televisões e jornais, acabaram por se tornar a nossa maior diversão.
Eram quase todos oficiais da Armada, a maioria ostentava ao peito um submarino que me parecia sumamente consentâneo não com a profissão mas com o recorte moral de todos eles. Eram gentinha de águas profundas, daquela que desconfia da própria sombra e que só morde pela calada.
Ao princípio também se tentaram armar em duros mas, coitados, passou-lhes.
Depois, os interrogatórios pareciam-me mais penosos para eles do que para nós: estávamos ali sem um simples mandato de captura, presos ao arbítrio de um qualquer “otelo” ou “otolo” e, salvo alguma raríssima excepção, sem qualquer peso na consciência. A maior parte, passados todos estes anos, ainda não logrou descortinar por que carga de água foi dar com os costados à cadeia.
Mas os pobres rapazes, coitados, achavam-nos uns terríveis “fachistas” e, de resto, queriam mostrar serviço e abrilhantar os galões com a desmontagem de alguma rede tenebrosa. Só que não sabiam que raio nos haviam de perguntar e, de resto, não tinham a menor ideia de como dirigir um interrogatório.
Como tinham aprendido no cinema e no folclore que corria jornais, rádios e televisão, deram para nos interrogar de noite. Não era bem a famosa tortura do sono, mas a aproximação de que se sentiam capazes. Muitos de nós éramos noctívagos e, apagadas as luzes das celas, improvisávamos iluminações malcheirosas que nos permitissem ficar a conversar pela noite dentro. Os interrogatórios nocturnos, até alta madrugada, não nos incomodavam e a malta ficava calmamente a conversar à espera do camarada que geralmente voltava eufórico a contar os dislates dos inquisidores e as bacoradas inventadas para lhes responder.
Houve uma vez que me deparei com um trio assaz solene (e soletre) que me avisou que, daquela vez, a coisa era mais séria.
Acendi um cigarro, coisa que irritava a maioria e esperei a bojarda: pois, estava acusado de ser do ELP.
Eu sabia do ELP – quem já esteve preso sabe que as cadeias são como os bairros antigos e os inexpugnáveis condomínios modernos: não há segredos.
Dominando o riso, fiz uma coisa que nunca me havia passado pela cabeça: declarei-me pronto a contar tudo e na disposição de prestar declarações por escrito. Um furriel com cara de poucos amigos, acho que pelo trabalhão que lhe ia dar, lá meteu uma folhinha de papel azul na máquina de escrever e, com dedos emperrados, começou a bater a minha confissão.
Contritamente, afirmei pertencer, de facto, ao famigerado movimento e penitenciei-me até de ser um dos seus fundadores.
Os tipos, desgraçados, rejubilaram e quase que me abraçaram. Depois, como não podia deixar de ser pediram pormenores. Nomes? Quem eram os cérebros daquela teia tenebrosa?
Lembrei, então, que o ELP nascera em Espanha, estava eu já a gozar o conforto que, misericordiosa, a revolução ofertava a transviados como eu. Ajudara a fundar o ELP mas ali de dentro, mesmo através da espessura ciclópica das paredes do Forte de Caxias. Quem, por Madrid comandava o ELP não o podia saber ao certo. Mas, estando eu preso, sem direito a correspondência, privado do contacto de amigos, só com direito a visita de familiares directos, quando estas não me eram vedadas por qualquer castigo, os meus cúmplices directos, quem me servira de ligação com os energúmenos do exterior, eram evidentemente eles. Os senhores carcereiros e demais responsáveis pelo Forte.
O furriel parou de bater as teclas da máquina e olhou os superiores, sem saber o que fazer. Os tipos acabaram por me correr para a cela e, a partir daí, deixaram de me chatear.
E é tudo o que se me oferece dizer sobre as sevícias…

http://ultimoreduto.weblog.com.pt/arquivo/113334.html (http://ultimoreduto.weblog.com.pt/arquivo/113334.html)
Título:
Enviado por: Yosy em Outubro 08, 2006, 12:40:32 am
Acerca dos dois últimos posts...

O 1º a elogiar Kaulza de Arriaga...o homem não tinha assim tanto prestígio - piorou a situação em Moçambique (com a estúpida Operação Nó Górdio - practicamente a antítese do que é a contra-guerrilha), usou a mesma estratégia que já tinha falhado na Guerra do Vietname e arranjou tantos problemas ao ponto de até a Rodésia querer correr com ele!

O 2º é ridículo. É do conhecimento geral os excessos que aconteceram durante o PREC, mas o artigo chega ao ponto de infantilizar os militares do MFA.
Título:
Enviado por: TOMKAT em Novembro 12, 2006, 02:45:17 am
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Peditório para resgatar militares

Pinto de Albuquerque, ex-pára-quedista que arriscou a pele na guerra travada na Guiné Bissau, não estava a gostar do rumo da conversa, sobre a forma de reunir 25 mil euros para resgatar os restos mortais de três companheiros sepultados, em campo aberto e envoltos em lençóis, na antiga colónia. E levantou-se "O Estado português não pode, de maneira nenhuma, admitir um peditório, para que os seus filhos que tombaram em campo possam regressar a casa!", atirou, emocionado, Albuquerque.

O refeitório da Base de Tancos, onde estavam reunidos mais de cem ex-combatentes da Companhia de Caçadores Pára-quedistas n.º 121, rebentou em palmas. Quem as bateu, porém, logo foi chamado à realidade "Passaram-se 33 anos e os nossos companheiros continuam lá. O Estado, até hoje, esteve-se marimbando!", lembrou um dos antigos militares, para quem mais vale avançar para a campanha de angariação de fundos, lançada pelo jornal de Cantanhede Aurinegra (um dos sepultados era deste concelho), do que esperar pela boa vontade do Governo.

É que o problema já foi colocado ao Ministério da Defesa, por Manuel Rebocho, sargento de outra companhia de pára-quedistas enviada para a Guiné. "Atiraram-me para a Liga dos Combatentes, que também gostava de trazer os nossos companheiros, mas diz que não tem meios", explicou Rebocho. O ex-militar que, ao fazer uma tese de doutoramento, sobre "Sociologia da Paz e dos Conflitos", descobriu que três "páras" e cinco soldados do Exército sepultados em Guidaje, perto da fronteira com o Senegal, nunca haviam sido trasladados para Portugal.

Além de criticar a ingratidão do Estado, Rebocho avisou "Os pára-quedistas têm uma máxima que diz que 'ninguém fica para trás', e, neste caso, ficaram... Ou os pára-quedistas resgatam os três homens, ou tiram a frase da sua ideologia".

O capitão que comandava a Companhia 121, Almeida Martins, não teve tempo para participar na discussão sobre a trasladação dos soldados, por "razões familiares", e só assistiu à homenagem aos mortos. No final desta cerimónia, não gostou que o JN lhe perguntasse se a referida máxima fora violada. "Os pára-quedistas não deixaram um homem para trás! Aqueles três foram enterrados num cemitério improvisado, mas não ficaram no campo de batalha", sustentou Martins, hoje general.

Dois dias após a fatal emboscada da guerrilha do PAIGC, a 23 de Maio de 1973, os três cadáveres já estavam em avançado estado de decomposição, devido às altas temperaturas que se faziam sentir. Tendo sido, por isso, enterrados em terra de ninguém, Rebocho lamenta que a Força Aérea não tenha voltado a Guidaje para os recuperar. "Os Fuzileiros e os Comandos não deixaram lá ninguém", comparou.

Ficaram lá muitos mais

A trasladação dos páraquedistas José Lourenço para Cantanhede, de António Vitoriano para Castro Verde e de Manuel Peixoto para Vila do Conde só depende dos contributos depositados numa conta da Caixa de Crédito Agrícola de Cantanhede (NIB 0045 3020 40207967255). A operação está programada, com o apoio de investigadores da Universidade de Évora, e pode realizar-se já em Fevereiro. Porém, a dimensão do problema dos combatentes da Guerra Colonial cujos corpos nunca regressaram a Portugal ultrapassa, em muito, aqueles três casos. Mesmo em Guidaje, a localidade da Guiné onde foram sepultados os três pára-quedistas, estão "muitos mais" corpos de ex-combatentes, notou ontem o general Almeida Martins, referindo a existência de mais cemitérios improvisados noutros antigos quartéis guineenses. E o problema, afectando, sobretudo, militares do Exército, estende-se às outras ex-colónias. O sargento Vilela Antunes, que experimentou a guerra em Angola, Guiné e Moçambique, não há muito tempo visitou, no último país, um cemitério, de Mueda, onde há perto de cem campas de soldados portugueses, cobertas de capim com mais de um metro de altura, contou.

fonte http://jn.sapo.pt/2006/11/12/nacional/p ... tares.html (http://jn.sapo.pt/2006/11/12/nacional/peditorio_para_resgatar_militares.html)


País que não sabe honrar os seus mortos, dificilmente faz algo de bom pelos vivos... :roll:
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Novembro 12, 2006, 10:58:33 pm
Isto é que me deixa lixado, para não dizer outra palavra. Estamos a falar de homens que deram a vida pela pátria, que deram o que de mais precioso tinham, a sua vida e é assim que o estado Português paga?! Ladrões, escumalha, mais vale uma gota de sangue destes homens do que todo o sangue no corpo desses PORCOS!!!
Eu por natureza não sou dado a extremismos, mas porra, estamos a falar de PORTUGUESES, será que eles não têm vergonha na cara?! Bando de mentecaptos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Título:
Enviado por: Luso em Novembro 12, 2006, 11:08:24 pm
Citação de: "Cabeça de Martelo"
Isto é que me deixa lixado, para não dizer outra palavra. Estamos a falar de homens que deram a vida pela pátria, que deram o que de mais precioso tinham, a sua vida e é assim que o estado Português paga?! Ladrões, escumalha, mais vale uma gota de sangue destes homens do que todo o sangue no corpo desses PORCOS!!!
Eu por natureza não sou dado a extremismos, mas porra, estamos a falar de PORTUGUESES, será que eles não têm vergonha na cara?! Bando de mentecaptos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Como ser moderador nestas ocasiões? Perante esta linguagem só posso dizer... "- Idem!"

E é assim com coisas destas e mais outras que se constrói o cenário de Saramago, de um país morto, que já fez o que tinha a fazer.

- O tanas, digo eu!
Título:
Enviado por: p_shadow em Novembro 15, 2006, 04:30:25 am
Citar
O Major-General Pára-Quedista Cristóvão Avelar Sousa assume operação de resgate dos 8 camaradas sepultados em campo aberto no destacamento militar de Guidaje, na Guiné.


A equipa do Ultramar.Terraweb

http://ultramar.terraweb.biz (http://ultramar.terraweb.biz)

 



Cumptos
Título:
Enviado por: mcalberto em Novembro 16, 2006, 10:20:43 am
Caros cabeça de martelo e luso,

Bonitas palavras, mas de difícil interpretação. Se não vejamos, até com a ajuda e citando: "25 de Abril é libertinagem e tachos, mortes, fome, guerra e miséria. Há que pensar nos outros, não é verdade?"

Assim se referia o luso quando lhe perguntaram o significado de algumas datas.

Temos assim, que para o visado, o espaço temporal em que hoje escreve é um espaço de libertinagem, tachos, morte, fome, guerra e miséria. Certamente por contraponto com o anterior a 25 de Abril, que teria sido de rigor, de isenção, de paz e de riqueza.

Concedendo, que não sabendo do que fala, usufrui pelo menos a liberdade de hoje poder dizer o que então não podia, por dois motivos fundamentais, não só porque não era vivo ou a ser limitava-se a balbuciar, ou então se falasse falaria de tudo, menos disto, é bom que saibam o seguinte:

O poder político anterior ao 25 de Abril, que nunca aceitou nem tentou resolver a questão africana pela via do diálogo, que lhe foi proposto muito antes do início da guerra de África, nem em momentos posteriores, quando já no decurso da guerra, o mesmo foi tentado por dirigentes políticos mundiais, teve sempre para com o conflito africano e para o envolvimento das forças armadas uma clara e inequívoca mensagem de "desenrasquem-se, morram por aí, que nós, uma vez por ano, honramos os que morrerem".

E assim foi, nos meios de combate colocados à disposição das forças armadas, no abandono a que eram votados os militares no teatro de operações, na integração civil quando regressavam do T.O., e obviamente no epifenómeno associado à morte dos combatentes. A estes o Estado não assegurava o regresso dos seus corpos exigindo aos familiares o pagamento para o mesmo se poder fazer. Temos assim, que se alguém nunca honrou o compromisso para com aqueles a quem obrigava a partir para África, era e foi claramente o tal Estado, que para alguns, nos quais o luso se inclui,  terá sido um bom Estado.

Exigir hoje, de um Estado, que nas vossas palavras é o contrário do que gostariam, é no mínimo um exemplo de contradição a que só pela ignorância do que então se vivia, podem deitar a mão.

A história da Guerra Colonial, está de facto por fazer. Por um lado a proximidade da mesma e a existência, felizmente, de milhares e milhares de combatentes que ainda se encontram vivos, mas, muitos deles, com os traumas inerentes aos milhares de mortos e estropiados que viram à sua frente, acaba por funcionar como uma barreira à divulgação de todos os episódios que então se viveram, por outro a não desclassificação da documentação existente nos arquivos, aguardando que sobre os mesmos passe o período legal, acabam por impedir um debate, que tem de ser sério, rigoroso e objectivo e para o qual muito pode contribuir este fórum, se em vez de opiniões de duvidoso esclarecimento, pudessem acrescer factos objectivos que ocorreram naquele período.
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Novembro 16, 2006, 10:26:24 am
Caro mcalberto onde me viu a defender o Estado Novo?!  :?
Título:
Enviado por: Luso em Novembro 16, 2006, 11:37:04 am
Face a este estado cleptocrático eu peço um Estado Novo.
Agora cada um que entenda o que quiser.
Título:
Enviado por: JLRC em Novembro 16, 2006, 12:31:55 pm
Citação de: "mcalberto"

Bonitas palavras, mas de difícil interpretação. Se não vejamos, até com a ajuda e citando: "25 de Abril é libertinagem e tachos, mortes, fome, guerra e miséria. Há que pensar nos outros, não é verdade?"

Assim se referia o Luso quando lhe perguntaram o significado de algumas datas.

Temos assim, que para o visado, o espaço temporal em que hoje escreve é um espaço de libertinagem, tachos, morte, fome, guerra e miséria. Certamente por contraponto com o anterior a 25 de Abril, que teria sido de rigor, de isenção, de paz e de riqueza.

Concedendo, que não sabendo do que fala, usufrui pelo menos a liberdade de hoje poder dizer o que então não podia, por dois motivos fundamentais, não só porque não era vivo ou a ser limitava-se a balbuciar, ou então se falasse falaria de tudo, menos disto, é bom que saibam o seguinte:

O poder político anterior ao 25 de Abril, que nunca aceitou nem tentou resolver a questão africana pela via do diálogo, que lhe foi proposto muito antes do início da guerra de África, nem em momentos posteriores, quando já no decurso da guerra, o mesmo foi tentado por dirigentes políticos mundiais, teve sempre para com o conflito africano e para o envolvimento das forças armadas uma clara e inequívoca mensagem de "desenrasquem-se, morram por aí, que nós, uma vez por ano, honramos os que morrerem".

E assim foi, nos meios de combate colocados à disposição das forças armadas, no abandono a que eram votados os militares no teatro de operações, na integração civil quando regressavam do T.O., e obviamente no epifenómeno associado à morte dos combatentes. A estes o Estado não assegurava o regresso dos seus corpos exigindo aos familiares o pagamento para o mesmo se poder fazer. Temos assim, que se alguém nunca honrou o compromisso para com aqueles a quem obrigava a partir para África, era e foi claramente o tal Estado, que para alguns, nos quais o luso se inclui,  terá sido um bom Estado.

Exigir hoje, de um Estado, que nas vossas palavras é o contrário do que gostariam, é no mínimo um exemplo de contradição a que só pela ignorância do que então se vivia, podem deitar a mão.

A história da Guerra Colonial, está de facto por fazer. Por um lado a proximidade da mesma e a existência, felizmente, de milhares e milhares de combatentes que ainda se encontram vivos, mas, muitos deles, com os traumas inerentes aos milhares de mortos e estropiados que viram à sua frente, acaba por funcionar como uma barreira à divulgação de todos os episódios que então se viveram, por outro a não desclassificação da documentação existente nos arquivos, aguardando que sobre os mesmos passe o período legal, acabam por impedir um debate, que tem de ser sério, rigoroso e objectivo e para o qual muito pode contribuir este fórum, se em vez de opiniões de duvidoso esclarecimento, pudessem acrescer factos objectivos que ocorreram naquele período.


 :Palmas:  :Palmas:  :Palmas:
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Novembro 18, 2006, 05:25:22 pm
ENFERMEIRAS PÁRA-QUEDISTAS
Maria Ivone Quintino Reis

. As nossas directivas eram só para evacuação. Não podíamos sair do helicóptero, até por normas de segurança. Era um fiasco muito grande se fôssemos apanhadas. E toda a tropa ficava preocupada com uma mulher no meio dos combates".
 
ENFERMEIRAS PÁRA-QUEDISTAS
Maria Ivone Quintino Reis

O que estava a aconteccer no Ultramar despertou muito as mulheres. Houve cerca de 150 concorrentes, no total dos nove cursos, mas foram brevetadas 46, e das onze concorrentes do primeiro grupo foram brevetadas seis. A nossa vida era muito dura. Nunca sabíamos onde acordávamos, nem quando é que íamos dormir, nem onde estávamos. Durante o último ano que passei em Moçambique, o máximo de noites seguidas que dormi foram cinco. O nosso quadro era de vinte e uma enfermeiras- nove oficiais e nove sargentos- mas nunca esteve completo. O máximo de efectivos que existiu foram catorze. Éramos sempre escassas para cobrir as três províncias. Umas não aguentavam o curso, que era um teste de resistência, capacidade, audácia e coragem, e outras, ao fim de um ano, desistiam porque aquilo não dava para se fazerem projectos de vida; fazíamos directas, não havia folgas, nem fins-de-semana. Depois, eles confessaram que, no princípio, tinham achado muito mal que nós fôssemos para África, até porque não éramos especialmente elegantes, diziam que parecíamos assistentes sociais. Mas, por exemplo, uma vez, na Guiné, no fim da parada de uma cerimónia oficial, eu estava fardada e apareceu um soldado do Exército que se perfilou diante de mim, fez-me a continência com enorme rigor e afastou-se. Depois, disse-me: "Minha senhora, eu senti necessidade de ir bater a pala a uma mulher portuguesa." Naquele tempo havia a ideia da coragem e da audácia de nos destinarmos para os outros, e isso reflectia-se no acolhimento que tínhamos. As nossas directivas eram só para evacuação. Não podíamos sair do helicóptero, até por normas de segurança. Era um fiasco muito grande se fôssemos apanhadas. E toda a tropa ficava preocupada com uma mulher no meio dos combates".

Retirado de um Fórum de Pára-quedistas Portugueses.

PS: tenho que mencionar o facto de que mesmo assim morreu durante uma missão uma Enfermeira-Páraquedista.
Título:
Enviado por: PereiraMarques em Janeiro 09, 2007, 11:55:19 pm
Noite de Natal na Picada
http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... 0Natal.pdf (http://www.exercito.pt/portal/exercito/_specific/public/ueo/JE/Noite%20de%20Natal.pdf)
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Janeiro 11, 2007, 04:43:35 pm
http://dejanito.blogspot.com/2006/12/tr ... mafra.html (http://dejanito.blogspot.com/2006/12/tropa-c-do-joo-2-mafra.html)
Título:
Enviado por: Ricardo em Dezembro 12, 2007, 03:16:41 pm
Qual era o destino dado ao armamento capturado aos movimentos, na Guerra Colonial?
Título:
Enviado por: ricardonunes em Dezembro 12, 2007, 10:46:28 pm
No livro Guerra Colonial Fotobiografia, pág. 229, lê-se numa foto "contra nós lutou, e agora por nós luta"  :wink:
Título:
Enviado por: ricardonunes em Fevereiro 09, 2008, 01:04:26 pm
Opinião de Abreu dos Santos sobre as histórias "A MINHA GUERRA" publicadas recentemente na revista "Domingo" do Correio da Manhã (http://http)
Título:
Enviado por: Lancero em Fevereiro 29, 2008, 05:51:10 pm
Citar
Guiné-Bissau: Corpos de soldados portugueses mortos em Guidaje vão ser exumados

Lisboa, 29 Fev (Lusa) - A Liga dos Combatentes de Portugal vai, após sucessivos adiamentos, proceder à exumação dos corpos de dez militares portugueses sepultados em 1973 em Guidaje, norte da Guiné-Bissau, disse hoje à Agência Lusa o vice-presidente daquela associação.  

 

    Segundo o general Lopes Camilo, a operação, prevista para o primeiro trimestre do ano passado, decorrerá de 07 a 21 de Março próximo e envolverá uma dezena de elementos, entre militares, antropólogos, arqueólogos e geofísicos.

 

    Uma primeira missão militar, composta por três oficiais e um sargento, parte a 07 de Março para o terreno, seguida, uma semana mais tarde, pela delegação técnica, que integra quatro antropólogos, uma arqueóloga e um operador de radar (geofísico), indicou Lopes Camilo.  

 

    Os corpos, incluindo os de três pára-quedistas, estão sepultados num "cemitério militar provisório" próximo de um antigo aquartelamento português em Guidaje, no norte da Guiné-Bissau e já próximo da fronteira com o Senegal.

 

    O vice-presidente da Liga adiantou que os restos mortais dos dez militares portugueses, mortos em combate durante a guerra colonial na Guiné-Bissau (1963/74), serão transportados para um local "mais digno" em Bissau, no quadro dos projectos que a associação criou no país.  

 

    Os corpos ds sete militares, entre elementos do Exército e "comandos africanos", serão transferidos para um cemitério em Bissau e os dos três pára-quedistas serão, posteriormente, trasladados para Portugal, numa missão desenhada por familiares e financiada pela União dos Pára-Quedistas Portugueses (UPP).  

 

    O plano tem já "luz verde" dos ministérios da Defesa dos dois países, sendo, porém, um projecto pensado inicialmente pela família de um dos soldados, que deveria ter partido para o terreno a 16 de Fevereiro de 2007.  

 

    O projecto remonta a Setembro de 2005, quando um antigo sargento-mor dos pára-quedistas portugueses, Manuel Rebocho, que combateu também na então província da Guiné, apresentou a tese de doutoramento intitulada "Sociologia da Paz e dos Conflitos", na Universidade de Évora.  

 

    Foi, então, montada uma "missão civil" para resgatar os três corpos, delegação liderada pelo próprio Manuel Rebocho e que envolvia mais oito pessoas, algumas delas familiares, entre elas a irmã do soldado António Neves Vitoriano, natural de Castro Verde, falecido no "teatro de operações" em Maio de 1973.  

 

    Em declarações hoje à Lusa, Conceição Vitoriano Maia, irmã de Vitoriano, arqueóloga, residente em Évora e que integra a missão civil que se desloca à Guiné-Bissau, disse estar "satisfeita" por a operação, em preparação há quase dois anos, ir agora por diante.  

 

    Além de Vitoriano, que faleceu aos 21 anos, dois outros soldados da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121 (CCP-121) acabaram por ser enterrados em Guidaje: Manuel da Silva Peixoto, 22 anos e natural de Vila do Conde, e José Jesus Lourenço, 19 anos, de Cantanhede.  

 

    Dado que a área envolvente às sepulturas dos três pára-quedistas contém os restos mortais de pelo menos sete militares do exército português, a Liga dos Combatentes acabou por os incluir no projecto.  

 

    Fora do território português existem registos de 6.000 militares naquelas circunstâncias, 4.000 deles nos três principais teatros de guerra em África, Angola, Guiné e Moçambique.  

 

    "No caso da Guiné, há a localização teórica de locais onde estarão enterrados cerca de 750 militares portugueses, no eixo Bissau/Bambadinca/Bafatá/Gabu, que se juntam aos pouco menos de 1.500 detectados quer em Angola quer em Moçambique", sublinhou.  

 

    Nesse sentido, os projectos de cooperação da Liga, disse Lopes Camilo à Lusa, incidem muito especialmente em quatro acções: localizar, identificar, concentrar e dignificar.  

 

    Na prática, acrescentou, o objectivo é localizar os corpos entre os mais de uma centena de locais onde se crê que estejam sepultados, identificá-los - "nem todos estão identificados" -, concentrá-los "em quatro ou cinco lugares" dignificá-los com uma campa.  

 
Título:
Enviado por: zecalentejano em Março 03, 2008, 02:45:11 am
Não reparei se se tem que efectuar apresentação. Mas estou a escrever e a ver "Olivença é nossa"! Pergunto, onde estão os "corajosos" que fizeram o 25A? Como "puto" responsabilizo-os, pelo que se passa em PORTUGAL, os que o fizeram!!! Não digo com conotações... o "camarada" hotelo? E as suas FP's? É um heroi nacional... siga...
Vou acrescentar, se fosse maldoso, e necessita-se de fectuoar um acto de gatunagem ou criminoso sabia para onde fugir! Arranjar uma cena jurídica!!!
Título:
Enviado por: oultimoespiao em Março 07, 2008, 03:12:59 am
so em portugal e que um tipo como o otelo e heroi
Título:
Enviado por: Benny em Março 07, 2008, 09:02:52 pm
Citação de: "zecalentejano"
Não reparei se se tem que efectuar apresentação. Mas estou a escrever e a ver "Olivença é nossa"! Pergunto, onde estão os "corajosos" que fizeram o 25A? Como "puto" responsabilizo-os, pelo que se passa em PORTUGAL, os que o fizeram!!! Não digo com conotações... o "camarada" hotelo? E as suas FP's? É um heroi nacional... siga...
Vou acrescentar, se fosse maldoso, e necessita-se de fectuoar um acto de gatunagem ou criminoso sabia para onde fugir! Arranjar uma cena jurídica!!!


 :?: Não percebi muito bem a sua mensagem. Por favor podia ser mais claro?

Benny
Título:
Enviado por: Ricardo em Março 31, 2008, 04:40:38 pm
Do Museu militar do Porto

- Armas dos movimentos:
(http://img502.imageshack.us/img502/1482/cimg0374aw3.th.jpg) (http://http)   (http://img119.imageshack.us/img119/4905/cimg0375mx6.th.jpg) (http://http)   (http://img80.imageshack.us/img80/6784/cimg0376xz4.th.jpg) (http://http)
(http://img509.imageshack.us/img509/4336/cimg0377bz3.th.jpg) (http://http)   (http://img233.imageshack.us/img233/1899/cimg0378bp3.th.jpg) (http://http)   (http://img511.imageshack.us/img511/7831/cimg0379dd5.th.jpg) (http://http)   (http://img183.imageshack.us/img183/9119/cimg0389ut1.th.jpg) (http://http)
Título:
Enviado por: Ricardo em Abril 09, 2008, 11:34:57 am
Do Museu militar do Porto

- Armas das NT:

(http://img530.imageshack.us/img530/8059/cimg0461yf8.th.jpg) (http://http)   (http://img99.imageshack.us/img99/2789/cimg0390ww4.th.jpg) (http://http)
(http://img122.imageshack.us/img122/8530/cimg0399tf9.th.jpg) (http://http)   (http://img521.imageshack.us/img521/8972/cimg0402fj7.th.jpg) (http://http)   (http://img91.imageshack.us/img91/3205/cimg0452jn8.th.jpg) (http://http)
(http://img508.imageshack.us/img508/3678/cimg0428tg3.th.jpg) (http://http)   (http://img503.imageshack.us/img503/7281/cimg0429rt1.th.jpg) (http://http)   (http://img515.imageshack.us/img515/7093/cimg0395bq7.th.jpg) (http://http)   (http://img511.imageshack.us/img511/3453/cimg0391jy1.th.jpg) (http://http)   (http://img398.imageshack.us/img398/9333/cimg0397vf3.th.jpg) (http://http)   (http://img181.imageshack.us/img181/622/cimg0412wl7.th.jpg) (http://http)
Título:
Enviado por: Ricardo em Abril 15, 2008, 04:05:33 pm
Do Museu militar do Porto

- Equipamento das NT:

(http://img508.imageshack.us/img508/7405/cimg0392ye2.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/5415/cimg0393cl0.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/7223/cimg0394rj9.th.jpg) (http://http)   (http://img245.imageshack.us/img245/1857/cimg0401pj9.th.jpg) (http://http)   (http://img241.imageshack.us/img241/3865/cimg0403br7.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/6735/cimg0404tx4.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/8425/cimg0427hv6.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/2213/cimg0430ek0.th.jpg) (http://http)   (http://img409.imageshack.us/img409/4651/cimg0431kk7.th.jpg) (http://http)   (http://img167.imageshack.us/img167/5580/cimg0432rs4.th.jpg) (http://http)   (http://img405.imageshack.us/img405/9861/cimg0433dw0.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/261/cimg0434xe5.th.jpg) (http://http)   (http://img182.imageshack.us/img182/5416/cimg0435cp6.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/5986/cimg0455wt8.th.jpg) (http://http)   (http://img522.imageshack.us/img522/8209/cimg0457sz0.th.jpg) (http://http)   (http://img256.imageshack.us/img256/7265/cimg0458qf6.th.jpg) (http://http)  

Pode por agora, espero que gostem!
Título: boas
Enviado por: fabio_lopes em Junho 03, 2008, 03:30:57 pm
boas...eu acho que nunca li um tópico inteiro como este e com tanta atenção...eu adoro ouvir estas historias antigas, o meu pai costuma falar muito disso mais infelizmente ele não chegou a sair da formação de comandos pois deslocou um pé quando fizeram um salto do camião em andamento e mesmo assim ainda teve de caminhar muito, o que gostei mais de ler neste tópico foi a participação constante dos comandos...pois eu um dia também ambiciono ser comando, mas se calhar os treinos já não são o que eram antigamente estou certo ou estou errado? cumps pa todos o ex. combatentes
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Junho 03, 2008, 04:21:35 pm
Podem não ter a mesma intensidade, mas olha que se continua a ter que passar pelas passas do algarve para ganhar a Boina.
Título: resposta
Enviado por: fabio_lopes em Junho 03, 2008, 05:00:34 pm
se calhar não deve ter nada a haver coma as o.e....mas ainda bem que é assim, e mais tudo na vida se obtêm com sacrifício...
Título:
Enviado por: Lancero em Julho 04, 2008, 11:27:42 pm
Citar


Guiné: restos mortais de pára-quedistas portugueses chegam hoje a Lisboa

Corpos de militares foram exumados em Guidaje, no norte do país africano

Os restos mortais dos três pára-quedistas portugueses mortos em combate há 35 anos e exumados em Guidaje, norte da Guiné-Bissau, em Março, chegam esta sexta-feira a Lisboa num voo da TAP proveniente de Bissau, por volta das 22h15, noticia a Lusa.

A transladação para Portugal dos restos dos três soldados vem culminar um esforço iniciado há dois anos pela Liga dos Combatentes com o apoio da União de Pára-quedistas Portugueses, e dando sequência ao desejo manifestado pelas famílias de recuperar os restos dos três militares.

A acolher as urnas com os restos dos três militares estará um pequeno grupo de antigos pára-quedistas e a família de um dos soldados mortos em Guidaje.

As urnas com os restos dos três militares serão transportadas para a Capela do AT1, as instalações da Força Aérea em Figo Maduro, onde ficarão depositadas até às cerimónias fúnebres aprazadas para o próximo dia 26.

Os restos dos três soldados pára-quedistas tinham sido sepultados, juntamente com os de outros sete militares caídos na batalha de Guidaje, em Maio de 1973, junto ao antigo quartel português naquela localidade.

Vítimas de uma emboscada

Os três militares, soldados da Companhia pára-quedista 121, foram mortos no dia 23 de Maio de 1973 quando foram vítimas de uma emboscada montada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) junto a Guidaje.

O quartel de Guidaje estava há duas semanas cercado e submetido a constantes flagelações por parte das forças do PAIGC, num dos episódios mais dramáticos de toda a guerra colonial.

Os pára-quedistas faziam parte de uma força de intervenção, que incluía ainda uma companhia de comandos e uma companhia de fuzileiros, enviada para Guidaje para tentar romper o cerco e aliviar a pressão do PAIGC sobre o quartel.

O processo de recuperação dos restos dos militares portugueses caídos em Guidaje vai prosseguir, estando ainda em curso o processos de exames laboratoriais com vista à identificação definitiva dos restos de outros soldados sepultados em Guidage.

Depois da missa, que será celebrada pelo capelão-chefe da Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, as urnas com os restos dos três soldados serão transportadas num avião militar para o quartel das tropas Pára-quedistas em Tancos.

Os três militares caídos há 35 anos anos na Guiné-Bissau serão então alvo de uma derradeira homenagem militar sendo depois entregues às famílias para serem definitivamente sepultados nos cemitérios das localidades onde residiam, respectivamente em Castro Verde, Caxinas (Vila do Conde) e Cantanhede


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Enviado por: Lancero em Julho 16, 2008, 09:49:49 pm
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(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/abertura.jpg)

Cerimónia de homenagem aos militares mortos em combate em África e ali sepultados

26 de Julho de 2008

Lisboa, Tancos, Cadima, Castro Verde e Caxinas

União Portuguesa de Pára-quedistas

Programa detalhado:
Lisboa, 10h00: Concentração seguida de Missa na Igreja da Força Aérea em S. Domingos de Benfica, na presença dos restos mortais dos 3 Soldados Pára-quedistas mortos em Guidaje e recentemente trasladados para Portugal. Celebra a eucaristia D. Januário Torgal Ferreira, Bispo das
Forças Armadas e de Segurança, coadjuvado por vários antigos
Capelães Pára-quedistas. Estarão presentes delegações de diversas
Associações de Pára-quedistas de todo o país e altas entidades civis e
militares.
Terminada a missa os restos mortais sairão em direcção à Base Aérea
n.º1 (Sintra), onde embarcarão numa aeronave da Força Aérea
Portuguesa que os transportará para o Aeródromo Militar de Tancos,
frente à Escola de Tropas Pára-quedistas. A descolagem da aeronave
não é imediata de modo a estar apenas em Tancos na hora prevista.

Tancos, 14h00: Momentos antes das 14h00 chega à Porta de Armas da Escola de Tropas Pára-quedistas a viatura com as três urnas e dar-se-á inicio ao “Último Adeus dos Pára-quedistas”, junto ao Monumentos aos Mortos em Combate. Será lida uma descrição da emboscada onde morreram 4 militares pára-quedistas, entre os quais estes 3. O 4º, Soldado António Melo, ficou ferido na emboscada mas veio a falecer mais tarde em Bissau tendo por isso sido repatriado nessa altura.
Terminada a cerimónia, cerca das 14h30, sairão de Tancos em direcção
a Cadima, Castro Verde e Caxinas, três carros funerários, cada um com
as respectivas urnas, acompanhados pelas Famílias e demais pessoas
que o queiram fazer.
Nas localidades de origem os funerais serão realizados de acordo com as
instruções das Famílias, havendo em todos Guardas de Honra prestadas
pelas Unidades Pára-quedistas e estarão presentes representantes oficiais
destas mesmas unidades e das Associações de Pára-quedistas das
respectivas regiões.

Cadima (Cantanhede), 17h00: Funeral do Soldado Pára-quedista José Lourenço

Castro Verde, 18h00: Funeral do Soldado Pára-quedista António Vitoriano

Caxinas (Vila do Conde), 19h00: Funeral do Soldado Pára-quedista Manuel Peixoto

Dados biográficos militares

(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/1-1.jpg)
Soldado Pára-Quedista MANUEL DA SILVA PEIXOTO
Nasceu a 24 de Janeiro de 1951 em Caxinas, Freguesia de Gião, Concelho de Vila do Conde, distrito do Porto. Foi incorporado em 29 de Maio de 1970, como voluntário, no Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos. Concluiu o Curso de Pára-quedismo Militar em 2 de Julho de 1971. Foi colocado no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 12 em Bissalanca na Guiné, em 15 de Janeiro de 1972. Morreu em combate no dia 23 de Maio de 1973 nos arredores de Guidage, tinha 22
anos.

(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/2-1.jpg)
Soldado Pára-quedista ANTÓNIO NEVES VITORIANO
Nasceu a 14 de Fevereiro de 1952 na Freguesia e Concelho de Casto Verde, Distrito de Beja. Foi incorporado em 26 de Janeiro de 1972,
como voluntário, no Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos.
Concluiu o Curso de Pára-quedismo Militar em 15 de Julho de 1972.
Foi colocado no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 12 em Bissalanca na Guiné. Morreu em combate no dia 23 de Maio de
1973 nos arredores de Guidage, tinha 21 anos.
Nasceu a 20 de Julho de 1953 na Freguesia

(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/3-1.jpg)
Soldado Pára-quedista JOSÉ DE JESUS LOURENÇO
Nasceu a 20 de Julho de 1953 na Freguesia de Cadima, Concelho de Cantanhede, Distrito de Coimbra. Foi incorporado em 26 de Fevereiro de
1972, como voluntário, no Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos. Concluiu o Curso de Pára-quedismo Militar em 2 de Julho de 1972. Foi colocado no Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 12 em Bissalanca na Guiné. Morreu em combate no dia 23 de Maio de 1973 nos arredores de Guidage, tinha 19 anos.


A emboscada

Em Maio de 1973 a guarnição militar de Guidage, no Norte da então Guiné Portuguesa mesmo sobre a fronteira com a República do Senegal, estava sob pressão dos guerrilheiros do PAIGC, e necessitava ser reabastecida.
A Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121, do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas n.º 12 (BCP 12) que operava na Guiné, foi destacada para escoltar uma coluna de socorro à guarnição cercada. Partindo de Binta na margem norte do rio Cacheu esta coluna tinha
que chegar urgentemente a Guidaje. A guarnição estava sob constantes ataques do PAIGC e temia-se a sua ocupação.
No decurso do deslocamento em direcção a Guidage, a CCP121 foi emboscada e sofreu de imediato 4 baixas. A companhia reagiu ao violento ataque, pediu apoio aéreo, os Fiats ajudaram a neutralizar o inimigo. A marcha em socorro de Guidage continuou, com os “páras” a transportar 2 mortos e 2 feridos graves. Um, o Peixoto, chegaria morto ao
aquartelamento mas o António Melo ainda foi evacuado de helicóptero, em condições de elevado risco para a aeronave, vindo a falecer já em Bissau.

Cemitério de campanha em Guidage
Chegada a 121 a Guidage passa a colaborar na defesa da guarnição mas constatou-se que havia interdição aérea na região. O PAIGC já havia abatido três aeronaves portuguesas na zona, o que impediu a evacuação dos pára-quedistas mortos. Não puderam assim ser entregues às Famílias como era hábito para todos os pára-quedistas mortos em combate. Por ordem médica, face às condições do clima e fruto da indisponibilidade de meios de conservação dos corpos, efectuou-se o seu enterro, com honras militares, no cemitério de campanha do quartel, juntamente com outros militares mortos na defesa de Guidage. Mais tarde quando a situação na região serenou o comando do BCP 12 tentou recuperar os corpos para os entregar às Famílias. Tal não foi autorizado pois a legislação então
vigente obrigava a um período de 7 anos para que um cadáver pudesse ser levantado. As Famílias foram deste facto informadas pelo comando do batalhão e a guarnição de Guidage, a pedido do BCP elaborou um mapa do local onde se situava o cemitério de campanha. Foram feitas cópias deste documento – que se veio a tornar indispensável passados 35 anos – e guardadas nos arquivos do BCP 12 e no processo individual de cada
um dos militares pára-quedistas ali enterrados. Terminada a guerra em 1974 deu-se a independência da Guiné-Bissau e fruto das condições políticas do período que se seguiu, qualquer tentativa de recuperar os corpos era impossível de concretizar. Acrescia a situação de insegurança quase permanente na região fronteiriça com o Senegal, ou por disputas fronteiriças com a Guiné-Bissau, ou pela insegurança causada naquela área pela guerrilha do Casamance. Nunca os pára-quedistas esqueceram este episódio da sua História e sempre esteve presente para muitos o resgate dos corpos dos seus camaradas, sendo certo que a decisão última caberia às respectivas Famílias.

Anos de impasse
Entretanto, em 1985, o Governo Português encarrega a Liga dos Combatentes de exumar e concentrar em alguns cemitérios, em África, os restos mortais de todos os militares ali falecidos no decorrer da guerra ultramarina e que estão dispersos por centenas de locais.
De acordo com as mesmas disposições governamentais, no caso de as Famílias desejarem efectuar a transladação dos restos mortais para Portugal, bem como o seu funeral, estas operações terão que ser promovidas e custeadas pelas próprias famílias.
Por volta de 1996 começa a surgir um movimento de antigos pára-quedistas, com o acordo das Famílias dos soldados Lourenço, Peixoto e Vitoriano, que se propõe obter através de um peditório nacional os fundos necessários para tentar resgatar os corpos dos camaradas mortos e enterrados na Guiné-Bissau.

Preparação da missão à Guiné-Bissau
A União Portuguesa de Pára-quedistas (UPP) toma conhecimento deste assunto e tendo o entendimento que não caberia às Famílias custear o regresso dos seus entes queridos e também que a figura do “peditório” não era a mais adequada, decide custear ela todo o
processo.
A UPP começou de imediato a planificar a parte mais complexa, a operação de exumação a efectuar em Guidage, e a procurar os meios financeiros para a realizar, que se estimavam em 60.000 Euros. A este valor havia ainda que acrescentar as despesas de transladação para Portugal bem como a dos funerais e a realização de análises para
eventual identificação dos restos mortais.
Logo que conseguiu assegurar o financiamento da operação, a UPP pediu uma reunião com a Direcção da Liga dos Combatentes, na qual manifestou o desejo de realizar aquela operação tão breve quanto possível. A UPP afirmou ainda dispor dos meios humanos, materiais e financeiros para a realizar, e querer efectuá-la no âmbito do mandato que o Governo Português havia atribuído à Liga dos Combatentes. A UPP pediu assim à Liga que, no âmbito do mandato que esta recebera do Governo, lhe fosse dada cobertura política para a acção que estava planeando para Guidage.
A Liga dos Combatentes, que entretanto já tinha reunido toda a informação relativa aos locais onde haviam sido inumados militares portugueses em África, manifestou grande abertura ao pedido da UPP, decidindo ser ela própria a executar a operação, bem como a suportar os seus custos. O planeamento foi iniciado de imediato, bem como foram logo constituídas duas equipas para actuarem no terreno: Uma Equipa de Missão, destinada a criar no terreno as condições necessárias para a actuação da Equipa Técnica, constituída por três antigos militares pára-quedistas que participaram nas operações na região em 1973, a que se
juntou um militar do Exército que havia servido no quartel de Guidage. E uma Equipa Técnica, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e do Instituto de Medicina Legal, destinada a fazer a exumação e a identificação dos restos mortais. Juntou-se no local para ajudar às escavações uma firma de Bissau
contratada pela Liga dos Combatentes.

A recuperação dos corpos em Guidage
A missão de recuperação dos corpos decorreu em Março de 2008 com o apoio das autoridades da Guiné-Bissau, do Adido de Defesa e da Missão de Cooperação Técnico-Militar Portuguesa no país e sobretudo de um pequeno mas dinâmico grupo de antigos militares pára-quedistas portugueses que ali residem. A missão decorreu durante 2 semanas, sendo a primeira dedicada à preparação das condições logísticas, localização do cemitério e escavações até determinado nível abaixo do solo. A segunda semana foi dedicada à exumação e identificação dos restos mortais. Fruto da localização do cemitério de campanha – hoje terreno completamente irreconhecível – ter sido bem assinalada no mapa feito em 1973, bem como dos equipamentos geo-radar de que a equipa técnica dispunha, foi possível ao fim de três dias de trabalho árduo mas muito meticuloso, dar por concluída a exumação. No decorrer dos trabalhos de campo a Equipa Técnica conseguiu identificar os restos
mortais dos três pára-quedistas pois tinha deles elementos suficientes para tal. Mas não conseguiu com os outros militares pois não lhe tinham sido fornecidos elementos suficientes para essa identificação.
A razão para esta diferença quanto à disponibilidade dos elementos de identificação foi que, estando as Famílias do militares Pára-quedistas já alertadas para a operação, não havia o risco de as ferir com as suas recordações e esses elementos foram obtidos. O mesmo não acontecia com as Famílias dos outros militares, que não tinham conhecimento
de nada. Como a UPP não sabia se a operação iria ter êxito, decidiu não lhes pedir nenhuns elementos identificativos a fim de não lhes recordar mágoas passadas.

Transladação para Portugal
A UPP desde o primeiro momento decidiu colocar em plano de igualdade todos os militares enterrados em Guidage e transladar e fazer os funerais não apenas dos páraquedistas mas também de todos os outros cujas Famílias o desejassem. Dado que dos dez militares portugueses ali sepultados dois eram naturais da Guiné, a questão da transladação para Portugal punha-se seguramente para os três Pára-quedistas e
possivelmente também para mais cinco militares. Logo que terminada a missão, a UPP informou as cinco Famílias daqueles militares dos seus resultados e perguntou se desejavam a transladação do seu familiar. Das cinco Famílias consultadas houve três que manifestaram o desejo de que tal se efectuasse.
Entretanto as amostras dos militares exumados têm estado a ser analisadas no Instituto de Medicina Legal a fim de se poder confirmar as identidades. A demora na identificação dos três militares do Exército e a pressão das Famílias dos Pára-quedistas levaram a UPP a fazer os funerais em separado. Agora os dos três páraquedistas, já identificados, e os dos três outros militares logo que concluídas as suas identificações.

Chegada a Portugal
Em 4 de Julho último pelas 21h30 num avião da TAP - Air Portugal proveniente de Bissau, chegaram a Portugal os restos mortais dos Soldados Pára-quedistas Lourenço, Peixoto e Vitoriano.
Transportadas as urnas para o Aeródromo de Trânsito N.º 1 (Aeroporto Militar de Lisboa no Figo Maduro), decorreu um momento propositadamente resguardado e ao qual estiveram presentes apenas alguns familiares, representantes dos antigos combatentes e das actuais unidades pára-quedistas.
As urnas foram posteriormente transferidas para a Igreja da Força Aérea em S. Domingos de Benfica (Lisboa), onde já se deslocaram familiares dos falecidos. Desde o dia 4 de Julho que estão a ser tratados os normais trâmites legais para se proceder aos funerais que terão lugar, como referido no programa detalhado, em 26 de Julho de 2008.
Estes soldados, pelo sacrifício da própria vida, já tinham entrado na História das Tropas Pára-quedistas, da Força Aérea e das Forças Armadas Portuguesas.
A partir de agora esse facto fica reforçado pois são os últimos pára-quedistas mortos em combate a serem devolvidos às suas famílias, mas também os primeiros militares portugueses sepultados em África que regressam à Pátria.

Apoios
No decorrer de todo este processo a UPP sentiu o apoio interessado e mesmo de orgulho patriótico de todas, e foram muitas, as entidades e pessoas com quem teve de contactar.
E não pode deixar em claro o facto de o transporte aéreo das urnas de Bissau para Lisboa e os funerais desde Lisboa para os locais de nascimento dos seis militares exumados em Guidage, serem graciosamente feitos respectivamente pela TAP – Air Portugal e pela
ANEL – Associação Nacional de Empresas Lutuosas.

(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/capela.jpg)
Momento de oração na Capela do AT 1 em Lisboa, no passado dia 4 de Julho

(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/monumento.jpg)
Monumento aos mortos em combate na Escola de Tropas Pára-quedistas


Fonte: União Portuguesa de Pára-quedistas
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Julho 17, 2008, 10:21:47 am
"Que nunca por vencidos se conheçam"



O que somos?... Amigos!

O que queremos?... Alvorada!

O que amamos?... O perigo!

O que tememos?... Nada!

Em posição!... Já!
Título:
Enviado por: Lancero em Julho 25, 2008, 04:48:57 pm
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Guiné-Bissau: Restos de militares portugueses sepultados 35 anos depois nas terras natal  



    Lisboa, 25 Jul (Lusa) - Uma cerimónia religiosa e honras militares póstumas assinalam sábado a última homenagem a três soldados portugueses caídos há 35 anos em combate em Guidage, Guiné-Bissau, cujos restos mortais foram recentemente resgatados e transladados para Portugal.  

 

    Os restos mortais de José Lourenço, António Vitoriano e de Manuel Peixoto chegaram a 03 deste mês a Portugal, depois de uma missão de resgate inicialmente pensada há cerca de dois anos por um dos familiares da emboscada que os vitimou, protagonizada pela então guerrilha do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em Guidage, em Maio de 1973.  

 

    Os corpos encontravam-se sepultados num pequeno cemitério próximo do aquartelamento português de Guidage, onde se deu a emboscada, que viria a vitimar mortalmente um quarto páraquedista, já depois de ter sido transferido para Bissau, onde sucumbiu aos ferimentos.  

 

    As cerimónias fúnebres iniciam-se às 10:00 de sábado com uma missa de sufrágio na Igreja da Força Aérea, em S. Domingos de Benfica, na presença das urnas dos três soldados pára-quedistas.  

 

    A eucaristia será celebrada por Januário Torgal Ferreira, Capelão-chefe da Forças Armadas (Bispo das Forças Armadas), coadjuvado por antigos capelães pára-quedistas.  

 

    O ofício religioso contará com a presença antigos oficiais pára-quedistas, de representantes de diversas associações de pára-quedistas e de altas entidades civis e militares.  

 

    Assistirão à cerimónia o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, general Valença Pinto, e os chefes de Estado-Maior dos três ramos - general Pinto Ramalho (Exército), general Luís Araújo (Força Aérea) e almirante Melo Gomes (Armada).  

 

    O Ministério da Defesa Nacional estará representado pelo secretário de Estado João Mira Gomes.  

 

    A Guarda de Honra será prestada por um corpo de Cadetes da Academia da Força Aérea.  

 

    As urnas com os restos dos três militares seguem para a Base Aérea nº 1 (Sintra), de onde partirão em aeronave da Força Aérea para o Aeródromo Militar de Tancos.  

 

    As honras fúnebres aos restos dos três soldados - o  "Último Adeus" dos Pára-quedistas  - serão prestadas cerca das 14:00 junto ao Monumento dos Mortos em Combate na Escola de Tropas Pára-quedistas.  

 

    Na ocasião será lida uma descrição da emboscada montada pelas forças do PAIGC junto a Guidage no dia 23 de Maio de 1973 e que vitimou quatro soldados portugueses.  

 

    Cumprido o "Último Adeus Pára-quedista", as urnas com os restos dos três militares serão então transportadas para as localidades de origem dos três militares.  

 

    Cádima (Cantanhede), de onde era natural José Lourenço, Castro Verde, terra natal de António Vitoriano, e Gião (Vila do Conde), onde nasceu Manuel Peixoto, são as localidades onde serão realizados funerais, de acordo com instruções das famílias.  

 

    As cerimónias fúnebres contarão com a presença de Guardas de Honra prestadas por representantes de unidades Pára-quedistas e de membros das Associações de pára-quedistas das respectivas regiões.


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Guiné-Bissau: Batalha de Guidade, uma das mais dramáticas da guerra colonial

** Carlos Santos Pereira, serviço especial para a Lusa **  

 

 

    Lisboa, 25 Jul (Lusa) - A batalha de Guidage, norte da Guiné-Bissau, representou um dos momentos mais críticos das campanhas militares mantidas pelo Estado Novo nas frentes do antigo Ultramar (Angola, Moçambique e Guiné) entre 1961 e 1974.  

 

    A emboscada protagonizada pela então guerrilha do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) vitimou os três soldados pára-quedistas que serão sábado, 35 anos depois, alvo de uma última homenagem e sepultados nas suas localidades de origem.  

 

    A Guiné era, do ponto de vista militar, a mais crítica das frentes das guerras coloniais e a situação no território agravou-se de forma dramática no primeiro semestre de 1973.  

 

    Dono de um potencial bélico largamente reforçado com o apoio soviético e de uma organização militar cada vez mais sólida, o PAIGC lançou uma vasta operação visando o controlo de corredores cruciais para a manobra da guerrilha nas zonas fronteiriças com a Guiné-Conacri (Sul) e Senegal (Norte).  

 

    Uma acção em tenaz das forças do PAIGC exerceu forte pressão sobre os aquartelamentos portugueses localizados junto a duas localidades estratégicas - Guilege, no Sul, e Guidage.  

 

    Os dois aquartelamentos foram submetidos a intensas flagelações e isolados pelo cerco montado pela guerrilha.  

 

    A situação tornou mais crítica quando o PAIGC dispôs de mísseis terra-ar, de fabrico soviético.    


    Vários aviões portugueses foram abatidos em Março e Abril desse ano, interditando virtualmente o espaço aéreo da Guiné e limitando fortemente o apoio aéreo às forças e as acções de reabastecimento e evacuação de feridos.
 

    O efeito sobre o moral das tropas foi devastador.  
 

    Em Guilege, a situação tornou-se insustentável e, a 26 de Março de 1973, a guarnição portuguesa viu-se obrigada a abandonar a posição.  

 

    Ocupado o aquartelamento de Guilege, o PAIGC intensificou a sua acção sobre a vizinha Gadamael. É a fase da "Guerra dos 3 G's" (Guidage, Guileje e Gadamael), como depois começou a ser designada entre os militares portugueses na Guiné.  

 

    Gadamael resistirá, mas a defesa do aquartelamento obrigará à deslocação das forças que haviam ocupado o vizinho Cantanhez, mítico santuário do PAIGC, ocupado no início desse ano pelo Batalhão de Caçadores Pára-quedidstas 112.

 

 

    Com as forças de intervenção (pára-quedistas, comandos, fuzileiros) empenhadas nos pontos mais críticos, as reservas operacionais portuguesas ficaram virtualmente esgotadas.  

 

    Em Guidage, o cerco apertou-se progressivamente desde o início de Maio. A guarnição portuguesa foi então sujeita a intensas e prolongadas flagelações, que lhe provocaram pesadas baixas.  

 

    O cerco do PAIGC tornou extremamente difícil o esforço de reabastecimento pela única via possível, uma estrada que conduzia ao ponto de apoio mais próximo, em Binta, a uma distância de 30 quilómetros.  

 

    A situação na frente Norte tornou-se, então, cada vez dramática.  

 

    A 18 de Março, o Batalhão de Comandos Africanos lançou uma operação de assalto à base de Kumbamory, junto à fronteira com o Senegal e principal ponto de apoio do PAIGC na região, que acabaria por fracassar no objectivo de aliviar a pressão da guerrilha sobre Guidage.  

 

    Era preciso a todo o custo romper o cerco a Guidage.  

 

    A 23 de Maio, quando ainda se retirava da zona de operações do Kumbamory, onde apoiou a acção dos Comandos, a Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121 recebeu ordens para se deslocar com urgência para Binta, na margem Norte do Rio Cacheu, a fim de escoltar uma coluna de reabastecimento que tentava atingir Guidage.  

 

    Já perto de Guidage, a "121" caíu numa forte emboscada do PAIGC e, de imediato, três soldados portugueses cairam sob o fogo inimigo.  

 

    Um quarto seria ainda evacuado de helicóptero para Bissau, onde acabou por morrer .  

 

    Após 50 minutos de intenso combate, as forças do PAIGC foram desalojadas das suas posições, permitindo que o cerco a Guidage fosse finalmente rompido, mas a um preço elevado.  

 

    Dada a situação militar extremamente crítica vivida no território, a evacuação dos restos mortais dos militares tornou-se impossível e  o lema "ninguém fica para trás" náo se cumpriu .  

 

    Os restos dos três soldados foram inumados num pequeno cemitério de campanha estabelecido entre as duas redes de arame fardistas Portugueses e o desejo das famílias .  

 

    Trata-se dos três primeiros militares mortos em combate cujos restos mortais são resgatados no âmbito do programa "Conservação das Memórias", lançado há dois anos pela Liga dos Combatentes.  

 

    O projecto visa exumar e concentrar em alguns cemitérios (em princípio em África) os restos mortais de todos os militares ali falecidos no decorrer da guerra colonial e que estão dispersos por centenas de locais.  
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Enviado por: Lancero em Julho 26, 2008, 10:41:11 pm
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(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/400x400.jpg)

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Última homenagem a pára-quedistas caídos na Guiné
Veteranos da Companhia 121 regressaram à Escola de Tancos

Antigos pára-quedistas da Companhia 121, veteranos da guerra colonial, regressaram este sábado à Escola de Tancos para uma homenagem sentida a três camaradas de armas que morreram em Guidage, Norte da Guiné-Bissau, e cujos restos mortais regressaram agora a Portugal.

Uma parada em silêncio escutou as primeiras palavras do general Hugo Borges, que enquanto comandante de pelotão - na altura um jovem tenente - esteve na emboscada que custou a vida aos três soldados pára-quedistas junto a Guidage, Norte da Guiné, no dia 23 de Maio de 1973.

«A bolanha abre-se, despida, enorme sem abrigo. Os páras conhecem o perigo, mas Guidage espera cercada. Avançam, chega a emboscada. Chovem morteiradas e canhoadas, RPGs cruzam os ares, dantesco fogo de artifício...», recorda o general. Os militares José Lourenço, António Vitoriano e Manuel Peixoto iam na primeira linha e foram os primeiros a cair, lembra.

As urnas com os restos dos três soldados estão alinhadas junto ao Monumento Aos Mortos em Combate que domina a parada da Escola de Tropas Pára-quedistas de Tancos. Sobre as urnas, cobertas com a bandeira portuguesa, a simbólica boina verde e o brevet dos pára-quedistas.

Vinte e três de Maio. A data da emboscada coincide com o dia dos pára-quedistas, assumindo assim uma dimensão simbólica.

«Ninguém fica para trás», manda o lema dos pára-quedistas. Na altura as circunstâncias da guerra na Guiné impediram a evacuação dos corpos dos três soldados. Trinta e cinco anos depois, os restos dos três militares foram finalmente resgatados do cemitério improvisado em que os seus restos ficaram depositados, a pouca distância do local em que tombaram em combate.

Um silêncio comovido percorre a parada. Antigos pára-quedistas, camaradas de armas dos três soldados caídos em Guidage, responderam à chamada e regressaram à Escola onde se fizeram soldados para um último adeus aos três camaradas caídos em combate. A emoção vinca muitos rostos recolhidos.

Então um jovem tenente, o general Hugo Borges recorda a emboscada de Guidage. «O primeiro soldado caiu à minha frente», diz, antes de a emoção lhe embargar momentaneamente a voz. O rosto contraído trai uma lágrima reprimida.

«Soldado não morre, voa mais alto»

Ouve-se o toque de silêncio. Segue-se um minuto de recolhimento. Depois, o Toque aos Mortos. Finalmente, Toque de Alvorada, símbolo de esperança, grito daqueles «em quem poder não teve a morte».

«A memória da morte perdura muito tempo, mas é como que um assunto que fica arrumado, uma gaveta que se fecha. Fica um certo sentimento de paz», diz Conceição Vitoriano, irmã do soldado Vitoriano, e que participou na missão de identificação dos restos dos três militares no cemitério de Guidage.

«Sabe, ao longo deste tempo aprendi muita coisa. Dizem os pára-quedistas que o soldado não morre, voa mais alto. Hoje, acredito que sim. O meu irmão não morreu. Hoje, voou mais alto», afirma.

As urnas com os restos dos três soldados abandonam a parada a caminho da sua morada definitiva. «Missão cumprida», assegura o General Borges.

Assim rematou o general as memórias da emboscada e os esforços, em que teve empenhado pessoalmente, para resgatar os restos dos três soldados que desde 23 de Maio de 1973 estavam enterrados junto ao arame farpado do antigo aquartelamento de Guidage.

Os restos dos soldados José Lourenço, António Vitoriano e Manuel Peixoto respectivamente Cádima (Cantanhede), Castro Verde e Gião (Vila do Conde) regressam hoje às terras que os viram nascer.

A romagem às memórias de Guidage, no entanto, vai prosseguir ainda amanhã.

O último domingo de Julho de cada ano é, de acordo com a tradição, dia de concentração dos pára-quedistas no santuário de Fátima.

Quando neste domingo milhares de pára-quedistas se reunirem uma vez mais em Fátima, os caídos em Guidage estarão presente em todas as memórias.

http://diario.iol.pt/sociedade/guine-gu ... -4071.html (http://diario.iol.pt/sociedade/guine-guerra-colonial-combatentes-para-quedistas-militares-ultramar/975637-4071.html)
Título:
Enviado por: zeNice em Julho 27, 2008, 03:00:32 am
:Soldado2:
Título:
Enviado por: typhonman em Julho 27, 2008, 06:41:51 am
:Soldado2:
Título:
Enviado por: Akagi em Julho 28, 2008, 03:47:28 pm
O vosso sacrificio (e dos restantes 9.000), nunca sera esquecido

Descancem finalmente em paz, no chão sagrado da Patria pela qual deram a vida. :Soldado2:
Título:
Enviado por: Normandy44 em Julho 31, 2008, 02:05:15 pm
Citação de: "Lancero"
(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/11813494.jpg)(http://i150.photobucket.com/albums/s111/lancero_casa/11813495.jpg)


Gosse Step???! Nunca imaginei que existissem no nosso País!!
Título:
Enviado por: Cabeça de Martelo em Julho 31, 2008, 02:13:07 pm
Meu caro é a marcha à Pára-quedista, é mais lenta, mais espectacular, mais...tudo!

 :arrow: http://www.pq109.com/videos/homenagem.wmv (http://www.pq109.com/videos/homenagem.wmv)
Título:
Enviado por: Lancero em Julho 31, 2008, 11:20:27 pm
http://www.youtube.com/user/donaidinha (http://www.youtube.com/user/donaidinha)

Uma excelente complilação de vídeos.
Título:
Enviado por: Ryan em Outubro 29, 2008, 11:05:16 pm
O meu pai é um Ex-combatente que esteve no ativo no tempo da guerra do Ultramar onde esteve incorporado num contingente com destacamento em África , onde perdeu camaradas e apesar de ter sido operado, felizmente  sobreviveu atê hoje tendo actualmente 62 anos e eu gostaria de saber quais são os seus direitos e indemenizações ?
e onde se pode informar e açeder aos subsídios a que os ex-combatentes tem acesso ?
Desde já agradeço a vossa atenção a toda informação que possam dar.
Comprimentos
Título: pedido
Enviado por: fabio_lopes em Novembro 03, 2008, 03:16:37 pm
boas eu procuro uma foto para um trabalho que estou a realizar sobre a guerra do ultrmar procurava algo como um grupo de soldados tipo abraçados ou em formatura mas poucos 2 ou 3 ou em acçao.
se me poderem indicar um site onde posso tirar algumas fotos espetaculares, ou chocantes pois estou mesmo empenhado no trabalho
cumps
Título:
Enviado por: Ricardo em Novembro 10, 2008, 12:58:04 am
http://blogueforanadaevaotres.blogspot. ... tadas.html (http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2008/11/guin-6374-p3424-16000-minas-montadas.html)

(http://img146.imageshack.us/img146/5109/detectoramatosiq6.th.jpg) (http://http)(http://img146.imageshack.us/images/thpix.gif) (http://http)
Título:
Enviado por: Portucale em Novembro 28, 2008, 12:03:19 am
Video interessante sobre a guerra no ultramar pois tem várias imagens raras, principalmente de helicopteros e aviões durante operações.
Ao minuto 5 e 21 segundos pode-se ver um AlouetteIII que de um lado tem um lançador de rokets e do outro parecem duas metrelhadoras.
Imagem rara..........

http://www.youtube.com/watch?v=xX9RPMZ9 ... re=related (http://www.youtube.com/watch?v=xX9RPMZ9Xis&feature=related)
Título:
Enviado por: Ricardo em Novembro 30, 2008, 05:23:59 pm
(http://img171.imageshack.us/img171/9265/capturar1xn9.th.jpg) (http://http)
Título: Direitos adquiridos por veteranos da Guerra no Ultramar
Enviado por: NaVeG em Dezembro 02, 2008, 11:48:37 am
Citação de: "Ryan"
O meu pai é um Ex-combatente que esteve no ativo no tempo da guerra do Ultramar onde esteve incorporado num contingente com destacamento em África , onde perdeu camaradas e apesar de ter sido operado, felizmente  sobreviveu atê hoje tendo actualmente 62 anos e eu gostaria de saber quais são os seus direitos e indemenizações ?
e onde se pode informar e açeder aos subsídios a que os ex-combatentes tem acesso ?
Desde já agradeço a vossa atenção a toda informação que possam dar.
Comprimentos


Consulte
http://ultramar.terraweb.biz/ContagemdoTempo_SM_informacoesdoMDN.htm
Título:
Enviado por: Daniel em Fevereiro 01, 2009, 05:35:01 pm
A Minha Guerra - Arquimínio Carrasco Marcão - Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 121, Guiné 1970-1972
"A bala entrou no joelho e saiu entre as pernas"


Citar
Sou um deficiente das Forças Armadas, ferido por uma rajada de metralhadora. Uma evacuação de 18 camaradas feridos com gravidade e de seis mortos nunca mais me saiu da memória.


Parti para a Guiné num avião DC6 de carga, no dia 27 de Dezembro de 1970, com escala em Cabo Verde (ilha do Sal). A maior diferença que senti foi a temperatura: cá estava frio e lá muito calor, e levávamos as fardas de Inverno. E os mosquitos até parecia que não comiam há meses, atacando-nos sem piedade.

Fiz parte do 4.º pelotão (‘Os Vingadores’) da Companhia 121 do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 12. Fui enviado para Mansabá, onde recebi o baptismo de fogo, durante um ataque do inimigo, com canhões sem recuo. Fui arrastado para um abrigo por um camarada, para me proteger, porque ainda não sabia o que fazer nestas situações. Tive muita dificuldade em sair dali, pois o medo era mais que muito. Felizmente, o ataque só resultou nalguns buracos no chão e pouco mais.

Antes, e após uma estadia de alguns dias em Bissau, fomos para Farim. Aqui, houve um acidente com um camarada chegado nesse dia. Após um bom almoço de javali (tipo carne à alentejana) e bem bebido, foi até à piscina, onde acabou por morrer afogado. E para piorar a situação parece que a família não sabia que ele estava no Ultramar.

Passado alguns dias, fomos fazer uma operação com um chefe do grupo de Comandos Africanos e um camarada fez fogo com o lança-granadas RPG 7, mesmo por baixo de um ninho de abelhas. Foi atacado de tal maneira pelos insectos que ficou com o corpo tão inchado que parecia ter o dobro e teve de ser evacuado de helicóptero, acabando por recuperar dos ferimentos.

Mas a situação que mais me marcou aconteceu em Gampará. Este aquartelamento foi construído por nós (páras e fuzileiros especiais) e quando ainda não havia nada, dormíamos em buracos abertos por nós. Penso que tinha uma posição estratégica, porque por ali passava um rio e, na outra margem, ficava Gadamael Porto e mais abaixo o famoso Guileje.

Já não me lembro exactamente da hora, mas era de noite. Um grupo, em que me incluía, saiu para uma operação e ainda não tínhamos andado uma hora quando ouvimos um rebentamento que nos deixou alerta e muito preocupados, pois sabíamos que algo de grave se tinha passado. Não tardaram cinco ou dez minutos quando ouvimos uma segunda explosão, muito mais forte! Deslocámo-nos de imediato na direcção que os nossos camaradas tinham seguido e, quando lá chegámos, havia homens completamente perdidos no espaço e no tempo e outros mortos, feitos em bocados. O meu camarada furriel Cardiga Pinto chegou numa Berlié, segurando as entranhas com uma mão e fazendo-nos adeus com a outra. Morreu quando o descarregavam da viatura. Eu estive com o enfermeiro, que se encontrava em estado muito grave e muito agitado, e só acalmava quando lhe afagava os pés. Foram momentos muito dolorosos, que ainda hoje estão na minha mente. Ainda por cima, como de noite não se faziam evacuações, havia uma grande revolta dentro de nós ao vermos os nossos camaradas a morrer. O único médico, alguns enfermeiros e socorristas faziam o impossível e sentiam-se completamente impotentes. Quando amanheceu, chegaram os helicópteros, aos cinco de cada vez, para fazerem a evacuação. Levaram 18 camaradas feridos em estado grave e seis mortos.

Um dos camaradas não foi encontrado e, nessa manhã, um pelotão de voluntários, onde eu estava incluído, foi procurar o Almeida, pensando que estaria perdido e desorientado. Mas não, o pior tinha acontecido! Nesse dia fatídico, o Almeida tinha recebido a notícia do nascimento de um filho e muitos camaradas tinham-se oferecido para ir na missão em seu lugar, mas por motivos de castigo essa possibilidade foi negada. Pior ainda, faltava-lhe menos de um mês para acabar a comissão. Nesta missão, houve camaradas que subiram aos mangueiros para recolher destroços que estavam pendurados devido à explosão (mochilas, armas, trapos e outros artigos).

Eu regressei ferido. Fui apanhado numa emboscada, por sinal a segunda de que éramos alvo na mesma tarde, quando já tinha 19 meses de comissão e ia ser distinguido com o Prémio Governador. Depois deram-me um louvor. Era para cumprir uma comissão de 24 meses, que não acabei porque fui ferido em combate. Uma rajada de metralhadora atingiu-me de raspão na barriga, no braço esquerdo e, o mais grave, na perna esquerda: a bala entrou junto ao joelho e saiu entre pernas.

Tive sorte porque entrou entre o tendão e o joelho, mas não acertou nem no tendão nem nos ossos. Cortou a veia femoral, mas não acertou na artéria. Fui ferido quase ao anoitecer. Mais uns dez minutos e não seria evacuado, nem aguentaria até ao amanhecer, pois a hemorragia era muito grande na saída do ferimento. Ainda ficou uma bala dentro do meu cantil, que transportava junto da anca e no fusto da metralhadora MG42 havia marcas de dois tiros. Segundo os médicos, fizeram-se operações em teatros de guerra que foram autênticos milagres e o meu foi um deles.

Estive no Hospital Militar de Bissau cerca de um mês e depois fui evacuado para Lisboa – no dia 26 de Junho de 1972, num avião da TAP. Quando fui ferido pesava por uns 70 quilos e quando cheguei a Lisboa tinha menos de 40, mas recuperei. Passei sete anos com internamentos nos hospitais e foi considerado incapaz para o serviço militar e classificado como deficiente das Forças Armadas. Nesta missão, onde não era para participar porque ia receber o Prémio Governador, fui como voluntário. O prémio ficou sem efeito e deram-me em substituição um louvor, relativo à minha participação na operação ‘Pato Azul’, na zona de Quinara.

Mas nem tudo foram tragédias. Também passei por alguns momentos de alegria. E houve outros casos até engraçados, mas de que só nos rimos no fim e às vezes do mal. Um dia, um grupo da companhia de Cavalaria, que estava connosco, saiu numa patrulha e foi atacado por um enxame de abelhas – o que é terrível. O posto de rádio deles tinha o nome de código ‘Sorte’. Portanto, a mensagem deles para a base foi a seguinte: 'Aqui Sorte... Sorte, o azar persegue-me, escuto, fomos atacados por abelhas!!' Tudo não passou de umas picadelas e até dizíamos que o inimigo preparava as emboscadas perto dos vespeiros.

Noutra altura, sofremos uma emboscada e, quando passei pelo apontador de morteiro, que tinha disparado uma granada, a arma estava enterrada até há boca, porque o chão era mole. Conclusão, tive de o ajudar, pois toda a gente corria para a frente de batalha. Depois, no quartel é que foi rir do camarada Calhau!

'NOS TEMPOS LIVRES SOU BOMBEIRO VOLUNTÁRIO E MERGULHADOR'

Antes de ir para a tropa fui pintor de automóveis. Alistei-me na Escola de Tropas Pára-Quedistas em Tancos, em 1969, como volutário. Depois, fui chamado para assentar praça na primeira incorporação de 1970, fiz a recruta, o 59.º Curso de Para-quedismo e o Curso de Combate e fui para a Guiné, a 27 de Dezembro de 1970. Regressei ferido, num avião da TAP, para o Hospital da Estrela, onde estive internado três anos e fui assistido durante mais quatro. Fui considerado incapaz para o serviço militar e reformado. Quando me senti capaz fui trabalhar para a Lisnave, de onde sai com a reforma antecipada. Regressei à minha terra com a família, mulher e filha, de 33 anos. Nos tempos livres sou bombeiro voluntário em Portel e mergulhador bombeiro.
Título:
Enviado por: Lancero em Fevereiro 01, 2009, 07:05:56 pm
Publicada no Jornal do Exército, em Março de 1969.

(http://img70.imageshack.us/img70/5456/portugal2yo5.jpg)
Título:
Enviado por: Lancero em Abril 01, 2009, 09:16:50 pm
Citar
Ministério da Defesa Nacional e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra promovem estudo sobre “Os Filhos da Guerra Colonial”
01.04.2009 O ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, preside amanhã à cerimónia de assinatura de um protocolo, entre o ministério da Defesa e o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, com vista à elaboração de um estudo sobre «Os Filhos da Guerra Colonial».

Com esta iniciativa, pretende-se promover o conhecimento científico sobre a Guerra Colonial Portuguesa e os seus efeitos nas gerações pós-guerra, nomeadamente através do estudo dos factores de vulnerabilidade e diagnóstico no Distúrbio de Stress Pós-Traumático.

O Ministério da Defesa Nacional associa-se assim ao projecto de investigação “Os Filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações”, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e levado a cabo por uma vasta equipa de investigadores do CES (das áreas  de Estudos Culturais, Estudos para a Paz e Medicina), com a colaboração do Hospital Militar de Coimbra e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

O protocolo, cuja cerimónia de assinatura terá lugar amanhã, dia 2 de Abril, às 16 horas, no Salão Nobre do Ministério da Defesa Nacional, será assinado pelo director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Boaventura Sousa Santos, e pelo Director-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar do Ministério da Defesa Nacional, Alberto Coelho.
Título:
Enviado por: TOMSK em Abril 28, 2009, 11:26:37 am
Fortalezas na selva

(http://4.bp.blogspot.com/_HDY1fSHqkCM/SEPs5umQCAI/AAAAAAAABp8/hwWCkGcv5Mw/s400/guerra+colonial+ferido.jpg)

Expresso
Rui Cardoso
0:01 Quinta-feira, 26 de Jun de 2008  
     
Durante os 13 anos do conflito as forças portuguesas fortificaram mais do que se supõe e até suportaram cercos.
 
De 1961 até 1974 os combates em Angola, Moçambique e Guiné não se resumiram a emboscadas, ataques a colunas e golpes de mão no meio da selva. Esta ideia, tida como inquestionável pela maior parte das pessoas, fica aquém da realidade. A fortificação dos quartéis portugueses foi uma necessidade cada vez mais premente, à medida que os movimentos de libertação se tornavam mais activos e recebiam armamento mais sofisticado.

Vencida a insurreição de Fevereiro de 1961, no norte de Angola, as forças portuguesas ocuparam pontos estratégicos que haviam servido de base aos inssurectos, como foi o caso de Nambuangongo. Conforme explicou o coronel Carlos Matos Gomes, orador na sessão de dia 25 de Junho do Curso Livre de História Militar (promovido pelo Centro de História da Universidade de Lisboa), estas primeiras posições defensivas destinavam-se a afirmar o domínio sobre os territórios reconquistados. A ameaça a enfrentar eram ataques em massa de combatentes mal treinados e equipados com armas ligeiras. Por estas duas razões tinham algo de castelos medievais, com torres altas de vigilância, destinadas a detectar, ao longe, a aproximação do inimigo e dar cobertura aos vigias.

Contudo, a guerra, não só se estendeu à Guiné e a Moçambique, como, aos poucos, os movimentos guerrilheiros começaram a receber armamento cada vez mais sofisticado que, em 1973/74, equivalia ou ultrapassava o utilizado pelas forças portuguesas. Assim, à medida que os combatentes independentistas aprendiam a usar lança-foguetes, morteiros e peças de artilharia, os "castelos" sofreram a mesma evolução que as fortalezas medievais no século XVI e XVII: prescindiram das torres, perderam altura, engrossaram os muros e, sobretudo, enterraram-se.

Matos Gomes, que combateu no terreno como oficial de cavalaria e é autor de diversos livros sobre os conflitos em África, projectou diversas fotos mostrando a estrutura típica de um quartel português em finais dos anos 60: um perímetro aproximadamente circular, rodeado por arame farpado e desmatado à volta, com trincheiras e abrigos subterrâneos, espaldões e outras protecções para os morteiros e peças de artilharia.Um heliporto e, eventualmente, uma pista completavam a estrutura. Hoje a selva tomou conta da maior parte destas fortificações.

José Varandas, docente da Faculdade de Letras e um dos organizadores do curso quis saber a razão de, havendo desmatação à volta, existirem, quase sempre, árvores de grande porte dentro do perímetro defensivo. "Se fossem os americanos, teriam cortado tudo. Mas nós, com as nossas origens rurais, se calhar custava-nos deitar as árvores abaixo. Para além do que nos davam sombra e alguma protecção contra o fogo inimigo", explicou Matos Gomes.

Estas fortificações de terra, madeira e arame farpado, embora muitas vezes atacadas e, nalguns casos com sucesso, nunca foram alvo de cercos prolongados visando a sua conquista. "A guerra de guerrilha tem sempre uma componente política. E, mais que conquistar posições que não conseguiriam manter por muito tempo, os movimentos independentistas visavam sucessos psicológicos que trouxessem para o seu lado as populações, ou desmoralizassem as tropas regulares". Estas, como explicou o conferencista, tinham muitas vezes que fazer trabalhos de engenharia, saúde pública ou educação que deveriam ter cabido a uma administração civil que raramente funcionava.

Até finais de 1973 viveu-se um relativo equilíbrio estratégico. A artilharia da guerrilha, por vezes mais numerosa e de maior alcance que a dos defensores, só podia flagelar de noite, visto que de dia se exporia à intervenção dos aviões e helicópteros portugueses.Contudo, nos últimos meses da guerra, a chegada ao teatro de operações dos mísseis solo-ar Strella pôs fim à supremacia aérea das forças portuguesas, dificultando a sua intervenção no apoio às posições atacadas. Isso aconteceu na Guiné, forçando ao abandono de posições como Guileje, enquanto em Tete (Moçambique) a Frelimo conseguia derrubar alguns aviões do regime branco da Rodésia (actual Zimbabwe) que operavam nessa zona de fronteira em conjugação com as forças portuguesas.

Na Guiné, a situação chegou a inverter-se relativamente ao começo da guerra, com o exército português a destruir estradas e pontes no extremo sueste do país para dificultar a eventual progressão de veículos blindados que se sabia já fazerem parte do arsenal do PAIGC. Alguns quartéis, como Bedanda, chegaram a ser rodeados por valas e outros obstáculos anti-carro, na previsão de ataques de veículos de combate inimigos.
Se esse confronto nunca ocorreu, já os meios motorizados utilizados pelas forças portuguesas tiveram que ser adaptados à realidade de um novo tipo de combate. Os camiões Berliet foram carregados de sacos de areia e outras protecções para resistirem ao rebentamento das minas anti-carro.

Outros receberam torres blindadas, reaproveitadas dos mais diversos veículos. Matos Gomes mostrou uma foto de uma Berliet improvisadamente blindada, carregada de munições e abastecimentos e com uma tripulação de meia-dúzia de soldados, tendo à rectaguarda uma pipa de vinho. "Se calhar, as naus que iam para a Índia eram tão improvisadas como aquele camião mas não se portaram pior", concluíu Matos Gomes
Título:
Enviado por: Flying Frog em Maio 11, 2009, 01:50:26 pm
Estou a estudar de cerca o conflicto na Rhodesia. Os Rhodesianos e os Portugueses colaboraram em varios acocasoes.  O sentimento dos Rhodesianos era que os Portugueses tinham equipo e capacidades excepcionais (Muitas Alouette cuando os Rhodesianos nunca tiveram mais de 40, Pumas, etc) mas que nao fizeram os esforço de sacar o maximo beneficio desse material. Cuando se realizara uma operaçao aeromovel, noa se fizera persecuçao dos guerillos superviventes, etc. O sentimento dos Rhodesianos foi que os Portugueses nao queriam ganar a guerra. E certo tambem que os Rhodesianos nao tiveram a oportunidade de ver todas as unidades Portuguesas em operaçoes, entao seguramente, esa opiniao nao coresponde totalmente a realidade, mas do que e podido leer (limitaçoe de muniçao, falta de equipo de remplaço para os vehiculos), nao sempre se fiz o melhor uso das capacidades excepcionales das Forças Armadas Portuguesas naqueles conflictos....
Título:
Enviado por: Lancero em Maio 12, 2009, 10:55:41 pm
Requintes de anglo-saxões. "Nós somos os bons que fazemos tudo bem. Os 'Porks' não sabem fazer a guerra..."
Leia tudo com umas pitadas de sal.
Título:
Enviado por: André em Maio 13, 2009, 12:01:33 am
Não é de estranhar, quando o fundador da Rodésia, Cecil Rhodes disse isto dos portugueses ...  :evil:  :evil:  :evil:  :evil:
Título:
Enviado por: TOMSK em Maio 13, 2009, 12:34:23 am
Homem de merd* !!!
:N-icon-Axe:
Título:
Enviado por: JPM em Maio 17, 2009, 02:05:27 am
Citação de: "André"
Não é de estranhar, quando o fundador da Rodésia, Cecil Rhodes disse isto dos portugueses ...  :evil:  :evil:  :evil:  :evil:


Cecil Rhodes morreu em 1902, não tem nada a ver com a guerra colonial. Rhodes disse isso num período em que a nossa ambição de ligar Angola e Moçambique colidia com a ambição Inglesa de ligar o Cairo ao Cabo.


Uma leitura interessante:
http://www.rhodesianforces.org/Mozambique1968-72.htm
Título:
Enviado por: André em Maio 17, 2009, 02:09:07 am
Citação de: "JPM"
Citação de: "André"
Não é de estranhar, quando o fundador da Rodésia, Cecil Rhodes disse isto dos portugueses ...  :evil:  :evil:  :evil:  :roll:  :roll:
Título:
Enviado por: Ricardo em Maio 26, 2009, 02:21:24 pm
ZPU-4 do PAIGC:
(http://img154.imageshack.us/img154/6710/paigcactualites48foto10.th.jpg) (http://http)
Título:
Enviado por: cromwell em Maio 26, 2009, 09:11:42 pm
Citação de: "André"
Não é de estranhar, quando o fundador da Rodésia, Cecil Rhodes disse isto dos portugueses ...  :evil:  :evil:  :evil:  :twisted:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Lusitano89 em Novembro 14, 2009, 04:32:07 pm





Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: typhonman em Novembro 16, 2009, 05:57:30 pm
Citar

Trasladados corpos de militares mortos na Guiné
00h29m
MARGARIDA LUZIO
Já não há luto, nem choro, nem revolta. Sobram lágrimas de emoção. Os restos mortais de um soldado morto na Guiné, há 36 anos, foram, ontem, domingo, a enterrar na sua terra natal, Sá, em Valpaços. A família sente-se aliviada.

"Já o cá temos connosco!". Fernando Machado acena que sim, agradece as palavras. Tem as mãos ocupadas para abraços efusivos. Com uma segura o guarda-chuva, com a outra agarra o ombro do pai. Nunca o larga. "Não tenho palavras, muito obrigado!", repete a quem vai passando e se dirige a ele. O pai mal consegue falar. E quando o tenta fazer, caiem-lhe lágrimas pelo rosto. A mãe quis dar "um beijinho no caixão".

Ontem, 36 anos depois, a família do furriel José Carlos Machado, de Sá, Valpaços, enterrou, finalmente, no cemitério local o filho. José morreu na guerra, na Guiné, a 25 de Maio de 1973. Estava a fazer reabastecimento a um aquartelamento quando uma granada atingiu o edifício. Morreu juntamente com outros colegas. A notícia chegou a Sá através de um telefonema para o posto público. "Lembro-me que andávamos a tirar ervas numa terra de batatas. Foram-me chamar, mas eu nunca pensei que fosse isso".

Fernando Machado, irmão se José Carlos, tinha, então, 20 anos. O irmão 22. Ontem, no final do enterro, que teve honras militares, não escondia a emoção. "É muito emocionante ver aqui amigos dele e meus. Sinto orgulho e regozijo-me por ele estar aqui. Aqui sei que está num lugar protegido e onde é respeitado. Lá estava num terreno sem qualquer vedação, passavam animais...".

O processo de trasladação do corpo foi longo e teve intervenção directa da Liga de Combatentes.

 :Soldado2:
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: SSK em Novembro 16, 2009, 09:37:23 pm
Encontra-se à venda um livro muito interessante que retrata a vida de um Senhor durante a sua passagem pelo Ultramar enquanto Fuzileiro. Este Senhor dá pelo nome de José Gomes Talhadas, que me deu a honra de ser seu aluno, o nome do livro é A vida de um guerreiro.

Recomendo vivamente!!!

Abraço
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: ShadIntel em Novembro 16, 2009, 10:17:15 pm
Citação de: "SSK"
Encontra-se à venda um livro muito interessante que retrata a vida de um Senhor durante a sua passagem pelo Ultramar enquanto Fuzileiro. Este Senhor dá pelo nome de José Gomes Talhadas, que me deu a honra de ser seu aluno, o nome do livro é A vida de um guerreiro.

Recomendo vivamente!!!

Abraço
O título do livro não será antes Memórias de um Guerreiro Colonial ?
Ou então o sargento-chefe Gomes Talhadas escreveu um segundo livro, mas não consigo encontrar nenhuma referência com esse título.  :?

(http://images.portoeditora.pt/getresourcesservlet/image?EBbDj3QnkSUjgBOkfaUbsI8xBp%2F033q5Xpv56y8baM5Ickk42a28SG9ojeijy7h3&width=150)
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: SSK em Novembro 16, 2009, 10:29:00 pm
Upssss...

Nem mais!!! Já lá vai uns meses desde que o devorei num fim-de-semana.

Muito obrigado pela correcção :wink:
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: zeNice em Novembro 24, 2009, 09:26:40 pm
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: nelson38899 em Fevereiro 15, 2010, 12:17:23 am
Citar
Há 40 anos, cheguei à Guiné num petroleiro da Marinha de Guerra,  o "S. Gabriel". Não seguia só, pertencia a uma unidade de fuzileiros  especiais alojada nos depósitos vazios do combustível. Dois  anos depois, retornámos da guerra que o regime português mantinha em três antigas colónias num navio mercante, o "Angra do Heroísmo". Castigados pelo general Spínola.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1494641&seccao=CPLP
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: nelson38899 em Abril 03, 2010, 12:33:28 pm
Citar
Partiram há 40 anos para uma das frentes da guerra em África, a Guiné. Estiveram em operações no Norte e Sul, no Leste e no Oeste. Hoje, idosos, não esquecem esses tempos de provação, combate e camaradagem.

Começávamos o dia às sete da manhã, a abrir fogo sobre as posições inimigas, todos os dias", recorda Sebastião Martins Colaço, fuzileiro especial, que cumpriu comissões de serviço na Guiné-Bissau entre 1964 e 1971. Viveu, por isso, a fase de transição do conflito entre a época de supremacia das forças portuguesas e o período em que o PAIGC se afirma no terreno.

Tropa de operações especiais, os fuzileiros percorreram todo o território guineense, em "golpes de mão e operações de contrapenetração", explica Serafim Lobato, segundo oficial do Destacamento de Fuzileiros Especiais 12 (DFE 12), que esteve no teatro de operações em 1970/1. Actuaram também no Senegal contra bases da guerrilha.

Numa dessas operações, o DFE 12 ocupa uma das principais bases da "Frente Norte" do PAIGC, a de Cumbamory, envolvendo-se numa longa troca de fogo, que se prolongou desde manhã ao meio da tarde, com pequenas interrupções. Durante esta operação, um dos efectivos do DFE 12, Manuel Galante Guerra detecta sob "um monte de pasto", capim e outra vegetação, aquilo que se vai revelar um importante depósito de armas e munições. Recorda o fuzileiro especial: "Esperámos pelo amanhecer para fazer o assalto, avançámos pela bolanha [curso de água], desdobrámos a fila indiana em linha quando o PAIGC nos começou a alvejar, mas estavam em inferioridade numérica e acabaram por bater em retirada ." É então que Galante Guerra, que fez duas comissões de serviço na Guiné entre 1967 e 1971, encontra "armas, granadas de mão e de armas sem recuo, uniformes, minas e metralhadoras", recorda.

A descoberta do fuzileiro revelou-se a mais importante captura de material de guerra ao inimigo no teatro guineense, mais de dez toneladas. Boa parte foi retirado debaixo de fogo da guerrilha que, entretanto, retomara o contacto, e o restante foi destruído no local.

Um sucesso operacional destes não era contudo suficiente para ofuscar a mudança qualitativa em curso no terreno. Longe vão os tempos em que bastava uma metralhadora pesada MG 42, "uma arma que nunca encravava", recorda Martins Colaço (conhecido entre os camaradas como Zé Grande), "varrer toda a zona" onde se emboscava o inimigo para assegurar a superioridade das forças portuguesas.

À época da "catana e do cahangulo", em que a guerrilha atacava e fugia, recorda José Raposo Martins, "passámos a ter um inimigo que nos fazia frente; só fugiam quando ouviam o barulho do helicanhão". À G3 do soldado português, a guerrilha responde com a AK 47; aos tiros de obuses, o PAIGC responde com os disparos dos Katiuskas, colocados do outro lado da fronteira. A única diferença é que o PAIGC lidava de "maneira diferente" com a situação, consoante tinha pela "tropa especial ou de quadrícula", conta Zé Grande.

Raposo Martins, que integrou em 1961 o Destacamento de Fuzileiros Especiais 1, passou pelos três teatros de operações - Angola, em 1961/3, várias comissões na Guiné, e Moçambique, em 1972/4.

Numa das comissões na Guiné, Raposo Martins esteve envolvido em múltiplas operações no Sul, zona de combates considerada "muito séria". "Estas eram áreas sob comando do Nino Vieira e de um nome mítico da guerrilha, o comandante Gazela, irmão de um dirigente do PAIGC, o Fidel Cabral de Almada."

Raposo Martins está no DFE 12 quando são atribuídas a esta unidade missões de tropa de quadrícula: patrulhas e vigilância das vias de comunicação. Está-se em 1971 e o fuzileiro especial constata que "há pessoal do PAIGC infiltrado nas milícias guineenses, na população de localidades como Teixeira Pinto", actual Canchungo.

É o momento de "crispação" entre o general Spínola e as forças especiais - Comandos e Fuzileiros - devido às missões de quadrícula que são forçadas a executar. No caso do DFE 12 este "fez operações de castigo em zona libertada", salienta Raposo Martins, por decisão do comando geral em Bissau.

Por esta época, a grande arma dos fuzileiros é a emboscada, "uma táctica que deu bons resultados, apanhámos muitos do PAIGC", sublinha Zé Grande. "Calculávamos os caminhos de penetração da guerrilha e um grupo ficava emboscado e outros dois em movimento; isto durante umas duas horas, depois mudávamos de posição." Uma operação podia durar até 36 horas.

"Tínhamos preparação para não ter medo do inimigo", nota Galante Guerra, "mas ficámos todos marcados. A guerra deixa sempre uma marca, invisível ou não".

http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1534984
Título: Duvida
Enviado por: nelson38899 em Junho 28, 2010, 12:49:13 am
boa noite!

depois de ler uma noticia no público sobre a missão do Afeganistão reparei neste comentário

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Desertar ?Já tivemos um desertor, foi em Angola, e raspou-se com o guito do Batalhão.Oficialmente dizem que foi para Paris e daí para Argel, e instalou(-se) (n)uma rádio anti-fascista.Oficiosamente o cagarolas, (agora é herói... ) servia refeições radiofónicas, achincalhando quem durante meses lhe protegeu o pêlo.E agora quer ser a figura de proa desta nação.Se assim for será caso para dizer, Porca miséria ! Essa rapaziada têm de regressar sim, mas para ajudar o povo a encontrar um novo rumo para as parvoices desta gente que se dia a dia se amanha, se aconchega, e que não se contenta sugando-nos o suor, já nos exige o sangue.
http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/portugal-vai-reforcar-componente-de-formacao-das-forcas-armadas-afegas_1444001#Comentarios

É verdade que o Manuel Alegre era um desertou que roubou o dinheiro do batalhão???
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Aqui fica um contributo do chefe Abílio Augusto Pires, escrito já há uns anos, para a biografia do conhecido desertor.

"Alguns elementos sobre o Bando de Argel"
Natural de Águeda ou arredores, Manuel Alegre fez a sua vida académica em Coimbra. Descendente de uma classe “média-alta” fez a vida normal de estudante de Coimbra, um tanto boémia e, nesse sentido, um tanto tradicionalista. Cedo se virou para a política o que, no ambiente de Coimbra, também era tradicional. Militou na “organização local” do p.c.p. e estou à vontade para afirmá-lo porque fui eu próprio quem desmantelou essa organização. Dos seus elementos com alguma responsabilidade ficaram dois: Silva Marques, hoje deputado do P.S.D. que, embora fosse estagiário de advocacia em Aveiro, vivia já numa situação de semi-clandestinidade, e o Manuel Alegre. Mas ficaram por razões diferentes. O primeiro, Silva Marques, porque mergulhou na clandestinidade e viria depois a fixar-se na Itália, onde entrou em litígio com o “partido” do qual veio a ser expulso, após ter feito várias autocríticas que, de resto, conheci. Manuel Alegre também escapou mas porque estava a prestar serviço militar no R.I. 12 (Regimento de Infantaria nº12) situado precisamente em Coimbra e já mobilizado para Angola, como alferes miliciano. A PIDE foi sempre um pouco avessa à detenção de militares mas, neste caso, pesou mais o facto de estar mobilizado. É, pois, totalmente falsa a ideia de que desertou por ser perseguido pela PIDE que não o prendeu porque não quis fazê-lo. As razões íntimas que o levaram à deserção só ele poderia explicá-las se bem que se tornou evidente para quem alguma vez ouviu a “voz da liberdade” ao longo dos seus 12 anos de funcionamento.
E não venha dizer que não traiu. Fê-lo ao longo de 12 anos, não só pelas declarações que prestou como também pelas que obrigou a prestar. Trata-se de matéria conhecida mas que abordarei um pouco à frente.
Desertou e foi para Paris em 1962, estava a ser criada a FPLN (Frente patriótica de libertação nacional) que já se decidira iria funcionar em Argel, com o beneplácito do governo argelino e toda a sua protecção. Seria dirigida por Fernando Piteira Santos que fora funcionário do partido comunista português e expulso da organização uns dez (10) anos antes. Aliás, o governo argelino já autorizara também a instalação e funcionamento da rádio “voz da liberdade” da qual Manuel Alegre viria a ser o locutor até 25 de Abril de 1974. Assim, em meados de 1962, partiriam de Paris rumo a Argel Fernando Piteira Santos, sua companheira, Maria Stella Bicker Correia Ribeiro e Manuel Alegre. A FPLN cresceu rapidamente e tem que dizer-se que o seu principal indutor foi a rádio “voz da liberdade”. Tornou-se, assim, a breve trecho, num autêntico coio de traidores, grande parte deles desertores do Exército Português e também, ex-prisioneiros que, libertados pelo inimigo, eram para ali encaminhados e lá permaneciam em cativeiro pelo menos até se disporem a revelar perante os microfones tudo o que sabiam e não só: tinham igualmente que recitar “ipsis verbis” o discurso que lhes punham à frente. Só depois disso é que teriam hipótese de sair da Argélia. Esta atitude, que em qualquer país civilizado consubstanciaria a figura jurídica de “cárcere privado” era praticada pela FPLN com a cumplicidade do senhor Manuel Alegre: só que no Portugal democrático ninguém fala disso. Não seria trair?
E receber os chefes dos movimentos africanos que nos combatiam, ouvir e transmitir aí os seus dislates não seria trair?
E fornecer-lhes as informações que desertores e ex-prisioneiros de guerra eram forçados a prestar não seria trair?
Bom, se isto não era trair vamos a outro aspecto: - Enviar homens – elementos da FPLN – para Cuba a fim de serem instruídos na guerrilha urbana, também não era trair? E a FPLN (não só mas também) enviou para lá alguns que foram treinados numa base cujo nome não me recordo de momento mas sei que dista 17 quilómetros de Havana e foram treinados entre outros por Alvarez del Bayo, antigo coronel do Exército espanhol que se bateu contra Franco e foi um dos homens do DRIL ( Directório Revolucionário Ibérico de Libertação) que organizou o assalto ao Santa Maria. E também me lembro que esses homens (da FPLN) foram treinados no fabrico e uso de explosivos e, ainda, a fazer guerrilha urbana com armas que eles próprios tinham que fabricar. E que aprenderam, por exemplo, a fabricar morteiros partindo de um simples cano retirado de um algeroz. Isto era bem mais do que trair. E para que dúvidas não restem, cito dois nomes: Eduardo Cruzeiro que foi jornalista do “República”, está vivo e tem um “bom tacho” na RTP, e Rui Cabeçadas que é ou foi advogado. E digo “é ou foi “ porque calculo que teria a minha idade, talvez um pouco mais, e não sei se é vivo ou já morreu. Chega? Não, não chega que eu tenho mais.
Sei que a vida na FPLN não era um “mar de rosas” para todos. Bem pelo contrário: as guerras entre essa organização e o p.c.p. era violentíssima. Chegou-se ao ponto de o p.c.p. ocupar a rádio pela força e a FPLN responder com um contra-golpe que consistiu em levantar os depósitos bancários do p.c.p., factos que obrigaram o governo argelino a intervir para pôr as coisas no lugar. E como nem o Dr. Pedro dos santos Soares, membro da cúpula do p.c.p. e adrede enviado para Argel conseguiu pacificar as hostes, este partido decidiu jogar a última cartada: nem mais nem menos do que Humberto Delgado. Estava no Brasil, sofria de doença grave e foi a Praga para se tratar. Foi aí que o p.c.p. o abordou e convenceu a ir para Argel. Foi-lhe dito que tudo o que se pretendia era unir a oposição e derrubar o “regime fascista” português. Ninguém se não ele poderia liderar essa união, preparar e comandar o golpe. Convencido do seu prestígio, acreditou e foi para a Argélia. Enganou-se, até porque nunca lhe passara pela cabeça que encontraria o que na realidade encontrou. Desconhecia que o p.c.p. jamais perdoaria a “traição” de Piteira Santos, que, embora marxista e reconhecido como tal, havia falado na PIDE. Mas havia outros problemas não menos graves: Humberto Delgado era um impulsivo e queria uma revolução imediata. O p.c.p., mais preparado politicamente, respondia que aprendera as lições da guerra civil de Espanha e da própria Guatemala. Era para eles evidente que “nenhuma revolução poderia triunfar sem que antes conseguisse o apoio das Forças Armadas”. Não embarcava em aventureirismos. Virou-se para a FPLN e a ela aderiu. Só que, logo que pôs o problema da revolução imediata, foi-lhe respondido que Lenine ensinava que “nenhuma revolução de massas poderia ser ganha sem que tivesse o apoio de uma parte do exército que houvesse servido o regime anterior”. Não percebera que uns e outros eram marxistas e sabiam que o comunismo não tinha a mínima hipótese de governar Portugal. O que interessava a todos era entregar a África Portuguesa à União Soviética. E isto significava para Delgado que “entre dois mundos ficara sem mundo”. Tentou, por sua vez, a última cartada: era amigo e um grande admirador de CHE GUEVARA que se transformara em mito de todos os revolucionários de todo o mundo. Pediu a sua ajuda e GUEVARA aceitou. Foi para Argel e por lá ficou uns tempos mas nada fez. Nem podia fazer: GUEVARA era agente do KGB soviético. E os interesses de Moscovo estavam muitíssimo à frente de Humberto Delgado, que ficou só. Sem dinheiro, sem saúde e sem apoios ameaçou entregar-se às Autoridades Portuguesas. Foi o seu fim. Não sei como nem em que circunstâncias. Tudo o que sei – e já o disse várias vezes – é que essa história continua mal contada. Quem sabe se o senhor Manuel Alegre não poderia levantar uma pontinha do véu?..." http://fascismoemrede.blogspot.com/2005/11/sobre-o-desertor-manuel-alegre.html

Alguém tem alguma info sobre isto????


Obrigado
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: Lusitano89 em Julho 11, 2010, 05:14:40 pm
Comandante Alpoim Calvão já tem "única medalha" que faltava


Cerimónia do Dia do Fuzileiro permitiu à Marinha "acertar contas" com  o operacional que comandou a 'operação Mar Verde' na guerra da Guiné

O comandante Alpoim Calvão, o operacional que comandou a "operação Mar Verde" durante a guerra colonial na Guiné, recebeu ontem "a única medalha que não tinha" das mãos do comandante do Corpo de Fuzileiros.

"Acertámos contas com a justiça", cuja celeridade "levou 41 anos" a ser feita com a imposição da Medalha de Comportamento Exemplar, declarou o contra-almirante Luís Picciochi, nas cerimónias do "Dia do Fuzileiro" que ontem decorreram na Escola de Fuzileiros (Vale de Zebro, Barreiro).

Alpoim Calvão, que na sua brilhante folha de serviços ostenta também algo quase único - uma ordem de serviço que simultaneamente o condecora, pune e transfere para a frente de combate no final da década de 1960 - na carreira de um soldado, lembrou ontem ao DN as razões de nunca ter recebido aquela condecoração.

"A razão próxima foi por ter sido incorrecto com o ministro da Marinha, Manuel Pereira Crespo, a longínqua por ter recusado tirar a punição a um oficial", recordou Alpoim Calvão, 73 anos, por entre as interrupções motivadas por cumprimentos e abraços de antigos subordinados. As situações estão directamente relacionadas, por a incorrecção perante o ministro ter ocorrido durante a recusa ao pedido que o governante lhe fazia para retirar a pena aplicada ao referido oficial.

A punição, aplicada perante "2000 homens formados" na parada da Escola de Fuzileiros, justificou-se porque o oficial em causa escrevera "uma coisa habilidosamente insultuosa" para Alpoim Calvão, adiantou o capitão-de- -mar-e-guerra já distinguido com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito - a mais alta condecoração portuguesa - e duas cruzes de guerra, entre outras.

A cerimónia de ontem contou com a tradicional participação de algumas centenas de antigos fuzileiros e familiares, numa cerimónia assumida oficialmente pela Marinha desde 2009 e que até então era organizada apenas pela Associação de Fuzileiros.

Numa parada onde estavam expostos alguns dos meios materiais que equipam o Corpo de Fuzileiros, bem como companhias de militares do batalhão de infantaria da Armada, a Escola dos 'fuzos' atribuiu também o nome de Alpoim Calvão à ponte-cais ali existente, adiantou ao DN o contra-almirante Luís Picciochi.

A cerimónia ficou assinalada ainda pelo desfile de 30 guiões de antigas unidades dos fuzileiros, tropas especiais cujas origens remontam ao final do século XVI e descendem da mais antiga força militar permanente portuguesa - o Terço da Armada, fundado em 1621.

DN
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: sergio21699 em Julho 11, 2010, 06:37:00 pm
Citação de: "Lusitano89"
Comandante Alpoim Calvão já tem "única medalha" que faltava


Cerimónia do Dia do Fuzileiro permitiu à Marinha "acertar contas" com  o operacional que comandou a 'operação Mar Verde' na guerra da Guiné

O comandante Alpoim Calvão, o operacional que comandou a "operação Mar Verde" durante a guerra colonial na Guiné, recebeu ontem "a única medalha que não tinha" das mãos do comandante do Corpo de Fuzileiros.

"Acertámos contas com a justiça", cuja celeridade "levou 41 anos" a ser feita com a imposição da Medalha de Comportamento Exemplar, declarou o contra-almirante Luís Picciochi, nas cerimónias do "Dia do Fuzileiro" que ontem decorreram na Escola de Fuzileiros (Vale de Zebro, Barreiro).

Alpoim Calvão, que na sua brilhante folha de serviços ostenta também algo quase único - uma ordem de serviço que simultaneamente o condecora, pune e transfere para a frente de combate no final da década de 1960 - na carreira de um soldado, lembrou ontem ao DN as razões de nunca ter recebido aquela condecoração.

"A razão próxima foi por ter sido incorrecto com o ministro da Marinha, Manuel Pereira Crespo, a longínqua por ter recusado tirar a punição a um oficial", recordou Alpoim Calvão, 73 anos, por entre as interrupções motivadas por cumprimentos e abraços de antigos subordinados. As situações estão directamente relacionadas, por a incorrecção perante o ministro ter ocorrido durante a recusa ao pedido que o governante lhe fazia para retirar a pena aplicada ao referido oficial.

A punição, aplicada perante "2000 homens formados" na parada da Escola de Fuzileiros, justificou-se porque o oficial em causa escrevera "uma coisa habilidosamente insultuosa" para Alpoim Calvão, adiantou o capitão-de- -mar-e-guerra já distinguido com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito - a mais alta condecoração portuguesa - e duas cruzes de guerra, entre outras.

A cerimónia de ontem contou com a tradicional participação de algumas centenas de antigos fuzileiros e familiares, numa cerimónia assumida oficialmente pela Marinha desde 2009 e que até então era organizada apenas pela Associação de Fuzileiros.

Numa parada onde estavam expostos alguns dos meios materiais que equipam o Corpo de Fuzileiros, bem como companhias de militares do batalhão de infantaria da Armada, a Escola dos 'fuzas' atribuiu também o nome de Alpoim Calvão à ponte-cais ali existente, adiantou ao DN o contra-almirante Luís Picciochi.

A cerimónia ficou assinalada ainda pelo desfile de 30 guiões de antigas unidades dos fuzileiros, tropas especiais cujas origens remontam ao final do século XVI e descendem da mais antiga força militar permanente portuguesa - o Terço da Armada, fundado em 1621.

DN

Por acaso não há fotos?
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: PereiraMarques em Julho 12, 2010, 12:26:15 am
Citação de: "Lusitano89"
a Escola dos 'fuzas'

 :roll:
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: zeNice em Julho 24, 2010, 08:22:32 pm
(http://i205.photobucket.com/albums/bb309/Mergeri/Forum/phoca_thumb_l_10JUNHO201020053.jpg)
http://img834.imageshack.us/img834/7708/347t.jpg (http://img834.imageshack.us/img834/7708/347t.jpg)

Operação Mar Verde (Guiné)

http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-M ... erde1.html (http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde1.html)
http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-M ... erde2.html (http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde2.html)
http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-M ... erde3.html (http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde3.html)
http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-M ... erde4.html (http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde4.html)

Vale a pena ler!

Bela ajuda que tivemos dos nossos "aliados"...
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: HSMW em Agosto 05, 2010, 10:52:07 pm
http://www.ina.fr/histoire-et-conflits/decolonisation/video/CAF89037680/guerre-en-guinee.fr.html
Vídeo impressionante de uma operação na Guiné.
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: HSMW em Agosto 10, 2010, 10:52:58 pm
Alguém percebeu como é que o militar português ficou sem a perna? Foram os nossos morteiros?
Aquela parte dele a pedir sombra antes de morrer não me sai da memória...  :cry:
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: Carlos Rendel em Agosto 11, 2010, 09:30:08 am
Porque  perdemos a guerra?  

Ainda não ouvi uma resposta sustentável a esta questão.Pouco antes do 25 de Abril

dizia-se que a guerra estava ganha em Angola,perdida na Guiné e indecisa em Moçam-

bique.Era necesssário ter um conhecimento  real dos três teatros de guerra,em simul-

tâneo para responder a esta pergunta.Imagino que a complexidade da resposta não

seja compativel com o espaço posto à disposição ou que esclareça todo o tipo

de leitores deste foro.No entanto  é um assunto que merece atenção dado que

marcou o destino de Portugal irreversívelmente.                                   C.R.
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: papatango em Agosto 11, 2010, 03:20:29 pm
Em primeiro lugar, não me parece que este tópico seja o mais adequado para colocar tal questão.

No entanto, provavelmente a resposta mais simples, é a mais óbvia:
Não podemos determinar porque perdemos a guerra, pelo simples facto de que não a perdemos.

A ditadura do politicamente correcto, leva a que os meios oficiais falem de guerra colonial em vez de ultramarina e leva muitos sectores a insistir na tese de que a guerra estava perdida.
Que a guerra estava perdida para Portugal, tinham os americanos previsto em 1961. Segundo os americanos, os portugueses não aguentariam nem seis meses e seriam expulsos da África.
Seis anos depois, os portugueses continuavam lá, como continuavam lá 12 anos depois.

A guerra contra Portugal não podia ser ganha, e para a União Soviética isso ficou claro quando os republicanos chegaram ao poder em Washington.
É a partir daí, que as coisas começaram a correr mal para os chamados movimentos de libertação.
Hoje, já há muitos dirigentes africanos que perderam o «brio» e afirmam sem grandes problemas, que mesmo na Guiné as coisas estavam muito complicadas. As populações civis estavam claramente divididas e cada vez mais próximas dos portugueses. A população guineense de origem muçulmana estava completamente com os portugueses e apenas franjas junto à fronteira controlavam áreas de mato.

A famosa independência em Madina do Boé, foi uma farsa. Madina do Boe, a gloriosa capital da Guiné Bissau independente, nunca passou de um conjunto de tabancas, protegidas pela vegetação. A «cidade» está (e estava) na região mais despovoada da Guiné.

É verdade que a tropa estava em muitos casos com os nervos em franja e cansada. Nenhum país aguenta 13 anos de guerra, de mortos, de feridos, sem que isso deixe marcas.
Mas a politica de africanização do conflito estava a dar resultados.

Portugal não perdeu a guerra em África!
Portugal perdeu a guerra nas ruas de Lisboa em 25 de Abril de 1974. E mesmo aí, podemos discutir muito, porque é duvidoso que a maioria dos militares que participaram no golpe fossem favoráveis ao desastre que aconteceu depois.
O homem que chegou ao poder em 1974 foi Antonio de Spinola, que era tudo menos comunista e que já tinha feito propostas no sentido da criação de um estado federal. A proposta poderia não ter nem pés nem cabeça, mas não temos como saber se poderia resultar.

Não podemos menosprezar o cansaço de um país farto de uma guerra com mais de dez anos, mas aparentemente esquecemos o cansaço do outro lado. Os dois lados estavam cansados, a situação estava num impasse, era preciso um apoio qualquer que permitisse garantir a saída dos portugueses de África.
O ano de 1975 foi decisivo e entre Março e Novembro, o periodo vital que antecedeu as independências.

Quem mandou  em Portugal nesse período crítico ?

Quem contribuiu para o encerramento  do jornal O Século ?
Quem autorizava José Saramago a censurar notícias e a perseguir jornalistas no Diário de Notícias ?
Quem controlava a televisão e transmitia as paradas militares na Praça Vermelha no horário nobre da RTP ?
Quem organizava o boicote às empresas, tentando paralisar a economia ?
Quem organizava bloqueios e cercos ao parlamento, tentando garantir a tomada do poder ?
Quem organizava a ocupação selvagem de terras, mesmo de terras produtivas, com a alegação de que era para ganhar a batalha da produção ?

Portugal pura e simplesmente não perdeu a guerra.
Um grupo de portugueses organizados em partido político, financiados pelos interesses da Rússia Soviética e de grupos de ladrões organizados, conseguiram levar a um processo de descolonização, que continuará escrito na História, como o mais vergonhoso momento da História de Portugal.

A ideia de que a guerra estava perdida, é apenas uma patética tentativa de esconder a vergonha e o ultraje que foi o chamado Verão Quente, onde um partido controlado por uma potência estrangeira, condicionou o futuro do país e entregou os territórios portugueses nas mãos de grupos de genocidas criminosos.

Essa é a verdade !
A verdade politicamente incorrecta, mas mesmo assim, a verdade.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Duarte em Agosto 11, 2010, 05:40:54 pm
O nosso caro Papatango faz uma análise racional e equilibrada do que de facto aconteceu. Nem mais.
Aliás, a "africanizção" do conflito é ainda hoje estudada e utilizada por outros países com sucesso contra outras insurreições.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: teXou em Agosto 11, 2010, 10:05:26 pm
/off topic ON

Em 74, estava-se numa situação sem solução !

Seria bom ler realmente o livro do Gen. Spínola aonde ele propõe a solução da federação como solução para saír da m*@$# que era a guerra colonial. Antes de repetir a catequese :roll:  :evil:
Em todo caso, desde quando um ditador faz prova de grandeza histórica ?    … Por conseguinte foi conforme à ele mesmo… um ordinário ditador. :wink:  
Para os fiéis do botas a culpa toda é do PCP, do MFA, do blá blá blá ...
mas esquecem-se de ver que o tão ordinário ditador tinha em ele, como todos os ditadores, o fim da sua própria ditadura e o fim das províncias ultramarinas. E não só !
O que se passou depois do 25 de Abril de 1974, tem as raizes no que se passava antes do 25 de abril de 1974. E a gestão do ultramr e as decisões parvas desse período têm as suas raizes nos 13 longos anos de guerra e a recusa de encontrar uma solução digna do vigésimo século.


Aquí vai um website onde a guerra colonial é apresentada unicamente sobre fatos: http://www.guerracolonial.org
O website, sem ser completo, tem o mérito de ser objectivo, o que não é o caso de certos membros deste fórum.  :?

/off topic OUT
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: papatango em Agosto 11, 2010, 10:37:16 pm
Obviamente também não prevejo perder muito tempo com respostas à lengalenga do costume, sobre o botas e os fascistas e os sites feitos por comunistas com dados de há trinta anos.
A História precisa de 50 anos para se começar a fazer. As suas referências são referências na primeira pessoa.
A guerra de 14-18 estava perdida para os militares portugueses que viram o avanço dos alemães em La Lys. A guerra contra Napoleão estava perdida para os portugueses que viram a família real fugir para o Brasil.
A guerra está sempre perdida para os que depuseram as armas.

Eu tenho todo o respeito por eles, mas tenho mais respeito por aqueles que não depuseram as armas, e voltaram num caixão.

Não dou de barato nem aceito que portugueses tenham morrido para nada, ou apenas para que grupos de criminosos e SIM CRIMINOSOS DO PARTIDO COMUNISTA tenham enchido os bolsos de dinheiro sujo e sangrento.

As coisas são como são. Não seremos nós a fazer a História. E não será a História que os vencidos e vendidos tentaram escrever, que será a contada.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: gaia em Agosto 11, 2010, 10:59:42 pm
Concordo plenamente com o Papatango, o politicamente correcto impede que a verdade seja dita, porque querem  ficar na história e irem para o panteão.
Mas a História pode ser madrasta, e repor a verdade.
O 25 de Abril foi resultado de uma reivindicação corporativa de carreiras e soldos, e contra uma lei de Marcelo Caetano .

O estado novo estava a construir  países, investido , construindo e dar um futuro para africanos e brancos.
Não tencionava trair aliados e não abandonar os brancos á sua sorte.
Marcelo Caetano , ainda me lembro de o ouvir , em que não iria abandonar os brancos.

A africanização do conflito estava a dar resultados, as tropas negras estavam a ter sucesso no terreno.

O 25 de abril deve ser comemorada como a data mais infame da história de Portugal, quantos africanos e portugueses, morreram na descolonização , e depois nas guerras civis , de fome , doenças, guerra,etc.
Quantos Cubanos morreram , 10.000, segundo a versão oficial cubana, mas foi superior.
Quantos homens morreram em Cuito Canaval .

Este capitães conseguiram alguma liberdade, mas a que  preço , a morte de milhões de seres humanos, e deram de bandeja o poder a Moscovo, uma vergonha.
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: FoxTroop em Agosto 11, 2010, 11:09:34 pm
Citação de: "HSMW"
Alguém percebeu como é que o militar português ficou sem a perna? Foram os nossos morteiros?
Aquela parte dele a pedir sombra antes de morrer não me sai da memória...  :cry:


Provavelmente uma mina ou talvez uma granada de mão, apesar do apontador do morteiro estar a fazer fogo para onde nem ele sabe.

É normal estar a pedir sombra ou ter sede. Boa parte do corpo tem queimaduras, que são as principais lesões em conflito. Muitos pensam que são as balas ou os estilhaços, mas não, são as queimaduras. Depois o estado de choque e a morfina fazem o resto. Sei que agora é um sucedaneo qualquer no lugar da morfina, e aquilo faz um efeito impressionante. Passado 3 segundos os desgraçados já não sentem nada.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Carlos Rendel em Agosto 11, 2010, 11:23:59 pm
Parabéns papatango!


Gostei da sua explanação precisa e concisa q.b. e focou os pontos fracturantes principais.

Só tenho dúvidas quando refere "não perdemos a guerra" suponho que o diz em termos mili-

tares.É que a guerra não é desporto,mas tratando de boxe ou futebol,se um adversário

atira a toalha ao chão e sai do campo (ou ringue) a vociferar,não há outro remédio que

declarar vencedor quem ficou...

Outro caso estranho é não ter havido no 25/4  ninguém a defender o regime,houve mesmo

uma tentativa de linchamento de Marcello Caetano à saída do Carmo,isto depois de

Marcello ser ovacionado largos minutos na final da Taça de Portugal em futebol uns dias antes.

Algo parecido aconteceu na URSS quando o comunismo caíu com estrondo,sem ninguém

saber como ou porquê!  Mas aí ainda houve uma tentativa de golpe de estado brejnevista

em nome da preservação do Império. Há autores que afirmam têr a revolução portuguesa

sido precursora da queda paulatina e sucessiva dos regimes ditatoriais a começar com

os coroneis gregos e acabar com a cereja no topo do bolo do suicídio da URSS.   C.R.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: teXou em Agosto 11, 2010, 11:27:59 pm
Citação de: "gaia"
O estado novo estava a construir  países, investido , construindo e dar um futuro para africanos e brancos. ...

Mentira !  :lol:  

Citar
... Não tencionava trair aliados e não abandonar os brancos á sua sorte.
Marcelo Caetano , ainda me lembro de o ouvir , em que não iria abandonar os brancos.
Até diria-se que é o Hendrik Verwoerd que falava.  :twisted:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: papatango em Agosto 11, 2010, 11:33:46 pm
Só uma nota: Eu não acho que o problema tenha sido o 25 de Abril. O problema foi a situação que foi criada posteriormente. O problema foi a acção mercenária do PCP em conluio com os russos.
O PCP sempre agiu sob o comando da Rússia. Tanto que era assim, que a seguir ao 25 de Novembro houve quem propusesse novamente a ilegalização do PCP, por causa do partido ser controlado directamente pelos russos.
Isso continuava a ser assim em 1980, quando Sá Carneiro expulsou pessoal da embaixada da Rússia.

O 25 de Abril, não foi um golpe do Partido Comunista Português. Os comunistas nada tiveram que ver com ele e foram mesmo apanhados de surpresa. Eles no entanto condicionaram o que aconteceu de seguida, e é o que aconteceu depois de 25 de Abril que é uma vergonha.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: papatango em Agosto 11, 2010, 11:37:08 pm
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É normal estar a pedir sombra ou ter sede. Boa parte do corpo tem queimaduras, que são as principais lesões em conflito. Muitos pensam que são as balas ou os estilhaços, mas não, são as queimaduras. Depois o estado de choque e a morfina fazem o resto. Sei que agora é um sucedaneo qualquer no lugar da morfina, e aquilo faz um efeito impressionante. Passado 3 segundos os desgraçados já não sentem nada.
Estado de choque e delirio provocado pela medicação. Também não temos exactamente a noção do tempo que passou entre a explosão e o óbito.
A morte é sempre desagradável.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: FoxTroop em Agosto 11, 2010, 11:49:36 pm
Citação de: "papatango"
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É normal estar a pedir sombra ou ter sede. Boa parte do corpo tem queimaduras, que são as principais lesões em conflito. Muitos pensam que são as balas ou os estilhaços, mas não, são as queimaduras. Depois o estado de choque e a morfina fazem o resto. Sei que agora é um sucedaneo qualquer no lugar da morfina, e aquilo faz um efeito impressionante. Passado 3 segundos os desgraçados já não sentem nada.
Estado de choque e delirio provocado pela medicação. Também não temos exactamente a noção do tempo que passou entre a explosão e o óbito.
A morte é sempre desagradável.

Parece que ainda demorou um bocado. Tiveram tempo para o despir, limpar os ferimentos e colocar as ligaduras. Eu apenas falei dos 3 segundos porque foi o que já observei.

Tem razão, a morte é sempre desgradável.
Título: Re: Guerra Colonial: experiências/testemunhos pessoais
Enviado por: teXou em Agosto 11, 2010, 11:51:38 pm
Citação de: "HSMW"
Alguém percebeu como é que o militar português ficou sem a perna? Foram os nossos morteiros?
Aquela parte dele a pedir sombra antes de morrer não me sai da memória...  :cry:
No video as 4:22 se diz:
Citar
A 7h15, c'est l'embuscade. 3 Roquettes sont tirées à la fois sur la tête de la colonne.
As 7.15, É a emboscada. 3 foguetes são atirados ao mesmo tempo sobre a cabeça da coluna

As 06:19 se diz:
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Enrique Costa a été tué sur le coup. ... Antonio Capela son camarade, de Ponte de Lima, agonisera pendant 45 minutes. Il mourrera juste avant l'arrivée de l'hélicoptère de secours ....
Enrique Costa foi morto sobre o golpe ... Antonio Capela seu camarada, de Ponte de Lima, agonizará durante 45 minutos. Mourrera exatamente antes da chegada do helicóptero de socorro.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Duarte em Agosto 12, 2010, 12:46:17 am
Citação de: "teXou"
Em 74, estava-se numa situação sem solução !


Mentira, desonestidade, pura fantasia ideológica, propaganda, demagogia. É o que o Texou vem para aqui trazer..  :mrgreen:

Citação de: "teXou"
Não prevejo de perder tempo em respostas aos fiéis da catequese !  :roll:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: nelson38899 em Agosto 13, 2010, 12:12:12 pm
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RIVALIDADES

Estamos ao largo de Bissau e recordo-me de se falar em Lisboa de um dos que para mim foram os mais horrendos momentos das guerras de África. A luta entre fuzileiros e pára-quedistas.

Mas passo a contar, com mais alguns pormenores, porque aquilo que se sabia em Portugal, era pouco ou quase nada, dado o medo de que a ouvir estivesse uma das orelhas da Nação, vulgo informadores.

Em meados de 1968, por Bissau jogava-se um torneio de andebol que, entre outras equipas tinha como favoritas ao troféu, a UDIB (constituída maioritariamente por fuzileiros e Armada) e o ASA (na qual pontificavam elementos pára-quedistas e Força Aérea). Depois de eliminadas as restantes equipas,ficaram estas duas como era habitual noutros anos para disputar a final.

De notar que anteriormente havia uma salutar convivência entre estas duas Forças Especiais o que, como se verá a seguir, parece que não agradava aos superiores interesses dos oficiais generais, ou queriam estes sobressair nos seus “actos heróicos de gabinete” através das façanhas dos seus comandos que no mato detinham mais derrotas que vitórias, a maioria delas, por culpa desses mesmos “génios de gabinete”.

Ao longo do torneio os ânimos foram aquecendo, sempre com a condescendência e por vezes aquiescência dos superiores, dizendo melhor, alimentada por estes de tal forma que no próprio dia da final, em ambos os quartéis, as claques partiram para o recinto de jogo mais moralizadas para a violência
do que para assistir a um jogo de amizade.

Armados de tudo o que fosse possível, paus, correntes, ferros, etc..., lá seguiam em enormes grupos. Não chegou o jogo ao seu final, pois antes do apito do árbitro, as duas facções envolveram-se à pancada, quais inimigos fidagais. Já fora do recinto e a caminho dos seus quartéis, os páras foram surpreendidos pelos fuzos, que carregaram sobre eles com armas de fogo. Resultado da contenda: dois pára-quedistas mortos, o Ismael e o Marques.


OBSERVAÇÃO:
Este texto foi retirado de um livro « NIASSA o cagalhão flutuante de seu autor Hica, capítulo 5, publicado na Internete.
Como devem compreender desconheço a verdade dos factos aqui relatados pelo autor.
Quem desejar posso enviar-lhe todo o conteúdo do livro por e-mail – é pequeno

fonte: luismoreira
pára-quedista (http://www.umboinaverde.com.pt/forum/index.php?topic=376.msg90575;topicseen#new)
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Carlos Rendel em Agosto 13, 2010, 03:17:12 pm
RIVALIDADES

O acontecimento contado pelo nelson seria quase banal não fôra a gravidade de que se

revestiu.Desde sempre houve despiques entre diferentes armas,ou companhias ou pe-

lotões. Bastava uns copos a mais e lá estava o caldo entornado,um nariz partido e dois

dentes a rolar no chão.Mas com 2 mortos contabilizados é deplorável,nunca ouvi falar

nisso.   Aqui fica um abraço para o sold.paraq. da BA12,                            CR



   
Citar
A primeira de todas as forças que dirigem o mundo é a mentira-Jean François Revel

         Ainda o 25/4
   
    Julgo ser ainda cedo para fazer a fotografia de corpo inteiro ao 25/4.Faltam elos fundamen-

    tais da cadeia,que só serão revelados quando esta geração desaparecer e os arquivos das

    grandes potências forem tornados públicos.Nessa altura aparecerá um historiador que pública-

    rá uma obra com o título "o 25 de abril, como na verdade aconteceu"  ou outra designação

    qualquer, que pouco terá a ver com o que sabemos hoje - ou julgamos saber.

    Refiro-me óbviamente ao jogo de bastidores das grandes potências e às suas 5ªs colunas

    (leia-se serviços de inteligência).Acabo chamando a atenção para a frase de  J.F. Revel

    que bem sintetiza o "stato quo" actual.

    Por mim ponho ponto final neste tópico,salvo no caso de aparecerem novos dados

    fidedignos.                                                                                                C.R.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Cabeça de Martelo em Agosto 13, 2010, 04:31:03 pm
Citação de: "nelson38899"
Citar
RIVALIDADES

Estamos ao largo de Bissau e recordo-me de se falar em Lisboa de um dos que para mim foram os mais horrendos momentos das guerras de África. A luta entre fuzileiros e pára-quedistas.

Mas passo a contar, com mais alguns pormenores, porque aquilo que se sabia em Portugal, era pouco ou quase nada, dado o medo de que a ouvir estivesse uma das orelhas da Nação, vulgo informadores.

Em meados de 1968, por Bissau jogava-se um torneio de andebol que, entre outras equipas tinha como favoritas ao troféu, a UDIB (constituída maioritariamente por fuzileiros e Armada) e o ASA (na qual pontificavam elementos pára-quedistas e Força Aérea). Depois de eliminadas as restantes equipas,ficaram estas duas como era habitual noutros anos para disputar a final.

De notar que anteriormente havia uma salutar convivência entre estas duas Forças Especiais o que, como se verá a seguir, parece que não agradava aos superiores interesses dos oficiais generais, ou queriam estes sobressair nos seus “actos heróicos de gabinete” através das façanhas dos seus comandos que no mato detinham mais derrotas que vitórias, a maioria delas, por culpa desses mesmos “génios de gabinete”.

Ao longo do torneio os ânimos foram aquecendo, sempre com a condescendência e por vezes aquiescência dos superiores, dizendo melhor, alimentada por estes de tal forma que no próprio dia da final, em ambos os quartéis, as claques partiram para o recinto de jogo mais moralizadas para a violência
do que para assistir a um jogo de amizade.

Armados de tudo o que fosse possível, paus, correntes, ferros, etc..., lá seguiam em enormes grupos. Não chegou o jogo ao seu final, pois antes do apito do árbitro, as duas facções envolveram-se à pancada, quais inimigos fidagais. Já fora do recinto e a caminho dos seus quartéis, os páras foram surpreendidos pelos fuzos, que carregaram sobre eles com armas de fogo. Resultado da contenda: dois pára-quedistas mortos, o Ismael e o Marques.


OBSERVAÇÃO:
Este texto foi retirado de um livro « NIASSA o cagalhão flutuante de seu autor Hica, capítulo 5, publicado na Internete.
Como devem compreender desconheço a verdade dos factos aqui relatados pelo autor.
Quem desejar posso enviar-lhe todo o conteúdo do livro por e-mail – é pequeno

fonte: luismoreira
pára-quedista (http://www.umboinaverde.com.pt/forum/index.php?topic=376.msg90575;topicseen#new)


Conhecia esta história e até falei com um veterano da minha tropa acerca disto. No geral havia uma certa rivalidade entre os Comandos e os Pára-quedistas em Angola e entre os Fuzileiros e os Pára-quedistas na Guiné. É engraçado, mas no meu tempo a força mais respeitada (pelo menos era como nos davam a entender) em Tancos no meu tempo eram os Fuzos. Provavelmente porque eram os Fuzos do DAE que lá iam tirar o curso de Pára-quedismo e esses não são qualquer um...
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Cabeça de Martelo em Outubro 26, 2010, 02:08:22 pm
Uma história que acabou bem:

 :arrow: http://especialistasdaba12.blogspot.com ... sente.html (http://especialistasdaba12.blogspot.com/2007/06/o-passado-e-presente.html)

Isto é que é ter sorte... :lol:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: nelson38899 em Fevereiro 05, 2011, 11:38:45 am
Citar
Como foi notícia o início da Guerra há 50 anos

Apesar de tudo o que se passou de lá para cá, fez esta semana 50 anos do principio do fim do nosso império!
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: xpto49 em Fevereiro 13, 2011, 11:20:25 pm
Tive conhecimento deste incidente já muito depois de regressar de Moçambique, aliás o que acima está descrito não é mais do que o culminar de uma rivalidade que há muito se arrastava, chegando anteriormente a haver “emboscadas” de parte a parte, onde resultava umas cabeças rachadas e ou uns braços partidos.

Quem me relatou este trágico incidente foi um camarada que esteve envolvido nos referidos acontecimentos.

Em Moçambique, a rivalidade que existia entre as ditas tropas especiais, era entre nós (pára-quedistas) e os comandos. Que me lembre sempre nos demos bem com os fuzos, talvez porque os fuzos estavam apenas restringidos a Montepuez e faziam a Zona do Niassa, para além de uma ou outra operação conjunta (isto se a memória não me atraiçoa e que eu tenha conhecimento), enquanto nós e os comandos batíamos zonas de intervenção comuns.

Lembro-me de uma das várias em que estive em Tete, ter havido confrontações entre as alguns elementos das referidas tropas na própria cidade, em que em determinada altura alguém andou a rebolar bidões de alcatrão a pela ruas a baixo e até, onde não faltou rebentamento de granadas.

Já agora para o Papatango, gostaria de saber porque quando te referes a Tete dizes “no Tete” quando para mim o correcto seria “em Tete”, agradeço a tua explicação, até porque por aquilo que eu tenho lido aqui no fórum mostras saber dos assuntos que abordas.

Nota: Peço desculpa a todos pelo meu texto não obedecer ao novo acordo ortográfico, mas eu não não acordei nada e estou contra.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Lusitanian em Fevereiro 15, 2011, 12:21:56 am
Citar
Nota: Peço desculpa a todos pelo meu texto não obedecer ao novo acordo ortográfico, mas eu não não acordei nada e estou contra.

Amigo, até lhe faço uma vénia por essa nota  :mrgreen:  ;D
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Fuzu 95 em Abril 12, 2011, 11:58:16 pm
Citação de: "Lusitanian"
Citar
Nota: Peço desculpa a todos pelo meu texto não obedecer ao novo acordo ortográfico, mas eu não não acordei nada e estou contra.

Amigo, até lhe faço uma vénia por essa nota  :mrgreen:  ;D
:Palmas:  :Palmas:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: HSMW em Abril 23, 2011, 04:45:31 pm
http://pissarro.home.sapo.pt/memorias0.htm
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: gaia em Maio 01, 2011, 10:57:53 pm
Foi um grande general , talvez o melhor da guerra colonial, estratega da grande vitória na frente leste.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Portucale em Maio 06, 2011, 11:59:52 pm
Pelas informações que existem foi um Homem que serviu muito bem no Ultramar.
Apesar de não ser muito conhecido esteve um alguns dos mais importantes sucessos do Exército em Angola, nomeadamente no Leste.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Cris1234 em Maio 24, 2016, 02:13:33 pm
Boa tarde,

Este fim de semana durante a visita ao museu do ar tomei conehcimento do livro "O cagalhão flutuante" algume me poderia indicar como adquirir?

Obrigada
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: tenente em Maio 24, 2016, 07:28:01 pm
Boa tarde,

Este fim de semana durante a visita ao museu do ar tomei conehcimento do livro "O cagalhão flutuante" algume me poderia indicar como adquirir?

Obrigada

Mais um para entrar na realidade da altura, década 60/70 do então paquete Niassa, navio em que embarquei para Moçambique em 1969.
Boa leitura.

http://nanamue.com/remos_downloads/niassa.5.pdf

Serve ?
Se queres mesmo um original não te posso ajudar ! :conf:

Abraços
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Lusitano89 em Agosto 02, 2017, 12:31:00 am
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: asalves em Setembro 29, 2017, 12:16:34 am
Boas não sei se será o sitio ideal mas encontrei este artigo que me parece interessante.
Provavelmente até é depois na Guerra Civil mas como não havia topico melhor, aqui vai.

http://englishrussia.com/2017/08/28/soviet-officers-fighting-war-in-angola
Citar
It’s no wonder the Soviet state was helping some sides in the Angola war. Here are some photos of Russian veterans from their private albums. Rarely seen private photos of Soviet pilots, tank commanders and other officers who fought on Angolan ground.

No final da pagina tem um botão horizontal grande para saltar para outra pagina, são acho que 5
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: HSMW em Setembro 29, 2017, 12:45:49 am
Citar
“We were sent to Angola to advise, not to fight. However I would lie if I say that we were sending Angolan pilots to the attacks they were not ready to handle yet. We were performing these tasks ourselves, or as sidekicks with them”.

Citar
Officially it was considered that Soviet officers were not participating in the war. This is what was stated in UN sessions by the Soviet side. “However I was participating at least in 134 days of hot war”, remembers another Russian officer.

Muito interessante!  :G-beer2:
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Daniel em Fevereiro 27, 2018, 10:09:18 am
[bAs guerras secretas de Portugal em África ][/b]
http://visao.sapo.pt/historia/2018-02-27-As-guerras-secretas-de-Portugal-em-Africa
(http://images-cdn.impresa.pt/visao/2018-02-22-capaH45.jpg/original/mw-680)
Citar
Toda a gente sabe que o Portugal dos últimos tempos da ditadura travou em África uma longa Guerra Colonial de 13 anos. Também ninguém ignora que esse conflito deixou marcas profundas no tecido social – físicas, psicológicas, sociais, identitárias.

No que se pensa menos é no facto de essa guerra, assente em argumentação falaciosa e levada a cabo contra a lógica e a dinâmica da História, ter representado um esforço muito para além das potencialidades do País – grande duração no tempo, três teatros de operações, enormes distâncias, mobilização de recursos de toda a ordem. Dir-se-á que os movimentos independentistas das colónias eram militarmente mais fracos, mas essa análise precipitada não resiste a uma breve reflexão. Num tempo de Guerra Fria, eles tinham por detrás o apoio do bloco Leste e da China, quando não de setores do Ocidente defensores de uma nova e mais justa ordenação do continente africano, também na mira de não deixar prevalecer ali os interesses de Moscovo ou de Pequim.

Como foi então tão duradouro o esforço de guerra do Portugal de Salazar e de Marcelo Caetano? De duas formas: por um lado, contando com o apoio encoberto de países ocidentais como a Alemanha, a França e a Espanha e de potências regionais racistas como a África do Sul e a Rodésia; por outro envolvendo-se em guerras secretas no interior dos países vizinhos de Angola, Moçambique e Guiné, quantas vezes com o apoio dos também secretos serviços de informações de países ocidentais. É sobre esses apoios camuflados e essas guerras secretas de Portugal em África que se debruça este número da Visão História.

SUMÁRIO

Um longo 
braço-de-ferro Ao longo de quase 20 anos, a diplomacia do Estado Novo opôs-se 
com unhas e dentes ao reconhecimento do direito à autodeterminação e independência das colónias. Nem o grande aliado norte-americano conseguiu demover Salazar e os seus seguidores. Por Pedro Vieira

Armamento: orgulhosamente bem acompanhados Ao contrário do que Salazar proclamou, Portugal nunca esteve completamente isolado durante os 13 anos da Guerra Colonial. Foi o armamento fornecido pela França e pela Alemanha que permitiu combater. Por Francisco Galope

A Espanha na guerra ‘portuguesa’ Sem o auxílio do regime de Franco, 
Portugal teria tido maiores dificuldades 
em manter durante tantos anos a presença 
nos teatros de operações africanos. Por María José Tíscar

O coração das trevas Assim intitulou Joseph Conrad a sua descida aos abismos do mais negro dos colonialismos. Propriedade privada de um europeu que nunca lá se deslocou, depois laboratório de experiências coloniais e pós-coloniais, o Congo é o paradigma da História africana no último século e meio. Por Luís Almeida Martins

Portugal-Catanga, a aliança escondida O Governo de Salazar viu na secessão catanguesa, em 1960, uma oportunidade de obter em África um aliado precioso, e auxiliou Tschombé com todos os meios – inclusive militares – de que podia dispor. Por Ricardo Silva

Tschombé ao poder A PIDE organizou, em 1966, uma operação 
para derrubar o novo Governo de Mobutu. Por Ricardo Silva

E Angola ali ao lado Como os protagonistas e os lances do conflito 
no Congo foram vistos pelos jornais portugueses. Por Emília Caetano

Guerra do Biafra, a morte mediatizada Em 30 de maio de 1967, os Igbos do Sudeste da Nigéria declaravam a secessão. O conflito e o bloqueio impostos pelo poder central provocam mais de um milhão de mortos. Em janeiro de 1970, a «República do Biafra» era apagada do mapa. Por Pedro Caldeira Rodrigues
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Viajante em Abril 20, 2018, 05:55:05 pm
Carlos Acabado, piloto-aviador: "A Guerra [Ultramar] estava ganha, não tenho a menor dúvida"

(https://thumbs.web.sapo.io/?epic=YTE54k+sKxutFcYuGC8gS8gepfoE7pWQCU7g8xMyo6L/U9Uw2jTIVPW1AJiQbE2dB1eGy/jGTJghmO37NF+JpmGUlzZFAEYbxdR8j3tx0vpcBnM=&W=2100&H=0&delay_optim=1)

Esta é a história de Carlos Acabado, um alentejano optimista. Dos anos da Guerra do Ultramar ao mais recente livro que ainda está a escrever: "A Grande Viagem de Maumude". "A guerra é um fenómeno muito esquisito, é uma coisa estúpida. Mas vemos além da guerra, sabemos o que sentem os nossos inimigos. No momento em que a guerra acabou ficou tudo bem, penso que isto só aconteceu com o povo português", afirma.

Tem das histórias mais surpreendentes vividas na Guerra do Ultramar para onde foi como piloto-aviador. Como a do capitão que, na neblina, matou por engano a mãe de uma criança bosquímano à frente da filha, Kinda, que decidiu trazer para Portugal e perfilhar. Dormiu na cama ao lado de Iko Carreira, que viria a ser ministro da Defesa de Angola entre 1975 e 1980, a quem poupou a vida mais do que uma vez, e era amigo de Daniel Chipenda, que conheceu em Coimbra e a guerra colocou em campos opostos.

De regresso a Portugal foi secretário-geral do Conselho da Revolução em representação da Força Aérea, tendo a seu cargo o pessoal. Foi aí que se deparou com "uma monumentalidade a dar para o esquisito", como os conselheiros revolucionários a andarem nos carros "roubados" aos banqueiros fascistas. E foi também então que conheceu Cavaco Silva, um homem de quem guarda uma péssima imagem.

Pediu para passar à reserva aos 40 e poucos anos, quando a tropa já não lhe dizia nada e no momento em percebeu que os jogos políticos falavam mais alto. Mas ainda voltou a África, ao Congo, depois de ter feito sociedade com um bispo luterano que conheceu em Sevilha: comprou duas traineiras em Setúbal, a Portugal e a Setubalense, e levou-as para pescar no Lago Tanganica. Ouro sobre azul. A empresa desfez-se nos anos noventa, mas as traineiras ainda lá estão hoje, activas.

Aos 83 anos continua a escrever a sua história e as histórias daqueles que, no céu e na terra, fizeram parte da sua vida: de "Kinda e Outras Histórias de uma Guerra Esquecida" a "Margem Esquerda", passando por "Histórias de uma Bala Só – Acasos de Vida e de Morte" até "Conversas com um Gorila Chamado Virunga", contos para crianças e não só. Enquanto termina o próximo livro, "A Grande Viagem de Maumude", é a vez de o SAPO24 traçar o retrato de Carlos Acabado, um alentejano optimista.

Continua.......

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/carlos-acabado-piloto-aviador-a-guerra-no-ultramar-estava-ganha-nao-tenho-a-menor-duvida

Excelente entrevista!
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Julho 09, 2018, 10:09:15 am
(https://scontent.flis5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/20292805_1106965062766700_7423688580288776209_n.jpg?_nc_cat=0&oh=c73f6e1cb8816f6049ff4e730ebff212&oe=5BDCB987)
Citar
Fernando Marçal‎

Recordar uma das pontas feitas com a antiga engenharia Portuguesa algures no leste para a travessia dos rios!

https://www.facebook.com/groups/116432285047990/about/ (https://www.facebook.com/groups/116432285047990/about/)

Saudações
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: tenente em Julho 24, 2018, 07:57:01 am
Vale mesmo a pena ler.


http://www.fratel.com/24/images/stories/news/ulisses.pdf

Abraços
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Agosto 11, 2018, 01:34:25 pm
https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/?hc_ref=ARS_Ym2pTAKpSuFl3tH4h_p6qZOIS1w6b_CubPZs337-sgYX5kfjokhoCroKGzR7THw&fref=nf (https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/?hc_ref=ARS_Ym2pTAKpSuFl3tH4h_p6qZOIS1w6b_CubPZs337-sgYX5kfjokhoCroKGzR7THw&fref=nf)

Citar
Portuguese Sappers.

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/38297833_2087218184929665_8397138818662137856_n.jpg?_nc_cat=0&oh=525871ded70a69f2f888c1ee6351bdbf&oe=5C05268A)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/38264002_2087218898262927_7529590879825166336_n.jpg?_nc_cat=0&oh=a8ca0010fb2bf0140223d02f9305ca16&oe=5BFFDF91)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/38219904_2087219604929523_3894092915655311360_n.jpg?_nc_cat=0&oh=fb70490ab4182a0096ea2815fe287273&oe=5BFD5576)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/38298027_2087220461596104_3833196708964073472_n.jpg?_nc_cat=0&oh=57703bcfee52205167fa9c49c3054112&oe=5BF50847)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/38284403_2087221388262678_5351838703209676800_n.jpg?_nc_cat=0&oh=2988c2cec48b166a95cc7c4538b2a7f5&oe=5C106E53)

Saudações
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Agosto 17, 2018, 09:37:52 am
(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39339120_2102567450061405_1175874716074770432_n.jpg?_nc_cat=0&oh=a87b09e8fc0a67c164f3dc555c9ed170&oe=5BF047B8)
Citar
Portuguese Improvised vehicle.

https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/ (https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/)

Cumprimentos
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Agosto 18, 2018, 06:40:41 pm
https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/ (https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/)

Citar
Portuguese Convoy disposition Guinea-Bissau (Portuguesa Guinea)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39109155_2100776660240484_1146590851661561856_n.jpg?_nc_cat=0&oh=cdca7e541662da66672cb478a21e6bf6&oe=5C097FF8)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39162718_2100777776907039_9097356596878508032_n.jpg?_nc_cat=0&oh=99768dbc6ed67e0d1a157b48ecfe3a1a&oe=5C00D13E)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39211563_2100779310240219_3490834111201804288_n.jpg?_nc_cat=0&oh=28fdb9f39f7940da38a94ee4152c22f0&oe=5BF02A24)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39044755_2100779976906819_2119925703309787136_n.jpg?_nc_cat=0&oh=11bfe0b63cb2433effbaac6c471e2a11&oe=5C03B556)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39266629_2100780336906783_7163548589761757184_n.jpg?_nc_cat=0&oh=caef8256b51e4d9f5aabffb5dea525f1&oe=5BFFA196)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39227272_2100780883573395_1054085266219728896_n.jpg?_nc_cat=0&oh=0ff9844de2ce668194e1645360cf681c&oe=5BFA8F25)

Saudações
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Agosto 20, 2018, 03:04:13 pm
Citar
Portuguese Dingo Scout Cars
(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39287216_2102549960063154_219180547711172608_n.jpg?_nc_cat=0&oh=1a3b8d8bd0ed5d096fb7b06ff98a4bc9&oe=5C375B9E)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39257879_2102551043396379_8415572182641410048_n.jpg?_nc_cat=0&oh=13599552253c5b98a290c801645bc1f1&oe=5C02A421)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39266645_2102552516729565_5192111699854884864_n.jpg?_nc_cat=0&oh=9e565a40dbc08ad6ed4f1515d59ae1c3&oe=5BF9B7C5)

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/39388996_2102553773396106_5248254275397615616_n.jpg?_nc_cat=0&oh=de230505c089e8ec917e17e8aa0c88b4&oe=5BFE57E6)

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Cumprimentos
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Agosto 28, 2018, 01:55:23 pm
(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/34783729_1830114710382398_5508102283591680000_n.jpg?_nc_cat=0&oh=5b0a9af30ddca6d699a9b0ac732a61c8&oe=5BFCE22B)
Citar
Portuguese Navy landing boat with Portuguese Marines during Operation Trident in Guinea-Bissau, 1964.

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/40101637_2112306815754135_493998617170804736_n.jpg?_nc_cat=0&oh=2625035b888271a61602078c3a8caed6&oe=5C01DCC6)
Citar
Portuguese LFP, in Angola.

(http://blogue.mlemasantos.com/deneb_03.jpg)
Citar
naval
Guiné, 1967 - A LFP «Deneb» a navegar no rio Cacine

(https://scontent.flis3-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/18700292_464340747250451_4897898511570066685_n.jpg?_nc_cat=0&oh=e3788da0efdec5b931c059688d58765f&oe=5BF9CB56)
Citar
Portuguese Navy small landing craft carrying Marines in Guinea-Bissau.

=68.ARBkLLUBg3bJ_LqKe9aWoSSGngoViQGPN_mPc1U7DhF3FJSfipM_zQdDOtoC7orq48hPnLU2QU4Ea9QR1D6OmyZX-4q-lkVIJJcpeyuO9LXjPfT3cL9T2plKJPa0qiziXT2vVCw&__tn__=kC-R]https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/?hc_ref=ARTGqDmsW9KuoP1lKjYgq1vmmaZ3WVleYyojSBhCy1sXEw--EGMW2lPRzqQ62cpPzsk&__xts__[0]=68.ARBkLLUBg3bJ_LqKe9aWoSSGngoViQGPN_mPc1U7DhF3FJSfipM_zQdDOtoC7orq48hPnLU2QU4Ea9QR1D6OmyZX-4q-lkVIJJcpeyuO9LXjPfT3cL9T2plKJPa0qiziXT2vVCw&__tn__=kC-R (https://www.facebook.com/ModernAfricanBushwars/?hc_ref=ARTGqDmsW9KuoP1lKjYgq1vmmaZ3WVleYyojSBhCy1sXEw--EGMW2lPRzqQ62cpPzsk&__xts__[0)

Cumprimentos
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Lightning em Novembro 04, 2018, 12:27:46 am
Paraquedistas: a força especial que entrou na guerra de Angola pelo ar

https://observador.pt/especiais/paraquedistas-a-forca-especial-que-entrou-na-guerra-de-angola-pelo-ar/
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: mafets em Janeiro 18, 2019, 04:11:15 pm
Citar
Portuguese Mine Detectors

(https://scontent.flis5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/50411419_2201632220154927_8350936399465152512_n.jpg?_nc_cat=107&_nc_ht=scontent.flis5-1.fna&oh=d449d134b3be45c13f503531a668c3a6&oe=5CB8A8F5)

(https://scontent.flis5-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/50472908_2201632380154911_3093070352331309056_n.jpg?_nc_cat=108&_nc_ht=scontent.flis5-1.fna&oh=5d08a89dac42376d97677ee1cf51adfc&oe=5CB43897)

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Cumprimentos
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Lusitano89 em Março 28, 2019, 02:54:03 pm
Guerra Colonial: Gomes Cravinho condecora primeiras enfermeiras paraquedistas

(https://static.globalnoticias.pt/dn/image.aspx?brand=DN&type=generate&guid=b96c468a-52bc-446e-8227-d42a6d116d68&t=20190328140901)

As primeiras seis das 46 enfermeiras paraquedistas que participaram na guerra colonial foram condecoradas com a medalha da Defesa Nacional de 1ª classe pelo ministro João Gomes Cravinho, segundo uma portaria publicada esta quinta-feira.

"As enfermeiras paraquedistas foram verdadeiras pioneiras, cumprindo o lema das Tropas Paraquedistas "Que nunca por vencidos se conheçam", antes das mulheres terem sido incluídas nas fileiras das Forças Armadas. A forma voluntariosa como quebraram barreiras, e a entrega física e psicológica que demonstraram na frente de combate, cumprindo a sua missão de igual para igual, não poderão ser esquecidas e devem constituir-se num exemplo para as Forças Armadas e a sociedade civil", diz o texto publicado em Diário da República.

Duas das enfermeiras. que ficaram conhecidas como as "Seis Marias", foram condecoradas a título póstumo: Maria Zulmira Pereira André e Maria Nazaré Morais Rosa de Mascarenhas e Andrade.

As outras quatro foram Maria Arminda Lopes Pereira Santos, Maria do Céu da Cruz Policarpo Vidigal, Maria Ivone Quintino dos Reis e Maria de Lourdes Rodrigues.

"Reconhecer o seu mérito é de inteira justiça", diz ao DN o tenente-coronel paraquedista Miguel Machado, diretor do site especializado Operacional, adiantando que essas enfermeiras "completavam o trabalho dos enfermeiros paraquedistas que estavam na linha da frente".

Eram eles quem combatia e prestava os primeiros socorros nos teatros de operações em Angola, Moçambique e Guiné, onde as enfermeiras paraquedistas os iam depois buscar e transportar para os hospitais de retaguarda. "Levantavam bastante o moral" das tropas, garante aquele oficial paraquedista na reforma.

Miguel Machado lembra que os enfermeiros eram militares a quem se dava um curso de enfermagem, enquanto elas já eram enfermeiras de origem - e a confiança que inspiravam nos feridos era tanta que se criou quase uma lenda no campo de batalha: acreditava-se que quem chegasse vivo ao helicóptero "tinha uma grande probabilidade de sobreviver", recorda o responsável do Operacional.

Além dos teatros de guerra africanos, algumas das primeiras enfermeiras paraquedistas participaram logo em dezembro de 1961 - e em maio de 1962 - na evacuação de civis e prisioneiros militares portugueses de Goa para Portugal.

A sua última missão no exterior realizou-se em 1976 e consistiu na evacuação de civis de Timor para Lisboa - via Honolulu e Bali - num Boeing da Força Aérea, acrescenta Miguel Machado.

As enfermeiras paraquedistas - força que até 1993 pertencia à Força Aérea - já tinham sido condecoradas em 2015 pelo então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Pina Monteiro.

A medalha da Defesa Nacional foi criada em 2002, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas, quando o EMGFA e os três ramos das Forças Armadas já tinham condecorações próprias: medalha da Cruz de São Jorge (Estado-Maior-General), medalha da Cruz Naval (Marinha), medalha de D. Afonso Henriques (Exército) e medalha de Mérito Aeronáutico (Força Aérea).

A conderação das seis enfermeiras paraquedistas foi assinada a 08 de março, Dia da Mulher, sendo conhecida durante uma cerimónia realizada nesse mesmo dia no Museu de Marinha e para assinalar a presença das mulheres nas Forças Armadas.


:arrow: https://www.dn.pt/poder/interior/gomes-cravinho-condecora-primeiras-enfermeiras-paraquedistas-10734376.html?fbclid=IwAR2fE5m5qy1wyd9dZWWTbnlG9f_wiGH_wBoqNzj9IvT17WbS7VGnZYlsChQ
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Daniel em Abril 14, 2019, 06:34:08 pm
“Andámos a apanhar bocados do furriel que explodiu”
https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/andamos-a-apanhar-bocados-do-furriel-que-explodiu?ref=HP_Grupo1
(https://cdn.cmjornal.pt/images/2019-04/img_818x455$2019_04_13_20_55_36_841749.jpg)
Citar
Assentei praça a 12 de janeiro de 1964 e fui fazer a recruta para o Monte da Caparica. Depois enviaram-me para Tancos para tirar a especialidade de radiotelegrafista do Serviço de Transmissões Militares. Eu tinha o segundo ano industrial, mas como não entreguei o documento das habilitações não fui tirar o curso de miliciano para furriel e fiquei como soldado.

Quando concluí a especialidade segui para Lisboa, para o Batalhão de Telegrafistas da Graça. Pensava já não ser mobilizado porque os que tinham tirado a especialidade comigo tinham partido todos para Angola e eu tinha ficado de fora, porque na véspera de eu assentar praça o meu pai morreu e eu era considerado amparo de mãe. Mas quando precisaram de radiotelegrafistas para Moçambique lá fui eu, repescado ao fim de 14 meses de tropa na metrópole. Embarquei em Alcântara no navio ‘Pátria’, um barco que não era de militares, em 1965. À chegada estive três dias em Lourenço Marques, embarquei noutro navio para a Beira e Nacala e segui de comboio para Nampula.

Difíceis primeiros dias
A partir daqui a viagem foi um pesadelo. Embarquei num machimbombo (camioneta), era o único militar que seguia nessa viagem, de camuflado, com um cantil de água, umas rações de combate e nada mais, o único branco naquele transporte. Em qualquer aldeia em que a camioneta parava para carregar, eu e era rodeado por muitas crianças, algumas muito magrinhas, a pedirem-me coisas que eu não tinha para lhes dar, o que me entristeceu muito.

Cheguei a Vila Cabral ao pôr do sol, apresentei-me no posto de rádio, fui recebido pelos colegas e logo nos primeiros dias, quando um furriel fazia uma demonstração de como lidar com granadas, tirou a cavilha e deixou cair a granada, atirou-se para cima dela e ficou feito em pedaços. Isto também me ficou na memória porque eu nunca tinha visto uma coisa daquelas, alguns de nós ficámos com estilhaços, feridos.

O que aconteceu foi que, ao tirar a cavilha, ele tentou fazer uma brincadeira com a granada, mandá-la ao ar e tentar agarrá-la, mas a granada explodiu e matou-o. Tivemos que andar a apanhar os bocados do corpo. Passados uns dias, voltei a ficar abalado: chegou um Unimog que tinha sido destruído por uma mina que tinha feito alguns feridos graves.


Era um pelotão que ia buscar correspondência para o nosso quartel à pista de aviação, e lá havia uma palhota onde morava uma velhota indígena. Toda a gente a tratava bem e até lhe davam rações de combate, mas de vez em quando rebentava naquele caminho uma mina e lá ia mais um Unimog pelo ar. Veio a descobrir-se que era a velhota que punha as minas.

Nós, os radiotelegrafistas, sabíamos de tudo, porque havia um código e quando surgia esse código ou eram mortos ou feridos graves. Recebíamos as mensagens, entregávamos ao ‘cripto’ (responsável pela descodificação) e esperávamos pelo que de ruim tinha acontecido.

Eu era de rendição individual, não estava destinado a ir para o mato, mas uma vez ofereci-me. Logo nesse dia sofremos uma emboscada: o Unimog tombou, nós fomos cada um para seu lado, eu tombei para o chão e o rádio ficou afastado de mim.

Na minha atrapalhação, lesionei-me, eles a gritarem para eu pedir socorro, mas eu já nem sabia do rádio. A partir daí nunca mais me ofereci como voluntário para nada. Acabei por ser hospitalizado, de Vila Cabral fui para Nampula e estive um mês e meio a recuperar, antes de regressar. Catorze meses depois recebi ordem para embarcar para Lourenço Marques, que foi o melhor tempo que tive de tropa.

Só gostava de encontrar um camarada que foi como um irmão, o Simão de Castelo Branco, a quem chamávamos ‘Ruço’. Voltei a 9 de setembro de 1967, de uma guerra que nunca entendi.

Nome
Manuel Silva Fernandes

Comissão
Moçambique (1965-67)

Força
Rendição individual

* Info
Tem 75 anos, é casado, tem dois filhos e dois netos. Vive no Barreiro.
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: tenente em Abril 20, 2019, 08:56:32 pm
Daniel Roxo, O diabo branco do Niassa !!!!


http://riodosbonssinais.blogspot.com/2013/07/francisco-daniel-roxo.html

(https://imagizer.imageshack.com/v2/xq90/921/JKAtlg.jpg) (https://imageshack.com/i/plJKAtlgj)

Grande Homem e Excelente Guerreiro, tive a Honra de o ter conhecido !

Abraços
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: HSMW em Abril 22, 2019, 06:40:31 pm
(https://scontent.fpdl1-1.fna.fbcdn.net/v/t31.0-8/336597_311323805582297_168295997_o.jpg?_nc_cat=105&_nc_ht=scontent.fpdl1-1.fna&oh=a2436bfc7d680f9a68a9fe062af59206&oe=5D37914E)

Citar
ZALA - ANGOLA
CCS - BCAV 1927: Angola - Nambuangongo, Catete 1967 - 1969.
...Fotografia de «familia»: as guarnições posam junto dos carros de combate. Em pé, à frente está o Alferes Guerreiro. Apenas quatro meses antes, em Estremoz, estes homens tinham visto os M5A1 pela primeira vez. Agora, no meio da poeira de Nambuangongo, tornavam -se autênticos peritos, temidos e respeitados na picada. «Foram estes soldados que se irmanaram num todo operacional, carne fundida com ferro, protagonizando uma aventura única na guerra de África» ....
Imagem com texto do Major Luíz Mendes Paulo.
No seu livro: "ELEFANTE DUM DUM"

https://www.facebook.com/102512929796720/photos/a.103474593033887/311323805582297/?type=3&theater
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Srgdoido em Junho 12, 2019, 10:29:40 pm
Guerra Colonial custou 21,7 mil milhões de euros ao Estado português
https://zap.aeiou.pt/guerra-colonial-217-mil-milhoes-portugal-261800
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: tenente em Junho 12, 2019, 11:20:28 pm
Guerra Colonial custou 21,7 mil milhões de euros ao Estado português
https://zap.aeiou.pt/guerra-colonial-217-mil-milhoes-portugal-261800

Baratinha, hein se fosse hoje em dia, bem podíamos multiplicar esse valor por vinte !!!!

Abraços
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: asalves em Junho 13, 2019, 02:50:11 pm
Guerra Colonial custou 21,7 mil milhões de euros ao Estado português
https://zap.aeiou.pt/guerra-colonial-217-mil-milhoes-portugal-261800

Baratinha, hein se fosse hoje em dia, bem podíamos multiplicar esse valor por vinte !!!!

Abraços

Eu não tenho a certeza do que vou dizer, mas segundo consta mesmo com a guerra colonial e a dimensão desta em vários territórios por vezes longínquos do território continental,  no final ainda havia muito ouro nos cofres da nação.

PS: Não quer dizer que o povo vivia bem, mas normalmente em qualquer Pais num conflito destes não há dinheiro que aguente
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: tenente em Junho 13, 2019, 07:58:15 pm
Guerra Colonial custou 21,7 mil milhões de euros ao Estado português
https://zap.aeiou.pt/guerra-colonial-217-mil-milhoes-portugal-261800

Baratinha, hein se fosse hoje em dia, bem podíamos multiplicar esse valor por vinte !!!!

Abraços

Eu não tenho a certeza do que vou dizer, mas segundo consta mesmo com a guerra colonial e a dimensão desta em vários territórios por vezes longínquos do território continental,  no final ainda havia muito ouro nos cofres da nação.

PS: Não quer dizer que o povo vivia bem, mas normalmente em qualquer Pais num conflito destes não há dinheiro que aguente

Já em 1914......o Raúl Solnado falava na bala e na guita, nós somos muita poupadinhos Asalves, foi por isso que a GC ficou ao preço que ficou. ;)

Abraços
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Daniel em Setembro 20, 2019, 12:07:00 pm
“Fomos uma companhia muito castigada”
https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/fomos-uma-companhia-muito-castigada?ref=HP_OutrasNoticias3
(https://cdn4.cmjornal.pt/images/2019-09/img_900x508$2019_09_14_19_14_49_885264.jpg)

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Tivemos vários mortos e feridos, pois éramos sempre os primeiros a avançar e a ajudar batalhões em dificuldades.Assentei praça a 10 de abril de 1961, em Chaves, integrando a recruta de novos Batalhões de Caçadores Especiais com destino a Angola. Fui um recruta especializado, com instrução dada por oficiais que tinham o curso de ‘rangers’ tirado em Lamego.

Foram dias muito difíceis. Exercícios muito puxados e bem suados, incluindo toda a instrução sobre o manejo de armamento, pois estávamos a ser preparados para entrar num conflito armado, já a decorrer em Angola desde março de 1961.
Fizemos as marchas finais durante uma semana na serra, na zona de Boticas, com a simulação de sanzalas e fogo real, incluindo aviação, para completarmos a instrução e rumarmos a Angola. A 12 de agosto de 1961, embarcámos no paquete ‘Vera Cruz’ a caminho do nosso objetivo, que atingimos no dia 21 de agosto.

Ficamos uns dias no Grafanil e depois rumámos ao norte de Angola, prontos para entrar em combate. Fizemo-lo através do Cacuaco, seguindo por Quicabo, Beira Baixa e Zala, a caminho de Nambuangongo.

Tivemos um percurso muito difícil, pois pelo lado que seguimos encontrámos muitas árvores enormes cortadas e atravessadas na estrada, assim como valas profundas cavadas nessa mesma estrada, obstáculos que, muito a custo e com muito trabalho, lá fomos vencendo! Durante essa progressão fomos alvos de ataques constantes. Éramos a Companhia de Caçadores Especiais 270/61, que ficou fora dos batalhões 261 e 262, formados na mesma altura em Chaves.

O inferno das emboscadas
Depois começou o inferno dos ataques, emboscadas, tiros de ‘snipers’, etc. Seguimos respondendo e, de início, não tivemos grandes acidentes. Tínhamos uma boa preparação e, ao primeiro tiro, voávamos das viaturas em movimento para o chão, pois o lema era: "Mais vale uma perna ou um braço partido, do que um tiro." Ainda assim, fomos uma companhia muito castigada, tivemos feridos e alguns mortos, pois como independentes éramos requisitados para ajudar outros batalhões em dificuldades e, como fomos treinados para o combate, éramos os primeiros a avançar.

A guerra do Ultramar foi-nos praticamente imposta por outros países, sedentos das riquezas que as colónias possuíam. Com uma vontade canina, tudo fizeram junto de Salazar, pressionando-o para que desse a independência àqueles territórios para melhor lhes deitarem a mão. A conversa da treta liderada pelos Estados Unidos para que fossem independentes e pudessem usufruir de uma plena democracia não passava da sua habitual ingerência para se enfiarem nos interesses de outros países. Salazar era acima de tudo um bom patriota e não se deixava levar por aprendizes de estadistas, que mais não eram do que vigaristas armados em samaritanos. Resistiu enquanto pôde e negou sempre a ingerência naquilo que achava ser de Portugal por direito próprio. Quando essas nações perceberam que não demoviam Salazar de forma nenhuma, optaram por financiar o terrorismo para essas províncias, fornecendo dinheiro e armamento, recorreram às missões (católicas e evangélicas de vários países, entre eles os holandeses, a atuar no Congo e norte de Angola) para incitarem os negros a revoltarem-se contra os brancos.

Vários países que colonizaram outros territórios foram-lhes dando a independência, não vislumbrando Salazar que daí tivessem esses povos melhorado a sua vida. Por isso, renitentemente, negava esse direito aos povos africanos, há séculos integrados na Nação Portuguesa. Assim, foi-nos imposta a guerra no ultramar português chacinando brancos e pretos, num terrorismo até essa altura sem paralelo.

 Nome
Fernando Maia

 Comissão
Angola 1961-1963

 Força
Comp. Caçadores Especiais 270/61

 * Info
Reformado, Vive em Mataduços, Aveiro
Título: Re: Guerra Colonial: Experiências/Testemunhos Pessoais
Enviado por: Daniel em Outubro 26, 2019, 07:23:59 pm
“Amor de mãe, Angola”. As tatuagens que contam a história da guerra colonial
https://24.sapo.pt/vida/artigos/amor-de-mae-angola-as-tatuagens-que-contam-a-historia-da-guerra-colonial
(https://thumbs.web.sapo.io/?pic=http://mb.web.sapo.io/eab25a5dee0dec5aa76221eea4d38547a4369a48.jpg&W=2100&H=1400&delay_optim=1&tv=2)

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Moda, estatuto, para casar, alienação, dor ou porque beberam um copo antes. Estas são algumas das razões dos desenhos feitos nos antebraços de quem foi para a guerra colonial. A história contada em livro pela subcultura dos homens que, em teatro de guerra, não se envergonharam de escrever no corpo a palavra Mãe. Um registo fotográfico que resgata a memória coletiva de um povo no qual as imagens valem mil testemunhos. “Guerra na pele. As tatuagens da guerra colonial”, uma memória escrita.No início eram tatuagens. Agora são retratos de tatuagens. No início era a guerra colonial. Agora são as memórias que ficaram. Ficam. Cravadas na pele. No corpo. Na mente. Na alma. Bem fundo. Para sempre. Por causa da Pátria. Pela Pátria.

As imagens, essas, não saem da cabeça, por mais esbatidas que estejam no corpo. Passaram anos. Décadas. Na pele, a maioria apresenta-se descolorida. Quase que desapareceram. Por isso, há quem tenha feito a versão 2.0 do “Amor de Mãe”, a frase icónica de quem foi para África. Porque não querem esquecer. Não podem esquecer por mais que, muitos deles, procurem não falar. Sobre o que foram lá fazer e aquilo que estamparam. Porque recuam ao tempo da guerra. E, se o fizerem, dizem: “Não durmo. Se eu lhe contar, eu já não durmo esta noite...”.

A guerra colonial está ainda bem presente na memória coletiva de um país. Pelo menos, em grande parte dele. João Cabral Pinto quis resgatar a história de Portugal pelas imagens dos desenhos nos corpos de quem foi e voltou. Depois de hesitações e negações de editoras, decidiu avançar para uma edição de autor. “Guerra na Pele – As tatuagens da guerra colonial” é o nome do livro apresentado hoje na Biblioteca Natália Correia, em Carnide, Lisboa. É mais do que um conjunto de palavras. É um registo histórico.

O objetivo? “Resgatar e preservar para memória futura um conjunto de imagens de tatuagens realizadas por militares das Forças Armadas Portuguesas durante o período da guerra colonial em África de 1961 a 1974”, lê-se nas poucas páginas do livro que merecem conteúdo escrito.

O resto são as imagens que falam por si: 146 imagens de tatuagens que representam uma síntese das 350 fotografadas, resultantes de mais de 230 entrevistas a ex-combatentes, num total de cerca de 600 abordados. Hoje, dos entrevistados, “metade já morreu”, aponta João Cabral Pinto. “As fotografias das tatuagens são a sua memória”.
O trabalho começou há 20 anos. “Os primeiros cincos foram perdidos numa avaria informática, não consegui recuperar e foi tudo ao ar”, recorda. Não desistiu. Seguiram-se 15 anos a andar “nos encontros de militares, nas celebrações dos 10 de junho, em praias, nos autocarros, a mudar o meu trajeto porque via alguém”, sempre atento a uma tatuagem que apontasse para a presença nas ex-colónias.

“Não durmo. Se eu lhe contar, já não durmo esta noite... Só de falar já estou todo a tremer”

A abordagem foi tirada a fotocópia: “Olá, sou o João Pinto, estou a fazer um trabalho sobre a guerra colonial e pergunto se posso tirar uma fotografia à sua tatuagem”.Tal como um filme, seguiu o guião em que queria respostas ao porquê?, quando?, quem?, onde (zona geográfica)?, onde (zona do corpo)?, como? e quantas?. Já as entrevistas “não foram programadas”. Não podiam ser.

João Cabral Pinto compreende quem não participou e quem não respondeu à totalidade das perguntas. Em alguns casos a resposta traduziu-se em pouco mais do que fotografar a tatuagem. “Muitos dos antigos combatentes sofrem stress pós-traumático. Diziam 'vai dar uma curva'. Ou mesmo, 'tira lá a foto, mas não digo mais nada'". O nada explica-se numa frase repetidamente escutada pelo autor: “Não durmo. Se eu lhe contar, já não durmo esta noite... Só de falar já estou todo a tremer”.

“Vaidade”. Esta uma das razões para registar no braço a ida para a guerra. Ou apenas “exibicionismo”, explica João Cabral Pinto. “Uma mulher, nessa altura, que casasse com um militar tinha uma boa vida. Era um chamariz para casar”, pisca o olho.
Há razões mais fundas. “A saudade, revolta, dor, luto”, solta na ponta da língua. Mas não só. O “orgulho” de pertença aos paraquedistas ou fuzileiros, a “vontade de servir o país”, a "moda” e o “todos faziam”. Por situações de morte de companheiros ou medo. “Uns explicaram que o fizeram quando estavam junto da fronteira com o Senegal. Pensavam que iam morrer”, e outros por momentos de pura “alienação”, “desespero” ou “raiva”. Ou mesmo, uma simples “recordação”, enumera o autor.

Não fugimos ao desejo da curiosidade: e o "Amor de Mãe, Angola 1969"? Essa evocação materna que fez parte do imaginário pela adolescência fora deste (48 anos) que vos escreve. “É uma expressão que já vem da 2.ª Guerra Mundial”, informa João Cabral Pinto.

“Nas situações de guerra, em que estás a morrer, aflito, por quem é que tu chamas? Por quem? Pela mãe. Não chamas pelo pai. Ai, mãe. Ai, minha mãe...”, o autor recorda uma partilha feita por um dos fotografados. Um nome tantas vezes repetido que deu em música, de Oliveira Muge. “A mais célebre da guerra colonial: Mãe. Foi do mais conhecido na altura”, sublinha o autor do livro “Guerra na pele”.
Para além do Amor de Mãe e de juramento a outros amores, há outros símbolos (o calote e o grifo), siglas (JNRJ, de Jesus da Nazaré Rei dos Judeus), profissões e frases que ficam para a eternidade: “Sangue, Suor e Lágrimas”, que aparece, por vezes, como “SSL”, em abreviatura. Há mapas de Angola, Cabinda, Guiné ou Moçambique, datas de incorporação, “corações com a flecha do Cupido”, frases avulso como “Adeus, África”, “Deus me guie”, “A Pátria Honrai, que a Pátria vos contempla” e “Fui e Voltei”.

Neste revisitar das histórias de quem regressou há casos insólitos. “Um tatuou o nome da namorada, só que esta deixou-o e, por cima, escreveu: eu e um ponto de interrogação”. Outras precipitações. “Um tatuou-se com uma imagem dos fuzileiros, não entrou e foi para os comandos. Ficou com duas tatuagens”, recorda. Há também imagens que pouco têm que ver com o teatro de guerra - “Um pato Donald e um Mickey”.

O grito de libertação. "Para se libertar de tudo”

Esqueça a loja moderna de tatuagens. Na altura, “eram feitas com três agulhas e tinta-da-china. Faziam, às vezes, um esboço, um desenho a caneta”, descreve João Cabral Pinto. “As tatuagens eram feitas por camaradas de armas, destros. Diria 80%. O resto, mais ou menos em partes iguais, civis e locais. E os próprios. Daí, o lado esquerdo ser o mais tatuado”, esclarece. “O antebraço é o que está mais tatuado porque está à vista. Queriam mostrar. E no verão mostram tudo”, sorri.

Este movimento de tatuagens “acontece informalmente no território militar. Parte dos militares não se tatuou durante o período da guerra colonial”, avisa. “A totalidade dos que o fizeram foi de tal modo importante e impactante que foi considerado uma subcultura informalmente inserida na estrutura militar. Os militares nunca assumiram a tatuagem, não é oficial”, atira.

Das inúmeras imagens cravadas nos corpos de ex-combatente, duas não o deixaram indiferente. “Um homem com uma corrente quebrada no peito. Quando a mostrou apanhei um susto. Disse-me que era um grito de libertação. Um grito para se libertar de tudo”. A outra carrega o divino. “Um rapaz de 75 anos com um Cristo crucificado nas costas”, anota. “É a minha guarda. Guarda-me as costas”, disse.

“Não me meto na interpretação do desenho”, revela. "Mas sei que a cobra representava o mato africano. A faca é a luta”. Uma “caveira e ossos” é comum. “Sou mau, tenho sorte e vou lixar-vos. Estou aqui para estar na guerra”, sustenta.

A conversa decorre e aproxima-se do fim à medida que folheamos as quase duzentas páginas do livro. “Reduzi de 350 páginas para 192”, explica. Fez uma “síntese”, adianta. “Expurguei considerações políticas, militares e sociais e expurguei as ciências sociais e humanas, porque isto tem um lado sociológico”, garante João Cabral Pinto.

O mais marcante, para além da visualização das tatuagens, foi o facto de serem “intensas para o ânimo e desânimo”, frisa. “Para uns, foi uma viagem a uma fase de vida, para outros, o lado negativo. O lado do 'julgava que ia morrer, que via os camaradas a morrer e que nunca mais me vinha embora,' do 'vou ao puto', que significa ir à metrópole”, retrata. “Foram para a guerra com 18 anos. Tatuaram-se com 18 e 20 anos. Hoje são putos tatuados com 75 anos”. No fundo, é gente orgulhosa de ter servido a pátria”, analisa o autor, filho de um militar que esteve em Angola.

“Foram conversa muito intensas. Chorei a fazer isto. Não tocava há cinco anos [no projeto] e abrir o livro outra vez e começo a lembrar-me das situações emocionantes que não estão aqui partilhadas. Talvez para uma próxima”, antecipa.

“Tenho tido muitas respostas da estrutura militar. Dizem-me que é património cultural. É memória coletiva. Uma memória que não se apaga. Como as tatuagens de quem lá esteve. Não pode desaparecer. São imagens. São memórias. Que se guardam. Que ficam. Que não se podem apagar”, resume.