Revolta no Mundo Árabe

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #45 em: Fevereiro 09, 2011, 03:10:51 pm »
Uma análise interessente.

Noto no entanto, especialmente em Portugal quando vejo os nossos analistas de pacotilha, que continua a ser muito criada a ideia de que se pode comparar a Turquia com o Egipto.

Ainda ontem ouvi aquele cérebro do Luis Filipe de Menezes debitar mais teorias politicas que poderiam perfeitamente ser originarias da leitura do Tintin, o qual ainda assim devia ter mais senso e informação sobre politica internacional que a maioria dos politicos portugueses.

Em primeiro lugar, tenta-se comparar o actual partido de governo da Turquia, um partido democratico que aceita as regras da democracia, convive com elas, enquanto ao mesmo tempo acomoda perceitos religiosos.
O partido que governa a Turquia, seria visto como uma organização de ocidentais depravados pela maioria dos imãs criminosos da Irmandade Muçulmana.
A Turquia, além de não ser um país árabe, passou por um doloroso processo de ocidentalização forçada cpós o final da II guerra mundial, embora mesmo ainda durante o Império otomano, uma parte consideravel do país fosse essencialmente europeia.

Nao podemos nunca esquecer que durante alguns séculos, a Turquia foi uma das maiores potências europeias.
Nós olhamos tanto para o Atlântico, que nos esquecemos de que ainda andava o Afonso de Albuquerque pela India, quando os Turcos estavam às portas da capital austríaca, Viena.
E eles nunca deixaram a Europa e ainda hoje, resta uma pequena parte do território que a Turquia ocupava na Europa.

Quando o Sutão Mahmed II conquistou Constantinopla, 76 anos antes do primeiro cerco de Viena, proclamou-se imperador do império romano do oriente.
A Turquia otomana afirmava-se como uma potência da Europa. Praticamente todos os países dos balcãs ficaram sob influência turca, e queira-se ou não, o ocupado também influencia o ocupante.

E isso faz-se sentir até aos dias de hoje.
O Egipto, ao contrário, é apenas uma réstia do que foi a gloria dos reino dos Farós. Quando o império romano conquistou o Egipto, os egipcios referiam que tinham há milhares de anos atrás, sido muito mais poderosos que os próprios romanos.

Mas hoje, são apenas um povo árabe, resultado da expansão do islamismo a partir do século V.
Mas a glória do antigo Egipto, que lhes poderia permitir uma via própria e a afirmação de uma maneira de ser própria, estava enterrada há milénios debaixo dos tumulos de faraós esquecidos.
O Egipto, passou a ser mais um bocado dos califados e emiratos da região.

É por isso que podemos até comparar o Egipto com a Tunisia em alguns aspectos, mas não podemos comparar a população turca com a população egípcia.

De um lado estão os herdeiros do Império Otomano, que há pouco mais de um Século ainda ocupavam uma área da Europa equivalente à Alemanha, e cujo império caiu, resultado de uma guerra europeia, em que caíram o império alemão o austro-hungaro e o russo, ligando ainda mais a Turquia à Europa.

Do outro lado está o Egipto. Potência dominante do Médio oriente até ao Alto Nilo (e muito mais uma potência africana que mediterrânica) há quatro mil anos atrás, mas que hoje não passa apenas de mais um país árabe, que vive de mostrar as pirâmides construidas por egípcios há muito tempo desaparecidos.

A influência do Islão faz-se sentir ali mais que em muitos outros lugares, porque a densidade demográfica e a riqueza do vale do Nilo tornaram sempre a área apetecida e por isso centro especialmente importante para a divulgação da palavra do Profeta.

Na Turquia vemos industrias, empresas comerciais que vendem novos produtos, que têm capacidade para inventar, que aparecem nas feiras internacionais. Já tive contactos com empresas que trabalhavam à Sexta-feira da parte da manhã (durante o inverno), porque assim tinham a vantagem de pode contactar com o resto das empresas europeias que continuavam a trabalhar dado a sexta feira só ser dia santo para os islâmicos.
Eu nunca vi uma empresa egipcia em nenhuma das principais feiras internacional daquelas que conheço, em Birmingham na Inglaterra, em Milão, em Hannover ou Dusseldorf  na Alemanha.
Mas estou farto de ver empresas turcas.

E é isto que faz a diferença.
Comparar esta realidade com a realidade do Egipto, para quem já teve a oportunidade de estabelecer relações nomeadamente comerciais com os turcos, é quase de morrer a rir à gargalhada.

Mas com todo o suporte e capacidade industrial que os turcos têm, eles continuam a ser mais pobres que Portugal.
Os Egipcios até podem olhar para a Turquia com alguma inveja, mas não entendem, que precisariam de uma revolução de mentalidades muito maior que aquela da praça Tahrir, onde quem faz mais barulho continuam a ser os fanáticos islâmicos da Irmandade Muçulmana, que entre trabalhar e criar uma empresa, e rebentar-se para ser martir, optam sempre pela segunda hipótese.
 

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scrupulum

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #46 em: Fevereiro 10, 2011, 09:24:22 am »
O que motiva a agitaçao em alguns paises arabes (e em alguns paises europeus : Grecia, Servia,...) sao razoes puramente economicas. As ricas (e pouco democraticas) monarquias do golfo cujos principes e emires distribuem os dividendos do petroleo pela populaçao,  nao conhecem até esta data qualquer tipo de revolta popular.

Em alguns paises arabes como a Tunisia, o Egipto, os Emiratos Arabes Unidos, etc,  qualquer estrangeiro que queira investir no pais tem que obrigatoriamente dar sociedade a um cidadao nacional, isto explica porque razao alguns lideres arabes têm fortunas colossais : os grandes investidores estrangeiros tiveram que ceder 10 ou 20% do seu negocio ao tiranete local. Uma parte da populaçao de alguns paises arabes tambem beneficia com este sistema pois se algum europeu quizer investir nas arabias tem que "dar sociedade" a um arabe ; este na maior parte dos casos limita-se a "emprestar" o seu nome e a receber os dividendos do negocio enquanto o investidor se ocupa de tudo o resto.

Querer impor conceitos politicos e sociais ocidentais (como a democracia) às sociedades arabes, nao tem funcionado muito bem. De cada vez que os povos arabes votam livre e democraticamente, escolhem lideres e sistemas politicos incompativeis com a nossa democracia ocidental e com a nossa segurança.
Quando os islamistas radicais do FIS ganharam democraticamente as eleiçoes na Argelia em 1992, os governos europeus e americano apressaram-se a encorajar um golpe militar muito pouco democratico que colocou na prisao ou assassinou os vencedores das eleiçoes e provocando com este facto, uma horrivel guerra civil na Argelia. A mesma coisa na Palestina quando os "terroristas" do HAMAS ganharam as eleiçoes...

Sendo as razoes da revolta de cariz economico e nao politico,  podemos esperar um alastramento, nao somente pelo mundo arabe, mas tambem pelo resto do mundo, sobretudo nas regioes onde a crise se faz sentir cada vez mais, levando ao desespero das pessoas.
scrupulum aka legionario
 

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Cabecinhas

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #47 em: Fevereiro 10, 2011, 12:48:15 pm »
Só nos países árabes?
Um galego é um português que se rendeu ou será que um português é um galego que não se rendeu?
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FoxTroop

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #48 em: Fevereiro 10, 2011, 04:16:42 pm »
Mumiarak está de saída. Segundo a Al Jazeera, deve hoje anunciar a resignação hoje. Sem dúvida que, ter deixado a situação chegar ao ponto de total caos, de modo a que "o povo acabasse por se cansar e ir para casa", foi de génio   :)
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #49 em: Fevereiro 10, 2011, 04:17:57 pm »
É aparentemente mais grave nos países árabes, e especialmente naqueles mais influenciados pelo ocidente, onde o nível de liberdade é maior que nas ditaduras de cariz marxista como a Libia ou a Siria (e como foi o Iraque).

A revolução do mundo árabe não é novidade nenhuma, pois já houve várias. O problema é que são normalmente esmagadas pelo ditador de serviço, com terror sanguinário.
Os países que optaram por ter relações especiais com o ocidente, têm o problema de ter que responder também perante as opiniões publicas dos países ocidentais.
Como a América sustenta o exército egípcio, o que a opinião publica americana pensa, acaba por influenciar a decisão dos governos.

Já as ditaduras assassinas de cariz marxista, como a Siria ou a Libia, não têm esse problema, porque não há possibilidade de as influenciar.
É por isso que ninguém se refere ao terror e à brutalidade criminosa do regime assassino do Partido Socialista de Hassad na Siria. É por isso que o genocida Bakir do Sudão, apoiado pela ditadura comunista chinesa, pode exterminar centenas de milhares de pessoas no Darfour, porque não tem o apoio de um país ocidental, e na China ninguém pode criticar o governo de Pequim por apoiar um genocida criminoso.
E por questões de vantagem económica, muitos fecharam os olhos ao terror assassino de outro camarada socialista o grande benfeitor dos povos, Muamar Kadafi. Este último está caladinho que nem uma ratazana amedrontada, pois as recentes relações com o ocidente podem provocar problemas.

Teremos que esperar para ver no que tudo isto vai dar.
Sabemos que os criminosos marxistas, estão a esfregar as mãos e pedem aos santos (se houver santos comunistas) que haja mortes, muitas mortes, para que eles possam subir ao poder e fazer o que sempre souberam fazer melhor: ROUBAR.

É igualmente importante o apoio da ditadura iraniana que o criminoso assassino Ahmadinejad dá aos terroristas da Irmandade Muçulmana.
O apoio desta hiena iraniana, e dos Imãs da mesquita de Qom,  é uma prova de que por detrás do protesto estão terroristas e assassinos que apenas aguardam a altura certa para chegar ao poder,  e impor o seu regime de ódio e terror cruel.

Por isso sinceramente, entre um ladrão como o Mubarak (a acreditar nos relatos de que juntou biliões de dólares de comissões de contratos) e os ladrões e assassinos lascivos da Irmandade Muçulmana, que venha o diabo e escolha.

O primeiro ministro da Inglaterra, já veio dizer, como já tinha dito a Merkel na Alemanha, que o multi culturalismo falhou. Ainda vão ter que passar mais dez séculos, para que sociedades diferentes aceitem viver em paz.
De nossa parte, da parte ocidental, não se pode dizer que não tenha havido um esforço. Eu pessoalmente aceito os islâmicos, aceito até que tenham as suas mesquitas e pratiquem os seus rituais. Como  cidadão informado e bastante liberal, eu não tenho problema com a religião muçulmana. A religião que eles pregam, é a religião do Deus único. O Deus de Maomé, é exactamente o mesmo Deus de Jesus Cristo. Eu já li o Corão, e ao contrário de muitos, não li nada que me espantasse ou me deixasse preocupado.

Mas esta canalha assassina (apoiada indirectamente pelo marxismo internacional e pelo anti-americanismo fanático das viúvas do debochado e perverso regime da russia comunista), não querem nada disso. Insistem numa INTERPRETAÇÃO ABUSIVA, DISTORCIDA, CRIMINOSA do livro sagrado dos muçulmanos.

Querem utilizar o multiculturalismo, para nos destruir.
Aproveitar o Islão, para em nome da religião destruir a liberdade
É por isso que tantas Hienas marxistas torcem desesperadamente pelos criminosos islâmicos e pelos terroristas, porque afinal a luta do terroristas e a luta dos marxistas é só uma e resume-se numa só frase:

Odio à liberdade do Homem.

E ser contra a Liberdade ,é ser contra os principais direitos que estão expressos nos livros sagrados das três principais religiões monoteistas.
Deus criou o Homem: E estabeleceu o Direito à Vida
Deus criou o mundo para o Homem. deu-lhe regras, mas deu-lhe também o direito de escolher o seu caminho, mesmo que esse caminho não fosse o melhor: E estabeleceu o Direito à Liberdade.


Onde cheirar a estas Irmandades Muçulmanas, estão sementes de ódio !
Ódio contra todos nós !
 

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Edu

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #50 em: Fevereiro 10, 2011, 06:44:18 pm »
Quem é que o "criminoso assassino Ahmadinejad" matou para ser um criminoso assassino? Assim derrepente não estou a ver, que eu saiba Israel é que andou a matar cientistas Iranianos...
 

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Lusitano89

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #51 em: Fevereiro 10, 2011, 07:23:14 pm »
Egipto. O que está à vista? Mudança de liderança ou de regime? (Actualização 3)
Alexandre Reis Rodrigues

 
Em muitos espíritos continuam as dúvidas sobre se o que está a acontecer no Egipto é causa de preocupação ou de contentamento. Na verdade, tanto pode ser uma coisa como outra; ninguém sabe. Tudo depende de como vai evoluir a situação, presentemente envolvida numa extrema incerteza e alternando entre períodos em que os protestos parecem estar a consolidar-se e alargar-se a outras zonas do país e outras ocasiões em que a estratégia do Governo parece estar a resultar.

Já aqui falamos da opção do Governo em tentar dividir a oposição e jogar com o tempo para cansar os manifestantes - hoje no décimo sétimo dia de protestos - sem, no entanto, ir para o confronto directo, o que motivaria uma séria condenação internacional do regime. O objectivo será “aguentar” Mubarak até ter uma solução para a sua saída airosa e, entretanto, evitar o caos. O problema é que será preciso, em troca, fazer algumas concessões à oposição.

A reunião entre o Vice-Presidente e os representantes convocados pelo Governo, no dia seis de Fevereiro, em que foram retomadas promessas feitas pelo Presidente, foi um primeiro passo no sentido de dar algo em troca e de algum modo um sucesso; conseguiu trazer para a mesa a Irmandade Muçulmana, que anteriormente se declarava indisponível para negociar antes da saída de Mubarack.

Uma próxima reunião - se realizável - será certamente bem mais difícil; em especial se as desconfianças de que o Governo faz manipulações se acentuarem; el Baradei, por exemplo, aceite pela oposição como representante, não foi convidado. Pior, não houve qualquer representação dos jovens, a quem a oposição deve grande parte dos protestos iniciais. A forma como Suleiman tentou corrigir à posteriori este segundo erro é revelador da táctica pouco “limpa” do Governo; reuniu-se depois com um grupo de jovens de um movimento de que anteriormente ninguém tinha ouvido falar (Movimento 25 de Janeiro) e que saiu da reunião a concordar com a ideia de Mubarak continuar. O Movimento Seis de Abril, que de facto existe e esteve por detrás dos protestos, já reagiu com a acusação de que o outro não tem qualquer representatividade (O Movimento Seis de Abril começou em 2008 através do Facebook e rapidamente agregou 70000 participantes; Ahmad Maher, co-fundador do Movimento, foi preso pouco depois).

Que pode o Governo oferecer mais à oposição? A hipótese mais falada, de momento, passou a ser a da utilização do pretexto da necessidade periódica de Mubarak deslocar-se para tratamento numa clínica alemã; uma vez fora, seria fácil arranjar argumentação para não voltar. A possível ida para uma residência que tem em Sharm-el-sheik deixou, entretanto, de ser referida. A sua eventual colocação fora da gestão corrente dos assuntos do País, restringindo-o a uma função meramente “decorativa”, opção proposta por um grupo de “Wise Men” que participou também na reunião de seis de Fevereiro, foi rejeitada.

Este tema leva-nos directamente para a questão central de saber se pode o Egipto iniciar algum processo sério de transição continuando Mubarack no poder. A administração americana pareceu inicialmente acreditar que não era possível, quando Obama referiu que o processo devia começar já; embora nunca tenha sido explícito sobre o destino de Mubarack, ficou o entendimento de que se pretendia a sua saída. De momento, já não é assim; veio a clarificação de que o processo de mudança deve ser conduzido por Mubarack. Talvez tenha sido isso o que acabou por recomendar o enviado especial do Presidente Obama depois de se encontrar com Mubarack. Um mau sinal: indica que os EUA vão a reboque dos acontecimentos, sem uma estratégia própria.

Quem decide, no entanto, serão os militares, aliás, como tem sido habitual. O Egipto, mal grado outras aparências, tem funcionado como uma ditadura militar desde 1952, data do golpe do então coronel Nasser. Presentemente, metade do Governo, incluindo o topo (Presidente, Vice-Presidente, 1º Ministro e ministro da Defesa) é composta por ex-militares; 80% dos governadores espalhados por todo o País vieram também das fileiras das Forças Armadas. Poderá um Governo deste tipo conduzir um processo de liberalização, quando a crise por que o País está a passar parece estar a ser aproveitada para ajustar contas com a elite empresarial que Gamal Mubarack, filho do presidente, liderava?

Há muitas tensões à volta desta luta de interesses; o peso que o Exército tem na economia do País não é obviamente estranho a isso. Não obstante a opacidade que rodeia todos os assuntos militares, alguns observadores não hesitam em situar esse peso entre 30 e 45% da economia; outros, avaliam-no entre os 10 e 15%. Ao certo só se sabe que o Ministry of Military Production emprega 400.000 civis, gere 16 fábricas e produz muitos bens que não têm natureza militar: água engarrafada, azeite, extintores, computadores, cimento, etc.

Naturalmente, as Forças Armadas negam esta situação; dizem que 85% da economia está privatizada. É verdade que Sadat deu passos concretos para abertura da economia, depois de duas décadas de socialismo. Mubarack também introduziu alguma liberalização mas o sector do Estado continua com um peso grande. Gamal, ao liderar uma corrente de maior abertura, colocou-se em rota de colisão com os interesses da Velha Guarda militar, nada disponível para alterar o statuo quo. O resultado está à vista: foi demitido, juntamente com o seu círculo próximo, da liderança do Partido Nacional Democrático, de que Mubarak continua a ser presidente. De nada lhe valeu o estatuto que o pai lhe foi construindo e cujo esperado desfecho, há pouco mais de um mês atrás, ainda era a sucessão na Presidência do País.

Que se pode esperar desta situação? Uma mudança drástica do regime, como está implícito nas pressões que a administração americana e a UE têm feito, é muito pouco provável. Quando muito apenas o indispensável para desmobilizar os protestos.
 
Jornal Defesa
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #52 em: Fevereiro 10, 2011, 10:55:33 pm »
Citação de: "Edu"
Quem é que o "criminoso assassino Ahmadinejad" matou para ser um criminoso assassino? Assim derrepente não estou a ver, que eu saiba Israel é que andou a matar cientistas Iranianos...

Assim de repente, também não estou a ver quem é que o Hitler matou para ser considerado um criminoso...
Afinal, esse grande socialista nacionalista alemão, nunca na vida matou ninguém (além dele próprio).
Outro grande democrata, Estaline, também é apenas uma alma caridosa, que não é nem foi responsável pela morte de ninguém.

Poupe-nos de campanhas de defesa do terror, há já demasiada canalha dessa...
 

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PILAO251

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #53 em: Fevereiro 10, 2011, 11:18:57 pm »
Caro PT
Parabéns por ter lido o Corão.
Mas, conseguiu entende-lo e orientar-se no meio daquelas contradições todas?
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #54 em: Fevereiro 11, 2011, 12:01:12 am »
PILAO251 -> É engraçado, mas há duas maneiras de ler o Corão.

Você pode começar pelas Suras conforme elas estão numeradas, começando pela Abertura, a Vaca, A tribo de Omran, etc...

Mas pelo menos na versão que eu tenho, há igualmente uma leitura cronologica. Ou seja, lendo as várias Suras cronologicamente, o Corão pode ser de alguma forma comparado à Biblia.

Outra questão importante é a das traduções. Aparentemente existe muita discussão entre os clérigos especialistas nestas coisas, relativamente à interpretação dada às palavras. Só em árabe será possível entender verdadeiramente o Corão, pelo que a minha leitura, como a de qualquer ocidental está sempre muito limitada.
O Corão, aparentemente tem uma estrutura que o transforma num monumento literário de tal forma perfeito quando lido em árabe, que a sua criação não poderia ter outra origem que não fosse a divina.

Na versão que li, porque me dei ao trabalho de ler de forma cronologica, acabei por encontrar a maioria dos ensinamentos que se encontram na Biblia, com a diferenças naturais e conhecidas.
O nascimento de Jesus Cristo por exemplo, é de origem divina, mas ele mão nasce de uma virgem.

Há já bastante tempo, quando coloquei a questão da violência a quem percebe mais disto que eu, recebi uma explicação curiosa ainda que nada religiosa.

Assim:

O Corão é de tal forma perfeito do ponto de vista estético, que se tornou necessário em várias passagens encontrar os termos e as expressões da lingua árabe que melhor se adaptavam para atingir essa perfeição estética do ponto de vista linguistico.

Conseguiu-se a perfeição, a custo de um texto que acaba por permitir interpretações violentas que estão basicamente em contradição com o espirito geral da obra.

Esta contradição evidentemente é negada pelos muçulmanos por uma razão simples.

Se existe essa contradição, e se as palavras e os versos estão organizados como estão por necessidade do autor e para maior erudição da obra, então, o Corão teria que ter sido escrito pelos homens. Muito inteligentes, mas homens.

E isso é a mesma coisa que dizer que a palavra de Deus, não é a palavra de Deus, e que o Islão, é todo ele uma farsa.



Amanhã temos alguem a explodir-se neste fórum... :mrgreen:
 

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Edu

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #55 em: Fevereiro 11, 2011, 01:04:15 am »
Citação de: "papatango"
Citação de: "Edu"
Quem é que o "criminoso assassino Ahmadinejad" matou para ser um criminoso assassino? Assim derrepente não estou a ver, que eu saiba Israel é que andou a matar cientistas Iranianos...

Assim de repente, também não estou a ver quem é que o Hitler matou para ser considerado um criminoso...
Afinal, esse grande socialista nacionalista alemão, nunca na vida matou ninguém (além dele próprio).
Outro grande democrata, Estaline, também é apenas uma alma caridosa, que não é nem foi responsável pela morte de ninguém.

Poupe-nos de campanhas de defesa do terror, há já demasiada canalha dessa...

Bem relativamente a Hitler está errado, acontece que ele foi um valoroso soldado da 1ª grande guerra que se voluntarizou para a frente de batalha tendo sido inclusive vitima do famoso gás mostarda, dificilmente passou sem ter matado alguém (isto só a titulo de curiosidade).

Mas caro Papatango, fale-me dos genocidios comandados por Ahmadinejad, os assassinatos, terriveis quando comparados com os cientistas Iranianos assassinados por Israel ,as torturas crueis, muito piores do que se fazem nos países civilizados, por exemplo pelos E.U.A. em guantanamo. Torturas estas que aparentemente agora são responsaveis pela não entrada de Bush II na Suiça.

Já ouvi chamarem muita coisa a Ahmadinejad mas criminoso e assassino não, peço desculpa pela minha aparente ignorancia.

Cumprimentos
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #56 em: Fevereiro 11, 2011, 01:59:14 am »
Citar
Já ouvi chamarem muita coisa a Ahmadinejad mas criminoso e assassino não, peço desculpa pela minha aparente ignorancia.

Por mim, a sua ignorância está desculpada.
Se o seu cérebro não dá para mais, é provavelmente vontade de Alah, e eu não posso nada contra a vontade de Deus.
 

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Chico Xavier

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #57 em: Fevereiro 11, 2011, 02:35:12 pm »
A amnistia Internacional é apenas um grupozeco que defende terroristas,nunca ouvi essa gente condenar os ataques terroristas.
 

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Desertas

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #58 em: Fevereiro 11, 2011, 03:34:34 pm »
Citação de: "papatango"
Citação de: "Edu"
Quem é que o "criminoso assassino Ahmadinejad" matou para ser um criminoso assassino? Assim derrepente não estou a ver, que eu saiba Israel é que andou a matar cientistas Iranianos...

Assim de repente, também não estou a ver quem é que o Hitler matou para ser considerado um criminoso...
Afinal, esse grande socialista nacionalista alemão, nunca na vida matou ninguém (além dele próprio).
Outro grande democrata, Estaline, também é apenas uma alma caridosa, que não é nem foi responsável pela morte de ninguém.

Poupe-nos de campanhas de defesa do terror, há já demasiada canalha dessa...

Citação de: "papatango"
Citar
Já ouvi chamarem muita coisa a Ahmadinejad mas criminoso e assassino não, peço desculpa pela minha aparente ignorancia.

Por mim, a sua ignorância está desculpada.
Se o seu cérebro não dá para mais, é provavelmente vontade de Alah, e eu não posso nada contra a vontade de Deus.

Embora esteja a sair um pouco off-topic , permitam-me dizer algo .
O Sr. Ahmadinejad , e outros dirigentes ou pessoas influentes nalguns países árabes  fazem-me lembrar algums Papas na altura das cruzadas .
Eles também não mataram ninguém , julgaram-se enviados por Deus  , e incitaram o fanatismo religioso .
Uma coisa que nunca compreendi nalguns países muçulmanos , é que se andarem a matarem-se uns aos outros é normal , se perseguirem pessoas de outra religião também é normal e a vontade de Alah , mas se mesmo num país estrangeiro alguém dizer algo em relação aos seus profetas desaba o mundo e os outros são infieis e pecadores e declara-se-lhes uma jihad . ACORDEM!!!!!!!!!!! A Europa já passou por isso entre os séculos XI e XV  . Não estejam com mentalidades de há 6 séculos atrás.
God and the soldier all men adore
in time of trouble and no more
for when war is over and all things righted
God is neglected and the old soldiers slighted
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #59 em: Fevereiro 11, 2011, 03:42:06 pm »
Eu tento sempre separar a questão religiosa, da interpretação politica que vários grupos dão à religião.

Parte do mundo árabe utiliza o Corão mais ou menos como os cristãos do ocidente utilizaram a Biblia para justificar as cruzadas.
Os cristãos ortodoxos, por exemplo, consideravam os cristãos da igreja de Roma (Na altura não havia protestantes) como uma espécie de fanáticos perigosos.
Aliás, quando Constantinopla caiu, muitos cristãos ortodoxos disseram que preferiam ser governados pelos muçulmanos, que pelos cristãos de Roma, exactamente por causa do fanatismo religioso.

Mas era outro tempo histórico. Hoje, são os grupos de muçulmanos que se apresentam como fanáticos.



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VOLTANDO AO TEMA
=================

Tudo leva a crer que o Mubarak, embora tenha feito ontem um discurso desafiante em que afirmou o seu patriotismo, terá cedido parte do poder executivo ao vice-presidente.
Segundo várias notícias ele terá abandonado o Cairo.
Parece que pretende manter uma saída institucional e garantir uma transição sem grandes convulsões.
Eles  estão a tentar evitar que o poder caia na rua.

Mubarak continuará a ser o presidente, mas pelo menos parte dos seus poderes executivos terão já sido transferidos para o vice-presidente.
Mubarak continuará a ser o comandante das forças armadas.
 

 

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Última mensagem Março 23, 2011, 05:31:36 pm
por Cabeça de Martelo