Revolta no Mundo Árabe

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typhonman

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #30 em: Fevereiro 03, 2011, 09:33:41 pm »
Agora é no Iémen....
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira, todo o território português ou parte dele
 

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Lusitano89

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #31 em: Fevereiro 03, 2011, 10:43:14 pm »
Irmandade Muçulmana quer anular tratado de paz com Israel se chegar ao poder


A Irmandade Muçulmana egípcia quer anular o tratado de paz com Israel se chegar ao poder, numa entrevista de um dirigente do movimento ao canal televisivo japonês NHK TV.

Rashad al-Bayumi disse que o tratado de paz com Israel será abolido depois de formado um governo provisório com o movimento e outras formações da oposição no Egito.

«Depois do Presidente (egípcio Hosni) Mubarak sair e ter sido formado um governo interino, existe a necessidade de dissolver o tratado de paz com Israel», disse Al-Bayumi.

O Egipto foi o primeiro país árabe a reconhecer Israel oficialmente, tendo assinado um acordo de paz com o governo israelita em 1979. É também um importante mediador do conflito israelo-palestiniano.

Presente nos protestos anti-governamentais no Egito, a Irmandade Muçulmana suscitou receios expressos em meios de comunicação social de poder tomar o poder. É um movimento islâmico fortemente conservador, que defende o regresso às regras do Corão. Nas eleições legislativas de 2010 não conseguiu obter qualquer lugar no parlamento.

Lusa
 

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Lusitano89

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #32 em: Fevereiro 04, 2011, 12:31:01 pm »
Egipto. O que está à vista? Mudança de liderança ou de regime? (Actualização 2)
Alexandre Reis Rodrigues
 
 
Mubarak optou por um caminho cheio de riscos para tentar sair airosamente da crise; começou por fazer algumas promessas, aparentemente pensadas para trazer para o seu lado a fracção pragmática da oposição - os que pensam que se já esperaram 30 anos bem podem agora esperar oito meses até às próximas eleições. Resolveu apostar também no cansaço dos manifestantes, agora já no décimo primeiro dia de demonstrações com confrontos entre facções pró e contra a agravarem-se de dia para dia. Presumivelmente, Mubarak espera que os incidentes que começaram a verificar-se, já não sendo apenas demonstrações de protesto, lhe dão margem suficiente de legitimidade para exigir que o Exército se interponha entre as partes e imponha a ordem.

No entanto, as Forças Armadas ainda não terão feito a opção final sobre o caminho a adoptar. As forças estacionadas na Praça Tahrir, que supostamente deviam controlar a situação, mantêm-se, de forma estranha, quase indiferentes ao que se passa à sua volta; nem sequer impediram, como é elementar, que a multidão acabasse por os envolver totalmente, ficando dessa forma quase de mãos atadas. Nesta postura, vai ser muito difícil mudarem para uma postura de intervenção activa, como a situação o exige. Quanto mais demorarem a decidir-se por recuperar o controlo da situação mais esta se agravará e mais difícil será então resolvê-la. Terão muito provavelmente que chamar outras forças; as que têm estado no terreno dificilmente terão condições de actuar.

Mubarak não tem outro apoio a que possa recorrer mas nem mesmo este recurso está a gerir inteligentemente. Ao nomear um militar (ex-Chefe do Estado Maior da Força Aérea) para o cargo de Vice-Presidente, está a dar ao País a imagem que, afinal, as Forças Armadas continuam a funcionar como a tábua de salvação do regime. Quando a população não tiver dúvidas sobre isso, então a imagem quase mítica de que o Exército beneficia junto dos egípcios começará a esvanecer-se rapidamente e acabará o crédito de confiança que dispõe para gerir o processo de transição. De algum modo isso já está acontecer; o aproveitamento político do prestígio dos militares, que tentou fazer com a nomeação do Vice-Presidente, já não chegou para evitar que a oposição não aceite essa decisão desde o primeiro momento.

Os EUA e agora também a UE, em particular os cinco que objectivamente se manifestaram sobre a situação (França, Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha), insistem que a transição “deve começar já” embora em nenhuma circunstância refiram que o processo deve começar pela saída do Presidente. Começa, no entanto, a ficar explícito que é precisamente isso que esperam a fim de evitar maior deterioração da situação. Fica a incógnita preocupante do rumo que o País poderá tomar a partir daí; em especial, saber se a oposição secular conseguirá organizar-se em tempo oportuno e de modo eficaz a “travar o passo” aos avanços da Irmandade Muçulmana. Obviamente, os interesses ocidentais sairão seriamente comprometidos se a queda do regime se processar em favor de grupos radicais ou de um regime que questione a paz com Israel. No entanto, o risco, pelo menos, não é imediato. Não havendo nenhuma força política por detrás dos manifestantes, para já o processo de transição será liderado pelas Forças Armadas. Depois será um processo político impossível de prever e como tal preocupante.

Para o curto prazo, o interessante é uma notícia posta a circular ontem referindo que Israel, contra os termos de um Acordo de 2005 com o Egipto (na sequência dos Acordos de Paz), tinha autorizado o estacionamento de dois batalhões do Exército egípcio (cerca de 800 homens) em Sharm-el-Sheikh, na Península do Sinai; é um movimento curioso porque nada explica essa movimentação e começou-se a especular com o facto de Mubarak ter uma residência nessa zona. É possível que o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas egípcias esteja a considerar uma solução de saída minimamente digna à volta dessa possibilidade, com o apoio de Israel e dos EUA. Se esta associação tem de facto consistência então temos aí um sinal de que um primeiro desfecho da situação poderá estar para breve.

Jornal Defesa
 

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FoxTroop

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #33 em: Fevereiro 05, 2011, 12:39:06 pm »
Agora é só mesmo um questão de tempo. Tempo para que os ficheiros e documentos compremetedores da actuação criminosa da policia secreta e da identificação dos seus membros sejam destruidos. Tempo para que se apaguem os registos das actividades criminosas do regime do "Mumiarak". Agora é só esperar um pouco.
 

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typhonman

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #34 em: Fevereiro 05, 2011, 09:48:26 pm »
Se a irmandade tomar o poder, as FA´s egípcias,se o acordo de paz for quebrado, terão argumentos para iniciar uma luta contra Israel?

Capacidade possuem, M-1A1,F-16,Apache...

O que quero saber, é se os oficiais moderados das FA´s egipcias irão na onda dos fundamentalistas...Que nos leva a questão de fornecer armas avançadas a países que podem tornar-se instáveis...
Artigo 308º

Traição à Pátria

Quem, por meio de violência, ameaça de violência, usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira, todo o território português ou parte dele
 

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FoxTroop

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #35 em: Fevereiro 06, 2011, 12:24:03 am »
Citação de: "typhonman"
Se a irmandade tomar o poder, as FA´s egípcias,se o acordo de paz for quebrado, terão argumentos para iniciar uma luta contra Israel?

Capacidade possuem, M-1A1,F-16,Apache...

O que quero saber, é se os oficiais moderados das FA´s egipcias irão na onda dos fundamentalistas...Que nos leva a questão de fornecer armas avançadas a países que podem tornar-se instáveis...


Não acredito que o acordo seja quebrado. Quanto muito será ajustado em alguns pontos. Quanto à Irmandade, é certo que tem uma facção de pendor mais fundamentalista, mas na sua vasta maioria são islamistas moderados. A melhor comparação com eles é o regime turco. Creio que o que se passa no Egipto é mais pernicioso para outros países árabes (principalmente para a Casa de Saud) que para Israel.
 

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PILAO251

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #36 em: Fevereiro 06, 2011, 09:06:50 am »
Caro Fox Troop
ISLAMISTAS MODERADOS???????????????? Não há, pode haver muçulmanos mais ou menos acomodados às benesses do mundo ocidental, bom wiskey, boas noites passadas no casino, restaurantes de luxo, etc., etc., mas estas não são no fundo muçulmanos, são uma espécie de,,,,,
O povão nem nos pode ver, pois está convicto que os males do mundo (deles) advém do ocidente, o Mubarak é culpado porque se deixou corromper pelo mundo ocidental.
Nesta guerra o pior que nos pode acontecer é subestimar o adversário.
A Irmandade vai tomar o poder, tanto na Tunísia como no Egipto, com todas as nefastas consequências políticas e económicas que daí advierem.  

PS: Citando o jornal El-Watan de hoje acerca do rapto da turista italiana na zona de Djanet
Diálogo entre os raptores e o guia turístico,,,,Je lui ai dit que c`etait (a agência de viagens) Tènère de Kherrani, ils m`ont dit: Dis-lui qu`ìl doit arrêter cette activité. Elle est contraire aux principes de l`Islam
É sempre o mesmo problema,,, tudo é contrário ao princípios do dito,,      
Att
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #37 em: Fevereiro 06, 2011, 04:08:17 pm »
FoxTroop, você tem que dizer aqui ao pessoal que pinga é que bebe, porque é de certeza da boa.

A Irmandade Muçulmana é uma organização terrorista, gerida pelos piores assassinos e escroques depravados que há no Egipto.
A IRMANDADE MUÇULMANA não tem absolutamente nada de moderado. Pretende a instauração de uma ditadura Islâmica sob a batuta dos imãs das mesquitas.

Deixe-se mas é de bebedeiras, que Alá não gosta de alcool e castiga os infiéis ...  :mrgreen:

O problema egipcio é complicado e a solução do problema passa por mostrar às pessoas que a Irmandade Muçulmana e os extremistas fanáticos não são uma organização de beneméritos bonzinhos, mas sim aquilo que eles mostram ser sempre que chegam ao poder:
Escroques criminosos.
O terroristas e assassinos da Irmandade Muçulmana são a inspiração dos terroristas islâmicos do governo criminoso do Hamas.
Eles são o chão que criou bastardos e assassinos como o testa de ferro do Bin Laden (há quem diga que é o Bin Laden que é o testa de ferro), Aiman Al-Zawahiri

As pessoas que no Egipto protestam, estão fartas de crises, e não querem soluções a prazo e ponderadas. Eles querem uma solução para amanhã.
Como dizia uma reportagem da BBC, há gente nas praças do Cairo, que está à espera de uma mudança de governo para poder ganhar dinheiro, porque precisa casar ainda este ano, ou no máximo para o ano.

O que vai acontecer quando de aqui a um ano eles perceberem que as mudanças são mínimas ?
Vão-se revoltar outra vez. E como não há soluções milagrosas que resolvam o problema da falta de dinheiro, eles  vão voltar-se exactamente para o sector dos milagres, prometidos pelos terroristas.

Quem está a gerir as coisas neste momento, está a tentar aproveitar o facto de os extremistas fanáticos quererem aparecer como moderados (estão a mentir com todos os dentes, mas isso é pouco significativo agora).
O objectivo é conseguir que quando a Democracia falhar - E A DEMOCRACIA FALHARÁ porque a actual mentalidade árabe é incompatível com a democracia - a população veja a Irmandade Muçulmana e os fanáticos islâmicos como parte do problema e não como parte da solução.

A ideia de que o Egipto pode seguir uma via turca, é um disparate de todo o tamanho, inventado por analistas sem o mais pequeno sentido prático e sem conhecimento histórico algum.
Os turcos nada têm a ver com os árabes. São sociedades em muitos aspectos diametralmente opostas. O problema no egipto não é um problema do Islão, é um problema do mundo árabe, onde os problemas são agravados pela interpretação literal do livro sagrado, resultado de o livro ter sido ditado por Deus em árabe.
Comparar turcos com egipcios, é a mesma coisa que comparar finlandeses com italianos. São todos brancos e cristãos. Mas o facto de serem brancos e cristãos, não faz com que um país se possa comparar ao outro.

Quanto ao exército:
O exército egípcio nunca deixará a irmandade muçulmana tomar o poder.
Antes disso, haverá um golpe de estado.
O exército governa o Egipto desde a revolução que destronou o rei Faruk. O exército colocou no poder o Gamal Abdel Nasser, o Anwar el Saddat e o Hosni Mubarak. Isso não vai mudar agora.
 

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PILAO251

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #38 em: Fevereiro 06, 2011, 09:14:54 pm »
É costume dizer-se que a história não se repete, mas isto quase que é tirado a papel químico com o devido afastamento, com a situação do Sr. Chamberlain, á chegada a Londres em 1938, a acenar com o papelinho, com o qual tentou evitar o inevitável, devido precisamente, a ser aquilo que estamos a querer ser hoje.
 

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Pedro_o_Tuga

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #39 em: Fevereiro 06, 2011, 09:37:54 pm »
Sim, realmente tem tudo a ver.....  :roll:

Primeiro foram os judeus, depois os comunas, agora os muçulmanos.. Que inimigo arranjaremos a seguir? ETs?
 

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PILAO251

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #40 em: Fevereiro 06, 2011, 10:12:32 pm »
Sr.Pedro
Dê uma vista de olhos pelo - Coisas do Diabo - que tem lá a resposta.
Att.
 

Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #41 em: Fevereiro 06, 2011, 10:27:43 pm »
- Quem manda no Egipto é o exército e ponto final.

- E podem estar descansados que a Irmandade Muçulmana, esse grupo de "benfeitores" que o senhor FoxTroop diz não serem radicais, dificilmente tomarão o  o poder no Egipto, porque isso significaria num futuro próximo um provável conflito com Israel e a aniquilação do exército Egipcio.

-  3 ou 4 dezenas de F-16 Sufa Israelistas punham a força áerea e o exército Egipcio de pantanas.

- E os generais Egipcios sabem disso, e não querem isso, a guerra dos 6 dias serviu-lhe de exemplo e eles sabem que tecnológicamente as forças armadas isrelitas estão noutro patamar.

- Espero que o senhor FoxTroop não me insulte novamente, como já me fez no tópico das presidencias, apenas por não partilhar das opiniões dele.

- Em relação á questão da Turquia, que é o único pais muçulmano com uma democracia real e consolidada, a verdade que aquilo se mantêm assim porque os extremistas islamicos são controlados e reprimidos fortemente por Erdogan e companhia.

- Islão e democracia não funcionam, a não ser às custas da repressão dos radicais islamicos, o perigo do Egipto é passar de uma ditadura, para uma democaracia frágil e dai para um Teocracia Islamica.

- A ver vamos.
"Sei muito bem o que quero e para onde vou."

Oliveira Salazar, em 27 de Abril de 1928.

http://www.oliveirasalazar.org/

Cumprimentos ao fórum.
 

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FoxTroop

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #42 em: Fevereiro 07, 2011, 12:20:31 am »
Sim, sim, eu é que fumo ou bebo ou o raio  :roll:

Diga-me lá a principal razão para esta revolta? O que é que a fez saltar para as ruas? Porque é que o Exército não a esmagou como era suposto aquando da ordem de retirada da policia das ruas e a entrada em cena do Exército? Porque raio é que a Irmandade Muçulmana está a assumir as negociações com o Governo?!!!!!

Meu caro, o Sr, já provou em muitas das suas intervenções neste fórum que sabe pensar e analisar por sí e considero-o uma pessoa bastante inteligente, por isso deixe de papaguear cartilhas ideológicas. Pode servir para muitos, mas aqui bate noutra porta, a não ser que tenha outros propósitos e aí......


Caro Lusitano Invicto, com esta disse tudo:

Citar
Em relação á questão da Turquia, que é o único pais muçulmano com uma democracia real e consolidada, a verdade que aquilo se mantêm assim porque os extremistas islamicos são controlados e reprimidos fortemente por Erdogan e companhia

PS: e que raio de medo é esse da minha pessoa?!!! Trauma é?!!! Freud explica  :D
 

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papatango

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #43 em: Fevereiro 07, 2011, 12:48:36 pm »
Citar
Diga-me lá a principal razão para esta revolta? O que é que a fez saltar para as ruas? Porque é que o Exército não a esmagou como era suposto aquando da ordem de retirada da policia das ruas e a entrada em cena do Exército? Porque raio é que a Irmandade Muçulmana está a assumir as negociações com o Governo?!!!!!

Razões da revolta ?

- Além da necessidade de liberdade que acaba por atingir toda a gente, a revolta tem a ver com a situação economica.
A crise afecta de facto todos os países, uns mais que outros, e a gestão dos assuntos do Estado, quando menos eficiente cria ainda mais problemas.

O exército não esmagou a revolta, porque não há um grupo específico de pessoas nessa revolta. Se ela fosse apenas uma revolta dos extremistas islâmicos seria bastante diferente concerteza.
Alám disso, o que explica a actual situação é também a personalidade de quem se senta na Casa Branca.
Se fosse o Bush, perguntava se quem estava na praça eram os bons ou os maus e se fossem os maus, perguntava para que serviam os tanques que os americanos fornecem ao Egipto.

A Irmandade Muçulmana não está a assumir coisa nenhuma. Apenas foi divulgada a intenção de ouvir os extremistas, no que é uma óbvia tentativa de os comprometer com a solução do problema, para no futuro evitar que eles ganhem mais força com o apoio dos muitos desiludidos que hoje ainda têm ilusões.

A somar a isto tudo, lembro a curiosa comparação que se pode fazer entre os países com regimes mais pro-ocidentais e os regimes islâmicos que mantiveram um cariz Socialista / Marxista.
Também foram anunciadas revoltas na Siria, mas ninguém se mexeu com medo dos camaradas do Partido Socialista Sirio.
Da Libia nem se fala. O Kadafi está à espreita com a policia secreta e com a menos secreta também.

Também se deveria falar nisso, mas aparentemente, os governos essas democracias socialistas de paredes de vidro e de amanhãs que cantam estão em completa sintonia com as massas populares que se exprimem colectivamente através das organizações locais do partido ...  :roll:  :roll:

Não é estranho ?
 

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Lusitano89

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Re: Revolta no Mundo Árabe
« Responder #44 em: Fevereiro 07, 2011, 07:08:59 pm »
O que é e o que vai fazer a Irmandade Muçulmana no Egipto?
Alexandre Reis Rodrigues
 

 
A Irmandade Muçulmana, que pode estar hoje bem mais perto de finalmente participar num futuro governo egípcio, tem uma história atribulada, com poucos anos de existência legal, no Egipto. Criada em 1928, como uma organização religiosa (da’wa) e um movimento social para prestar serviços de assistência, nunca seguiu o caminho linear e claro traçado inicialmente e que não previa actuar como um partido político.

Por mais do que uma vez enveredou por orientações não aprovadas pelo seu fundador (Hasan al-Banna), nomeadamente quando criou um “braço armado” secreto para lutar contra a ocupação estrangeira (do Reino Unido no Egipto e de Israel na Palestina) e mais tarde utilizou-o para assassinar um juiz que condenara um seu militante. Este último acto, em 1948, valeu-lhe a primeira ilegalização, ainda pelo regime monárquico, um ano antes de o seu fundador ser assassinado.

A segunda ilegalização veio em 1954, dois anos depois do golpe militar que derrubou a Monarquia (Free Officers Movement) quando um dos seus membros tentou assassinar Nasser, o líder da revolta, e este começou a vê-la como contrária à revolução levada a cabo pelos militares e decidida a impor a “sharia” no País. O facto de ter ajudado o Free Officers Movement a deitar abaixo a Monarquia de nada acabou por valer para a sua continuação como movimento autorizado.

Com Sadat, que sucedeu a Nasser em 1970, ganhou alguma liberdade de actuação como contrapartida da renúncia à violência que a organização fez por essa altura, mas não chegou a ser legalizada. Neste momento, encontra-se banida à luz da revisão constitucional de 2007 que não permite partidos com conotações ou bases religiosas.

A postura política e ideológica foi também evoluindo ao longo do tempo, mas a organização esteve sempre longe de ser um movimento monolítico, situação que permanece hoje e torna difícil a sua caracterização. Já na era ”Nasser” se verificavam duas correntes opostas, uma que defendia o radicalização, o jihadismo (liderada por Sayyid Qutb, um estranho que se tornou ideólogo e foi executado em 1966 sob a acusação de conspiração para derrubar o Governo), e a que optava por cautela (chefiada por Hasan al-Hudaybi).

Em 1984, contra o parecer de alguns dirigentes que receavam compromissos com outras forças políticas, a Irmandade começou a concorrer a eleições (sindicatos, Parlamento, etc.) inicialmente com os seus membros na qualidade de jovens parceiros dos Partidos legalizados e depois como independentes (nas eleições de 2005 obteve 88 lugares). Esta situação repercutiu-se internamente através de pressões internas para reformas, a partir de 1990, o que, mais tarde, em 1996, deu origem a divisões. É nesta altura que emana da organização o Central Party, cujos lideres depois, entre 2004 e 2005, ajudam a criar o “Movement for Change”, agora de algum modo renascido pelas movimentações de protesto na Praça Tahrir.

A diversidade interna parece ser sobretudo o resultado do confronto entre duas gerações: a dos jovens (reformistas) que pretendem ver a Irmandade evoluir para um movimento islamita moderado, eventualmente do género do Partido AKP da Turquia (Turkey’s Justice and Development Party que se encontra no poder) e a dos conservadores que não se mostram disponíveis para fazer concessões. Alguns analistas reconhecem uma tendência intermédia, a que se poderia dar o nome de “conservadores pragmáticos” e que inclui os membros com experiência parlamentar.

Não é claro, no entanto, com que flexibilidade - se alguma - estas facções encaram a posição tradicional de recusa de apoio ao Acordo de Paz que o Egipto fez com Israel em 1975, em Camp David. Muito embora, no seu conjunto, a Irmandade Muçulmana procure seguir uma estratégia que permita a sua participação no processo político de abertura em que se espera o Egipto possa agora entrar e pareça prevalecer a corrente pragmática, os mais conhecedores do seu funcionamento apontam ambiguidades e falta de transparência.

Só duas coisas parecem claras de momento, segundo as declarações mais recentes dos seus líderes: se chegarem ao poder farão um referendo sobre os Acordos de Paz e não negociarão com o Governo enquanto Mubarak não se retirar da cena política. Vejamos estas duas eventualidades.

A hipótese de um referendo não se põe no curto prazo por dois motivos. Em primeiro lugar, porque as Forças Armadas, muito dependentes da assistência dos EUA, não o permitiriam. Em segundo lugar, porque a hipótese de chegarem ao poder em condições de impor essa decisão é remota; a sua base de apoio, presentemente à volta de 20% e em declínio (The Economist, 5 February 2011), é insuficiente para subirem isoladamente ao poder, objectivo que, aliás, a actual liderança recusa. Mal grado o elevado número de membros (300.000) e a influente rede de instituições que gere um pouco por todo o País (hospitais, escolas, bancos, negócios, fundações, etc.) a Irmandade Muçulmana está longe de ser consensual e de ser capaz de se ocupar sozinha, sem a concorrência de outras organizações, dos assuntos religiosos. Em qualquer caso, com ou sem referendo à vista sobre o Acordo de Paz com Israel, o tempo do Egipto como aliado fiel dos EUA já pertence à história.

A recusa de negociar antes que Mubarak se demita pode ser, de momento, um dos principais obstáculos à procura de um entendimento para saída da crise. O Presidente, para já, mostra-se determinado em ficar («I am a military man and it is not my nature to abandon my duties»), no que pode estar a ser ajudado pela evolução da situação, com os manifestantes a começar a dar sinais de cansaço, como aliás Mubarak previa. Mas a qualquer momento a situação pode mudar; não é possível prever. O que parece incontornável, em qualquer caso, é que como dizia Ed Husain, do Council on Foreign Relations, sem a participação da Irmandade Muçulmana não haverá legitimidade no que quer que aconteça daqui para a frente no Egipto.
 
Jornal Defesa
 

 

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