Somália

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Re: Somália
« Responder #30 em: Agosto 30, 2010, 07:17:48 pm »
Presidente somali apela a apoio internacional de emergência


O Presidente somali, Sharif Cheikh Ahmed, apelou esta segunda-feira à comunidade internacional um apoio «de emergência» ao governo federal de transição (TFG), cada vez mais ameaçado após uma recente ofensiva dos rebeldes islamitas «shebab» a Mogadíscio.

«Apesar dos parcos recursos, as forças de segurança do TFG defenderam com bravura as instalações públicas estratégicas» na capital e estão «determinadas a vencer os shebab», afirma um comunicado da presidência somali.

A declaração ocorre após uma semana de violentos combates em Mogadíscio, onde os «shebab», que controlam a maior parte da cidade, lançaram uma grande ofensiva contras as forças governamentais e a força da União Africana, a Amisom. «O terrorismo tornou-se numa ameaça sem fronteiras, o governo somali renova o seu apelo de emergência para um apoio internacional», declarou o presidente Sharif, citado no comunicado.

Desde o início da sua ofensiva visando «eliminar os apóstatas», a 23 de Agosto, os «shebab» progrediram em direção ao Parlamento, perto da Presidência, Villa Somália. Ameaçam agora cortar uma avenida estratégica, que liga o aeroporto, o porto e a Presidência, ainda sob controlo da Amisom e do TFG.

No domingo à noite, iniciaram-se novos combates perto daquela via, no sul de Mogadíscio, que já causaram seis mortos e 16 feridos.

Defendido pelos seis mil soldados ugandeses e burundis da Amisom, o governo somali apenas controla alguns bairros da cidade à beira mar.

Os «shebab», que se dizem seguidores da Al-Qaeda, controlam igualmente quase todo o centro-sul da Somália.

Lusa
 

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Re: Somália
« Responder #31 em: Outubro 22, 2010, 12:20:20 pm »
União Africana pede bloqueio aéreo e naval da Somália


A União Africana (UA) pediu ao Conselho de Segurança da ONU que apoie um bloqueio aéreo e naval na Somália.

Segundo Ramtane Lamamra, comissário da UA para a paz e a segurança, o bloqueio impediria a pirataria na costa somali e paralisaria o fornecimento de armas aos grupos insurrectos que combatem o frágil governo do país.

Lamamra também defendeu um aumento de 8.000 para 20 mil no número de soldados estrangeiros na Somália.

O governo somali, que com o apoio da UA controla apenas alguns quarteirões da capital Mogadíscio, não tem conseguido travar a expansão do grupo insurrecto islâmico Al Shabab, ligado à Al Qaeda.

«A União Africana teme que a falta de segurança na Somália contamine a região», disse Lamamra ao Conselho de Segurança da ONU.

Segundo a BBC, Lamamra exortou a ONU a manter bem equipados os soldados estrangeiros em missão no país.

Menos de 8.000 militares foram enviados para a Somália, muitos dos quais são mal pagos e operam com equipamento inadequado.

O presidente do conselho, Ruhakana Rugunda, disse que os pedidos eram «legítimos», mas que precisavam de ser avaliados. Rugunda é o embaixador de Uganda na ONU, um dos países que comandam a missão da UA na Somália.

Segundo Plett, o Uganda tem pressionado pelo aumento da força estrangeira no país. No entanto, países como a França e o Reino Unido têm manifestado reservas quanto ao financiamento de missões sobre as quais o conselho teria controlo limitado.

Em Julho, o Al Shabab assumiu a autoria de dois atentados em Campala, capital de Uganda, em que 74 pessoas morreram.

A Somália carece de um governo efectivo há duas décadas.

Lusa
 

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Re: Somália
« Responder #32 em: Novembro 09, 2010, 07:32:54 pm »
Somália: um quebra-cabeças para a construção de uma nova ordem mundial no século XXI - Parte I
Carlos Manuel Valentim, Miguel Monteiro de Barros e Pedro Barge Cunha


Somália - uma caracterização geral


Introdução


A Somália é um Estado colapsado, mas nem sempre assim foi. Este trabalho analisa o processo que levou a que tal acontecesse: qual o momento chave em que se pode afirmar que houve um antes e um depois, quais os factores que terão estado na desagregação do Estado e que o impedem de se recompor.

Não há respostas fáceis. Sendo a História um processo contínuo, muitas das raízes dos problemas são profundas e obrigam a recuar no tempo para se poder entender como se desenrolaram todos os processos e porque evoluíram de uma determinada maneira e não de outra. Aparentemente, a Somália teria as condições necessárias para possuir um Estado estável e para constituir uma nação. Repare-se: possui uma base etno-linguística homogénea, não existem minorias significativas, os seus habitantes partilham uma cultura comum, africano-árabe e muçulmana. Mas, na realidade é um país sem coesão, profundamente dividido em linhagens de clãs e sub-clãs, cujos líderes competem entre si pelos recursos disponíveis; retalhado em diversas regiões, na prática independentes entre si. É um Estado-Nação que existe apenas nos mapas.

Sem problematizarmos aqui a questão - o que se forma primeiro, o Estado ou a Nação, quando analisamos este país, inferimos de que possui muitos dos requisitos que, pelo menos na perspectiva dos pensadores ocidentais, estão na base da constituição das nações. Então porque não existem na Somália, Estado e Nação? Uma das razões, porventura a mais forte, será o facto de, nesta zona do mundo, de fronteira entre o Saara e a África verde, as populações, por via das condições climáticas adversas serem, tradicionalmente, semi-nómadas e criadoras de gado. Este estilo de vida potencia a manutenção de estruturas tribais, em que os laços de sangue têm primazia sobre quaisquer outros. Torna-se, pois, difícil incorporar valores como os de bem comum (num sentido mais alargado, “nacional”), já que esses valores, apesar de existirem, vivem confinados ao grupo humano com o qual se partilha o sangue.

Por outro lado, não podemos ocultar o papel e as imposições do colonialismo europeu que se aproveita das divisões da sociedade somali. Toda esta região vai sofrer as vagas de vários colonialismos: inglês, francês, alemão, italiano, em pouco mais de um século. A essas formas de domínio convém-lhes a ver representada a sociedade somali dividida em clãs, o que é muito cómodo para invasor, pois tem em vista a dominação e o controlo social. Em suma, aplica-se aqui a velha máxima de “dividir para reinar”.

Assim, e apesar de um Estado somali ter existido de forma mais ou menos funcional desde a independência até à queda de Siad Barre em 1991, a verdade é que, também esse Estado carregava no seu interior estas características, mascaradas então pela contingências da Guerra-Fria.

Quando analisamos fenómenos mais recentes, que colocaram a Somália no centro das atenções mundiais, como é o caso da pirataria, constatamos que, também aí, estas características culturais continuam bem vincadas – a estrutura organizativa dos grupos de piratas insere-se numa lógica tribal, e esta lógica impede (e vai continuar a impedir) que o Estado se recomponha. A sublinhar esta realidade temos o exemplo da Puntlândia, onde uma “espécie” de Proto-Estado, controlado por um dos clãs aí maioritários, que se dedica à pirataria, conseguiu estabelecer uma certa ordem, coisa que o governo “central” em Mogadíscio não consegue!

Para ultrapassar esta situação não há respostas fáceis ou rápidas. Só o desenvolvimento económico conseguirá quebrar esta lógica tribal e alargar as redes de solidariedade e de sentimento de pertença a outros grupos que não apenas os que se baseiam nos laços de sangue. Tal levará anos e, se esse desenvolvimento económico não for sustentado em actividades produtivas geradoras de mudanças não apenas económicas mas também mentais, assistiremos, provavelmente, à criação de mais um Estado petrolífero, onde as questões tribais não desaparecerão, estarão apenas mascaradas pelo poder do dinheiro.


1. Caracterização geográfica


637.657 km quadrados, 2.800 km de costa, bordejada por recifes de coral. A oeste, limitada pelos planaltos etiópicos de Haud e de Ogaden, que penetram em território somali. Excluindo as montanhas a norte, com uma altitude máxima de 2660 metros, o país é constituído por um vasto planalto semi-árido, inclinado na direcção do oceano Índico. Possui dois rios com algum significado, ambos originários dos planaltos da Etiópia (o Juba e o Shebelle). Nas margens destes rios encontra-se a única vegetação permanente do país. Considerando a importância que a água assume numa região semi-árida, esta geográfica física torna ainda mais delicadas as relações entre os dois países, colocando a Somália numa situação de dependência relativamente ao país fronteiriço com o qual, historicamente, possui mais diferendos.

Clima – duas estações: a monção de Novembro traz com ela um vento quente e poeirento de nordeste. A monção de Junho traz a frescura do sudoeste. Os máximos de calor e humidade situam-se nos períodos de acalmia do Tangambili (“entre dois ventos” em swahili).

Grandes centros urbanos: Mogadíscio, Chisimaio, Merca, Hargeisa, Berbera.

2. População

Maioritariamente de origem Cuchitica e muçulmana. Aparentada, do ponto de vista étnico e linguístico com outros ocupantes do Corno de África (na sua maioria residentes na Etiópia). A população é homogénea ao nível étnico, religioso e cultural: eis uma excepção na África pós-colonial. Coexistem diversos dialectos. Esta homogeneidade é, todavia, enganadora, pois encontra-se fracturada pelo tribalismo. Cerca de 70% dos habitantes dedica-se à pastorícia de carácter nómada. Os rendimentos são precários, o que não surpreende ao verificarmos as condições climáticas prevalecentes.

Segundo a lenda, os somalis descenderiam de dois nobres árabes, aparentados com o profeta Maomé, e que teriam originado os 6 clãs ou tribos (Darod, Isaq, Dir, Hawiye, Rahanwein e Digil) que constituem a população somali. É a pertença ao clã que continua a definir, em grande parte, o indivíduo somali e a sua importância social e política. Há uma forte clivagem entre os dois sexos, típica de sociedades nómadas ou semi-nómadas. Há tarefas que os homens consideram indignas, como a agricultura, a caça, e quase todas as ocupações manuais. Tradicionalmente, as suas ocupações eram (e permanecem) a guerra, cuidar dos camelos, estudar religião e a poesia. As mulheres dedicam-se às tarefas “domésticas” (montagem e desmontagem das tendas, cuidar do gado ovino e caprino, etc.). As ocupações manuais eram (são) levadas a cabo por grupos étnicos distintos (geralmente bantos) da população maioritária. Os camelos são símbolo de riqueza, forma de pagamento de uma esposa ou de compensação pelo assassinato de um membro de um outro clã. Para além da sua importância como sinais de posicionamento social, possuem alguma importância económica – produzem carne e leite mas nunca são montados, excepto por doentes ou feridos.

3. Contexto histórico

3.1. Esboço


A Somália, situada num cruzamento de influências entre a África negra e o mundo muçulmano, possui um carácter que se pode denominar árabe por via da religião, dos laços culturais e comerciais. Simultaneamente, a sua geografia física e humana, a recente história colonial e certas características económicas (a preponderância da pastorícia e de uma agricultura de subsistência), ligam-na à África negra. Esta filiação dupla originou uma cultura própria, que gera conflitos com os seus vizinhos (Etiópia e Quénia), por causa das populações somalis muçulmanas que vivem nestes dois países.

No caso da Etiópia, esse conflito assumiu características militares, no caso do Quénia, os diferendos foram resolvidos na vertente negocial. Se a relação conflituosa que a Somália mantém com outras potências da zona se deve ao facto de ser um país de fronteira entre religiões e civilizações – a cristã, a muçulmana e a africana, já os conflitos internos têm raízes geo-históricas – referimo-nos aqui à já mencionada falta de água, da qual dependem as pastagens, essenciais na economia somali. Esta situação é agravada pela pulverização da população em clãs ou tribos, o que dificulta a percepção de pertença a uma nação, cujos objectivos comuns não são considerados importantes para uma significativa parte dos somalis. A base de sustentação da lealdade continua a ser os laços de sangue e não a “nacionalidade”, conceito importado tardiamente do Ocidente.

A situação acima descrita ajuda a entender a participação de populações somalis na pirataria no Corno de África, questão por nós desenvolvida mais adiante.

3.2. Da Idade Média ao período colonial


Verificou-se uma constante expansão somali na direcção sul e oeste, à custa da Etiópia e dos povos bantos e galla. Os primeiros foram reduzidos à escravatura até à abolição desta, mas são, socialmente, considerados uma casta inferior, muito devido ao facto de se dedicarem à agricultura. Os galla foram, em grande parte, assimilados. Ao mesmo tempo que esta expansão interior ocorria, mercadores árabes e persas instalavam-se nas zonas costeiras, fundando as cidades de Mogadíscio, Zeila, Berbera, Merca e Brava, criando um lucrativo comércio entre as costas somalis e a península arábica e fortalecendo os laços religiosos com o mundo islâmico. No século XVI as costas somalis foram atacadas diversas vezes pelos portugueses. Aliás, dado o fracasso na conquista do Aden, em 1513, por forças lideradas por Afonso de Albuquerque – o objectivo era controlar as entradas e saídas do Mar Vermelho – Portugal estabelece um ponto de vigilância nas ilhas de Socotorá, no Golfo de Aden. No século XVII tornaram-se domínios do imã de Mascate.

No século XIX a Somália foi partilhada – no norte instalou-se o poder egípcio e, no sul, estabeleceu-se o poder do sultão de Zanzibar. No século XIX, após a abertura do canal do Suez, a França e a Inglaterra instalaram aí protectorados e a Itália uma colónia. Quando estas conquistas ocorreram, o imperador da Etiópia (Menelik II) estendeu as fronteiras etíopes, invocando a segurança do seu território. Os tratados estabelecidos nesta época determinaram, após a II Guerra Mundial, a concessão de Ogaden e de Haud à Etiópia, apesar dos protestos somalis.

No fim da II Guerra Mundial, a Assembleia Geral da ONU decidiu que a Itália continuaria a administrar a Somália, durante dez anos, e até à independência, em conjunto com um Conselho Consultivo (composto pela Colômbia, pelo Egipto e pelas Filipinas). Em 1960 a Inglaterra concedeu a independência ao seu protectorado. O Estado da Somalilândia durou cinco dias, quando se deu a união, previamente acordada, com a antiga colónia italiana (denominada Somália do Sul), surgindo, a 1 de Julho de 1960, a República da Somália, com um regime parlamentar, pluripartidário e com sufrágio universal. Nos cinco anos a seguir à II Guerra Mundial, com o auxílio das Nações Unidas, procedeu-se à fusão dos dois estados e das respectivas administrações (de influência inglesa e italiana). A questão da escrita (que não existia para a língua somali), originou conflitos. Até 1972, ano em que se adoptaram a escrita latina e o somali como língua oficial, os documentos oficiais eram redigidos em inglês, árabe e italiano.

3.3. O período pós-independência


No período compreendido entre a independência e 1969 tiveram lugar três eleições gerais. Desde o início do novo sistema que a formação dos partidos esteve ligada a ambições tribais, regionais e pessoais, o que originou várias lutas pelo poder, colocando-se desde o início a questão de se, apesar da unidade étnica, religiosa e cultural, a Somália pode ser considerada uma verdadeira nação.

Nestes dez anos a Somália integrou-se em algumas das organizações pan-africanas, nomeadamente na convenção de Yaoundé (mercado comum criado entre 19 países).

3.4. A Guerra-Fria

Durante a Guerra Fria, a posição estratégica do Corno de África tornou-o um lugar de conflito entre as duas superpotências. Em 1969, após um golpe de Estado com características tribais, o país adoptou o socialismo como forma de governo, estreitando os laços económicos e militares com o bloco de Leste. O novo presidente, Siyad Barre, propunha, no seu programa de governo, combater o tribalismo, o analfabetismo, o nepotismo e a corrupção e assegurar a democracia e a justiça, no fundo criar as bases de uma nação e de um Estado. A República da Somália passou a designar-se República Democrática da Somália. Seguiram-se as nacionalizações, incluindo das propriedades agrícolas. Tratava-se de um regime comunista de características especiais, já que nunca se pôs a questão de laicizar o Estado, que permaneceu muito ligado ao Islão, de resto como aconteceu noutros regimes de tendências marxistas instalados em países muçulmanos.

Em 1977 as relações com a URSS esfriaram, quando esta última apoiou o regime (também comunista) de Addis Abeba, contra a tentativa somali de anexação do planalto de Ogaden (o exército somali chega a ameaçar a cidade de Addis Abeba). A URSS e Cuba enviam homens e armas para a Etiópia a partir de Aden. A Somália aceita então uma substancial ajuda financeira saudita, que exigia, como contrapartida, uma ruptura completa dos laços com a URSS. A verdade é que esta ajuda (que incluiu ainda alguma ajuda ocidental, iraquiana e persa), se revelou mais limitada que o esperado, comparativamente à ajuda fornecida pela URSS e por Cuba ao regime de Addis Abeba. A ajuda ocidental foi dúbia – por um lado apoiou a Somália com a garantia de que protegeriam as suas fronteiras em caso de um ataque etíope-soviético. Por outro, para não hostilizar a OUA, os países europeus e os EUA criticavam oficialmente a Somália e a sua agressão à soberania etíope.

3.5. A Aproximação ao Ocidente


Após esta ruptura, a Somália aproximou-se do Ocidente (enquanto Adis Abeba permaneceu próxima da URSS), e a sua pertença à Liga Árabe levou-a a aproximar-se dos estados árabes moderados. Os somalis perderam esta guerra, tendo a derrota, como consequência imediata, um golpe de Estado fomentado pelos militares em Abril de 1979. Foram convocadas eleições. Nada de estrutural mudou porque o presidente continuou a ser o chefe incontestado (juntamente com o seu clã, dominavam a vida política somali).

4. O Tempo Presente

4.1. A crise económica e social


A guerra de Ogaden, o afluxo de refugiados somalis após este conflito e uma seca sem precedentes originaram uma crise económica grave, fazendo com que o país não consiga sobreviver sem ajuda exterior. A partir de 1978 a Somália foi palco de várias tentativas de golpes de Estado, fazendo com que o regime apenas sobreviva graças a forças policiais que protegem o seu “núcleo duro”. Verificou-se um recrudescimento da oposição desde o bombardeamento efectuado por forças governamentais em Hargeisa (Junho de 1988). Em 1990 a capital sublevou-se contra o presidente Siad Barre. De Novembro de 1991 a Março de 1992 verificaram-se confrontos violentos entre os apoiantes do presidente e os seus opositores. Quando o exército somali, apoiante do presidente deposto foi desmantelado, em Janeiro de 1991, foram abandonadas cerca de 40.000 armas: uma poderosa “matéria-prima” para os conflitos futuros.

Nesta altura, a ONU interveio de novo no país por causa de uma violenta seca. Uma operação militar-humanitária de enorme envergadura, denominada Restauração da Esperança, dirigida pelos EUA, foi efectuada para tentar minorar esta situação catastrófica. Apesar de a operação ter conseguido travar a fome, não propôs nenhuma estratégia política de regulação do conflito. As fraquezas e hesitações dos responsáveis pela operação, aliadas à situação política caótica, culminaram no assassinato de centenas de somalis, de cerca de 20 soldados americanos e de capacetes azuis da ONU. Os EUA abandonaram a Somália, colocando as Nações Unidas numa situação insustentável. Quando esta missão terminou, em 1994, foi considerada como tendo sido um dos maiores fracassos de manutenção da paz da ONU.

Em Maio de 1991, a Somalilândia declarou a secessão, criando-se um novo Estado na zona. A situação de enorme instabilidade política e social manteve-se.

4.2. Que desenvolvimento?


Esforço de guerra, seca, afluxo de refugiados da guerra de Ogaden e erros de gestão, contribuíram para a actual situação etíope, cujo PIB per capita é um dos mais baixos do mundo. A população cresceu a um ritmo considerável (3,5 milhões em 1975, contra mais de 7,5 milhões em 2001, aos quais se acrescentaram 1,5 milhões de refugiados), sendo que a produção, em todos os sectores, ou baixou ou estagnou. Logo após a independência verificou-se algum progresso, em grande parte sustentado pela ajuda internacional, tendo sido construídas diversas infraestruturas, nomeadamente estradas, portos, escolas e hospitais.

A tomada do poder pelo exército, em 1969, levou à adopção de uma economia de tipo socialista, pouco eficiente, que privilegiou o sector estatal. As secas periódicas constituem um problema estrutural, que a Somália espera ver resolvido em breve, com a construção da barragem de Bardera, no rio Juba, destinada a produzir electricidade e para irrigação de cerca de 200.000 hectares de solo (o Banco Mundial opõe-se à sua construção, devido aos custos elevados, mas espera-se que a obra seja realizada por um consórcio euro-árabe).

A questão do desenvolvimento económico da Somália passa também pelo facto de uma parte substancial da sua população ser nómada, sendo estes grupos humanos particularmente afectados pelas secas. Esta forma de vida dificulta, também, a aplicação das ajudas no terreno. Daí que, após as secas de 1974-1976, o governo tenha promovido a sedentarização através da criação de cooperativas de agricultores e de pescadores no sul do país. Estas cooperativas, após um sucesso inicial, esbarraram na falta de meios financeiros. A falta de capitais é, de resto, um dos principais entraves ao desenvolvimento económico do país. A dívida externa é enorme, tendo obrigado o país a pedir reescalonamentos da dívida em 1985 e 1987, e a aceitar as medidas draconianas de contenção da despesa impostas pelo FMI.

II. Reconstruir a Somália - uma tarefa hercúlea

1. Tentativas de reconciliação

A partir da queda do general Siad Barre, em 1991, a Somália passou a ser um Estado colapsado. Desde então, as tentativas para reconstruir um Estado fiável falharam. As pressões criadas pelos constantes conflitos tribais, e a interferência estrangeira, nomeadamente da Etiópia e da Eritreia, justificam a falência das tentativas.

Em Maio de 1991, a Somalilândia (noroeste da Somália) declarou-se independente e, em 1998, a Puntlândia tornou-se autónoma. O sul somali manteve-se dividido por influências tribais e religiosas. Desta forma, e de como resto já verificámos, a Somália é um “país” fragmentado.

A guerra civil verificada nos anos 90 provocou uma grave crise humanitária, levando à intervenção das Nações Unidas e, particularmente, dos EUA. Em 1995, verificou-se a retirada das tropas estrangeiras “com a sua missão por cumprir”.

Em Arta, Djibuti, teve lugar uma conferência de reconciliação, onde ficou estabelecido o Transitional National Government (TNG), em Agosto de 2000. O TNG não conseguiu exercer autoridade para além da capital, Mogadíscio, direccionando a sua atenção para a procura de reconhecimento e apoio internacional, deixando para segundo plano a procura de apoio intra-fronteiriço.

Neste contexto, a pedido do Egipto e de Djibuti, a Liga Árabe apoiou o TNG. A Etiópia, alarmada com as ligações do TNG a militantes islâmicos, tornou-se hostil e apoiou o Somali Restoration and Reconciliation Council (SRRC) – coligação rival do TNG.

O dinamismo político definia-se pela polarização entre o TNG e o SRRC. A Etiópia era a força que apoiava o SRRC, providenciando material militar e apoio logístico, embora a uma escala menor, quando comparado com o apoio dado pelos Estados árabes ao TNG. Estes Estados, ao fornecerem armas e munições estavam a violar o embargo de longa data estabelecido pelas Nações Unidas.

Assim sendo, a conferência de Arta falhou na tentativa de formar um governo funcional na Somália. Em Janeiro de 2002, numa cimeira da Inter-Governmental Authority on Development (IGAD) em Cartum, no Sudão, verificou-se a necessidade de uma nova conferência de paz para a Somália. Com a Etiópia e o Djibuti a apoiar diferentes facções somalis, coube ao Quénia dirigir as conversações.

A escolha foi Eldoret. A conferência iniciou-se a 15 de Outubro de 2002, tendo, duas semanas depois, atingido um dos seus principais objectivos – a assinatura, a 27 de Outubro, da Declaration on Cessation of Hostilities and the Structures and Principles of the Somali National Reconciliation Process. Do conteúdo da declaração constava o cessar das hostilidades; um acordo estabelecido numa nova carta federal ou constituição; a criação de estruturas abrangentes, representativas e descentralizadas de governo federal, aceitáveis para todos os partidos; a implementação do embargo de armas da ONU; o combate ao terrorismo; o convite à comunidade internacional para monitorizar a implementação dos acordos; o garante da segurança dos responsáveis pela ajuda humanitária.

Apesar da conferência parecer promissora, o resultado não foi o que se esperava. Dias depois da assinatura da declaração, irromperam combates em Mogadíscio entre facções rivais. Todavia, o problema central da conferência foi a falta de concordância entre os países do IGAD. “Os estados do IGAD estão divididos. Se eles não se conseguem reconciliar entre si, não conseguirão reconciliar outros,” afirmou Hassan Abshir, primeiro-ministro do TNG em funções durante a conferência.

Os diplomatas ocidentais presentes em Eldoret afirmaram que a Etiópia e o Egipto (este não faz parte do IGAD) deram a entender que estavam preparados para novos combates caso as conversações falhassem. Segundo Abdirizak Hussein, antigo primeiro-ministro – “Esta conferência está a ser manipulada por interesses externos. O sentimento geral é que a conferência está a ser completamente dominada pela Etiópia”.

A 2 de Dezembro de 2002, foi assinada uma declaração, pelas diversas facções de Mogadíscio (incluindo o TNG), que previa o cessar das hostilidades e a junção de forças no sentido de restabelecer a segurança na capital. No entanto, esta declaração assemelhou-se mais a uma coligação anti-Etiópia do que a um genuíno acordo de paz. Mesmo após estas conversações, a Somália continuava volátil e fragmentada.

Em 2004, com o objectivo de reconciliar o SRRC e o TNG, foram lançadas conversações, lideradas pelo IGAD, no Quénia. Addis Abeba, entre 2001 e 2004, ofereceu apoio político e militar ao SRRC no sentido de enfraquecer, ou mesmo substituir, o TNG. A influência da Etiópia no IGAD foi fundamental para a criação do novo governo, o Transitional Federal Government (TFG) – que vigora actualmente, e é a autoridade estatal reconhecida internacionalmente.

2. Missões na Somália - da teoria à prática

2.1 Conceito teórico


O conceito de peacebuilding não é muito preciso, apresentando diferentes concepções, que variam consoante a perspectiva dos autores. Baseando-nos na abordagem do extinto Instituto de Altos Estudos Militares, peacebuilding é “o conjunto de medidas levadas a cabo no seguimento da resolução de um conflito, destinadas a identificar e fortalecer estruturas adequadas ao reforço e consolidação do processo político, a fim de evitar o retorno das hostilidades. Assume a forma de projectos de cooperação, que contribuam para o desenvolvimento económico e social e para aumentar a confiança, sendo elemento fundamental para a preservação da paz e podendo requerer, quer o envolvimento civil, quer o militar”.

O conceito de peacebuilding alberga um conjunto de medidas que correspondem ao processo de reconstrução de Estados. Estas medidas incluem, segundo Boutros-Ghali, “desarmamento, a restauração da ordem, a destruição de armamento, repatriamento de refugiados, treino das forças de segurança, monitorização de eleições, protecção dos direitos humanos, a reforma das instituições e a promoção da participação política (…) a reconstrução das instituições e das infra-estruturas das nações devastadas por conflitos”. A reconstrução de Estados tem assim dois objectivos subjacentes: o fim da violência armada e a satisfação das necessidades básicas da população.

Podemos analisar o conceito segundo a óptica do seu objectivo, meios, dimensão temporal, actores e organização. Desta forma, e segundo Haugerudbraaten, identificamos duas concepções:

Concepção 1:

a. Objectivo: Promover a boa governação e os mecanismos de resolução dos conflitos.

b. Meios: Essencialmente intervenção política

c. Tempo: Curto prazo

d. Actores: Comunidade Internacional

e. Organização: centralizada nas NU, maior ênfase na coordenação do que na diversidade.

Concepção 2:

a. Dedicada às raízes profundas dos conflitos

b. Intervenção mais abrangente nas esferas política, económica, de segurança e humanitária.

c. Longo prazo.

d. Actores nacionais.

e. Participação de vários actores, maior ênfase na diversidade do que na coordenação.

(Fonte: José Amaral Lopes, «A reconstrução de estados em África. A CPLP e a sua capacidade de intervenção no domínio do “statebuilding”. Desafios e oportunidades para Portugal».)

Jornal Defesa
« Última modificação: Novembro 09, 2010, 07:55:01 pm por Lusitano89 »
 

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Re: Somália
« Responder #33 em: Novembro 09, 2010, 07:53:05 pm »
Somália: um quebra-cabeças para a construção de uma nova ordem mundial no século XXI - Parte II[/b]
Carlos Manuel Valentim, Miguel Monteiro de Barros e Pedro Barge Cunha


Fukuyama reconhece três fases distintas no processo de reconstrução de Estados, relativos a três cenários desiguais: “1) A reconstrução pós-bélica, aplicada a países recentemente saídos de conflitos violentos, em que a autoridade do Estado ruiu por completo e precisa de ser reconstruída a partir dos seus alicerces; 2) A reconstrução do Estado que embora fragilizado, tem um mínimo de estabilidade. Neste caso o objectivo principal passa pela criação de instituições do Estado auto-sustentadas, suficientemente fortes para resistir à retirada da intervenção externa; 3) Por último, o fortalecimento de Estados fracos mas detentores de alguma estabilidade, cujo défice se encontra centrado em algumas funções específicas.”

Outra abordagem é a das Nações Unidas, que “assenta (…) em quatro pilares, a saber: 1) dimensão militar; 2) dimensão político-constitucional; 3) dimensão económico-social; 4) dimensão psicossocial.”

2.2 As operações da ONU

A 24 de Abril de 1992, as Nações Unidas aprovaram a resolução 751, iniciando a United Nations Operation in Somalia (UNOSOM). Consequentemente, o Secretário-Geral revelou o 90-day Plan of Action for Emergency Humanitarian Assistance to Somalia e nomeou Mohammed Sahnoun, diplomata argelino, como seu Representante Especial. Quando Sahnoun chegou à Somália, reportou que os trabalhadores da ajuda humanitária e seus depósitos se tinham tornado nos principais alvos do crime organizado. Como forma de minimizar esta tendência, o diplomata lançou o programa Food-for-Arms que previa a entrega de, pelo menos, cinquenta mil toneladas de alimentos por mês, durante os 90 dias do plano de emergência. Verificaram-se falhas logísticas e problemas na distribuição, o que aumentou, ainda mais, o nível de violência.

Sahnoun sabia que os clãs constituem o cerne da sociedade somali. Neste sentido, tentou que o sistema tribal trabalhasse a favor da Somália, numa estratégia de Bottom-up. O apoio tribal era importante pois, desta forma, se poderia enfraquecer o poder dos senhores da guerra e obter acordos que permitissem a actuação da ajuda humanitária. O problema desta estratégia era o consumo de tempo.

Em Agosto de 1992, o Secretário-Geral da ONU informou que seriam enviados para Mogadíscio 500 capacetes azuis como parte integrante da UNOSOM. Esta medida obrigou Sahnoun a complicadas negociações. Ainda estes militares não tinham chegado à Somália, e em Nova York já se anunciava o envio de mais 3.800 homens. Esta atitude foi um ponto de ruptura. Esta declaração foi feita sem a consulta prévia da delegação da UNOSOM em Mogadíscio, dos países vizinhos e, pior de tudo, sem consultar os líderes somalis. Segundo Robert Patman, Shanoun e Aideed acordaram a chegada de 500 peacekeepers. No acordo, o diplomata argelino declarou que qualquer aumento da força teria de ter o conhecimento e consentimento de Aideed. Depois das declarações feitas em Nova York, o general passou a ver os militares da ONU como adversários. Esta situação retirou credibilidade à ONU e capacidade de negociação. A 27 de Outubro de 1992, Shanoun resignou e foi sucedido por Ismat Kittani, diplomata iraquiano. Verificou-se a necessidade de reavaliar a estratégia.

Para as Nações Unidas, a crise somali era de carácter “complexo e extraordinário” exigindo uma “imediata e excepcional resposta”. Segundo o Conselho de Segurança, “a magnitude da crise humanitária causada pelo conflito, intensificada pelos obstáculos à distribuição de ajuda, constitui uma ameaça à paz e segurança internacionais.” Neste contexto, o Conselho de Segurança adoptou, em Dezembro de 1992, a Resolução 794, autorizando uma força de coligação, liderada pelos EUA, a actuar na Somália com vista a assegurar um ambiente propício à distribuição da ajuda humanitária. Assim surgiu a Operação Restauração da Esperança que seria dirigida por uma Unified Task Force (UNITAF), sob o comando do general americano Robert Johnston.

Por definição, a UNITAF era uma operação non-blue helmeted. Ou seja, tratava-se de uma operação autorizada, ou pedida, pelo Conselho de Segurança em que os Estados, voluntariamente, entrariam em acção com o objectivo de manter a paz e a segurança internacional. A operação tinha como objectivos garantir a segurança dos portos, aeroportos e pontos de distribuição de comida; providenciar segurança aos comboios de ajuda humanitária; assistir as agências da ONU e às ONG, na distribuição de alimentos. Para estabelecer a segurança, promoveu-se um programa de desarmamento voluntário que, em troca, oferecia recompensas materiais e instrução para a vida civil. Para assistir e proteger as organizações de ajuda humanitária, era necessário providenciar escoltas militares, com vista a proteger os indivíduos e os abastecimentos, colocando um fim à contratação de “seguranças somalis”. Nesta estratégia também se verificaram esforços para restabelecer alguma lei e ordem, encorajando a criação de uma autoridade política local, assim como forças policiais.

Por razões domésticas, o presidente Bush não desejava que a operação na Somália se alongasse por muito tempo. Este foi um dos problemas da operação. Uma semana depois do início, Washington declarou a missão como um sucesso e começou a pressionar as Nações Unidas para empregar capacetes azuis substituindo a UNITAF. A administração Bush e a ONU entraram em desacordo. Para as Nações Unidas, o plano de desarmamento era prioritário e devia ser cumprido pela UNITAF, antes da transição para o comando da ONU. Para executar um programa de desarmamento era necessário prolongar a estadia na Somália, e os americanos não estavam dispostos a isso.

A ONOSOM II foi uma missão de peace enforcement, envolvendo assistência humanitária e combate activo. Segundo declarações de Boutros-Ghali, Secretário-Geral da ONU, “Desarmar as facções e colocar o seu armamento pesado sobre controlo internacional, para destruição ou relocação das armas num futuro exército nacional, é (…) a tarefa mais urgente da UNOSOM II.” O plano de desarmamento, segundo J. W. Potgieter, estava organizado em três fases. Inicialmente, os milicianos e as armas seriam agrupados em áreas de agrupamento de facções, de onde seriam deslocados para zonas de acantonamento. O armamento pesado seria entregue, registado, separado da milícia e inspeccionado. As armas operacionais seriam guardadas para um futuro exército somali, as armas em más condições seriam destruídas no local. Nesta fase, a milícia ficaria na posse de armas ligeiras por razões de segurança. Depois do prazo limite (Março de 1993), a milícia acantonada seria deslocada para zonas de transição, com as armas ligeiras. Aqui, estas armas seriam entregues e passavam pelo mesmo processo das armas pesadas. Os milicianos seriam preparados em duas vertentes, ou eram treinados para integrar um futuro exército somali ou recebiam instrução para a vida civil.

Este plano não chegou a ser concretizado porque não se conseguiram alcançar acordos com os beligerantes, nem estes honravam os que tinham sido feitos. Para Potgieter, os estádios normais das operações de desmobilização consistem em assegurar um acordo, estabelecer e gerir o cessar-fogo, retirar e reunir os beligerantes, desarmá-los, dispersá-los e reabitá-los. Para isso era necessário um ambiente relativamente seguro que, segundo o mesmo autor, deveria ter sido o pré-requisito para as operações na Somália. Para obter este ambiente seguro, o autor aconselha que se procure o “centro da gravidade do problema”. Neste caso era a anarquia que se vivia nas ruas de Mogadíscio, onde vigorava a lei do mais forte. A resposta a este problema era o desafio final. Esta deveria ser a base de todo o trabalho para acabar com a violência.

Um ponto precursor das missões de peacekeeping e monitorização é a obtenção de um acordo apropriado à desmobilização. Num estado colapsado, como a Somália, onde não existe autoridade reconhecida, um modelo de desarmamento e desmobilização deve ser desenhado e aplicado. Este modelo não deve ser coercivo, mas deve apelar antes à colaboração das facções através da aplicação de recompensas e penalizações, neste último caso, para quem não cumprir o que ficou estabelecido.

III. A Somália no Centro do Mundo: a desestabilização do comércio marítimo global

1. A questão da pirataria

Esta questão, intimamente ligada ao desenvolvimento, ou melhor, à falta dele, ganha particular importância e merece da nossa parte uma análise mais aprofundada, devido à relevância que assume em termos internacionais: o Corno de África insere-se num nó fundamental para o comércio mundial, constituindo as rotas marítimas que por aí passam uma das suas vias principais (cerca de 20.000 navios anualmente).

A Convenção de 1982 das Nações Unidas estabeleceu a law of the sea, que delimitou os espaços marítimos para exploração. Assim, o mar territorial ficou limitado às 12 milhas, enquanto a zona económica exclusiva vai até às 200 milhas; e a plataforma continental pode ultrapassar as 350 milhas.

O espaço marítimo da região do corno de África é um dos “pontos quentes” mundiais, uma encruzilhada de culturas e civilizações. Apesar de possuir uma longa história, nunca no passado recente a pirataria atingiu o nível crítico a que se tem assistido nos últimos anos. Na verdade a pirataria, era vista pela maioria dos Estados, até há pouco tempo, como um mal menor, uma realidade anacrónica condenada a desaparecer. A evolução dos acontecimentos recentes fez cair por terra esta visão, relembrando aos Estados, particularmente aos mais ricos, de que problemas mal resolvidos do passado (neste caso, da descolonização e da Guerra-Fria), em áreas consideradas periféricas e pobres, poderão constituir barris de pólvora para o futuro, colocando problemas sérios que, caso não sejam debelados, afectarão seriamente a economia e a soberania, até dos países mais desenvolvidos: “Incidentes nesta região atingiram proporções sem precedentes e influenciam, actualmente, a viabilidade percepcionada de vias chave de comunicação, de importância crítica para o sistema comercial global marítimo.”

Também o fenómeno da globalização, com a intensificação das trocas internacionais, contribuiu sobremaneira para esta situação. A Somália encaixa na perfeição na descrição anterior – o colapso do Estado (ou a sua inexistência), a falta de perspectivas económicas, a inexistência de uma verdadeira nação (o território “nacional” é, de facto, controlado em grande parte pelos grupos tribais), a herança histórica, as tradições culturais (que, como já constatámos, consideram desprestigiante que os homens pratiquem determinado tipo de actividades), tudo isto concorre para que as actividades produtivas sejam abandonadas por outras (muito) mais lucrativas, como a pirataria. Poder-se-ia afirmar a este propósito que “a ocasião faz o ladrão”!

Neste início do terceiro milénio, marcado pela diluição da identidade dos vários actores estatais, as áreas de interesse estratégico nucleares alteraram-se, presenciando-se a emergência de um fenómeno novo. Essas áreas de interesse estratégico fundamentais passaram a ser aquelas que são capazes de exportar a sua própria instabilidade e violência.

Há várias características que concorrem para a definição do conceito de «Estado»: território, população estável, organização institucional, poder soberano, capacidade de garantir a segurança aos seus cidadãos, organização do aparelho judiciário, administração territorial de uma máquina burocrática e fiscal.

Irromperam na última década, com tendência crescente, casos em que autoridade central do Estado desapareceu, fracassando assim um dos grandes pilares da afirmação de uma soberania interna que não conhece concorrentes. São múltiplos os conceitos de «Estados fracassados», assim como os critérios que são utilizados para classificá-los.

Seguindo um critério gradativo, que propõe uma escala baseada em «Estados fracos»; «Estados Falhados»; e «Estado colapsados», verifica-se que a Somália se insere no lote de Estados colapsados. Isto é, não há a existência de um poder central, de onde dimane a lei e a ordem, sendo que os órgãos de soberania e as instituições colapsaram. Em resultado do esboroamento da autoridade central, e do caos jurídico, legislativo e administrativo (Francisco Proença Garcia) que se segue, emergem os grupos armados, cada um a ditar a sua “lei e ordem”, competindo pelo território e por recursos.

Acrescente-se que, no caso particular em análise, a Somália, na ausência de um Estado minimamente funcional, a organização tribal substituiu-se ao Estado em determinadas áreas, impondo uma certa ordem no caos anteriormente prevalecente, mais que não seja pelo fôlego que injecta à economia por via dos proventos da pirataria, o que as populações locais percepcionam como sendo positivo, reconhecendo aos piratas um papel social importante.

James Kraska, em artigo já citado, explica este fenómeno de forma clara: “Enquanto partes do país vacilam à beira do precipício da anarquia, (...) o clã Darood ajudou a estabilizar a região norte. Apesar de na região se ter desenvolvido uma nova economia baseada na pirataria, com toda a corrupção e cumplicidade que tal implica, as autoridades da Puntlândia conseguiram manter uma certa ordem que contrasta com a confusão de Mogadíscio, mais para sul. (...) Apesar de a política de clãs não comandar a pirataria na Somália, este fenómeno emergiu do interior da estrutura dos clãs. Consequentemente, o dinheiro do resgate faz o seu caminho para o fluxo do comércio da sociedade de clãs da Somália e para a economia das nações vizinhas. (...) O dinheiro de um resgate pode trazer estatuto, segurança, e a oportunidade para uma nova vida. "Eles têm dinheiro; têm poder e tornam-se mais fortes a cada dia que passa,” testemunhou Abdi Farah Juha, que vive na capital da Puntlândia, Garowe. “Eles casam-se com as moças mais bonitas; eles estão a construir grandes casas; eles têm carros novos; novas armas.”

A costa da Somália é, a seguir ao Golfo de Aden, a região do mundo com maior número de ataques pirata. Refira-se que estes ataques se concentram, maioritariamente, perto da costa somali, mas há notícia de cada vez mais ataques perpetrados em alto mar (por vezes a distâncias entre 500 e 1.000 milhas marítimas, o que indicia um maior apoio logístico e material). Apesar de os piratas somali estarem bem armados, com armas e munições compradas nos bazares ilegais da Somália, da Etiópia e do Sudão, as suas capacidades são limitadas, ao contrário do que se veicula em alguma comunicação social. Atacam maioritariamente de dia (mais de 93% dos ataques). Os atacantes, com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos, utilizam metralhadoras AK47 e RPG’s. Estes grupos vão munidos para as acções com GPS portáteis, telemóveis, água, víveres e armamento portátil, mas devido ao pequeno porte e fragilidade das suas embarcações estão condicionados a navios relativamente baixos e lentos e a períodos do ano em que as condições meteorológicas lhes são mais favoráveis (entre monções). Todavia, as suas acções têm-se tornado mais arriscadas, como é evidente pelos ataques já mencionados levados a cabo em alto mar. A estrutura organizativa da pirataria reflecte a força do tribalismo (e o fracasso do Estado) – os grupos de piratas encontram-se divididos por clãs, reflexo claro da estrutura social vigente. De resto, a forma como são levadas a cabo as capturas, a divisão das tarefas, o tratamento dos reféns (que são, na sua esmagadora maioria, bem tratados), estão em sintonia com as suas tradições culturais.

2. A resposta internacional à pirataria no Corno de África

A resposta internacional ao problema da pirataria nas costas da Somália tem sido levada a cabo, essencialmente, dentro de um sistema de cooperação multinacional. A acção de patrulhamento e eventual repressão dos ataques, levada a cabo a partir de finais de 2008, compreende o citado SNMG (Standing Nato Maritime Group 1), que é uma força naval permanente da NATO, a CTF 151 (Combined Task Force), criada em Janeiro de 2009 e que se compõe, na actualidade, de 4 navios de três nações (EUA, Reino Unido e Austrália) e de um comando composto por pessoal da Turquia, do Paquistão e da Grécia; a EUNAVFOR (Força Combinada Naval), cuja operação se denomina ATALANTA, tendo-se iniciado em 2008 e cuja direcção é correntemente liderada pela Espanha – esta força é composta por 7 fragatas, 3 corvetas, 1 submarino e 4 aviões, com pessoal do Reino Unido, França, Espanha, Alemanha e Grécia.

Os objectivos da operação da NATO são mais vastos, ultrapassando a mera vigilância e repressão da pirataria – pretende-se que esta força auxilie os Estados da zona a aumentarem a sua capacidade de resposta militar. De fora deste sistema de cooperação existe um número significativo de Estados que, individualmente, enviaram navios e forças militares para esse espaço marítimo, de forma a protegerem os seus interesses comerciais. Aqui se incluem a Índia, a China, a Rússia, o Paquistão, a Arábia Saudita, os Países Baixos e a Malásia.

Estas operações têm tido algum sucesso – verificou-se um declínio dos ataques nas zonas patrulhadas por estas forças conjuntas. Outro dado positivo com significado é o facto de estas forças terem representado um esforço de cooperação internacional nunca antes alcançado em tão curto espaço de tempo. É caso para dizer que a economia comanda!

Outra das conclusões que poderemos retirar das missões navais, que as diversas marinhas do Mundo têm levando por diante naqueles mares do Índico, próximo da costa da Somália, é a de que essas forças navais já estão a operar num novo paradigma no tocando à projecção do poder naval. Essas missões inserem-se nas grandes tarefas, para o século XXI, do poder do Estado no mar. Face à necessidade de proteger a liberdade de navegação, para interesse próprio e dos seus aliados e parceiros, tendo como pano de fundo o sistema económico de que todos vêem a beneficiar. O interesse que o comércio marítimo se faça em paz e segurança, leva os Estados a apostar na vigilância e controlo de espaços problemáticos.

3. Os problemas da resposta internacional


1. (Problema principal) A resposta estratégica continua deslocada. Devia privilegiar-se a raiz dos problemas, que estão em terra firme – desemprego, subdesenvolvimento económico, social e inexistência de um Estado minimamente eficiente.

2. Devia ser dada maior relevância à ajuda prestada, em meios técnicos e em conhecimentos, aos países da zona, de forma a poderem eles próprios proceder a operações de monitorização e repressão.

3. O apoio dado a acordos sub-regionais que lidam com questões de pirataria é insuficiente.

(Quadro elaborado com base no artigo de James Kraska, «Freaknomics of Maritime Piracy» in the Brown Journal of Worlda Affairs, vol XVI, Issue II, Spring/Summer 2010)

Conclusão
 

Não será a Somália um quebra-cabeças para a paz e a segurança mundiais? Não tem sido a Somália um dos grandes entraves ao desenho de uma nova ordem nestas duas primeiras décadas do século XXI?

A resposta a estas duas pertinentes questões, do ponto de vista da segurança internacional, assim como na perspectiva da evolução das relações internacionais, não pode ser respondida de outra forma, se não pelo lado afirmativo. A análise levada a cabo neste trabalho aponta para uma perturbação da ordem internacional vinda do Corno de África.

De facto, a partir do território somaliano e nas áreas que lhe estão próximas, que confinam com todo extremo nordeste do continente africano, o grande golfo de Aden, a que se juntam os espaços limítrofes da península arábica – onde se detecta outro Estado fracassado: o Iémen – poderá estar a jogar-se o futuro de uma nova ordem política global. A provar esta asserção, está a forma como a comunidade internacional se tem aí deparado com desafios, o último e mais visível mediaticamente tem sido o combate à pirataria.

Porém, não se pode ocultar os sucessivos impasses políticos de todo o processo de paz e de reconstrução do Estado, de que a Somália tem padecido nas últimas duas décadas. Os vários actores do sistema político internacional não têm logrado chegar a acordos duradouros e suficientemente consistentes, entre os lados em conflito, que possibilitem uma paz efectiva e a consequente recomposição política, social e económica do território. Por outro lado, as organizações supranacionais e interestatais, sobretudo as Nações Unidas e a OUA (Organização de Unidade Africana) têm-se mostrado impotentes, aplicando resoluções que raramente são materializadas. Refira-se ainda, que algumas potências, com aspirações de hegemonia na região, como a Etiópia, sejam encaradas com desconfiança quando, por vontade própria, ou por sugestão/decisão da comunidade internacional, intervêm no conflito.

Poderemos situar o grande cataclismo do Estado somaliano a partir de 1991, quando a morte do ditador Siad Barre ditou o tocado de finados para o regime ditatorial que durante mais de uma década tinha guiado os destinos do país, inclusive o tinha levado a travar uma guerra com a vizinha Etiópia. O que aconteceu daí para cá, é deveras impressionante. Como foi possível um Estado colapsado influir de forma contundente na agenda política internacional? A resposta, mais uma vez, foi sendo dada ao longo deste trabalho: a emergência de novas guerras e as que se antevêem no futuro não obedecem à tríada do modelo que Clausewitz definiu: Território, População, Forças Armadas. As novas guerras passaram a ser irregulares e as ameaças extremamente difusas. Estes conflitos não têm uma frente delineada e não se caracterizam pela estratégia clássica de combate, assente em bases, no território e posições conquistadas. Acresce, que uma das grandes ameaças à paz são os Estados fracassados, desintegrados. Nesses territórios sem lei nem grei, tendem a florescer santuários de redes terroristas; bandos armados que atacam pessoas e bens de qualquer credo ou nação; grupos financeiros clandestinos duvidosos que financiam redes terroristas, ajudando-lhes a adquirir armas de destruição massiva.

A Somália preenche, na realidade, todos estes requisitos. E não deixa de ser impressionante como o conflito interno, que teve o início no interior do território, alcança a frente marítima nos últimos anos. Isto é, as frentes desta guerra tendem a multiplicar-se, em territórios próximos ou a ser exportadas para outros locais e espaços.

Em síntese, a Somália tornou-se um quebra-cabeças para a paz e a segurança do Mundo.

Jornal Defesa
 

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Re: Somália
« Responder #34 em: Outubro 16, 2011, 10:37:30 pm »
Exército queniano lança operação contra islamitas shebab em território da Somália


O exército queniano lançou hoje uma operação  em território somali contra os islamitas armados suspeitos de ter recentemente  sequestrado estrangeiros, anunciou um porta-voz do governo queniano.  "Penetramos na Somália para aí perseguir os shebab que consideramos  responsáveis por raptos e ataques no nosso país", anunciou o porta-voz Alfred  Matua.  

Segundo a France Press, um forte contingente militar queniano está  perto da fronteira com a Somália, enquanto helicópteros e aviões sobrevoam  a zona.  

Testemunhas afirmaram que colunas de camiões militares também se estão  a dirigir para a fronteira.  

Duas empregadas espanholas da Médicos sem Fronteiras (MSF), Montserrat  Serra e Blanca Thiebaut, foram raptadas a 13 de outubro por homens armados  em Dadaab, o maior complexo de campos de refugiados do mundo localizado  no leste do Quénia.  

As duas espanholas foram levadas para a Somália pelos raptores.  

O Quénia responsabilizou pelo rapto das duas espanholas os rebeldes  islamitas shebab, milícias que afirmam pertencerem à Al-Qaida e que controlam  uma grande parte da Somália. Os shebab não reivindicaram estes raptos.  

Este duplo rapto faz com que quatro cidadãos europeus tenham sido tomados  como reféns no Quénia em menos de um mês no Quénia.  

Uma francesa, Marie Dedieu, de 66 ans e com um cancro, foi raptada a  1 de outubro no arquipélago turístico de Lamu e uma britânica, Judith Tebbutt,  de 56 anos, a 11 de setembro na mesma região, a poucos quilómetros da fronteira  com a Somália.  

As duas mulheres foram levadas pelos raptores para a Somália.  

O ministro da Segurança Interna queniano, George Saltori, tinha anunciado  no sábado que o exército se preparava para intervir e que a fronteira entre  os dois vizinhos tinha sido fechada.  

"A nossa integridade territorial está comprometida por graves ameaças  de terrorismo, não podemos tolerar que tal aconteça", assegurou.  

As autoridades quenianas também anunciaram que iriam proceder a controlos  mais apertados aos refugiados somalis que entram no Quénia.  

O complexo de Dadaab acolhe cerca de 450 mil pessoas essencialmente  somalis que fogem da guerra e da fome do seu país, a menos de 100 quilómetros  de distância.  

Devido à crise alimentar, a população de Dadaab aumentou substancialmente  este ano.  

Os shebab combatem quase há cinco anos o frágil governo de transição  somali, apoiado pela comunidade internacional.  

Lusa
 

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Re: Somália
« Responder #35 em: Outubro 19, 2011, 07:43:21 pm »
Quénia anuncia série de operações contra radicais islâmicos


O governo do Quénia anunciou hoje que fará grandes operações em Nairóbi nos locais onde suspeita que estão escondidos simpatizantes do grupo radical islâmico Al Shabab que ameaçaram atacar a cidade em represália à ofensiva queniana na Somália.
O vice-ministro de Segurança Interna do Quénia, Orwa Ojodeh, disse hoje no Parlamento que a operação será «a maior de todas» em Nairóbi.

«Quando este assunto da Somália terminar, vou fazer a maior de todas as operações em Nairóbi para expulsar todos os simpatizantes do Al Shabab e da Al Qaeda», disse Ojodeh, que pediu o apoio de todos os parlamentares para a sua decisão.

Para Ojodeh, «este assunto do Al Shabab é como um animal grande que tem a cauda na Somália e a cabeça escondida em Eastleigh», um bairro de Nairóbi onde vivem entre 300 e 400 mil emigrantes somalis e que é conhecido como «a Pequena Mogadíscio».

O exército queniano iniciou no último fim de semana uma ofensiva contra os redutos de Al Shabab na Somália com o apoio do governo deste país depois de rebeldes supostamente sequestrarem três voluntários e dois turistas no Quénia em cerca de um mês.

Como consequência, o Al Shabab ameaçou atacar a capital queniana: «Os edifícios de vidro de Nairóbi não ficarão seguros se o Quénia continuar com a sua ofensiva na Somália. Reagiremos ao ataque e faremos os quenianos saborear a dor», disse na segunda-feira passada o porta-voz do Al Shabab, Sheikh Abdulaziz Abu Musab.

O vice-ministro queniano admitiu que «haverá um certo nível de mal-estar por uma ou duas semanas», mas que a população de Nairóbi ficará mais contente depois de a ofensiva na Somália terminar.

Segundo a imprensa local, após quatro dias de ofensiva os soldados quenianos, que contam com o apoio das tropas do governo da Somália, já controlam as localidades de Qoqani, Tabda e Afmadow, esta última a 120 quilómetros da fronteira com o Quénia.

Lusa
 

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Re: Somália
« Responder #36 em: Novembro 12, 2011, 02:20:30 pm »
Uma guerra demasiado esquecida...

Este é só pelas imagens!  :mrgreen:
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Re: Somália
« Responder #37 em: Janeiro 20, 2012, 06:36:37 pm »



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A Ugandan peacekeeper from the African Union Mission in Somalia (AMISOM) walks in front of military vehicles during an encounter with Islamist militia in the northern suburbs of Somalia's capital Mogadishu January 20, 2012. African Union (AU) and government troops launched an offensive against Islamist insurgents in the Somali capital on Friday, seizing rebel bases beyond the city's limits for the first time, the AU force said.
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Re: Somália
« Responder #38 em: Junho 01, 2012, 07:34:31 pm »
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Re: Somália
« Responder #39 em: Junho 20, 2012, 03:47:20 pm »
Assim não vão lá... T-55/Type59 sem apoio de infantaria! Até uma granada conseguem atirar!!
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Re: Somália
« Responder #40 em: Junho 24, 2012, 11:45:22 am »
Citação de: "HSMW"
Assim não vão lá... T-55/Type59 sem apoio de infantaria! Até uma granada conseguem atirar!!

Fiquei deveras impressionado com o controle no gatilho dos membros deste Gang. Antigamente só se via a dispararem rajadas à doida, mas parece q esses tempos já acabaram...
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Re: Somália
« Responder #41 em: Julho 05, 2012, 11:57:36 am »
Português detido na Somália por suspeita de ser operacional da Al Qaeda


Um cidadão português foi esta semana detido na Somália suspeito de ser militante da Al Qaeda, sendo esta a primeira vez que um estrangeiro é preso na Somália por suspeita de terrorismo, disseram fontes oficiais citadas pelo jornal Somalilandpress.
 
O português foi detido durante uma série de raides noturnos em que foram igualmente presos outros suspeitos na capital da província de Sool, no sul.
 
Os detidos eram suspeitos de serem operacionais do Shabaab, da Al Qaeda, e estão agora a ser interrogados.
 
Segundo o governador de Sool, Mohamed M. Ali, foram detidos vários homens durante várias operações realizadas após o assassínio do procurador-geral adjunto regional, na semana passada em Las Anod.
 
O magistrado – o segundo assassinado na cidade em menos de um mês -  foi morto na semana passada por homens desconhecidos armados com pistolas.
 
O governador não adiantou pormenores sobre os detidos, dizendo apenas que um é de origem portuguesa.
 
Uma operação semelhante foi levada a cabo na capital privincial, Hargeisa, onde  não se registam ameaças terroristas desde 2008, ano em que a Shabaab realizou três ataques suicidas contra edifícios governamentais e instalações das Nações Unidas, causando pelo menos 20 mortos.

Lusa
 

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Re: Somália
« Responder #42 em: Agosto 05, 2012, 09:07:58 pm »



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African Union troops take up positions during clashes between Somali soldiers, backed by African Union troops, and Islamic insurgents near the town of Marca, 88 kilometers north of Mogadishu, Somalia, Saturday, Aug. 4, 2012. African Union and Somali troops moved into a militant-held town on the outskirts of Mogadishu, Somalia.
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"Tudo pela Nação, nada contra a Nação."
 

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Re: Somália
« Responder #43 em: Setembro 28, 2012, 09:16:48 pm »
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Re: Somália
« Responder #44 em: Dezembro 31, 2013, 05:00:44 pm »
Exclusive: inside an al-Shabaab training camp
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