Rangers, Comandos, Paras, etc

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Raven

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Rangers, Comandos, Paras, etc
« em: Março 21, 2007, 12:24:56 am »
Este tópico vem um pouco na sequência de comentários que já vi em vários tópicos do forum a dizer que esta ou aquela força é melhor ou pior que esta, por várias razões e também por ter estado a ver uns videos em que vi rangers, comandos e paras practicamente a fazer as mesmas missões e com practicamente os mesmos equipamentos.
os videos que vi eram apenas excertos de telejornais e pequenas peças acerca dessas unidades e honestamente as diferenças em termos práticos pareceram-me muito poucas

A minha questão é mais, sendo o nosso exército relativamente pequeno, tendo ele no exército cerca de 22 mil efectivos pelo que vi á uns dias atrás num jornal, que sentido práctico faz termos várias unidades que no fundo com mais um pouco de treino acabariam por fazer o mesmo?

Isto dado como exemplo práctico essas mesmas unidades,  Comandos, Rangers e Paras.

é máis do que provável que cada uma destas unidades tenha missões e funções especificas a desempenhar que talvez as restantes não o possam desempenhar pelo menos do dia para a noite, mas unificando o treino destas 3 unidades não poderia ser por criada uma unica tropa ou força especial com um numero de efectivos suficente que conseguisse dar resposta a todos os comprimissos que cada uma destas unidades tem.

Não faria isso mais sentido do que ter agora um CTOE e CTC????
é que no fundo quer-me parecer que qualquer uma destas unidades está quase a fazer o mesmo que as outras duas. pelo menos fiquei com essa ideia.
E se assim fosse poderia muito bem ser criado um unico local de treino dessa força e os equipamentos,treinos,instrução,qualificação,armamento etc, também unificando, e passando a existir uma unica cadeia logistica e de comando para essa força.

os efectivos destas tres forças comparativamente com o numero total de elementos do exército não deve ser assim tão grande que impossibilite uma possivel junção.

E não seria uma forma também de reduzir custos?

Isto penso eu é claro, mas como destes assuntos eu sou mais do que um zero á esquerda e não passo de um leigo na matéria, portanto é muito provável isto ser um disparate pegado. :arrow: http://www.operacional.pt/entrevista-co ... conclusao/[/quote]
« Última modificação: Junho 13, 2007, 08:56:20 pm por Raven »
 

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Lightning

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« Responder #1 em: Março 21, 2007, 12:59:06 am »
Acho que está um bocado errado em relação  aos Rangers, de certeza que nunca ouviu falar em companhias ou batalhões de operações especiais serem enviados para missões de manutenção de paz. O proprio conceito de operações especiais implica o uso de pequenas equipas em missões encobertas, nem que seja como força de reconhecimento para uma unidade maior.

Em relação aos Comandos e Páraquedistas estes já são mais parecidos a nivel de capacidades e de modo de operar, em 1993 extinguiram o Regimento de Comandos porque decidiu-se que a nova força de páraquedistas do exército era suficiente, e actualmente vimos que quer páraquedistas, quer comandos são capazes de fazer a mesma missão no Afeganistão. Acho que nestas duas forças é uma questão de opinião de cada pessoa, se acham que devem existir as duas ou só uma.

Eu acho que podem existir ambas, por exemplo os americanos possuem o Regimento de Rangers para apoio a operações especiais, os britânicos sentiram necessidade de possuir uma força idêntica por isso destacaram o 1º Batalhão de páraquedistas reforçado com Royal Marines e pessoal do Regimento da RAF para formar essa força.

Como em quase tudo na vida, quanto mais especifico for a função de uma pessoa melhor essa pessoa a faz, quero dizer que, em vez de termos 3.000 tipos mais ou menos bons a tudo, é preferivel termos 1.000 muito bons em assaltos aerotransportados, outros 1.000 em assaltos anfibios, 500 em apoio a operações especiais, 500 em operações especiais.

E mesmo dentro das operações especiais apoio unidades especializadas em algo, salto em queda livre, operações em meio maritimo, operações em montanha, etc

Sou um defensor da especialização numa função, e até forças que possam em tempos de necessidade ter como função secundária fazer algo destinado a outra força, mas termos exactamente duas forças copias uma da outra sou contra, nas forças armadas não estou a visualizar nenhuma unidade operacional em que isso aconteça só me lembro de coisas do genero 3 estados-maiores, comandos logisticos, instrução, pessoal, e toda essa capelinhas que existem em triplicado e que em muitos casos podiam ser só um a fazer a mesma função para os três ramos, excepto algumas funções que são especificas para cada ramo.
 

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LM

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« Responder #2 em: Março 21, 2007, 09:53:54 am »
Acho que a melhor forma de contribuir para este tópico é colocar um antigo post meu (http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?t=4058&postdays=0&postorder=asc&start=128):

"Estou a ficar com remorsos por ter provocado esta "troca de ideias" sobre as diferenças de doutrina / operacionais entre os BIP e as CCmdo neste tópico, mas já está...

Mas os vários post's provam que há interesse em discutirmos a questão e que (mais importante) todos temos duvidas sobre as diferenças.

Confesso que (em uma primeira fase) não compreendi a reactivação dos Comandos e considerei que era apenas a vitória dos defensores da "capelinha" e do "marketing" para os voluntários.

Ainda acho que esta situação se deve ao peso da história, em especial os paras terem sido criados pela FrAerea, coisa (praticamente?) unica. E à história recente de uma guerra colonial.

Mas para mim a situação actual é (repetição do que já disse):

a) Forças Especiais: CTOE / DAE

b) Comandos: fazem a "ponte" entre as OE e os outros, dando apoio a estas - o escalão pelotão (+) / companhia é onde têm o máximo de operacionalidade; o modelo mais próximo que encontro é o "Special Forces Support Group" do RU (ou uma companhia dos seus "paras") ou, os US Rangers; infantaria ligeira de elite, com grande capacidade de execução de raids, acção directa, etc.

c) CT Paraquedistas: com pontos / caracteristicas em comum com os Comandos; infantaria ligeira de elite, atinge o máximo de operacionalidade no escalão Batalhão / Companhia; modelo dos paras do RU (batalhão), nunca os dos US; já incorpora forças de apoio AT, AA, morteiros pesados, etc (mas sempre de natureza ligeira!); Vejo a estrutura do batalhão com capacidades similares aos "Commandos" (ie batalhões 40, 42 e 45) dos Royal Marines e ser o nucleo da BRR (à imagem do 3 Commando Brigade do RU a nivel de objectivos, retirando a parte anfibia...).

d) Fuzileiros: Para além do DAE e outras unidades "especialistas" deve ter a capacidade de ter operacional uma unidade tipo batalhão (à imagem dos "Commandos" (ie batalhões 40, 42 e 45) dos Royal Marines); na minha opinião estes devem ser o seu modelo, nunca os fuzileiros do Brasil, Espanha, etc (Pandur sempre entregues a uma unidade de apoio, nunca fazendo parte da doutrina do batalhão... e poucos...).


Depois é não esquecer que para ter 2 companhias Comando, 2 Batalhoes Paras e 1 Batalhão Fuzos operacionais temos que ter X unidades de infantaria motorizada/mecanizada/cavalaria/suporte/etc... porque unidades só são elite dentro de umas Forças Armadas se forem uma minoria escolhida... no RU estou certo que a maioria de batalhões de infantaria / cavalaria são extremamente operacionais e bons na sua função, não têm que enviar IFV e/ou APC com paras dentro porque não confiam nas unidades que os deviam utilizar."
Quidquid latine dictum sit, altum videtur
 

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Lightning

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« Responder #3 em: Março 21, 2007, 05:17:56 pm »
Em relação aos páraquedistas britânicos penso que devem ser a unidade aerotransportada mais elitista no mundo, quero dizer, normalmente em quase todos os paises os páraquedistas aceitam pessoas directamente da vida civil, isso não acontece no Reino Unido, para se integrar o Regimento de Páraquedistas tem que se já ser militar num outro qualquer Regimento do exército britânico, o mesmo tipo de recrutamento acontece com o Regimento SAS, digo apenas como curiosidade que o Regimento que mais militares fornece ao Regimento SAS é o Regimento de Páraquedistas.
 

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Yosy

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« Responder #4 em: Março 21, 2007, 08:18:13 pm »
Citação de: "Lightning"
Em relação aos páraquedistas britânicos penso que devem ser a unidade aerotransportada mais elitista no mundo, quero dizer, normalmente em quase todos os paises os páraquedistas aceitam pessoas directamente da vida civil, isso não acontece no Reino Unido, para se integrar o Regimento de Páraquedistas tem que se já ser militar num outro qualquer Regimento do exército britânico, o mesmo tipo de recrutamento acontece com o Regimento SAS, digo apenas como curiosidade que o Regimento que mais militares fornece ao Regimento SAS é o Regimento de Páraquedistas.


O que é mau, pois o Regimento está a perder pessoal com conhecimentos mais técnicos - afinal o soldado pára normal não é tão "dotado" de conhecimentos técnicos como outros soldados vindos de outros regimentos (engenharia, artilharia, etc)
 

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Raven

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« Responder #5 em: Março 21, 2007, 08:29:04 pm »
eu compreendo isso tudo Lightning, mas em comparação por exemplo com os EUA ou com os UK nós não temos os orçamentos deles no que diz respeito há defesa.
mas acredito no que diz, até porque eu sou um zero há esquerda no que diz respeito a assuntos deste tipo.
mas sempre me fez muita "confusão" ter estas 3 forças e praticamente fazerem a mesma coisa.
 

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Artic Fusion

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« Responder #6 em: Março 21, 2007, 08:29:36 pm »
Eu concordo com a existência de Comandos e Rangers separadamente...mas acho que os comandos deviam estar melhor equipados e possuir capacidade de "Airborne" tal como os Rangers americanos.

Os comandos são a unidade, na minha opinião mais polivalente (após os OE's devido á sua natureza de operações especiais) do Exercito...mas faltam-lhes o que referi acima. Os comandos são tropas psicologicamente muito fortes ( e mesmo fisicamente claro) e o que lhes é dado não lhes faz jus! Basta ver os problemas com o CTC... :roll:
 

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Artic Fusion

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« Responder #7 em: Março 21, 2007, 08:32:31 pm »
Citação de: "Raven"
eu compreendo isso tudo Lightning, mas em comparação por exemplo com os EUA ou com os UK nós não temos os orçamentos deles no que diz respeito há defesa.
mas acredito no que diz, até porque eu sou um zero há esquerda no que diz respeito a assuntos deste tipo.
mas sempre me fez muita "confusão" ter estas 3 forças e praticamente fazerem a mesma coisa.


Faz-lhe confusão? :o  Depende do tipo de tropa páraquedista que se possui...há países em que os páraquedistas não passam de infantaria com páraquedas...não é o nosso caso diga-se.
 

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Raven

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« Responder #8 em: Março 21, 2007, 08:59:31 pm »
Citação de: "Artic Fusion"
Faz-lhe confusão? :wink:
 

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Artic Fusion

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« Responder #9 em: Março 21, 2007, 09:17:57 pm »
Citação de: "Raven"
Citação de: "Artic Fusion"
Faz-lhe confusão? :wink:


 :wink:

Mas os nossos páras (apesar de unidade de elite) não são têm capacidade de operações especiais e os comandos sim (O E's de acção directa practicamente)... essa é a principal diferença...
 


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Nuno

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« Responder #11 em: Março 26, 2007, 07:38:02 pm »
Excelentes videos pena é a qualidade.

 Alguem sabe o nome da musica do primeiro video?
 

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Mar Verde

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« Responder #12 em: Março 26, 2007, 09:10:55 pm »
Citação de: "Nuno"
Alguem sabe o nome da musica do primeiro video?


Switchback by Celldweller
 

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bryanferreira

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Tantas Forcas Especiais...
« Responder #13 em: Março 30, 2007, 06:26:22 pm »
Comecando logo pelo termo forcas especiais que me parece errado so se aplicando aos Rangers, Comandos e aos pequenos grupos dentro de outras forcas , DAE, RESCOM e SOGA.
Penso que os Paras e Fuzos sao tropas de Elite. Dai que tambem seja da opiniao q  num pais tao pequeno termos as coisas divididas demais e mau. Para mim Fuzos e Paras podiam perfeitamente ser um so ja que aprender a saltar de paraquedas e relativamente simples e os fuzos tal como os paras sao forcas expedicionarias. Assim sem duvida poupariamos em tudo. Se bem q nao sou da opiniao de juntar tudo so num sitio. Ate pelo contrario propunha bases dispersas para conhecerem bem todo o nosso territorio. Desde as ilhas ate aos sitios mais inospitos. Ficariam com o melhor que ha de cada uma das forcas e por certo bem melhor adaptados a todas as condicoes. Claro que dentro da propria forca teria de haver uns mais direccionados para umas coisas e outros pra outras. Mas isso ja ha, uns de apior, outro de recon, outros de etc, etc...
Quanto as verdadeiras forcas especiais acho q sao tanto Comandos como Rangers fundamentais. Tanto os comandos como trope de chope, de accao directa, o chamado "raid' como funcao principal. Como os Rangers com accao guerrilha/anti-guerrilha e reconhecimento. Aos Comandos acho q falta o paraquedismo obrigatorio e aos dois acho q devia ser obrigatorio ja terem servido noutras forcas. Os numeros diminuiriam mas a qualidade seria brutal. Os outras forcas especiais ja mencionadas acho q estao bem dentro das forcas q integram dando especial destaque ao DAE com equipamentos de topo.
Uma coisa que faz muita falta a todas estas forcas todas sao uns helicopteros de jeito. Os eh-101, que sao os unicos q podemos considerar, sao do melhor, mas um pouco grandes para certas funcoes.
"(...)at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who know neither victory or defeat.”
Theodore Roosevelt
( Paris Sorbonne, 1910 )
 

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ricardonunes

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Re: Tantas Forcas Especiais...
« Responder #14 em: Março 30, 2007, 06:39:59 pm »
Citação de: "bryanferreira"
Os outras forcas especiais ja mencionadas acho q estao bem dentro das forcas q integram dando especial destaque ao DAE com equipamentos de topo.


Mas se fundia os fuzos aos páras, o DAE ficava na dependência de quem?
E o que acontecia com os SOGAS?
Potius mori quam foedari
 

 

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