Portugal comecerá a recuperar?

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Marauder

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« Responder #45 em: Setembro 30, 2006, 04:12:31 pm »
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However, it should be noted that for some countries (particularly Latvia and Portugal), the energy dependence rate
is over-estimated, as production and gross consumption of certain renewable energy sources1 (e.g. wood for
households)


de:
http://epp.eurostat.ec.europa.eu/pls/po ... EN-AP1.PDF
 

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JoseMFernandes

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« Responder #46 em: Outubro 12, 2006, 12:46:36 pm »
No PUBLICO de hoje (12/10/2006) um artigo, interessante como sempre, e a meu ver importante neste momento politico (ver excertos a seguir), de Medina Carreira

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Caminhos perigosos: cenário 2015

Medina Carreira



1.A crise do Estado é geral [...]. O regime fabricou um Estado inviável, com o dinheiro que não tinha, ou esperança de vir a ter, para cumprir promessas que sabia de ciência certa pura fantasia ou puro cinismo
Vasco Pulido Valente
PÚBLICO, 6 de Outubro de 2006

É notória a gravidade da nossa crise financeira pública. E as principais medidas anunciadas pelo Governo para enfrentá-la - o PRACE e a reforma das pensões - não chegarão em tempo útil, nem terão a relevância financeira indispensável. "Economia" e "facilidade" são os nomes dessa crise. Entre 1990 e 2005 o produto português cresceu 2,4 por cento em média anual, real, enquanto a despesa corrente primária subiu 5 por cento (1), as despesas sociais 6 por cento e as pensões 7 por cento. A uma economia em queda prolongada (2) correspondeu a explosão das despesas públicas. As consequências não poderiam ser diversas das que foram. Agora, já com mais de uma década de atraso, há que corrigir os efeitos deste irrealismo político. Porque os governos não são hoje capazes de provocar o crescimento económico, são mais responsáveis pela moderação dos gastos.

2. Entre nós, não tem sido observado e entendido, com suficiente prontidão e rigor, o modo como evoluiu o último meio século europeu. Daí a notória dificuldade para aceitar o quadro essencial e premente das medidas de contenção dos gastos públicos. Distinguimos, naquele tempo, três fases bem distintas. Na primeira, até 1975, o Estado social provocou um crescimento explosivo das despesas públicas, sem sacrifícios fiscais, devido às elevadíssimas taxas de crescimento económico dos 30 gloriosos anos. Na segunda, aberta pela crise do petróleo de 1973, as economias desaceleraram e instabilizaram-se, e a cobertura das despesas sociais só foi possível através de sucessivos agravamentos fiscais. Por fim, e em redor de 1990, com a acentuação da debilidade das economias e a já excessiva sobrecarga dos impostos, soou o alarme europeu: uns países compreenderam-no e reformaram-se (Suécia, Dinamarca e Países Baixos); outros não e nada fizeram (França e Itália). A estes deparou-se o inevitável: o Estado social vive do endividamento, que é um caminho sem saída. Portugal, com três décadas de atraso, repetiu o percurso da restante Europa capitalista. A sua economia cresceu a 6 por cento (1960-1975), a 4 por cento (1975-1990) e a 2,4 por cento (1990-2005). Correspondentemente, a sua fiscalidade saltou de 21 por cento (1975) para 36 por cento do PIB (2005) (3). Como outros, o nosso país ficou sem economia e sem margem de manobra fiscal. E também se endivida.

3. Aos factores negativos que se acumularam na economia, na demografia, nos impostos e na maturação do sistema de protecção social veio acrescer o esvaziamento dos poderes do Estado nacional: já não há o intervencionismo económico eficaz dos anos cinquenta e sessenta. A perda das políticas monetária, cambial, alfandegária, orçamental e de controlo da circulação de capitais, esgotou o Estado social-democrata e "arquivou" o keynesianismo. Como Galbraith disse, já nos anos setenta, "a época de Keynes não era eterna". Finalmente, a liberalização internacional do comércio entregou à exclusiva capacidade competitiva das empresas locais o destino e o ritmo de desenvolvimento de cada economia nacional. No último século, os Estados nunca puderam tão pouco como hoje. Nestas novas circunstâncias, os que prometem mais "economia" e mais "emprego" não passam de vendedores de ilusões.

4. Segue-se que vivemos numa atmosfera plena de incertezas. O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 2005-2009 respeita a um tempo muito curto, foi elaborado sob a pressão da redução do défice e alimenta-se demasiado dos impostos. Não enxerga longe o nosso provável destino financeiro. E não conheço quaisquer projecções do Governo ou de outros que superem tais limitações. Face a este vazio, antecipo aqui o estado das nossas finanças públicas até 2015, com o grau de rigor que este tipo de exercício consente. Para tanto, consideram-se: a economia "provável", com um crescimento médio anual de 2 por cento a 2,5 por cento (4); e a fiscalidade "suportável", equivalente a 35-36 por cento do PIB. Neste quadro hipotético de trabalho, a despesa corrente primária só poderá crescer à taxa nominal e anual de 3 por cento (2005-2010), depois de se ter elevado à taxa de 8 por cento (1995-2005) (5). Com um ritmo anual superior a 3 por cento, as despesas do Estado já não serão fiscalmente financiáveis, antes de 2015.

5. Depois de anos e anos de irrealismo financeiro, o potencial de crescimento das despesas públicas projectá-las-á para os 100 (2010) e os 140 mil milhões de euros (mM) (2015) (6). Porém, nestes anos e conforme as circunstâncias económicas e fiscais aqui admitidas, as receitas públicas totais serão apenas da ordem dos 80 (2010) e dos 100 mM (2015), respectivamente (7). Teríamos então défices da ordem dos 20 mM (2010) e dos 40 mM (2015) (11 por cento e 19 por cento do PIB), que seriam insuportáveis.

6. Sem a expectativa fundada de uma solução económica e de uma maior margem de manobra fiscal torna-se imperativa uma reforma profunda e urgente das políticas de despesas públicas. Tarde ou cedo o Estado enfrentará uma crise financeira séria, que os valores deficitários das projecções deixam entrever. Todas as reduções de gastos que forem conseguidas são positivas, mas nenhuma solução será consistente se desconhecer esta realidade: a despesa corrente primária e o pessoal+prestações sociais correspondem, respectivamente, a 90 por cento e a 72 por cento da despesa primária (8). O pessoal e as prestações sociais cresceram, conjuntamente, à taxa anual de 8 por cento (1995-2005). Deverão desacelerar para 3 por cento, já em 2005-2010 (9).

7. A maior parte dos gastos com o pessoal e com as prestações sociais integram as despesas sociais: dos 47 mM da despesa corrente primária, despendidos em 2005, 43 mM destinaram-se às despesas sociais (10). Com um tão elevado peso relativo, não se conseguirá "arrumar" as contas públicas sem desacelerar fortemente os custos do pessoal e das prestações sociais. Expresso de modo diverso: sem uma profunda reforma do Estado social (despesas sociais), o Estado português não terá sustentação financeira dentro de poucos anos.

8. Fixado, bem, o quadro prioritário da intervenção, o Governo pretende reduzir os gastos com o pessoal através do PRACE. Um dos objectivos essenciais deste consiste no abaixamento do seu peso. Fundamentalmente, importaria que diminuísse do equivalente a 15 por cento do PIB para 10-11 por cento (11). Em todo o caso, trata-se de uma meta que não será atingida, uma vez que: 1.º) Afastada a via dos despedimentos, haverá apenas "disponíveis", com o direito a cerca de 50 por cento dos vencimentos no activo; 2.º) Por cada 100 mil funcionários "disponibilizados", reduzir-se-iam as despesas com o "pessoal" apenas em cerca de 6 por cento. O PRACE não produzirá, por isso e em termos estritamente financeiros, o resultado indispensável: seria então preferível o congelamento dos salários actuais até 2010 (o peso do "pessoal" cairia para uns 12 por cento do PIB).

9. No que respeita às pensões da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações estão previstas, ou já adoptadas, diversas medidas. O respectivo alcance financeiro global também será muito reduzido, em atenção a que: 1.º) O seu peso na "despesa primária" é apenas da ordem dos 20 por cento (14 em 65 mM, em 2005) (12); 2.º) Os efeitos plenos só serão alcançados em 2015. As despesas sociais, além daquelas pensões, abrangem também a educação, a saúde, a ADSE e todas as demais prestações da Segurança Social. Globalmente, estas últimas equivalem a 45 por cento da despesa primária. Por isso, só com a reconsideração de todas ou de grande parte das despesas sociais (que equivalem a 66 por cento da despesa primária) será obtido um efeito significativo e suficiente: nunca e apenas com as pensões. Por outro lado, a manutenção do regime da repartição, tal como se pretende, irá limitar-se a diferir novas crises e novas reformas: por cada uma, haverá novas injustiças e um maior descrédito para o sistema (13). Em suma: do PRACE e da reforma das pensões não pode esperar-se uma solução para as contas públicas em geral, nem para as pensões em especial.

10. Não nos iludamos porque estamos numa situação em que vigora a "tirania das circunstâncias": é secundário se se é de direita ou de esquerda, liberal ou conservador, representante da economia de mercado ou do socialismo (14). O mais grave problema que enfrentamos hoje é o do Estado: não se sustenta com a economia que temos e outra é irrealizável em tempo útil. Resta repensá-lo e reorganizá-lo. Os números com que fundamento esta posição podem ser discutidos, sempre com outros números. Mas, em circunstâncias normais, não se afastarão muito da realidade. E eles indiciam a existência de sérias ameaças a que só os néscios e os irresponsáveis podem ser indiferentes. Seja como for, ninguém poderá dizer que a gravidade da situação escapou a todos.

Notas
(1) Representava 33 por cento do PIB em 1995 e 40 por cento em 2005.
(2) Seis por cento de crescimento em 1960-1975; 4 por cento em 1975-1990; e 2,4 por cento em 1990-2005.
(3) Entre 1975 e 2005 a carga fiscal média da UE15 subiu 8 pontos (de 33 para 41 por cento do PIB), enquanto em Portugal aumentou 15 pontos (OCDE).
(4) Admite-se um crescimento médio na UE de 2,3 por cento/ano até 2020 e de 1,1 por cento entre 2020 e 2050 (cf. IFRI, Chronique d"un déclin annoncé, Avril 2003, cit. por LE BOUCHER, Economiquement incorrect, GRASSET, 2005, pp. 63-64).
(5) Q. anexo, cols. 1, 3 e 6.
(6) Q., cols. 4 e 7.
(7) Q., cols. 5 e 8.
(8) Q., col. 2.
(9) Q., cols. 1, 2 e 4.
(10) Q. col. 2.
(11) É a média da UE15, em 2002, sendo: 7,9 por cento na Alemanha; 10,3 por cento na Espanha; 8,4 por cento na Irlanda; 8,1 por cento no Luxemburgo; 9,9 por cento na Áustria; e 7,5 no Reino Unido (cf. EUROSTAT).
(12) Q., col.2.
(13) Acerca do sistema misto, vd. Livro Branco da Segurança Social, Janeiro de 1998, pp. 116 a 121. Posição do autor, pp. 247 a 254.
(14) J. K. GALBRAITH, A Era da Incerteza, Morais Editores, 1980, pp. 13 e 14.


excertos de noticias da actualidade politica:

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Plano do Governo não se cumpre
Reforma da administração pública vai atrasar-se um ano

Nuno Sá Lourenço


Diplomas sobre sistema de carreiras, SIADAP e avaliação de serviços deveriam entrar em vigor a 1 de Janeiro de 2007

O grupo parlamentar do PS está agora a tentar negociar com o Ministério das Finanças a aplicação, em legislação, da possibilidade de alguns dos funcionários públicos empurrados para a bolsa de mobilidade poderem requerer a reforma antecipada. Os socialistas defendem que os funcionários que cumpram um conjunto de requisitos, nomeadamente o número de anos na bolsa de supranumerários e o número de anos de serviço, possam negociar com o Estado uma reforma antecipada. Os deputados já têm pouco tempo para convencer o Governo, uma vez que a data prevista para entrada da lei na AR é 19 de Outubro. O assessor do ministro das Finanças comentou a proposta da seguinte forma: "O Governo considerará todas as propostas que lhe forem feitas."
A reforma da administração pública não vai ficar pronta nos prazos autodefinidos pelo Governo, já que três dos diplomas só deverão estar concluídos no final de 2007 e não no início, como estava previsto.
O PÚBLICO sabe que o Governo já deu conhecimento aos deputados da maioria de que alguns dos diplomas necessários à reforma da administração pública estão atrasados.

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Teixeira dos Santos assume redução da despesa pública no Orçamento de 2007Leonete Botelho


PSD estima que quebra do investimento público chegue a metade do orçamentado
para este ano

Ainda não há números em cima da mesa, mas o Orçamento do Estado (OE) para 2007 vai ser marcado por uma forte contenção e quebra de investimento. Foi isto que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, deixou, ontem, claro no Parlamento, primeiro aos partidos, nas reuniões prévias à apresentação do documento, marcada para segunda-feira, depois aos jornalistas.
"O OE visa uma consolidação orçamental muito importante, será uma redução do défice de 4,6 por cento do PIB, [prevista para] este ano, para 3,7 e é uma consolidação que vai assentar na redução de despesa", afirmou. Para que não restassem dúvidas, disse-o de diferentes formas: "Vamos reduzir a despesa com o funcionamento do Estado e não temos margem de manobra para aumentar a despesa com o investimento." Ou ainda: "Muito embora o investimento em 2007 não seja maior do que o se realizará este ano, vai ser um investimento de maior qualidade a apostar onde temos de apostar."
Aos partidos, o ministro foi mais explícito, dizendo que o investimento previsto para o próximo ano será calculado em linha com o executado este ano. O suficiente para que, tanto Marques Guedes, líder da bancada do PSD, como Francisco Louçã, coordenador-geral do BE, terem saído convencidos de que os cortes no PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) serão significativos e poderão ascender a 50 por cento (nas contas do primeiro), mas nunca serão inferiores a dez por cento (para o segundo).

 

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Azraael

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« Responder #47 em: Outubro 13, 2006, 03:16:16 pm »
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Ministro da Economia anuncia fim da crise em Portugal


O ministro da Economia, Manuel Pinho, anunciou hoje o fim da crise em Portugal e disse que a questão agora é a de saber "quanto é que a economia portuguesa vai crescer".

Em Aveiro, onde se deslocou para presidir à assinatura de vários protocolos de investimento, Manuel Pinho disse que "a crise acabou" e que se vive "um ponto de viragem" na economia, porque "já não se fala em recessão e em investimento zero".

"O Governo herdou um défice das finanças públicas totalmente descontrolado e cheio de operações extraordinárias, a economia em terreno negativo e o aumento do desemprego", frisou.

"Foram criados 48 mil empregos, no último semestre a taxa de desemprego baixou dez por cento, a economia está a crescer e o défice das finanças públicas a caminho de ser controlado", afirmou o governante.

Para o ministro, "o sonho de uma economia mais puxada pelas exportações e não pelo consumo, por empresas portuguesas a vingar na economia global, está-se a verificar".

Manuel Pinho ilustra com a terceira posição no quadro europeu dos países cujas exportações mais cresceram no último semestre, logo a seguir à Alemanha e à Finlândia.

O ministro sublinha que "há sinais da confiança das empresas e de bom ambiente de negócios que atraem o investimento" e, instado pelos jornalistas a comentar a possível construção de uma fábrica da IKEA em Paços de Ferreira, ironizou: "Foi considerada por Marques Mendes uma fantasia, como folclore e ideia de 'marketing'. Vamos esperar pelo que a empresa tem para anunciar para ver se as palavras de Marques Mendes se confirmam."




http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1273257&idCanal=63
 

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Luso

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« Responder #48 em: Outubro 18, 2006, 08:20:05 pm »
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caminhos perigosos: cenário 2015Domingo, Outubro 15, 2006



“A crise do Estado é geral [...]. O regime fabricou um Estado inviável, com o dinheiro que não tinha, ou esperança de vir a ter, para cumprir promessas que sabia de ciência certa pura fantasia ou puro cinismo”

(V. PULIDO VALENTE, Público, 6. Out.2006).



1. É notória a gravidade da nossa crise financeira pública. E as principais medidas anunciadas pelo Governo para enfrentá-la – o PRACE e a reforma das “pensões” -, não chegarão em tempo útil, nem terão a relevância financeira indispensável. “Economia” e “facilidade” são os nomes dessa crise. Entre 1990 e 2005 o “produto” português cresceu 2,4% em média anual, real, enquanto a “despesa corrente primária” subiu 5% (1), as “despesas sociais” 6% e as “pensões” 7%. A uma economia em queda prolongada (2) correspondeu a “explosão” das despesas públicas. As consequências não poderiam ser diversas das que foram. Agora, já com mais de uma década de atraso, há que corrigir os efeitos deste irrealismo político. Porque os governos não são hoje capazes de provocar o crescimento económico, são mais responsáveis pela moderação dos gastos.


2. Entre nós, não tem sido observado e entendido, com suficiente prontidão e rigor, o modo como evoluiu o último meio século europeu. Daí a notória dificuldade para aceitar o quadro essencial e premente das medidas de contenção dos gastos públicos. Distinguimos, naquele tempo, três fases bem distintas. Na primeira, até 1975, o Estado social provocou um crescimento “explosivo” das despesas públicas, sem sacrifícios fiscais, devido às elevadíssimas taxas de crescimento económico dos “30 gloriosos” anos. Na segunda, aberta pela “crise do petróleo”, de 1973, as economias desaceleraram e instabilizaram-se, e a cobertura das despesas sociais só foi possível através de sucessivos agravamentos fiscais. Por fim, e em redor de 1990, com a acentuação da debilidade das economias e a já excessiva sobrecarga dos impostos, soou o alarme europeu: uns países compreenderam-no e reformaram-se (Suécia, Dinamarca e Países-Baixos); outros não e nada fizeram (França e Itália). A estes deparou-se o inevitável: o Estado social vive do endividamento, que é um caminho sem saída. Portugal, com três décadas de atraso, repetiu o percurso da restante Europa capitalista. A sua economia cresceu a 6% (1960-1975), a 4% (1975-1990) e a 2,4% (1990-2005). Correspondentemente, a sua fiscalidade “saltou” de 21% (1975) para 36% do Pib (2005) (3). Como outros, o nosso País ficou sem “economia” e sem margem de manobra “fiscal”. E também se endivida.


3. Aos factores negativos que se acumularam na economia, na demografia, nos impostos e na maturação do sistema de protecção social veio acrescer o esvaziamento dos poderes do Estado nacional: já não há o intervencionismo económico eficaz dos anos cinquenta e sessenta. A perda das políticas monetária, cambial, alfandegária, orçamental e de controlo da circulação de capitais, esgotou o Estado social-democrata e “arquivou” o Keynesianismo. Como Galbraith disse, já nos anos setenta, “a época de Keynes não era eterna”. Finalmente, a liberalização internacional do comércio entregou à exclusiva capacidade competitiva das empresas locais o destino e o ritmo de desenvolvimento de cada economia nacional. No último século, os Estados nunca puderam tão pouco como hoje. Nestas novas circunstâncias, os que prometem mais “economia” e mais “emprego” não passam de vendedores de ilusões.
4. Segue-se que vivemos numa atmosfera plena de incertezas. O PEC/2005-2009 respeita a um tempo muito curto, foi elaborado sob a pressão da redução do défice e alimenta-se demasiado dos impostos. Não enxerga longe o nosso provável destino financeiro. E não conheço quaisquer projecções do Governo ou de outros que superem tais limitações. Face a este vazio, antecipo aqui o estado das nossas finanças públicas até 2015, com o grau de rigor que este tipo de exercício consente. Para tanto, consideram-se: a economia “provável”, com um crescimento médio anual de 2% a 2,5% (4); e a fiscalidade “suportável”, equivalente a 35-36% do Pib. Neste quadro hipotético de trabalho, a “despesa corrente primária” só poderá crescer à taxa nominal e anual de 3% (2005-2010), depois de se ter elevado à taxa de 8% (1995-2005) (5). Com um ritmo anual superior a 3%, as despesas do Estado já não serão fiscalmente financiáveis, antes de 2015.




5. Depois de anos e anos de irrealismo financeiro, o potencial de crescimento das despesas públicas projectá-las-ão para os 100 (2010) e os 140 mm€ (2015) (6). Porém, nestes anos e conforme as circunstâncias económicas e fiscais aqui admitidas, as receitas públicas totais serão apenas da ordem dos 80 (2010) e dos 100 mm€ (2015), respectivamente (7). Teríamos então défices da ordem dos 20 mm€ (2010) e dos 40 mm€ (2015) (11% e 19% do Pib), que seriam insuportáveis.


6. Sem a expectativa fundada de uma solução “económica” e de uma maior margem de manobra “fiscal” torna-se imperativa uma reforma profunda e urgente das políticas de despesas públicas. Tarde ou cedo o Estado enfrentará uma crise financeira séria, que os valores deficitários das projecções deixam entrever. Todas as reduções de gastos que forem conseguidas são positivas, mas nenhuma solução será consistente se desconhecer esta realidade: a “despesa corrente primária” e o “pessoal” + “prestações sociais” correspondem, respectivamente, a 90% e a 72% da “despesa primária” (8). O “pessoal” e as “prestações sociais” cresceram, conjuntamente, à taxa anual de 8% (1995-2005). Deverão desacelerar para 3%, já em 2005-2010 (9).


7. A maior parte dos gastos com o “pessoal” e com as “prestações sociais” integram as “despesas sociais”: dos 47 mm€ da “despesa corrente primária”, despendidos em 2005, 43 mm€ destinaram-se às “despesas sociais” (10). Com um tão elevado peso relativo, não se conseguirá “arrumar” as contas públicas sem desacelerar fortemente os custos do “pessoal” e das “prestações sociais”. Expresso de modo diverso: sem uma profunda reforma do “Estado social” (“despesas sociais”), o Estado português não terá sustentação financeira dentro de poucos anos.


8. Fixado, bem, o quadro prioritário da intervenção, o Governo pretende reduzir os gastos com o “pessoal” através do PRACE. Um dos objectivos essenciais deste consiste no abaixamento do seu peso. Fundamentalmente, importaria que diminuísse do equivalente a 15% do Pib para 10-11% (11). Em todo o caso, trata-se de uma meta que não será atingida, uma vez que: 1.º). Afastada a via dos despedimentos, haverá apenas “disponíveis”, com o direito a cerca de 50% dos vencimentos no activo; 2.º). Por cada 100 000 funcionários “disponibilizados”, reduzir-se-iam as despesas com o “pessoal” apenas em cerca de 6%. O PRACE não produzirá, por isso e em termos estritamente financeiros, o resultado indispensável: seria então preferível o congelamento dos salários actuais até 2010 (o peso do “pessoal” cairia para uns 12% do Pib).


9. No que respeita às “pensões” da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações estão previstas, ou já adoptadas, diversas medidas. O respectivo alcance financeiro global também será muito reduzido, em atenção a que: 1.º). O seu peso na “despesa primária” é apenas da ordem dos 20% (14 em 65 mm€, em 2005) (12); 2.º). Os efeitos plenos só serão alcançados em 2015. As “despesas sociais”, além daquelas “pensões” abrangem também a Educação, a Saúde, a ADSE e todas as demais prestações da Segurança Social. Globalmente, estas últimas equivalem a 45% da “despesa primária”. Por isso, só com a reconsideração de todas ou de grande parte das “despesas sociais” (que equivalem a 66% da “despesa primária”) será obtido um efeito significativo e suficiente: nunca e apenas com as “pensões”. Por outro lado, a manutenção do regime da repartição, tal como se pretende, irá limitar-se a diferir novas crises e novas reformas: por cada uma, haverá novas injustiças e um maior descrédito para o sistema (13). Em suma: do PRACE e da reforma das “pensões” não pode esperar-se uma solução para as contas públicas em geral, nem para as “pensões” em especial.


10. Não nos iludamos porque estamos numa situação em que vigora a “tirania das circunstâncias”: é secundário se se é de direita ou de esquerda, liberal ou conservador, representante da economia de mercado ou do socialismo (14). O mais grave problema que enfrentamos hoje é o do Estado: não se sustenta com a economia que temos e outra é irrealizável em tempo útil. Resta repensá-lo e reorganizá-lo. Os números com que fundamento esta posição podem ser discutidos, sempre com outros números. Mas, em circunstâncias normais, não se afastarão muito da realidade. E eles indiciam a existência de sérias ameaças a que só os néscios e os irresponsáveis podem ser indiferentes. Seja como for, ninguém poderá dizer que a gravidade da situação escapou a todos.



Notas:

(1). Representava 33% do Pib em 1995 e 40% em 2005.
(2). 6% de crescimento em 1960-1975; 4% em 1975-1990; e 2,4% em 1990-2005.
(3). Entre 1975 e 2005 a carga fiscal média da UE/15 subiu 8 pontos (de 33 para 41% do Pib), enquanto em Portugal aumentou 15 pontos (OCDE).
(4). Admite-se um crescimento médio na UE de 2,3%/ano até 2020 e de 1,1% entre 2020 e 2050 (cf. IFRI, Chronique d’un déclin annoncé, Avril 2003, cit. por LE BOUCHER, Economiquement incorrect, GRASSET, 2005, pp. 63-64).
(5). Q. anexo, cols. 1, 3 e 6.
(6). Q., cols. 4 e 7.
(7). Q., cols. 5 e 8.
(8). Q., col. 2.
(9). Q., cols. 1, 2 e 4.
(10). Q. col. 2.
(11). É a média da UE/15, em 2002, sendo: 7,9% na Alemanha; 10,3% na Espanha; 8,4% na Irlanda; 8,1% no Luxemburgo; 9,9% na Áustria; e 7,5 no Reino Unido (cf. EUROSTAT).
(12). Q., col.2.
(13). Acerca do sistema misto, vd. Livro Branco da Segurança Social, Janeiro de 1998, pp. 116 a 121. Posição do autor, pp.247 a 254.
(14). J.K. GALBRAITH, A era da incerteza, Morais Editores, 1980, pp. 13 e 14.

Publicado por Medina Carreira às 6:57:00 PM.
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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« Responder #49 em: Outubro 23, 2006, 11:28:18 am »
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Você tem culpa

[do Público de 21 Setembro 2006]
Já sabemos que o governo de nada serve senão para abrir as portas às leis da economia, convertendo assim a política numa mistura da contabilidade com a propaganda.

Que pena o Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação, António Castro Guerra, ter retirado o que disse quando culpou os consumidores pelos aumentos de dezasseis por cento na tarifa da electricidade. O senhor Secretário de Estado Adjunto justificou-se dizendo que teve um mau momento, mas não é verdade: pelo contrário, as suas palavras foram o ponto alto, o auge da discreta carreira de um Secretário de Estado Adjunto. Melhor ainda: estas palavras foram toda a carreira do Secretário de Estado Adjunto, o princípio e o fim dela, condensados. O Secretário de Estado Adjunto saltou por cima das barreiras hierárquicas para nos dar aquilo que nem um Secretário de Estado dos verdadeiros (ou seja, não-adjunto), um ministro ou um primeiro-ministro nos podem dar: a verdade. Na prática, é um desastre, o equivalente político a deixar a bomba de nitroglicerina rebolar pelas escadas abaixo; por isso o governo se apressou a garantir que o dito aumento não fosse tão exagerado. Mas já que o mal estava feito, o senhor Secretário de Estado Adjunto deveria ter aproveitado para despejar a alma de todas as banalidades, num momento único de sinceridade e perfeição ideológica. Bastaria encarar a câmara com vigor, esticar o dedo indicador e denunciar: você tem a culpa.

Porque é verdade.

Você vive durante mais tempo do que é comportável para os cofres da Segurança Social. Você tem menos filhos do que deveria ter. O seu salário é demasiado alto para o nosso Estado; o seu despedimento é demasiado difícil para as nossas empresas. Caso tenha sido despedido, você é um privilegiado do subsídio de desemprego ou, pior ainda, um privilegiado do rendimento mínimo. O país produz pouco e você tem culpa. O país não é competitivo e você tem culpa. Você tem culpa porque se endividou. Você tem culpa porque é professor e não ensina. Você tem culpa porque é aluno e não aprende. Você tem culpa porque é funcionário público e nem vale a pena pormenorizar as suas culpas. Você tem culpa porque trabalha no privado, mas não tanto como deveria. Se você é português, tem culpa. Se é estrangeiro, tem mais culpa ainda.

Neste país, há pouquíssima gente que não tem culpa. Não têm culpa alguns economistas, que são quem nos explica as nossas culpas (embora não esteja completamente certo em relação a Medina Carreira, que admitiu ao Expresso não tomar medidas contra o aquecimento global, ou seja, não combater o desperdício de energia — e portanto também tem as suas culpas no défice dos consumidores domésticos de electricidade). Não têm culpa os empresários do Compromisso Portugal, que fazem o que podem para tornar o país competitivo (embora haja entre eles pouquíssimos casos de sucesso fora deste rectângulo à beira-mar — e você sabe como tem culpa disso). Não têm culpa alguns gestores e juristas de topo, que temos de conquistar a peso de ouro ao sector privado e premiar abundantemente para que se sintam motivados. Alguém, neste país, tem de ser motivado. Não têm culpa aqueles que sempre sentiram que o país é fraco e que o destino os injustiçou ao fazê-los nascer numa terra pequena demais e incivilizada demais para o seu génio (penso, por exemplo, em Paulo Portas ou Herman José).

Para lá destas excepções, resta você, que tem culpa. Tem culpa de, como contribuinte, ter pago a reabilitação do Rivoli para agora o entregar a um privado que teria dinheiro para o reabilitar sozinho. Tem culpa de, como cidadão, ter acreditado que a privatização da EDP e a liberalização da energia iriam fazer baixar os preços e beneficiar o consumidor final (como lhe disse Durão Barroso, chefe de um governo onde pontificava o hoje escandalizado Marques Mendes, — e você tem culpa de lhes ter dado ouvidos). Tem culpa de, como acusa um certo Joaquim Pina Moura, o mercado da electricidade ainda não estar suficientemente liberalizado. Tem culpa de acreditar que os impostos que paga sirvam para alguma coisa que não seja para esta versão invertida da luta de classes.

Reparem: a electricidade é cara de produzir e o consumidor não paga o seu preço real. Nada muda esta realidade, quer o aumento seja de dezasseis por cento, de oito por cento como o governo agora propõe, ou de acordo com a inflação como a lei antiga determinava com mais justiça. O Secretário de Estado Adjunto estava, pois, correcto no particular. O que surpreende é que um Secretário de Estado, mesmo que Adjunto, e para mais de um governo socialista, não saiba ver o quadro geral e se limite a encolher os ombros quando colocado perante um aumento brutal dos preços, no país das pensões de duzentos euros, antes do Inverno começar. Já sabemos que o lugar-comum consiste em dizer que o governo de nada serve senão para abrir as portas às leis da economia, convertendo assim a política numa mistura da contabilidade com a propaganda. Mas, mesmo assim, dói ver como um governante socialista se contenta com o lugar-comum.

A candura e o voluntarismo com que tantos assumem este lugar-comum do mercado faz lembrar a vida e obra de Simão Bacamarte, personagem principal de O Alienista, uma das melhores obras do escritor brasileiro Machado de Assis (nota para Santana Lopes: morreu em 1908). O Doutor Simão Bacamarte, licenciado em Medicina por Coimbra, regressa à sua Itaguaí natal com tanta confiança nas leis da ciência psiquiátrica como hoje em dia se tem nas leis da ciência económica. Fundou um manicómio e pôs tanto esforço no internamento dos loucos da terra como hoje se põe na identificação dos culpados da crise. E descobriu tantos loucos como nós descobrimos culpados: o vigário e o prefeito, o boticário e o barbeiro. Quando toda a cidade estava internada, restava-lhe a conclusão lógica: diagnosticou-se a si mesmo e encerrou-se no manicómio. Também nós estamos nos estágios finais deste processo: explicaram-nos as razões do atraso do país, provaram-nos que não há alternativa, e propuseram-nos um remédio mais forte que a doença. Antes éramos apenas miseráveis. Agora dizem-nos que somos miseráveis e mal habituados. Quem tem culpa disto? Você — e eu também.

Posted by rui tavares on outubro 23, 2006 04:42 AM |
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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garrulo

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« Responder #50 em: Outubro 27, 2006, 04:16:34 pm »
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     ENCUESTA POLÍTICA
Desplome de la popularidad del primer ministro portugués por la reducción de la inversión pública
Manifestantes sindicales, en una marcha contra el Gobierno el pasado 12 de octubre en Lisboa. (Foto: EFE)
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Actualizado viernes 27/10/2006 16:31 (CET)
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EFE

LISBOA.- Las protestas sociales y la aprobación del austero Presupuesto del Estado de 2007 han pasado factura al primer ministro luso, José Sócrates, que ha visto cómo su popularidad cayó 16 puntos en octubre, según una encuesta.

El sondeo, realizado por la empresa Marktest para 'Diario de Noticias' y la radio 'TSF', señaló que el primer ministro, que tenía una tasa de popularidad de 18 puntos positivos se quedó en dos.

Este descontento quedó reflejado en la manifestación en la que unas 10.000 personas, según los sindicatos, y una de las más importantes de los últimos años, se concentraron frente al Parlamento para denunciar las políticas del Gobierno y la reforma de la administración pública.

Esta reacción también afectó a la intención de voto al Partido Socialista (PS), del que Sócrates es secretario general, y que cayó cuatro puntos porcentuales y se situó en el 42%.

Sócrates no está solo en esta opinión popular y fue acompañado en esta acentuada caída por los ministros de Economía, Manuel Pinho; Finanzas, Fernando Teixeira dos Santos; Educación, María de Lurdes Rodrigues, y Sanidad, Antonio Correia de Campos.

Después de unos resultados positivos en las encuestas durante el pasado verano, el Gobierno inició el otoño con la presentación de unos austeros Presupuestos del Estado, que reducen la inversión pública, el gasto sanitario y la administración e incrementan la carga fiscal.

La popularidad del responsable de este texto, Teixeira dos Santos, se vio afectada en la encuesta, al igual que la del ministro de Economía, que tuvo que aplacar los ánimos de los consumidores tras la propuesta de la Entidad Reguladora de los Servicios Energéticos (ERSE) de subir la electricidad un 15,7%.

La caída en la popularidad de la ministra de Educación está directamente relacionada con la manifestación de 20.000 maestros por las calles de Lisboa y la huelga nacional de profesores de los pasados 17 y 18 de octubre, que tuvo un seguimiento superior al 85%, según los sindicatos.

Correira y Campos, el ministro peor valorado de todo el Gobierno, con 34 puntos negativos, sufre los efectos de las medidas del Ejecutivo de crear una tasa de internamiento hospitalario y cerrar varias maternidades y servicios de urgencias en todo el país.

Sin embargo, esta caída del gubernamental PS no fue aprovechada por el principal grupo de la oposición, el Partido Social Demócrata (PSD), que se mantuvo en el 30% en intención de voto.

Las subidas se registraron en el Partido Comunista Portugués (PCP), que mejoró en 1 punto porcentual (11%), el Bloco de Esquerda (BE), que pasó de 8 a 9,7, y el Partido Popular (CDS-PP), que aumentó del 2 al 4%.

El presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, continua como el político más popular del país y pasó de 54 a 57 puntos positivos.
España tiene el 107% de la renta de la UE, Portugal el 75%, entramos al mismo tiempo. No seremos tan tontos.
 

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« Responder #51 em: Outubro 28, 2006, 10:16:00 am »
Citação de: "garrulo"
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LISBOA.- Las protestas sociales y la aprobación del austero Presupuesto del Estado de 2007 han pasado factura al primer ministro luso, José Sócrates, que ha visto cómo su popularidad cayó 16 puntos en octubre, según una encuesta.

El sondeo, realizado por la empresa Marktest para 'Diario de Noticias' y la radio 'TSF', señaló que el primer ministro, que tenía una tasa de popularidad de 18 puntos positivos se quedó en dos.

Este descontento quedó reflejado en la manifestación en la que unas 10.000 personas, según los sindicatos, y una de las más importantes de los últimos años, se concentraron frente al Parlamento para denunciar las políticas del Gobierno y la reforma de la administración pública.

Esta reacción también afectó a la intención de voto al Partido Socialista (PS), del que Sócrates es secretario general, y que cayó cuatro puntos porcentuales y se situó en el 42%.

Sócrates no está solo en esta opinión popular y fue acompañado en esta acentuada caída por los ministros de Economía, Manuel Pinho; Finanzas, Fernando Teixeira dos Santos; Educación, María de Lurdes Rodrigues, y Sanidad, Antonio Correia de Campos.

Después de unos resultados positivos en las encuestas durante el pasado verano, el Gobierno inició el otoño con la presentación de unos austeros Presupuestos del Estado, que reducen la inversión pública, el gasto sanitario y la administración e incrementan la carga fiscal.

La popularidad del responsable de este texto, Teixeira dos Santos, se vio afectada en la encuesta, al igual que la del ministro de Economía, que tuvo que aplacar los ánimos de los consumidores tras la propuesta de la Entidad Reguladora de los Servicios Energéticos (ERSE) de subir la electricidad un 15,7%.

La caída en la popularidad de la ministra de Educación está directamente relacionada con la manifestación de 20.000 maestros por las calles de Lisboa y la huelga nacional de profesores de los pasados 17 y 18 de octubre, que tuvo un seguimiento superior al 85%, según los sindicatos.

Correira y Campos, el ministro peor valorado de todo el Gobierno, con 34 puntos negativos, sufre los efectos de las medidas del Ejecutivo de crear una tasa de internamiento hospitalario y cerrar varias maternidades y servicios de urgencias en todo el país.

Sin embargo, esta caída del gubernamental PS no fue aprovechada por el principal grupo de la oposición, el Partido Social Demócrata (PSD), que se mantuvo en el 30% en intención de voto.

Las subidas se registraron en el Partido Comunista Portugués (PCP), que mejoró en 1 punto porcentual (11%), el Bloco de Esquerda (BE), que pasó de 8 a 9,7, y el Partido Popular (CDS-PP), que aumentó del 2 al 4%.

El presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, continua como el político más popular del país y pasó de 54 a 57 puntos positivos.



Blá blá blá blá.....


Por muito que custe a muita gente, as medidas têm que ser tomadas...  :?
 

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Luso

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« Responder #52 em: Novembro 03, 2006, 09:42:10 pm »
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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« Responder #53 em: Novembro 06, 2006, 12:21:10 pm »
Citação de: "3520"
Citação de: "garrulo"
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LISBOA.- Las protestas sociales y la aprobación del austero Presupuesto del Estado de 2007 han pasado factura al primer ministro luso, José Sócrates, que ha visto cómo su popularidad cayó 16 puntos en octubre, según una encuesta.

El sondeo, realizado por la empresa Marktest para 'Diario de Noticias' y la radio 'TSF', señaló que el primer ministro, que tenía una tasa de popularidad de 18 puntos positivos se quedó en dos.

Este descontento quedó reflejado en la manifestación en la que unas 10.000 personas, según los sindicatos, y una de las más importantes de los últimos años, se concentraron frente al Parlamento para denunciar las políticas del Gobierno y la reforma de la administración pública.

Esta reacción también afectó a la intención de voto al Partido Socialista (PS), del que Sócrates es secretario general, y que cayó cuatro puntos porcentuales y se situó en el 42%.

Sócrates no está solo en esta opinión popular y fue acompañado en esta acentuada caída por los ministros de Economía, Manuel Pinho; Finanzas, Fernando Teixeira dos Santos; Educación, María de Lurdes Rodrigues, y Sanidad, Antonio Correia de Campos.

Después de unos resultados positivos en las encuestas durante el pasado verano, el Gobierno inició el otoño con la presentación de unos austeros Presupuestos del Estado, que reducen la inversión pública, el gasto sanitario y la administración e incrementan la carga fiscal.

La popularidad del responsable de este texto, Teixeira dos Santos, se vio afectada en la encuesta, al igual que la del ministro de Economía, que tuvo que aplacar los ánimos de los consumidores tras la propuesta de la Entidad Reguladora de los Servicios Energéticos (ERSE) de subir la electricidad un 15,7%.

La caída en la popularidad de la ministra de Educación está directamente relacionada con la manifestación de 20.000 maestros por las calles de Lisboa y la huelga nacional de profesores de los pasados 17 y 18 de octubre, que tuvo un seguimiento superior al 85%, según los sindicatos.

Correira y Campos, el ministro peor valorado de todo el Gobierno, con 34 puntos negativos, sufre los efectos de las medidas del Ejecutivo de crear una tasa de internamiento hospitalario y cerrar varias maternidades y servicios de urgencias en todo el país.

Sin embargo, esta caída del gubernamental PS no fue aprovechada por el principal grupo de la oposición, el Partido Social Demócrata (PSD), que se mantuvo en el 30% en intención de voto.

Las subidas se registraron en el Partido Comunista Portugués (PCP), que mejoró en 1 punto porcentual (11%), el Bloco de Esquerda (BE), que pasó de 8 a 9,7, y el Partido Popular (CDS-PP), que aumentó del 2 al 4%.

El presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, continua como el político más popular del país y pasó de 54 a 57 puntos positivos.



Blá blá blá blá.....


Por muito que custe a muita gente, as medidas têm que ser tomadas...  :?


Pois.

É pena é serem sempre os mesmos OTÁRIOS a pagar...

enquanto os bancos com lucros de 40 e tal por cento têm "perdões fiscais"

Mas quem está bem é claro que não se queixa, e os outros (os parvos, os estúpidos, os otários que têm de sustentar os parasitas) é que falam "blablabla"

Citar

O FIM DO MÊS COMO PROBLEMA POLÍTICO

Entre o "fim do mês" individual e o "fim do ano" colectivo temos andado nos últimos anos (e há quem diga desde sempre) como mexilhões entre o mar e as rochas.

O mundo tem medo do fim do mundo. Portugal tem medo do fim do mês. Nos últimos dias, enquanto na ONU se discutia a reacção aos testes nucleares norte-coreanos, nós por aqui discutíamos a questão das SCUT em todos os seus cambiantes técnicos.

O caso das auto-estradas Sem Custos para o Utilizador, e se devem ou não deixar de sê-lo, tem peso no "fim do mês" de muitos portugueses, e logo tem uma importância que eu não quero menosprezar. Por outro lado, diz-se que os portugueses têm de fazer mais um esforço (na verdade, sucessivos novos esforços) no seu fim do mês para ajudar o Estado a lidar com o seu próprio "fim do ano" orçamental. Sendo este o equivalente colectivo ao "fim do mês" de cada um, também não nos podemos desresponsabilizar. Entre o "fim do mês" individual e o "fim do ano" colectivo temos andado nos últimos anos (e há quem diga desde sempre) como mexilhões entre o mar e as rochas. Daí a discussão, com contornos algo bizantinos, sobre que auto-estradas têm ou não alternativas e se o programa do governo tinha ou não margem retórica que permitisse a oneração destes trajectos.

O mal, como já foi dito, é que tudo isto obscurece uma questão política de base: os eleitores votaram na certeza de que as auto-estradas em questão não seriam pagas e agora sentem-se enganados. Isto, que já é sério, encobre algo ainda pior: os portugueses estão habituados a este ciclo de sacrifícios, promessas não cumpridas, fugas para a frente (e para Bruxelas), trocas de actores, novos sacrifícios e novas promessas não cumpridas. Escandalizam-se mas não vêem alternativas.

Portugal tem pelo menos três problemas: um problema financeiro (do Estado), um problema económico (do País) e um problema político. Qualquer deles é serio; nenhum deles é inultrapassável. A estratégia comum tem sido: devemos dar toda a prioridade ao problema das finanças (vulgo, “do deficit”) para depois intervir no problema da economia. Eu defenderei que o problema prioritário é o político.


Mas antes, vejamos o que temos em termos de diagnóstico, onde há duas escolas dominantes. Uma delas é a culturalista, que põe as culpas na piolheira que o país sempre foi e sempre será e nos defeitos morais e temperamentais do espécime que povoa este habitat (preguiçoso, desorganizado, etc.). É um diagnóstico sem soluções: nenhum remédio poderá funcionar, porque nenhum funcionou antes. Salvo substituir todos os portugueses por finlandeses ou suíços, não há nada a fazer. Como, apesar do pessimismo com que tratam os nativos, os defensores deste diagnóstico não tomam a única posição possível que seria defender o aumento da imigração, a posição culturalista vale mais como anedota velha do que como proposta original.

A segunda escola é a economicista: o seu principal objecto é o das contas certinhas. Sem tempo para perder com metapsicologia barata, o que esta escola nos diz é apenas: quem não tem dinheiro não tem vícios. Se for verdade (como dizem os culturalistas) que o país não pode mudar, então teremos de nos conformar a ser um país pobre ou remediado, e ter hábitos de pobre ou remediado. Esta prescrição, que em princípio valeria para toda a gente, é inaceitável para a nossa elite, que nunca teve hábitos de pobre ou remediada. Corte-se então nos "vícios" de quem se puder cortar, que são os restantes. Acontece que estes “vícios”, na verdade, são aquela garantia de um mínimo de dignidade a que a grande maioria dos portugueses acedeu tarde e a más horas, conservou por pouco tempo, e agora nos dizem que é incomportável. Os economicistas respondem friamente: tanto pior.

Quem tiver uma visão um pouquinho mais abrangente, porém, não poderá esquecer que os portugueses prejudicados são os que estão presos à armadilha do trabalho pouco qualificado ou desqualificado. É mais de metade do país. Não podem fazer planos a longo prazo, não têm possibilidades de arriscar, não vêem como dar a volta por cima — nem podem, porque precisamos deles como estão. São eles a base de tudo o que aqui se faz. Na sua faixa superior, a dos funcionários públicos, ainda têm algum poder de reivindicação, mas têm sido apresentados como os principais adversários dos restantes, chamados de "privilegiados", e seja como for o "fim do mês" não dá grande espaço à solidariedade entre categorias profissionais.

O nosso problema económico é que, como um todo, Portugal também está preso na armadilha do trabalho desqualificado. Tentámos subir de divisão, não conseguimos, e agora estamos a lutar para não descer.

O problema político é o que nos ocupa menos: descrença generalizada na política (tão grande que não pode ser subestimada), conformação com os vícios da democracia (como a corrupção), ausência de propostas claras ou alternativas de poder, nenhuma renovação de actores, partidos fechados no seu mundo, etc. Enquanto tivemos líderes que respeitámos pelo seu passado, a coisa disfarçou. Agora está difícil fazer a transição, mas ao contrário do que se possa pensar, a culpa não é dos políticos: é nossa.

Não é da falta de consenso político: há lá mais consenso do que em torno do deficit e dentro do bloco central? Não é da falta de estratégia: o governo propõe o plano tecnológico, que só peca por vir tarde e não ter resultados imediatos. Não é da falta de informação: os telejornais duram uma hora, o prós-e-contras parece durar para sempre. É da falta de acção: o “fim do mês” não nos deixa pensar em voluntarismo político, mas só vamos resolver o problema do fim do mês se resolvermos o outro primeiro. Não é só nosso: toda a Europa e muitos países por esse mundo fora sofrem do mesmo.

No nosso caso, trata-se da incapacidade de um país com dez milhões de habitantes se tornar numa república com dez milhões de cidadãos. É o problema-base da democracia, apenas isso; não deveria ser tão difícil.

Posted by rui tavares on outubro 30, 2006 02:46 PM


http://ruitavares.weblog.com.pt/
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« Responder #54 em: Novembro 06, 2006, 12:22:37 pm »
Citação de: "3520"
Citação de: "garrulo"
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LISBOA.- Las protestas sociales y la aprobación del austero Presupuesto del Estado de 2007 han pasado factura al primer ministro luso, José Sócrates, que ha visto cómo su popularidad cayó 16 puntos en octubre, según una encuesta.

El sondeo, realizado por la empresa Marktest para 'Diario de Noticias' y la radio 'TSF', señaló que el primer ministro, que tenía una tasa de popularidad de 18 puntos positivos se quedó en dos.

Este descontento quedó reflejado en la manifestación en la que unas 10.000 personas, según los sindicatos, y una de las más importantes de los últimos años, se concentraron frente al Parlamento para denunciar las políticas del Gobierno y la reforma de la administración pública.

Esta reacción también afectó a la intención de voto al Partido Socialista (PS), del que Sócrates es secretario general, y que cayó cuatro puntos porcentuales y se situó en el 42%.

Sócrates no está solo en esta opinión popular y fue acompañado en esta acentuada caída por los ministros de Economía, Manuel Pinho; Finanzas, Fernando Teixeira dos Santos; Educación, María de Lurdes Rodrigues, y Sanidad, Antonio Correia de Campos.

Después de unos resultados positivos en las encuestas durante el pasado verano, el Gobierno inició el otoño con la presentación de unos austeros Presupuestos del Estado, que reducen la inversión pública, el gasto sanitario y la administración e incrementan la carga fiscal.

La popularidad del responsable de este texto, Teixeira dos Santos, se vio afectada en la encuesta, al igual que la del ministro de Economía, que tuvo que aplacar los ánimos de los consumidores tras la propuesta de la Entidad Reguladora de los Servicios Energéticos (ERSE) de subir la electricidad un 15,7%.

La caída en la popularidad de la ministra de Educación está directamente relacionada con la manifestación de 20.000 maestros por las calles de Lisboa y la huelga nacional de profesores de los pasados 17 y 18 de octubre, que tuvo un seguimiento superior al 85%, según los sindicatos.

Correira y Campos, el ministro peor valorado de todo el Gobierno, con 34 puntos negativos, sufre los efectos de las medidas del Ejecutivo de crear una tasa de internamiento hospitalario y cerrar varias maternidades y servicios de urgencias en todo el país.

Sin embargo, esta caída del gubernamental PS no fue aprovechada por el principal grupo de la oposición, el Partido Social Demócrata (PSD), que se mantuvo en el 30% en intención de voto.

Las subidas se registraron en el Partido Comunista Portugués (PCP), que mejoró en 1 punto porcentual (11%), el Bloco de Esquerda (BE), que pasó de 8 a 9,7, y el Partido Popular (CDS-PP), que aumentó del 2 al 4%.

El presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, continua como el político más popular del país y pasó de 54 a 57 puntos positivos.



Blá blá blá blá.....


Por muito que custe a muita gente, as medidas têm que ser tomadas...  :?


Pois.

É pena é serem sempre os mesmos OTÁRIOS a pagar...

enquanto os bancos com lucros de 40 e tal por cento têm "perdões fiscais"

Mas quem está bem é claro que não se queixa, e os outros (os parvos, os estúpidos, os otários que têm de sustentar os parasitas) é que falam "blablabla"

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O FIM DO MÊS COMO PROBLEMA POLÍTICO

Entre o "fim do mês" individual e o "fim do ano" colectivo temos andado nos últimos anos (e há quem diga desde sempre) como mexilhões entre o mar e as rochas.

O mundo tem medo do fim do mundo. Portugal tem medo do fim do mês. Nos últimos dias, enquanto na ONU se discutia a reacção aos testes nucleares norte-coreanos, nós por aqui discutíamos a questão das SCUT em todos os seus cambiantes técnicos.

O caso das auto-estradas Sem Custos para o Utilizador, e se devem ou não deixar de sê-lo, tem peso no "fim do mês" de muitos portugueses, e logo tem uma importância que eu não quero menosprezar. Por outro lado, diz-se que os portugueses têm de fazer mais um esforço (na verdade, sucessivos novos esforços) no seu fim do mês para ajudar o Estado a lidar com o seu próprio "fim do ano" orçamental. Sendo este o equivalente colectivo ao "fim do mês" de cada um, também não nos podemos desresponsabilizar. Entre o "fim do mês" individual e o "fim do ano" colectivo temos andado nos últimos anos (e há quem diga desde sempre) como mexilhões entre o mar e as rochas. Daí a discussão, com contornos algo bizantinos, sobre que auto-estradas têm ou não alternativas e se o programa do governo tinha ou não margem retórica que permitisse a oneração destes trajectos.

O mal, como já foi dito, é que tudo isto obscurece uma questão política de base: os eleitores votaram na certeza de que as auto-estradas em questão não seriam pagas e agora sentem-se enganados. Isto, que já é sério, encobre algo ainda pior: os portugueses estão habituados a este ciclo de sacrifícios, promessas não cumpridas, fugas para a frente (e para Bruxelas), trocas de actores, novos sacrifícios e novas promessas não cumpridas. Escandalizam-se mas não vêem alternativas.

Portugal tem pelo menos três problemas: um problema financeiro (do Estado), um problema económico (do País) e um problema político. Qualquer deles é serio; nenhum deles é inultrapassável. A estratégia comum tem sido: devemos dar toda a prioridade ao problema das finanças (vulgo, “do deficit”) para depois intervir no problema da economia. Eu defenderei que o problema prioritário é o político.


Mas antes, vejamos o que temos em termos de diagnóstico, onde há duas escolas dominantes. Uma delas é a culturalista, que põe as culpas na piolheira que o país sempre foi e sempre será e nos defeitos morais e temperamentais do espécime que povoa este habitat (preguiçoso, desorganizado, etc.). É um diagnóstico sem soluções: nenhum remédio poderá funcionar, porque nenhum funcionou antes. Salvo substituir todos os portugueses por finlandeses ou suíços, não há nada a fazer. Como, apesar do pessimismo com que tratam os nativos, os defensores deste diagnóstico não tomam a única posição possível que seria defender o aumento da imigração, a posição culturalista vale mais como anedota velha do que como proposta original.

A segunda escola é a economicista: o seu principal objecto é o das contas certinhas. Sem tempo para perder com metapsicologia barata, o que esta escola nos diz é apenas: quem não tem dinheiro não tem vícios. Se for verdade (como dizem os culturalistas) que o país não pode mudar, então teremos de nos conformar a ser um país pobre ou remediado, e ter hábitos de pobre ou remediado. Esta prescrição, que em princípio valeria para toda a gente, é inaceitável para a nossa elite, que nunca teve hábitos de pobre ou remediada. Corte-se então nos "vícios" de quem se puder cortar, que são os restantes. Acontece que estes “vícios”, na verdade, são aquela garantia de um mínimo de dignidade a que a grande maioria dos portugueses acedeu tarde e a más horas, conservou por pouco tempo, e agora nos dizem que é incomportável. Os economicistas respondem friamente: tanto pior.

Quem tiver uma visão um pouquinho mais abrangente, porém, não poderá esquecer que os portugueses prejudicados são os que estão presos à armadilha do trabalho pouco qualificado ou desqualificado. É mais de metade do país. Não podem fazer planos a longo prazo, não têm possibilidades de arriscar, não vêem como dar a volta por cima — nem podem, porque precisamos deles como estão. São eles a base de tudo o que aqui se faz. Na sua faixa superior, a dos funcionários públicos, ainda têm algum poder de reivindicação, mas têm sido apresentados como os principais adversários dos restantes, chamados de "privilegiados", e seja como for o "fim do mês" não dá grande espaço à solidariedade entre categorias profissionais.

O nosso problema económico é que, como um todo, Portugal também está preso na armadilha do trabalho desqualificado. Tentámos subir de divisão, não conseguimos, e agora estamos a lutar para não descer.

O problema político é o que nos ocupa menos: descrença generalizada na política (tão grande que não pode ser subestimada), conformação com os vícios da democracia (como a corrupção), ausência de propostas claras ou alternativas de poder, nenhuma renovação de actores, partidos fechados no seu mundo, etc. Enquanto tivemos líderes que respeitámos pelo seu passado, a coisa disfarçou. Agora está difícil fazer a transição, mas ao contrário do que se possa pensar, a culpa não é dos políticos: é nossa.

Não é da falta de consenso político: há lá mais consenso do que em torno do deficit e dentro do bloco central? Não é da falta de estratégia: o governo propõe o plano tecnológico, que só peca por vir tarde e não ter resultados imediatos. Não é da falta de informação: os telejornais duram uma hora, o prós-e-contras parece durar para sempre. É da falta de acção: o “fim do mês” não nos deixa pensar em voluntarismo político, mas só vamos resolver o problema do fim do mês se resolvermos o outro primeiro. Não é só nosso: toda a Europa e muitos países por esse mundo fora sofrem do mesmo.

No nosso caso, trata-se da incapacidade de um país com dez milhões de habitantes se tornar numa república com dez milhões de cidadãos. É o problema-base da democracia, apenas isso; não deveria ser tão difícil.

Posted by rui tavares on outubro 30, 2006 02:46 PM


http://ruitavares.weblog.com.pt/
"[Os portugueses são]um povo tão dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no Jardim Zoológico"
-Dom Januário Torgal Ferreira, Bispo das Forças Armadas
 

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« Responder #55 em: Dezembro 30, 2006, 01:55:49 am »
Miguel Cadilhe no EXPRESSO de 30/12/2006:
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Talvez 2008, 2009

  Defendo a baixa de impostos, todavia, ao fazê-lo em maré de eleições, podem más razões da política sobrepor-se a boas razões da economia
     
Foi há dias actualizado pelo Governo português o importante ‘Programa de Estabilidade e Crescimento’. Vai até 2010, pelo meio há eleições. O défice ‘estrutural’ do sector público já não será ‘excessivo’ em 2007 e quase picará o equilíbrio em 2010.

A ‘carga fiscal’ voltará a subir em 2007, atingirá 36,2% do PIB e aí estacionará nos anos seguintes, graças a dois movimentos que se compensarão. Por um lado, medidas explicitadas no Programa trarão acréscimos das receitas fiscais e parafiscais (RF) e, por isso, a ‘carga fiscal’ subirá 2,6 pontos percentuais do PIB, juntando os 4 anos.

Por outro lado, porém, medidas não explicitadas nem perceptíveis - mas que as haverá, haverá - trarão simétricos decréscimos das RF, provavelmente por discricionárias baixas de alguns impostos e contribuições, quais e quando, não o mostra o Programa. Talvez lá para 2008, 2009 se saiba. Por mim, defendo a baixa de impostos, todavia, ao fazê-lo em maré de eleições, podem más razões da política sobrepor-se a boas razões da economia.

 

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« Responder #56 em: Janeiro 05, 2007, 10:40:49 pm »
http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/

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E voce já é dono da sua Associação Mutualista
Sexta-feira, Janeiro 05, 2007

Em Portugal nada nos deveria ter o condão de nos espantar.

No final do ano passado, o governo iniciou um ataque á banca.

Primeiro foram as prácticas "imorais" sobre os arrendondamentos e que o governo por considerar ilegal, decidiu legislar. No entanto essa ilegalidade, não impediu o ministério das finanças de assinar um acordo comercial com o MilleniumBCP, em Janeiro de 2006, onde o arrendondamento para crédito á habitação era de 1/4 superior para créditos concedidos a funcionários do ministério.
Depois, veio a questão da taxa efectiva de IRC que é paga pelo sector bancário. Mexeram-se nas provisões e na sua dedução ao lucro tributável, mas não se mexeu no óbvio.
Em Portugal existem bancos e bancos. Ou melhor, existem bancos e existe uma associação mutualista que beneficia da isenção de IRC, pelo simples facto do objecto social das associações mutualistas ser o de promover obra social junto dos seus associados, através do fundo de solidariedade associativa e da fundação Montepio.
Ora uma associação mutualista que tem créditos concedidos sobre clientes de 13,4 mil milhões de euros, que tem depósitos captados de 8 mil milhões e um activo de 15 mil milhões, ou não anda a fazer obra social nenhuma, ou então é um banco.
A associação Mutualista Montepio Geral, deu resultado médio líquido entre 2001 e 2004, de 40 milhões de euros. Em 2005, o seu resultado líquido foi de 51,5 milhões de euros e no primeiro semestre de 2006, o seu resultado líquido foi de 31,8 milhões de euros.
Como não paga imposto porque é uma associação Mutualista, o Estado e se considerarmos uma taxa efectiva média de 18 %, e no período entre 2001 e 2005 não arrecadou 37,98 milhões de euros de impostos. Se tivermos em linha de conta o resultado líquido apenas do 1º semestre de 2006, o imposto que seria pago e não o será é de 5,4 Milhões de euros.
Ou seja, por outras palavras, apenas 42 milhões de euros que não entraram nos cofres do Estado. E era nisto que o governo deveria ter mexido e não mexeu. Até porque poderia ter aproveitado a boleia da nova campanha publicitária do Montepio Geral.



Ninguém diria que estas pessoas são donas do seu Banco.
Um banco diferente dos outros, é certo. Que aposta na solidariedade e no associativismo como valores principais. Que se preocupa em dar as melhores condições para ajudar os seus associados a concretizar os seus projectos.


E voce já dono do seu BANCO?
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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JoseMFernandes

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« Responder #57 em: Janeiro 12, 2007, 10:00:03 am »
Transcrevo do diário PÚBLICO de 12/1/2007, um artigo de José Miguel Júdice, mesmo tratando-se de mais uma  visão pessimista (ou realista, conforme outros ) da evolução económica portuguesa.
Tenho lido um pouco de tudo a este respeito, mas na verdade o seu último paragrafo, que obviamente apenas posso presumir entre a ironia e o sarcasmo, em que refere a utilidade de 'Portugal servir como vacina para outros países'...  !!...  :conf:

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Portugal é viável?

José Miguel Júdice


Mais uma vez o digo: basta ler jornais para se perceber que Portugal tem de mudar, muito, a fundo, depressa e bem. Alguns exemplos desta semana: a Yazaki Saltano despede 533 trabalhadores e diz que o custo de mão-de-obra é 50 por cento mais baixo na Eslováquia e 80 por cento mais baixo na Roménia e Bulgária, todos países da União Europeia, do que em Portugal; um em cada seis funcionários públicos reformou-se desde 2001, mas o DN afirma que foram substituídos por igual número de novos; Portugal continuará a crescer menos do que a União Europeia até 2009 (ou seja, por sete anos consecutivos!), afastando-se gradual e acumuladamente dos nossos parceiros; o Jornal de Negócios diz-nos que, segundo o Banco de Portugal, o nosso país perdeu mercados de exportações durante seis anos consecutivos até 2005, o crescimento das exportações de 2006 não é sustentável e o seu contributo para o PIB não crescerá nada em 2008, sendo a exportação sobretudo de produtos de baixa qualidade; o PÚBLICO, em editorial de Paulo Ferreira, revela que no Metro de Lisboa (prejuízos anuais de 160 milhões de euros!) se fazem greves para manter até 36,5 dias de férias por ano, trabalho diário de apenas cinco horas a conduzir, e prémios de produtividade automáticos, mesmo sobre os subsídios de férias e de Natal!
Este tipo de notícias segue-se a muitas outras que - graças a Deus! - desde que Sócrates nos tenta governar começaram a surgir regularmente. E a sensação que delas vou retirando é que não exagerava quem escrevia há tempos que Portugal está a atravessar a mais séria crise da sua História quase milenar. E, ao concordar com isso, não esqueço as bancarrotas, as centenas de milhares de emigrantes que fugiam de futuros de miséria, as crises de independência nacional e a sua perda no século XVI, o impasse colonial, as guerras civis.
Esta é a maior crise de sempre da nossa História, porque nunca o desafio que enfrentamos foi tão grande e com consequências tão devastadoras, permanentes e irrecuperáveis. Sem que muitos, quase todos, tivéssemos disso consciência, fomos vivendo ao longo da nossa História - e apesar do que Lúcio de Azevedo escreveu sobre os fracassos económicos dos nossos processos de expansão - das especiarias da Índia, dos minérios e dos produtos agrícolas do Brasil, do pacto colonial imperial com os territórios africanos, sempre das remessas dos emigrantes e, mais recentemente, das transferências comunitárias. Foi sempre com isso que melhorámos as nossas contas. Foi com tudo isso que os que por aqui foram ficando viveram melhor do que provavelmente podiam e até mereciam.
Esta nova fase é a primeira em que o prato de lentilhas veio acompanhado de condições que não controlamos, que não dependem de nós e que existem para além do nosso desejo. A adesão à CEE foi o início de um processo de profunda diminuição da nossa soberania e a tendência não fará mais do que ampliar-se nos próximos tempos. Entre outras abdicações, que foram o preço da cornucópia que encheu Portugal de dinheiro, deixámos de ter autonomia em matéria de política monetária, fiscal e até económica. Tivemos de aceitar regras que, se não forem cumpridas, nos conduzirão a pesadas penalizações, à expulsão do euro, em teoria à própria saída da União Europeia.
Perante isto, temos um Governo que está a tentar fazer muito mais do que alguma vez fizeram os que o antecederam. Mas tudo o que está a tentar fazer surge-me como manifestamente insuficiente para se inverter esta tendência que nos conduzirá à ruína. E, pior ainda, em cada dia que passa sente-se que as resistências de uns, as pressões de outros, os receios de tantos, a incapacidade de muitos, a inconsciência e o egoísmo de uma ou duas gerações, farão com que provavelmente nem o (pouco) prometido venha a ser concretizado. Ou, o que pode até ser pior, venha a ser concretizado com cedências que minarão até a fraca probabilidade de que as reformas tenham sucesso.
E tudo isto acontece num ambiente global que nos é profundamente desfavorável e que tenderá a sê-lo cada vez mais. Somos o mais pobre dos ricos, tenho-o afirmado vezes sem conta e há anos; pagamos o preço de fazer parte do clube e competimos com os que não pagam esse preço. As novas tecnologias permitem soluções globais nunca sonhadas, divisões de trabalho internacional que nem os mais visionários "gurus" da economia previram, deslocalizações rápidas e eficazes. A abertura ao Leste criou-nos concorrentes que nos podem esmagar com custos de produção mínimos acoplados a produtividades altas. O modelo de desenvolvimento que nos deu a prosperidade possível, desde Correia de Oliveira e a adesão à EFTA, está esgotado; e Portugal não criou nenhum alternativo. Muitos dos principais factores positivos de competição internacional (localização geográfica, sistema educacional, sistema judicial, domínio de línguas estrangeiras, sistema fiscal, burocracia mínima) são-nos desfavoráveis e tendem a sê-lo cada vez mais.
Perante isto a única solução é falar verdade aos portugueses. É urgente colocar a poderosíssima máquina de propaganda governamental ao serviço da nossa mobilização para os sacrifícios inevitáveis (e a propósito, quando é que os partidos políticos propõem uma redução das dotações que recebem do Orçamento do Estado e do custo da função política?), é preciso que nos preparemos psicologicamente para anos de renúncias e de greves e perturbações sociais, é inevitável que interiorizemos que vamos colectivamente perder poder de compra e segurança nos empregos, pois sem isso nunca seremos competitivos.
Costuma dizer-se que os países não morrem e até mesmo que nunca vão verdadeiramente à falência. Não é verdade; mas ainda que o seja, se não fizermos o que tem de ser feito, Portugal pode vir a dar mais uma vez novos mundos ao mundo, servir de vacina e de demonstração para todos os outros, que com a nossa falência e a nossa extinção como projecto viável aprenderão a evitar igual destino.
 Advogado

 

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Luso

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« Responder #58 em: Janeiro 12, 2007, 11:49:15 am »
Eu, que conheço algo do mundo industrial, administrativo e autarquico, confirmo o conteúdo do texto que JoséMFernandes aqui colocou.
Sou apenas um pouco mais pessimista...
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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« Responder #59 em: Janeiro 12, 2007, 12:07:19 pm »
Citação de: "Luso"
Eu, que conheço algo do mundo industrial, administrativo e autarquico, confirmo o conteúdo do texto que JoséMFernandes aqui colocou.
Sou apenas um pouco mais pessimista...


Entao deves andar depressivo tudo o día. Até me deprime a mim, que nem sou português nem vivo em Portugal...
 

 

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