Asilo político: Norte-americano que quer ficar em Portugal

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comanche

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Asilo político: Norte-americano que quer ficar em Portugal
« em: Janeiro 06, 2008, 03:51:04 pm »
Lisboa, 06 Jan (Lusa) - O primeiro cidadão norte-americano a pedir asilo político em Portugal já foi notícia nos jornais e na Agência Lusa, nas quais era acusado de ter agredido a portuguesa com quem vive, segundo os relatos da polícia.



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A 16 de Dezembro de 2004 a Polícia foi chamada a uma habitação da Baixa de Lisboa, próximo da Rua da Palma, onde alegadamente um homem teria agredido uma mulher, reportavam as notícias.

Só que a investigação posterior veio a confirmar que não se teria tratado de violência doméstica, mas uma anterior agressão, concretizada por dois desconhecidos que falavam inglês, à companheira do norte-americano identificado como Daniel Bates Jaffee.

Na véspera, ao princípio da noite, quando seguia para a casa onde habitava com Jaffee, Paula Batista, segundo relatou à Lusa e consta no inquérito realizado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), foi agredida com um pau na cabeça, encapuzada por dois homens que a levaram para um local desconhecido.

Terá sido espancada, violada e queimada enquanto os dois homens lhe perguntavam o que sabia sobre o "Simone System", um projecto das secretas norte-americanas de que Daniel seria um dos responsáveis antes de abandonar o país.

Nas suas contas, a sessão de tortura terá durado quatro horas, antes de voltar a ser deixada na rua onde fora capturada.

Com receio que a sua ida ao hospital atraísse a atenção da polícia, dada a extensão dos ferimentos que apresentava, Paula Batista contou agora à Lusa que optou por se tratar em casa.

Como nessa altura o companheiro estava em situação ilegal, a ida das autoridades poderia significar a sua detenção e posterior deportação para os Estados Unidos, para onde ele garante que só irá morto.

Contudo, a gravidade das feridas tornaram o sofrimento insuportável e acabaram por pedir socorro, pedindo a uma amiga que chamasse assistência.

Quando viram "os inúmeros hematomas e enormes extensões do seu corpo queimadas", como relataram ao DIAP, optaram por chamar a PSP, dado que poderiam estar na presença de um crime.

A chegada dos agentes levou Daniel a barricar-se no quarto, alegando que se suicidaria se a polícia tentasse entrar. Chegou mesmo a fazer golpes num braço e no pescoço com uma faca.

Teriam que ser elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP (GOE) a entrar à força no quarto e a desarmar o norte-americano, levando-o detido, enquanto a companheira seguia para o hospital onde esteve internada largos dias.

No final, o inquérito do DIAP conclui que as agressões a Paula não foram cometidas pelo companheiro, mas nunca apurou os autores das agressões.

Desde então, conta agora Paula Batista, já que Daniel Jaffee, que diz chamar-se realmente Kenneth Alan Turing, não sai de casa com medo de ser capturado, têm vindo a receber várias ameaças, através da Internet, por telemóvel ou mesmo visualmente, quando viram indivíduos a fotografar a casa onde residem a partir da varanda de um hotel próximo.



Asilo Político: Primeiro norte-americano a pedir protecção em Portugal teme represálias pelo seu passado na espionagem
António Martins Neves, Agência Lusa

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Lisboa, 06 Jan (Lusa) - Parece um argumento fantástico para um filme de acção, misturando em doses elevadas espionagem no Iraque, perseguições, tortura e ameaças. Só que o protagonista, o primeiro norte-americano a pedir asilo político em Portugal e a vê-lo rejeitado, jura que é tudo verdade.

As autoridades portuguesas não acreditam nas alegações do homem que diz ter trabalhado para Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA, na sigla em inglês) e para a CIA, a secreta internacional dos Estados Unidos, e rejeitaram o apelo. A Secção Portuguesa da Amnistia Internacional diz que está a "investigar o caso" e assegura que se trata do primeiro pedido de asilo político de um norte-americano em Portugal.

Assegura que entre outras funções integrou a equipa que colocou a funcionar o sistema de espionagem Echelon, cuja existência foi negada durante muitos anos e que permite escutar todos os telefonemas feitos no mundo ou aceder a todas as mensagens de correio electrónico e de outros sistemas de comunicações.

O primeiro "chumbo" foi do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), entidade encarregue de tratar dos pedidos de asilo. A coordenadora do Gabinete de Asilo e Refugiados, Cláudia Rocha, concluiu, a 11 de Abril de 2005, o "pedido infundado" e "injustificadamente apresentado fora do prazo", já que o seu autor estava em Portugal desde 2002, de acordo com documentação a que a agência Lusa teve acesso.

Um recurso para o Comissariado Nacional para os Refugiados (CNR) teve o mesmo desfecho, a 26 de Abril de 2005, com o presidente daquele organismo, o juiz desembargador António Ferreira Neto a negar provimento à reapreciação e confirmando o que havia sido determinado pelo SEF.

A partir daquela data, tinha um prazo de dez dias para recorrer para o Tribunal da Relação, que está suspenso enquanto a Ordem dos Advogados não nomear um defensor para representar o cidadão norte-americano, explicou à Lusa a sua companheira portuguesa, Paula Batista.

Caso perca mais este recurso, o desfecho será a deportação para território norte-americano, hipótese que o protagonista da história diz significar a sua morte às mãos dos seus compatriotas das agências de espionagem, que diz receber ameaças constantemente.

Desde o último "não", pelo menos cinco advogados já pegaram no processo e rejeitaram-no com o argumento de que não dominam o inglês de forma a dar andamento ao caso, acrescentou.

E o processo não é nenhuma pêra-doce, já que se baseia no relato de uma pessoa com base nalguns factos que as autoridades portuguesas não consideram suficientemente credíveis, ainda mais por ser um cidadão dos Estados Unidos, onde a violação de direitos humanos tem dificuldade em colher quando observada por instituições estatais da Europa Ocidental.

O presidente do CNR chama mesmo ao relato "infundado e muito fantasioso".

As complicações levantam-se logo a abrir o dossier, com a identidade do requerente da protecção do Estado Português: diz chamar-se Kennet Alan Turing, mas apresenta um passaporte com o nome de Daniel Bates Jeffee. Garante que nasceu em Nova Iorque mas na identificação consta Los Angeles, Califórnia.

A explicação apresentada é a de que é um dissidente das agências de espionagem norte-americanas, que conseguiu abandonar depois de, garante, ter conseguido chantagear o então director da CIA, George Tenant, com informações que recolhera sobre o seu relacionamento com George Bush, o pai do actual presidente norte-americano, ele também ex-ocupante da presidência dos EUA e antigo director daquela "secreta", refere o despacho do CNR.

Na altura deram-lhe uma nova identidade - Daniel Bates Jaffe - e colocaram-no a trabalhar, aparentemente sob vigilância, numa empresa que estaria ligada à CIA a funcionar em Austin, no estado do Texas, ainda de acordo com seu relato.

Trabalhou naquela cidade entre 1997 e 2000, quando requereu um passaporte em Los Angeles e voou para a Irlanda, após, segundo assegura, ter acedido a informação classificada, revelada por antigos colegas, que o colocavam em perigo de vida por ir ser considerado traidor à Pátria.

O que alegadamente leva a esta acusação é uma estada no Iraque, após este país ter invadido o Kuwait, em 1990.

Kenneth/Daniel, enquanto especialista em comunicações, é requisitado pela CIA à NSA, treinado e enviado para o Curdistão iraquiano disfarçado de homem de negócios petrolíferos para tentar apurar por que razão o Echelon não conseguira captar as transmissões militares do Iraque que revelariam a preparação da invasão do vizinho Kuwait.

Ainda de acordo com um depoimento escrito, o norte-americano conta que tinha igualmente por missão colaborar no apoio a uma insurreição curda para derrubar o ditador iraquiano Saddam Hussein, ensinando aos rebeldes curdos técnicas de contra-espionagem e formas de interceptar comunicações militares iraquianas.

Mas, perante a rendição dos revoltosos curdos às tropas de Bagdad, os Estados Unidos cortam-lhe o apoio e mandam retirar os efectivos que tinham na região.

Kenneth/Daniel relata que nessa altura estava numa região remota e, como não era um soldado, a secreta militar norte americana (DIA) levou algum tempo a dar pela sua falta.

No início de 1993, tem conhecimento de uma equipa especial das forças especiais Delta estava no Curdistão para o capturar e inicia uma fuga de aldeia em aldeia até vir a ser capturado pelos seus compatriotas.

A partir daqui, o seu relato poderia ser um manual de tortura. Conta que foi sedado e sujeito a sevícias durante os interrogatórios, nos quais era confrontado com a acusação de se ter tornado um agente duplo. Conta que as sessões prosseguiram quando localizou o primeiro sítio dos vários por onde passara: a base de Guantanamo, em Cuba.

Mais tarde seria levado para outras prisões no território dos EUA e acabaria libertado enviado de regresso a Los Álamos, a sede da NSA, no estado do Novo México, em meados de 1995.

Acabaria por iniciar o processo de negociação para deixar as secretas americanas no início de 1997, sendo determinado que passaria um período de "quarentena" em Austin, donde iniciaria depois a fuga que o traria até Portugal.


 

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CyruS

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(sem assunto)
« Responder #1 em: Janeiro 06, 2008, 05:07:48 pm »
Será que é este o argumento do filme que irá celebrar o centenário do Manoel de Oliveira? É que isto soa demasiado a Hollywood para ser real...
 

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ShadIntel

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(sem assunto)
« Responder #2 em: Janeiro 06, 2008, 05:08:23 pm »
:shock:  Parece mesmo ficção científica... Até pode haver alguma verdade nessa história, mas uma das coisas que na minha opinião não joga nada a favor do tal Daniel B. Jaffee/Kenneth A. Turing é o blogue aparentemente mantido pela senhora Paula Batista: http://peopledeservetoknow.blog.com/
Mais ataques políticos contra a administração Bush em geral (Iraque, Irão, apoio a Musharraf, resto do Médio Oriente, política económica, aquecimento global...), do que verdadeira "defesa" do companheiro. Posso estar muito enganado, mas parece-me que isto vai acabar com a Amnesty International, a Lusa e outros órgãos de comunicação social chateados por terem sido manipulados por um par de histéricos...
 

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André

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« Responder #3 em: Janeiro 07, 2008, 06:32:31 pm »
Embaixada dos EUA recusa comentar primeiro pedido de um cidadão norte-americano em Portugal

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A Embaixada dos Estados Unidos em Lisboa escusou-se hoje a comentar o pedido de asilo político de um cidadão norte-americano apresentado às autoridades portuguesas.

"A Embaixada dos EUA informa que não faz qualquer comentário sobre o assunto mencionado", respondeu à agência Lusa, por correio electrónico, o Serviço de Imprensa e Cultura da representação diplomática dos Estados Unidos da América (EUA) na capital portuguesa.

Um cidadão com passaporte dos EUA está desde 2002 em Portugal, tendo pedido asilo político ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) em 2005, solicitação que viu rejeitada igualmente no recurso que apresentou posteriormente no Comissariado Nacional para os Refugiados.

Actualmente, o homem, que tem um passaporte emitido em nome de Daniel Jaffe, mas diz chamar-se realmente Kenneth Alan Turing, aguarda que a Ordem dos Advogados lhe indique um advogado para tratar da apresentação de novo recurso, desta vez no Tribunal da Relação de Lisboa, como estabelece a legislação sobre a matéria.

Daniel/Kenneth diz ser cientista especialista em comunicações e ter sido um dos autores do sistema de espionagem de âmbito mundial Echelon, já que garante ter trabalhado para a secreta Agência Nacional de Segurança (NSA) norte-americana e também para a CIA, a congénere internacional, também dos EUA.

Foi quando terá estado "cedido" à CIA que o alegado espião, após uma missão no Curdistão iraquiano, foi detido por forças especiais americanas e sujeito a vários anos de cativeiro por suspeita de se ter tornado um agente duplo quando permaneceu no Iraque, à altura ainda liderado por Saddam Hussein.

Lusa

 

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Camuflage

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Re: Asilo político: Norte-americano que quer ficar em Portugal
« Responder #4 em: Abril 16, 2011, 09:46:12 pm »
Que aconteceu ao gajo afinal?
 

 

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