Arsenal do Alfeite

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Aegir

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #45 em: Julho 27, 2015, 07:29:30 pm »
Excelente reportagem do que se vai fazendo no Arsenal do Alfeite :D  :D

https://www.facebook.com/IdDPortugal?fref=photo
 

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SinSy

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #46 em: Julho 27, 2015, 09:12:45 pm »
Acho que estão a desenvolver uma nova classe de salva-vidas!  :)
 

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Cabeça de Martelo

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #47 em: Setembro 18, 2015, 05:46:05 pm »
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

 

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NVF

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #48 em: Junho 10, 2016, 05:36:40 pm »
Commonality driving Portuguese approach

https://www.shephardmedia.com/news/imps-news/commonality-driving-portuguese-approach/

Citar
The company, created in 2009, covers some 36 hectares at the naval base in Lisbon, where it works to meet the needs of its main customer, as well as other NATO and commercial clients.

Among its specialties are the use of advanced technologies in electronics, optronics, armaments, and mechanical and electrical engineering.

Antonio Rodrigues Mateus, director business development and strategy, told delegates at the Offshore Patrol Vessel Technology conference that recent years had seen a need for customers focus on where their real priorities lay.

‘There is an advantage in being forced to focus [and] in essence we are talking about defining our priorities,’ he said.

‘We are trying to learn from past errors, a lot of procurement mistakes had been made. We lost the benefits of economies of scale in European navies.’

Mateus said that whereas before there had been a lack of coordination, or ‘alignment’, between the executive and the services, this process was now ‘much better’. Additionally, navies often previously planned with a certain degree of ambition, but were now much more realistic in their outlook.

‘The keys are interoperability, commonality, and a modular approach, which is common sense but has come from extensive analysis,’ he said.

Mateus added that in a global market sense, customers had to bear in mind the cost not only of the ship procurement but also operation. Arsenal Alfeite were exploring ways to introduce a ‘common maintenance strategy’ for the Portuguese fleet, he added.

Unmanned vehicle, both airborne and surface, were also being eyed as ways to enhance the capabilities of small ships, such as OPVs, in operation with the Portuguese Navy.

Portuguese naval forces have operated unmanned systems in recent years, such as Tekever’s AR3 Net Ray. Looking forward, the aim will be to integrate more capable unmanned systems into the OPVs, which will act as a force multiplier.

‘We are extremely eager in using UAVs and USVs. The target is to reduce manning and extend the capability [of OPVs],’ Mateus told Shephard.

‘The concept is to have the more numerous lower cost vessels working in a network, with unmanned capabilities, rather than having only a few, high cost, very capable units [deployable].’

UAVs and automation will help reduce the manning requirement for navies. However, there will still have to be a critical mass onboard, based on how long the vessel is going to be out at sea.

‘This is ambitious, but if you cannot be ambitious now then when can you be?’


Portugal-based MRO Arsenal Alfeite is looking at ways to enhance operations within the Portuguese Navy, including new ship design and commonality in ship manufacture and maintenance.
 

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olisipo

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #49 em: Julho 06, 2016, 10:36:38 am »


The Alfeite shipyard is currently overhauling the Portuguese MEKO frigate NRP Corte Real

Portugal, Morocco discuss further patrol ships refits, following return  of first vessel

http://www.janes.com/article/62021/portugal-morocco-discuss-further-patrol-ships-refits-following-return-of-first-vessel

Citar
Víctor Barrera,  Istanbul, ISS Jane's Navy International

06 July 2016

Portugal's state-owned shipyard Arsenal do Alfeite is negotiating with the Marine Royale Marocaine over possible refurbishment work on a second Osprey Mk II large patrol ships.  A first unit, El Hahiq (308), was returned to the Royal Moroccan Navy on 30 May, following overhaul by the company.

Morocco has three more Osprey Mk ISIS in its fleet: El Tawfiq (309), El Hamiss (316), and El Karib (317). The ships were received from Danish shipbuilder Danyard between 1987 and 1990.

The overhaul work on El Hahiq included repair work; replacement of 1,000 tons of steel, installation of a power control system and government-furnished generator sets; and an update of the propulsion suite. The Portuguese Navy also delivered a training package for the crew. The ship had arrived at the yard near Lisbon, Portugal, in February following the signing of a contract in January 2014. Moroccan personnel were based at the shipyard to oversee the work.

El Hahiq is the third Moroccan ship to be updated by Arsenal do Alfeite, following the logistic support support ship  Dakhla (408) in 2012 and the Floréal-class patrol frigate Hassan II (612) in 2013.
 

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Lusitano89

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #50 em: Janeiro 29, 2017, 04:20:08 pm »
Novas lanchas e reparação de submarinos: os desafios do Alfeite




O regresso à construção dos estaleiros e a reparação de navios da Marinha vão dar novo alento a meio milhar de trabalhadores

O Arsenal do Alfeite (AA) entrou no novo ano sem quaisquer dívidas, com mais de 18 milhões de euros em caixa para se modernizar e conseguir angariar mais clientes estrangeiros. Acabado de receber 10 milhões de euros da Defesa, o Arsenal vai iniciar em breve a modernização das fragatas da Marinha, construir (pela primeira vez desde 2009) lanchas salva-vidas e, a partir de 2018, reparar os submarinos portugueses.

"Prognósticos só no final", diz a presidente daquela sociedade anónima de capitais públicos, Andreia Ventura. "Foram dadas as condições para que pudéssemos ter um ano de ouro" já em 2017, agora "compete-nos trabalhar e provar que somos capazes" de as potenciar, adianta ao DN, com um sorriso confiante.

A quase exclusiva dependência do cliente Marinha vai manter-se nos próximos anos e é um risco no longo prazo para o AA, num país já sem império ou guerras prolongadas. Mas os astros começam a alinhar-se para o médio prazo: "Após 2020, receberemos cerca de cinco milhões de euros nas pequenas reparações" aos dois submarinos "e 25 milhões nas intermédias", informa a presidente do AA, acrescentando dados relevantes sobre a empresa: "Tem saldos transitados de 8,5 milhões de euros, não deve um cêntimo, paga a 30 dias e os clientes pagam no mesmo prazo."

Obra prioritária é a do aumento dos 138 metros da doca seca - agora ocupada pelo navio hidrográfico D. Carlos I - para 220 metros, com comportas para dividir o espaço em função das necessidades. Isso tem de estar concluído até ao segundo semestre de 2018, quando se inicia a reparação do segundo submarino ao serviço da Marinha.

"Fazer uma grande reparação dos submarinos implicava parar a doca durante 15 meses" por falta de espaço para outras embarcações, explica Andreia Ventura, no último ano do seu mandato como presidente do AA. Acresce que essa modernização das infraestruturas - abrangendo as 70 chaminés nos 36 hectares dos estaleiros - vai ser acompanhada da aquisição de capacidades para reparar os submarinos (48 milhões em 2017/18).

"Temos obrigações de serviço público para manter e reparar a frota da Marinha", lembra Andreia Ventura, embora consciente da necessidade de alargar a carteira de clientes. É aí que entra aquela nova valência, pois "permitirá posicionar o Arsenal na reparação de submarinos alemães" num país membro da NATO e da UE que tem uma "localização estratégica".

Cauteloso está o dirigente sindical Rogério Caeiro, que já viu muitas promessas ficarem por cumprir numa empresa inaugurada em 1939, com 510 trabalhadores e que "desde 2009 perdeu mais de metade da mão de obra disponível".

A verdade é os funcionários, a começar pelo próprio Rogério Caeiro, "estão expectantes" com o que já foi anunciado e quando ainda "há alguns trabalhadores" com contratos a prazo, numa empresa politicamente dominada pelo PCP e pelo BE. "Estamos satisfeitos com a posição do atual governo" em relação ao AA "e aí não será alheia a correlação de forças" no Parlamento, regista.


>>>>>   http://www.dn.pt/portugal/interior/novas-lanchas-e-reparacao-de-submarinos-os-desafios-do-alfeite-5634312.html
 

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Crypter

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #51 em: Fevereiro 21, 2017, 04:10:28 pm »
Citar
Arsenal do Alfeite constroi duas lanchas salva-vidas da classe Vigilante II

Três meses decorridos, desde a assinatura do Memorando de Entendimento entre a Arsenal do Alfeite S.A (AA), a Marinha Portuguesa e a Autoridade Marítima Nacional, que estabelece as bases para a futura aquisição de 4 embarcações salva-vidas tipo L150-SV, assinou-se hoje, dia 21 de Fevereiro, pelas 11h30, o contrato, que visa a construção de duas das referidas lanchas, já a partir de 2017.

O acto foi presidido pelo ministro da Defesa Nacional, José Alberto Azeredo Lopes, e o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marcos Perestrello.

Em Portugal, o Arsenal do Alfeite apresenta capacidades de construção e reparação diferenciadoras para a classe de embarcações em causa, a par de uma “equipa técnica altamente qualificada, o que permite dar resposta às necessidades da Autoridade Marítima Nacional (AMN), em particular do Instituto de Socorros a Náufragos, na sua nobre missão de salvar vidas humanas no mar”, refere um comunicado da AMN.

Valor de 3 milhões de euros

O valor do contrato para a construção das duas lanchas salva-vidas ascende a 3 milhões de euros (IVA incluído) e a entrega das embarcações ocorrerá no início, a primeira, e no final, a segunda, do ano de 2018.

“Trata-se de um momento marcante para a AA e seus trabalhadores, sendo de realçar o impacto na região e no País. O Estaleiro retoma assim a sua actividade de construção, contribuindo para a dinâmica do sector da indústria naval na Área Metropolitana de Lisboa”, acrescenta o mesmo comunicado.


Alguém me sabe dizer onde posso ver as características desta classe?
 

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miguelbud

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #52 em: Fevereiro 21, 2017, 09:08:22 pm »
Alguém me sabe dizer onde posso ver as características desta classe?

Características Principais
Comprimento fora a fora    14,5 m
Boca    4,3 m
Pontal    2,1 m
Imersão máxima    0,8 m
Deslocamento total    18,4 t
Velocidade máxima    31 nós
Combustível    2 x 800 l
Autonomia    240 Milhas náuticas
Água Doce    200 l
Tripulação    4
Náufragos    12 + 1
Estabilidade em Avaria    Dois compartimentos alagáveis
Navio auto-indireitante    
 

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Crypter

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #53 em: Fevereiro 21, 2017, 09:34:57 pm »
MiguelBud essas características não são da primeira versão desta classe?

http://www.arsenal-alfeite.pt/index.php?id=137
 

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Lightning

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #54 em: Fevereiro 22, 2017, 03:08:35 pm »
 
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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #55 em: Fevereiro 23, 2017, 10:48:48 am »
« Última modificação: Fevereiro 23, 2017, 03:05:20 pm por Lightning »
 

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rbp

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Lusitano89

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #57 em: Março 20, 2017, 10:00:15 pm »
A equipa de elite que vai dar nova vida ao Arsenal do Alfeite


Uma equipa de 12 engenheiros, mestres, técnicos e operários está desde fevereiro a receber formação nos estaleiros de Kiel, na Alemanha. Não podem aceitar qualquer convite para trabalhar no fabricante dos submarinos Tridente, mas vão trazer para Portugal conhecimentos que permitirão ao Arsenal do Alfeite reparar submarinos de fabrico alemão

São 12 profissionais, quase todos com mais de 20 anos de trabalho no Arsenal do Alfeite (AA) e neles está depositada a esperança de garantir o futuro do estaleiro. Francisco Merca, engenheiro, é categórico: "Estamos [na Alemanha] com espírito de missão. Vamos ficar na história. As gerações vindouras vão saber quem levou" a emblemática empresa da Margem Sul a dar o salto.

A equipa de engenheiros, mestres, técnicos e operários está desde fevereiro a receber formação nos estaleiros de Kiel, junto ao mar Báltico. Mas, primeiro, assinaram um contrato a assumir que rejeitam qualquer convite do fabricante dos submarinos Tridente (a TKMS). Andreia Ventura, presidente do AA, explica: "Escolhemos a equipa e depois falámos abertamente com eles sobre a importância estratégica do investimento que a empresa ia fazer neles", enviando-os "para a Alemanha a fim de adquirirem formação e conhecimento na manutenção e reparação dos submarinos da classe Tridente."

"Foi-lhes dito que, se não pudessem dar garantias de ficar na empresa ou não tivessem vontade de ir, até por razões familiares, que o assumissem para dar lugar a outro" dos 498 trabalhadores do AA. "Nesta aposta joga-se o próprio futuro dos estaleiros do Arsenal", empresa fundada em dezembro de 1937, enfatiza Andreia Ventura.

O objetivo é ambicioso: modernizar o AA para concretizar o que, no relatório e contas de 2013, fora assumido como "terceiro pilar estratégico" do desenvolvimento do estaleiro - estabelecer "associações e parcerias, a nível internacional, que assegurem transferências de tecnologia suscetíveis de dinamizar a economia nacional, trazendo-lhe elevado valor acrescentado, com os correspondentes ganhos."

Esta oportunidade, que se concretiza com a mudança de orientação política dada pela geringonça, permite manter e reparar os submarinos portugueses no AA. As divisas que ficam no país ajudam a perceber o potencial de negócio, sabendo-se que a maioria dos países da América Latina e mais uns quantos no Médio Oriente e África têm submarinos alemães: as reparações mais pequenas dos dois da Marinha custam cerca de cinco milhões de euros e as intermédias 25 milhões.

O AA, por via das dúvidas, "também falou" com a TKMS - mais virada para a construção naval - com o intuito de mostrar que qualquer tentativa de contratar um dos 12 eleitos seria sentida como prejudicial, conta Andreia Ventura. Estas cautelas e caldos de galinha justificam-se com o histórico registado há uma década: vários dos técnicos do AA - e militares da Marinha - envolvidos na construção dos submarinos, que adquiriram formação na Alemanha, acabaram por ali ficar.

Francisco Merca, há nove anos nos AA e um dos dois engenheiros destacados nos estaleiros da TKMS, afirma: "Há pouco mais de um ano não se esperava que isto pudesse acontecer. As estrelas estão todas alinhadas" para garantir os atuais 510 postos de trabalho e contratar outras dezenas (porque só a manutenção/reparação de um submarino absorve quase metade do atual efetivo).Victor Pereira, mestre de construção naval, é um dos elementos presentes no contentor de porta dupla que acena em sinal de concordância, mas com a cautela natural de quem entrou no AA a meio da adolescência e já viu sair centenas de trabalhadores. "Se resultar, a nuvem desaparece... estou na expectativa, conheço o passado do Arsenal", observa. Agostinho Miranda, caldeireiro de tubos, acrescenta: "O AA tem de dar o salto tecnológico e os submarinos são a grande oportunidade."

Alguns dos nove profissionais do AA agora em Kiel já conhecem o local. Foi aí que, há uma década, acompanharam a construção dos submarinos Tridente e Arpão. Mas a verdade é que o frio invernal, os hábitos germânicos, horários e comida são uma dificuldade sempre presente, desabafa o mestre eletricista António Parreira.

O quotidiano começa com o pequeno-almoço a seguir às 05.00, para começar a trabalhar às 06.00. O almoço é a partir das 10.30 e a saída por volta das 15.30. O trabalho decorre em dois locais: no fundo da doca seca, às vezes cheia de gelo, onde o Tridente está a ser descascado para a sua primeira reparação intermédia, e nos contentores duplos que lhe ficam sobranceiros. "Estamos a observar e a construir um modelo de manutenção" dos submarinos, "a ver o que é necessário em termos de ferramentas e mão-de-obra, como [os alemães] se organizam, qual a massa crítica [número de técnicos] necessária para fazer o quê em quanto tempo", diz Francisco Merca, gestor do projeto.

Isso resultou do acordo (por formalizar) entre a TKMS e a Marinha para que o segundo navio - o Arpão - fosse reparado no AA (em 2018), embora ainda sob responsabilidade direta do estaleiro alemão. A partir de 2020 seguir-se-ão, é a expectativa fundada, os de outros países para quem será mais rápido e mais barato usar o estaleiro português com garantia alemã do que contornar a Europa para chegar e ficar em Kiel.

Aqui, num enorme espaço cinzento com várias docas e múltiplas gruas, dividido de forma quase estanque entre as oficinas dos submarinos e as dos navios de superfície (concessionadas a uma empresa do Abu Dhabi), a segurança é uma constante: uso obrigatório de capacete e óculos a partir do momento em que se entra na zona das docas. A espionagem, num local onde estão a ser construídos submarinos para Israel e Egito, também é uma preocupação - e não tirar fotografias é regra, que aconselha cuidado na forma de pegar no telemóvel, alertam os portugueses.

A fila de contentores ao longo da doca 5 traduz o modelo de funcionamento alemão, pois "juntam tudo [logística, planeamento, compras, etc.] para ajudar à decisão", refere Francisco Merca. Pelo meio, há um espaço comum com lava-loiça e máquinas de café e água. Além de partilhar o espaço, também "temos liberdade total para entrar nas oficinas", onde muitos dos operários "não falam inglês. Como imagina, nós não falamos alemão...", acrescenta, a sorrir.

Sérgio Adão, a analisar esquemas no portátil com o também mecânico Ricardo Godinho, junta-se à conversa: "A língua é uma barreira, mas é contornada com a nossa maneira de estar... isto vai com gestos, desenhos." Dito de outra maneira, como os trabalhadores alemães "nem sempre respondem", porque não querem ou não percebem o inglês, o bom humor português ajuda a ultrapassar a frustração.

Jorge Guerreiro, que seguiu as pisadas do pai, do tio e de três primos dentro do AA, diz que "não há diferença na formação ou conhecimento técnico" em relação aos alemães. Isso ocorre ao nível tecnológico, pois eles "têm três ou quatro máquinas para fazer uma coisa e nós temos uma, quando temos" - o que, além do modelo de organização, ajudará a explicar a afamada maior produtividade germânica.

Além de verem como os alemães operam, os portugueses também ajudam nos trabalhos. Às vezes não sabem o que lhes é pedido. "Sabes como se diz manilha em alemão?", pergunta Adão, dirigindo-se aos presentes. Depois conclui, com uma gargalhada: "Niet. Mas como sabemos a sequência [do trabalho], adivinhamos o significado do que estão a pedir."

Os portugueses também têm de pedir fotografias do que veem, incluindo-as nos "relatórios diários de tudo o que se passa dentro da área de cada um", conta um deles, enquanto o responsável da equipa alemã, Thomas, entra no contentor (equipado com múltiplos armários para a roupa e quatro secretárias, onde se trabalha e come) trazendo uma máquina de café nova, ainda dentro da caixa. "Começámos a 6 de fevereiro, a internet chegou a 3 de março...", comenta outro português. E tempos livres? Ir ao cinema "é difícil, porque são quase todos dobrados em alemão". Alternativa é jogar bowling e futebol ao fim de semana, quando optam por não viajar dentro do país. Saudades? "Muitas... às vezes estou [no hotel] a trabalhar com o Skype ligado, a ouvir os sons que me são familiares", revela Francisco Merca. "É complicado gerir emoções à distância", conclui Jorge Guerreiro.

*Em Kiel. O jornalista viajou a convite do Arsenal do Alfeite



>>>>>   http://www.dn.pt/portugal/interior/a-equipa-de-elite-que-vai-dar-nova-vida-ao-arsenal-do-alfeite-5735317.html?utm_source=dn.pt&utm_medium=recomendadas&utm_campaign=beforeArticle&_ga=1.19024827.2041442729.1462638703
 
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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #58 em: Março 20, 2017, 11:24:24 pm »
A equipa de elite que vai dar nova vida ao Arsenal do Alfeite


Uma equipa de 12 engenheiros, mestres, técnicos e operários está desde fevereiro a receber formação nos estaleiros de Kiel, na Alemanha. Não podem aceitar qualquer convite para trabalhar no fabricante dos submarinos Tridente, mas vão trazer para Portugal conhecimentos que permitirão ao Arsenal do Alfeite reparar submarinos de fabrico alemão

São 12 profissionais, quase todos com mais de 20 anos de trabalho no Arsenal do Alfeite (AA) e neles está depositada a esperança de garantir o futuro do estaleiro. Francisco Merca, engenheiro, é categórico: "Estamos [na Alemanha] com espírito de missão. Vamos ficar na história. As gerações vindouras vão saber quem levou" a emblemática empresa da Margem Sul a dar o salto.

A equipa de engenheiros, mestres, técnicos e operários está desde fevereiro a receber formação nos estaleiros de Kiel, junto ao mar Báltico. Mas, primeiro, assinaram um contrato a assumir que rejeitam qualquer convite do fabricante dos submarinos Tridente (a TKMS). Andreia Ventura, presidente do AA, explica: "Escolhemos a equipa e depois falámos abertamente com eles sobre a importância estratégica do investimento que a empresa ia fazer neles", enviando-os "para a Alemanha a fim de adquirirem formação e conhecimento na manutenção e reparação dos submarinos da classe Tridente."

"Foi-lhes dito que, se não pudessem dar garantias de ficar na empresa ou não tivessem vontade de ir, até por razões familiares, que o assumissem para dar lugar a outro" dos 498 trabalhadores do AA. "Nesta aposta joga-se o próprio futuro dos estaleiros do Arsenal", empresa fundada em dezembro de 1937, enfatiza Andreia Ventura.

O objetivo é ambicioso: modernizar o AA para concretizar o que, no relatório e contas de 2013, fora assumido como "terceiro pilar estratégico" do desenvolvimento do estaleiro - estabelecer "associações e parcerias, a nível internacional, que assegurem transferências de tecnologia suscetíveis de dinamizar a economia nacional, trazendo-lhe elevado valor acrescentado, com os correspondentes ganhos."

Esta oportunidade, que se concretiza com a mudança de orientação política dada pela geringonça, permite manter e reparar os submarinos portugueses no AA. As divisas que ficam no país ajudam a perceber o potencial de negócio, sabendo-se que a maioria dos países da América Latina e mais uns quantos no Médio Oriente e África têm submarinos alemães: as reparações mais pequenas dos dois da Marinha custam cerca de cinco milhões de euros e as intermédias 25 milhões.

O AA, por via das dúvidas, "também falou" com a TKMS - mais virada para a construção naval - com o intuito de mostrar que qualquer tentativa de contratar um dos 12 eleitos seria sentida como prejudicial, conta Andreia Ventura. Estas cautelas e caldos de galinha justificam-se com o histórico registado há uma década: vários dos técnicos do AA - e militares da Marinha - envolvidos na construção dos submarinos, que adquiriram formação na Alemanha, acabaram por ali ficar.

Francisco Merca, há nove anos nos AA e um dos dois engenheiros destacados nos estaleiros da TKMS, afirma: "Há pouco mais de um ano não se esperava que isto pudesse acontecer. As estrelas estão todas alinhadas" para garantir os atuais 510 postos de trabalho e contratar outras dezenas (porque só a manutenção/reparação de um submarino absorve quase metade do atual efetivo).Victor Pereira, mestre de construção naval, é um dos elementos presentes no contentor de porta dupla que acena em sinal de concordância, mas com a cautela natural de quem entrou no AA a meio da adolescência e já viu sair centenas de trabalhadores. "Se resultar, a nuvem desaparece... estou na expectativa, conheço o passado do Arsenal", observa. Agostinho Miranda, caldeireiro de tubos, acrescenta: "O AA tem de dar o salto tecnológico e os submarinos são a grande oportunidade."

Alguns dos nove profissionais do AA agora em Kiel já conhecem o local. Foi aí que, há uma década, acompanharam a construção dos submarinos Tridente e Arpão. Mas a verdade é que o frio invernal, os hábitos germânicos, horários e comida são uma dificuldade sempre presente, desabafa o mestre eletricista António Parreira.

O quotidiano começa com o pequeno-almoço a seguir às 05.00, para começar a trabalhar às 06.00. O almoço é a partir das 10.30 e a saída por volta das 15.30. O trabalho decorre em dois locais: no fundo da doca seca, às vezes cheia de gelo, onde o Tridente está a ser descascado para a sua primeira reparação intermédia, e nos contentores duplos que lhe ficam sobranceiros. "Estamos a observar e a construir um modelo de manutenção" dos submarinos, "a ver o que é necessário em termos de ferramentas e mão-de-obra, como [os alemães] se organizam, qual a massa crítica [número de técnicos] necessária para fazer o quê em quanto tempo", diz Francisco Merca, gestor do projeto.

Isso resultou do acordo (por formalizar) entre a TKMS e a Marinha para que o segundo navio - o Arpão - fosse reparado no AA (em 2018), embora ainda sob responsabilidade direta do estaleiro alemão. A partir de 2020 seguir-se-ão, é a expectativa fundada, os de outros países para quem será mais rápido e mais barato usar o estaleiro português com garantia alemã do que contornar a Europa para chegar e ficar em Kiel.

Aqui, num enorme espaço cinzento com várias docas e múltiplas gruas, dividido de forma quase estanque entre as oficinas dos submarinos e as dos navios de superfície (concessionadas a uma empresa do Abu Dhabi), a segurança é uma constante: uso obrigatório de capacete e óculos a partir do momento em que se entra na zona das docas. A espionagem, num local onde estão a ser construídos submarinos para Israel e Egito, também é uma preocupação - e não tirar fotografias é regra, que aconselha cuidado na forma de pegar no telemóvel, alertam os portugueses.

A fila de contentores ao longo da doca 5 traduz o modelo de funcionamento alemão, pois "juntam tudo [logística, planeamento, compras, etc.] para ajudar à decisão", refere Francisco Merca. Pelo meio, há um espaço comum com lava-loiça e máquinas de café e água. Além de partilhar o espaço, também "temos liberdade total para entrar nas oficinas", onde muitos dos operários "não falam inglês. Como imagina, nós não falamos alemão...", acrescenta, a sorrir.

Sérgio Adão, a analisar esquemas no portátil com o também mecânico Ricardo Godinho, junta-se à conversa: "A língua é uma barreira, mas é contornada com a nossa maneira de estar... isto vai com gestos, desenhos." Dito de outra maneira, como os trabalhadores alemães "nem sempre respondem", porque não querem ou não percebem o inglês, o bom humor português ajuda a ultrapassar a frustração.

Jorge Guerreiro, que seguiu as pisadas do pai, do tio e de três primos dentro do AA, diz que "não há diferença na formação ou conhecimento técnico" em relação aos alemães. Isso ocorre ao nível tecnológico, pois eles "têm três ou quatro máquinas para fazer uma coisa e nós temos uma, quando temos" - o que, além do modelo de organização, ajudará a explicar a afamada maior produtividade germânica.

Além de verem como os alemães operam, os portugueses também ajudam nos trabalhos. Às vezes não sabem o que lhes é pedido. "Sabes como se diz manilha em alemão?", pergunta Adão, dirigindo-se aos presentes. Depois conclui, com uma gargalhada: "Niet. Mas como sabemos a sequência [do trabalho], adivinhamos o significado do que estão a pedir."

Os portugueses também têm de pedir fotografias do que veem, incluindo-as nos "relatórios diários de tudo o que se passa dentro da área de cada um", conta um deles, enquanto o responsável da equipa alemã, Thomas, entra no contentor (equipado com múltiplos armários para a roupa e quatro secretárias, onde se trabalha e come) trazendo uma máquina de café nova, ainda dentro da caixa. "Começámos a 6 de fevereiro, a internet chegou a 3 de março...", comenta outro português. E tempos livres? Ir ao cinema "é difícil, porque são quase todos dobrados em alemão". Alternativa é jogar bowling e futebol ao fim de semana, quando optam por não viajar dentro do país. Saudades? "Muitas... às vezes estou [no hotel] a trabalhar com o Skype ligado, a ouvir os sons que me são familiares", revela Francisco Merca. "É complicado gerir emoções à distância", conclui Jorge Guerreiro.

*Em Kiel. O jornalista viajou a convite do Arsenal do Alfeite



>>>>>   http://www.dn.pt/portugal/interior/a-equipa-de-elite-que-vai-dar-nova-vida-ao-arsenal-do-alfeite-5735317.html?utm_source=dn.pt&utm_medium=recomendadas&utm_campaign=beforeArticle&_ga=1.19024827.2041442729.1462638703

EXCELENTE NOTÍCIA !!!!!!!
 

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perdadetempo

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Re: Arsenal do Alfeite
« Responder #59 em: Julho 03, 2017, 09:48:56 pm »
Já saiu o relatório & contas do Arsenal do Alfeite para o ano de 2016

http://www.arsenal-alfeite.pt/downloads/file196_pt.pdf

Na pág. 5 informam que decurso das acções a realizar para a manutenção de meia vida do submarino TRIDENT (segundo semestre de 2018), vão ampliar a doca seca de 138m para 220m.

Na pág 17 um quadro que nos permite saber os custos das alterações dos NRP Mondego, Douro e Guadiana.

Assim como toda a informação financeira/pessoal  em relação ao Ano de 2016

Cumprimentos,
 

 

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