Escudo antimísseis pode provocar divisão no seio da NATO

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Escudo antimísseis pode provocar divisão no seio da NATO
« em: Março 12, 2007, 06:25:58 pm »
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Europa: Escudo antimísseis pode provocar divisão no seio da NATO - Scheffer

Londres, 12 Mar (Lusa) - O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, considera que o projecto norte-americano de escudo antimísseis na Europa, cobrindo apenas alguns países da NATO, pode provocar uma divisão no seio da aliança militar, numa entrevista publicada hoje pelo Financial Times.

      "Não pode haver uma liga A e uma liga B em matéria de defesa antimísseis. Para mim, a indivisibilidade da segurança é a linha de conduta", declarou.

      Segundo o diário financeiro britânico, o sistema de defesa antimísseis norte-americano cobrirá quase toda a Europa, mas certos países do sudeste europeu terão necessidade de um sistema suplementar de curto alcance, tendo em conta a sua proximidade com o Irão.

      O secretário-geral da NATO sugere que o sistema norte- americano de defesa antimísseis seja completado com um sistema de defesa europeu que deve estar operacional em 2010. "Posteriormente poderá haver uma conexão entre os dois sistemas", declarou Jaap de Hoop Scheffer.

      O responsável declarou-se convencido que a Europa precisa de um sistema de defesa antimísseis. "Existem todas as razões para se pensar que (os membros da NATO sofrerão ataques de mísseis) tendo em conta os ensaios nucleares norte-coreanos e a capacidade nuclear iraniana e as declarações de iranianos (à)", disse.

      Hoop Scheffer rejeitou os fortes protestos da Rússia que se opõe à colocação de um sistema antimísseis. Realçou, a propósito, que os interceptores de mísseis na Polónia não "diminuiriam a capacidade (russa) de um primeiro ataque".

      A Rússia está preocupada com o projecto de instalação de equipamentos antimísseis norte-americanos na República Checa e na Polónia, mas Washington afirma que aquelas instalações não são dirigidas contra a Rússia e visam contrariar "a ameaça do Médio Oriente".

      Numa conferência de imprensa conjunta hoje em Lisboa, os chefes das diplomacias portuguesa e italiana, Luís Amado e Massimo D´Alema, respectivamente, defenderam que o tema da defesa antimísseis da Europa seja discutido entre a União Europeia e a NATO.

      "Um assunto tão importante como a segurança europeia não pode ser resolvido a nível bilateral", afirmou D´Alema.

      Afirmando partilhar as preocupações de Hoop Scheffer, Amado defendeu que UE e NATO tentem equilibrar interesses e conciliar objectivos, salientando ainda a importância do diálogo entre a União Europeia e os Estados Unidos e de "aproveitar a vontade política da Rússia de colaborar com a UE" em relação aos problemas que a União enfrenta.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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Lancero

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« Responder #1 em: Março 21, 2007, 03:17:26 pm »
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Defesa: Portugal vai "acompanhar debate" na NATO sobre escudo anti-míssil dos EUA

Lisboa, 21 Mar (Lusa) - O Chefe de Estado Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general Valença Pinto, afirmou hoje que Portugal vai "acompanhar o debate" na NATO sobre o escudo anti-míssil que os Estados Unidos planeiam instalar na Europa.

        "Portugal acompanhará o debate no seio da Aliança Atlântica, que vai intensificar-se durante o mês de Abril, através dos canais políticos, diplomáticos", disse Valença Pinto, numa conferência de imprensa com o general John Craddock, Comandante Supremo da NATO na Europa (SACEUR), de visita oficial a Portugal.

        Desdramatizando o facto de o país ficar de fora do polémico sistema anti-míssil, que já mereceu críticas do líder russo, Vladimir Putin, Valença Pinto afirmou que "haverá ainda muito tempo pela frente e muito trabalho antes de se ter uma opinião mais concreta sobre o assunto".

        O general John Craddock admitiu tratar-se de uma "questão complexa" e secundou as posições do secretário-geral da NATO de vir a existir "a possibilidade" de integrar o escudo anti-míssil em acções da aliança.

        O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, já defendeu, após uma reunião com o seu homólogo italiano, Massimo d'Alema, em Março, que a questão do sistema anti-míssil deve ser discutida no âmbito da NATO e da União Europeia.

        Os Estados Unidos têm mantido negociações com os governos de Praga, Varsóvia e Londres para a instalação do sistema no seu território.

        O comandante supremo da NATO na Europa está desde terça-feira em Portugal, para uma visita de dois dias, em que já se reuniu, hoje de manhã, com o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, com o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, e com o CEMGFA.

        " tarde, tem uma audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém, antes de presidir a uma reunião de comandos da Aliança, que decorrerá no comando de Oeiras.

        Na conferência de imprensa, o general norte-americano agradeceu "o apoio, participação e profissionalismo" dos militares portugueses em missões da NATO, nomeadamente no Kosovo e no Afeganistão, para as quais, garantiu, não veio pedir reforço.

        Embora reconheça que existem falta de tropas, no Afeganistão, por exemplo, o general John Craddock admitiu não lhe ser possível prever quando é que as forças da Aliança poderão deixar o país dos talibãs.

        "Ainda há muito por fazer e as questões centrais são a segurança, a reconstrução e o desenvolvimento do país", disse Craddock.

        O general Valença Pinto revelou ter analisado com John Craddock a participação portuguesa nas missões da NATO e também a valorização do comando da NATO instalado em Oeiras.
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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Pantera

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« Responder #2 em: Março 21, 2007, 04:51:10 pm »
pois além das complicações com a Russia.
Esse escudo que os americanos desenvolvem à largas décadas ainda não mostrou ser o suficietemente protector, além dos biliões de dollars que os americanos gastaram.É um escudo insuficiente para parar o poder balistico Russo, mas que pode ser útil para mísseis mais antigos e menos tecnologicamente desenvolvidos. Resta é saber qual o custo verdadeiro de tal implementação aqui na Europa.

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pablinho

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« Responder #3 em: Março 23, 2007, 08:37:08 pm »
Non acabo de entender a posicion de Rusia... ¿a que se debe este rechazo? en teoria esto sirve para defenderse de corea e de Iran ¿non?
 

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JoseMFernandes

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« Responder #4 em: Abril 27, 2007, 11:07:32 am »
Julgo ter interesse o artigo do Gen. Loureiro dos Santos, no jornal PUBLICO de 27/4/2007., e que vem na sequencia das fortes declaraçoes de PUTIN no discurso sobre o Estado da Nação (ver a noticia seguinte) .

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Regressa o debate sobre o antimíssil 27.04.2007, Loureiro dos Santos

A Rússia argumenta como se ignorasse que a imunidade a ataques nucleares é um desígnio nacional norte-americano


O sistema antimíssil balístico (ABM) é, há 30 anos, o principal instrumento dos norte-americanos na sua disputa de poder com os russos. A partir de Reagan, que obrigou a URSS a ajoelhar com a "guerra das estrelas", até Bush em 2001, que denunciou o tratado ABM pelo qual as duas superpotências eram impedidas de desenvolver sistemas antimíssil. Com esta denúncia, muito contestada pela Rússia, ficou aberto o caminho para os Estados Unidos tirarem partido dos seus avanços em investigação e tecnologia, criando dispositivos que os tornassem imunes a ataques ao seu território com mísseis balísticos nucleares.
Desde então foi sendo implantado um sistema desenhado com o objectivo inicial de tornar os EUA invulneráveis a ataques nucleares limitados, com origem em estados que designam por "párias", evoluindo para um escudo que detenha qualquer tipo de ataque, mesmo maciço. Constituído em camadas, a instalar progressiva e simultaneamente: as necessárias para proteger os teatros de operações contra mísseis até alcance intermédio e outras contra mísseis intercontinentais. A sua eficiência vem aumentando, como mostram os testes positivos, havendo a convicção que a tecnologia responderá ao que se pretende.
A questão voltou à ribalta do debate internacional com o entendimento dos EUA com a República Checa e a Polónia, no sentido de instalar sistemas de detecção, no primeiro, e mísseis antimíssil, no segundo país. A Rússia reagiu violentamente, ameaçando o Ocidente com nova corrida aos armamentos, tendo o comandante da sua frota de mísseis estratégicos lembrado que aqueles equipamentos se encontravam ao seu alcance. Vários países europeus alertaram para a hipótese do regresso à Guerra Fria.
A crise irrompeu numa situação complexa. Os EUA estão combalidos pelos erros cometidos no Iraque, forçados a alterar a estratégia unilateral adoptada, e revelando vulnerabilidades militares insuspeitas na sua capacidade para conduzirem guerras ofensivas prolongadas. Mas mantêm o essencial do seu poder hard, assente nos factores económico, militar e conhecimento (científico-tecnológico), o que lhes permite teimar em direcção ao objectivo de se tornarem imunes a ataques com mísseis nucleares.
A Rússia, obrigada a recuar até fronteiras do século XVIII, tenta conter a ofensiva ocidental na Ucrânia, no Transniestre, no Cáucaso e na Geórgia, e limitar ao máximo a aproximação da NATO aos Urais. A liderança russa, com Putin, procura recuperar a posição de superpotência utilizando as suas capacidades na produção de armamentos e as reservas de energia fóssil como vector de coacção. Para Leste, exporta armamentos e avança com o projecto de um gasoduto para a China e outro para o Japão; para Sul, aumenta o seu papel no Médio Oriente, vendendo equipamento militar e tecnologias para a energia nuclear, posicionando-se contra os interesses ocidentais; para Ocidente, já condicionou os países europeus através dos fornecimentos de gás natural, e tenta dividi-los, como com o gasoduto do Báltico à Alemanha a que os polacos chamam "novo pacto Molotov-Ribentrop"; quer a paridade nuclear com os EUA, insistindo na manutenção da dissuasão nuclear mútua, retomando o discurso com que tentou parar Reagan, ignorando que a imunidade a ataques nucleares é um desígnio nacional norte-americano.
A Europa encontra-se numa encruzilhada. Gorou-se o projecto de uma União Europeia contraponto dos EUA. A globalização mina o modelo social europeu, o que provoca a reacção das populações contra a UE. A economia já só é liberal enquanto for conveniente a cada projecto nacional, em especial dos grandes países, como revelam: o projecto de Sarkozy; a defesa intransigente de cada estado dos seus gigantes nacionais da energia; a crescente defesa dos valores nacionais pelos partidos políticos; a dificuldade de entendimento para a substituição da "Constituição Europeia" e as divergências sobre o alargamento.
A Europa transformou-se num alvo prioritário de organizações terroristas islamistas, que recrutam combatentes entre os europeus muçulmanos, e teme a agressividade da Rússia que controla a "torneira" da energia. Em termos militares, mostra completa irrelevância em conflitos de elevada intensidade e tem pouca capacidade para conduzir operações de baixa/média intensidade, com as opiniões públicas (e porventura a maioria das lideranças políticas) ainda no ingénuo (?) convencimento de que não é necessário investir nas forças armadas, já que os conflitos se poderão resolver sempre (?) com limitado uso da força. Na questão do antimíssil, não possui capacidade para impor qualquer solução ou dirimir o diferendo Rússia-EUA.
As declarações de alguns dirigentes quanto aos perigos da implantação de equipamentos em território europeu e à necessidade dos americanos negociarem com os russos, coordenando os respectivos sistemas, apenas terão servido para se não mostrarem hostis em relação à Rússia, que temem. Naturalmente, os americanos nunca cederão o conhecimento de tecnologias que considerem essenciais e continuarão a comandar o sistema. A aceitação destes termos pela Rússia significaria a sua rendição.
A Europa (no âmbito da NATO) não tinha opção senão abrigar-se no escudo antimíssil que os EUA implantarão. O mais provável é que se atrase, tendo em conta os seus custos e a baixa prioridade dada ao instrumento militar, o que reforça o interesse do escudo norte-americano para a Europa. Entretanto, sem abdicar dos seus objectivos finais, os EUA poderão pressionar a Rússia para limitar as ambições nucleares do Irão, talvez a troco de mais negociações e de um atraso (?) na implantação do ABM. A aceitação do ultimato do Conselho de Segurança por este país daria à Rússia um argumento contra a necessidade do sistema, pois anularia o seu principal pretexto: as armas nucleares do Irão.
A intransigência norte-americana dará oportunidade à Rússia para obter, como contrapartida, a sua entrada na OMC, o atraso da adesão da Geórgia à NATO, uma solução de compromisso na ONU acerca da independência do Kosovo, e cedências do Ocidente nas questões da Abkázia e do Transniestre.
Com o sistema ABM, os EUA conseguem, numa primeira fase, liberdade de acção para usar a guerra convencional contra países que disponham de arsenais nucleares limitados, o que representa um diferencial de poder expressivo, em relação à Rússia e às grandes potências emergentes, como a China, pois terão dificuldade em expandir ou manter as respectivas zonas de influência. No futuro, serão imunes a ataques nucleares de grande envergadura, o que poderá reforçar a ordem internacional unipolar.
General





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O czar Putin atira a matar contra o escudo antimíssil

27.04.2007


No discurso do estado da Nação, o líder do Kremlin afrontou a NATO
e os EUA e prometeu uma bonança de investimentos no país


Ontem, no discurso sobre o estado da Nação, Vladimir Putin montou um espectáculo ao melhor estilo soviético: ameaçou congelar a participação russa no Tratado sobre as Armas Convencionais na Europa, por causa dos planos norte-americanos para construir um escudo antimíssil na República Checa e na Polónia, e anunciou uma verdadeira explosão de investimentos, que durarão bastante para lá de 2008, quando prometeu retirar-se do Kremlin e abrir caminho para o seu sucessor.
Os países da Aliança Atlântica, dis-
se, "estão a construir bases militares nas nossas fronteiras e a planear colocar elementos de um sistema de defesa antimíssil na Polónia e na República Checa". Os Estados Unidos alegam que este sistema servirá como defesa contra um ataque da Coreia do Norte ou do Irão, e não contra as armas da Rússia. No fim-de-semana passado, o secretário de Estado da Defesa norte-americano, Robert Gates, foi a Moscovo tentar acalmar os receios russos, mas, aparentemente, sem grande sucesso.
A poucas horas do início de uma reunião da NATO em Oslo (ver segundo texto nesta página), Putin assumiu que pretende usar a falta de assinatura dos países ocidentais do Tratado sobre as Armas Convencionais para vincar a sua posição, quando não chantagear mesmo os Estados Unidos, para que o projecto do escudo antimíssil não vá para a frente. "Nesta situação, considero adequado declarar uma moratória sobre a aplicação deste tratado, pelo menos até que todos os países o tenham ratificado e comecem a pô-lo em prática (ver caixa na página ao lado).
O secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, garantiu que esse tratado é importante para o Ocidente. "No entanto, há um certo número de dificuldades" para que seja ratificado, disse, citado pela Reuters. Em causa está aquilo com que a Rússia se comprometeu em 1999, quando o tratado sofreu uma grande revisão para o adaptar à realidade do fim da Guerra Fria: retirar as suas forças da Geórgia e da Moldávia, que foram repúblicas soviéticas mas agora são nações independentes. A Rússia chegou a acordo com a Geórgia para a retirada, mas continua na Moldávia, e não dá sinais de querer sair, salienta o Financial Times.
Putin não explicou bem o que queria dizer com a imposição de uma moratória sobre os compromissos russos no tratado, e diz querer que as negociações continuem. Mas é pouco provável que retirar-se do tratado aumente as capacidades militares da Rússia, dizem analistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian."Putin está a passar a bola à América. O tra-
tado é hiperideológico, impregnado
do espírito da Guerra Fria. Foi uma iniciativa político-militar bastante idiota", comentou Serguei Karaganov, subdirector do Instituto de Estudos Europeus de Moscovo.
Este anúncio deve ser visto em con-
texto com a decisão dos Estados Uni-
dos de abandonarem os tratados ABM e Start para limitação das armas nucleares, sublinhou. "Vários documentos feitos com o propósito de limitar a corrida aos armamentos estão a entrar em colapso."
Petrodólares vêm aí
O discurso de Putin pode ser visto como testemunho de uma nova arrogância que acompanha a segurança de ter os cofres do Kremlin bem recheados de petrodólares. Durante 72 minutos, Putin fez um discurso em que apelava aos valores tradicionais russos, acusou as potências estrangeiras de interferirem nos assuntos internos da Rússia e prometeu uma cornucópia recheada de investimentos.
Para financiar todas as promessas que fez, o orçamento deste ano vai sofrer um aumento de 25 mil milhões de dólares (uma subida de 12 por cento). Este gordo reforço provirá dos lucros do petróleo e do gás natural, e também da venda do gigante Iukos, que pertenceu ao magnata Mikhail Khodorkovski, preso na Sibéria por fraude e evasão fiscal.
As pensões vão subir 65 por cento, até 2009, garantiu, e os fundos da Yukos serão usados para construir habitações. Até 2020, a Rússia vai aumentar em dois terços a sua capacidade de produção de energia eléctrica, com a construção de 26 novos reactores atómicos. É uma "segunda electrificação do país em grande escala", disse Putin, citando a acção de Lenine, quando disseminou a luz eléctrica pelo país, diz a Reuters.
E anunciou ainda a construção de um grande canal marítimo, para ligar o Cáspio com o mar Negro - ecoando a construção do canal de Belomor, um projecto de engenharia erguido por Estaline na década de 30 com o trabalho forçado de prisioneiros.
"É um discurso muito soviético, ao jeito de Brejnev, em que se sublinha a preocupação com o bem-estar do povo, ao mesmo tempo que se agita a ameaça de um Ocidente agressivo", comentou o analista político independente Pavel Felguenhauer, citado pela AFP.
Putin acusou os ocidentais de "utilizarem os slogans da democratização para garantirem os seus próprios interesses", financiando a actividade de organizações não governamentais e partidos de oposição na Rússia, como do ex-campeão de xadrez Kasparov.
"Este discurso antiocidental é puramente demagógico e reflecte a sua política dos últimos anos: cerrar fileiras no interior do país, sob pretexto de uma ameaça exterior", comentou à AFP o politólogo russo Iuri Korguniuk, da fundação Indem.
E as acusações de financiamento de actividades políticas na Rússia por poderes estrangeiros têm também um subtexto, diz Stanislav Belkovski, do Instituto de Estratégia Nacional, em Moscovo. "É uma mensagem a todas as forças políticas: dar-vos-emos dinheiro se fizerem o que vos dissermos para fazer. Evitem receber dinheiro de outras fontes."
Dúvida sobre o delfim
Mas à pergunta para qual todos que-
rem resposta, Putin esquivou-se. Quem o vai substituir no Kremlin, depois de Março de 2008, quando deixar a presidência? Não deu resposta, mas fez notar que quer continuar a influenciar o rumo do país. "É prematuro começar a fazer o meu testamento político", assegurou.
Há vários candidatos a delfim de Vladimir Putin: os dois vice-primeiro-ministros, Serguei Ivanov e Dmitri Medvedev, o director dos caminhos-de-ferro, Vladimir Iakunin, e o seu chefe de gabinete, Serguei Sobianin.
Por um lado, Putin disse que é ne-
cessária uma ideia nacional para a Rússia, política defendidas por Ia-
kunin. Mas enumerou grandes pro-
jectos de investimento com impacte social, controlados por Med-
vedev.
No entanto, o tom guerreiro do seu discurso, e a aposta na energia atómica, na nanotecnologia e na indústria naval, áreas controladas por Ivanov, fazem suspeitar que a balança penda para o seu lado.
a A NATO mostra-se "preocupada, desapontada e consternada" com a decisão de Putin de suspender o Tratado para as Armas Convencionais na Europa, em retaliação contra o projecto do escudo antimíssil que os EUA querem construir na Europa. Quem o disse foi o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jaap de Hoop Scheffer, no final de uma reunião na Noruega dos 26 países da organização com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.
"Falámos das consequências do discurso do Presidente Putin e Lavrov confirmou a suspensão - ele utilizou a palavra "moratória" - do tratado", disse Hoop Scheffer, citado pela AFP.
"Os aliados receberam com consternação [esta decisão], pois este tratado é uma das pedras angulares da segurança europeia", adiantou. "Sempre respeitámos a letra e o espírito do tratado adaptado", afirmou ainda Hoop Scheffer, referindo-se às críticas russas de que a NATO tinha violado o acordo na Bulgária e na Arménia.
O clima está de cortar à faca nas relações entre a Rússia e os países da NATO. Ontem de manhã, ainda antes de Putin ter feito o discurso do estado da Nação, já a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, tinha deixado transparecer uma certa irritação com a oposição russa ao projecto do escudo antimíssil na Europa. "Pensar que dez interceptores e uns quantos radares na Europa de Leste podem ameaçar o armamento nuclear estratégico da Rússia é absurdo."
Os Estados Unidos insistem em que este escudo serviria apenas de defesa para países que tivessem poucas armas nucleares, como o Irão e a Coreia do Norte, e não contra potências nucleares como a Rússia, herdeira das armas da União Soviética.
"Espera-se que todos os parceiros cumpram os seus compromissos no âmbito do tratado", disse ainda Rice, que deve ir a Moscovo no mês que vem.
"É preciso evitar uma espiral de desconfiança entre a Rússia e os EUA", aconselhou o ministro alemão Frank-Walter Steinmeier, citado pela AFP. "É preciso ser prudente e investir no diálogo."
O Tratado sobre as Armas Convencionais na Europa, do qual Putin ameaçou agora retirar a Rússia, foi elaborado na década de 80 e assinado em 1990. Propunha-se estabelecer um equilíbrio entre as forças da NATO e as do Pacto de Varsóvia, impondo limites iguais para ambos os lados no número de armamento pesado e equipamentos. Assim, cada um dos lados pode ter 20.000 tanques, 20.000 peças de artilharia, 30.000 veículos blindados, 6800 aviões de combate e 2000 helicópteros de ataque. Mas o documento sofreu uma importante revisão em 1999, para o adequar ao mundo pós-Guerra Fria. Substituía--se a ideia de dois grandes blocos pelo reconhecimento das forças de cada um dos 30 países signatários - entre os quais Portugal, como membro da Aliança Atlântica, e vários países que faziam parte da ex--União Soviética. O Presidente dos EUA, Bill Clinton, disse em 1999 que não apresentaria o documento para ratificação pelas duas câmaras do Congresso até que a Rússia retirasse, de facto, as suas forças militares das zonas próximas da Europa ocidental. Em mente tinha o Cáucaso do Norte e as forças russas na Geórgia e na Moldávia. Os países da NATO não ratificaram a nova versão do tratado por considerarem que a Rússia não cumpriu a sua parte. Mantém ainda forças de "manutenção da paz" no enclave de Transdnistra, na Moldávia, diz o Financial Times. C.B.
12%
é quanto o orçamento vai ser reforçado, verbas que representam um aumento de 25 mil milhões de dólares

 

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Jorge Pereira

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« Responder #5 em: Junho 07, 2007, 04:44:53 pm »
O presidente Putin apresentou à margem da cimeira do G-8 uma contraproposta ao presidente Bush para a participação russa neste escudo.

Basicamente a contraproposta passa pela instalação de um radar deste sistema no Azerbeijão.

O presidente Bush qualificou a contraproposta de interessante e anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisa-la.
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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oultimoespiao

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« Responder #6 em: Junho 09, 2007, 03:44:44 am »
Citação de: "Jorge Pereira"
O presidente Putin apresentou à margem da cimeira do G-8 uma contraproposta ao presidente Bush para a participação russa neste escudo.

Basicamente a contraproposta passa pela instalação de um radar deste sistema no Azerbeijão.

O presidente Bush qualificou a contraproposta de interessante e anunciou a criação de um grupo de trabalho para analisa-la.


Ja ouvirao a frase "presente grego"?
 

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« Responder #7 em: Junho 09, 2007, 03:52:20 am »
Acho que foi uma jogada muito inteligente do Putin. E deixa uma batata quente nas mãos do Bush que é obra! Se isto for avante a Rússia ganha um trunfo importantíssimo para garantir a sua posição face à NATO.


Cumptos
A realidade não alimenta fóruns....
 

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comanche

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« Responder #8 em: Junho 09, 2007, 05:40:37 pm »
O Azerbeijão é um país de maioria mulçulmana, não me parece que venha a ser um país estável a longo prazo, faz fronteira com o Irão, é um país muito vulnerável a ataques dos extremistas islamicos.
 

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SSK

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« Responder #9 em: Junho 29, 2007, 01:55:39 pm »
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EUA e Rússia à mesa sem escudo anti-míssil
O secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, e o seu homólogo russo estiveram reunidos no passado dia 15, à margem da conferência de ministros da defesa da NATO, sem que no entanto tenham falado do sistema de defesa anti-míssil que os Estados Unidos querem instalar na Europa, o que deixou o responsável norte-americano surpreendido.


http://www.globalsecurity.org/military/library/news/2007/06/mil-070615-rferl01.htm
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
1º Ten Fontes Pereira de Melo
 

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Lancero

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« Responder #10 em: Fevereiro 26, 2008, 12:45:44 pm »
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Polónia: EUA vão assumir modernização do exército em troca de escudo anti-mísseis

Varsóvia, 26 Fev (Lusa) - Os Estados Unidos vão apresentar à Polónia  propostas para a modernização do exército polaco, em resposta às condições  de Varsóvia para autorizar a instalação no seu território de parte do escudo  anti-mísseis, informou hoje um responsável polaco.  

 

   "Numa conversa telefónica com o ministro dos Negócios Estrangeiros (polaco),  Radoslaw Sikorski, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice  disse que a parte norte-americana vai apresentar esta semana uma oferta  de modernização do exército polaco que responderá às nossas expectativas",  disse Piotr Paszkowski, porta-voz do MNE polaco.  

 

   O porta-voz não adiantou quaisquer pormenores sobre a proposta.  

 

   Os Estados Unidos querem criar até 2012 um sistema de defesa anti-mísseis  no leste da Europa que compreende a instalação de um sistema de radares  na República Checa e de dez mísseis anti-mísseis na Polónia.  

 

   A Polónia, que desde o início se mostrou mais reticente em relação ao  projecto norte-americano do que a República Checa, impôs como condição ou  a instalação de uma base militar norte-americana no seu território ou a  celebração de um acordo político de defesa com os Estados Unidos que contemplasse  o apoio dos norte-americanos à modernização das forças polacas.  

 

   Em concreto, os polacos esperam receber dos norte-americanos sistemas  de defesa anti-míssil Patriot 3 ou THAAD e um programa de ajuda militar  de longa duração no valor de 20 mil milhões de dólares.  

 

   O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, tem prevista uma visita a Washington  a 10 de Março.  

 

   Segunda-feira, o primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, afirmou que  espera concluir esta semana em Washington, onde vai estar quarta-feira,  o acordo para a instalação dos radares que integram o escudo anti-mísseis.  
"Portugal civilizou a Ásia, a África e a América. Falta civilizar a Europa"

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Sub Sul-Africano "afunda" todo SNMG-1 da NATO

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por SSK
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por Lancero
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por Cabeça de Martelo
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por Normando