Guerra civil de Espanha

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Lusitano89

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #135 em: Setembro 30, 2013, 10:12:52 pm »
Espanha deve clarificar desaparecimentos do franquismo


Um grupo de trabalho da ONU defendeu que Espanha deveria esclarecer os mais de 114.000 desaparecimentos durante a guerra civil e a ditadura franquista, considerado "lamentável" que esses delitos continuem impunes.

A opinião foi expressa num comunicado do Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre os Desaparecimentos Forçados ou Involuntários (GTDFI), que conclui hoje uma visita de uma semana a Espanha.

Responsáveis da equipa divulgaram hoje as conclusões preliminares com um conjunto de recomendações ao Governo, do qual diz esperar por uma reação antes da publicação do relatório definitivo em 2014.

Em conferência de imprensa, os membros da equipa Jasminka Dzumhur e Ariel Dulitzky elogiaram a cooperação e ajuda das autoridades espanholas, bem como as das regiões de Catalunha, Andaluzia e País Basco, onde contactaram também com centenas de familiares de desaparecidos.

Nos contactos, as autoridades indicaram que se trabalha na elaboração de um "plano nacional de direitos humanos", no qual os especialistas da ONU esperam que se incorporem os casos de desaparecimentos forçados.

"O Estado deve assumir um papel de liderança e comprometer-se de maneira mais ativa para responder à vontade de milhares de familiares que procuram conhecer a sorte ou o paradeiro dos seus seres queridos desaparecidos durante a guerra civil e a ditadura", afirmaram.

Desde o regresso da democracia a Espanha, consideram, "deram-se passos tímidos para assegurar a verdade, a justiça, a reparação e a memória face aos desaparecimentos forçados cometidos durante a guerra civil e a ditadura".

No entanto isto ocorreu "graças a iniciativas que em muitos casos têm sido impulsionadas exclusivamente por familiares das vítimas ou pela sociedade civil".

O grupo de trabalho da ONU lamentou que não haja "nenhuma investigação judicial efetiva em curso nem nenhuma pessoa condenada", o que atribuem a "uma combinação de diversos fatores", entre os que Dulitzky destacou a "interpretação" da Lei de Amnistia de 1977.

O desaparecimento forçado de uma pessoa é um "delito continuado" até que o caso seja esclarecido, afirmou o especialista argentino, que sublinhou que a Lei de Amnistia "não pode servir de barreira para a investigação de graves violações de direitos humanos".

Não se trata de derrogar a Lei de Amnistia mas de garantir os seus efeitos jurídicos, frisou Dulitzky.

Os especialistas denunciam ainda que, em muitos casos de exumações de valas comuns, o juiz não esteja presente, pelo que o ato carece de reconhecimento judicial.

O grupo da ONU considera também de fundamental importância que Espanha ratifique a Convenção sobre a não-prescrição dos crimes de guerra e dos crimes de lesa humanidade, apelando ao sistema judicial para "realizar um uso consistente" dos instrumentos internacionais existentes.

Esta foi a primeira vez que o grupo de trabalho da ONU visitou Espanha.

Lusa
 

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papatango

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #136 em: Outubro 04, 2013, 05:35:40 pm »
Os números apontados anteriormente e que dão a impressão de que o número de mortos dos dois lados foi igual, foram produzidos em 1980, ainda antes do golpe de estado de 23 de Fevereiro de 1981.
Uma altura em que a Espanha ainda tentava criar essa impressão de igualdade entre os dois lados, para poder passar por cima do problema sem o debater.

Para demonstrar o absurdo, bastaria lembrar que não é possível atribuir diretamente ao governo de Espanha grande parte dos mortos ocorridos no lado republicano, porque o governo tinha perdido a efetiva capacidade de controlar vastas regiões do país, que eram controlados pela milicia do partido ou sindicato da região.

Já do lado fascista, as mortes tinham responsáveis diretos e os chefes militares tinham conhecimento delas.
Utilizavam por exemplo a selvajaria criminosa dos soldados islâmicos como punição para uma região onde houvesse mais resistência.
A selvajaria dos muçulmanos era controlada por Franco. A castração e violação de cadáveres por parte dos muçulmanos franquistas era conhecida pelo próprio Francisco Franco, que tinha vindo do norte de África e conhecia perfeitamente o modus operandi das tropas.

A Espanha nunca debateu nem estudou realmente o que aconteceu durante a guerra civil.
Os dados que apontavam uma equivalência entre o número de mortos dos dois lados, há décadas que cairam por terra.

E seria bom que de uma vez por todas enfrentassem os esqueletos que têm nos armários.
E são tantos ...  :shock:
 

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Carlos Rendel

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #137 em: Outubro 09, 2013, 10:41:26 pm »
Los caidos
Polemisar sobre uma obra escrita que é antes de mais um relatório  atulhado de números e percentagens,só é lógico  se  contraria

os valores referidos com números e percentagens (se os tiver). O  autor correu a Espanha inteira, bateu á porta de conservatórias,

igrejas,municípios e arquivos militares. Não havendo que questionar a honestidade intelectual  de Ramón Salas Larrazabal merece

ser contraditado  com  argumentos sólidos e não como  caixa de ressonância  de  cassetes bolorentas. Larrazabal   igualmente  

contabilizou as vítimas  do raide aéreo  em Guernica, e declarou que em vez de  fazer eco com a imprensa europeia (3 500 a 4 000

mortos)  pouco passava de 100 pessoas, pois não encontrou vestígios de mais, aproveitando para deixar na Junta  um documento

solicitando expressamente  que o contactassem  caso se lembrassem de mais algum desaparecido a fim de rectificar  os números.

Tanto  quanto sei, ninguém o contactou.

Depois da morte de Franco,por  iniciativa de  Adolfo Suarez, líder do "Movimiento"  e conhecimento do Rei, foi proposto  um pacto

de regime com a introdução da  democracia  mais  ampla, (inclusa a legalização do Partido Comunista  de Santiago Carrillo) em

troca da erradicação  do espírito de guerra civil.Nesse sentido arquivaram-se processos, procurou-se o entendimento entre as

partes, tornando-se a G.C. um tema tabu. Aparentemente...

Que a G.C. marcou  fortemente a Europa,a  luta fratricida dos espanhois em 36 produziu  mais livros  do que   a  I e II guerras

mundiais juntas.Ainda hoje  nas cabeças dos espanhois  o lema é "perdoar sem esquecer".

Ao aproximar-se o fim da guerra Franco declarou: "Não contem comigo para amnistiar quem tem as mãos sujas de sangue".

Vejamos agora alguns exemplos reais  contados no livro de  Rafael Casas de la Vega,Masacre ,aparecendo entre aspas o escrito

do  autor,em tradução livre.

  "Em Campillo,povoação de Huelva,ao começar a guerra permaneceu  esta gente firmemente no bando republicano,a igreja paroquial

convertida em prisão e o padre  fechado lá dentro.À noite foi saqueada a igreja e roubaram tudo  o que valor tinha ,incluído  o copo

do Santíssimo Sacramento.O que não tinha valor,ardeu. Entretanto formou-se a Junta local revolucionária que autorizou o saque indis-

criminado e prendeu quem lhe apeteceu.A 25 de Agosto ao aproximarem-se as forças nacionais,a Junta ,bem armada com granadas

e gasolina, começaram a matar  os presos,ficando 11 mortos,alguns queimados vivos...Os mortos eram 7 trabalhadores rurais,

dois estagiários e dois logistas de pequeno  comércio. Um lamentável triunfo contra os modestos,os pobres e os trabalhadores...

Em Castuera,Badajoz, houve 3 vagas de assassinatos, mataram na primeira  20 pessoas,24 na segunda e31 na terceira.Nesta

última a 12 de Setembro de 1936,caíram 31 pessoas  dos quais 24 eram pobres,6 da classe média e apenas 1 rico.Será justiça popular

este crime múltiplo de 24 trabalhadores pobres?"  E afinal quem terá esqueletos no armário? Devem estar é espalhados pela casa

toda.  Estes  valores de percentagens  relativas de ricos,classe média e pobres  mostram uma constância ,sendo uma  vergonha

o desdém  com que são tratados  os  mais pobres. É natural que apanhassem poucos  ricos---quem tivesse dinheiro não ficava

naquele vespeiro.A classe média,invejada pelos revolucionários, foi fortemente  atingida.E os pobres para quem e em nome de

quem era feita a revolução foram  atacados em  cheio,em termos  que alguns autores designam de genocídio ...

Mesmo que passe muita àgua  sob as pontes a Guerra Civil  permanecerá   na memória colectiva  como  a ferida que não  sara.

Foi um anacronismo em pleno  século XX a barbárie  ter tomado conta  de uma nação  católica  com pergaminhos históricos

de que poucas  se podem orgulhar  e a sofisticação dos crimes  de ambos os lados constituiu  um aviso à Europa de que tal

sucessão de horrores não é  irrepetível.                                                                                                                  cr
CR
 

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papatango

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #138 em: Outubro 11, 2013, 11:32:02 am »
Citação de: "Carlos Rendel"
O autor correu a Espanha inteira, bateu á porta de conservatórias,

igrejas,municípios e arquivos militares

O problema, é que os números foram publicados em 1980, o que implica que a investigação foi feita no final da década de 1970. ISto quer dizer que nem sequer é improvável, que parte dos números tenham sido obtidos antes do fim da ditadura franquista.

Seria muito dificil de acreditar que qualquer investigação feita numa igreja ou num arquivo militar antes de 1980, pudesse conter dados que fossem contrários a Franco.
Lembro que mesmo durante o periodo da ditadura franquista foram feitos estudos «sérios» sobre  a questão do número de mortos da guerra civil e as teses franquistas coincidiam em dizer que dos dois lados tinha havido muitas vítimas. A obra a que nos referimos foi feita em pleno governo da UCD, e lembro, num periodo tão complexo, que depois da sua publicação os militares espanhóis ainda se achavam com capacidade para tentar dar um golpe de estado, como aconteceu em 23 de Fevereiro de 1981.

Seria pura e simplesmente impossível fazer um estudo sobre um tema tão complexo, quando ainda estavam vivos muitos dos intervenientes e familiares dos intervenientes, e quando os franquistas ainda controlavam o aparelho do estado.
Os números que foram aceites durante o periodo da ditadura e no periodo que se lhe seguiu têm sido contestado e completamente desacreditados.

Os franquistas nunca consideraram as dezenas de milhares de mortos em julgamentos sumários, nem os camponeses executados à beira da estrada e cujos cadáveres foram despejados em valas comuns, nem os julgamentos e as vinganças depois do fim da guerra civil.

à medida que avançavam, as forças franquistas procuravam os padres que tinham sido mortos e as famílias da classe média-alta e alta que tinham sido perseguidas, vítimas de maus tratos e mesmo mortas, mas nunca faziam relatórios sobre os processos de vingança que se lhe seguiam, nem sobre o comportamento das tropas muçulmanas, a elite de Franco, de cujo comportamento selvagem até os fascistas italianos se queixavam.

Como seria possível ao autor desenvolver uma obra credível, sem por exemplo considerar a manipulação dos arquivos de Salamanca ?

Eu acho que há uma passagem do seu texto que resume o problema.

Citar
Nesse sentido arquivaram-se processos, procurou-se o entendimento entre as partes, tornando-se a G.C. um tema tabu. Aparentemente...

Que a G.C. marcou fortemente a Europa,a luta fratricida dos espanhois em 36 produziu mais livros do que a I e II guerras mundiais juntas.Ainda hoje nas cabeças dos espanhois o lema é "perdoar sem esquecer"

O livro, foi escrito na sequência do pacto de silêncio.

Mas o lema dos espanhóis, nunca foi perdoar sem esquecer.
Para haver um pacto de silêncio, esse pacto só poderia pretender o esquecimento.

O resultado, é o que temos hoje: O QUE NA REALIDADE OS ESPANHOIS TENTARAM FAZER FOI:
ESQUECER SEM PERDOAR.

Não perdoaram, e à medida que o tempo passa, o esquecimento tem sido abalado pela revelação de dados que ficaram na sombra por causa do pacto de silêncio.
 

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Carlos Rendel

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #139 em: Outubro 13, 2013, 09:35:06 am »
"Represálias sobre a população civil são hoje consideradas crime de guerra" J.J. Esparza

"Dos 7 624 graduados militares na zona republicana a 18 de Julho,cerca de 1 500 foram fusilados" J.J. Esparza
 :new_argue:
 

Devo lamentar,em primeiro lugar,não haver mais participantes neste tema,que afinal tão perto esteve de assolar terra lusitana.

E assim cá está o Papatango e eu em mais um duelo de caneta na mão (perdão... de dedo no teclado) a desfiar argumentos.

Se Franco morreu em 20 de Novembro de 1975seria expectável  que se abrissem os baús e vissem a luz do dia os tesouros

artísticos,literários,históricos,as informações sonegadas,as realidades escondidas e aconteceu tal  como a 26 de Abril em Portugal,

a montanha pariu um rato.Entre as malfeitorias do fascismo esta é das maiores não dar livre expressão a um povo  e impedir  a

divulgação das obras primas.  

A ser assim acontece algo estranho: Como se explica que estando o "caudillo" morto  não houvesse de imediato  uma correcção dos

números dos mortos,feridos e estropiados.É que não chega dizer que os números estão  manipulados,se é assim então quais

são os certos ? Se você  não souber os números "correctos",como pode afirmar  que estes são errados ? Brincar com números não é

para qualquer  um, importa mais criticar  o método de estudo,porque o número certo nunca se  saberá,nem mesmo Franco!

O livro  em questão  titulado "Los datos exactos de la guerra civil",é multifacetado ao descrever o armamento dos dois lados,os

voluntários,as marinhas nacional e republicana,os bombardeiros soviéticos,os carros de combate italianos,e a estrela alemã, o

canhão de 88 estreado em Jarama.Foi este livro publicado já  em regime de liberdade de imprensa e a oposição  certamente não

deixaria de bradar sonoramente  caso se detectasse alguma  incorrecção.Modernamente  estes  casos são  analisados  por amos-

tragem, indo a uma dúzia de pontos cujos dados se conhecem bem e comparando. Não há notícia de desfasamentos importantes.


papatango escreveu:
Citar
...os militares espanhois ainda se achavam  com capacidade de dar um golpe de estado como aconteceu

em 23 de Fevereiro de 1981.


O 23 de Fevereiro  foi uma tentativa  de alteração da ordem  instituída em que não participou  o Exército,apenas a  Guarda  Civil.

Foi  um "puzzle" ao qual faltam  peças  para se reconstituir.Já  li  duas obras  sobre o assunto e fiquei na mesma.

As forças armadas espanholas são,de momento, das mais  bem equipadas  da Europa e ao  intervirem  contra  civis desarmados

em  2 a 3  semanas após   um "blietzkrieg" teriam a Espanha  na mão , mais uma  semana  em Portugal e  estava  concluída  

a Peninsula Ibérica.

Hemingway  disse um dia  que estar  num pequeno  "pueblo" em que todos se conhecem, no início da G.C.  foi das emoções  mais fortes

que viveu.Na  verdade, na Andaluzia e Extremadura, com a chegada dos  franquistas  deu-se  o fenómeno  da  linchagem  de  milicianos

implicados  nas execuções de presos por parte  de familiares  das vítimas. O exército tinha ordem para fazer "vista grossa".

Cumprimenta cr
CR
 

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VICTOR4810

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #140 em: Outubro 16, 2013, 02:30:31 pm »
Al Obispo de Barbastro lo castraron bárbaramente y tras asesinarlo pasearon sus organos viriles pinchados en un a caña, pregonando que eran "los cojones del Obispo".
A una monja la serraron por la mitad, estando viva en un aserradero de maderas.......etc.
Eras los "pacíficos republicanos", esos mismos que ahora hablan de represión.¡
Una pena.¡
1.492, DESCUBRIMOS EL PARAISO.
"SIN MAS ENEMIGOS QUE LOS DE MI PÁTRIA"
 

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papatango

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #141 em: Outubro 16, 2013, 04:58:47 pm »
Carlos Rendel.

Eu acho que as respostas mais simples às suas perguntas, devem permitir fundamentar o que eu disse anteriormente.

Parece haver de sua parte alguma confusão sobre o que se passou em Espanha após a morte de Franco e mesmo sobre o golpe de 23 de Fevereiro.

Assim:

Logo que Franco morreu, seria completamente impraticável iniciar um estudo honesto sobre a guerra civil, já que todos os militares sabiam perfeitamente que quando se começasse a estudar o problema, viriam ao de cima massacres que o regime sempre negou.
Lembro-lhe apenas o caso de Guernica, que oficialmente foi queimada pelos «Rojos» e não foi bombardeada pelos aviões da Alemanha Nazista que apoiava Franco.

Os dados que foram conhecidos após a morte de Franco, limitaram-se a concluir a mesma coisa que tinha sido concluida pelos estudos que foram autorizados ainda Franco não tinha morrido.

Os militares espanhóis e a extrema direita completamente ligada a Franco e ao regime, continuaram no poder após a morte de Franco.
Em Espanha não ocorreu um 25 de Abril, em que as cabeças do regime foram decepadas e em alguns casos exiladas para o Brasil.

Em Espanha morreu o ditador, mas a estrutura continuou.
Ó que você está a afirmar é absurdo, se você fizer o paralelo com a morte de Salazar, ou com o momento em que ele caiu da cadeira.
Alguém acredita que depois da morte de Salazar se poderia desenvolver um estudo sério sobre o regime do Estado Novo ?

Da mesma forma, após a morte de Franco, toda a estrutura do estado franquista ficou no poder. As coisas nas palavras de Franco estavam atadas e bem atadas, para que tudo ficasse na mesma durante a maior porção de tempo que fosse possível.

A verdade, é que as coisas começaram a desatar-se mais depressa que o previsto e daí o golpe de 1981.

Eu acho que você tem do golpe de 23 de Fevereiro a noção dada pela televisão com um Guardia Civil bigodudo a entrar no parlamento espanhol e a mandar toda a gente para o chão.
Na verdade, a parte mais visivel do golpe era desempenhada por pessoas como Milans del Bosch que tinha sido o comandante da principal unidade militar com que contavam os golpistas numa primeira fase, que era a divisão blindada Brunette.

Ora, os golpe que você diz que foi feito pela Guardia Civil e não pelos militares, baseava-se na movimentação daquela que era APENAS a mais poderosa e mais bem armada unidade militar de todo o exército espanhol.

As razões que levaram a que a divisão Brunette não se movesse, ainda hoje estão por explicar na sua plenitude.
Como sabe, há quem afirme que o golpe foi um truque de Juan Carlos, que deu a entender que apoiaria um golpe militar, para depois aparecer - como apareceu - como salvador da pátria, a dar ordens para que o exército ficasse parado.

Como também deve saber, quando o coronel Tejero de Molina entrou no parlamento de Madrid aos tiros, berrou que agia em nome do Rei.

Logo, mesmo em 23 de Fevereiro, o poder dos defensores de Franco e do seu regime era ainda suficiente para fazer tremer a incipiente democracia espanhola.

Mesmo nessa altura, seria muito cedo para começar a estudar o problema.

Logo, considerando todos estes factos, e principalmente que para se fazer história é preciso deixar assentar a poeira para que se possa iniciar o estudo, é absolutamente improvável que os dados que você aponta tenham uma base realmente cientifica.

Não é preciso ver os dados, não é preciso ver as fontes, é apenas preciso entender que a História é uma ciência que tem regras, e que uma das principais regras da História foi violada na publicação que você refere.

Quanto aos verdadeiros numeros eles não são conhecidos.
Exactamente por isso o governo da Espanha é instado a estudar a questão com seriedade, coisa que até hoje se recusou paulatinamente a fazer.

Cumprimentos
 

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mafets

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #142 em: Julho 29, 2016, 09:20:35 am »
http://www.areamilitar.net/HistBCR.aspx?N=62
Citar
Neste dia, começou aquela que foi a primeira operação de transporte aéreo militar em tempo de guerra na história.

Quando as forças rebeldes do general «nacionalista/nazista» [1] Francisco Franco iniciaram o «pronunciamento» de 17 de Julho de 1936, que na prática despoletou a guerra civil de Espanha, as operações de contenção do golpe que foram levadas a cabo principalmente em Madrid e Barcelona e que permitiram ao governo da Republica Espanhola sobreviver, deixaram os «nacionalistas» em controlo de partes soltas do país, sem contacto umas com as outras.

A Espanha «Nacionalista» estava efectivamente separada em três partes, com dificuldades de contacto entre si.

A norte, sob o comando do general Mola encontravam-se forças que controlavam a Galiza e partes de Leão e Castela e até à parte ocidental de Aragão, enquanto que no Sul, estava controlado o estreito e o extremo sul-sudoeste de Espanha, onde a sua principal conquista era a cidade de Sevilha.

Como na península a situação estava mais ou menos equilibrada, com a vantagem para o governo decorrente do controlo das duas maiores cidades e dos centros industriais, tornava-se absolutamente vital para os franquistas, transportar para o território peninsular o exército de Marrocos, dado este ser a força mais bem treinada e melhor armada de todo o exército espanhol. A força dos seus 25.000 homens, se utilizada correcta e rapidamente, poderia contribuir decisivamente para garantir a vitória sobre as forças governamentais.



Saudações
"Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos." W.Churchil

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Daniel

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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #143 em: Novembro 07, 2017, 01:57:57 pm »
Juan Carlos matou o irmão em Portugal? Historiador espanhol diz que sim.
http://www.flash.pt/atualidade/mundo/detalhe/juan-carlos-matou-o-irmao-historiador-espanhol-diz-que-sim


Citar
Alfonso Borbón morreu na quinta-feira santa de 1956. A tragédia ocorreu no Estoril, durante o exílio. O rei emérito de Espanha é apontado como o culpado pela morte do irmão. Revelações feitas no livro 'O Segredo do Rei'Era apenas mais uma quinta-feira santa para a família real espanhola a viver no exílio, em Portugal. Mas o estrondo de um tiro veio alterar para a sempre a vida dos Borbón, especialmente de Juan Carlos que, em 1956, era o herdeiro ao trono de Espanha.

Mas afinal o que aconteceu naquela fatídica quinta-feira santa? O filho mais novo dos condes de Barcelona, Alfonso, ou Alfonsito, como era carinhosamente tratado no seio familiar, foi atingido mortalmente por uma bala de uma pistola que estava guardada na gaveta da secretária de Juan, conde de Barcelona.
Na altura, a casa real espanhola comunicou que a tragédia se ficou a dever a um acidente quando Alfonso, então com 15 anos, e Juan Carlos, de 18 anos, limpavam a arma. Sobre quem disparou acidentalmente a pistola, nada se disse. Contudo, as suspeitas recaíram sobre o antigo rei de Espanha e ao longo dos anos Juan Carlos carregou às costas o peso dessas suspeitas.

Agora o historiador José Maria Zavala reconstroi esse dramático momento. Este jornalista e historiador, acaba de lançar ‘O Segredo do Rei’, um romance baseado em factos reais. Nessa obra, é demonstrado que o acidente com a arma de fogo que vitima o infante Alfonso acaba por mudar o rumo da vida do herdeiro do trono de Espanha.
No capítulo 9 lê: "Depois de encostar o seu primogénito a um canto, Dom Juan encarou-o, obrigando-o a responder como se estivesse comparecido perante um juiz supremo.

- Jura-me que não fizeste de propósito! Jura-me…! – rugiu.

-Juro que não, papá! Estávamos a brincar! – gritava repetidamente o príncipe, por entre soluços.

-A brincar com uma pistola?

-Desculpe, papá, desculpe, eu não queria…!

-Porque tiveste que pegar na maldita pistola? Porquê?!"

 
Embora se saiba que este diálogo entre pai e fiho é ficcionado, a verdade é que o escritor dá como certo que foi Juan Carlos, o pai de Felipe VI, o atual rei de Espanha, que matou o seu irmão mais novo naquela quinta-feira santa de 1956. Uma morte provocada sem intenção como referem tantos historiadores que acabou por ser para sempre um dos maiores traumas da vida do agora rei emérito de Espanha.
A Vida é um teste e uma incumbência de  confiança.
 
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Re: Guerra civil de Espanha
« Responder #144 em: Janeiro 30, 2018, 01:09:03 pm »
Guerra Civil Espanhola | Nerdologia 303


 

 

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