AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA

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emarques

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« Responder #15 em: Maio 10, 2006, 01:44:09 am »
Alguém já leu o livro "Aqui não passaram! - O erro fatal de Napoleão"?

Vi-o há dias na livraria e pareceu-me interessante, mas...


ISBN      9722622242
Autor(es)    Azeredo, Carlos
Editora    Livraria Civilização Editora
Ai que eco que há aqui!
Que eco é?
É o eco que há cá.
Há cá eco, é?!
Há cá eco, há.
 

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Miguel Sá

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« Responder #16 em: Maio 10, 2006, 11:10:21 pm »
Caro emarques, está na minha estante. Ainda não o li.

Fala da 2ª Invasão que ocorreu a Norte do Douro desde a invasão pela Galiza, ocupação do Minho, a batalha e a conquista do Porto, a tentativa de alargar para o interior transmontano a ocupação e a resistência de algumas forças nacionais comandadas por Portugueses que lutaram com os franceses até à entrada em cena do Exército Luso-Britânico.

Contém basicamente informação de um outro livro "A Invasão do Norte" também do General Carlos de Azeredo publicado pela Editora Tribuna.
Faz parte de uma colecção Batalhas de Portugal que anda a sair a contas gotas.

Para mais informação sobre o periodo napoleónico, mas sem referência a Portugal, o seguinte site fala dos exércitos europeus de então

http://web2.airmail.net/napoleon/NAPOLEON_FOREVER.html
 

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Nuno Bento

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« Responder #17 em: Maio 11, 2006, 08:56:16 am »


Citar
Esta tropa de elite, que no planalto de Pratzen, inebriada pelo sol da glória, dobrou a força de dois impérios e conquistou com os seus saberes e as suas baionetas ensanguentadas a mais fulgurante e estimável vitória para as águias napoleónicas, veio aqui, ao Norte de Portugal, morder o amargo fruto da derrota, imposta não por grandes exércitos, mas pela tenacidade sem limites, pelo sacrifício sem reservas e pela coragem sem vacilações da humilde gente rural.


Esta a venda por 17,91 € na Fnac em

http://www.fnac.pt/produto.aspx?catalog ... 9722622240
 

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Nuno Bento

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« Responder #18 em: Maio 11, 2006, 09:01:56 am »
Ainda sobre as Guerras Napoleonicas descobri este:



Citar
Em 1807, no auge das guerras napoleónicas, o príncipe regente português D. João tomou uma decisão extraordinária. Apesar de horrorizado com a ideia de uma viagem marítima, optou por transferir toda a corte e o governo para a maior colónia de Portugal, o Brasil.
Com as tropas francesas a apertarem o cerco a Lisboa, um total de 10 000 aristocratas, ministros sacerdotes e criados sobe a bordo das frágeis embarcações da frota portuguesa. Após uma difícil viagem transatlântica sob escolta britânica, desembarcaram imundos, cheios de piolhos e esfarrapados, para grande surpresa dos súbditos do Novo Mundo.

O autor oferece interessantes reflexões sobre as consequências para Portugal, a longo prazo, da ausência do rei durante treze anos.
 

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JoseMFernandes

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« Responder #19 em: Maio 11, 2006, 07:53:16 pm »
Citação de: "papatango"
É evidente, que quando os ingleses compararam o exército português com os espanhóis, e especialmente com a dificuldade de coordenação que tinham com as tropas espanholas e ou com as milicias, eles achassem os portugueses mais eficientes.

Já agora vou tentar mostrar a visão dos franceses, neste caso por um dos principais cronistas ( e participante nos campos de batalha em Portugal)  o general Jean-Baptiste MARBOT, através das suas Memórias que no aspecto factual  tem sido consideradas muito rigorosas.
Tradução minha sobre o texto original em francês (Mémoires du Général Baron de Marbot)

 
Citar
(...)Os Ingleses e os Portugueses sofreram perdas consideráveis, mas as dos espanhóis ultrapassaram todas as outras, por causa da sua obstinação em sustentar o assédio de várias cidades  cujas populações acabariam  por perecer quase inteiramente.O vigor dessas  defesas célebres, particularmente a de Saragoça, atraiu um tal brilho sobre os espanhóis que se atribui a eles a libertação da peninsula; mas é um erro.
Eles contribuiram, e muito, certamente, no entanto sem o apoio das tropas inglesas, os espanhóis não teriam podido resistir as forças francesas.Mas eles tiveram um imenso mérito, quando  derrotados nunca desencorajavam.Retiravam, reuniam-se mais longe e voltavam alguns dias depois, com uma nova e redobrada confiança que nunca era destruida !...Os nossos soldados comparavam os Espanhóis  a bandos de pombos que se abatiam sobre um campo e levantavam voo ao menor ruído para voltar logo a seguir.
Quanto aos Portugueses, não lhes foi concedida inteira justiça na parte por eles tomada nas Guerras da Peninsula.Menos cruéis, muito mais disciplinados que os Espanhóis, de uma coragem mais calma, eles formaram nos exércitos de Wellington diversas brigadas e divisões que, dirigidas por oficiais ingleses em nada eram inferiores às tropas britânicas; mas menos fanfarrões que os Espanhóis, pouco falando deles  próprios e dos seus sucessos,  acabaram sendo menos celebrados pela fama.
O primeiro sublinhado é do autor.

Aproveito para citar ainda o general MARBOT a propósito de uma referencia feita por aqui, sobre a divisão inicialmente pensada para Portugal.

Citar
...é um ponto que nunca foi esclarecido ( nota:o 'reinado' de Soult); porque o marechal Bertrand disse-me que nas  longas entrevistas que teve em Santa Helena com Napoleão sempre quis por diversas vezes levar a conversa sobre a realeza efémera do marechal Soult, mas o Imperador sempre guardou silêncio a esse respeito.Bertrand concluía que o Imperador não tinha nem encorajado nem reprovado o que Soult tinha feito com vista a obter a coroa de Portugal, e que a audácia seria perdoada pelo sucesso da tentativa.
O Imperador teve primeiro a ideia de reunir toda a Península num único Estado, do qual o seu irmão José seria o rei; mas reconhecendo que o ódio recíproco de Espanhóis e Portugueses tornaria o projecto impraticável, mas desejando no entanto retirar a todo o custo Portugal da esfera inglesa, ele teria consentido a concessão da coroa desse país a um dos seus próximos, cujos interesses fossem os mesmos da França.Bertrand pensava que Napoleão estaria determinado a ratificar essa escolha.O Imperador teria assim obtido maior firmeza do rei José no trono e a expulsão dos Ingleses de Espanha e Portugal, cuja guerra o começava a fatigar, impedindo-o de por os olhos no norte da Europa.(...)Contudo um grande número de oficiais superiores e generais receavam que a subida de Soult ao trono de Portugal levasse o Imperador, para o apoiar, a deixar indefinidamente o 2° Corpo em Portugal, ficando como os antigos colonizadores romanos, que se iriam envolver numa guerra sem fim e procurando as tréguas com os ingleses, que ocupavam Lisboa, resolveram eleger um chefe e pensaram fazer apelo às tropas francesas vindas de Espanha, tencionando regressar todos para França, forçando o Imperador a concluir a paz.
Este projecto inspirado pelo governo ingles e de resto mais facil a elaborar que executar, poderia vir a ter  a compreensão de todo o exército e da nação francesa?Permito-me duvidar disso.
Houve no entanto um principio de execuçao.(...)
« Última modificação: Maio 12, 2006, 12:20:28 pm por JoseMFernandes »
 

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Jorge Pereira

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« Responder #20 em: Maio 11, 2006, 11:11:23 pm »
Citação de: "JoseMFernandes"
Quanto aos Portugueses, não lhes foi concedida inteira justiça na parte por eles tomada nas Guerras da Peninsula.Menos cruéis, muito mais disciplinados que os Espanhóis, de uma coragem mais calma, eles formaram nos exércitos de Napoleão diversas brigadas e divisões que, dirigidas por oficiais ingleses em nada eram inferiores às tropas britânicas; mas menos fanfarrões que os Espanhóis, pouco falando deles próprios e dos seus sucessos, acabaram sendo menos celebrados pela fama.


Obrigado JoseMFernandes por nos trazer citações como esta. Numa altura em que só ouvimos previsões e estudos de opinião absurdos e até idiotas para com os portugueses, um ponto vista como este faz sempre bem ao nosso ego.

Obrigado
Um dos primeiros erros do mundo moderno é presumir, profunda e tacitamente, que as coisas passadas se tornaram impossíveis.

Gilbert Chesterton, in 'O Que Há de Errado com o Mundo'






Cumprimentos
 

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Spectral

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« Responder #21 em: Maio 17, 2006, 04:45:06 pm »
Acabei de ler o 2º vol- de Campanhas Navais - A Marinha Portuguesa na Época de Napoleão da colecção "Batalhas d'Portugal" (muito interessante e bem conseguido, embora tenha vários erros de edição e de revisão inadmissíveis nos dias de hoje).

Se a armada que em 1793 podia ser considerada como a 4ª/5ª europeia(logo mundial  ) e dispunha de uma estrutura moderna e muito eficaz ( para a época  ) a todos os níveis, do corpo de oficiais (talvez o único defeito fosse o seu reduzido número que obrigava ao uso de estrangeiros) e da sau instrução às qualidades náuticas dos nossos navios,
em 1820, depois das Invasões Napoleónicos, era uma estrutura antiquada e completamente *rebentada* que tinha perdido mais de metade dos seus navios por idade e não tinha sido capaz de os substituir, os navios que tinha ainda ao serviço estavam velhos e gastos, apenas se construíam navios pequenos, começava a haver um excesso de oficiais devido às benesses durante a guerra, etc. A independência do Brasil foi o golpe final, com 48 navios ( incluíndo a maior parte dos navios de linha, embora estes já fossem quase todos muito antigos) a ficarem por lá.

E durante o séc XIX a Marinha nunca mais se levantou. É triste ver como no espaço de cerca de 25 anos um país perde uma Marinha de grande nível por motivos completamente alheios a ela.
I hope that you accept Nature as It is - absurd.

R.P. Feynman
 

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PereiraMarques

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« Responder #22 em: Janeiro 09, 2007, 11:48:50 pm »
Cooperação Anglo-Lusa na Guerra Peninsular

"Fiquei espantado com a aparência das tropas portuguesas. É, em todos os aspectos, igual à das nossas, e, nalguns pormenores, mesmo melhor."
Major-General Robert Long

O Corpo Expedicionário Britânico de Arthur Wellesley

Em Novembro de 1807, na sequência do tratado secreto que França e Espanha haviam firmado no mês anterior, em Fontainebleau, consuma-se a invasão e ocupação de Portugal pelas tropas dos dois países. As unidades do Exército Português que não haviam viajado com a Corte para o Brasil são, então, dissolvidas, indo uma parte importante das melhores formações integrar numa força que, sob a designação de Legião Portuguesa, logo marcha para França para reforçar o exército napoleónico...
http://www.exercito.pt/portal/exercito/ ... o-Lusa.pdf
 

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Spectral

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« Responder #23 em: Janeiro 10, 2007, 06:02:17 pm »
Muito bom artigo ;)

Era bom que tivesse uma parte 2, mais focada sobre pormenores específicos das unidades de Caçadores como organização, características de cada batalhão etc

É tão difiícil encontrar qualquer coisa sobre a participação militar portuguesa nas Guerras Napoleónicas excepto os habituais temas "Buçaco", "Fuga da Corte para o Brasil", "saque pelos franceses (e ingleses)" ...
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R.P. Feynman
 

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oxidus

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« Responder #24 em: Maio 12, 2007, 01:35:18 am »
a segunda invasão, deve ser muito bem analizada até em questões actuais por causa da forma como foi feita.
Eu sou de penafiel, e conheço os sitios onde foram travados combates, o mais espetacular é a freguesia de Vila Cova, que como o nome diz, é mesmo uma cova, que so tem ligação viavel pelo tamega, soult tentou passar por ali, mas a resistencia popular e o terreno de inclinação acentuada tornavam a passagem impossivel, inclusive ele numa das cartas a napoleão escreveu acerca da sua passagem isto "a minha marcha é uma batalha constante, padres,velhos, mulheres e até crianças, escondem-se nos desfiladeiros e atacam-nos com tudo que têm a mão, os meus canhões enterram-se na lama e os cavalo não tem força pra os puxar, vou retirar para o rio tamega, e segui em direcção a amarante onde espero consegui atrevessar em direção ao porto"...

cumprimentos
 

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Benny

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« Responder #25 em: Maio 12, 2007, 11:15:28 pm »
Infelizmente não conheço nada por essas bandas, mas gostava muito de ver fotografias da paisagem, para ter uma ideia das dificuldades sentidas pelo invasor.


Benny
 

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Upham

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« Responder #26 em: Maio 13, 2007, 08:01:23 pm »
Boa tarde!

Citar
vou retirar para o rio tamega, e segui em direcção a amarante onde espero consegui atrevessar em direção ao porto"...


Não lhe terá sido fácil. A defesa da ponte, pelo Reg de Infantaria de Chaves e pela população, durou de 18 de Abril a 2 de Maio de 1809.
"Nos confins da Ibéria, vive um povo que não se governa, nem se deixa governar."

Frase atribuida a Caio Julio César.
 

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oxidus

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« Responder #27 em: Outubro 25, 2007, 09:28:03 pm »
Alguem me sabe explicar qual a diferenças entre os regimentos de caçadores e os de infantaria em termos de missões e formas de actuar?

comprimentos
 

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Sintra

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« Responder #28 em: Outubro 26, 2007, 03:12:41 am »
Citação de: "oxidus"
Alguem me sabe explicar qual a diferenças entre os regimentos de caçadores e os de infantaria em termos de missões e formas de actuar?

comprimentos


 Podemos começar pelos Uniformes, a infantaria de linha portuguesa trajava de azul escuro, os caçadores, dependendo do ano/época vestiam de castanho ou verde.
 As funções, táticas e inclusivamente as armas eram diferentes, a infantaria de linha estava equipada com um mosquete de desenho Britânico "Brown Bess", os caçadores tipicamente (mas nem sempre) utilizavam uma "carabina" de cano estriado "Baker", estas duas armas tinham funções e utilizações diferentes, o mosquete era rápido de carregar e disparar, mas tinha uma precisão horrivel, a Baker tinha boa precisão, mas demorava imenso tempo a carregar.
 A infantaria de linha tinha como função formar uma... linha :wink: e despejar três tiros por minuto no adversário, os caçadores eram a infantaria "leve", los batedores, os homens que seguiam na vanguarda das formações e tentavam atingir os oficiais, tambores, estandartes adversários, eram sniper´s e "skirmisher´s", lutavam espalhados e normalmente em grupos de dois homens. Os batalhões de caçadores são uma cópia directa dos batalhões de "Green Jacket´s" Britânicos.

 Abraços
 

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oxidus

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« Responder #29 em: Outubro 26, 2007, 03:16:48 am »
e havia algum metodo diferente de recrutamento?pois se eram uma especie de "snipers" deveriam se escolhidos por suas habilidades com a arma, correcto?
 

 

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