AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA

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dremanu

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AS GUERRAS NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA
« em: Outubro 07, 2004, 08:43:12 pm »
A ORGANIZAÇÃO MILITAR DE PORTUGAL DURANTE AS GUERRAS  NAPOLEÓNICAS NA PENÍNSULA IBÉRICA

Documento do Instituto de Defesa Nacional

Introdução

Antes de se descrever a organização militar que Portugal adoptou neste período da nossa história, é importante perceber os riscos que a nação tinha que defrontar para salvaguardar a sua independência e bem estar, as alternativas estratégicas possíveis, e as decisões políticas adoptadas, afim de melhor se compreender a organização que foi implementada.

I – QUAL A POLÍTICA DE DEFESA NACIONAL A ADOPTAR POR PORTUGAL ?

Perante as intenções agressivas da França Revolucionária dos finais do Século XVIII e, sobretudo posteriormente, perante as manobras do Império Napoleónico, Portugal debateu-se entre duas políticas de defesa nacional:

Ou,

1º Aliar-se à França e à Espanha de então, acomodando-se à vontade imperialista do colosso revolucionário francês, e instrumentalizando assim as políticas anti- britânicas francoespanholas.

Era a corrente política pró-francesa defendida por António Araújo de Azevedo, conde da Barca, diplomata e depois Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do Príncipe Regente D.João, de 1804 a 1808.

• No que punha em risco o nosso império colonial e o nosso comércio, principais fontes de subsistência económica do Portugal de então.
• Mas que evitava os horrores de uma guerra de ocupação e destruição económica, opondose a forças que o bom senso via como desproporcionadas aos nossos meios de defesa militar e recursos materiais. Para as nossas elites progressistas de então representava também a oportunidade de reforma política e social, abrindo as portas às novas ideias democráticas e á construção da sociedade burguesa liberal propagada pelo império napoleónico.

ou,

2º Tomar o partido do seu tradicional aliado, o Reino-Unido, a potência marítima preponderante na época e seu principal parceiro comercial.

Era a corrente política pró-inglesa defendida por D. João de Mello e Castro, conde das Galveias, e por D. Rodrigo de Sousa Coutinho, ambos também ministros de Príncipe Regente D. João.

• Preservaria o império colonial, o seu comércio marítimo e o grosso da sua actividade económica. Teria acesso a meios financeiros e militares adicionais, posto que estava consciente da importância estratégica que Portugal então representava para Inglaterra, dado o valor económico do seu império colonial, dos seus portos e da sua frota civil e militar. Para os mais tradicionalistas protegia também a sua sociedade das “nefastas ideias políticas” propagadas pela Nova França.
• Mas teria que fazer face à terrível ira militar que a França Revolucionária, e depois Napoleónica, prometia para o pequeno Portugal.

SALVAR A SOBERANIA

Tivemos na altura um inteligente e hábil chefe político, na pessoa do Príncipe Regente D. João, mais tarde Rei D. João VI, actor fundamental da nossa história e tão injustamente tratado por uma corrente de historiadores jacobinos portugueses e brasileiros. Estes porque não perdoavam “aos Bragança” a sua aliança com a Inglaterra, aqueles porque representava o poder colonial, e ambos porque mais que relatar história importava denegrir a gestão política da casa Bragança, afim de servir os interesses políticos da causa republicana.

Manobrando entre os dois partidos, ouvindo os seus diferentes conselheiros e ministros, D. João continuou pedindo as reformas militares e planos de emergência possíveis, e ao mesmo tempo ía explorando políticas diplomáticas opostas e aparentemente contraditórias junto de Paris, Londres, Madrid, Viena e outras chancelarias europeias.

Quando esgotada a “batalha diplomática”, não podendo contemporizar e confundir mais, e perante a notícia da entrada das tropas de Junot na Beira em 20 de Novembro de 1807, e de dois corpos de invasão espanhóis no Norte e no Alentejo, D. João a 27 de Novembro embarca e faz a retirada magistral da corte e principais instituições e serviços do Estado para o Brasil (16.000 pessoas!), pondo a capital do Império fora do alcance de todos os grandes actores do teatro militar europeu, França e Reino-Unido incluídos. Uma jogada desta magnitude não se improvisa em poucos dias.

Durante muitos meses D. João secretamente ordenara a preparação e embalagem de artigos pessoais, mobília, e dos Arquivos e instrumentos essenciais do Governo do Estado Português, e concentrara em Lisboa o essencial da Armada e dezenas de navios civis.

A ideia da transferência da capital para o Brasil não era nova. Em 1580 o Prior do Crato aventou o primeiro esta alternativa. Já em 1640, quando das Guerras da Restauração contra as tropas de Filipe IV de Espanha, se tinha considerado também esta possibilidade. O marquês de Pombal e D. José também consideraram esta hipótese quando da Guerra dos Sete Anos na Europa em 1762-9.

A Espanha, que também considerou uma manobra semelhante a partir de Sevilha, bem se poderá arrepender de não ter feito o mesmo! Perderá a soberania da Nação e o seu Império, vendo-se envolvida em terríveis guerras ideológicas e civis, e em ferozes combates populares contra um poderoso invasor, que acarretou destruições e um role de perdas humanas bem mais terríveis que os que virá a sofrer Portugal.

Em Portugal D. João deixa um Conselho de Regência, com a incumbência de acalmar a ira dos ocupantes Napoleónicos, proibindo qualquer acção militar de defesa contra uma invasão Franco-Espanhola imparável nas circunstâncias então prevalecentes.

Portugal não tinha recursos militares suficientes para sozinho fazer face às tropas francesas e espanholas. Nem o território português tinha defesas naturais ou a imensidão da Espanha, que permitisse a um corpo de batalha guerrear e manobrar impunemente contra as forças militares de um Napoleão, decidido a acabar com a independência do país, a apossar-se da sua frota e portos, e a dar indirectamente um golpe fundo à Inglaterra. Não nos esqueçamos que simultaneamente a Espanha também nos atacava, como havia feito em 1801 e depois de a termos ajudado em 1793-5 no Roussilhão, e que essa postura só se modificará em 1808.

Convém também notar que por esses tempos a Inglaterra estava bem envolvida no Egipto, e ocupada a atacar todas as colónias francesas e espanholas por esse mundo fora, e recusava envolver-se com forças terrestres em Portugal porque considerava inviável a nossa defesa na conjuntura europeia do momento. Preferia “reforçar” as praças estratégicas portuguesas fora do continente europeu, como a Ilha da Madeira, Goa e Macau. Também fazia pressão junto do soberano português para que este se retirasse temporariamente para o Brasil, negociando a protecção da Royal Navy para esse efeito.

1808 E O NOVO CONDICIONALISMO PENINSULAR: RECRIAR AS BASES DE UMA POLÍTICA DE DEFESA.

Violentas revoltas populares rebentam em 1808 contra os ocupantes franceses e contra os seus colaboracionistas, primeiro em Maio em Espanha, depois em Junho em Portugal. O Parlamento e o Governo de Inglaterra, perante os urgentes pedidos de apoio das Juntas de patriotas espanhóis , vendo o desentendimento entre os comandantes das tropas francesas em Espanha, e Napoleão ocupado na Europa Central, decidem-se a enviar armas e tropas para acentuar o desequilíbrio de Napoleão na Península.

D. João, quando se assegura que os britânicos vão mesmo intervir militarmente em apoio dos revoltosos na península, negoceia com Londres, a troco da vantagens comerciais, a sua ajuda na reorganização de um novo Exército Português, e para melhor eficácia no combate comum, aceita que este seja integrado operacionalmente com o exército inglês e receba deste abundantes quadros.

Infelizmente estes acordos só serão celebrados depois da “Convenção de Sintra” acordada entre os generais ingleses e Junot, aonde não somos considerados, e se perde assim uma oportunidade de oiro de Portugal negociar o regresso dos seus soldados enviados por Junot para França, e que constituía o núcleo escolhido do antigo exército português.

Nem tudo corre pelo melhor para as tropas inglesas na Península! O corpo de exército do general Sir John Moore, que de Portugal se havia embrenhado por Espanha adentro, não tem hipóteses contra um Napoleão que, após destruir militarmente a Prússia e impor acordos de paz à Áustria e à Rússia, entra em Espanha a frente do melhor exército da Europa.

O exército de Moore é empurrado para fora de Espanha, morrendo o próprio Moore nos combates de defesa do embarque na Corunha, e os exércitos de linha espanhóis, apesar do feito de Baylen, são esmagados e dispersos em pequenos corpos. Perante a força e eficiência dos exércitos de Napoleão na península, os exércitos de 1ª linha espanhóis nunca mais ganharão uma batalha nem constituirão uma ameaça eficiente em termos militares convencionais até ao fim da guerra na península. Napoleão tem que se voltar para outros fogos no seu Império, deixando a Espanha entregue ao seu irmão José feito rei em Madrid, e aos seus generais comandando os 6 corpos de exército dispersos por Espanha.

O Governo do Príncipe Regente D. João, perante a nova conjuntura, negoceia com o governo de Jorge III de Inglaterra a viabilidade do esforço de guerra português, a troco de compensações comerciais como a abertura á Grande-Bretanha do comércio com o Brasil. Este e outros sacrifícios serão necessários, pois segundo o conde de Redondo, Secretário de Estado das Finanças em 1812, a nação em armas custava á Regência 45 milhões de cruzados por ano. As receitas anuais cobradas eram de 12 milhões. Tomando 9 milhões dessa contribuição mais o subsídio anual inglês de 16 milhões, faltava quase metade dessa soma que era coberta por promissórias.

A Regência pagava os equipamentos, e os salários de 25.000 homens de 1ª linha, além da Marinha, Milícias, Ordenanças e tropas ultramarinas. Os ingleses pagavam os custos de 30.000 homens de 1ª linha, mais equipamentos e armas em profusa quantidade.

OS RESTOS DO EXÉRCITO DE PORTUGAL EM 1808

Ao falarmos de reorganização do exército a partir de 1808 convém lembrar que a máquina militar portuguesa estava decapitada dos seus chefes, e claro também dos seus melhores soldados, com a ocupação do pais pelas tropas de Junot.

Muitos oficiais foram com a Corte para o Brasil. Mas aí, agora também serão necessários pois havia que reorganizar, armar e restabelecer a força do Estado num continente em que os vizinhos, libertos de uma Espanha Imperial impotente e longe, ocupada em guerras ideológicas e campanhas militares internas, se haviam fragmentado em inúmeras repúblicas independentes, seguindo o exemplo emancipalista e democrático dos norte-americanos.

Na realidade sem a presença e as reorganizaçôes locais operadas por D. João VI, e a chegada das elites, quadros e oficiais que acompanharam a corte para a nova capital, o Brasil muito provavelmente também se teria dividido em pequenas repúblicas e não seria hoje o grande Estado que congrega metade da América do Sul!

Enfim, outros oficiais emigraram para os Açores e Reino-Unido. Será em Londres que um grupo de voluntários constituído por militares portugueses aí exilados irá constituir o núcleo do que será a Leal Legião Lusitana, financiada e equipada pelo Governo inglês e depois enviada para o Porto, aonde será acolhida com grande regozijo pelo seu activo Bispo que sonha fazer dela a guarda da sua cidade! Sob o comando do impetuoso coronel inglês Sir Robert Wilson, organizada com 3 batalhões de infantaria ligeira, a 10 companhias cada, dois esquadrões de cavalaria e uma bateria de artilharia a cavalo, com uniformes verde escuro á semelhança dos batalhões “rifle” de elite ingleses, constitui na realidade uma “versão inglesa” do nosso modêlo da Legião de Tropas Ligeiras de 1797.

Funcionará primeiro como uma unidade autónoma enquadrando tropas auxiliares, por vezes penetrando profundamente e sozinha em território inimigo, depois enquadada nas divisões anglo-lusas do exército de manobra. Em 1811 será integrada no exército regular, constituindo os núcleos dos 7º, 8º e 9º Batalhões de Caçadores.

Outros oficiais e soldados ainda, os melhores, treinados nas campanhas do Roussilhão e frustados por não os terem deixado combater os invasores, foram empurrados para uma Legião Portuguesa ao serviço de Napoleão que Junot em 1808 rapidamente organiza de entre as fileiras do exército português e manda para longe combater nas gloriosas campanhas do Império meritocrático europeu de Napoleão.

Com 9.000 homens a Legião tem praticamente um terço dos oficiais e dos efectivos do Exército Português de antes da invasão. Os melhores e os mais corajosos. Alguns seduzidos pela nova sociedade meritocrática prometida por Napoleão e não aceitando ou compreendendo o sacrifício pedido por D. João, outros obrigados e que progressivamente vão desertando à medida que a Legião avança por Espanha a caminho de França.  

Desertam praticamente metade. Os que continuaram vieram a participar com valor e distinção nas batalhas de Wagram, Smolensk, Gora, Moskowa, Krasnoé, Bérésina, Wilna, Leipzig, Hanau etc. tendo o corpo português praticamente sido dizimado na retirada da Rússia. Entre os poucos que depois da guerra regressam a Portugal, conta-se Gomes Freyre, Pamplona, D. Manuel de Souza Holstein, marqueses de Loulé, Ponte de Lima, Valença, Alvito, condes de Sabugal, de Castro Marin, S. Miguel, Atalaia, visconde de Asseca, para referir alguns representantes da alta aristocracia portuguesa e compreendermos a importância à época do contingente levado para França. Muitos outros, como o marquês de Alorna e os bravos coronéis Pêgo, Xavier e Garcês, por lá morrerão.

Em Portugal, em 1808, dos militares ficaram só velhos e incapazes. Permito-me aqui lamentar a forma como os autores e historiadores britânicos persistem à 200 anos em escrever profusamente sobre este período sem nunca consultar arquivos e fontes portuguesas, nem tentar perceber ou conhecer os condicionalismos do seu aliado. Assim referem-se sempre e sistematicamente ao “improfissional e incapaz” oficial português que os seus compatriotas vêm encontrar em 1808, razão que utilizam para explicar a vinda de oficiais ingleses para enquadrar as tropas portuguesas...

Nunca se vê referirem que o exército que vieram encontrar era os restos duma instituição dramaticamente esvaziada de talento e coragem pelas razões acima referidas. Devo assinalar a excepção dos recentes livros de René Chartrand sobre o Exército Português nas Guerras Peninsulares publicados na Osprey.

A ALIANÇA MILITAR E O EXÉRCITO DE MANOBRA INTEGRADO

Acordado um chefe para o novo Exército Aliado, na pessoa do protestante anglo-irlandês, Sir Arthur Wellesley, mais tarde Lorde e Duque de Wellington, este recomenda para Chefe do Exército Português o tenente-general Sir William Beresford, que, além de comandar em campo como vice-chefe Aliado, vai dirigir a reorganização do aparelho militar português, com o posto de marechal-general. Chegam também oficiais ingleses que ocupam alternadamente com oficias portugueses os escalões militares superiores (de general a major), e, em número proporcionalmente muito menos importante, para os quadros subalternos.

De início, esta chegada de oficiais estrangeiros não provoca problemas de rejeição por parte do corpo militar português. Primeiro porque não havia recursos nacionais alternativos suficientes, depois porque se estava habituado à presença de oficiais e comandantes estrangeiros para o nosso exército no século anterior e, enfim, porque no entusiasmo da reorganização do novo exército, todos estavam mobilizados na expectativa de uma desforra sobre os invasores.

Os aliados ingleses comprometiam-se a armar e fardar 30.000 soldados portugueses à sua custa e a pagar os seus soldos e alimento, e a ajudar-nos com armamento e equipamento! Como poderíamos nós refazer o nosso exército de forma tão pragmática e tão rápida, senão desta forma? Junot havia destruído ou requisitado as armas guardadas nos nossos Arsenais, e enviado para França armas, canhões e cavalos.

Sobe o comando de Sir William Beresford e com a boa colaboração do pragmático, e incansável reorganizado D. Miguel Pereira Forjaz, Secretário de Estado da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, e Membro do Conselho de Regência em Lisboa, a eficiência do exército de manobra Anglo-Português consegue ser uma realidade em pouco tempo, uma verdadeira força de manobra perfeitamente integrada, que em 1812 mobiliza 90.000 soldados de 1ª linha, entre ingleses (35.000) e portugueses (55.000).

Mas não devemos esquecer que fora dos corpos de manobra sob o comando directo de Wellington, mas em seu apoio directo e indirecto, Portugal alinhava outras forças regulares em guarnição de fortalezas ou em enquadramento de Brigadas Territoriais, e Regimentos de Milícia, por vezes constituindo Brigadas Auxiliares, assim como forças de Ordenança.

II – QUAL ERA A ESTRATÉGIA MILITAR ALIADA?

Wellington, comentando ainda em Londres a tarefa que o aguarda e que aceitou, convicto da sua exequibilidade, refere que irá jogar pelo seguro, “play a safe game”, “risking nothing”. Mas achava que um pequeno exército de manobra de 50 a 70.000 homens podia fazer face aos 230 a 300.000 soldados que Napoleão mantinha na Península. Via a Península Ibérica como um grande espaço de planícies secas e de montanhas desflorestadas e rochosas, portanto, com uma agricultura pobre e insuficiente para alimentar grandes exércitos em corpos concentrados por longos meses de manobra. Dizia-se “para além dos Pirinéus, pequenos exércitos são dizimados e os grandes morrem de fome!”.

Assim, a sua estratégia para a defesa de Portugal assentava nos seguintes pontos:

1º Uma organização logística importante, com múltiplas bases e meios de transporte que permitissem ao exército não concorrer com a população na sua alimentação (senão, perdiam-se os aliados no terreno…).

2º Os meios logísticos tinham que vir de fora da península. Com a sua riqueza e o seu domínio dos mares, a Inglaterra podia alimentar as suas forças se tivesse controle de portos de mar, como Lisboa.

3º Uma zona defensiva segura, para onde o seu corpo de manobra se pudesse retirar, como as Linhas de Torres Vedras. A defesa não se faria nas fronteiras, como queriam os civis da Regência.

4º A continuação da revolta patriótica dos espanhóis, da guerrilha e de pequenos exércitos provinciais, mobilizando forças francesas de ocupação importantes, dificultando as comunicações e multiplicando as diversões, permitiam assim ao seu exército de manobra Anglo-Português nunca ter que fazer face a forças demasiadamente importantes, como acontecera ao general Moore, atacado por Napoleão em Espanha no início das invasões francesas.

5º Construir pontos de resistência em Portugal que permitissem atrasar avanços das forças invasoras e desgastar o inimigo antes de combates importantes. Nesse sentido, decide reforçar e reactivar várias fortalezas portuguesas e criar obras de engenharia militares e em zonas de combate eventual.

6º Desenvolver uma política de “terra queimada” em Portugal, de forma a dificultar a
subsistência das forças invasoras no seu território. Esta política, utilizada também mais tarde pela Rússia, trouxe terríveis sofrimentos às nossas populações, sobretudo na Beira, Estremadurae Ribatejo, mas dizia que era melhor que “alguns sofressem muito, para que a Nação no seu conjunto sofresse menos”.

7º Enfim, reorganizar, equipar e treinar o Exército Português e as Forças Auxiliares. As primeiras de modo a que pudessem ser integradas com o exército inglês em Portugal - que, dizia-se, era o maior conjunto de forças que a Inglaterra na altura possuía- de forma a se conseguir um corpo de manobra respeitável, 50 a 70.000 homens. As segundas, criando forças de Milícia que agissem como Corpos de Observação cobrindo as fronteiras, guarnecendo fortalezas e não permitindo a actuação de forças inimigas menores em operações de diversão nas províncias. Apoia a reactivação das Companhias de Ordenança como centros de recrutamento, e a sua utilização em pequenas forças territoriais que não dessem quartel às patrulhas inimigas na procura de alimentos e em missões de comunicação, desgastando o inimigo, dificultando a sua logística e o seu moral. No entanto não constituem Bandos de guerrilha porque são enquadrados por oficiais e só actuam pontualmente quando chamados para acções locais.

Devemos aqui reflectir sobre o facto de o nosso território, mais pequeno e populado, não permitir as acções de guerrilha e mesmo de pequenos corpos de manobra possíveis em Espanha.

Mas se a Espanha “guerrilha impunemente” o ocupante francês, este está solidamente instalado na capital e principais cidades, com o apoio da burguesia afrancesada. Depois de Baylen e da heróica resistência de Saragoça, a partir de 1809 a Espanha não terá uma só vitória militar no campo de batalha! Estas serão ganhas pelo exército anglo-português de Wellington. Se é verdade que a guerrilha dificultava as comunicações e logística, e mobilizava fortes contingentes franceses de ocupação, e que sem isso Wellington não poderia ter encetadas suas campanhas ofensivas, também é certo que só com a guerrilha os Espanhóis não teriam conseguido expulsar os invasores franceses e os seus aliados espanhóis ideológicos.

III – QUE EXÉRCITO PORTUGUÊS SE FEZ ENTÃO?

Quando Beresford chegou a Portugal, não teve que improvisar todo um aparelho militar. Na altura com quase sete séculos de existência, muitas guerras na defesa do seu território, e forte da sua experiência de quatro séculos de aventura na criação de um império global a partir de uma tão pequena população, a Portugal não lhe faltavam modelos de organização militar.

REFERENCIAS DO PASSADO

A mobilização da população em forças militarizadas de três níveis de profissionalismo e sacrifício já havia sido desenvolvida nas Guerras da Restauração (1640-68). Portugal, então com cerca de 2.000.000 habitantes, recrutava todos os homens válidos sem excepção, dos 15 aos 60 anos.

A 1ª linha era composta de tropas pagas, exército e marinha, que constituíam as forças de manobra ou de campanha. Depois a 2ª linha eram os Terços Auxiliares, que acudiam às fronteiras. Por fim, as Companhias de Ordenança que faziam a guarnição das praças e fortalezas.

Em 1641 mobilizava-se 25.000 soldados pagos, 25.000 auxiliares e 15.000 ordenanças. Em 1704, com uma população igual, mobilizávamos 28.000 homens também em 1ª linha. Em 1761-3 com uma população de 2.500.000 e com a organização de Lippe, mobilizava-se 48.000 pagos (1ª linha), com 40.000 para a infantaria, 2.100 para a artilharia, e 5.900 para cavalaria. E ainda 8.000 auxiliares.

CAMPANHA DO ROSSILHÃO (1793 – 1795), O LABORATÓRIO

Em 1793, ainda no Governo de D. Maria I, Portugal envia um corpo em auxílio de Espanha para combater os exércitos revolucionários franceses na fronteira dos Pirinéus Orientais. O denominado “Exército Auxiliar á Coroa de Espanha” compreendia 6 Regimentos de Infantaria e uma Brigada de Artilharia, na força de 5.000 homens. O sacrifício de dois anos de operações trarão poucas vantagens para Portugal, mas constituirá um verdadeiro laboratório ou escola de reformadores militares, pois das suas fileiras sairá uma prole de pensadores e organizadores de que salientaremos os seguintes: D. Miguel Pereira Forjaz, Ministro da Guerra e grande organizador do Exército das Guerras Peninsulares e que terá um excelente entendimento com Beresford. O general Marquês de Alorna, que introduzirá os primeiros corpos de tropas ligeiras (a Legião de Alorna e as companhias de atiradores).

O general Gomes Freire de Andrade que produzirá uma obra interessantíssima, propondo a organização do exército em acordo com as especifidades da agricultura e economia do país. O general de artilharia José António da Rosa, que reorganizará e dirigirá esta arma no exército português durante as guerras peninsulares e será um próximo colaborador de Beresford, e o comandante do corpo português que combateu no Roussilhão. Enfim o general John Forbes, que redigirá o “plano de organização militar “que servirá de base aos trabalhos da Comissão Militar criada em 1801, e ao extenso debate que houve na altura ,e de que resultarão as reformas de 1806 e 1809.

No campo naval a marinha reorganizada e aumentada pelo incansável ministro Martinho de Mello e Castro, enviará por duas vezes esquadras operar no Mediterrâneo, comandadas pelo almirante Pedro Mariz, em 1793 (6 navios de combate e 12 de transportes), e pelo Marquês de Niza, em 1798-1800 (4 naus e 1 corveta), em apoio á esquadra inglesa de Nelson.

A REFORMA DO EXÉRCITO DE 1806-7

Sem enumerarmos as várias pequenas reformas, limitamo-nos a referir aquela que sairá dos trabalhos do Conselho Militar criado em 1801 por D. João de Almeida Mello e Castro e do qual D. Miguel Pereira Forjaz era secretário. O Ministro Mello e Castro é demitido em 1804 por intrigas do partido francês e imposição de Napoleão transmitida pelo Embaixador de França general Lannes, mas as suas ideias e esforços de refleção concensual vingarão pelos decretos de Maio de 1806 e Outubro de 1807, que recriam as bases da organisação do nosso exército para o século XIX.

O exército é organizado em 3 divisões (Norte, Centro e Sul), cada uma comportando 8 regimentos de infantaria, 4 de cavalaria, 1 de artilharia (a do Sul, terá 2 regimentos de artilharia). Também recomenda a criação de 6 batalhões de caçadores, e a reorganização do exército auxiliar em regimentos de Milícia (2ªlinha), elevados a 48, e das Ordenanças (3ªlinha) organizadas em 24 brigadas de Ordenanças, que funcionarão como distritos de recrutamento para 1 regimento de infantaria e 2 de mílicias. Também concorrem com forças territoriais, organizadas em companhias, para acções pontuais e regionais.

Com as reformas decretadas em 1806 e 1807, são também criadas bandeiras e uniformes totalmente diferentes do passado e introduzidas bandas musicais nos Regimentos. Mas não estavam em plena execução estas novas medidas quando Portugal é invadido por Junot em Novembro de 1807.

AS REFORMAS DE D. MIGUEL FORJAZ E BERESFORD (1808 –15)

Portugal beneficiou do clima de colaboração construtiva do Ministro da Guerra, D. Miguel Forjaz com o marechal-general Beresford. Quando começam a reorganização do exército, só se mantêm 4 coronéis nos 4 Regimentos de Artilharia e os inspectores da Cavalaria, Artilharia e Engenharia. Todos os outros regimentos recebem novos chefes, posto que como já acima o dissémos a grande maioria dos coroneis haviam abandonado o país. Para além do proposto em 1806-7, Beresford cria um batalhão de Engenharia (sapadores e mineiros), desenvolve a artilharia moderna (ligeira) criando 10 baterias (brigadas) de Artilharia de campanha e montanha, um batalhão de Condutores do Trem, aumenta os batalhões de linha de 5 para 6 companhias, e implementa a criação dos 6, depois 12, batalhões de caçadores, que virão a ser verdadeiras unidades de elite nas guerras peninsulares.

Cria também os Depósitos de Instrução de recrutas de Cavalaria (Salvaterra) e Infantaria (Mafra). Os uniformes serão de novo reformulados em 1811, de modo a os tornar mais homogéneos com os equipamentos aliados, e a introduzir modelos mais práticos beneficiando dos ensinamentos de dois anos de campanha. Beresford tratou de reformar e criar novos quadros, criando um limite conveniente para os oficiais em serviço activo. Disciplinador, fê-lo com espírito de justiça, pois cuidou igualmente do bem estar das tropas, aumentando-lhes os vencimentos e garantindo a integridade e pontualidade dos pagamentos. Modernizou os regulamentos moldando-os tanto quanto possível aos ingleses para que houvesse uniformidade na acção dos dois exércitos aliados.

Não tentou fazer uma reorganização radical, criteriosamente procurou valorizar o que existia por corresponder a condicionalismos nacionais, ouvindo e aconselhando-se com Pereira Forjaz com quem desenvolveu uma relação de confiança total. Enfim, a acção directa dos oficiais ingleses deu um aprumo, asseio e disciplina ao exército que lhe conferiu por largos anos uma feição britânica.

No tocante às Milícias e Ordenanças, excepto uma maior mobilização das mesmas e o aumento das suas unidads e efectivos, a organização continuou a ser basicamente a de 1807. De salientar a organização de corpos territoriais, agrupando unidades auxiliares que se ocupam da vigilância das fronteiras e dificultam ao inimigo a manobra de forças táticas menos numerosas. São também criadas unidades auxiliares adicionais em Lisboa, e para guarnição das Linhas de Torres Vedras.

As unidades do exército, integradas a nível de brigada no exército aliado, guardam a sua especificidade nacional, mas os equipamentos e armas são praticamente todos ingleses, assim como as novas ordens de evolução e manobras de combate. Depois da batalha do Bussaco, a eficiência das tropas portuguesas é um facto reconhecido por inimigos e aliados. O seu emprego tático por Wellington a partir de 1811, não sofre qualquer discriminação positiva ou negativa relativamente ás outras tropas inglêsas.

A infantaria é organizada em regimentos a dois batalhões, que em batalha em campo aberto disponham-se em linha um ao lado do outro, (dai chamar-se Infantaria de Linha!), a três fileiras de profundidade, oferecendo assim um máximo de poder de fogo. Este ordenamento era o oposto da formação francesa favorita que preferia dispor os batalhões com uma frente menos extensa (menos poder de fogo), mais em múltiplas fileiras em profundidade o que dava maior força de impacto e moral numa carga á baioneta. Os regimentos operavam a dois e dois, constituindo uma brigada, que era a unidade logística. Cada brigada sempre que possível integrava também um batalhão de caçadores, que actuava regra geral em ordem dispersa ou aberta à frente dos batalhões da infantaria de linha. A brigada portuguesa ou funcionava tacticamente como corpo independente (cerca de 6 brigadas ), ou era integrada numa divisão anglo-portuguêsa (as outras 6). Estas divisões normalmente eram compostas de uma brigada portuguêsa e de duas outras brigadas inglêsas.

Mas como estas tinham só 3 ou 4 batalhões cada, (contra os 5 batalhões nas brigadas portuguêsas ), resultava que estas divisões aliadas mistas eram compostas normalmente de cerca de 40 % de soldados portugueses, ou seja 5 batalhões portuguêses e cerca de 6 ou 7 batalhões inglesês.

O exército aliado de manobra era composto a partir de 1811 de 6 divisões mistas angloportuguesas, 1 divisão inteiramente portuguesa, 1 divisão inteiramente inglesa (da Guarda Real), a da elítica Divisão Ligeira que integrava 2 batalhões inglêses de “rifle”, 2 batalhões de Caçadores portugueses, 2 batalhões de infantaria ligeira inglesa e 1 ou 2 batalhões de infantaria portuguesa (ou da Leal Legião Lusitana). O exército integrava ainda 2 a 5 brigadas de infantaria portuguesas independentes.

A estas forças de infantaria juntavam-se baterias de artilharia portuguesas e inglesas ditas “a pé”, e inglesas ditas “a cavalo”. Cada um dos 4 regimentos de artilharia portugueses tinha 7 companhias ou baterias de artilharia, além de 3 companhias de especialidades. Mas dos 4 regimentos nunca se destacaram mais de 10 baterias em campanha, (designando-se então cada companhia ou bateria “brigadas de artilharia”), ficando as restantes em serviço de guarnição em fortalezas. Conjuntamente com os caçadores, a artilharia portuguesa gozava de boa reputação, sendo a arma que necessitou de menos intervenção da parte de Beresford.

A cavalaria portuguesa, funcionando como cavalaria ligeira e sempre com crónica insuficiência de cavalos, nunca conseguiu pôr em campanha mais de 2 ou 3 brigadas, a dois regimentos cada, e estes quase sempre com uma força de efectivos reduzida pela mencionada falta de cavalos. Os ingleses operavam com 2 ou 3 brigadas de cavalaria pesada, e 3 ou 4 brigadas de cavalaria ligeira. Apesar dos regimentos inglêses serem bem montados e com efectivos relativamente elevados, a cavalaria aliada era geralmente menos numerosa que a francêsa. Podemos dizer que em relação ás forças napoleónicas contra quem combatiam, os aliados tinham geralmente menos artilharia e cavalaria que os francêses, mas melhor infantaria e particularmente infantaria ligeira.

EM GUISA DE CONCLUSÃO

Em 1809, Portugal tem uma população de aproximadamente 3.000.000 de habitantes e nunca mobilizara exércitos à escala a que foram aqui mobilizados. Durante este conflito, o exército português nunca perdeu uma bandeira em combate (excepto as Milícias). Ao longo de seis anos sustentou 15 batalhas, 215 combates, 14 sítios, 6 bloqueios e 12 defesas de praças. O total das baixas elevou-se a 21.141 homens dos quais 5.160 mortos. Os franceses perderam 50.000 soldados na Península em batalhas, e 180.000 por acção de guerrilhas, fome ou doença.

Sob o comando de Beresford e da administração de Forjaz, o exército ganhou uma disciplina, coesão e combatividade exemplar. No Bussaco provou ser uma força capaz de igualar em valor e eficácia os seus camaradas ingleses e, progressivamente, foi ganhado prestígio e confiança em si próprio. Nas Linhas de Torres Vedras o exército de Linha, as Milícias e as Ordenanças aguentaram a pé firme as investidas do temível exército francês! A sua determinação faz desistir os 3 Corpos de Exército do marechal Massena, e os francêses nunca mais invadirão Portugal!

Quando Wellington passa à ofensiva em Salamanca, em Vitória e em S. Sebastian, os soldados portugueses estão na linha da frente. Nas campanhas dos Pirinéus e na invasão do sul da França é “aquela máquina” a que Wellington chamará os “ fighting cooks of my army”! Na última grande batalha, em Toulouse, os portuguêses contribuem com o maior contigente do exército aliado, encerrando com essa vitória o nosso envolvimento nas Guerras Napoleónicas.

Wellington, em 1815, pede a Portugal que lhe envie um contingente de 15.000 soldados para integrar no seu Exército Aliado na Bélgica. A Regência atrasará o envio de uma divisão preparada por Beresford, e quando chega do Brasil a aprovação explícita de D. João, já a batalha de Waterloo tinha tido lugar! D. Miguel Pereira Forjaz envia então esta divisão para o Brasil, denominada de Voluntários Reais do Príncipe, que irá fazer a conquista e a pacificação do Uruguai em 1816, e depois reforçar a guarnição do Rio e a segurança da capital num Brasil contagiado pela febre emancipalista. Estes serão verdadeiramente os últimos “Soldados de Portugal”! Depois serão os soldados das guerras civis...

Em 1814 Beresford havia conquistado a admiração e estima do exército português. Mas finda a guerra não compreendeu que agora o jogo do poder era outro, e que passado o perigo francês a sua função de “protector” não era recebida com agrado pela nova sociedade portuguesa do pósinvasões! Em 5 anos de campanhas os oficiais haviam desenvolvido a sua auto-estima e a consciência da sua legítima cidadania.

E muitos, no combate aos exércitos franceses, haviam sido conquistados pelas ideias liberais, facto a que a ausência da corte no Brasil não terá sido alheio. Na seu novo papel de polícia fundamentalista e por demais estrangeiro, Beresford mobilizará todos contra a sua pessoa. Este triste fim-de-festa explica que ainda hoje a sua memória não faça justiça ao excelente reformador e chefe militar que foi.

Como última reflexão, permito-me chamar a vossa atenção para o mapa de 1806, redesenhado em 1810, aqui junto, com o plano de uniformes para o exército. Impressiona a organização geométrica e aritmética do mesmo; “24 brigadas de ordenanças, 48 regimentos de milícia, 24 de infantaria, 12 de cavalaria, 4 de artilharia, 6, depois 12 batalhões de caçadores, tudo organizado
em três divisões iguais”.

Tudo isto reflecte o espírito que presidiu ao pensamento reformador do exército português das guerras peninsulares, aliás também presente nas várias propostas e obras publicadas à época, quando do amplo debate organisado no país a partir de 1801 e que levou ás reformas de 1806-7.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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« Responder #1 em: Outubro 07, 2004, 08:54:52 pm »
O dremanu aplicaçou-se a história! :)
 

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emarques

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« Responder #2 em: Outubro 08, 2004, 11:24:27 am »
Ó dremanu, o Instituto de Defesa Nacional não escreveu nada sobre o exército liberal de D. Pedro IV? Eu precisava da ordem de batalha de Portugal em 1836, e depois da guerra civil o exército ficou organizado nos moldes do exército liberal. :)

Quanto ao resto, obrigado por nos trazer esta análise. Muito interessante.
Ai que eco que há aqui!
Que eco é?
É o eco que há cá.
Há cá eco, é?!
Há cá eco, há.
 

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« Responder #3 em: Outubro 10, 2004, 10:48:45 pm »
Notável !!!
Só um reparo, por não mencionar o General Bernardim Freire de Andrade, que foi também um dos  primeiros organizadores da resistência ao ocupante francês e que morreu trágicamente linchado por camponeses que confundiram uma retirada com traição. Uma morte injusta para um Grande Patriota !
 

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dremanu

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« Responder #4 em: Outubro 15, 2004, 12:50:42 am »
Obrigado!!! Eu tenho mais informações sobre as invasões Napoleónicas, que a tempo vou por aqui para todos lerem. Quanto ao exército liberal de D.Pedro IV, vou procurar saber mais.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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dremanu

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« Responder #5 em: Outubro 15, 2004, 06:11:52 pm »
O TRATADO DE FONTAINEBLEAU DE 1807

Portugal, enfraquecido e num contexto políticamente confuso, foi objecto, no início do século XIX de uma tentativa de aniquilação como Estado soberano, que não deve ser esquecida.

O Tratado Franco-Espanhol de Fontainebleau de 1807, de má memória, pretendia, com efeito, para Portugal o seu puro e simples desmembramento.

Entregava o Entre-Douro-e-Minho, reconvertido num reduzido reino da Lusitânia Setentrional, ao rei da Etrúria, um filho do Duque de Parma casado com uma infanta de Espanha.

O centro (Trás-os Montes, Beira e Estemadura incluindo Lisboa) entregue temporáriamente ao Duque de Bragança como vassalo do Rei de Espanha.

E o Sul (Alentejo e Algarve chamado de reino dos Algarves) a Manuel Godoy, Ministro de Carlos IV que o juntaria à Andaluzia e parte da Estremadura espanhola.

Pelo caminho o rei de Espanha ficava com o título de Imperador das Índias Orientais e Ocidentais, incluindo o Brasil e Napoleão partilhava com Espanha os outros domínios ultramarinos de Portugal (Serrão).

Quer dizer que o esquema napoleónico, em grande parte inspirado por Madrid, se destinava fundamentalmente a acabar com Portugal como estado soberano e para isso procedia préviamente ao seu desmembramento, entregando cada uma das regiões resultantes desse desmembramento a suzeranias feudais e integrando-as nas regiões limítrofes duma Espanha que Napoleão controlava e pensava continuar a controlar.

Pouco depois, na Petição de Baiona de 1808, uma deputação portuguesa que terá incluido Gomes Freire de Andrade pedia a Sua Magestade Imperial e Real, entre outras coisas, "que o nosso território europeu seja dividido em 8 províncias, assim a respeito da jurisdicção eclesiástica, como da civil.."numa mal sucedida tentativa para atenuar o esquema inicial do Tratado (Anon, 1838).

Estas iniciativas tiveram, como ponto comum entre si, o de considerarem dispensável a consulta ao povo português sobre a matéria.

Seguiu-se a invasão prevista no Art-º 1º da sua Convenção Suplementar mas com resultados muito diferentes dos antecipados pelos subscritores do Tratado (ver adiante Azeredo, 2003).

ARTICULADO DO TRATADO
(extratos do Artigos mais significativos)

Art. I -A província de Entre Douro e Minho será dada ao Rei da Etrúria, como Reino de Lusitania Septentrional, tendo por capital do Porto.
(Pelo Artigo II o Alentejo e o Algarve seriam dados a D. Manuel Godoy, o Principe da Paz, com
o Título de Princípe dos Algarves)

(Pelo Artigo III a Beira, Trás-os-Montes e Estremadura ficariam em depósito até ao fim de
guerra, dando-se-lhes então destino definitivo)

Art. VIII -No caso de que as províncias da Beira, Trás-os-Montes e Estremadura Portuguesa que ficarão em sequestro, fossem devolvidas na paz geral à Casa de Bragança em troca de Gibraltar, o da Trindade e outras Colónias que os Ingleses têem  conquistado à Espanha e a seus aliados, o novo Soberano destas províncias terá em relação a Sua Magestade Católica el Rei de Espanha as mesmas obrigações que EI Rei da Lusitânia Septentrional e o Príncipe dos Algarves, possuindo-os com iguais condições.

( )

Art. XIII -Os dois (signatários) entender-se-ão para fazer uma divisão igual das Ilhas, Colónias e outras propriedades de Portugal.

Art. XIV -Este convénio permanecerâ secreto.

CONVENÇÃO SUPLEMENTAR

Art. 1 -25.000 infantes e 3.000 cavalos franceses a que se juntarão 8.000 infantes, 3.000 cavalos e 30 peças espanholas invadirão Portugal.
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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dremanu

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« Responder #6 em: Outubro 15, 2004, 06:15:16 pm »
AS INVASÕES NAPOLEÓNICAS DE PORTUGAL
Por Gen. Carlos Azeredo

Introdução

A invasão de Portugal por forças militares francesas entre 1807 e 1811 é uma etapa importante, senão decisiva, das Guerras Napoleónicas.

Em 1806 Talleyrand informava confidencialmente Lord Yarmouth que Napoleão preparava já a invasão e conquista do Reino de Portugal. Mas Bonaparte, para chegar a Lisboa, precisava de assegurar não só a anuência da Espanha como ainda o seu concurso.

Estas as principais razões que estiveram na origem do tratado secreto de 27 de Outubro de 1807, assinado em Fontainebleau, entre a França e a Espanha, pelo qual se punha fim à existência do Reino de Portugal que seria dividido em três pequenos estados, e se destronava a Casa de Bragança (vide o Tratado de Fontainebleau) O pretexto, que tem que ser entendido no contexto do conflicto europeu em curso, foi a resistência da Côrte de Lisboa em fechar os portos aos navios britânicos, não colaborando deste modo no bloqueio que o Imperador francês pretendia impor à Inglaterra.

Assim a 17 de Outubro Bonaparte ordena ao antigo VIII Corpo (Junot), agora organizado no Corpo de Observação da Gironda, para marchar ràpidamente sobre Lisboa afim de aprisionar a Família Real Portuguesa cuja intenção, para se deslocar para o Brasil já conhecia. (1) Pretendia ainda apoderar-se da Esquadra Portuguesa e das riquezas que julgava existirem no País.

As coisas, no entanto, estiveram loge de correr como planeado. Thiers resume: "Em consequência, ele (Napoleão) resolveu apropriar-se de Portugal... ."Tal foi o começo dos maiores erros e das maiores infelicidades do seu "reinado !

"O nosso coração aperta-se ao iniciar este sinistro relato, pois isso não foi "apenas a origem dos infortúnios de um dos homens dos mais "extraordinários e dos mais sedutores, mas foi a origem das desgraças "da nossa pátria infortunada, arrastada com o seu herói numa queda "espantosa.

Por três vezes Napoleão tentou dominar um pequeno País como Portugal e por três vezes falhou nos seus intentos. Sucintamente as Três Invasões napoleónicas a Portugal, aliás acontecimentos capitais da Guerra Peninsular, podem ser descritas como segue:

PRIMEIRA INVASÃO -1807/1808

Factos mais notáveis:

Junot, reforçados os seus 23 000 homens e 4 700 cavalos com, 8 000 infantes e 3 000 cavalos espanhóis, cruza a fronteira portuguesa a 19 de Novembro de 1807 e procurou atingir fulminantemente Lisboa, mas quando a 30 de Novembro de 1807 chegou ao seu destino apenas pôde contemplar a lenta saída pela barra do Tejo da Frota Portuguesa levando a Família Real
para o Vice-Reinado do Brasil, bem como grande parte do erário público.

A retirada da Casa de Bragança, com a então poderosa Armada Portuguesa para o Brasil, constituíu um rude golpe nos planos napoleónicos, e vai constituír o principal alento da resistência popular ao Invasor. Devido à guerrilha popular, entre Salamanca e Lisboa, perde cêrca de 20 % dos seus efectivos. O Exército Português, pràticamente inoperacional devido à política pombalina após a Guerra dos Sete Anos, e às instruções do Príncipe Regente, futuro D. João VI, não opôs qualquer resistência às fôrças napoleónicas.

A 1 de Fevereiro de 1808, Junot decreta que a Casa de Bragança tinha deixado de reinar. Início da resistência contra o Invasor.

A 22 de Dezembro Junot dissolve as unidades de primeira linha do Exército Português, e a 15 de Fevereiro decreta a dissolução e a entrega de todo o armamento das Milícias.

Com os oficiais e demais praças que aceitaram servir o Império, Loison forma a Legião Portuguesa que incorpora 9 000 homens para reforçar o Exército napoleónico e que actuará nas campanhas da Europa Central e Invasão da Rússia, sob o comando do 3° Marquez de Alorna. Mais de metade dos seus efectivos desertou ainda em Espanha.

A 7 de Junho de 1808 revolta-se a guarnição da Fortaleza de S. João da Foz contra a presença dos franceses na sequência da retirada das tropas espanholas estacionadas no Porto ocorrida no dia anterior. A Espanha até então aliada de Napoleão e que permitira a entrada das tropas francesas na Península, revoltara-se dias antes após a prisão da Família Real Espanhola e da sua substituição no Trono de Madrid por José Bonaparte.

A 19 de Junho formação no Porto da Junta Provisional do Supremo Governo do Reino presidida pelo Bispo Frei D. António de S. José de Castro da Ordem de S. Bruno, que encabeça a revolta do Norte de Portugal contra o Invasor. Em Julho Loison está perante a rebelião generalizada do País, de Norte e Sul, ficando célebres devido ao carácter sangrento as repressões de Évora, de Arraiolos e de Leiria por ele executadas.

Aproveitando o estado de rebelião generalizada, tropas britânicas desembarcam na praia de Lavos, junto à Figueira da Foz a 1 de Agôsto pouco mais de 13 000 soldados ingleses sob o comando de Sir John Cradock.

Combate da Roliça a 17 de Agôsto entre o Exército Anglo-Luso e forças napoleónicas comandadas pelo General De Laborde. Os franceses são obrigados a retirar.

Batalha do Vimeiro a 21 de Agôsto, comandando os Aliados o General Wellesley e os franceses o próprio Loison. Derrotados os franceses são obrigados a retirar.

A 22 de Agôsto Loison pede aos britânicos, através do Gen. Kellerman seu enviado, a suspensão da hostilidades e retira sobre Lisboa, onde entra a 23.

A 31 de Agôsto é ratificada em Torres Vedras um ajuste entre Britânicos e franceses conhecido pela Convenção de Cintra, pelo qual as tropas imperiais seriam embarcadas com destino a França com todos os seus haveres, armas e bens saqueados em Portugal. Assina pelos Aliados o britânico General Dalrymple.

Início do embarque de Junot e das tropas francesas a 10 de Setembro de 1808, em navios de uma esquadra russa então fundeada em Lisboa comandada pelo Almirante Siniavin. Os últimos soldados franceses deixaram Portugal a 15 de Setembro de 1808, dia em que terminou o embarque das tropas invasoras.

Assim terminou a Primeira Invasão dos exércitos de Napoleão a Portugal.

SEGUNDA INVASÃO -1809

Após o fracasso da Primeira Invasão, Napoleão insistindo no seu intento de conquista, deixa aoGeneral Alexandre Berthier seu Chefe de Estado Maior, instruções para o General Soult, então no Ferrol, com vista à Campanha de Portugal. Segundo esse plano de operações datado de 21 de Janeiro de 1809, Soult deveria seguir para sul, entrar em Portugal pela faixa do litoral atlântico e atingir o Porto a partir de 5 de Fevereiro e Lisboa a partir de 16 do mesmo mês.

Soult tinha à sua disposição 17 Regimentos de Infantaria, 10 de Cavalaria e um apoio de fogos de 58 canhões, e deveria aguardar na Galiza que o General Ney e o seu Corpo de Exército o viessem render. Uma vez rendido, marcha para a fronteira portuguesa, atingindo Tuy e A Guarda a 10 de Fevereiro. Seria apoiado se necessário pelos Generais Ney, Lapisse e Victor estacionados próximo da nossa fronteira.

Após uma tentativa falhada para a travessia do Rio Minho junto a Caminha a 16 de Fevereiro, resolve subir o mesmo rio e entrar em Portugal pelo Vale do Rio Tâmega.  Deixa em Tuy a sua artilharia pesada e uma reserva comandada pelo General Thomieres.

Finalmente a 10 de Março de 1809 as tropas de Soult entram em terra portuguesa pondo cêrco à cidade fronteiriça de Chaves que capitulou na manhã do dia 12.

Principais acontecimentos:

A 14 Soult reinicia a sua marcha para o Porto pelo eixo Chaves –Venda Nova-Ruivães-Braga- Porto, sempre seguido e atacado pela guerrilha popular cuja agressividade crescia à medida que as forças imperiais se aproximavam da cidade de Braga.

A 16 o General Silveira do Exército Português, operando no flanco esquerdo de Soult ataca-o em Venda Nova.

A 18 de Março os Invasores estão já próximos de Braga e encontram forças do General Bernardim Freire e populares instalados em Carvalho d'Este. A 20, após dois dias de reconhecimentos ofensivos, Soult ataca as posições defensivas de Carvalho d'Este, nas proximidades de Braga. Os defensores, comandados pelo Barão d'Eben resistem durante algumas horas, após o que são obrigados a retirar. As tropas imperiais entram em Braga.

A 25 de Março a guarnição francesa que ficara na praça de Chaves, cercada desde o dia 21 pelas forças do General Silveira, rende-se caindo nas mãos do General português como prisioneiros 1270 soldados, 38 oficiais, 23 civis franceses, e ainda 90 cavalos 12 canhões e 1200 espingardas.

A reconquista de Chaves pelo Gen. Silveira representava para as forças imperiais a perda da sua "linha de operações" e a impossibilidade do apoio previsto de Ney, Lapisse e Victor. A 25 de Março, a partir de Braga as forças de Soult iniciam a marcha na direcção da cidade do Porto.

Ao princípio da manhã do dia 29 Soult inicia o ataque às defesas do Porto, que após renhida resistência acabaram por ceder totalmente ao fim da tarde. Na tentativa de restabelecer uma linha de operações para nordeste que o ligasse com Lapisse, e destruir a ameaça que as forças do General Silveira em Penafiel representavam para o seu flanco esquerdo e mesmo para a sua rectaguarda quando marchasse para Lisboa, Soult envia na direcção de Penafiel/Amarante e Trás-os-Montes, a 31 de Março, a Divisão La Hussaye e a Brigada de Dragões Caulaincourt.

A 4 de Abril, Soult preocupado com o seu isolamento no Porto, envia as Divisões Lorges e Heudelet para norte na direcção de Caminha e Valença com vista a socorrer a praça de Tuy que estava cercada e onde estacionara a sua artilharia pesada e as tropas do General Thomiéres e tentar a ligação com Ney na Galiza. Para sul, afim de se proteger de algum ataque de surpreza das fôrças Luso-Britânicas que entretanto se estavam a reorganizar, envia a cavalaria de Franceschi e a Divisão Mermet que chegam até ao rio Vouga.

Face à resistência encontrada em Penafiel e no vale do Tâmega, Soult reforça as suas forças no vale do Tâmega a 7 de Abril, com a Brigada Foy que, com os Dragões de Colaincourt, formam uma Divisão sob o comando do General Conde de Loison. Silveira que retirara de Penafiel mantem-se sobre a linha do Tâmega, em Amarante.  A 13 de Abril o General Silveira contra ataca os franceses que retiram para a linha do Rio Sousa, e retoma a cidade de Penafiel.

A 14, Soult surpreendido com a ofensiva de Silveira, reforça Loison com a Brigada Arnaud apoiada por 10 bocas de fogo e ordena a La Houssaye que marche de Guimarães com a sua Divisão pela estrada do Pombeiro/Lixa sobre Amarante. Silveira, prevendo o envolvimento do seu flanco direito retira para Amarante .

A 15 de Abril De laborde retoma Penafiel e procede a reconhecimentos para leste nos dias 16 e 17.

A 18 de Abril trava-se o combate de Vila Meã entre as forças de De laborde e as avançadas de Silveira que retiram sobre Amarante. Na tarde desse dia as forças imperiais atingem a entrada de Amarante, que acabam por ocupar até â margem direita do Rio Tâmega, ficando as forças de Silveira barricadas na margem esquerda, à saída da ponte.

De 18 de Abril até 2 de Maio Silveira detem as tropas imperiais sobre a linha do Tâmega, numa defesa de 18 dias, que ficou célebre devido à enorme desproporção de meios humanos e materiais.

A 22 de Abril desembarcam em lisboa 22 000 homens sob o comando do Ten-General Sir Artur Wellesley que vieram reforçar os 10 000 homens de Sir John Cradock.

A 8 de Maio Loison sai de Amarante na direcção da Régua, onde não chega a entrar por ali encontrar as forças portuguesas do Brigadeiro Bacelar e se encontrar ameaçado no seu flanco esquerdo pelas forças de Silveira já em Vila Real a caminho de Amarante.

A 10 de Maio Loison retira de Fontelas nos arredores da Régua a caminho de Amarante vila que abandona na noite de 11 para 12 pela estrada da Lixa/Pombeiro / Guimarães.

Na manhã de 12 de Maio as tropas de Wellesley passam o Douro em Avintes. Nessa mesma manhã Soult abandona subitamente a cidade do Porto a caminho de Amarante, mas pela 1 hora e meia da madrugada do dia 13 o General francês é informado que Loison deixara Amarante a caminho de Guimarães e que a sua linha de retirada por Amarante Chaves ou Bragança estava nas mãos do inimigo. Seguindo para norte pela margem direita do rio Sousa e pela Serra de Santa Catarina, após ter destruído em Baltar tôda a sua impedimenta e artilharia, Soult, utilizando carreiros de pé posto, vai encontrar junto ao Mosteiro do Pombeiro as tropas de Loison que retiravam de Amarante, e a 14 atinge Guimarães.

A 15, Soult continua a sua marcha para norte, atingindo Salamonde, onde após ser informado que Silveira barrava a saída por Chaves na Serra da Cabreira, decide seguir uma estreita vereda para Montalegre. No dia 16 de Maio Soult é obrigado a conquistar à viva força a passagem da Ponte da Misarela o que obrigou a totalidade das tropas imperiais a parar na estreita vereda aberta na rocha quási a prumo da margem do Rio Rabagão, apertada entre um abismo à sua esquerda e a parede íngreme da montanha à sua direita.  Ao ouviram súbitamente o fogo das tropas de Silveira que atacaram a rectaguarda francesa, várias unidades imperiais foram tomadas de pânico o que causou várias centenas de mortos caídos à corrente tumultuosa do rio pela desordenada pressa em passarem o estreito tabuleiro da ponte sem de guardas. (

Na manhã do dia 18 de Maio os 15 213 homens que restavam ao Marechal Soult dos 27700 com que iniciara as suas operações em Portugal, saíram do nosso Território pela fronteira de Montalegre a caminho de Guinzo já na Galiza.

Assim terminou a Segunda Invasão dos exércitos napoléónicos a Portugal.

A TERCEIRA INVASÃO –1810/1811

A 27 de Setembro de 1809 publicava o jornal parisiense “Moniteur” a seguinte frase escrita pelo Imperador francês no seu campo imperial de Schoenbrunn : ”1 Antes de um ano serão os ingleses, apesar de todos os seus esforços, expulsos da península, e a águia imperial tremulará sobre as fortalezas de Lisboa! ".

Na verdade apesar dos desaires em que se cifraram as duas tentativas para a conquista de Portugal, a ambição de Bonaparte não desistira ainda de dominar o pequeno Reino Lusitano e até a própria Península Ibérica. Assinada a Paz de Viena, o Imperador viu-se livre de preocupações com a Europa Central e desembaraçado para poder lançar sobre a Espanha e Portugal o grosso dos seus Exércitos.

A 4 de Dezembro de 1809 Napoleão reafirma perante o Senado a sua intenção de voltar à Península e inicia o envio de forças poderosas com o principal objectivo de conquistar Portugal.  O Exército destinado a invadir e dominar a pequena Pátria Lusitana contava mais de 80 000 soldados divididos em três Corpos de Exército comandados respectivamente pelos generais Ney, Junot e Regnier e um quarto Corpo de Reserva às ordens do General Drouet, que estacionaria junto à raia portuguesa.

O comando supremo foi entregue ao mais hábil, ao mais feliz e ao primeiro dos seus generais o brilhante Marechal Massena, Príncipe de Essling e Duque de Rivoli. Em Portugal ao mesmo tempo que as tropas britânicas eram reforçadas com sucessivos desembarques de novas unidades, as tropas portuguesas eram aumentadas com novos e  repetidos recrutamentos. Deste modo Portugal pôde ter debaixo de bandeiras 54 900 homens nas tropas de 1a linha, e mais de 55 000 homens nas forças de 2ª e 3ª linha, respectivamente em companhias de Milícias e companhias de Ordenanças.

Wellington tinha estabelecido um plano para a defesa do País que consistia de modo geral numa lenta manobra de retirada afim de retardar o avanço do inimigo e desgastar as suas tropas com acções de guerrilha na sua rectaguarda de modo a suster definitivamente o avanço de um inimigo enfraquecido sobre as Linhas de Torres Vedras, cujas obras defensivas mandára reparar, reforçar e activar. Simultâneamente impôz a prática da " Terra Queimada ", de modo a retirar aos franceses tôda a possibilidade de encontrarem meios de subsistência, de abrigo e de qualquer apoio logístico para um tão grande Exército, que seria assim flagelado pela fome, pela doença e pela miséria.

Factos principais:

A 24 de Julho de 1810 os franceses atacam Salvaterra do Extremo e as forças dos Batalhões de Caçadores 1 e 3 postadas na defesa da Ponte de Almeida. Ainda a 24 se inicia o cerco à Praça de Almeida pelas tropas imperiais De 1 a 10 de Agosto cerco e conquista da fortaleza de Puebla de Sanábria, pelas forças portuguesas, onde se rendeu ao General Silveira um Batalhão Suísso ao serviço de Napoleão e onde foi tomada a primeira "Águia Imperial".

A 26 de Agosto, após o desastre do rebentamento do paiol da pólvora e munições, com a destruição de grande parte da artilharia e derrube de parte das muralhas, a guarnição de Almeida rende-se e Massena ocupa a praça.

A 27 o Corpo Regnier atravessa para norte o Tejo em Alcântara e reune-se às tropas de Ney e de Junot junto de Almeida, para iniciarem a progressão para o interior de Portugal pelo Vale do Mondego. Progredindo pela margem direita do Mondego, sempre atacados pelas guerrilhas, os franceses combatem em Santa Comba Dâo a 19 de Setembro .

A 26 dá-se um combate nas imediações da Serra do Bussaco.

A 27 Massena ataca com o grosso das suas forças as posições Luso-Britânicas de Wellington na Serra do Bussaco, sofrendo nesta batalha, que durou mais de duas horas e meia, uma indiscutível e muito significativa derrota.

Na manhâ de 28 de Setembro Wellington na previsão de Massena rodear o Bussaco por norte inicia a retirada para sul pela Mealhada e Coimbra. Ao fim do dia 28 de Setembro, Massena na impossibilidade de forçar as defesas Luso-Britânicas sobre a estrada de St.a Comba Dão/Mealhada inicia o torneamento da Serra do Bussaco por norte, pela estrada de Boialvo.

A 29 as avançadas de Massena atingem Avelãs na estrada para Coimbra.

A 30 de Setembro o Exército Luso-Britânico está a sul do Rio Mondego em marcha para o sul.

A 1 de Outubro as forças de Massena entram em Coimbra e continuam a marcha para sul dificultada pela chuvas anormalmente abundantes, enquanto Wellingtom entra com as suas forças nas inexpugnáveis Linhas de Torres Vedras, estendidas por sobre as alturas com encostas ravinadas desde Alhandra junto ao Rio Tejo até Torres Vedras e foz do rio Sizandro junto ao Mar. No Tejo, guardando o flanco direito das Linhas de Torres Vedras estacionavam três navios de guerra fortemente artilhados. Wellington tinha feito reunir grande parte das forças de 2ª e 3ª Linha portuguesas que reunidas às tropas de 1a Linha somavam mais de 100 mil homens, onde se contavam desde 22 de Outubro cerca de 8000 soldados espanhóis sob o comando dos Generais Marquez de La
Romana, O'Donnel e La Carrera.

Também, em conjugação com a prática de "Terra Queimada", ellington tinha feito recolher a sul das Linhas e mesmo a Lisboa, as populações dos Vales do ondego e norte do Tejo, com os seus gados, colheitas e provisões.

A 13 de Outubro, Massena atinge Alenquer, sempre incomodado por fortes chuvadas e por caminhos tornados intransitáveis. Nesta localidade é informado da existência das fortificações das Linhas de Torres Vedras, ao tempo inexpugnáveis. Após vários reconhecimentos nos dias seguintes Massena vê-se incapaz de continuar a sua marcha para Lisboa. Tenta, através de provocações, fazer saír Wellington das fortificações e atraí-lo para o combate aberto, mas o Comandante britânico, sensatamente, não se demoveu. As intempéries, a fome, a doença e o desânimo eram agora as armas com que Massena tinha de se defrontar.

A 15 de Novembro, Massena, completamente isolado pelas guerrilhas dos Generais Silveira, Bacelar, Wilson e Trant que impediram a chegada de reforços e provisões, com os seus homens fustigados pela fome, pela doença e pelas intempéries, inicia a retirada a caminho de Santarém, sempre perseguido pelas forças Luso-Britânicas.

A 18 dá-se um combate no Cartaxo contra a guarda da rectaguarda francesa.

A 9 de Janeiro de 1811 Soult e Mortier ocupam Mérida a caminho do Alentejo no intuito de socorrer Massena.

A 23 Soult ocupa a Cidade portuguesa de Olivença, defendida guarnecida por militares espanhóis comandados pelo Marechal D. Manuel Herk.

A 11 de Fevereiro Massena acossado pela fome envia uma força de dois regimentos de cavalaria comandada pelo Marechal Junot a atacar um depósito de trigo e vinho estabelecido pelos Aliados em Rio Maior, tendo os franceses feito retirar a pequena guarda Luso-Britânica, após luta de que resultou um ferimento no próprio Junot.

A 19 de Fevereiro Soult ataca a praça de Badajoz, que resiste.

A 4 de Março, Massena, perdida a esperança e socorro, inicia a retirada de Portugal por Leiria, mantendo as forças de Ney em guarda da rectaguarda..

A 9 Massena atinge Pombal.

A 11 de Março há o combate de Pombal com a rectaguarda dos franceses. Na mesma data Soult conquista finalmente Badajoz.

A 14, sempre perseguido pelos Aliados, trava-se o combate de Condeixa. com a rectaduarda francesa.

15 Março, dá-se o combate da Foz do Arouce. No dia 18 o combate da Ponte da Murcela.

A 22 de Março, após heróica resistência, rende-se aos franceses, operando no Alentejo, a praça de Campo Maior defendida por cerca de 30 soldados e milícias.

A 25 é retomada pelas forças de Beresford a praça de Campo Maior.

A 29 de Março a retaguarda de Massena é atacada na cidade da Guarda. A 3 de Abril sempre perseguidos pelos Luso-Britânicos, os franceses em retirada são atacados no Sabugal.

A 5 de Abril de 1811, Massena, sem ter atingido os objectivos que lhe foram impostos por Napoleão, abandonava o Território Português, entrando em Espanha, com as suas tropas famintas, doentes, descalças e esfarrapadas.

Assim terminou a terceira e última Invasão Francesa a Portugal.

O Exército Luso-Britânico vai continuar a campanha até final da Guerra Peninsular, pelos anos de 1811 -1812 -1813 e 1814, tomando parte nas grandes batalhas então travadas, nâo só na Península, mas além Pirinéus até à cidade de Toulouse .
"Esta é a ditosa pátria minha amada."
 

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capelo

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« Responder #7 em: Novembro 09, 2005, 12:50:43 am »
Bem, depois dos textos do Dremanu, nem me atrevo a dizer nada para além de que, há alguns meses li " The Peninsular War 1807-1814" escrito por Michael Glover, da colecção Classic Military History e publicado pela pela Penguin Books.
Obviamente não está centrado no desempenho dos militares portugueses, havendo mesmo algum snobismo tipicamente inglês ao longo da narrativa. No entanto, gostei de ler que as unidades portuguesas, eram prezadas pelos ingleses, vistas como capazes e corajosas e que continuaram a luta mesmo em terras espanholas, até correrem com os francius para o lado certo dos Pirinéus.
"There seems to be something wrong with our bloody ships today." Admiral Sir David Beatty Jutland 31-05-1916
 

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papatango

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« Responder #8 em: Maio 06, 2006, 06:06:36 pm »
= = =
no seguimento da discussão:
http://www.forumdefesa.com/forum/viewtopic.php?p=43752#43752
= = =
e-marques:

Eu não pretendo desmerecer do esforço dos espanhóis, mas sim afirmar que a guerrilha não foi o factor mais determinante para o resultado do conflito.
A argumentação vem no sentido de explicar que sem os ingleses, não haveria possibilidade de vitória sobre Napoleão.

É um bocado como a libertação da França.

Quando vemos alguns escritos dos franceses, quase que se fica com a impressão de que a França se libertou sozinha dos alemães, e que os aliados tiveram um papel secundário.

Em alguns casos, para os franceses, a libertação de Paris, é mesmo o factor mais importante na guerra durante 1944, quase ignorando Dunquerque.

= = = =

Ora, é evidente que a vitória em Dunquerque, se deve em parte, também à pressão das sabotagens da resistência francesa.

Mas sejamos realistas, não foram os franceses que livertaram a França.

As milicias espanholas, por muito bravas que fossem, tiveram uma actividade limitada. a apenas algumas regiões.

Em 1809-1810 as milicias espanholas lutaram contra os franceses em:

- País Basco / Navarra
- Zona de Lugo na galiza, até à fronteira
- Zona de Ciudad Rodrigo, numa faixa de uns 50 a 100 Km a partir da fronteira portuguesa de Almeida até à margem norte do Tejo.
- Zona de 25 a 50Km a partir da fronteira portuguesa desde Badajoz até ao mar.
- Duas pequenas regiões entre Gibraltar e Malaga e na região de Granada.

Em 1810, ainda resistiam a região ocidental da Galiza, e uma pequena faixa de 100Km de profundidade a partir do mar entre Valencia e Granada.

Mas mais de 80% da Espanha estava em mãos francesas e não havia resistência.

Em 1811, A resistência das forças regulares na região de Valência é derrotada e substituida por resistência das milicias mas a região da Galiza é abandonada pelos franceses. Madrid, Barcelona, Sevilha, Valência, Saragoça, Granada, Malaga, estão nas mãos dos franceses, e a pressão das milicias só se faz sentir junto à fronteira portuguesa, e do outro lado da peninsula, na região de Valência-Murcia, e ainda na região do País Basco / Navarra.

Como já disse. isto não retira nenhum mérito às ,ilicias espanholas, que a meu ver, estavam mal enquadradas e não tinham um plano coordenado de acção que lhes permitisse agir em conformidade.

O problema étnico, também complicava tremendamente a gestão das questões militares, porque os espanhóis, não queriam ficar sob comando inglês, nem eram capazes de agir sem ele e além, disso, várias milicias obedeciam a chefes diferentes, os quais nem sempre estavam de acordo.

Muitos dos grupos de guerrilheiros, eram capitaneados por um senhor de terras, ou por militares isolados, e os maiores grupos tinham até 500 homens (o que para força de guerrilha é bastante). mas a maioria era constituida por grupos muito mais pequenos.

É evidente, que quando os ingleses compararam o exército português com os espanhóis, e especialmente com a dificuldade de coordenação que tinham com as tropas espanholas e ou com as milicias, eles achassem os portugueses mais eficientes.

Cumprimentos
 

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sierra002

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« Responder #9 em: Maio 06, 2006, 09:00:40 pm »
Citar
Espero ter explicado a diferença, e talvez o conceito não seja assim tão diparatado. Talvez o Augusto Bizarro entenda, que eu tenho SEMPRE uma noção muito precisa do que estou a dizer.

Patango no sabe de historia, y menos, de la de España.

Citar
Os espanhóis -Durante la invasión napoleonica- nunca tiveram capacidade para enfrentar os franceses e sempre que o fizeram, foram completamente esmagados


Pues no señor, el ejercito español fue capaz de enfrentarse solo a los franceses y vencerles mas de una vez.

Mi favorita, la batalla de Bailen, donde el general Castaños rinde a Dupont.

Aqui el cuadro mostrando el momento del encuentro por Casado de Alisal. Observese el detalle de que el lado español no aparece ninguna bandera que no fuera española.



Texto sobre la batalla. Es del MDE español, para que no se hable de la Wikipedia.

http://www.ejercito.mde.es/ihycm/revist ... rvello.htm


De nuevo pido una sanción para Papatango, entre otras cosas, para que este foro deje de ser el cachondeo de los foros de defensa.
 

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papatango

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« Responder #10 em: Maio 06, 2006, 09:29:40 pm »
Bailem.

Tenho que reconhecer o meu erro, relativamente a essa batalha, e quanto ao que disse inicialmente.  :oops:

Pretendia referir-me aos esforços das forças irregulares espanholas, e não a forças regulares.

De qualquer forma está feita a correcção

Cumprimentos
 

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manuel liste

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« Responder #11 em: Maio 07, 2006, 09:12:50 pm »
Citação de: "sierra002"
Citar
Os espanhóis -Durante la invasión napoleonica- nunca tiveram capacidade para enfrentar os franceses e sempre que o fizeram, foram completamente esmagados

Pues no señor, el ejercito español fue capaz de enfrentarse solo a los franceses y vencerles mas de una vez.

Mi favorita, la batalla de Bailen, donde el general Castaños rinde a Dupont.
.


Yo conozco otras dos victorias en campo abierto protagonizadas por fuerzas regulares españolas. Aparte de la muy famosa de San Marcial de 1813, otra menos conocida fue la que tuvo lugar en Pontesampaio (en Arcade, al sur de la ciudad de Pontevedra) en junio de 1809, y que expulsó definitivamente a las fuerzas francesas de Galicia. Esta última fue todavía más notable, pues lo que por entonces todavía era una milicia mal armada consiguió rechazar a todo el C.E de Ney quien, temiendo el cerco, se retiró hacia Zamora por Orense.

Está claro que el Estado Mayor francés diseñó mal la campaña de invasión de Galicia de 1809, pues cuando el C.E de Soult pasó a Portugal, todas las comarcas de la costa gallega que dejó a sus espaldas se alzaron victoriosamente contra los ocupantes, cortando por tanto sus líneas de suministro. Sólo en Vigo, por entonces una villa de unos 4000 vecinos, fueron capturados y embarcados hacia Inglaterra 1300 prisioneros.
 

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emarques

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« Responder #12 em: Maio 08, 2006, 12:39:20 am »
As linhas de abastecimento não eram tão importantes para um exército do tempo napoleónico como o são hoje em dia. Começavam a ser mais importantes que anteriormente, mas ainda assim as necessidades de abastecimento eram reduzidas, pois podiam "adquirir" comida junto das populações, e o gasto de munições era relativamente baixo. Isto enquanto estavam em movimento, porque um exército parado rapidamente esgotava a capacidade local de lhes fornecer comida.

Mais importantes eram as linhas de comunicação. Os corpos de exército precisavam de manter-se em contacto para operar coerentemente, e Soult ao entrar em Portugal ficou rapidamente isolado das restantes forças francesas. Mesmo que os galegos não se tivessem rapidamente sublevado, essas linhas seriam cortadas, porque se a população minhota foi suficientemente decidida para impedir que Soult atravessasse o rio Minho, com certeza que os correios franceses também não passavam. E o caminho que Soult seguiu para entrar no país foi cortado por Silveira, que retomou Chaves e ocupou a ponte de Amarante.

Citação de: "papatango"
Eu não pretendo desmerecer do esforço dos espanhóis, mas sim afirmar que a guerrilha não foi o factor mais determinante para o resultado do conflito.
A argumentação vem no sentido de explicar que sem os ingleses, não haveria possibilidade de vitória sobre Napoleão.

Então, e eu concordei, não foi? (discordei mais foi com o esmagamento dos regulares, e por isso é que a minha mensagem começava por "Bailén"). Não foi o factor mais determinante. Só que acho que também não foi insignificante. Mantiveram os franceses espalhados um pouco por toda a Espanha, o que deixou o exército aliado muito mais à vontade para manobrar sem o perigo de subitamente serem confrontados com forças muito superiores em número.

E contribuíram também através do tal corte das comunicações. Os correios franceses tinham que andar acompanhados de escoltas fortes, e mesmo assim tinham sérios problemas em passar. Como mencionei no outro tópico, quando Junot assina a convenção de Sintra estava sem saber de Loison desde o combate dos Cachões da Valeira. O Q.G. de Junot só tinha acesso a rumores de que Loison teria sido derrotado quando se dirigia ao Porto, e que diziam que o general francês teria sido capturado ou morto. Ou seja, Junot não sabia se havia qualquer possibilidade de retirar sobre Almeida em vez de se render. Devido à acção de guerrilhas portuguesas que tinham impedido a passagem dos correios.
Ai que eco que há aqui!
Que eco é?
É o eco que há cá.
Há cá eco, é?!
Há cá eco, há.
 

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Luso

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« Responder #13 em: Maio 08, 2006, 09:10:43 pm »
Só para dizer que os Ospreys sobre a Guerra Peninsular são publicações excelentes...  c34x  :mrgreen:
Ai de ti Lusitânia, que dominarás em todas as nações...
 

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Miguel Sá

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« Responder #14 em: Maio 08, 2006, 11:02:42 pm »
Sobre o Exército Português deste periodo uma boa fonte de informação é http://www.arqnet.pt , tem um link para este tema e dá a conhecer os nossos regimentos e orbats

Quanto ao periodo da Guerra Civil, infelizmente ou não encontro informação ou não existe.
No pós guerra tal este site dê uma ideia do que era o nosso exército http://www.viriatus.com/uniformes.asp
 

 

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